terça-feira, 31 de março de 2015

Doutor Fritz: a história de um dos personagens mais famosos do espiritismo...

Doutor Fritz (foto abaixo) é a denominação de uma famosa entidade espiritual que, segundo a crença religiosa do espiritismo kardecista, incorporaria médiuns para efetuar tratamentos médicos. Sua história passou a ser conhecida e ganhou fama mundial através do brasileiro José Arigó, a partir do final da década de 1950. Na Europa também vários médins afirmaram ter manifestado o espírito de Fritz em processos conhecidos como “cirurgias psíquicas”, mas foi no Brasil que o nome do Doutor Fritz ficou mais conhecido.


Suposta biografia do médico...
Todas as informações que temos sobre o Doutor Fritz provêm de supostas comunicações mediúnicas com o plano espiritual. Portanto, é válido citar que nenhum historiador jamais provou e documentou a vida terrena deste homem. Das descrições esparsas colhidas em comunicações através de diversos médiuns ao longo dos anos, emerge uma versão popularmente aceita de que a entidade, em vida, teria o nome de Adolf Fritz, nascido em Munique, na atual Alemanha, cerca de 1875.

Seu pai, asmático, recebeu recomendação médica para mudar de clima. Por essa razão, a família mudou-se para a Polônia, quando Adolf teria quatro anos de idade. Forçado a trabalhar desde cedo pela morte prematura de seus pais, custeou os próprios estudos, vindo a se formar em medicina. Um mês após a sua formatura, um general chegou ao seu consultório com a filha gravemente enferma nos braços, mas, a despeito de todos os seus esforços, a menina morreu. O oficial responsabilizou Adolf pela morte da menina, conduzindo-o à prisão, onde sofreu maus-tratos e privações. Fugindo da prisão, Adolf foi para a Estônia, onde viveu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Outra versão dessa suposta biografia sustenta que Adolf ingressou no quadro de saúde do Exército alemão, no posto de capitão, como clínico geral. À época da Primeira Guerra, teria atendido os feridos no campo de batalha onde, por falta de instrumentos adequados, acumulou experiência no atendimento de emergências e de prática cirúrgica utilizando os limitados recursos que o front lhe oferecia. Adolf Fritz teria morrido em 1918, aos 42 anos de idade, embora se desconheçam informações sobre as causas e o local desse evento.


Os médiuns mais famosos da “vida” de Doutor Fritz...
Após deixar o plano físico, tendo sido esclarecido acerca de sua nova condição, Doutor Fritz teria iniciado o atendimento espiritual no Brasil, inicialmente através de uma irmã de caridade. Outros autores afirmam que esse início foi através de um médium na Bahia, o qual cobrava por suas consultas, o que teria prejudicado a relação entre homem-espírito.

José Arigó (nome verdadeiro: José Pedro de Freitas) – Ainda através de relatos esparsos, surgiu a versão de que Adolf Fritz e José Pedro de Freitas (foto abaixo), encarnados à época da Primeira Guerra, haviam sido companheiros e amigos. Posteriormente, à época da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), José Pedro teria encarnado no Brasil, tendo a entidade Doutor Fritz aqui vindo trabalhar a convite de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Afirma-se ainda que, após a desencarnação violenta, José Pedro teria passado a trabalhar como enfermeiro na falange da entidade. José Arigó, incorporando o espírito do Doutor Fritz, escrevia receitas em uma letra incompreensível, mas que conseguiam ser interpretadas por seu irmão, que era farmacêutico. Arigó foi processado duas vezes por prática ilegal da medicina, e morreu em um acidente de carro, em 1971.


Edivaldo de Oliveira Silva e Oscar Wilde – Após a morte de José Pedro de Freitas, a entidade passou a se manifestar através dos médiuns baianos Edivaldo de Oliveira Silva (também nomeado como Edivaldo Wilde) e, após o seu falecimento, seu irmão, Oscar Wilde. Edivaldo residia no estado da Bahia, onde lecionava. Quinzenalmente percorria cerca de 800 quilômetros para chegar ao Rio de Janeiro, onde atendia a centenas de pessoas que o aguardavam. Em seguida, viajava até o Recife, de onde retornava para as suas atividades docentes na Bahia. Nascido em Vitória da Conquista, na Bahia, Wilde atendia ao som da Ave-Maria e, como o seu antecessor, empregava como instrumento cirúrgico qualquer objeto perfuro-cortante, que podia ser um canivete ou uma faca de cozinha. Afirma-se que no consultório que mantinha em um centro espírita, chegou a atender mais de 400 mil pacientes. Antes de morrer, Wilde também foi investigado pelas autoridades, chegando a ser acusado de charlatão pela Associação Espiritualista da Bahia.

Maurício Magalhães – Ainda após a morte de José Pedro de Freitas, afirma-se que a entidade passou a se manifestar por intermédio da mediunidade do matogrossense Maurício Magalhães. O médium foi detido em flagrante, em fevereiro de 1998, em Braço do Norte (SC), acusado de exercício ilegal da medicina, charlatanismo e formação de quadrilha. Tendo fundado hospitais e centros em Mato Grosso e Santa Catarina, atualmente atua em Uberaba (MG).

Edson Queiroz – Ao final da década de 1970, a entidade passou a utilizar como veículo a mediunidade do pernambucano Edson Queiroz, um médico ginecologista. A seu turno, Edson também sofreu questionamentos por parte das autoridades, especialmente pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, que chegou a processá-lo por infringir o Código de Ética Profissional. Julgado, foi condenado e teve o seu registro profissional cassado. Dois anos mais tarde, em 1985, foi absolvido pelo Conselho Federal de Medicina.

Rubens Farias Júnior – Em meados da década de 1980, e particularmente após o assassinato de Edson Queiroz a facadas pelo seu caseiro, em 1991, a entidade passou a se manifestar pela mediunidade do paulista Rubens Farias Júnior, engenheiro eletrônico que residia no Rio de Janeiro.

Outros médiuns que tiveram o nome do Doutor Fritz...
A história envolvendo a entidade chamada Doutor Fritz, curiosamente, só se manifesta no Brasil. Poucos casos mostram esse acontecimento fora do país, como é o caso da espírita Verna Yater, da Austrália, que também alega que incorpora a entidade. No Brasil temos outros médiuns que usam o nome do suposto médico alemão: Aylla Harard, Kleber Aran Ferreira e Silva, Francisco Monteiro, João Teixeira de Faria etc. De acordo com algumas correntes do kardecismo brasileiro e do kardecismo francês, Doutor Fritz nunca existiu e trata-se de um personagem quase folclórico criado dentro do Brasil e que ganhou fama mundial através de José Arigó, quem teria inventado a biografia do suposto médico.

Técnicas usadas pelos médiuns...
As técnicas da entidade têm variado nas últimas cinco décadas, evoluindo do receituário instantâneo e das cirurgias empregando instrumentos perfuro-cortantes normalmente inadequados e sem assepsia, até outras técnicas de tratamento espiritual como o emprego de água fluidificada, passes, desobsessão, e outras. Chamava a atenção o fato de as cirurgias, mesmo sob as condições sépticas mais adversas, apresentarem reduzido ou nenhum sangramento, ausência de infecção pós-operatória, rápida cicatrização dos cortes sem necessidade de suturas, redução ou mesmo ausência de dor durante os procedimentos.

sábado, 28 de março de 2015

Conheça um pouco sobre quem foram os druidas...

No post de hoje vamos falar sobre uma das figuras mais lendárias envolvendo a Europa primitiva, antes da dominação cristã do período medieval na Grã-Bretanha. Trata-se do período celta quando seus sacerdotes faziam magias e conheciam os regimes astronômicos e os regimes dos céus. Os druidas hoje fazem parte de uma cultura paralela, contemporânea, que mistura dados anacrônicos de bruxas, gnomos e jogos de RPG.


1. Druidas (no feminino: druidesas ou druidisas) eram pessoas encarregadas das tarefas de aconselhamento, ensino, jurídicas e filosóficas dentro da sociedade celta. Embora não haja consenso entre os estudiosos sobre a origem etimológica da palavra, “druida” parece provir do vocábulo “druwids”, formado pela junção de “deru” (carvalho) e “wid” (raiz indo-europeia que significa saber).

2. A visão cristã mostra os druidas como sacerdotes, mas isso na verdade não é comprovado pelos textos clássicos, que os apresentam na qualidade de filósofos. Se levarmos em conta que o druidismo era uma filosofia natural, da terra baseada no animismo, e não uma religião revelada, os druidas assumem então o papel de diretores espirituais do ritual, conduzindo a realização dos ritos, e não de mediadores entre os deuses e o homem.

3. Ao contrário da ideia corrente no mundo pós-Iluminismo sobre a linearidade da vida (nascemos, envelhecemos e morremos), no druidismo como entre outras culturas da Antiguidade, a vida é um círculo ou uma espiral. O druidismo procurava buscar o equilíbrio, ligando a vida pessoal à fonte espiritual presente na natureza, e dessa forma reconhecia oito períodos ao longo do ano sendo quatro solares (masculinos) e quatro lunares (femininos), marcados pelos rituais especiais.

4. A sabedoria druídica era composta de um vasto número de versos aprendidos de cor e conta-se que eram necessários cerca de 20 anos para que se completasse o ciclo de estudos dos aspirantes a druidas.

5. Pode ter havido um centro de ensino druídico na Ilha de Anglesey, mas nada se sabe sobre o que era ensinado ali. De sua literatura oral (cânticos filosóficos, fórmulas mágicas e encantamentos) nada restou, sequer em tradução. Mesmo as lendas consideradas druídicas chegaram até nós através do prisma da interpretação cristã, o que torna difícil determinar o sentido original das mesmas.

6. As tradições que ainda existem do que seriam seus rituais foram conservadas no meio rural e incluem a observância do Halloween (Samhaim), rituais de colheita, plantas e animais, baseados nos ciclos solar, lunar e outros. Tradições que seriam partilhadas pela cultura de povos vizinhos. Segundo León Denis, o estabelecimento de uma data específica para a comemoração dos mortos é uma iniciativa dos druidas, que acreditavam na continuação da existência depois da morte. Reuniam-se nos lares, e não nos cemitérios, no primeiro dia de novembro, para homenagear e evocar os mortos.

7. Aos olhos da arqueologia tradicional os trabalhos da professora Miranda Aldhouse-Green, da Universidade de Cardiff, confirmam os ditos dos autores clássicos e demonstram a participação crucial dos druidas na realização de sacrifícios humanos e antropofagia. Segundo estes arqueólogos há evidencias que possivelmente os druidas cometiam antropofagia em rituais de sacrifícios humanos, como afirmavam os historiadores romanos.

