quinta-feira, 30 de abril de 2015

Você já ouviu falar no Mar do Diabo, ou no Triângulo do Dragão?! Conheça no post de hoje!

Hoje vamos falar sobre um ponto curioso no planeta; pouco conhecido do público no Ocidente, mas extremamente temido pelos povos do extremo Oriente desde tempos medievais. Trata-se do Mar do Diabo (o nome já pode assustar os mais crédulos, esperando a história que o post contém), mas também conhecido popularmente como “Triângulo do Dragão” e “Triângulo das Bermudas do Pacífico”.


O chamado Mar do Diabo (Triângulo do Dragão) é uma região do Oceano Pacífico ao redor da Ilha Miyake, cerca de cem quilômetros ao sul da Baía de Tóquio, no Japão. De acordo com os crédulos, um dos lados do triângulo pode estar na Ilha de Guam. Apesar de o nome ser usado popularmente no Japão, na China, na Rússia e nas duas Coreias, não aparece nas cartas náuticas de nenhuma parte do mundo (as histórias envolvendo esta parte do mundo não são muito conhecidas no Ocidente).

Junto com o mito envolvendo o Triângulo das Bermudas (tema já abordado por este blog há algum tempo), os orientais creem que no Mar do Diabo (Triângulo do Dragão) também ocorram eventos inexplicáveis, ufológicos, paranormais, parapsicológicos e de natureza duvidosa. Há muito sensacionalismo envolvendo esta parte do mundo, e japoneses, chineses e coreanos acreditam que, nesta parte do globo terrestre, aviões e barcos perdem o destino e simplesmente desaparecem.


De acordo com os geógrafos que já trabalharam no mito do Mar do Diabo (Triângulo do Dragão), ao contrário de muitas declarações, nem lá no Pacífico nem o Triângulo das Bermudas estão localizados na linha agônica, onde o norte magnético se iguala ao norte geográfico. A declinação magnética nesta área é de cerca de cinco graus. O que realmente existe é que, curiosamente, o Triângulo das Bermudas situa-se diretamente na mesma linha de latitude do Mar do Diabo (Triângulo do Dragão), 35 graus, levando muitos pesquisadores a acreditar que possa existir um “buraco de minhoca”, um tipo de túnel que poderia ligar o Triângulo das Bermudas com o Triângulo do Dragão, dando a entender que um dos dois triângulos serve como buraco negro e o outro como um buraco branco.



Entre os fenômenos reportados no local do Mar do Diabo (Triângulo do Dragão) estão: perdas de barcos, desaparecimentos de aviões (em número maior até que os casos relatados nas Bermudas), avistamentos de supostos navios-fantasmas, barcos piratas, objetos submarinos não-identificados (OSNI’s), discos voadores, perdas de memória, enjoos repentinos, perdas de intervalos de tempo etc. De acordo com os céticos, os casos relatados estão ligados aos excessos de superstição nas culturas do Japão, da China e das duas Coreias.

Opinião de Charles Berlitz...
O escritor de ficção norte-americano Charles Berlitz escreveu um livro chamado “O Triângulo do Dragão”, publicado originalmente em 1989. Segundo ele, o local aparece como uma zona perigosa nos mapas japoneses desde os tempos feudais. Também afirma que, nos anos de paz entre 1952 e 1954, o Japão perdeu cinco embarcações militares com um total de tripulação desaparecida que supera 700 pessoas. O governo japonês, a fim de saber o motivo da perda de barcos e pessoas, financiou uma embarcação de investigação tripulada com mais de cem cientistas para estudar o Mar do Diabo. Depois, a embarcação desapareceu com todos os cientistas, e o Japão declarou a área como zona perigosa.

No entanto, apesar de as histórias publicadas no livro, muitas delas são pura ficção que os franceses chamam de “intoxicação da informação”. Ou seja, factoides de informações envolvendo espaço e tempo sem anacronismo, fazendo tais ficções parecerem com verdade, levando à confusão das pessoas. Haja vista que em nenhum mapa japonês há esse alerta de que aquela zona seja perigosa.

Reputação...
Segundo a investigação de Larry Küsche, essas “embarcações militares” eram embarcações de pesca, e alguns deles se perderam fora do Mar do Diabo, tão longe como perto de Iwo Jima (cerca de mil quilômetros ao sul do Japão). Também assinala que, naquela época, a cada ano se perdiam centenas de barcos de pesca ao redor do Japão.

A embarcação japonesa de investigação que Berlitz mencionou, chamada “Kaiyo Maru 5”, com uma tripulação de 31 pessoas a bordo (não cem como dizem), foi destruída por uma erupção em 24 de setembro de 1952, em uma missão de investigação sobre a atividade de um vulcão submarino, o Myojinsho, a uns 300 quilômetros ao sul do Mar do Diabo. Alguns restos foram recuperados.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Epopeia de Gilgamesh: a gênese do mito bíblico de Noé?! Fato ou farsa?!

Hoje vamos falar um pouco sobre um dos mais antigos, mais estudados, mais controversos e mais ricos mitos de toda a história da Humanidade. Trata-se da Epopeia mesopotâmica de Gilgamesh: controvertida porque se assemelha em toda sua narrativa à história de Noé, descrita na Bíblia judaico-cristã. No entanto, o heroísmo de Gilgamesh foi descrito pelos mesopotâmios setecentos anos antes que Noé aparecesse no primeiro livro bíblico, do Gênesis. Muitos fundamentalistas cristãos dizem que a história envolvendo Gilgamesh é uma cópia de Noé, datada pelos cientistas para que as pessoas desacreditassem na Bíblia, o “livro das verdades”.


A Epopeia de Gilgamesh é um antigo poema épico (contando aventuras) da região da Mesopotâmia (onde hoje se situam o Iraque e o Kuwait), sendo uma das primeiras obras conhecidas da literatura mundial. Crê-se que sua origem seja vinda de diversas lendas e poemas sumérios sobre o mitológico deus-rei Gilgamesh, que foram compilados e reunidos num só livro no século 7 a.C. pelo Rei Assusbanípal. Antes disso, esse mítico herói era lembrado nas rodas de contos orais pelos mais velhos, transmitidos para os mais jovens, desde pelo menos 1700 a.C.

Gilgamesh (imagem abaixo) tinha tanta importância para a cultura suméria que ganhou dois títulos: “Aquele que viu as profundezas” (por conta de uma narrativa em que ele vai até o inferno e voltara vivo) e “Aquele que se eleva sobre todos os reis da terra” (por causa da sua incrível inteligência e esperteza). De acordo com alguns arqueólogos, Gilgamesh provavelmente foi um monarca do fim do segundo período dinástico inicial da Suméria, por volta do século 26 a.C.


Toda epopeia gira em torno da relação entre Gilgamesh e seu companheiro de todas as horas, Enkidu, um homem selvagem criado pelos deuses como um equivalente de Gilgamesh, para que o distraísse e evitasse que ele oprimisse os cidadãos de Uruk. Juntos passam por diversas missões, que acabam por descontentar os deuses; primeiro vão às Montanhas do Cedro, onde derrotam Humbaba, seu monstruoso guardião, e depois matam o Touro dos Céus, que a deusa Ishtar havia mandado para punir Gilgamesh por não ceder às suas investidas amorosas.

A parte final do épico é centrada na reação de transtorno de Gilgamesh à morte de Enkidu, que acaba por tomar a forma de uma busca pela imortalidade. Gilgamesh intenta uma longa e perigosa jornada para descobrir o segredo da vida eterna e vem a consultar Utnapishtim, o herói imortal. Depois de ouvir Gilgamesh, o sábio proclama: “A vida que você procura nunca encontrará. Quando os deuses criaram o homem, reservaram-lhe a morte, porém mantiveram a vida para sua própria posse”. Gilgamesh, no entanto, foi celebrado posteriormente pelas construções que realizou, e por ter trazido de volta o conhecimento perdido de diversos cultos para Uruk, após seu encontro com Utnapishtim. A história é conhecida por todo o mundo, em diversas traduções, e seu protagonista, Gilgamesh, se tornou um ícone da cultura popular.

Em algumas traduções da história, Gilgamesh pode ser confundido por outro herói sumério que o Judaísmo “tomou emprestado” para a Bíblia: Utnapishtim, o primeiro homem da terra, criado pela deusa Ishtar para viver com sua companheira, sem pecado, num jardim maravilhoso, até terem comido a fruta do pecado. Esse épico entrou para a Bíblia cristã como sendo a história da criação do mundo, e a vinda à terra de Adão e Eva.

A história que envolve “Noé”...
Gilgamesh (ou Utnapishtim, dependendo da consulta da fonte), na sua busca por sabedoria, fica a par de que os deuses estavam desgostosos com a humanidade, e concederam a vida a Gilgamesh e sua família, desde que construíssem uma enorme arca para abrigar as espécies de animais e plantas, pois a terra seria varrida por um aguaceiro sem precedentes.

Segundo o épico, o nosso herói sumério fez tudo o que foi ordenado. O aguaceiro veio, ele protegeu as plantas e os casais de animais. Depois de sete dias navegando sem destino por um mar sem fim, um deus avisou-lhe que era hora de procurar por terra firme e repovoar a terra. Assim, com sua inteligência, Gilgamesh soltou um corvo que não retornou (sinal que ele encontrara terra firme, encontrando carniça dos mortos da enchente devastadora para comer).


A semelhança com o conto bíblico é incrível. De acordo com os antropólogos, teólogos revisionistas e historiadores, os judeus ouviram muito dessa história enquanto estiveram convivendo com mesopotâmios no Cativeiro da Babilônia; desta forma, agregaram para si a história do dilúvio vencida por Gilgamesh (ou Utnapishtim). Muitos teólogos conservadores afirmam que as datas estão erradas, e não há comprovação que este mito tenha sido originado séculos antes do fato verdadeiro vivido por Noé; o objetivo deles é não diminuir os fatos bíblicos nem a grandiosidade de Deus, por isso a Epopeia de Gilgamesh ainda encontra muitos críticos vorazes.

Voltando ao mito...
Seu registro mais completo provém de uma tábua de argila escrita em língua acádia do século 8 a.C. pertencente ao Rei Assurbanípal, tendo sido no entanto encontradas tábuas com excertos que datam do século 20 a.C., sendo assim o mais antigo texto literário conhecido, e seria o equivalente mesopotâmico de Noé. A primeira tradução moderna foi realizada na década de 1860 pelo estudioso inglês George Smith.

Esse registro, herdado por tradição oral dos tempos pré-históricos, de acordo com algumas teorias, terá tido a sua origem no final da última era glacial. Outras teorias dizem que foi um tombamento do eixo planetário, causado ou pela gravidade de um meteoro que passou perto da terra durante a época ou pela inversão do polo magnético da terra que acontece de tempos em tempos.

Versões de fragmentos atuais desenterrados pela arqueologia atestam, entre outras histórias, a lenda de dois seres que se amaram, Isa e Ani, geraram uma filha, Be. Porém Ani esteve na floresta de Humbaba procurando por Isa, e dizem que por algum motivo nunca mais se viram. As inscrições em cuneiforme (principalmente o assírio) atestam que ele nunca desistiu de procurar Isa, e este casal é o fundador do amor mesopotâmico.

sábado, 25 de abril de 2015

Ator de pegadinha russa morre durante gravação na rua: fato ou farsa?!

