quinta-feira, 16 de abril de 2015

Explicando os fatos e as farsas envolvendo os supostos ectoplasmas...

O termo “ectoplasma” – de origem do grego “ektós”, “por fora”; e “plasmá”, “substância que sai” – foi introduzido na parapsicologia por Charles Richet a fim de designar uma espécie de substância esbranquiçada, muito curiosa, que pode exteriorizar-se para fora do corpo de determinados médiuns, mais frequentemente pela boca, mas que pode sair por qualquer parte do corpo. É também supostamente sensível a determinados impulsos, se exterioriza visível a partir do corpo de determinados indivíduos com características especiais (sensitivos, por exemplo), permitindo a materialização de formas de corpos humanos distintos daquele de onde saiu ou de formas de membros tais como mãos, rostos e bustos. Apesar de existirem muitos registros de atividade ectoplásmica, incluindo vasto material fotográfico, sua existência, até o momento, não foi comprovada pelo método científico.


O ectoplasma é alegadamente uma substância fluídica, de aparência diáfana, sutil, que flui do corpo de um médium apto a produzir fenômenos físicos, principalmente a materialização. O pesquisador Ernesto Bozzano relata em seu livro, “Pensamento e vontade”, que a substância ectoplásmica já era bem conhecida pelos alquimistas do século 17, como Paracelso, que a denominou “mysterium magnum”, e Thomas Vaughan, que a definiu por “matéria prima”. Também o polímata Emanuel Swedenborg, grande espiritualista do século 18, realizou experimentos com a substância sem empregar o termo “ectoplasma”, registrou sobre “uma espécie de vapor que lhe saía de todos os poros, um vapor d’água assaz visível, que descia até roçar no tapete”.

O criador do termo, Richet, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina em 1913, por ter descoberto a anafilaxia, uma espécie de reação alérgica, dedicou-se a trabalhos espíritas com o intuito de descrever experiências sobre os fenômenos de materialização produzidos por Eva Carrière e alguns outros médiuns famosos do início do século 20.

O psiquiatra italiano Enrico Imoda produziu o livro “Fotografias de fantasmas”, com prefácio de Richet. Nesse livro, Imoda mostra uma teoria elaborada a partir das experiências de ideoplastia, onde propôs três formas para o ectoplasma: a invisível, a fluídica-visível e a concreta. Posteriormente, o psiquiatra francês Gustave Geley, primeiro diretor do Instituto Metapsíquico Internacional de Paris, alegou nas sessões de materializações que o ectoplasma, ainda na forma invisível, girava em torno das pessoas antes da produção dos fenômenos.


O professor Geley afirmava que, nestas sessões, que realizou na Europa e nos Estados Unidos junto a outros cientistas, espíritos, ou “operadores” como Geley os chamavam, agiam sobre o cérebro do médium para provocar a emanação do ectoplasma, que ia se acumulando até que fosse empregado por esses mesmos espíritos para produzir diversos tipos de fenômenos mediúnicos de efeito físico, tais como a materialização e o poltergeist. Infelizmente esses trabalhos realizados no fim do século 19 e início do século 20 ocorreram sem o uso concreto do método científico e até hoje a existência do ectoplasma não foi provada por meio de tal método.

O ectoplasma é descrito como um fenômeno natural mediúnico que produz uma substância etérea (semimaterial) com a propriedade ou possibilidade de adensar-se até ficar ao alcance dos cinco sentidos humanos, tornando-se visível, tangível e, ainda, sob o influxo da vontade dos espíritos, moldável, assumindo a forma e algumas características de objetos ou seres orgânicos, inclusive corpos humanos completos. As pesquisas científicas em relação ao ectoplasma foram feitas em proporção relativamente grande até a década de 1920.


O ectoplasma seria uma substância fria e úmida. Às vezes de consistência um pouco viscosa e no geral inodora. Aqui estão listados alguns relatos de sua composição hipotética: (1) o pesquisador James Black teria pesquisado a química do ectoplasma chegando até mesmo a postular a fórmula molecular: C120H1184N218S5O249; (2) Albert von Schrenck-Notzing teria citado que o ectoplasma se constitui por restos de tecido epitelial e gorduras; (3) Dombrowsky alegou ter encontrado, além disso, matéria derivada de albumina e células orgânicas sem amiláceos e açúcares; (4) Júlia Alexandre Bisson e Liebdyinski teriam verificado ao microscópio também leucócitos, minerais e células semelhantes as de bactérias; (5) o médico psiquiatra Luciano Munari, no entanto, suspeita que o ectoplasma propriamente dito teria sido contaminado pelas substâncias citadas, uma vez que deixam o corpo do médium. Exames bioquímicos teriam confirmado a presença de proteínas, aminoácidos, lipídios, minerais e água em abundância.