8. Depois do primeiro século da era cristã, recém-chegados da Grã-Bretanha, os romanos trouxeram notícias com histórias horríveis sobre os sacerdotes celtas, que se espalhou por toda a Europa durante um período de dois mil anos. Júlio César afirmava que os druidas sacrificavam presos aos deuses. Dando assim, continuidade ao mito de sacrifícios cometido pelos druidas, cujo verdadeiro erro foi estimular o povo a não aceitar as leis e a suposta “paz” romanas.

9. De acordo com estudo do cadáver de um homem encontrado pelos arqueólogos, encontrava-se este com a cabeça violentamente esmagada e seu pescoço havia sido estrangulado e quebrado. Segundo a arqueóloga Miranda, o cadáver tinha uma corda estrangulando o pescoço, e no mesmo instante a garganta foi cortada, o que causaria um enorme fluxo de sangue. Grãos de pólen de visco foram encontrados no interior dos intestinos. Essa planta era sagrada para os druidas. A idade deste cadáver é datada do ano 60 d.C, coincidindo com a nova ofensiva romana na ilha da Grã-Bretanha.

10. Numa caverna em Aveston, Inglaterra, no ano 2000, foram encontrados cerca de 150 esqueletos de pessoas e que remonta ao tempo da conquista romana. As vítimas apresentam indícios de golpes na divisão dos crânios em um único evento. Segundo alguns pesquisadores, a invasão romana intensificou o abate ritual pelos druidas.


11. Os druidas “brithem” eram considerados os juízes. Os celtas não possuíam suas leis escritas, somente os druidas brithem as conheciam teoricamente, assim, essa classe de druidas tem por função percorrer as casas e as aldeias, a fim de resolver problemas e impasses que surgissem entre a população.

12. Os druidas “filid” diziam ser descendentes diretos do cosmos. Era a mais alta classe dos druidas, a sua função era o contato direto com o cosmos. O lendário mago Merlin era um druida filid. Aos filids eram concedidos os poderes e status de sacerdote, juiz, curandeiro, conselheiro e poeta. Não acreditavam em adivinhações do futuro, mas sabiam o que resultaria como colheita de um plantio ruim.

13. Já os druidas “liang” eram os curandeiros ou médicos. Normalmente passavam mais de 20 anos em seus estudos antes de praticarem tal ofício, possuíam especializações entre si, usavam ervas em geral e praticavam cirurgias. Profundos conhecedores de ervas e outras plantas, se credita a eles os ensinamentos adquiridos pelos romanos sobre os valores nutricionais de muitos produtos hindus e orientais com os quais eles estavam muito familiarizados.

14. Os druidas “scelaige” tinham como função apenas repetir a história dos celtas que lhe haviam sido contada por outros scelaiges. A escrita era proibida a não ser para rituais. Memorizavam e repetiam tudo para que a história não fosse esquecida.

15. Os druidas “sencha” deveriam percorrer as terras celtas e compor outras novas histórias sobre o que estava ocorrendo, estas seriam repassadas aos scelaige que as decorariam. Estes recebiam o prestigio de historiadores, pesquisadores, guardiões dos segredos herméticos e difusores da sabedoria oral.

16. Os druidas “poetas” decoravam a história contada pelos druidas scelaige; era preciso que druidas poetas as aprendessem e contassem ao povo. A principal função desta classe era manter a tradição celta viva.

17. A principal fonte clássica sobre os druidas é Júlio César, em sua obra “A guerra da Gália”. Todavia, os comentários de César sobre os druidas mal enchem uma página e dão margem a inúmeras dúvidas, infelizmente não sanadas por outros autores clássicos (que escreveram ainda menos sobre o tema).

18. César fala sobre a organização e as funções da classe dos druidas (presidência dos ritos, pedagogos e juizes), a eleição do druida-mor, a reunião anual (conclave) na floresta de Carnutos, a isenção do serviço militar e a aprendizagem de longos poemas. Afirma também que os druidas se interessavam em aprender astronomia e assuntos da natureza, e se recusavam terminantemente em colocar seus ensinamentos por escrito.

19. Outros autores clássicos, como Plínio e Cícero, também se referem ao interesse dos druidas pelo estudo sério dos astros e pela prática da adivinhação. Tácito e Suetônio confirmam o interesse, mas nos apresentam os druidas como bárbaros cruéis e supersticiosos.

20. Analisando o contexto histórico, T.D. Kendrick em sua obra “The druids”, afirma que até a época do início do Império Romano, os druidas gozavam de ótima reputação, mas a partir da formação da Igreja católica, começaram a ser atacados e desprestigiados. Tal desprestígio se deveu muito mais à necessidade de justificativas para a conquista e dominação dos celtas do que por demérito dos druidas.


21. Certo mesmo é que a influência dos druidas deve ter sido considerável, pois três imperadores romanos tentaram extingui-los por decreto como classe sacerdotal num prazo de 50 anos – sem sucesso. O primeiro foi Augusto, que impediu os druidas de obter a cidadania romana. Em seguida, Tibério baixou um decreto proibindo os druidas de exercerem suas atividades e, finalmente, Cláudio, em 54 d.C., extinguiu a classe sacerdotal.

22. Certo mesmo é que, 300 anos mais tarde, os druidas ainda continuavam a ser citados por autores como Ausonio, Amiano Marcelino e Cirilo de Alexandria, como uma classe social de extrema importância e respeitabilidade.

23. Embora muitos autores clássicos como Hipólito de Roma apresentem os druidas como “filósofos”, colocando-os no mesmo nível dos pitagóricos (teriam sido ensinados por um servo de Pitágoras, Zaniolxis) e com elevados conhecimentos de astronomia, não existem provas concretas de tal saber. Até onde se sabe, o conhecimento que os druidas tinham dos astros e seus ciclos não ultrapassava o de povos similares em seu estágio de desenvolvimento.

24. Podendo os druidas ser herdeiros diretos da cultura megalítica que construiu Stonehenge, isso poderia significar um conhecimento tão elaborado dos ciclos lunares e solares como a sofisticação da astronomia praticada pelos babilônios e egípcios. A comparação com os pitagóricos não implica necessariamente qualquer interesse concreto pela matemática, mas apenas pelo estudo das “ciências ocultas” (que era como os contemporâneos e posteriores aos pitagóricos encaravam as atividades dos mesmos).

quinta-feira, 26 de março de 2015

Sexto sentido: você acredita que os seres humanos tenham isso?! Fato ou farsa?!

Todos os seres humanos têm pelo menos cinco sentidos: visão, olfato, audição, tato e paladar. Geralmente dizemos que alguns animais podem ter um “sexto sentido”, assunto que já foi debatido neste blog. No post de hoje vamos abordar esta questão relativa aos seres humanos, pois é lugar-comum afirmar-se que as mulheres têm uma certa “intuição” ou “sexto sentido”.

Na parapsicologia, o sexto sentido também é conhecido por dois nomes: percepção extrassensorial (PES) ou psi-gama (PG). É a aparente habilidade de certos indivíduos, chamados “sensitivos” ou “psíquicos”, para perceber fenômenos e objetos independentemente de seus órgãos sensoriais. O termo foi cunhado por Joseph Banks Rhine. Para fins de estudo e pesquisa, as percepções extrassensoriais têm sido divididas nas seguintes categorias gerais:


Clarividência: conhecimento de evento, ser ou objeto, sem a utilização de quaisquer canais sensoriais conhecidos.
Telepatia: a consciência dos pensamentos de outro ser, sem utilização de canais sensoriais conhecidos (ato de ler a mente de outrem).
Precognição: conhecimento sobre um futuro evento, ser ou objeto.
Simulcognição: conhecimento da realidade presente sem ter como intermediários telejornais, por exemplo.
Radiestesia: hipotética sensibilidade a determinadas radiações, como energias emitidas por seres vivos e elementos da natureza.
Psicometria: capacidade de ler impressões e recordações pelo contato com objetos.
Retrocognição: fenômeno parapsíquico espontâneo ou induzido no qual o indivíduo lembraria espontaneamente de lugares, fatos ou pessoas relativos a experiências passadas, sejam elas vidas ou períodos entre vidas.


Através das diferentes técnicas de regressão podem-se acessar fatos ocorridos durante a vida adulta, a adolescência, a infância, o nascimento, a vida intrauterina, e até mesmo experiências ocorridas em outras vivências que ainda afetam o dia a dia.

Intuição é o raciocínio automático de um indivíduo ou reação à primeira vista, daí a forma de identificação da intenção através da análise do seu pensamento objetivo, bem como da capacidade e atividade como instrução e propósito. A intuição sobre um fato específico é sempre racional, ou para o bem, para o mal ou devido a erro de instrução, entendimento ou cultura. Cada um é metade do que aprendeu a ser. Uma intuição irresponsável tende a desvirtuar ou a esconder as relações de causalidade entre um acontecimento onde se envolvem duas partes. Por exemplo, o atacante autor da culpa quer sempre culpar a reação do outro e por isso rejeita a metafísica ou intuição da razão verdadeira.

Em psicologia, intuição é um processo pelo qual os humanos passam, às vezes e involuntariamente, para chegar a uma conclusão sobre algo. Na intuição, o raciocínio que se usa para chegar à conclusão é puramente inconsciente, fato que faz muitos acreditarem que a intuição é um processo paranormal ou divino. Seu funcionamento e até mesmo sua existência são um enigma para a ciência. Apesar de já existirem muitas teorias sobre o assunto, nenhuma é dada ainda como definitiva. A intuição leva o sujeito a acreditar com determinação que algo poderá acontecer.

Para a sociologia, intuição é considerada uma das fontes da verdade utilizada por milhares de anos para trazer orientação e explicar fatos ao Homem. Como conceito, a intuição é definida como a capacidade de perceber, discernir ou pressentir uma explicação independentemente de qualquer raciocínio ou análise. A intuição pode ser responsável pela elaboração de hipóteses que posteriormente poderão ser comprovadas ou não. Ela não é satisfatória como fonte de conhecimento pela dificuldade de ser testada.

Nascimento da palavra...
Do latim “intuitione”, formato a partir da união de “in-” (em, dentro) e “tuere” (olhar para, guardar). No português, provavelmente uma inflexão do francês “intuition” (contemplação, conhecimento imediato, pressentimento que nos permite adivinhar o que é ou deve ser), originado do latim.


Classificação da intuição como uma espécie de “sexto sentido”...
A intuição pode ser dividida em quatro grupos. Esses grupos, na psicologia, não possuem termos oficiais para suas nomenclaturas e nem mesmo seguem à risca a definição de intuição, já apresentada acima.