Nos últimos anos há uma “corrente” na internet que divulga o que seria uma pegadinha mortal divulgada pela televisão russa, em 1995. Nessa pegadinha, o rapaz, ator da rede de televisão, se esconde numa caixa de correio e termina morto por vários tiros dados por um valentão que não gostou da brincadeira. Isso causou pavor e revolta de várias pessoas da internet. Veja a pegadinha no vídeo abaixo:




Assustador, não?! Mas na verdade, essa pegadinha é uma farsa muito bem elaborada por uma equipe de publicidade. Essa pegadinha está cortada. Tratava-se de uma campanha publicitária de uma operadora de seguros da Rússia. O ator valentão aparece em várias outras pegadinhas, sempre terminando da mesma forma: sacando o revólver e atirando em todo mundo.

A mensagem da campanha é simples: como a Rússia é um país extremamente violento, o objetivo era que as pessoas se protegessem de todos os tipos de má sorte, inclusive no caso de um valentão no meio da rua. Veja os outros vídeos da campanha de publicidade:







Interessante, não?!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Efeito lunar: teoria de fato, ou uma farsa com toque folclórico?!

O chamado “efeito lunar” é uma teoria pseudocientífica que se sobrepõe em sociologia, psicologia e fisiologia, sugerindo que há correlação entre as fases específicas do ciclo lunar na Terra e o comportamento divergente em seres humanos. Os créditos de uma correlação de fases lunares para o comportamento humano não se sustentam sob o escrutínio científico. Ao longo dos últimos 30 anos, ainda mais evidência surgiram para sublinhar que isto é uma pseudociência.


A ideia por trás do efeito lunar tem fascinado muitos estudiosos do comportamento e justificam muitas experiências e estudos. A maioria dos experimentos, no entanto, não encontrou nenhuma correlação entre as variáveis e, portanto, refutaram a hipótese.

Talvez os mais famosos mitos decorrentes desta teoria é a lenda do lobisomem; de acordo com a lenda, durante a lua cheia, o ser humano que tem raiva – doença – torna-se um ser horrível, metade homem, metade lobo/cachorro com comportamentos animalescos.


Acredita-se que, durante a lua cheia, aumentem o número de crimes violentos, o índice de homicídios, acidentes de trânsito, de suicídios e das internações nos hospícios, licantropia, vampirismo, lobisomens, alcoolismo, sonambulismo, epilepsia, entre outros. A lua cheia também é relacionada à fertilidade por isso atribuem-se que mais mulheres dão à luz na lua cheia. Uma teoria afirma que a lua tem uma relação percebida com a fertilidade é devido ao ciclo menstrual humano que corresponde em média 28 dias.

No meio rural, muitos agricultores consultam a Lua antes de plantar ou podar, pois acreditam que as colheitas são mais abundantes se as sementes forem plantadas nas fases certas da Lua; também consultam a Lua antes de podar plantas, colher frutos, fertilizar o solo, cortar madeira, realizar a pesca etc. Já nos salões de beleza e cabeleireiros muitos fazem o mesmo na hora de cortar o cabelo.

De acordo com os astrônomos mais renomados e que estudam a Lua, seu poder gravitacional é muito pequeno em relação ao poder gravitacional do Sol, por exemplo. Segundo eles, o máximo que pode ocorrer é o efeito lunar sobre as marés, causando maré alta e maré baixa.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Considerações importantes sobre o chamado “Efeito ideomotor”...

Efeito ideomotor” é o nome dado à influência da sugestão sobre movimentos corporais involuntários e inconscientes. O fenômeno foi originalmente descrito pelo naturalista britânico William Benjamin Carpenter em 1852, em um artigo sobre radiestesia. Porém, o químico francês Michel Chevreul havia se deparado com a mesma ideia já em 1808.


O experimento de Chevreul...
Em 1808, um químico chamado Gerboin, de Estrasburgo, escreveu um livro sobre a utilização de pêndulos para realizar análises químicas. O método consistia em manter um pequeno anel de metal seguro por um cordão delgado sobre uma placa inscrita com as letras do alfabeto. O anel supostamente se moveria em direção às letras da substância a ser examinada, da mesma forma em que hoje o tabuleiro ouija responde às perguntas de participantes das sessões.

Michel se espantou com os resultados dos testes com o novo método, a princípio surpreendentes, mas manteve-se cético. Inicialmente, ele utilizou o pêndulo sobre uma placa de mercúrio e observou que o pêndulo continuava funcionando. Em uma segunda etapa, percebeu que quando o mercúrio era coberto por uma placa de vidro, o anel de metal diminuía seu movimento até parar. Finalmente, repetiu a primeira experiência com os olhos vendados, pedindo a um assistente para colocar e retirar a placa de vidro sem que ele soubesse. O resultado foi que o anel não se movia, não importando se havia ou não a placa de vidro. Como conclusão para o experimento, Michel escreveu: “Enquanto eu acreditava que o movimento era possível, ele aconteceu; mas depois de descobrir suas causas eu não conseguia mais reproduzi-lo”. De acordo com ele, seus experimentos mostram como é fácil “ver ilusões como verdades, sempre que somos confrontados com fenômenos em que os sentidos humanos estão envolvidos em situações mal analisadas”.

O experimento de Michael Faraday...
O físico inglês Michael Faraday envolveu-se em um amplamente divulgado experimento envolvendo as mesas girantes em 1853. Neste fenômeno, pessoas se sentavam em torno de uma mesa redonda com as mãos sobre ela, e, depois de algum tempo, a mesa inclinava-se sobre uma de suas pernas, chegando a mover-se pela sala. Segundo os espíritas, os movimentos são causados por espíritos desencarnados.

Faraday convidou algumas pessoas que considerava sérias e que haviam participado com sucesso de sessões com a mesa girante. Ele preparou a mesa cobrindo-a com uma pilha de folhas, presas por um elástico. As folhas se moviam facilmente, de forma que ficava possível identificar a origem dos movimentos. Assim, Faraday queria isolar a origem do movimento: a mesa ou as mãos dos participantes.

Segundo Faraday, se a mesa fosse a origem dos movimentos e se movesse da direita para a esquerda, as folhas formariam uma escada subindo da esquerda para a direita, já que a folha em contato com a mesa seria a primeira a se mover. As outras folhas, devido ao atrito com as inferiores, também se moveriam, mas seriam retardadas pelo atrito com as mãos dos participantes do experimento.

Como o físico esperava, o que aconteceu foi o contrário: se a mesa se movia para a esquerda, as folhas formavam uma escada para a esquerda e vice-versa, supostamente denunciando que o movimento partia das mãos dos participantes.


O experimento de Ray Hyman...
O professor de psicologia Ray Hyman, da Universidade do Oregon, realizou em 1992 um experimento com a finalidade de demonstrar como funciona o efeito ideomotor. Primeiramente, explicou a um grupo de alunos o funcionamento das varinhas de radiestesia. Então, andou pela sala, fazendo com que as varinhas se encontrassem em um lugar arbitrário. Depois, pediu para os alunos repetirem a experiência, dizendo que naquele local provavelmente se encontrava uma tubulação de água: quase todos sentiram uma força incomum que fazia com que as varinhas se cruzassem naquele mesmo local. Então, repetiu exatamente a mesma experiência para outro grupo, mas fazendo as varinhas se cruzarem em outro ponto arbitrário. O resultado foi que as varinhas dos alunos se cruzaram também no ponto em que eles acreditavam que elas se cruzariam.

Voltando ao assunto do efeito ideomotor...
Céticos e cientistas utilizam as demonstrações do efeito ideomotor para explicar fenômenos como os tabuleiros ouija, as mesas girantes e vários fenômenos relacionados à radiestesia. O famoso debunker americano James Randi oferece um prêmio de um milhão de dólares a quem provar habilidades paranormais; no rol dos participantes, a grande maioria é de radiestesistas; os experimentos para provar as habilidades dos candidatos são baseados nas ideias dos cientistas que estudaram o efeito ideomotor. Porém, o efeito ideomotor se manifesta em ocasiões de rotina, como quando, durante uma partida de futebol, “chutamos a poltrona quando o atacante hesita diante do gol” ou quando “procuramos o pedal do freio a cada manobra arriscada do amigo que está no volante”.


Críticas...
Espiritualistas e até mesmo alguns cientistas não consideram o efeito ideomotor suficiente para explicar muitos fenômenos parapsicológicos. A Associação de Radiestesia do Canadá afirma que o efeito radiestésico é provocado pela intuição de quem segura as varinhas, que funcionariam como antenas, aumentando a percepção humana. Outras explicações envolvem anomalias magnéticas ou elétricas, em que a condutividade da pele é um fator predominante.

Alfred Russel Wallace, cofundador da teoria da evolução com Charles Darwin, acreditava que os experimentos de Faraday com as mesas girantes não eram suficientes para explicar o fenômeno. Ele participou de várias sessões das mesas girantes e observou que “há um poder obscuro revelado pelos corpos das pessoas, quando se coloca as mãos sobre uma mesa e nos conectamos através dela”. Wallace também disse ter presenciado situações em que as mesas levitaram durante algumas sessões.

George P. Hansen, em um artigo acadêmico para o “Journal of the Society for Psychical Research”, fez uma compilação de vários experimentos envolvendo a radiestesia. O resultado a que chegou foi inconclusivo, devido a muitas fraudes e experimentos mal conduzidos e mal documentados.

sábado, 18 de abril de 2015

Teorias conspiratórias envolvendo a morte do Papa João Paulo I: fato ou farsa?!

O Papa João Paulo I (foto abaixo) morreu em setembro de 1978, pouco tempo depois de completar um mês de sua eleição para o papado. A superbrevidade de seu pontificado e as contradições, erros e imprecisões na versão do Vaticano sobre esta suscitam até hoje especulações a respeito de que ele teria sido vítima de uma conspiração. Apesar da falta de provas e conclusões, há muita fantasia na hipótese de que o Papa tenha sido envenenado durante a noite.


A fundamentação da teoria de conspiração...
O Vaticano afirma que o Papa João Paulo I morreu de um ataque cardíaco em sua cama, e que a autópsia não foi realizada devido à oposição de alguns membros da família. Alguns aspectos desta declaração oficial, no entanto, foram mais tarde contrariados: não foi o irlandês John Magee (então bispo), que foi secretário pessoal dos papas Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, a primeira pessoa a encontrar o cadáver do Papa, mas sim uma das freiras que cuidavam de afazeres domésticos, como foi conhecido em 1988; a família do falecido papa, em 1991, revelou que não faleceu em sua cama, mas em seu escritório; e, além disso, teria sido feito uma autópsia, de acordo com outros relatórios. Estas inconsistências oficiais, juntamente com outros fatores de desenvolvimento econômico, têm dado origem a teorias conspiratórias que apontam para um envenenamento do pontífice.

Um dos inúmeros boatos surgidos após a morte de João Paulo I diz que seu pontificado entrara em choque com ideias e interesses da Opus Dei. Sua saída repentina do cenário daria espaço a setores da Igreja ligados à Cúria Romana mais empenhados em combater as tendências socialistas então emergentes no clero em vários países. Alguns especuladores reforçaram a tese com a eleição de João Paulo II, um pontífice conservador em relação a diversas questões, como contracepção e política. De fato, o ainda bispo Luciani desejara ao menos uma revisão das posições tradicionais da Igreja católica sobre estes temas, consultando-se com especialistas em reprodução humana e com filósofos e pensadores de distintas religiões – provocando o chamado ecumenismo.

Existem também algumas teses que defendem que os negócios pouco claros entre o Banco Ambrosiano e o Banco do Vaticano foram o motivo do seu assassinato perpetrado pela alta hierarquia da Igreja em cumplicidade com a máfia ligada ao Banco Ambrosiano e as irmandades secretas maçônicas, já que o objetivo deste Papa seria a denúncia de crimes econômicos e tencionando começar esse desafio pessoal dentro da Igreja.

