quinta-feira, 9 de abril de 2015

Fatos, farsas e curiosidades sobre duendes, gnomos, elfos e goblins...

No post de hoje vamos falar sobre as criaturas míticas europeias mais comentadas nos círculos de RPG e contos de fadas. Vamos abordar as curiosidades, origens, fatos e farsas sobre os duendes, os gnomos, os elfos e os goblins. São criaturas que parecem ser as mesmas coisas, mas, na verdade, cada um tem sua particularidade e sua história mítica por trás de muitos folclores.

Quase tudo sobre os duendes...
Duendes são personagens da mitologia europeia, nomeadamente na península ibérica (presentes em folclores espanhóis, franceses, bascos e portugueses), semelhantes a fadas e goblins. Embora suas características variem um pouco, são análogos aos brownies escoceses, aos nisses dinamarqueses e noruegueses e aos irlandeses cluricauns e leprechauns. A palavra é usualmente considerada equivalente à palavra inglesa “Sprite”, ou à palavra japonesa “Youkai”, e é usada indiscriminadamente como um termo guarda-chuva para abrigar todas as criaturas semelhantes como goblins, elfos, gnomos etc.


Alguns mitos dizem que duendes tomam conta de um pote de ouro no final do arco-íris; caso capturado, o duende poderia comprar sua liberdade com esse ouro. Outras lendas dizem que para enganar os homens, ele fabrica uma substância parecida com ouro, que desaparece algum tempo depois. Neste caso são chamados leprechauns na Irlanda. Na cultura atual, geralmente os duendes são representados por seres verdes, dos quais o símbolo é o trevo, relacionado à boa sorte. Geralmente as histórias infantis trazem tais relatos. Contudo, é temerário ter uma visualização estritamente romântica e lúdica de seres que são considerados como seres inferiores.

Em Portugal e na Espanha geralmente são descritos como tendo entre 15 e 30 centímetros de altura, tendo como característica notável a cabeça em formato cônico (muitas vezes independentemente de possuir chapéu), personalidade extremamente volátil e atributos encantados como a capacidade de atravessar paredes, mudar de forma e cor, e alta velocidade. São criaturas que não guardam qualquer receio com o ambiente urbano e, curiosamente, há muitos relatos de aparições em construções inacabadas. Gostam de espreitar pelos cantos, observando os habitantes da casa e pregando-lhes peças, como o sumiço de objetos, abertura de portas, produção de ruídos, dentre outras perturbações – nem sempre sendo amigos, capazes até de matar animais de estimação.


Apesar de muitos acreditarem que são seres amigáveis, há relatos de diversas aparições ameaçadoras, inclusive com o emprego de violência. Nestas ocasiões os relatos são quase que unânimes em descrever que tais seres surgem de repente, em situações normais do cotidiano (enquanto crianças brincam em construções, pessoas observam árvores no quintal, embaixo de camas, dentro de guarda-roupas etc.) portando pequenas facas, dando gargalhadas em tom de sarcasmo e deboche para com a testemunha, acuando-a e sumindo de repente. Estranho o fato de não ser possível identificar uma motivação para tais atitudes – por isso talvez que se diga que a personalidade destes seres é volátil. Estranho também que muitas narrativas descrevem este ser como possuindo o pequeno rosto como que dilacerado, arranhado. Outros acreditam que os duendes que ficam localizados em um jardim ou floresta compõem talentos para a ajuda da natureza, se autodividindo, enquanto os que não têm uma habitação tendem a sair a fazer travessuras com os humanos.

Um pouco sobre os elfos...
Elfo é uma criatura mística das mitologias nórdica e céltica, que aparece com frequência na literatura medieval europeia. São descritos como seres belos e luminosos, ou ainda seres semi-divinos, mágicos, semelhantes à imagem literária das fadas ou das ninfas. De fato, a palavra “Sol” na língua nórdica era “Alfrothul”, ou seja: o “Raio Élfico”; dizia-se que por isso seus raios seriam fatais a elfos escuros e anões.