Tipo 1: é o tipo de intuição que envolve um raciocínio simples, tão simples que passa despercebido pela mente consciente. Nós chegamos a uma conclusão, mas não percebemos que raciocinamos para obtê-la. Quando vemos um copo caindo, por exemplo, nós já sabemos que ele se quebrará, e isto sem precisar pensar conscientemente. É o que chamamos de óbvio, elementar.
Tipo 2: é o tipo de intuição que vem da prática. Quanto mais se pratica alguma coisa, mais a mente passa a tarefa de raciocinar sobre o assunto que se está desenvolvendo do campo consciente para o campo inconsciente. Enxadristas considerados mestres, por exemplo, ao olharem para um tabuleiro logo sabem que jogada fazer, pensando muito pouco ou literalmente não pensando. Um outro exemplo é no aprendizado de novas línguas, o aluno tem de pensar muito para construir frases do idioma que está aprendendo enquanto o professor o faz naturalmente.
Tipo 3: é quando chegamos a uma conclusão de um problema complexo sem ter raciocinado. Popularmente, essa intuição se refere aos clichês “Como não pensei nisso antes?” e “Eureca!”. Quando pessoas passam por esse fenômeno, elas não sabem explicar como raciocinaram para chegar ao resultado final, simplesmente falam que a resposta apareceu na mente deles.


terça-feira, 24 de março de 2015

Conheça mais um pouco sobre a crucificação como método de pena de morte...

A crucificação foi um método de execução muito comum utilizado no período da Antiguidade, e comum tanto no Império Romano, como no Egito e também em Cartago. Abolido no século 4 d.C., por Constantino, consistia em torturar o condenado e obrigá-lo a levar até o local do suplício a barra horizontal da cruz, onde já se encontrava a parte vertical cravada no chão. De braços abertos, o condenado era pregado na madeira pelos pulsos e pelos pés e morria, depois de horas de exaustão, por asfixia e parada cardíaca (a cabeça pendida sobre o peito dificultava sobremodo a respiração).


O personagem histórico mais famoso por ter sido condenado a uma crucificação é Jesus de Nazaré, mas outros tantos mártires da Igreja também foram mortos desta mesma maneira. Um detalhe importante no parágrafo anterior rompe com um mito religioso antigo: Jesus não carregou a cruz até o Calvário; cabia ao condenado carregar somente a parte horizontal que compunha uma cruz, pois a parte vertical já ficava no local da condenação, geralmente distante do centro comercial da vila ou da cidade. Mas não pense que carregar somente uma parte da cruz era tarefa fácil: a madeira podia pesar mais de 200 quilos, em um caminho longo, debaixo do sol, sendo chicoteado, cuspido e apedrejado. Era uma verdadeira tortura física e mental.

Os historiadores acreditam que essa pena de morte tenha sido criada na Pérsia, sendo trazida para o Oriente Médio e Ocidente por Alexandre o Grande, sendo então popularizada no Egito, em Roma e em Cartago. Neste ato combinavam-se os elementos de vergonha e tortura, e por isso o processo de crucificação era olhado com profundo horror. O castigo da crucificação começava com flagelação, depois do criminoso ter sido despojado de suas vestes. No azorrague os soldados fixavam os pregos, pedaços de ossos, e coisas semelhantes, podendo a tortura do açoitamento ser tão forte que às vezes o flagelado morria em consequência do açoite. O flagelo era cometido ao réu estando este preso a uma coluna.


Tratava-se de uma morte extremamente cruel por ser muito lenta. Se a pessoa não morresse por conta dos maus tratos sofridos durante o caminho até o local da pena máxima, ela poderia ficar lá por dias. Há casos de condenados que ficaram sete dias presos à cruz e morreram por infecção generalizada, ou por sede, ou por frio. Um dado curioso é que somente homens eram condenados à crucificação; às mulheres cabiam os apedrejamentos públicos, despejo em penhascos ao mar, afogamentos etc.

No ato da crucificação a vítima era pendurada de braços abertos em uma cruz de madeira, geralmente amarrada, ou, muito raramente, presa a ela por pregos perfurantes nos punhos, nos pés e nos calcanhares. O peso das pernas sobrecarregava a musculatura abdominal que, cansada, tornava-se incapaz de manter a respiração, levando à morte por asfixia. Para abreviar a morte, os torturadores às vezes fraturavam as pernas do condenado, removendo totalmente sua capacidade de sustentação, acelerando o processo que levava à morte. Mas era mais comum a colocação de “bancos” no crucifixo, que foi erroneamente interpretado como um pedestal. Essa prática fazia com que a vítima vivesse por mais tempo. Nos momentos que precedem a morte, falar ou gritar exigia um enorme esforço.


A maior crucificação de que se tem notícia ocorreu em 71 a.C., ao tempo de Pompeu, em Roma. Dominada a revolta de 200 mil escravos sob o comando de Espártaco, as legiões romanas, furiosas, num só dia crucificaram cerca de seis mil revoltosos vencidos.

A crucificação de Jesus de Nazaré...
O método da crucificação adquiriu grande importância para o Cristianismo, já que de acordo com os cristãos Jesus de Nazaré havia sido entregue pelos judeus aos romanos para crucificação. No caso de Jesus parece ter sido esse castigo feito de modo severo, antes da sentença final, considerando os castigos impetrados pelo sinédrio e posteriormente pela corte romana local na pessoa de Pôncio Pilatos. Segundo a Bíblia, nesse ato foi colocado um pedaço de madeira sobre a cabeça do réu, com uma inscrição de poucas palavras que exprimiam o crime: INRI, ou “Iesus Nazarenus Rex Ioderum”, ou “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”. Jesus carregou a cruz até o lugar da execução e este trajeto público e penoso é chamado de Via Crucis.

Jesus Cristo foi pregado na cruz, mas por vezes o condenado era apenas atado a esse instrumento de suplício, visto que o tempo de agonia do criminoso era extraordinariamente prolongado. Entre os judeus, algumas vezes o corpo de criminosos era pendurado numa árvore; mas não podia ficar ali durante a noite porque era “maldito de Deus” e contaminaria a terra. Diversos outros cristãos também foram crucificados, entre eles São Pedro, que segundo registros históricos, teria sido crucificado de cabeça para baixo.

De acordo com a tradição judaica, Jesus de Nazaré não teria sido crucificado pelos romanos, mas sim teria sido um religioso anterior chamado Jesus Ben Pantera declarado herege pelo sinédrio, apedrejado e pendurado em uma árvore na véspera da Páscoa de 88 a.C. de cuja história teria originado posteriormente o Cristianismo. Já de acordo com o Islamismo, a crucificação de Jesus teria sido aparente, já que Deus não permitiria um sofrimento demasiado para um justo.


sábado, 21 de março de 2015

Fatos e outras verdades sobre o clássico conto “O flautista de Hamelin”...

Assim como fizemos há algum tempo com relação aos contos “João e Maria”, “Alice no país das maravilhas” e “Chapeuzinho vermelho”, hoje falaremos um pouco sobre os conteúdos históricos e sociológicos envolvendo mais um conto infantil clássico. Cremos, e provamos isso, que muito pode estar escondido no discurso do lúdico e do infantil, mas também há coisas demais a serem ditas, por exemplo: o fato da infestação de ratos na cidade de Hamelin (foto abaixo) é uma verdade, que tornou-se folclórica, depois impressa como conto moralizante infantil.


O flautista de Hamelin” é um conto folclórico escrito pela primeira vez como conto infantil pelos irmãos Grimm e que narra um desastre incomum, porém real, acontecido na pequena vila de Hamelin, na atual Alemanha, no dia 26 de junho de 1284, período compreendido na história como Idade Média.

Naqueles tempos, a cidade de Hamelin estava sofrendo com uma infestação terrível de ratos – eles eram os vetores da Peste Negra, que ceifou a vida de mais de 21 milhões de pessoas em toda Europa.

No conto, um dia chega à cidade um homem que reivindica ser um caçador de ratos dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Wesser.

Apesar de obter sucesso, o povo da cidade abjurou a promessa feita e recusou-se a pagar o caçador de ratos, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.

E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.


Na versão original do folclore, nos territórios que formariam a Alemanha atual, o final é diferente: após levar o calote, o flautista atrai as crianças para o mesmo rio, no qual elas morrem afogadas. Apenas três crianças sobrevivem: uma cega, que não consegue seguir o flautista e se perde no caminho; uma surda, que não consegue ouvir a flauta, e uma deficiente, que usa muletas e cai no caminho.

De acordo com os historiadores especializados no período medievo alemão e demais folcloristas de contos germânicos, há várias teorias sobre o que o flautista de Hamelin simbolizaria nas narrativas orais antes de se tornar uma história para crianças. Para alguns, ele seria a representação de um serial killer, para outros uma metáfora para as epidemias que dizimavam populações, como a peste, e para muitos remetia ao processo de migração para colonizar outras regiões da Europa quando o comércio começava a gerar as primeiras cidades, no período conhecido como Baixa Idade Média, com a decadência das vilas feudais.

Segundo os historiadores medievais, o ocorrido no dia 26 de junho de 1284 poderia mostrar uma mortandade de crianças através de uma vingança empreendida por um mercenário que prometera caçar os ratos de uma pequena vila de pessoas religiosas, porém astutas ao ponto de não pagarem o combinado.

quinta-feira, 19 de março de 2015

Máquina de Anticítera: fato, farsa ou objeto deixado pelos deuses astronautas?!

A chamada Máquina de Anticítera é um artefato que se acredita tratar de um antigo mecanismo para auxílio à navegação. O mecanismo original está exposto na coleção de bronze do Museu Arqueológico Nacional de Atenas, acompanhado de uma réplica. Outra réplica está exposta no Museu Americano do Computador em Bozeman, nos Estados Unidos.


Os restos do artefato foram resgatados em 1901, juntamente com várias estátuas e outros objetos, por mergulhadores, à profundidade de aproximadamente 43 metros na costa da ilha grega de Anticítera, entre a ilha de Citera e a de Creta. Datado de 87 a.C., em 17 de maio de 1902 o arqueólogo Spyridon Stais notou que uma das peças de pedra possuía uma roda de engrenagem. Quando o aparelho foi resgatado estava muito corroído e incrustado. Depois de quase dois mil anos, parecia uma pedra esverdeada. Visto que de início as estátuas eram o motivo de todo o entusiasmo, o artefato misterioso não recebeu muita atenção.

O mecanismo foi examinado em 1902, e estava em vários pedaços. Havia rodas dentadas de diferentes tamanhos com dentes triangulares cortados de forma precisa. O artefato parecia um relógio, mas isso era pouco provável porque se acreditava que relógios mecânicos só passaram a ser usados amplamente muito mais tarde.