Alguns teóricos da conspiração ligam a morte de João Paulo (em setembro de 1978) com a imagem do “bispo vestido de branco”, dito ter sido visto por Lúcia Santos e os seus primos Jacinta Marto e Francisco Marto, durante as visitas de Nossa Senhora de Fátima em 1917 . Em uma carta a um colega, João Paulo disse que ele estava profundamente comovido por ter encontrado com Lúcia e prometeu realizar a Consagração na Rússia.


O livro de David Yallop...
O jornalista britânico David Yallop publicou em 1984, após longa pesquisa, a obra “Em nome de Deus”, na qual oferece pistas sobre uma possível conspiração para matar João Paulo I. Ao dar-se crédito às fontes de Yallop (que incluem inúmeros clérigos e habitantes da cidade do Vaticano), João Paulo I esboçara, no início de seu breve pontificado, uma investigação sobre supostos esquemas de corrupção no Banco do Vaticano, que possuía muitas ações do Banco Ambrosiano.

O Banco do Vaticano perdeu cerca de um quarto de bilhão de dólares. Logo após eleger-se Papa, ele ficara a par de inúmeras irregularidades no Banco Ambrosiano, então comandado por Roberto Calvi, conhecido pela alcunha de “Banqueiro de Deus” por suas íntimas relações com o Vaticano. Esta corrupção foi real e é conhecida por ter envolvido o chefe do Banco do Vaticano, Paul Marcinkus, juntamente com Calvi. Calvi era um membro da “P2”, uma loja maçônica italiana ilegal. Ele foi encontrado enforcado numa ponte em Londres, depois de ter desaparecido antes da corrupção se tornar pública. Sua morte foi inicialmente dada como suicídio, e um segundo inquérito – ordenado por sua família –, em seguida, retornou a um “veredicto aberto”.


Entre os envolvidos no esquema estaria o então secretário de Estado do Vaticano e Camerlengo, Jean Villot, o mafioso siciliano Michele Sindona, o cardeal de Chicago John Cody e o bispo Paul Marcinkus, então presidente do Banco do Vaticano. As nebulosas movimentações financeiras destes não passaram despercebidas pelo “Papa Sorriso”. Também são citados supostos membros da loja maçônica “P2”, como Licio Gelli (deve-se ressaltar que pertencer a essa comunidade secreta sempre foi e ainda é considerado motivo de excomunhão pela Igreja católica).

A Cúria Romana como um todo teria rechaçado o perfil humilde e reformista de João Paulo I. Diversos episódios no livro corroborariam essa tendência: o “Papa Sorriso” sempre repudiou dogmas, ostentação, luxo e formalidades; para ficar num exemplo, ele detestava a sedia gestatória, a liteira papal (argumentando que, por mais que fosse o líder espiritual de quase mil milhões de católicos, não se sentia importante a ponto de ser carregado nos ombros de pessoas). Após muita insistência curial, ele passou a usá-la.

Yallop cita a digitalina (veneno extraído da planta com o mesmo nome) como a droga usada para pôr fim ao pontificado de João Paulo I. Essa toxina demora algumas horas para fazer efeito; Yallop defende que uma dose mínima de digitalina, acrescentada à comida ou à bebida do Papa, passaria despercebida e seria suficiente para levar ao óbito. E para o autor de “Em nome de Deus”, teria sido muito fácil, para alguém que conhecesse os acessos à cidade do Vaticano, penetrar nos aposentos papais e cometer um crime dessa natureza. Outras obras de investigação também lançam a teoria de envenenamento: o livro “El día de la cuenta”, do sacerdote espanhol Jesús López Sáez, pressume que o Papa foi envenenado com uma forte dose de um vasodilatador. Sem se deter na morte de João Paulo I, Yallop ainda insinuou que João Paulo II seria conivente com todas as irregularidades detectadas no pontificado de seu breve antecessor.


O livro de John Cornwell...
As teorias defendidas por Yallop foram parcialmente refutadas pelo escritor John Cornwell, também britânico, em seu livro “A thief in the night”. Em diversos tópicos, como o horário e a causa da morte do Papa, Cornwell contesta as afirmações e provas de Yallop e oferece sua versão, mantendo o debate aberto. Os que defendem as teses expostas em “Em Nome de Deus” afirmam que Cornwell seria ligado a personalidades influentes da Cúria Romana, embora apontem como ocorrências incomuns a estranheza da maneira como se deu o rápido embalsamamento do papa, as notícias contraditórias sobre quem encontrou o corpo e o fato de João Paulo I não ter sido devidamente atendido por médicos através de procedimentos para a prevenção de sua morte e a corrupção que envolvia Marcinkus.

A visão de Abbé Georges de Nantes...
O teólogo tradicionalista Abbé Georges de Nantes passou grande parte de sua vida construindo um caso de assassinato contra o Vaticano, coletando depoimentos de pessoas que conheceram o Papa, antes e após a sua eleição. Seus escritos entram em detalhes sobre os bancos e sobre a suposta descoberta de João Paulo I de alguns sacerdotes maçons no Vaticano, juntamente com uma série de suas propostas de reformas e devoção a Fátima.


Suposta previsão de Nostradamus...
Em sua obra “Centúrias”, o profeta francês do século 16 Nostradamus teria previsto a morte de um Papa em circunstâncias muito semelhantes às de um suposto assassinato de João Paulo I (profecia relatada na Centúria 10, Quadra 12), embora não estejam específicas outras circunstâncias, como nome e época: “O Papa eleito será traído por seus eleitores, / Esta pessoa prudente será reduzida ao silêncio. / Eles o matarão porque ele era muito bondoso, / Atacados pelo medo, eles conduzirão sua morte à noite”.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Explicando os fatos e as farsas envolvendo os supostos ectoplasmas...

O termo “ectoplasma” – de origem do grego “ektós”, “por fora”; e “plasmá”, “substância que sai” – foi introduzido na parapsicologia por Charles Richet a fim de designar uma espécie de substância esbranquiçada, muito curiosa, que pode exteriorizar-se para fora do corpo de determinados médiuns, mais frequentemente pela boca, mas que pode sair por qualquer parte do corpo. É também supostamente sensível a determinados impulsos, se exterioriza visível a partir do corpo de determinados indivíduos com características especiais (sensitivos, por exemplo), permitindo a materialização de formas de corpos humanos distintos daquele de onde saiu ou de formas de membros tais como mãos, rostos e bustos. Apesar de existirem muitos registros de atividade ectoplásmica, incluindo vasto material fotográfico, sua existência, até o momento, não foi comprovada pelo método científico.


O ectoplasma é alegadamente uma substância fluídica, de aparência diáfana, sutil, que flui do corpo de um médium apto a produzir fenômenos físicos, principalmente a materialização. O pesquisador Ernesto Bozzano relata em seu livro, “Pensamento e vontade”, que a substância ectoplásmica já era bem conhecida pelos alquimistas do século 17, como Paracelso, que a denominou “mysterium magnum”, e Thomas Vaughan, que a definiu por “matéria prima”. Também o polímata Emanuel Swedenborg, grande espiritualista do século 18, realizou experimentos com a substância sem empregar o termo “ectoplasma”, registrou sobre “uma espécie de vapor que lhe saía de todos os poros, um vapor d’água assaz visível, que descia até roçar no tapete”.

O criador do termo, Richet, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1913, por ter descoberto a anafilaxia, uma espécie de reação alérgica, dedicou-se a trabalhos espíritas com o intuito de descrever experiências sobre os fenômenos de materialização produzidos por Eva Carrière e alguns outros médiuns famosos do início do século 20.

O psiquiatra italiano Enrico Imoda produziu o livro “Fotografias de fantasmas”, com prefácio de Richet. Nesse livro, Imoda mostra uma teoria elaborada a partir das experiências de ideoplastia, onde propôs três formas para o ectoplasma: a invisível, a fluídica-visível e a concreta. Posteriormente, o psiquiatra francês Gustave Geley, primeiro diretor do Instituto Metapsíquico Internacional de Paris, alegou nas sessões de materializações que o ectoplasma, ainda na forma invisível, girava em torno das pessoas antes da produção dos fenômenos.


O professor Geley afirmava que, nestas sessões, que realizou na Europa e nos Estados Unidos junto a outros cientistas, espíritos, ou “operadores” como Geley os chamavam, agiam sobre o cérebro do médium para provocar a emanação do ectoplasma, que ia se acumulando até que fosse empregado por esses mesmos espíritos para produzir diversos tipos de fenômenos mediúnicos de efeito físico, tais como a materialização e o poltergeist. Infelizmente esses trabalhos realizados no fim do século 19 e início do século 20 ocorreram sem o uso concreto do método científico e até hoje a existência do ectoplasma não foi provada por meio de tal método.

O ectoplasma é descrito como um fenômeno natural mediúnico que produz uma substância etérea (semimaterial) com a propriedade ou possibilidade de adensar-se até ficar ao alcance dos cinco sentidos humanos, tornando-se visível, tangível e, ainda, sob o influxo da vontade dos espíritos, moldável, assumindo a forma e algumas características de objetos ou seres orgânicos, inclusive corpos humanos completos. As pesquisas científicas em relação ao ectoplasma foram feitas em proporção relativamente grande até a década de 1920.


O ectoplasma seria uma substância fria e úmida. Às vezes de consistência um pouco viscosa e no geral inodora. Aqui estão listados alguns relatos de sua composição hipotética: (1) o pesquisador James Black teria pesquisado a química do ectoplasma chegando até mesmo a postular a fórmula molecular: C120H1184N218S5O249; (2) Albert von Schrenck-Notzing teria citado que o ectoplasma se constitui por restos de tecido epitelial e gorduras; (3) Dombrowsky alegou ter encontrado, além disso, matéria derivada de albumina e células orgânicas sem amiláceos e açúcares; (4) Júlia Alexandre Bisson e Liebdyinski teriam verificado ao microscópio também leucócitos, minerais e células semelhantes as de bactérias; (5) o médico psiquiatra Luciano Munari, no entanto, suspeita que o ectoplasma propriamente dito teria sido contaminado pelas substâncias citadas, uma vez que deixam o corpo do médium. Exames bioquímicos teriam confirmado a presença de proteínas, aminoácidos, lipídios, minerais e água em abundância.

terça-feira, 14 de abril de 2015

E se os árabes tivessem invadido toda a Europa? História alternativa...

Do século 7 d.C. até o século 15 d.C., a Península Ibérica viveu a chamada “Invasão dos mouros” – nos livros de história dos países muçulmanos, esse episódio da história é conhecido como “Conquista europeia” –, quando a expansão da fé islâmica chegou ao seu ápice em um enorme império que ia desde a Pérsia até a fronteira com a França. Desta forma, por mais de 800 anos, Portugal e Espanha foram controlados por califas islamitas que pregavam a tolerância religiosa, trazendo uma atividade cultural e científica muito forte e a convivência em relativa paz entre cristãos, judeus e muçulmanos.

Essa influência muçulmana na cultura ibérica fez com que o idioma árabe se tornasse o segundo mais influente nas línguas espanhola e portuguesa. Palavras como: xadrez, sorvete, xilindró, azulejo, elefante, azul, álcool, alquimia etc. fossem agregadas ao nosso costume vocabulário. Herança destes 800 anos de convivência.


A incrível história da batalha de Poitiers...
Com a marcha praticamente invencível dos muçulmanos e seus califas sobre a Península Ibérica nos séculos 7 e 8 depois de Cristo, ficou iminente que eles queriam mais – muito mais! E, assim, partiram para a tentativa de conquista da França, em 732. Entretanto, os exércitos francófonos empreenderam grandes estratégias para “segurar” o inimigo oriental através da sangrenta e histórica batalha de Poitiers.

