terça-feira, 14 de abril de 2015

E se os árabes tivessem invadido toda a Europa? História alternativa...

Do século 7 d.C. até o século 15 d.C., a Península Ibérica viveu a chamada “Invasão dos mouros” – nos livros de história dos países muçulmanos, esse episódio da história é conhecido como “Conquista europeia” –, quando a expansão da fé islâmica chegou ao seu ápice em um enorme império que ia desde a Pérsia até a fronteira com a França. Desta forma, por mais de 800 anos, Portugal e Espanha foram controlados por califas islamitas que pregavam a tolerância religiosa, trazendo uma atividade cultural e científica muito forte e a convivência em relativa paz entre cristãos, judeus e muçulmanos.

Essa influência muçulmana na cultura ibérica fez com que o idioma árabe se tornasse o segundo mais influente nas línguas espanhola e portuguesa. Palavras como: xadrez, sorvete, xilindró, azulejo, elefante, azul, álcool, alquimia etc. fossem agregadas ao nosso costume vocabulário. Herança destes 800 anos de convivência.


A incrível história da batalha de Poitiers...
Com a marcha praticamente invencível dos muçulmanos e seus califas sobre a Península Ibérica nos séculos 7 e 8 depois de Cristo, ficou iminente que eles queriam mais – muito mais! E, assim, partiram para a tentativa de conquista da França, em 732. Entretanto, os exércitos francófonos empreenderam grandes estratégias para “segurar” o inimigo oriental através da sangrenta e histórica batalha de Poitiers.

De acordo com os historiadores medievalistas, foi esse conflito, vencido pelos cristãos, que evitou uma expansão descomunal dos muçulmanos por toda Europa, deixando um legado ainda maior e mais impressionante em outras culturas e outros idiomas no centro do continente europeu. A partir deste conflito, os califas ibéricos deixaram de tentar uma expansão maior sobre a França e a Itália.


E se os muçulmanos tivessem tomado Poitiers?
Muitas pessoas acreditam, erroneamente, que a cultura islâmica no período medieval tivesse sido atrasada. Pelo contrário: a Europa cristã estava atrasadíssima frente aos estudiosos árabes, que no século 13 já usavam óculos de graus, conheciam os clássicos filósofos gregos, não eram carolas religiosos e ignorantes, acreditavam na esfericidade do planeta Terra, já tinham conhecimento dos números hindu-arábicos como os conhecemos atualmente e tinham a noção do zero na matemática, além da álgebra, da geometria e da trigonometria.

Desta forma, já podemos adiantar que, de acordo com os historiadores, a Europa não poderia ficar pior do que já estava naquele período medieval, pois o cristão medievo estava afundado num mundo extremamente religioso, obscuro, analfabetizado, rural etc. desde que o mundo romano ocidental caiu aos pedaços, ruindo no século 5 d.C. Enquanto isso, no mundo dos califas, era imprescindível saber ler e escrever, as pessoas eram incentivadas a estudar e o comércio florescia junto com a urbanização.


De acordo com os historiadores, se os muçulmanos ibéricos tivessem vencido a batalha travada em Poitiers, na França, eles não encontrariam nenhuma dificuldade em avançar pela Europa Central, uma vez que não havia, ali, nenhum reino forte o suficiente com um exército nacional já formado, a não ser o próprio exército franco que barrou o avanço no território francês. No entanto, como estamos falando de história alternativa, um novo campo de estudos, muitas suposições ficam no ar como condicionais – o “e se tivesse sido diferente”.

Os medievalistas mais “animados” dizem que, muito provavelmente, o Cristianismo seria uma religião pequena e distante porque a expansão do Islamismo com sua “jihad” era esmagadora frente à contraofensiva católica. Além disso, muito provavelmente, o alfabeto latino seria letra morta nos dias atuais: os alfabetos grego e árabe poderiam ser os mais usados (imagine você aprendendo alemão dentro de uma cultura muçulmana, seguindo o Islamismo como religião familiar). A história alternativa é tão complexa que faz com que pensemos ainda mais longe: se os califas tivessem implantado os califados europeus, como seriam as colonizações do continente americano?!


A incerteza nos faz terminar este post com uma série enorme de perguntas – todas elas iniciadas com “E se...”. Mas sabemos que, com certeza, a presença islamita na Península Ibérica foi muito importante até mesmo para as Grandes Navegações, pois a ciência dos árabes ajudou, e muito, portugueses e espanhóis a se lançarem ao mar e chegarem até os confins da América, da África, da Ásia e da Oceania, desbravando territórios, mas, infelizmente, a um preço extremamente caro: com matanças de populações nativas, conversões forçadas e exploração da mão de obra local e africana.