Análise detalhada...
Em 1958, o mecanismo foi analisado por Derek J. de Solla Price, um físico que mudou de ramo e tornou-se professor de História na Universidade de Yale. Ele chegou a acreditar que o aparelho era capaz de indicar eventos astronômicos passados ou futuros, como a próxima Lua cheia. Percebeu que as inscrições no mostrador se referiam a divisões do calendário – dias, meses e signos do zodíaco. Supôs que deveria haver ponteiros que girassem para indicar as posições dos corpos celestes em períodos diferentes. O professor Price deduziu que a roda dentada maior representava o movimento do Sol e que uma volta correspondia a um ano solar, equivalente a 19 anos terrestres. Se uma outra engrenagem, conectada à primeira, representava o movimento da Lua, daí a proporção entre o número de dentes nas duas rodas deveria refletir o conceito dos gregos antigos sobre as órbitas lunares.

Em junho de 1959, o professor Price publicou um artigo sobre o mecanismo na “Scientific America” enquanto o mecanismo estava apenas sendo inspecionado. Em 1971, o professor Price submeteu o mecanismo a uma análise com o auxílio de raios gama. Os resultados confirmaram as suas teorias de que o aparelho era um calculador astronômico altamente complexo. Ele fez um desenho de como achava que o mecanismo funcionava e publicou suas descobertas em 1974. Na ocasião, Price afirmou que o aparelho teria sido construído por Geminus de Rodes, um astrônomo grego, mas a sua conclusão não foi aceita pelos especialistas à época, que acreditavam que, embora os antigos gregos tivessem o conhecimento para tal máquina, não tinham a habilidade prática e científica necessária para construí-la. Os dados obtidos pela máquina são muito semelhantes aos descritos nos manuscritos de Galileu Galilei e as semelhanças vão além da coincidência, levando a crer que Galileu valeu-se de tal máquina em suas pesquisas.


Projeto de pesquisa do mecanismo em questão...
Em 1996 o físico italiano Lucio Russo, professor na Universidade de Roma Tor Vergata, publicou um artigo acrescentando novas luzes à questão. O artigo foi traduzido e publicado em língua inglesa em 2004. A partir de setembro de 2005, a fabricante estadunidense de computadores Hewlett-Packard contribuiu para a pesquisa disponibilizando um sistema de reprodução de imagens, tomógrafo digital, que facilitou a leitura de textos, que haviam se tornado ininteligíveis devido à passagem do tempo.

Essas pesquisas permitiram uma visão melhor do funcionamento do mecanismo. Quando o usuário girava o botão, as engrenagens de pelo menos 30 rodas dentadas ativavam três mostradores nos dois lados do aparelho. Isso permitia que o usuário previsse ciclos astronômicos – incluindo eclipses – em relação ao ciclo de quatro anos dos Jogos Olímpicos e outros jogos pan-helênicos. Esses jogos eram comumente usados como base para a cronologia.

Essas informações eram importantes uma vez que para os povos da Antiguidade o Sol e a Lua eram a base para os calendários agrícolas, além do que os navegadores se orientavam pelas estrelas. Os fenômenos astronômicos influenciavam todas as instituições sociais gregas. Complementarmente, para os babilônios antigos, prever eclipses era muito importante, visto que esses fenômenos eram considerados presságios ruins. De fato, o mecanismo poderia ser encarado como uma ferramenta política, permitindo que governantes exercessem domínio sobre seus súditos. Foi sugerido que um dos motivos de sabermos tão pouco sobre mecanismos desse tipo é que eles eram mantidos em sigilo por militares e políticos.

O artefato prova que a antiga astronomia e matemática gregas, originadas em grande parte na longa tradição babilônica, eram bem mais avançadas do que até então se imaginava. A revista “Nature” referiu-o assim: “O antigo mecanismo de Anticítera não apenas desafia nossas suposições sobre o progresso da tecnologia ao longo das eras – ele nos dá novos esclarecimentos sobre a própria História”.


Quem o construiu?!
O mecanismo de Anticítera não poderia ser o único mecanismo desse tipo. “Não há nenhuma evidência de quaisquer erros”, escreveu Martin Allen. “Todas as características mecânicas têm uma função. Não há nenhum furo extra ou vestígios de metal que sugiram modificações feitas pelo fabricante durante o processo de construção do mecanismo. Isso leva à conclusão de que ele deve ter fabricado vários modelos”.

Pesquisas mais recentes revelam que o mostrador que indicava os eclipses continha o nome dos meses. Esses nomes são de origem coríntia. A revista “Nature” declarou: “As colônias coríntias do noroeste da Grécia ou de Siracusa, na Sicília, são as mais prováveis – a segunda indicando um patrimônio que remonta os dias de Arquimedes”.

Aparelhos similares não foram encontrados porque o bronze é um produto valioso e altamente reciclável. Em resultado disso, antigos achados de bronze são muito raros. Na verdade, muitos deles foram descobertos debaixo da água, onde não eram acessíveis aos que talvez fossem reutilizá-los. Foi atribuido a Arquimedes a construção desse aparelho. Sua serventia vai além de guiar naus. Esse aparelho é precioso em calcular a órbita lunar, solar, mais as órbitas de cinco planetas ao redor da terra, além de ser capaz de prever eclipses lunares e solares por séculos à frente. Sua precisão é espantosa visto ter sido produzido por mãos humanas. Chegou a ser considerado uma máquina de previsão do futuro. A Grécia não só é o berço da civilização ocidental como também pode ser considerada o berço da tecnologia ocidental sendo esse aparelho o primeiro computador feito pelo Homem.


Intensamente estudado entre o final da década de 1950 e o início da década de 1970, o mecanismo é composto por 27 engrenagens de bronze, feitas a mão, e organizadas de modo a representar mecanicamente a órbita da Lua, de outros planetas do Sistema Solar e do próprio Sol. Primitivamente teria sido protegido por uma caixa ou moldura de madeira, constituindo-se no mais antigo computador analógico hoje conhecido. O artefato é notável porque empregava, já no século 1 a.C., uma engrenagem diferencial, que se acreditava ter sido inventada apenas no século 16, e pelo nível de miniaturização e complexidade de suas partes, comparável às de um relógio feito no século 18.

A visão dos teóricos dos deuses astronautas sobre o artefato...
De acordo com os adeptos das teorias dos deuses astronautas, a Máquina de Anticítera é o maior exemplo de que as tecnologias do passado são compatíveis com as tecnologias contemporâneas porque os ditos deuses (sendo estes aliens) ensinaram tecnologia de ponta aos povos da Antiguidade, portanto sendo possível movimentar toneladas de granito para a construção das Pirâmides de Gizé e até, por exemplo, um relógio extremamente complexo quase 1.900 anos antes de um igual surgir na França.

Assim sendo, o aparato encontrado em Anticítera, na visão destes teóricos, mostra, muito provavelmente, que os alienígenas do passado deixaram tecnologia importante para trás, descoberta no fundo do mar somente no amanhecer do século 20. Para estes especialistas, não precisa entender muito de física mecânica para entender que esse aparato técnico é extremamente complexo, com direito a muitas engrenagens bem específicas e precisas, para o tempo em que teria sido construído.

terça-feira, 17 de março de 2015

Psicografia: comunicação dos espíritos conosco ou farsa antológica?!

Psicografia (palavra de origem grega, que significa “escrita da mente”), de acordo com o glossário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por espíritos. Segundo a doutrina espírita, a psicografia seria uma das múltiplas possibilidades de expressão mediúnica existentes. Allan Kardec classificou-a como um tipo de manifestação inteligente, por consistir na comunicação discursiva escrita de uma suposta entidade incorpórea ou espírito, por intermédio de um ser humano.


O mecanismo de funcionamento da psicografia, ainda segundo Kardec, pode ser consciente, semi-mecânico ou mecânico, a depender do grau de consciência do médium durante o processo de escrita.

No primeiro caso, o menos passível de validação experimental, o médium tem plena consciência daquilo que escreve, apesar de não reconhecer em si a autoria das ideias contidas no texto. Tem a capacidade de influir nos escritos, evitando informações que lhe pareçam inconvenientes ou formas de se expressar inadequadas.

No segundo, o médium poderia até estar consciente da ocorrência do fenômeno, perceber o influxo de ideias, mas seria incapaz de influenciar voluntariamente o texto, que basicamente lhe escorreria das mãos. O impulso de escrita é mais forte do que sua vontade de parar ou conduzir voluntariamente o processo.

No terceiro caso, o mais adequado para uma averiguação experimental controlada, o médium poderia escrever sem sequer se dar conta do que está fazendo, incluindo-se aí a possibilidade de conversar com interlocutores sobre determinado tema enquanto psicografa um texto completamente alheio ao assunto em pauta. Isso porque, segundo Kardec, esses médiuns permitiriam ao espírito agir diretamente sobre sua mão ou seu braço, sem recorrer à mente.


Além da doutrina espírita, há várias correntes espiritualistas em que é bem evidente a admissão da possibilidade de ocorrência desse fenômeno, como a teosofia e a umbanda. Entre os textos ditos psicografados encontram-se obras atribuídas a autores famosos – uns adeptos, em vida, de doutrinas compatíveis com esta prática, como Victor Hugo e Bezerra de Menezes, outros nem tanto, como Oscar Wilde e Camilo Castelo Branco.

Aceitação da autoria do “espírito psicografado”...
O pesquisador Carlos Augusto Perandréa estudou 400 cartas psicografadas por Chico Xavier em transes mediúnicos, utilizando as mesmas técnicas com que avalia assinatura para bancos, polícias e o Poder Judiciário, a grafoscopia. Perandréa comparou a letra padrão dos indivíduos antes da morte e depois nas cartas psicografadas, chegando à conclusão de que todas as psicografias que estudou possuem autenticidade gráfica dos referidos mortos.

Nas primeiras décadas do século 20, os então dirigentes da Society for Psychical Research (famosa organização de pesquisa parapsicológica) coletaram e consideraram autênticas várias mensagens psicografadas por diversos médiuns que atribuíam a autoria ao espírito de F. W. H. Myers, intelectual que foi um dos fundadores da organização. Os dirigentes constataram também que as mensagens psicografadas apresentaram uma correlação de continuidade muito forte entre elas, formando uma espécie de “quebra-cabeça”.

Mais recentemente, em 2008, foi feita uma pesquisa científica nos Estados Unidos por cientistas da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Universidade Federal de Goiás, da Universidade da Pensilvânia e da Universidade Thomas Jefferson, em que se utilizando de recursos da neurociência moderna foram medidas as atividades cerebrais de dez médiuns brasileiros saudáveis, enquanto psicografavam. Os cientistas constataram que durante os transes psicográficos, as áreas menos ativadas no cérebro dos médiuns foram as que são as mais ativadas enquanto qualquer pessoa escreve em estado normal de vigília (ou seja, as áreas relacionadas ao raciocínio, ao planejamento e à criatividade), sendo que os textos psicografados resultaram mais complexos que os produzidos em estado normal de vigília.