De acordo com os historiadores medievalistas, foi esse conflito, vencido pelos cristãos, que evitou uma expansão descomunal dos muçulmanos por toda Europa, deixando um legado ainda maior e mais impressionante em outras culturas e outros idiomas no centro do continente europeu. A partir deste conflito, os califas ibéricos deixaram de tentar uma expansão maior sobre a França e a Itália.


E se os muçulmanos tivessem tomado Poitiers?
Muitas pessoas acreditam, erroneamente, que a cultura islâmica no período medieval tivesse sido atrasada. Pelo contrário: a Europa cristã estava atrasadíssima frente aos estudiosos árabes, que no século 13 já usavam óculos de graus, conheciam os clássicos filósofos gregos, não eram carolas religiosos e ignorantes, acreditavam na esfericidade do planeta Terra, já tinham conhecimento dos números hindu-arábicos como os conhecemos atualmente e tinham a noção do zero na matemática, além da álgebra, da geometria e da trigonometria.

Desta forma, já podemos adiantar que, de acordo com os historiadores, a Europa não poderia ficar pior do que já estava naquele período medieval, pois o cristão medievo estava afundado num mundo extremamente religioso, obscuro, analfabetizado, rural etc. desde que o mundo romano ocidental caiu aos pedaços, ruindo no século 5 d.C. Enquanto isso, no mundo dos califas, era imprescindível saber ler e escrever, as pessoas eram incentivadas a estudar e o comércio florescia junto com a urbanização.


De acordo com os historiadores, se os muçulmanos ibéricos tivessem vencido a batalha travada em Poitiers, na França, eles não encontrariam nenhuma dificuldade em avançar pela Europa Central, uma vez que não havia, ali, nenhum reino forte o suficiente com um exército nacional já formado, a não ser o próprio exército franco que barrou o avanço no território francês. No entanto, como estamos falando de história alternativa, um novo campo de estudos, muitas suposições ficam no ar como condicionais – o “e se tivesse sido diferente”.

Os medievalistas mais “animados” dizem que, muito provavelmente, o Cristianismo seria uma religião pequena e distante porque a expansão do Islamismo com sua “jihad” era esmagadora frente à contraofensiva católica. Além disso, muito provavelmente, o alfabeto latino seria letra morta nos dias atuais: os alfabetos grego e árabe poderiam ser os mais usados (imagine você aprendendo alemão dentro de uma cultura muçulmana, seguindo o Islamismo como religião familiar). A história alternativa é tão complexa que faz com que pensemos ainda mais longe: se os califas tivessem implantado os califados europeus, como seriam as colonizações do continente americano?!


A incerteza nos faz terminar este post com uma série enorme de perguntas – todas elas iniciadas com “E se...”. Mas sabemos que, com certeza, a presença islamita na Península Ibérica foi muito importante até mesmo para as Grandes Navegações, pois a ciência dos árabes ajudou, e muito, portugueses e espanhóis a se lançarem ao mar e chegarem até os confins da América, da África, da Ásia e da Oceania, desbravando territórios, mas, infelizmente, a um preço extremamente caro: com matanças de populações nativas, conversões forçadas e exploração da mão de obra local e africana.

sábado, 11 de abril de 2015

A história do boato envolvendo o “Tourist guy”: fato ou farsa?!

Logo depois do pior atentado terrorista da história, contra os Estados Unidos, ocorrido em 11 de setembro de 2001, que ocasionou na derrubada das torres do World Trade Center, em Nova York, surgiram vários boatos e teorias da conspiração envolvendo até mesmo o nome do governo norte-americano como suposto comandante desta barbárie contra a sociedade civil. Recentemente, aqui no blog, falamos sobre as teorias conspiratórias envolvendo este atentado terrorista em outro post – que vale a pena ser conferido.


O mais interessante é surgiu uma foto (imagem abaixo) do momento iminente do atentado terrorista em Nova York contra a primeira das Torres Gêmeas. Essa imagem se espalhou pelo mundo e chegou a aparecer em telejornais de vários países como a iminência de uma grande tragédia, de uma pessoa supostamente sem nome – mais um dos mais de três mil “anônimos” que perderam suas vidas neste atentado terrorista.


O rapaz da imagem passou a ser conhecido como “Tourist guy”, ou “Tourist of death”, e comprovou-se ser uma lenda urbana surgida na internet logo após os ataques de 11 de setembro. Investigadores de boatos na internet identificaram que a foto havia sido tirada em 1999, e o rapaz da foto, que não quis se expor, se chamava Waldo e estava vivo, estando a centenas quilômetros de distância de Nova York no dia dos atentados.

O “Tourist guy” é um turista que supostamente teria sido fotografado no alto de uma das torres do World Trade Center alguns segundos antes do ataque terrorista. A fotografia, produto de uma montagem simples em programas de edição de imagem, circulou primeiramente através de e-mails e depois foi reproduzida em diversos sites.

Um dos pontos principais que ajudou a desvendar a farsa está na própria roupa de Waldo. Ele está todo encasacado, numa foto tirada durante o inverno. Entretanto, o dia 11 de setembro de 2001 fazia calor em Nova York já nas primeiras horas da manhã e a estação do ano era o verão.

A foto do “turista da morte” circulou tanto que acabou se tornando um dos primeiros memes da internet: sua imagem passou a aparecer em montagens de outros eventos catastróficos da história, como batalhas da Segunda Guerra Mundial, a iminência da explosão das bombas atômicas no Japão, a queda do Muro de Berlim etc.

A história do “Tourist guy” serviu para que muitas pessoas abrissem os olhos e entendessem que a internet pode trazer informação de primeira linha, em primeira mão, mas nem sempre algumas informações são totalmente fidedignas e confiáveis.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Fatos, farsas e curiosidades sobre duendes, gnomos, elfos e goblins...

No post de hoje vamos falar sobre as criaturas míticas europeias mais comentadas nos círculos de RPG e contos de fadas. Vamos abordar as curiosidades, origens, fatos e farsas sobre os duendes, os gnomos, os elfos e os goblins. São criaturas que parecem ser as mesmas coisas, mas, na verdade, cada um tem sua particularidade e sua história mítica por trás de muitos folclores.

Quase tudo sobre os duendes...
Duendes são personagens da mitologia europeia, nomeadamente na península ibérica (presentes em folclores espanhóis, franceses, bascos e portugueses), semelhantes a fadas e goblins. Embora suas características variem um pouco, são análogos aos brownies escoceses, aos nisses dinamarqueses e noruegueses e aos irlandeses cluricauns e leprechauns. A palavra é usualmente considerada equivalente à palavra inglesa “Sprite”, ou à palavra japonesa “Youkai”, e é usada indiscriminadamente como um termo guarda-chuva para abrigar todas as criaturas semelhantes como goblins, elfos, gnomos etc.


Alguns mitos dizem que duendes tomam conta de um pote de ouro no final do arco-íris; caso capturado, o duende poderia comprar sua liberdade com esse ouro. Outras lendas dizem que para enganar os homens, ele fabrica uma substância parecida com ouro, que desaparece algum tempo depois. Neste caso são chamados leprechauns na Irlanda. Na cultura atual, geralmente os duendes são representados por seres verdes, dos quais o símbolo é o trevo, relacionado à boa sorte. Geralmente as histórias infantis trazem tais relatos. Contudo, é temerário ter uma visualização estritamente romântica e lúdica de seres que são considerados como seres inferiores.

Em Portugal e na Espanha geralmente são descritos como tendo entre 15 e 30 centímetros de altura, tendo como característica notável a cabeça em formato cônico (muitas vezes independentemente de possuir chapéu), personalidade extremamente volátil e atributos encantados como a capacidade de atravessar paredes, mudar de forma e cor, e alta velocidade. São criaturas que não guardam qualquer receio com o ambiente urbano e, curiosamente, há muitos relatos de aparições em construções inacabadas. Gostam de espreitar pelos cantos, observando os habitantes da casa e pregando-lhes peças, como o sumiço de objetos, abertura de portas, produção de ruídos, dentre outras perturbações – nem sempre sendo amigos, capazes até de matar animais de estimação.


Apesar de muitos acreditarem que são seres amigáveis, há relatos de diversas aparições ameaçadoras, inclusive com o emprego de violência. Nestas ocasiões os relatos são quase que unânimes em descrever que tais seres surgem de repente, em situações normais do cotidiano (enquanto crianças brincam em construções, pessoas observam árvores no quintal, embaixo de camas, dentro de guarda-roupas etc.) portando pequenas facas, dando gargalhadas em tom de sarcasmo e deboche para com a testemunha, acuando-a e sumindo de repente. Estranho o fato de não ser possível identificar uma motivação para tais atitudes – por isso talvez que se diga que a personalidade destes seres é volátil. Estranho também que muitas narrativas descrevem este ser como possuindo o pequeno rosto como que dilacerado, arranhado. Outros acreditam que os duendes que ficam localizados em um jardim ou floresta compõem talentos para a ajuda da natureza, se autodividindo, enquanto os que não têm uma habitação tendem a sair a fazer travessuras com os humanos.

Um pouco sobre os elfos...
Elfo é uma criatura mística das mitologias nórdica e céltica, que aparece com frequência na literatura medieval europeia. São descritos como seres belos e luminosos, ou ainda seres semi-divinos, mágicos, semelhantes à imagem literária das fadas ou das ninfas. De fato, a palavra “Sol” na língua nórdica era “Alfrothul”, ou seja: o “Raio Élfico”; dizia-se que por isso seus raios seriam fatais a elfos escuros e anões.

Eram divindades menores da natureza e da fertilidade. Os elfos são geralmente mostrados como jovens de grande beleza vivendo entre as florestas, sob a terra, em fontes e outros lugares naturais. Foram retratados como seres sensíveis, de longa vida ou imortalidade, com poderes mágicos, grande ligação com a natureza e geralmente considerados como ótimos arqueiros,sua precisão com arco e flecha era impressionante.


As mais antigas descrições de elfos vêm da mitologia nórdica. Eram chamados “Álfar”, de singular “Álfr”. Outros seres com nome etimologicamente relacionados a “Álfar” sugerem que a crença em elfos não se restringe aos escandinavos, abrangendo todas as tribos germânicas. Essas criaturas aparecem em muitos lugares. Curiosamente, Shakespeare as imaginava como seres pequeninos, porém a mitologia original os descrevem como sábios, poucos centímetros menores do que a média humana (entre 1m70m), eram belos e supostamente imortais.

Literalmente, os elfos são gênios que, na mitologia escandinava, simboliza o ar, a terra, o fogo e água. No poema “Völundarkviða”, o herói ferreiro Völundr foi chamado “governante dos elfos”. Na saga de Thidrek, uma rainha humana descobre que o amante que a engravidou é um elfo e não um homem e depois dá à luz o herói Högni.

Na saga de Hrolf Kraki, um rei chamado Helgi estupra e engravida uma elfa vestida de seda que era a mulher mais bela que jamais vira. A elfa dá a luz à meio-elfa Skuld, muito capaz em feitiçaria e quase invencível em batalha. Quando seus guerreiros caíam, ela os fazia erguerem-se de novo para continuar a luta. A única forma de derrotá-la era capturá-la antes que pudesse convocar seus exércitos, que incluíam guerreiros elfos. Skuld casou-se com Hjörvard, que matou Hrólfr Kraki. Também o Heimskringla e na saga de Thorstein, o filho do viking, relatos de uma linhagem de reis locais que governaram Álfheim, correspondente à atual província sueca de Bohuslän, cujos naturais desde então teriam sangue élfico e tinham a reputação de serem mais belos que a maioria dos humanos. O primeiro rei se chamou Alf (elfo) e o último, Gandalf (Elfo do Bastão, inspiração para o Gandalf tolkieniano).