Eram divindades menores da natureza e da fertilidade. Os elfos são geralmente mostrados como jovens de grande beleza vivendo entre as florestas, sob a terra, em fontes e outros lugares naturais. Foram retratados como seres sensíveis, de longa vida ou imortalidade, com poderes mágicos, grande ligação com a natureza e geralmente considerados como ótimos arqueiros,sua precisão com arco e flecha era impressionante.


As mais antigas descrições de elfos vêm da mitologia nórdica. Eram chamados “Álfar”, de singular “Álfr”. Outros seres com nome etimologicamente relacionados a “Álfar” sugerem que a crença em elfos não se restringe aos escandinavos, abrangendo todas as tribos germânicas. Essas criaturas aparecem em muitos lugares. Curiosamente, Shakespeare as imaginava como seres pequeninos, porém a mitologia original os descrevem como sábios, poucos centímetros menores do que a média humana (entre 1m70m), eram belos e supostamente imortais.

Literalmente, os elfos são gênios que, na mitologia escandinava, simboliza o ar, a terra, o fogo e água. No poema “Völundarkviða”, o herói ferreiro Völundr foi chamado “governante dos elfos”. Na saga de Thidrek, uma rainha humana descobre que o amante que a engravidou é um elfo e não um homem e depois dá à luz o herói Högni.

Na saga de Hrolf Kraki, um rei chamado Helgi estupra e engravida uma elfa vestida de seda que era a mulher mais bela que jamais vira. A elfa dá a luz à meio-elfa Skuld, muito capaz em feitiçaria e quase invencível em batalha. Quando seus guerreiros caíam, ela os fazia erguerem-se de novo para continuar a luta. A única forma de derrotá-la era capturá-la antes que pudesse convocar seus exércitos, que incluíam guerreiros elfos. Skuld casou-se com Hjörvard, que matou Hrólfr Kraki. Também o Heimskringla e na saga de Thorstein, o filho do viking, relatos de uma linhagem de reis locais que governaram Álfheim, correspondente à atual província sueca de Bohuslän, cujos naturais desde então teriam sangue élfico e tinham a reputação de serem mais belos que a maioria dos humanos. O primeiro rei se chamou Alf (elfo) e o último, Gandalf (Elfo do Bastão, inspiração para o Gandalf tolkieniano).


Os elfos são também descritos como semideuses associados à fertilidade e ao culto dos ancestrais, como os daimones gregos. Como espíritos, os elfos podem atravessar portas e paredes como se fossem fantasmas.

O mitógrafo e historiador islandês Snorri Sturluson referiu-se aos anões como “elfos da escuridão”, ou “elfos negros”, e referiu-se aos outros elfos como “elfos da luz”, o que frequentemente foi associado com a conexão dos elfos com Freyr, o deus nórdico do Sol. Na poesia e nas sagas nórdicas, os elfos são ligados aos Æsir pela frase muito comum “Æsir e os elfos”, que presumivelmente significa “todos os deuses”. Alguns eruditos comparam os elfos aos Vanir (deuses da fertilidade). Mas no “Alvíssmál” (“Os ditos do conhecedor de tudo”), os elfos são considerados diferentes tanto dos Vanir quanto dos Æsir, como mostra uma série de nomes comparativos na qual são dadas as versões dos Æsir, dos Vanir e dos elfos para diferentes palavras, refletindo as preferências de cada categoria.

É possível que haja uma distinção de estatuto entre os grandes deuses da fertilidade (os Vanir) e pequenos deuses (os elfos). “Grímnismál” relata que Frey (um dos Vanir) era o senhor de Álfheimr. O “Lokasenna” diz que um grande grupo de Æsir e elfos reuniu-se na corte de Ægir para um banquete. Menciona vários poderes menores, servos dos deuses como Byggvir e Beyla, pertencentes a Freyr, o senhor dos elfos, que eram provavelmente elfos, pois não são contados entre os deuses. Dois outros servos mencionados são Fimafeng (morto por Loki) e Eldir.