Como a pesquisa registra, nos textos psicografados os médiuns produziram mensagens espelhadas – escritas de trás para frente –, redigiram em línguas que não dominavam bem, descreveram corretamente ancestrais dos cientistas que os próprios cientistas diziam desconhecer, entre outras coisas. Para tais cientistas, os resultados da pesquisa são compatíveis com a hipótese que os médiuns defendem – a de que autoria dos textos psicografados não seria deles, mas sim dos espíritos comunicantes.


Em 1990, a Associação Médico-Espírita de São Paulo realizou uma pesquisa sobre 45 cartas psicografadas por Chico Xavier e consideradas autênticas pelos destinatários, concluindo que “as evidências da sobrevivência do espírito são muito fortes. A vida é uma fatalidade, segundo o depoimento desses 45 companheiros que se expuseram, por inteiro, revelando as nuances de suas personalidades através das mãos humildes do medianeiro”.

Trabalho da psicografia em tribunais...
O caso mais famoso indubitavelmente foi o de Humberto de Campos. A partir de 1937, três anos após a morte de Campos, várias crônicas e romances atribuídos ao escritor começaram a ser psicografados pelo médium brasileiro Chico Xavier. Entre as obras, todas editadas pela Federação Espírita Brasileira, a de maior notoriedade entre os espíritas brasileiros foi “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”. No ano de 1944, a viúva de Humberto de Campos ingressou em juízo, movendo um processo contra a Federação Espírita Brasileira e Francisco Cândido Xavier, no sentido de obter uma declaração, por sentença, de que essa obra mediúnica “era ou não do espírito de Humberto de Campos”, e que em caso afirmativo, que ela obtivesse os direitos autorais da obra. O assunto causou muita polêmica e, durante um bom tempo, ocupou espaço nos principais periódicos do país. A autora, D. Catarina Vergolino de Campos, foi julgada carecedora da ação proposta, por sentença de 23 de agosto de 1944, do Dr. João Frederico Mourão Russell, juiz de Direito em exercício na 8º Vara Cível do antigo Distrito Federal. Tendo ela recorrido dessa sentença, o Tribunal de Apelação do antigo Distrito Federal manteve-a por seus jurídicos fundamentos, tendo sido relator o Ministro Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa.

No Brasil, em alguns casos, a psicografia foi utilizada como prova em tribunal. Textos psicografados por Chico Xavier foram aceitos como provas judiciais (entre outras que também foram apresentadas pela defesa) e mostraram-se como elementos decisivos nas sanções aplicadas em três casos de julgamento de homicídio internacionalmente repercutidos, ocorridos nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná entre os anos de 1976 e 1982.

Um dos casos mais recentes registrou-se em maio de 2006, em Porto Alegre, tendo a ré, Iara Marques Barcelos, sido inocentada do assassinato do ex-amante, Ercy da Silva Cardoso, graças a uma carta que teria sido ditada pelo falecido. Mais recentemente, em 17 de maio de 2007, o julgamento do réu, Milton dos Santos, pelo assassinato de Paulo Roberto Pires, em abril de 1997, foi suspenso devido a uma carta recebida pelo médium Rogério Leite em uma sessão espírita realizada em 2004, na qual Paulinho inocenta o acusado. No entanto, o advogado Roberto Selva da Silva Maia indicou em um artigo18 que os documentos psicografados podem ser aceitos no tribunal como documento particular, mas não como prova judicial. Segundo ele, isso se dá porque a lei estabelece que a morte extingue a personalidade humana, logo um morto não poderia gerar documento legal. Também segundo ele, a psicografia depende da aceitação de premissas religiosas, e o judiciário não é religioso visto que nosso Estado é laico e, não haveria forma de se usufruir do princípio do contraditório e da ampla defesa.


O que pensam os céticos sobre o assunto...
Os críticos da teoria que envolve a espiritualidade mediúnica na psicografia apontam que as pesquisas realizadas até hoje apontam dois tipos de problemas: (1) os pesquisadores eram crentes do Espiritismo, e por isso estavam “contaminados” pela própria crença; e (2) os métodos usados foram muito poucos, com número pequeno de amostragem de cartas, sempre trabalhadas com familiares fragilizados pela perda, e por isso, propensos a aceitarem a carta como positiva, vinda do espírito de determinada pessoa.

Os cientistas céticos, dentre eles alguns parapsicólogos, dizem que a psicografia parece muito o efeito ideomotor do Tabuleiro Oija. Quando, no caso do tabuleiro, os participantes são vendados não há nenhum tipo de resposta coerente com o idioma ou com regras gramaticas. As pessoas inconscientemente “passeiam” com o apetrecho pelo Ouija sem nenhum tipo de efeito real como quando aconteceria sem os olhos vendados. A crítica é que nenhuma psicografia é feita aleatoriamente; os médiuns sempre conhecem as histórias das partes envolvidas e, por isso, escrevem o que essas pessoas fragilizadas gostariam de ouvir.

sábado, 14 de março de 2015

Você já ouviu as histórias da “Condessa Drácula”?! Hoje você vai conhecer Elisabeth Báthory...

Elisabeth Báthory (também conhecida como Isabel Báthory, ou em húngaro, Erzbéth Báthöry) nasceu em 1560 e morreu em 1614; foi uma condessa húngara de uma renomada família que entrou para a história por uma suposta série de crimes hediondos e cruéis que teria cometido, vinculados com sua obsessão pela beleza. Como consequência, ela ficou conhecida como “condessa sangrenta” e “condessa Drácula”.


A maior parte da vida adulta de Elisabeth Báthory foi passada no Castelo de Csejte, no oeste da atual Eslováquia. Os Báthory faziam parte de uma das mais antigas e nobres famílias da Hungria e dominavam a região. Era filha do barão Jorge Báthory, do ramo Ecsed, irmão do príncipe András da Transilvânia. A mãe de Elisabeth era do ramo Somlýo da família, chamava-se Anna Báthory e era irmã, entre outros, do rei da Polônia e do príncipe de Siebenbürgen (Transilvânia). Elisabth era ainda prima do marido da arquiduquesa Maria Cristina de Habsburgo, filha de Carlos II da Áustria.

Elisabeth cresceu em uma época em que os turcos haviam conquistado a maior parte do território húngaro, que servia de campo de batalha entre os exércitos do Império Otomano e a Áustria dos Habsburgo. A área era também dividida por diferenças religiosas. A família Báthory se juntou à nova onda de protestantismo que fazia oposição ao catolicismo romano tradicional.

Quando criança, ela sofreu doenças repentinas, acompanhadas de intenso rancor e comportamento incontrolável. Em 1571, seu tio István Báthory tornou-se príncipe da Transilvânia e, mais tarde na mesma década, ascendeu ao trono da Polônia. Foi um dos regentes mais competentes de sua época, embora seus planos para a unificação da Europa contra os turcos tivessem fracassado em virtude dos esforços necessários para combater Ivan, o Terrível, que cobiçava seu território.


Casamento e início do sadismo e das loucuras...
Vaidosa e bela, Elisabeth ficou noiva do conde Ferenc Nádasdy aos onze anos de idade, passando a viver no castelo dos Nádasdy, em Sárvár. Em 1574, ela engravidou de um camponês quando tinha apenas 14 anos. Quando sua condição se tornou visível, escondeu-se até a chegada do bebê: a criança seria uma menina chamada Anastasia, dada então a um casal de camponeses, ao que se supõe pagos pela família Báthory para que fugissem do reino com a bastarda.

O casamento com Ferenc ocorreu em maio de 1575. O conde Nadasdy era militar e, frequentemente, ficava fora de casa por longos períodos. Nesse meio tempo, Elisabeth Báthory assumia os deveres de cuidar dos assuntos do castelo da família Nadasdy. Foi a partir daí que suas tendências sádicas começaram a revelar-se – com o disciplinamento de um grande contingente de empregados, principalmente mulheres jovens.

À época, o comportamento cruel e arbitrário dos detentores do poder para com os criados era comum; contudo, o nível de crueldade de Elisabeth era notório. Ela não apenas punia os que infringiam seus regulamentos, como também encontrava todas as desculpas para infligir castigos, deleitando-se na tortura e na morte de suas vítimas. Espetava alfinetes em vários pontos sensíveis do corpo das suas vítimas, como, por exemplo, sob as unhas ou nos mamilos. No inverno, executava suas vítimas fazendo-as se despir e andar pela neve, despejando água gelada nelas até morrerem congeladas.

Quando se encontrava no castelo, o marido de Báthory juntava-se a ela nesse tipo de comportamento sádico e até lhe ensinou algumas modalidades de punição: o despimento de uma mulher e o cobrimento do corpo com mel, deixando-o à mercê de insetos, por exemplo.


O conde Nádasdy morreu em 1604, e Erzsébet mudou-se para Viena após o seu enterro. Passou também algum tempo em sua propriedade de Beckov e no solar de Čachtice, ambos localizados onde é hoje a Eslováquia. Esses foram os cenários de seus atos mais famosos e depravados.

Nos anos que se seguiram à morte do marido, a companheira de Elisabeth no crime foi uma mulher de nome Anna Darvulia, de quem pouco se sabe a respeito: muitos afirmam que Darvulia teria sido uma sábia e temida ocultista, alquimista e talvez praticante de rituais de magia negra, que terá incutido na própria Elisabeth, de quem se diz ter sido amante (é conhecida a bissexualidade da condessa). Quando Darvulia faleceu (cerca de 1609), Elisabeth se voltou para Erzsi Majorova, viúva de um fazendeiro local, seu inquilino. Majorova parece ter sido responsável pelo declínio mental final de Elisabeth, ao encorajá-la a incluir algumas mulheres de estirpe nobre entre suas vítimas às quais bebia o sangue. Em virtude de estar tendo dificuldade para arregimentar mais jovens como servas à medida que os rumores sobre suas atividades se espalhavam pelas redondezas, seguiu os conselhos de Majorova. Em 1609, ela matou uma jovem nobre e encobriu o fato dizendo que fora suicídio.

Elisabeth, ao longo de sua carreira sanguinária, contou também com a ajuda de quatro fieis cúmplices: Janos (também apelidado de “Ficzko”), um jovem demente mental que ajudava no ocultamento dos cadáveres e no funcionamento dos instrumentos de tortura; Helena Jo, ama dos filhos de Elisabeth e enfermeira do castelo; Dorothea Szentos (ou “Dorka”), uma velha governanta; e Katarina Beneczky, uma jovem lavadeira acolhida pela condessa.