Os elfos são também descritos como semideuses associados à fertilidade e ao culto dos ancestrais, como os daimones gregos. Como espíritos, os elfos podem atravessar portas e paredes como se fossem fantasmas.

O mitógrafo e historiador islandês Snorri Sturluson referiu-se aos anões como “elfos da escuridão”, ou “elfos negros”, e referiu-se aos outros elfos como “elfos da luz”, o que frequentemente foi associado com a conexão dos elfos com Freyr, o deus nórdico do Sol. Na poesia e nas sagas nórdicas, os elfos são ligados aos Æsir pela frase muito comum “Æsir e os elfos”, que presumivelmente significa “todos os deuses”. Alguns eruditos comparam os elfos aos Vanir (deuses da fertilidade). Mas no “Alvíssmál” (“Os ditos do conhecedor de tudo”), os elfos são considerados diferentes tanto dos Vanir quanto dos Æsir, como mostra uma série de nomes comparativos na qual são dadas as versões dos Æsir, dos Vanir e dos elfos para diferentes palavras, refletindo as preferências de cada categoria.

É possível que haja uma distinção de estatuto entre os grandes deuses da fertilidade (os Vanir) e pequenos deuses (os elfos). “Grímnismál” relata que Frey (um dos Vanir) era o senhor de Álfheimr. O “Lokasenna” diz que um grande grupo de Æsir e elfos reuniu-se na corte de Ægir para um banquete. Menciona vários poderes menores, servos dos deuses como Byggvir e Beyla, pertencentes a Freyr, o senhor dos elfos, que eram provavelmente elfos, pois não são contados entre os deuses. Dois outros servos mencionados são Fimafeng (morto por Loki) e Eldir.

Um poema composto por volta de 1020, o “Austrfaravísur” (“Versos da jornada para o leste”), Sigvat Thordarson diz que, por ser cristão, recusou-se a entrar em um lar pagão, na Suécia, porque um álfablót (“sacrifício aos elfos”) estava em curso. Provavelmente, tal sacrifício envolvia uma oferenda de alimentos. Da época do ano (próxima do equinócio de outono) e da associação dos elfos com fertilidade e ancestrais, pode-se supor que isso estava relacionado com o culto dos ancestrais e da força vital da família.


A saga de Kormák, por sua vez, relata como um sacrifício aos elfos podia curar um ferimento de guerra. Considerando a tradição inglesa, a palavra “elf” do inglês moderno vem do inglês antigo “ælf”. Originalmente, referia-se aos elfos da mitologia nórdica, mas também as ninfas dos mitos gregos e romanos foram traduzidas pelos monges anglo-saxões como “ælf” e suas variantes.

A maioria dos elfos mencionada em baladas medievais inglesas é do sexo masculino e frequentemente de caráter sinistro, inclinados ao estupro e assassinato, como o Elf-Knight que rapta a rainha Isabel. A única elfa mencionada com frequência é a rainha dos elfos, ou da Elfland. Já nos contos populares do início da Idade Moderna, os elfos são descritos como entidades pequenas, esquivas e travessas, que aborrecem os humanos ou interferem em seus assuntos. Às vezes, são consideradas invisíveis. Nessa tradição, os elfos se tornaram sinônimos das “fadas” originadas da antiga mitologia céltica.

Quase tudo sobre os gnomos...
Um gnomo, muitas vezes confundido com um duende, é uma criatura mitológica, incluída entre os seres elementais da terra. São costumeiramente representados como pequenos humanoides que vivem sob a terra, em minas ou em ocos de troncos de árvores, onde guardam seus tesouros. O mais antigo texto que se conhece mencionando este ser é o “Liber de nymphis, sylphis, pygmaeis et salamandris et de caeteris spiritibus”, escrito pelo alquimista Paracelso no século 16. Na sua classificação dos espíritos elementais, Paracelso divide-os em quatro tipos: as salamandras (do fogo), as ondinas (da água), os silfos (do ar) e os gnomos (da terra).


O nome, segundo alguns autores, pode vir do latim medieval “gnomos”, originado do grego clássico “gnosis” (“conhecer”). Outra teoria é de que o nome venha do grego “genomas” (“terrestre”). Em 1583, a palavra “gnome” passou a figurar nos dicionários franceses, com o significado de “pequenos gênios deformados que habitam a Terra”.

Um pouco sobre os goblins...
Goblins são criaturas geralmente verdes que se assemelham a duendes. Fazem parte do folclore nórdico, nas lendas eles vivem fazendo brincadeiras de mau gosto. O termo “goblin” origina-se do francês antigo “gobelin”, evoluído do latim medieval “gobelinus”, que parece estar relacionado a “cobalus”, do grego “kóbalos”: “enganador” ou “desonesto”. Os goblins são normalmente associados ao mal. Diz-se que são feios e assustadores, fazem feitiçarias, estragam a comida, travam guerras contra os gnomos. Os jogos de RPG normalmente incluem goblins em sua galeria de seres.


Em algumas mitologias os goblins possuem grande força. Normalmente por serem seres de pouca inteligência e hábitos selvagens, moram em cavernas ou pequenas cabanas construídas com paus e peles de animais. Sua grande capacidade de sobrevivência os faz seres presentes em quase qualquer ambiente, sendo possível serem encontrados em montanhas, pântanos, desertos, pedreiras, florestas ou cidades. Vivem em bando, com uma comunidade precária semelhante a uma sociedade de homens primitivos. Dentre seus armamentos se encontra a clava, o machado de pedra, a zarabatana, além de pequenas lanças e pedras.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Considerações, curiosidades, fatos e farsas sobre o Dia das Mães, o Dia dos Pais, o Dia dos Namorados e o Dia das Crianças...

Quando falamos de datas especiais no calendário ocidental, logo nos lembramos dos bons tempos de infância, quando tudo era mais simples. Hoje em dia, já adultos, observamos algumas vezes como essas datas são comerciais e movimentam milhões e mais milhões em quantidades vultuosas de dinheiro investido em presentes para aqueles que amamos. Hoje vamos falar um pouco sobre as particularidades, curiosidades, fatos e farsas sobre importantes datas: o Dia das Mães, o Dia dos Pais, o Dia dos Namorados e o Dia das Crianças.


A origem do Dia das Mães...
A mais antiga comemoração dos Dias das Mães é mitológica. Na Grécia Antiga, a entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a mãe dos deuses. Tratava-se de uma festividade derivada do costume de adorar a mãe, na antiga Grécia. A adoração formal da mãe, com cerimônias para Cibele ou Rhea, a grande mãe dos deuses, era realizada nos idos de março em toda a Ásia Menor.

Nos Estados Unidos, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data para a celebração das mães foi dada pela ativista Ann Maria Reeves Jarvis, que fundou em 1858 os Mothers’ Days Works Clubs, com o objetivo de diminuir a mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores. Jarvis organizou em 1865 o Mother’s Friendship Days (Dias de Amizade para as Mães) para melhorar as condições dos feridos na Guerra de Secessão que assolou os Estados Unidos no período. Em 1870, a escritora Julia Ward Howe publicou o manifesto Mother’s Day Proclamation, pedindo paz e desarmamento depois da Guerra de Secessão.


Reconhecida como idealizadora do Dia das Mães na sua forma atual é a filha de Ann Maria Reeves Jarvis, a metodista Anna Jarvis, que em 12 de maio de 1907, dois anos após a morte de sua mãe, criou um memorial à sua mãe e iniciou uma campanha para que o Dia das Mães fosse um feriado reconhecido. Ela obteve sucesso ao torná-lo reconhecido nos Estados Unidos em 08 de maio de 1914, quando a resolução Joint Resolution Designating the Second Sunday in May as Mother’s Day foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos, instalando o segundo domingo do mês de maio como Dia das Mães. No âmbito desta resolução o presidente dos Estados Unidos Thomas Woodrow Wilson proclamou no dia seguinte que no Dia das Mães os edifícios públicos devem ser decorados com bandeiras. Assim, o Dia das Mães foi celebrado pela primeira vez em 09 de maio de 1914. Com a crescente difusão e comercialização do Dia das Mães Anna Jarvis afastou-se do movimento, lamentou a criação e lutou para a abolição do feriado.

No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas, a pedido das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, oficializou a data no segundo domingo de maio. A iniciativa fazia parte da estratégia das feministas de valorizar a importância das mulheres na sociedade, animadas com as perspectivas que se abriram a partir da conquista do direito de votar, em fevereiro do mesmo ano. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja católica. Em Portugal, o Dia das Mães é celebrado no primeiro domingo de maio, mês de Maria (mãe de Jesus), embora durante muitos anos tivesse sido comemorado no dia 08 de Dezembro, dia da Nossa Senhora da Conceição.

No Brasil e nos Estados Unidos o Dia das Mães é a segunda melhor data do comércio, depois do Natal.

Curiosamente, não é em todo o planeta que o Dia das Mães é comemorado no segundo domingo do mês de maio. Por exemplo, no dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, também é o Dia das Mães na Albânia, Rússia, Sérvia, Bulgária e Romênia; em 10 de maio, também uma data fixa, a celebração acontece no Paraguai, México, Guatemala, Índia e Cingapura. Também há, ainda, as datas móveis: o primeiro domingo de maio celebra-se a data na Lituânia, Hungria, Espanha, Portugal, Angola e Moçambique; a maior parte do mundo celebra o Dia das Mães como no Brasil e nos Estados Unidos, no segundo domingo do mês de maio. Na Argentina, curiosamente, a celebração acontece no terceiro domingo do mês de outubro, para coincidir com a florada da primavera.


A origem do Dia dos Pais no mundo...
Evoca-se como origem dessa data à Babilônia, onde, há mais de 4 mil anos, um jovem chamado Elmesu teria moldado em argila o primeiro cartão. Desejava sorte, saúde e longa vida a seu pai. Daí tornou-se uma festa nacional. Em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia dos Pais nos Estados Unidos.

Segundo a tradição, nos Estados Unidos e em mais 32 países, a data é comemorada no terceiro domingo do mês de junho. No Brasil, comemora-se no segundo domingo de agosto. Em Portugal e na Espanha, o Dia dos Pais é comemorado a 19 de março, seguindo a tradição da Igreja católica, que neste dia celebra São José, marido de Maria (a mãe de Jesus Cristo). No Brasil, é comemorado no segundo domingo de agosto. No país a implantação da data é atribuída ao jornalista Roberto Marinho, para incentivar as vendas do comércio e, por conseguinte, o faturamento de seu jornal. A data escolhida foi o dia de São Joaquim, sendo festejada pela primeira vez no dia 16 de agosto de 1953.


As origens do Dia dos Namorados...
O Dia de São Valentim cai num dia festivo de dois mártires cristãos diferentes, de nome Valentim. Mas os costumes relacionados com este dia provavelmente vêm de uma antiga festa romana chamada Lupercalia, que se realizava todo dia 14 de fevereiro. A festa homenageava Juno, a deusa romana das mulheres e do casamento, e Pã, o deus da natureza.

A história do Dia de São Valentim remonta a um obscuro dia de jejum tido em homenagem a São Valentim. A associação com o amor romântico chega depois do final da Idade Média, durante o qual o conceito de amor romântico foi formulado. O bispo Valentim lutou contra as ordens do imperador Cláudio II, que havia proibido o casamento durante as guerras acreditando que os solteiros eram melhores combatentes. Continuou celebrando casamentos, apesar da proibição do imperador. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens lhe enviavam flores e bilhetes dizendo que ainda acreditavam no amor. Enquanto aguardava na prisão o cumprimento da sua sentença, ele se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para ela, na qual assinava como “Seu namorado” ou “De seu Valentim”.