Um poema composto por volta de 1020, o “Austrfaravísur” (“Versos da jornada para o leste”), Sigvat Thordarson diz que, por ser cristão, recusou-se a entrar em um lar pagão, na Suécia, porque um álfablót (“sacrifício aos elfos”) estava em curso. Provavelmente, tal sacrifício envolvia uma oferenda de alimentos. Da época do ano (próxima do equinócio de outono) e da associação dos elfos com fertilidade e ancestrais, pode-se supor que isso estava relacionado com o culto dos ancestrais e da força vital da família.


A saga de Kormák, por sua vez, relata como um sacrifício aos elfos podia curar um ferimento de guerra. Considerando a tradição inglesa, a palavra “elf” do inglês moderno vem do inglês antigo “ælf”. Originalmente, referia-se aos elfos da mitologia nórdica, mas também as ninfas dos mitos gregos e romanos foram traduzidas pelos monges anglo-saxões como “ælf” e suas variantes.

A maioria dos elfos mencionada em baladas medievais inglesas é do sexo masculino e frequentemente de caráter sinistro, inclinados ao estupro e assassinato, como o Elf-Knight que rapta a rainha Isabel. A única elfa mencionada com frequência é a rainha dos elfos, ou da Elfland. Já nos contos populares do início da Idade Moderna, os elfos são descritos como entidades pequenas, esquivas e travessas, que aborrecem os humanos ou interferem em seus assuntos. Às vezes, são consideradas invisíveis. Nessa tradição, os elfos se tornaram sinônimos das “fadas” originadas da antiga mitologia céltica.

Quase tudo sobre os gnomos...
Um gnomo, muitas vezes confundido com um duende, é uma criatura mitológica, incluída entre os seres elementais da terra. São costumeiramente representados como pequenos humanoides que vivem sob a terra, em minas ou em ocos de troncos de árvores, onde guardam seus tesouros. O mais antigo texto que se conhece mencionando este ser é o “Liber de nymphis, sylphis, pygmaeis et salamandris et de caeteris spiritibus”, escrito pelo alquimista Paracelso no século 16. Na sua classificação dos espíritos elementais, Paracelso divide-os em quatro tipos: as salamandras (do fogo), as ondinas (da água), os silfos (do ar) e os gnomos (da terra).


O nome, segundo alguns autores, pode vir do latim medieval “gnomos”, originado do grego clássico “gnosis” (“conhecer”). Outra teoria é de que o nome venha do grego “genomas” (“terrestre”). Em 1583, a palavra “gnome” passou a figurar nos dicionários franceses, com o significado de “pequenos gênios deformados que habitam a Terra”.

Um pouco sobre os goblins...
Goblins são criaturas geralmente verdes que se assemelham a duendes. Fazem parte do folclore nórdico, nas lendas eles vivem fazendo brincadeiras de mau gosto. O termo “goblin” origina-se do francês antigo “gobelin”, evoluído do latim medieval “gobelinus”, que parece estar relacionado a “cobalus”, do grego “kóbalos”: “enganador” ou “desonesto”. Os goblins são normalmente associados ao mal. Diz-se que são feios e assustadores, fazem feitiçarias, estragam a comida, travam guerras contra os gnomos. Os jogos de RPG normalmente incluem goblins em sua galeria de seres.


Em algumas mitologias os goblins possuem grande força. Normalmente por serem seres de pouca inteligência e hábitos selvagens, moram em cavernas ou pequenas cabanas construídas com paus e peles de animais. Sua grande capacidade de sobrevivência os faz seres presentes em quase qualquer ambiente, sendo possível serem encontrados em montanhas, pântanos, desertos, pedreiras, florestas ou cidades. Vivem em bando, com uma comunidade precária semelhante a uma sociedade de homens primitivos. Dentre seus armamentos se encontra a clava, o machado de pedra, a zarabatana, além de pequenas lanças e pedras.