Prisão e morte...
No início do verão de 1610, tiveram início as primeiras investigações sobre os crimes de Elisabeth Báthory. Todavia, o verdadeiro objetivo das investigações não era conseguir uma condenação, mas sim confiscar-lhe os bens e suspender o pagamento da dívida contraída ao seu marido pelo rei Matias II.

Elisabeth foi presa no dia 26 de dezembro de 1610. O julgamento teve início alguns dias depois, conduzido pelo conde Thurzo, um primo de Elisabeth a quem muito convinha a condenação da condessa. Uma semana após a primeira sessão, foi realizada uma segunda, em 07 de janeiro de 1611. Nesta, foi apresentada como prova uma agenda encontrada nos aposentos de Elisabeth, a qual continha os nomes de 650 vítimas, todos registrados com a sua própria letra.

Elisabeth não esteve presente em nenhuma das sessões do julgamento. Seus cúmplices foram condenados à morte, sendo a forma de execução determinada por seus papéis nas torturas: “Ficzko” foi decapitado e queimado; “Dorka”, Helena e Erzsi viram seus próprios dedos serem cortados e foram atiradas para a fogueira ainda vivas. Apenas Katarina foi ilibada e sua vida poupada, provavelmente devido a esta se ter envolvido amorosamente com um dos juízes.

Elisabeth Báthory foi condenada à prisão perpétua, em solitária. Foi encarcerada em um aposento do castelo de Čachtice, sem portas ou janelas. A única comunicação com o exterior era uma pequena abertura para a passagem de ar e de alimentos. A condessa permaneceu aí os seus três últimos anos de vida, tendo sido encontrada morta em 21 de agosto de 1614, não se sabendo ao certo a data da sua morte, já que foram encontrados no aposento vários pratos de comida intactos. Foi sepultada nas terras dos Báthory, em Ecsed.


Julgamento e documentos...
No julgamento de Elisabeth Báthory, não foram apresentadas provas sobre as torturas e mortes, baseando-se toda a acusação no relato de testemunhas. Foi encontrado um diário no quarto da condessa, no qual estavam registrados os nomes de cada vítima de Báthory com sua própria letra. É de destacar, também, que as confissões dos cúmplices de Báthory acerca dos crimes desta foram obtidas sob tortura. Após sua morte, os registros de seus julgamentos foram lacrados porque a revelação de suas atividades constituiriam um escândalo para a comunidade húngara reinante. O rei húngaro Matias II proibiu que se mencionasse seu nome nos círculos sociais.

Elisabeth Báthory na cultura popular e lendas envolvendo seu nome...
A chamada “Condessa Drácula” é uma personagem muito popular no Leste Europeu e na Rússia, como o Marquês de Sade é comum na cultura ocidental por conta de seu sadismo (seu nome deu origem a essa perversão sexual de obter prazer através de subter o parceiro à dor). Desta forma, o nome de Báthory e sua família está envolta em uma série de lendas bastante antigas na Hungria, na República Tcheca, na Eslováquia, na Romênia, na Polônia e na Rússia.

Não foi senão cem anos mais tarde que um padre jesuíta, László Turoczy, localizou alguns documentos originais do julgamento e recolheu histórias que circulavam entre os habitantes de Čachtice. Turoczy incluiu um relato de sua vida no livro que escreveu sobre a história da Hungria. Seu livro sugeria a possibilidade de Elisabeth ter-se banhado em sangue várias vezes. Publicado no ano de 1720, o livro surgiu durante uma onda de interesse pelo vampirismo na Europa oriental. Assim começou a espalhar-se o mito de que Elisabeth eventualmente bebia e se banhava no sangue das meninas que matava.

Diz-se que certo dia a condessa, já sem o frescor da juventude, estava a ser penteada por uma jovem criada, quando esta puxou os seus cabelos acidentalmente. Instintivamente, Elisabeth virou-se para ela e espancou-a com tamanha brutalidade, que algum sangue espirrou e algumas gotas caíram na sua mão. Ao remover o sangue, pareceu-lhe que este havia rejuvenescido a sua pele. Foi após esse incidente que passou a banhar-se em sangue de virgens, pois estas não estavam corrompidas pelo pecado original, sendo assim seu sangue puro e eventualmente milagroso. Reza a lenda que, em um calabouço, existia uma gaiola pendurada no teto construída com lâminas, ao invés de barras. A condessa se sentava em uma cadeira embaixo desta gaiola. Então, era colocada uma donzela nesta gaiola e “Ficzko” espetava e atiçava a prisioneira com uma lança comprida. Esta se debatia, o que fazia com que se cortasse nas lâminas da gaiola, e o sangue resultante dos cortes banhava a condessa.

Uma segunda história refere-se ao comportamento de Elisabeth Báthory após a morte do marido, quando se dizia que ela se envolvia com homens mais jovens. Numa ocasião, enquanto passeava na aldeia na companhia de um desses homens, viu uma mulher de idade avançada e perguntou a ele: “O que farias se tivesses de beijar aquela bruxa velha?”. O homem respondeu com palavras de desprezo. A velha, entretanto, ao ouvir o diálogo, acusou Elisabeth de excessiva vaidade e acrescentou que a decadência física era inevitável, mesmo para uma condessa. Diversos historiadores têm relacionado a morte do marido de Erzsébet e esse episódio com seu receio de envelhecer.



Hoje em dia, também há quem creia que a condessa tenha sido, ela própria, uma vítima da ambição humana: ela era a mulher mais rica da Hungria, o próprio rei lhe devia uma fortuna, seu latifúndio correspondia a cerca de 2/3 do território húngaro e ela era, de longe, a aristocrata mais poderosa do clã Báthory. Nunca foram encontradas provas concretas dos crimes bárbaros creditados à condessa, podendo toda a história da sua vida ter sido forjada pelos nobres da época.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Cartas de Zener: você conhece este método de teste de clarividência?!

As Cartas de Zener eram comumente usadas na condução de experiências ligadas à percepção extrassensorial, principalmente nos estudos envolvendo pessoas conhecidas pelo poder psíquico da clarividência. Na imagem abaixo temos a imagem de algumas das cartas usadas nestes testes.


As Cartas de Zener foram inventadas pelo parapsicólogo Joseph Banks Rhine como uma fácil e estatisticamente mensurável maneira de teste para percepção extrassensocial de acordo com um método científico. Rhine nomeou-as assim em homenagem ao seu colega Karl Zener (foto abaixo), um psicólogo que pesquisava essa percepção. O Dr. Zener selecionou os cinco desenhos iriam aparecer nas cartas. Quando as Cartas de Zener foram criadas, em 1920, elas eram embaralhadas manualmente, mas Rhine depois modificou este método para o embaralhamento mecânico.

São 25 cartas no pacote, cinco de cada desenho. Os cinco desenhos que aparecem na frente das cartas são o círculo, a cruz na forma grega com cada linha de mesmo tamanho, uma estrela de cinco pontas, um quadrado, e um trio de linhas onduladas. Na ordem de número de linhas, elas são: círculo, cruz, ondas, quadrado e estrela.

Nos testes com clarividência, a pessoa que conduz o teste puxa uma carta de um baralho, olha para ela para ver que símbolo está na carta e anota a resposta do sujeito experimental (o qual tenta acertar a figura da carta que foi puxada). O experimento continua até que todas as cartas do baralho tenham sido utilizadas – e adivinhadas. Uma terceira pessoa pode ser empregada para ver o videotape para ter certeza de que o experimento foi conduzido com pureza e que todas as cartas não foram vistas pelo sujeito experimental.


Barreiras físicas podem ser usadas entre o experimentador e o sujeito experimental. Na elaboração de experimentos com as Cartas de Zener, assim como outras formas de teste de percepção extrassensorial, deve-se usar de todas as maneiras para se ter a certeza de que o sujeito experimental não tenha como saber qual carta está diante da face do experimentor. Em alguns experimentos o experimentador e o sujeito experimental podem até mesmo estar em dois quartos diferentes.

Quando as Cartas de Zener foram usadas pela primeira vez, elas eram feitas de uma suave e fina folha de papel branco transparente. Vários sujeitos experimentais ou grupos de sujeitos experimentais conseguiram um escore muito alto nos primeiros anos, mas logo descobriram que os sujeitos comumente eram capazes de ver os símbolos através das costas das cartas. Então elas foram refeitas para que os símbolos não pudessem ser vistos sob quais quer condições. Rhine e outros parapsicólogos continuaram conseguindo resultados positivos nos testes com as cartas, mas em menor proporção que antes. Também houve céticos alegando que ainda dava para trapacear nos testes.

terça-feira, 10 de março de 2015

Primeiro contato: tema ufológico recorrente nos filmes e séries de ficção...

O primeiro contato é um tema muito comum em filmes, livros e gibis de ficção científica, e é uma tese ufológica que aborda o primeiro contato entre os seres humanos e os seres alienígenas. Entretanto, de acordo com a Antropologia e a História, esse primeiro contato aconteceu diversas vezes ao longo da história da Humanidade, mas não da maneira como a ufologia crê. Vamos falar um pouco sobre isso neste post.


Nas últimas décadas, o mercado hollywoodiano tem trabalhado muito com séries e filmes que abordam o primeiro contato entre Homens e aliens. Um tratamento mais moderno, usando rádio em vez de espaçonaves, está no romance “Contact”, do renomado astrônomo Carl Sagan. Outro exemplo, no universo ficcional de Star Trek, é o primeiro contato oficial para os humanos, que ocorre em 05 de abril de 2063.

A série de televisão “Star Trek” explorou o tema a fundo, em torno do conceito da Primeira Diretriz – uma lei que proíbe explicitamente o primeiro contato (ou qualquer outra forma de interferência) entre a humanidade e seus aliados, e qualquer e todas as raças não suficientemente avançadas (isto é, capazes de viagem interestelar) para permitir tal encontro.

O romance “O despertar dos deuses”, de Isaac Asimov, explora simultaneamente a unidade potencial de todas as raças e a possibilidade de conflito inerente a todas as situações de primeiro contato: mesmo se os membros de raças diferentes compreenderem uns aos outros, suas percepções distintas podem colocar em perigo ambos os mundos e mesmo a estrutura dos respectivos universos. Esta lacuna entre indivíduos e suas respectivas sociedades é característica da trama de primeiro contato do clássico filme “ET”. Outros desenvolvimentos do tema na cultura de massa incluem encontros com raças predatórias ou semi-sencientes tais como em “Alien” e “Independence Day”.