Considerado mártir pela Igreja católica, a data de sua morte – 14 de fevereiro – também marca a véspera de Lupercais, festas anuais celebradas na Roma antiga em honra de Juno (deusa da mulher e do matrimônio) e de Pan (deus da natureza). Um dos rituais desse festival era a passeata da fertilidade, em que os sacerdotes caminhavam pela cidade batendo em todas as mulheres com correias de couro de cabra para assegurar a fecundidade.


Outra versão diz que no século 17, ingleses e franceses passaram a celebrar São Valentim como a união do Dia dos Namorados. A data foi adotada um século depois nos Estados Unidos, tornando-se o The Valentine’s Day. E na Idade Média, dizia-se que o dia 14 de fevereiro era o primeiro dia de acasalamento dos pássaros. Por isso, os namorados da Idade Média usavam esta ocasião para deixar mensagens de amor na soleira da porta do amado. Na sua forma moderna, a tradição surgiu em 1840, nos Estados Unidos, depois que Esther Howland vendeu cinco mil dólares em cartões do Dia dos Namorados, uma quantia elevada na época. Desde aí, a tradição de enviar cartões continuou crescendo, e no século 20 se espalhou por todo o mundo.

Atualmente, o dia é principalmente associado à troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido com asas. Iniciada no século 19, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa.

No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho por ser véspera de 13 de junho, dia de Santo Antônio, santo português com tradição de casamenteiro no Brasil. A data provavelmente surgiu no comércio paulista, quando o comerciante João Dória trouxe a ideia do exterior e a apresentou aos comerciantes. A ideia se expandiu pelo Brasil, amparada pela correlação com o Dia de São Valentim – que nos países do hemisfério norte ocorre em 14 de fevereiro e é utilizada para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados. Ou seja, somente no Brasil o Dia dos Namorados acontece em 12 de junho; no resto de todo planeta a data ocorre em 14 de fevereiro.

O surgimento do Dia das Crianças...
No ano de 1924, o deputado federal Galdino do Valle Filho teve a ideia de criar o Dia das Crianças. Os deputados aprovaram e o dia 12 de outubro foi oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4.867, de 05 de novembro de 1924. Mas somente em 1960, quando a fábrica de brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a Semana do bebê robusto e aumentar suas vendas, é que a data passou a ser comemorada. A estratégia deu certo, pois desde então o Dia das Crianças é comemorado com muitos presentes. Logo depois, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas. No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção e fizeram ressurgir o antigo decreto. A partir daí, o dia 12 de outubro se tornou uma data importante para o setor de brinquedos e doces no Brasil.

Nos Estados Unidos, o Dia das Crianças é festejado no 1° domingo de junho, a data pode variar de estado para estado em nível nacional. Dia das Crianças e Juventude foi aprovado em 1994, quando o legislativo do Havaí se tornou o primeiro estado do país a aprovar uma lei para reconhecer o 1° domingo de outubro como Dia das Crianças. Nos Estados Unidos o presidente Bill Clinton proclamou o Dia das Crianças em 11 de outubro de 1998, em resposta a uma carta escrita por um menino de seis anos perguntando se ele iria aprovar o Dia das Crianças.


Ao redor do mundo o Dia das Crianças é comemorado em datas totalmente diferentes, não havendo um padrão. Assim, por exemplo, há países que comemoram a data em conjunto com o Natal, em 25 de dezembro. Também há certa regra em alguns países, pois, curiosamente, muitos comemoram o dia em 1º de junho. O mais interessante é o Japão, que tem datas separadas para comemorar do Dia dos Meninos e o Dia das Meninas. Apesar das datas diferentes, trata-se de uma comemoração muito animada, quando as crianças são brindadas com presentes, festas, bolos e muitos doces.

sábado, 4 de abril de 2015

Você conhece a história da polêmica teologia da prosperidade?! Conheça essas controvérsias agora...

Teologia da prosperidade é uma doutrina religiosa cristã que defende que a bênção financeira é o desejo de Deus para os cristãos e que a fé, o discurso positivo e as doações para os ministérios cristãos irão sempre aumentar a riqueza material do fiel. Baseada em interpretações não-tradicionais da Bíblia, geralmente com ênfase no livro de Malaquias, a doutrina interpreta a Bíblia como um contrato entre Deus e os humanos; se os humanos tiverem fé em Deus, Ele irá cumprir suas promessas de segurança e prosperidade. Reconhecer tais promessas como verdadeiras é percebido como um ato de fé, o que Deus irá honrar.

Seus defensores ensinam que a doutrina é um aspecto do caminho à dominação cristã da sociedade, argumentando que a promessa divina de dominação sobre as Tribos de Israel se aplica aos cristãos de hoje. A doutrina enfatiza a importância do empoderamento pessoal, propondo que é da vontade de Deus ver seu povo feliz. A expiação (reconciliação com Deus) é interpretada de forma a incluir o alívio das doenças e da pobreza, que são vistas como maldições a serem quebradas pela fé. Acredita-se atingir isso através da visualização e da confissão positiva, o que é geralmente professado em termos contratuais e mecânicos.


Foi durante os avivamentos de cura (“healing revivals”) dos anos 1950 que a teologia da prosperidade ganhou proeminência nos Estados Unidos, apesar de especialistas terem ligado suas origens ao Movimento Novo Pensamento. Os ensinamentos da teologia da prosperidade mais tarde ganharam proeminência no Movimento Palavra de Fé e no televangelismo dos anos 80. Nos anos 90 e 2000, foi adotada por líderes influentes do Movimento Carismático e promovida por missionários cristãos em todo o mundo, levando à construção de megaigrejas.

As igrejas nas quais a prosperidade é ensinada são geralmente não-denominacionais e usualmente dirigidas por um único pastor ou líder, apesar de que algumas desenvolveram redes que se assemelham a denominações. Algumas igrejas dedicam um longo tempo aos ensinamentos sobre o dízimo, o discurso positivo e a fé. Igrejas da prosperidade geralmente ensinam sobre responsabilidade financeira, apesar de que alguns jornalistas e acadêmicos têm criticado seus conselhos nessa área como enganosos. A teologia da prosperidade tem sido criticada por líderes dos movimentos pentecostal e carismático, assim como de outras denominações cristãs. Eles argumentam que ela é irresponsável, promove a idolatria e é contrária às escrituras. Alguns críticos argumentam que a teologia da prosperidade cultua organizações autoritárias, onde os líderes controlam as vidas dos membros. A doutrina tem seu sucesso atribuído, na Coreia do Sul, às semelhanças com a cultura xamanista tradicional. No Ocidente, a teologia da prosperidade tem atraído seguidores das classes média e baixa e tem seu sucesso ligado às semelhanças com o fenômeno do culto à carga, à religiosidade tradicional africana e à teologia da libertação das igrejas afro-americanas.


Sobre a teologia da prosperidade...
A teologia da prosperidade ensina que os cristãos têm direito ao bem estar e, – pelo fato das realidades físicas e espirituais serem vistas como uma única realidade inseparável –, isso é interpretado como saúde física e prosperidade econômica. Os pregadores da doutrina focam no empoderamento pessoal, promovendo uma visão positiva do espírito e do corpo. Eles defendem que os cristãos receberam poderes durante a criação do Universo porque eles foram feitos à imagem de Deus e ensinam que a confissão positiva permite aos cristãos exercer domínio sobre suas almas e objetos materiais ao seu redor. Os líderes do movimento veem a expiação como fonte de alívio de doenças, pobreza e corrupção espiritual; a pobreza e as doenças seriam maldições que podem ser quebradas através da fé e das ações retas. Há, no entanto, algumas igrejas seguidoras da doutrina que buscam um paradigma mais moderado ou reformado da prosperidade. Kirbyjon Caldwell, pastor de uma megaigreja metodista, defende uma “teologia da vida abundante”, professando a prosperidade para o ser humano como um todo, o que ele vê como um caminho para o combate à pobreza.

A riqueza é interpretada, na teologia da prosperidade, como uma bênção de Deus, obtida através da lei espiritual da confissão positiva, da visualização e do dízimo. Este processo é quase sempre professado em termos mecânicos; Kenneth Copeland, autor e televangelista estadunidense, argumenta que a prosperidade é governada por leis, enquanto outros pregadores definem o processo de maneira formulada. Os jornalistas da revista “Time” David van Biema e Jeff Chu descreveram os ensinamentos do pastor Creflo Dollar, do Movimento Palavra de Fé, sobre prosperidade como um contrato inviolável entre Deus e a humanidade.

Os ensinamentos da teologia da prosperidade sobre confissão positiva originam-se da visão de seus proponentes sobre as escrituras. A Bíblia é vista como um contrato de fé entre Deus e os crentes; Deus é entendido como fiel e justo, então os crentes devem cumprir sua parte do contrato para receber as promessas de Deus. Isso leva à crença na confissão positiva, doutrina segundo a qual os crentes podem reivindicar o que quiserem de Deus, simplesmente falando. A teologia da prosperidade ensina que a Bíblia promete a prosperidade aos fiéis, então a confissão positiva significa que os crentes estão falando com fé o que Deus já havia dito sobre eles. A confissão positiva é praticada para trazer o que já se acreditava; a própria fé é uma confissão que, através da fala, se torna real.

O ensinamento é geralmente baseado em interpretações não-tradicionais de versos da Bíblia, em especial do livro de Malaquias. Enquanto Malaquias tem sido celebrado pelos cristãos por suas passagens sobre o Messias, pregadores da teologia da prosperidade geralmente chamam a atenção para suas descrições sobre a riqueza física. Versos frequentemente citados incluem:

Malaquias 3:10: “Trazei o dízimo todo à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz Jeová dos exércitos, se não vos abrir eu as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção até que não haja mais lugar para a recolherdes
Mateus 25:14-30: Parábola dos Talentos.
João 10:10: “Eu vim para que eles tenham vida e a tenham em abundância
Filipenses 4:19: “Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades conforme as suas riquezas na glória em Cristo Jesus
III João 2: “Amado, peço a Deus que prosperes em tudo e tenhas saúde, assim como tua alma prospera


Práticas comuns envolvendo a teologia da prosperidade...
As igrejas seguidoras da doutrina colocam grande ênfase na importância do dízimo. Os cultos geralmente incluem dois sermões, um com foco nas doações e na prosperidade, incluindo referências bíblicas ao dízimo, seguido de outro após as doações. Os líderes das igrejas geralmente conferem uma bênção específica no dinheiro que está sendo doado, alguns até mesmo instruem os fiéis a segurar suas doações acima de suas cabeças durante a oração. Dedica-se também algum tempo à oração pelos congregados doentes durante os cultos.

Os congregados são encorajados a fazer declarações positivas sobre os aspectos de suas vidas que eles desejam melhorar. Estas declarações, conhecidas como confissões positivas, teriam o poder de miraculosamente alterar aspectos das vidas dos fiéis se ditas com fé. As igrejas também encorajam as pessoas a “viver sem limites” e cultivar o otimismo em suas vidas. T. D. Jakes, pastor de uma megaigreja não-denominacional, rejeita o que ele vê como “demonização do sucesso”. Ele defende que a pobreza é uma barreira à vida cristã, argumentando que é mais fácil fazer um impacto positivo na sociedade quando se é influente.