A ausência de primeiro contato é evidente em outras obras de ficção científica, tais como na série “Fundação”, de Isaac Asimov, onde o Império Galáctico da Humanidade é o governante inconteste do universo conhecido, visto que não existem alienígenas sencientes.

Existe uma multiplicidade de cenários que exploram os efeitos potenciais de uma situação real de primeiro contato, nenhum dos quais pode se provar mais plausível que o seguinte até que tal ocorrência venha a ocorrer realmente. Dado que as melhores evidências sugerem que nunca houve contato entre humanos e espécies extraterrestres, o grau de choque cultural que pode ocorrer é, naturalmente, altamente especulativo. Na ficção científica, o primeiro contato entre espécies inteligentes têm resultado tanto na demonstração de eras de paz quanto de beligerância.

Alguns escritores de ficção científica, tais como Arthur C. Clarke, têm sugerido que o abismo tecnológico existente entre duas espécies inteligentes poderia ser tão vasto que cenários no estilo “Star Wars” seriam altamente improváveis. Pelo contrário, as diferenças culturais potencialmente colossais têm frequentemente sido consideradas como de alto risco, pela possibilidade de um mal-entendido levar ao conflito durante um primeiro contato. No universo do jogo de computador “Descent: FreeSpace”, por exemplo, sugere-se que uma guerra sangrenta e prolongada entre os humanos e uma raça alienígena conhecida como Vasudans foi iniciada simplesmente por uma má interpretação humana da linguagem Vasudan, que é muito mais complexa que qualquer uma da Terra.

Considere-se, por exemplo, como soldados europeus do século 16 poderiam enfrentar armamento do século 21. Amplia-se por milhares ou mesmo milhões de anos de desenvolvimento adicional o abismo tecnológico que pode ter ocorrido numa espécie extraterrestre e torna-se claro que as diferenças poderiam ser potencialmente tão grandes que tornariam a guerra absurda.


Com tal lapso, mesmo uma compreensão básica entre culturas pode ser impossível. A probabilidade puramente estatística sugere que é improvável que duas civilizações quaisquer estejam no mesmo nível de desenvolvimento tecnológico.

O primeiro contato já ocorreu: a visão dos teóricos dos deuses astronautas...
A temática do primeiro contato é frequentemente abordada pelos teóricos dos deuses astronautas. Para eles, esse primeiro contato já aconteceu há dezenas de milhares de anos, quando as primeiras civilizações começaram a aparecer no Crescente Fértil e na América. Além do primeiro contato, de acordo com estes pensadores, os alienígenas foram confundidos como “deuses” por conta das diferenças tecnológicas entre os humanoides e os aliens; dizemos humanoides porque, ainda segundo essa teoria, houve o acasalamento espacial dando origem ao ser humano contemporâneo, o que explica a falta do “elo perdido” entre os homens das cavernas primitivos e o ser humano atual.

Assim, o tema do primeiro contato é frequentemente trabalhado pelos teóricos dos deuses astronautas a partir dos primeiros trabalhos do suíço Erich von Dänniken, seguido por vários outros estudiosos. O abismo tecnológico entre aliens e seres humanos primevos teria feito com que esses seres intergaláticos nos deixaram como herança vários conhecimentos, como a irrigação, a agricultura, a pecuária e a arquitetura megalítica.


O primeiro contato já ocorreu: a visão dos historiadores e antropólogos...
O tema do primeiro contato não está limitado à ficção científica. Por exemplo, muitas histórias sobre o Velho Oeste norte-americano apresentaram um primeiro contato antropológico entre colonos europeus e nativos americanos. Outro exemplo muito importante de primeiro contato ocorreu em 1492, quando os europeus liderados por Cristóvão Colombo chegaram à América acreditando terem chegado à Ásia. Esse primeiro contato foi muito importante e cruel para todos os lados, principalmente para o lado mais fraco – os ameríndios; mais tarde esse primeiro contato ocorreu com as sociedades primitivas sul-americanas com espanhóis conhecendo os incas e os portugueses lidando com as tribos do litoral brasileiro. Na Papua-Nova Guiné, ainda como exemplo, os primeiros contatos com tribos até então desconhecidas ocorreram até meados dos anos 1930; no Brasil, até hoje ainda existem tribos indígenas isoladas em regiões remotas da Amazônia.

sábado, 7 de março de 2015

“Assassino do Zodíaco”: um dos maiores mistérios insolutos da contemporaneidade...

O chamado “Assassino do Zodíaco” foi um norte-americano, assassino em série, que atuou no norte do estado da Califórnia durante dez meses no final da década de 1960, causando enorme horror na sociedade daquela região, naquela época. É um dos mistérios ainda insulúveis pela polícia porque sua identidade permanece desconhecida. O “Zodíaco” colocou seu nome em uma série de cartas ameaçadoras que enviou à imprensa até 1974. Em suas cartas incluiu quatro criptogramas, dos quais três ainda não foram decifrados – há até “clubes” de pessoas (detetives amadores) nos Estados Unidos que tentam decifrar esses criptogramas.

(Abaixo, o retrato falado do assassino, feito por duas pessoas, em 1968)


O “Assassino do Zodíaco” matou sete vítimas reconhecidas em Benicia, Vallejo, Lago Berryessa e São Francisco entre dezembro de 1968 e outubro de 1969. Quatro homens e três mulheres entre 16 e 29 anos foram os alvos do assassino. Outras pessoas foram consideradas possíveis vítimas. Com a falta de precisão no número de vítimas, a incapacidade de decifrar suas cartas criptografadas e a falha na busca de suspeitos, o caso pode ser considerado como um crime perfeito.

Por conta destes potenciais de falta de precisão do número de vítimas totais, a desconexão com seu sistema de criptografar algumas cartas enviadas à polícia e falha na busca dos suspeitos, muitos sociólogos, antropólogos e criminalistas dizem que o “Zodíaco” se tornou uma figura pública (fizeram até filme sobre o caso) não somente por ser um serial-killer, mas também por ser o único crime perfeito da história.

Em abril de 2004, o Departamento de Polícia de São Francisco marcou o caso como inativo, mas o reabriu após março de 2007. O caso está aberto até hoje em outras jurisdições. Em agosto de 2008, um homem de Sacramento disse que tinha evidências que apontava seu padrasto sendo o assassino. Um capuz preto, uma faca com sangue, escritos, e rolos de filme fotográfico foram examinados pelo FBI. Entretanto, a investigação está parada, devido à falta de provas.


Vítimas confirmadas do criminoso...
Apresentamos a lista das vítimas confirmadas do “Assassino do Zodíaco” em ordem alfabética, e não em ordem de assassinato:

Betty Lou Jensen, 16 anos
Bryan Calvin Hartnell, 20 anos
Cecilia Ann Shepard, 22 anos
Darlene Elizabeth Ferrin, 22 anos
David Arthur Faraday, 17 anos
Michael Renault Mageau, 19 anos
Paul Lee Stine, 29 anos

Outras possíveis vítimas do serial-killer “Zodíaco”...
No dia 20 de dezembro de 1968, mais de dois meses depois de a primeira vítima do assassino, ele entra em ação novamente atacando David Arthur Faraday, de 17 anos, e Betty Lou Jesen, de 16, em uma localização próxima ao Lago Herman, chamado “Lover’s Lane”. Cerca de três semanas antes desse encontro, Betty disse ter tido a sensação de estava sendo observada por alguma pessoa na escola, podendo citar também o episódio que sua mãe achou o portão que dava de encontro para a janela da menina aberto mais de uma vez; coisas estranhas, mas nada de muito preocupante para a família.

Voltando à noite do crime, cerca de quatro testemunhas viram o casal no carro. Eles tinham trancado as portas e reclinado os bancos. Duas das testemunhas que eram caçadores afirmam terem visto o que parecia ser uma Valiant azul seguindo o casal, o provável Valiant azul parou junto ao carro do casal quando eles já estavam perto de sair e pediu para eles saírem do carro, estando com as portas do carro trancadas; se negaram, então o homem corpulento que saíra do carro sacou uma arma da jaqueta e estourou o vidro traseiro e outra janela traseira com tiros.

Betty, apavorada, correu e sem tempo de reação David recebeu um tiro no seu ouvido esquerdo horizontalmente arrancado parte dele. Logo depois, o homem atirou nas costas de Betty cinco vezes, que ainda conseguiu dar alguns passos, mas acabou por tombar a nove metros do carro, David ainda estava vivo. Logo depois, Stella Borges ligou para uma ambulância e pediu socorro medico imediato, Betty já estava morta e David morreu no hospital enquanto recebia socorro.


O possível assassino pode ser...
Como dito anteriormente, há vários clubes que tentam identificar as cartas decodificadas do “Assassino do Zodíaco”, sendo que das três criptografadas, somente uma conseguiu ser “traduzida” pela polícia de São Francisco. O trabalho destes clubes de detetives amadores é impressionante, e o trabalho deles chegou a ser citado em pelo menos três livros sobre este serial-killer que teria cometido o crime perfeito da história humana, passando até “Jack Estripador” em sua fama e historicidade.

Entretanto, de acordo com a maior parte dos clubes amadores, Earl Van Best Jr. seria o “Assassino do Zodíaco”. Se o leitor reparar a foto dele no fichamento policial (imagem abaixo) (ele chegou a ser preso, mas liberado por falta de provas na época do ocorrido), ele se parece muito com o retrato falado oficial que apareceu em todos os jornais e tevês dos Estados Unidos no final dos anos 60 e início da década de 1970.


Para muitos detetives amadores, pesquisadores, policiais, delegados e promotores, o homem acima é, mesmo, o “Zodíaco”, mas ele conseguiu escapar por causa de uma polícia ineficiente em meio ao caos. Earl morreu na década de 1980 e o seu filho, em depoimento em um livro, confirma a história de que seu pai era o assassino monstruoso que assustou a sociedade do norte da Califórnia entre 1968 e 1969.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Você conhece as diferenças entre os calendários gregoriano, juliano, judaico e muçulmano?! Conheça hoje...

Hoje vamos falar um pouco sobre o tempo cronológico, aquele concebido pelo ser humano para medir o tempo, criação da humanidade, para medir quando fazer sacrifícios, quando mudam as estações do ano, quando é hora de plantar, quando é hora de colher etc. Prova de que o tempo é uma criação humana é o tipo como medimos este tempo: os vários calendários. No post de hoje vamos trazer informações dos principais calendários usados nos países do Ocidente, o gregoriano, o juliano, o muçulmano e o judaico.


O calendário gregoriano...
Trata-se de um calendário de origem europeia, utilizado oficialmente pela grande maioria dos países do mundo. Foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de fevereiro do ano 1582 em substituição do calendário juliano implantado pelo líder romano Júlio César em 46 a.C. Como convenção e por praticidade o calendário gregoriano é adotado para demarcar o ano civil no mundo inteiro, facilitando o relacionamento entre as nações. Essa unificação decorre do fato de a Europa ter, historicamente, exportado seus padrões para o resto do globo.

O Papa Gregório XIII reuniu um grupo de especialistas para corrigir o calendário juliano. O objetivo da mudança era fazer regressar o equinócio da primavera para o dia 21 de março e desfazer o erro de 10 dias existente na época. Após cinco anos de estudos, foi promulgado.

A bula pontifícia também determinava regras para impressão dos calendários, com o objetivo que eles fossem mantidos íntegros e livres de falhas ou erros. Era proibido a todas as gráficas com ou sem intermediários de publicar ou imprimir, sem a autorização expressa da Santa Igreja Romana, o calendário ou o martirológio em conjunto ou separadamente, ou ainda de tirar proveito de qualquer forma a partir dele, sob pena de perda de contratos e de uma multa de cem ducados de ouro a ser paga à Sé Apostólica. A não observância ainda punia o infrator a pena de excomunhão.


Oficialmente o primeiro dia deste novo calendário foi 15 de outubro de 1582. Foram omitidos dez dias do calendário juliano, deixando de existir os dias entre 05 a 14 de outubro de 1582. A bula ditava que o dia imediato à quinta-feira, 04 de outubro, fosse sexta-feira, 15 de outubro. Os anos seculares só são considerados bissextos se forem divisíveis por 400. Desta forma a diferença (atraso) de três dias em cada quatrocentos anos observada no calendário juliano desaparecem. Corrigiu-se a medição do ano solar, o ano gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, ou seja, 27 segundos a mais do que o ano trópico.

Apesar de corrigir muitos problemas, o calendário gregoriano apresenta alguns defeitos, tanto sob o ponto de vista astronômico, como no seu aspecto prático. Por exemplo, o número de dias de cada mês é irregular (28 a 31 dias), além disso a semana, adotada quase universalmente como unidade laboral de tempo, não se encontra integrada nos meses e muitas vezes fica repartida por dois meses diferentes, prejudicando a distribuição racional do trabalho e dos salários. Outro problema é a mobilidade da data da Páscoa, que oscila entre 22 de março e 25 de abril, perturbando a duração dos trimestres escolares e de numerosas outras atividades econômicas e sociais.

A mudança para o calendário gregoriano deu-se ao longo de mais de três séculos. Primeiramente foi adotado por Portugal, Espanha, Itália e Polônia; e de modo sucessivo, pela maioria dos países católicos europeus. Os países onde predominava o luteranismo e o anglicanismo tardariam a adotá-lo, caso da Alemanha (1700) e Grã-Bretanha (1752). A adoção deste calendário pela Suécia foi tão problemática que até gerou o dia 30 de fevereiro. A China aprova-o em 1912, a Bulgária em 1916, a Rússia em 1918, a Romênia em 1919, a Grécia em 1923 e a Turquia em 1926.


O calendário juliano...
O calendário juliano foi implantado pelo líder romano Júlio César, em 46 a.C., como uma importante e substancial alteração no calendário romano. Foi modificado ainda mais em 8 d.C., pelo imperador Augusto, e os nomes dos meses sofreram ainda várias mudanças ao longo do Império Romano. O calendário juliano acabou sofrendo sua última modificação em 1582, pelo Papa Gregório XIII, dando origem ao calendário gregoriano que foi adotado progressivamente por diversos países, e hoje é utilizado pela maioria dos países ocidentais.

O calendário juliano, com as modificações feitas por Augusto, continua sendo utilizado pelos cristãos ortodoxos em vários países. Nele, os anos bissextos ocorrem sempre de quatro em quatro anos, enquanto no calendário gregoriano não são bissextos os anos seculares exceto os múltiplos de 400, o que hoje acumula uma diferença para o calendário gregoriano de 13 dias.

Em 46 a.C., Júlio César, percebendo que as festas romanas em comemoração à estação mais florida do ano, marcadas para março (que era o primeiro mês do ano), caíam em pleno inverno, determinou que o astrônomo alexandrino Sosígenes corrigisse o calendário. As modificações realizadas a partir desses estudos modificaram radicalmente o calendário romano: dois meses, Unodecembris e Duocembris foram adicionados ao final do ano de 46 a.C., deslocando assim Januarius e Februarius para o início do ano de 45 a.C.. Os dias dos meses foram fixados numa sequência de 31, 30, 31, 30... de Januarius a Decembris, à exceção de Februarius, que ficou com 29 dias e que, a cada três anos, teria 30 dias.

Com estas mudanças, o calendário anual passou a ter doze meses que somavam 365 dias. O mês de Martius, que era o primeiro mês do ano, continuou sendo a marcação do equinócio. Foi abandonado o formato luni-solar do calendário romano se fixando para um calendário predominantemente solar, se substituiu o mês intercalar Mercedonius de 22 e 23 dias por apenas um dia chamado de dia extra que deveria ser incluso após o 25º dia de Februarius, que, em função da forma de contagem dos romanos acabou criando o conceito de ano bissexto, de 366 dias que deveria ocorrer de três em três anos.

Os anos bissextos definidos no calendário juliano aproximavam o ano trópico por 365,25 dias, incorporando pequenos erros no alinhamento das estações ao longo dos anos. O imperador Augusto acabou corrigindo essas diferenças em 8 d.C., determinando que os anos bissextos ocorressem de quatro em quatro anos.


Pela inclusão destes dois meses Unodecember e Duodecember e mais o mês intercalar Mercedonius, este ano de 46 a.C. acabou ficando com uma aparente duração de 445 dias uma vez que os romanos estavam acostumados a que o ano só findava ao término de Februarius. Na realidade, os meses de Januarius e Februarius, que seriam os últimos meses do ano de 46 a.C. com a inclusão destes dois meses a mais, passaram a ser os primeiros meses do ano de 45 a.C. Pela confusão que ocorreu, este ano 46 a.C. foi chamado pelos romanos de “ano da confusão”, pois, no calendário anterior, os anos já vinham com uma sequência irregular de 355, 377, 355 e 378 dias.

O calendário judaico...
Calendário judaico é o nome do calendário utilizado dentro do judaísmo. Atualmente os judeus ortodoxos o utilizam no cotidiano para a determinação das datas de aniversário, falecimento, casamento entre outras, enquanto a maior parte dos judeus o utiliza somente para fixar as festividades, os serviços religiosos e outros eventos da comunidade. O calendário hebraico é um calendário do tipo lunissolar cujos meses são baseados nos ciclos da Lua, enquanto o ano é adaptado regularmente de acordo com o ciclo solar. Por isso ele é composto alternadamente por anos de 12 ou 13 meses. Provavelmente o calendário lunissolar foi adotado pelos judeus a partir do calendário grego, antes dos judeus serem dominados pelos gregos. Neste calendário lunissolar, torna-se necessário o uso do mês intercalar, adicionado durante a estação da primavera.

Nos tempos bíblicos a determinação do começo do mês era realizada pela observação direta de testemunhas designadas para este fim, método seguido pelos caraítas até os dias de hoje, os quais determinam o primeiro mês do ano como Abib. Hoje em dia segue-se um cálculo o qual já leva em conta outros parâmetros religiosos adicionados por rabinos da época do Talmude. O cilclo lunar é de aproximadamente 29 dias e meio, o que gera uma alternação de meses com 29 ou 30 dias. A duração média de um mês hebreu é de 29,530594 dias, muito próximo ao mês sinódico (entre duas luas novas).

No calendário judaico atual, os meses são fixados por um cálculo complexo que leva em conta mais uma série de fatores, como por exemplo, a determinação talmúdica de que o primeiro dia do ano não pode cair nem num domingo, nem numa quarta-feira nem numa sexta-feira – ou outras regras ligadas ao horário exato da lua nova. O ano judaico deve ser periodicamente ajustado ao ciclo solar devido à determinação da Torá de que o mês de Nissan deve cair sempre na primavera do hemisfério norte, ou mais precisamente, de acordo com a determinação dos rabinos da época do Talmude o equinócio da primavera tem que estar dentro do mês de Nissan.


Para este ajuste precisamos determinar a diferença de dias entre um ano solar (aproximadamente 365 dias e 6 horas) e o período de 12 meses lunares (aproximadamente 354 dias): ele equivale aproximadamente a 11 dias e 6 horas. Ou seja, a cada dois ou três anos é necessário acrescentar um mês de 29 dias.

De acordo com a tradição judaica, a contagem é feita a partir da criação de Adão, o primeiro homem. Ou seja, os dias se iniciaram, segundo o Velho Testamento, ao por do sol na noite de quinta-feira, 07 de outubro de 3.761 a.C. Para o cálculo do ano judaico, basta acrescentar 3760 ao ano do calendário gregoriano. Por exemplo: o ano de 2013 seria o ano de 5773 judaico, mas a partir do dia 05 de setembro de 2013 começou o ano de 5774 judaico.

O calendário islâmico...
O calendário islâmico, ou calendário hegírico, é um calendário lunar composto por doze meses de 29 ou 30 dias ao longo de um ano com 354 ou 355 dias. A contagem do tempo deste calendário começa com a Hégira – a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 16 de julho de 622. O mês começa quando o crescente lunar aparece pela primeira vez após o pôr do sol. Tem cerca de 11 dias a menos que o calendário solar.

Este calendário baseado no ano lunar não corresponde aos calendários do ano solar. Os meses islâmicos retrocedem a cada ano que passa em relação aos calendários baseados no ano solar, como o calendário gregoriano, por exemplo. Uma vez que o calendário islâmico é cerca de 11 dias mais curto que o calendário solar, os feriados muçulmanos acabam por circular por todas as estações. O ano atual para os islâmicos é o de 1436.

Os 12 meses do ano se alternam em durações de 29 e 30 dias. Dentro de um ciclo de 30 anos, 11 deles recebem um dia a mais (30 dias no último mês). São, assim, a cada 30 anos, 19 anos de 354 dias e 11 de 355 dias. O início desse calendário é tido como sexta-feira (o sétimo dia da semana islâmica), 16 de julho de 622 d.C. do calendário juliano.


A partir deste artigo nós temos a certeza de que o tempo é algo concebido pelo Homem para se situar em um espaço temporal e em determinado lugar; por ser uma criação humana temos várias formas de contar o tempo. Portanto, neste momento que estamos no ano de 2015 d.C. no calendário gregoriano, estamos ao mesmo tempo no ano 2768 do calendário da fundação romana, em 4711 no ano chinês, em 5776 no calendário judaico, em 1394 no ano persa e em 1438 no calendário muçulmano.