Enquanto igrejas seguidoras da teologia da prosperidade têm uma reputação de manipular e alienar os pobres, muitas desenvolvem programas sociais. Um exemplo disso, no Brasil, é o Instituto Ressoar, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Paralelamente a tais programas, as igrejas defendem a capacitação e o florescimento humano com o objetivo de libertar as pessoas do “assistencialismo” e da “mentalidade de vítima”. Muitas igrejas realizam seminários sobre responsabilidade financeira. Segundo Kate Bowler, acadêmica estudiosa da teologia da prosperidade, tais seminários, apesar de conterem bons conselhos, geralmente enfocam na compra de bens caros. Hanna Rosin, do “The Atlantic”, argumenta que a teologia da prosperidade contribuiu para a bolha imobiliária que causou a crise do final dos anos 2000. Segundo ela, a propriedade de imóveis era grandemente enfatizada nas igrejas seguidoras da doutrina, causando uma dependência à intervenção financeira divina que levou a escolhas insensatas.


“Healing revivals” neopentecostais...
Os líderes do Movimento Pentecostal do início do século 20 não adotavam uma teologia da prosperidade. Essa doutrina começou a ganhar forma dentro do movimento durante as décadas de 1950 e 1940, através dos ensinamentos dos ministérios de libertação e de evangelistas curadores pentecostais. Combinando ensinamentos sobre a prosperidade com o avivamento (“revivalism”) e a cura pela fé, tais evangelistas professaram as “leis da fé (‘peça e será atendido’) e as leis da reciprocidade divina (‘dê e lhe será dado de volta’)”.

Uma figura proeminente da teologia da prosperidade neste período foi E. W. Kenyon, educado na Faculdade de Oratória de Emerson nos anos 1890, onde foi exposto ao Movimento Novo Pensamento. Kenyon mais tarde se tornou amigo de líderes pentecostais famosos e escreveu sobre a revelação divina e as confissões positivas. Seus escritos influenciaram líderes do nascente movimento da prosperidade durante os healing revivals dos Estados Unidos pós-guerra.

Oral Roberts começou a professar a doutrina da prosperidade em 1947. Ele explicava as leis da fé como um “pacto abençoado” no qual Deus retornaria as doações “sete vezes”, prometendo aos doadores que eles receberiam de volta, de meios inesperados, o dinheiro que doaram a Ele. Roberts se oferecia a pagar qualquer doação que não levasse ao pagamento inesperado de quantia equivalente. Na década de 1970, Roberts descreveu seus ensinamentos sobre o pacto abençoado como a “doutrina da semente”: as doações são uma espécie de “semente” que crescem em valor e são devolvidas àquele que doa. Roberts começou a recrutar “parceiros” – doadores ricos que recebiam convites para conferências exclusivas e acesso ilimitado ao ministério em troca de apoio.

Em 1953, o curador pela fé A. A. Allen publicou “O segredo do sucesso financeiro nas Escrituras” e promoveu mercadorias como “tendas milagrosas para barbear” e panos de oração ungidos com “óleo milagroso”. No final da década de 1950, Allen se focou cada vez mais na prosperidade. Ele ensinava que a fé pode miraculosamente resolver os problemas financeiros, afirmando que teve uma experiência miraculosa na qual Deus transformou notas de um dólar em notas de vinte dólares para que ele pudesse pagar suas dívidas. Allen ensinou a “palavra da fé” ou o poder de transformar a fala em algo material.


Na década de 1960, a prosperidade se tornou o foco principal dos healing revivals. T. L. Osborn começou a enfatizar a prosperidade e se tornou conhecido por exibir ostensivamente sua riqueza pessoal. Durante aquela década, Roberts e William Branham criticaram outros ministérios que pregavam a doutrina, argumentando que suas táticas de arrecadação de fundos pressionavam injustamente os fiéis. Essas táticas eram motivadas, em parte, pelas despesas com o desenvolvimento de redes nacionais de rádio. Na mesma época, líderes da denominação pentecostal Assembleia de Deus dos Estados Unidos passaram a criticar o foco na prosperidade defendido por evangelistas curadores independentes.

Televangelismo...
Durante a década de 1960, professores do evangelho da prosperidade adotaram o televangelismo e passaram a dominar a programação religiosa nos Estados Unidos. Oral Roberts abriu o caminho, desenvolvendo um programa semanal em formato syndication que se tornou o programa religioso mais assistido dos Estados Unidos. Até 1968, o programa televisivo havia tomado o lugar das reuniões de tenda em seu ministério.

O reverendo Ike, um pastor pentecostal da cidade de Nova York, começou a pregar sobre a prosperidade no final da década de 1960. Ele logo colocou no ar programas de rádio e televisão e tornou-se conhecido por seu estilo chamativo. Sua declaração de amor aos bens materiais e ensinamentos sobre a “ciência da mente” levou muitos evangelistas a se distanciarem dele.

Na década de 1980, a teologia da prosperidade ganhou a atenção do público nos Estados Unidos através da influência de televangelistas proeminentes como Jim Bakker. A influência de Bakker, no entanto, diminuiu após ele ser acusado de participação num escândalo de grandes proporções. Em seguida, a Trinity Broadcasting Network (TBN) emergiu como força dominante no televangelismo da prosperidade, trazendo Robert Tilton e Benny Hinn à proeminência.

No Brasil, o televangelismo começou a ganhar destaque com a compra da Rede Record por Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, em 1990. A emissora exibe programas religiosos durante a madrugada e, em 1995, causou polêmica ao exibir um discurso do bispo Sérgio von Helder contra o feriado de Nossa Senhora Aparecida, no qual ele chutou uma imagem da santa várias vezes. Outras igrejas, como Internacional da Graça de Deus e Mundial do Poder de Deus, têm a prática de comprar horário em emissoras comerciais. Há também emissoras disponíveis em pacotes de TV por assinatura, como RIT e Rede Gospel.

Movimento “palavra de fé”...
Apesar de que a maioria dos evangelistas curadores das décadas de 1940 e 1950 ensinavam que a fé poderia trazer recompensas financeiras, um novo ensinamento relacionado à prosperidade se desenvolveu nos anos 1970, diferente daquele ensinado pelos evangelistas pentecostais desde os anos 1950. O movimento da “confissão positiva” ou da “palavra de fé” ensinava que um cristão com fé pode tornar algo que fala em realidade, desde que seja consistente com a vontade de Deus.

Kenneth Hagin é creditado como tendo um papel-chave na expansão da teologia da prosperidade. Ele fundou o RHEMA Bible Training Center em 1974 e, nos 20 anos seguintes, a escola treinou mais de dez mil estudantes de acordo com essa teologia. Assim como outras igrejas que seguem a teologia da prosperidade, não há um organismo governante oficial para o movimento Palavra de Fé, e os ministérios mais conhecidos divergem em algumas questões teológicas. Os ensinamentos de Hagin foram descritos por Candy Gunther Brown, da Universidade de Indiana, como a forma mais “ortodoxa” de ensinamento da prosperidade dentro do movimento Palavra de Fé.


História recente do movimento da teologia da prosperidade no Brasil...
O movimento neopentecostal tem sido caracterizado, em parte, pela ênfase na teologia da prosperidade, que ganhou maior aceitação dentro do Movimento Carismático durante a década de 1990. Atualmente, segundo dados do censo de 2010, a sexta maior igreja cristã do Brasil é a Universal do Reino de Deus, que professa a doutrina. Também se destaca no país a Igreja Mundial do Poder de Deus que, com 315 mil fiéis, apareceu pela primeira vez no censo. Há também, entre as igrejas seguidoras da doutrina, a Internacional da Graça de Deus e a Renascer em Cristo, além da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, cujo líder, Silas Malafaia, passou de crítico a defensor da teologia.

Autores como Joel Osteennota e Bruce Wilkinson têm sido creditados com o sucesso da teologia da prosperidade fora dos movimentos carismático e pentecostal; seus livros já venderam milhões de cópias em todo o mundo. No Brasil, o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, é creditado com o sucesso da doutrina, apresentada ao público através não só de seus livros como também de seus empreendimentos na mídia. Macedo já vendeu mais de 10 milhões de livros e é dono da Rede Record, terceira maior emissora de televisão do Brasil, do jornal Folha Universal, que tem uma circulação de 2,5 milhões de exemplares, e do canal de notícias Record News.

Segundo dados do censo de 2010, a maioria dos seguidores do movimento pentecostal no Brasil – onde estão incluídos os seguidores das igrejas que professam a teologia da prosperidade – são mulheres, residentes de áreas urbanas, de 30 a 49 anos de idade, de cor parda, com ensino fundamental incompleto e com rendimento médio de até três salários mínimos. Ainda de acordo com o censo, 45% dos fiéis dessas igrejas são economicamente inativos. Como não há um organismo governante oficial para o movimento da prosperidade, que não existe enquanto cadeira em teologia cristã, é difícil precisar as estatísticas.

Crescimento internacional da teologia da prosperidade...
Em 2006, três das quatro maiores congregações dos Estados Unidos seguiam a teologia da prosperidade. A maioria dos fiéis de igrejas que adotam a doutrina é oriunda do Cinturão do Sol. No final da década de 2000, seguidores da doutrina afirmavam que dezenas de milhões de cristãos haviam adotado-na naquele país. Uma pesquisa conduzida em 2006 pela revista “Time” informava que 17% dos cristãos estadunidenses se identificavam com o movimento. Em 2007, o senador estadunidense Chuck Grassley abriu um inquérito para investigar as finanças de seis ministérios que promovem a teologia da prosperidade. Em janeiro de 2011, Grassley concluiu as investigações afirmando acreditar que a autorregulação das organizações religiosas era preferível à ação do governo. Apenas dois ministérios colaboraram com o inquérito.

Paralelamente, o crescimento das igrejas que seguem a doutrina da prosperidade foi notável no Terceiro Mundo durante a mesma década. Uma região que presenciou o crescimento explosivo foi a África, em especial a Nigéria. Segundo Philip Jenkins, da Universidade Estadual da Pensilvânia, cidadãos pobres de países empobrecidos geralmente acham a doutrina atraente por causa de sua impotência econômica e da ênfase que ela dá aos milagres financeiros. Para Rowan Moore Gerety, na África a “memória da antipatia marxista à religião” durante as lutas pela descolonização e do “catolicismo paternalista do estado colonial” permitiu que igrejas seguidoras da teologia da prosperidade encontrassem um povo “aberto a uma nova forma de expressão religiosa”.

No início dos anos 1990, a Igreja Universal do Reino de Deus se instalou em outros países lusófonos. Em Moçambique, conta com o apoio de vários membros do governo e, apesar das críticas, prosperou, obtendo o controle da TV Miramar, líder de audiência no país. Em Angola, reivindica ter 400 mil fiéis, mas suas atividades foram suspensas pelas autoridades por dois meses após uma vigília de Ano Novo num estádio superlotado causar 16 mortes. Além disso, foram suspensas outras seis igrejas neopentecostais que atuavam sem autorização no país (Mundial do Poder de Deus, Mundial do Reino de Deus, Mundial Internacional, Mundial da Promessa de Deus, Mundial Renovada e Evangélica Pentecostal Nova Jerusalém). Também em Angola, a Igreja Maná, de origem portuguesa, foi fechada após acusações de desvio de fundos doados pela petrolífera Sonangol para a construção de uma escola.

A teologia da prosperidade também forçou mudanças na Igreja católica para impedir a debandada de fiéis para as igrejas neopentecostais. Segundo Lucelmo Lacerda, a Renovação Carismática, no Brasil, “sofre um processo de neopentecostalização”, embora reconheça que o movimento católico possua termos e enfoque um pouco diferentes do evangelho da prosperidade. Nas Filipinas, o movimento El Shaddai, parte da Renovação Carismática, espalhou os ensinamentos da doutrina para fora do cristianismo protestante. Também na Ásia, uma igreja sul-coreana seguidora da teologia da prosperidade, a Igreja do Evangelho Pleno, ganhou atenção na década de 1990 após afirmar ter a maior congregação do mundo.


Análises sociais e econômicas do fenômeno...
A maioria das igrejas do movimento da prosperidade são não-denominacionais e independentes, apesar de que alguns grupos têm formado redes. As igrejas seguidoras da doutrina tipicamente rejeitam a política presbiteriana e a ideia de que o pastor deva ser de responsabilidade dos anciões; é comum aos pastores dessas igrejas serem a maior figura de autoridade organizacional. Alguns críticos, como Sarah Posner e Joel Conason, defendem que a doutrina cultiva organizações autoritárias. Eles argumentam que os líderes tentam controlar as vidas dos seguidores alegando possuir uma autoridade que lhes foi divinamente outorgada. Jenkins afirma que a teologia da prosperidade é usada como ferramenta para justificar os altos salários dos pastores.

Nos Estados Unidos, o movimento tem atraído muitos seguidores na classe média e é mais popular em cidades-dormitório e em áreas urbanas. Em “Exportando o Evangelho americano: o fundamentalismo cristão global”, Steve Brouwer, Paul Gifford e Susan Rose especulam que o movimento foi estimulado pelo desdém predominante ao liberalismo social nos Estados Unidos desde a década de 1970. Rosin argumenta que a teologia da prosperidade emergiu por causa de tendências mais amplas, particularmente o otimismo econômico dos estadunidenses entre as décadas de 1950 e 1990. Tony Lin, da Universidade da Virgínia, tem comparado a doutrina ao Destino Manifesto, crença do século 19 segundo a qual o povo estadunidense foi escolhido por Deus para guiar o Ocidente. Marvin Harris diz que o foco da doutrina no mundo material é uma resposta à secularização da religião nos Estados Unidos. Ele a vê como uma tentativa de realização do sonho americano através do poder sobrenatural.

A teologia da prosperidade tem se tornado popular entre os estadunidenses mais pobres, em particular aqueles que buscam progressos pessoais e sociais. A doutrina tem crescido significativamente nas igrejas negras e hispânicas e é particularmente popular entre os imigrantes. Os defensores do movimento destacam sua diversidade étnica e argumentam que ele engloba uma variedade de visões. Joel Robbins, da Universidade de Tóquio, observa que a maioria dos antropólogos atribui o sucesso da teologia com os pobres – em especial nos países do sul – ao fato de que ela promete segurança e ajuda a explicar o capitalismo. O antropólogo Simon Coleman desenvolveu uma teoria baseada na doutrina da prosperidade e no sentimento de pertença que ela oferece aos fiéis. Num estudo da igreja sueca Palavra da Vida, ele observou que os seguidores se sentiam parte de um complexo sistema de troca de presentes; eles dão algo a Deus e aguardam algo em retorno (seja diretamente de Deus ou de outro membro da igreja). A Hillsong Church, maior congregação da Austrália, ensina uma forma de teologia da prosperidade que tem ênfase no sucesso pessoal, motivo pelo qual tem atraído um número significativo de australianos emergentes.

Numa entrevista de 1998 à revista “Christianity Today”, Bong Rin Ro, da Escola de Graduação em Teologia da Ásia, sugeriu que o crescimento da popularidade da doutrina na Coreia do Sul reflete uma forte “influência xamanística”. Bong apontou semelhanças entre a tradição de pagar xamãs para a cura com a doutrina contratual da teologia da prosperidade sobre doações e bênçãos. Os problemas econômicos da Ásia, segundo ele, encorajou o crescimento da doutrina no país, embora ele alega que ela ignora os pobres e necessitados. Durante a entrevista, Bong afirmou ver o problema começar a ser revertido, citando chamadas à renovação da fé e a outras práticas. Cho Yong-gi, pastor da Igreja do Evangelho Pleno em Seul, tem sido criticado por “xamanizar” o Cristianismo. A crítica tem foco em seus cultos de cura e exorcismo e suas promessas de bênçãos materiais. O escritor cristão malásio Hwa Yung defendeu as curas e os exorcismos de Cho, argumentando que ele teve sucesso em contextualizar o evangelho numa cultura onde o xamanismo ainda é prevalente. Entretanto, Hwa criticou os ensinamentos de Cho sobre bênçãos terrenas por não refletirem a provisão de Deus e por seu grande foco na riqueza terrena.


Comparações com outros movimentos...
O historiador Carter Lindberg, da Universidade de Boston, traçou paralelos entre a teologia da prosperidade contemporânea e o comércio de indulgências conduzido pela Igreja católica durante a Idade Média. Coleman observou que vários movimentos cristãos pré-século 20 nos Estados Unidos ensinavam que um estilo de vida sagrado era um caminho à prosperidade e que o trabalho duro ordenado por Deus traria bênçãos.

Coleman tem especulado que a moderna teologia da prosperidade tem muitas características do Movimento Novo Pensamento, embora ele admita que a ligação é por vezes pouco clara. Jenkins observa que os críticos têm feito comparações entre a teologia da prosperidade e o fenômeno do culto à carga. Ao citar a popularidade da teologia da prosperidade nas comunidades africanas agrárias, ele argumenta que a doutrina tem semelhanças com a religiosidade tradicional africana. Segundo Rowan Moore Gerety, a utilização de óleos abençoados e outras formas de tratamentos espirituais pela Igreja Universal do Reino de Deus são as mesmas mandingas típicas das religiões afro, que são criticadas pela igreja por promoverem “feitiçaria”. J. Matthew Wilson, da Universidade Metodista Meridional, compara o movimento à teologia da libertação das igrejas afro-americanas devido a seu foco na elevação dos grupos oprimidos, embora ele observe que a doutrina difere em sua concentração no sucesso individual, ao invés de mudanças no sistema político como um todo.

Críticas teológicas...
O evangelicalismo tradicional tem se oposto consistentemente à teologia da prosperidade e os ministérios que seguem a doutrina têm frequentemente entrado em conflito com outros grupos cristãos, incluindo outros membros dos movimentos pentecostal e carismático. Os críticos, como o pastor Michael Catt, argumentam que a teologia da prosperidade possui pouco em comum com a teologia cristã tradicional. Líderes evangélicos proeminentes, como Rick Warren, Ben Witherington III e Jerry Falwell têm criticado duramente o movimento, por vezes denunciando-o como “herético”. Warren argumenta que a teologia da prosperidade promove a idolatria do dinheiro, enquanto os outros indicam que os ensinamentos de Jesus desdenham a riqueza material. R. Kent Hughes indica que alguns rabinos do século 1 d.C. defendiam as bênçãos materiais como um sinal da benevolência divina; segundo ele a citação de Jesus em Marcos 10:25 de que “é mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” seria em oposição a tal pensamento.

Outros críticos do movimento atacam as promessas feitas pelos líderes das igrejas, argumentando que a ampla libertação dos problemas que eles prometem é irresponsável. Esses líderes também são geralmente criticados por abusar da fé de seus seguidores, uma vez que enriquecem às custas das doações que suas igrejas recebem. A doutrina também tem sido acusada de esconder de seus fiéis a pobreza na qual os apóstolos viviam. Por exemplo, alguns teólogos acreditam que a vida e os escritos de Paulo de Tarso, a quem se acredita ter levado uma vida bastante dolorosa, são particularmente conflituosos com a teologia da prosperidade.

Os teólogos David Jones e Russell Woodbridge caracterizam a doutrina como “teologia pobre”. Eles argumentam que a retidão não pode ser ganhada e que a Bíblia não promete uma vida fácil. Para ambos, a doutrina é inconsistente com o evangelho de Jesus, cuja mensagem central deveria ser a vida, a morte e a ressurreição de Jesus. Jones e Woodbridge argumentam que o evangelho da prosperidade marginaliza a importância vital de Jesus a favor das necessidades materiais dos humanos. Em artigo, Jones critica a interpretação que a doutrina faz da aliança abraâmica – promessa de Deus de abençoar todos os descendentes de Abraão – argumentando que a bênção é espiritual e já se aplica a todos os cristãos. Para ele, os proponentes da doutrina também interpretam mal a expiação; ele critica o ensinamento de que a morte de Jesus também teria eliminado a pobreza (assim como os pecados) do mundo. Jones acredita que tal ensinamento se deve a um desentendimento sobre a vida de Jesus e critica os ensinamentos de John Avanzini sobre Jesus ser rico, indicando que Paulo ensinava aos cristãos a abdicar de suas posses materiais. Apesar de aceitar o dízimo, Jones critica a “lei da compensação”, que ensina que quanto mais os cristãos doarem mais Deus será generoso com eles. Jones cita os ensinamentos de Jesus para “dar sem esperar nada em retorno”. Jones e Woodbridge também indicam que Jesus instruía seus seguidores a se focarem nas recompensas espirituais. Jones critica a visão da doutrina sobre a fé; ele não acredita que ela deva ser usada como força espiritual para ganhos materiais e sim como uma aceitação altruísta de Deus.

Em 1980, o Conselho Geral das Assembleias de Deus nos Estados Unidos criticou as confissões positivas, citando exemplos de confissões negativas na Bíblia – onde as figuras expressam seus medos e dúvidas – que têm impacto positivo e contrastando-as com o foco nas confissões positivas ensinado pela teologia da prosperidade. O Conselho argumenta que a palavra em grego bíblico traduzida como “confessar” significa “dizer a mesma coisa”, podendo se referir tanto às confissões positivas quanto às negativas. Também critica a doutrina por não reconhecer a vontade de Deus; a vontade Dele deve ser superior à vontade dos homens e os cristãos devem “reconhecer a soberania de Deus”. A teologia da prosperidade também é criticada pelo Conselho por subestimar a importância da oração, argumentando que esta deve ser utilizada para todos os propósitos e não só para as confissões positivas. O Conselho afirma que é normal os cristãos passarem por sofrimento. Ele incita os cristãos a colocarem a confissão positiva à prova, argumentando que a doutrina apela àqueles que moram em sociedades já abastadas, enquanto muitos outros cristãos são pobres e aprisionados. Por fim, critica a distinção feita pelos defensores da teologia das duas palavras gregas que significam “falar”, argumentando que a distinção é falsa e que elas são usadas intercaladamente no texto bíblico em grego; o Conselho acusa a doutrina de pegar passagens da Bíblia fora de contexto para cumprir seus próprios interesses, resultando numa contradição com a mensagem holística da Bíblia.

A teologia da prosperidade, entretanto, se lança como reclamação da verdadeira doutrina cristã e, como tal, parte do caminho para a dominação cristã da sociedade secular. Seus defensores afirmam que as promessas divinas de prosperidade e vitória sobre Israel no Velho Testamento se aplicam aos cristãos de hoje, seguidores da Nova Aliança, e que a fé e as ações retas liberam essa prosperidade. Peter Wagner, líder da Nova Renovação Apostólica, tem argumentado que se os cristãos dominarem a sociedade, a Terra irá experimentar “paz e prosperidade”. Alguns latino-americanos que adotaram a teologia da prosperidade defendem que a Igreja Católica tem historicamente colocado um foco desnecessário no sofrimento humano, o que segundo eles deve ser descartado em prol de uma doutrina religiosa que enfatize a prosperidade. Os defensores da teologia da prosperidade também argumentam que as promessas bíblicas de bênçãos aos pobres têm sido desnecessariamente interpretadas de maneira espiritual e que elas devem, de agora em diante, ser interpretadas de uma maneira mais literal.