quinta-feira, 5 de março de 2015

Você conhece as diferenças entre os calendários gregoriano, juliano, judaico e muçulmano?! Conheça hoje...

Hoje vamos falar um pouco sobre o tempo cronológico, aquele concebido pelo ser humano para medir o tempo, criação da humanidade, para medir quando fazer sacrifícios, quando mudam as estações do ano, quando é hora de plantar, quando é hora de colher etc. Prova de que o tempo é uma criação humana é o tipo como medimos este tempo: os vários calendários. No post de hoje vamos trazer informações dos principais calendários usados nos países do Ocidente, o gregoriano, o juliano, o muçulmano e o judaico.


O calendário gregoriano...
Trata-se de um calendário de origem europeia, utilizado oficialmente pela grande maioria dos países do mundo. Foi promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de fevereiro do ano 1582 em substituição do calendário juliano implantado pelo líder romano Júlio César em 46 a.C. Como convenção e por praticidade o calendário gregoriano é adotado para demarcar o ano civil no mundo inteiro, facilitando o relacionamento entre as nações. Essa unificação decorre do fato de a Europa ter, historicamente, exportado seus padrões para o resto do globo.

O Papa Gregório XIII reuniu um grupo de especialistas para corrigir o calendário juliano. O objetivo da mudança era fazer regressar o equinócio da primavera para o dia 21 de março e desfazer o erro de 10 dias existente na época. Após cinco anos de estudos, foi promulgado.

A bula pontifícia também determinava regras para impressão dos calendários, com o objetivo que eles fossem mantidos íntegros e livres de falhas ou erros. Era proibido a todas as gráficas com ou sem intermediários de publicar ou imprimir, sem a autorização expressa da Santa Igreja Romana, o calendário ou o martirológio em conjunto ou separadamente, ou ainda de tirar proveito de qualquer forma a partir dele, sob pena de perda de contratos e de uma multa de cem ducados de ouro a ser paga à Sé Apostólica. A não observância ainda punia o infrator a pena de excomunhão.


Oficialmente o primeiro dia deste novo calendário foi 15 de outubro de 1582. Foram omitidos dez dias do calendário juliano, deixando de existir os dias entre 05 a 14 de outubro de 1582. A bula ditava que o dia imediato à quinta-feira, 04 de outubro, fosse sexta-feira, 15 de outubro. Os anos seculares só são considerados bissextos se forem divisíveis por 400. Desta forma a diferença (atraso) de três dias em cada quatrocentos anos observada no calendário juliano desaparecem. Corrigiu-se a medição do ano solar, o ano gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, ou seja, 27 segundos a mais do que o ano trópico.

Apesar de corrigir muitos problemas, o calendário gregoriano apresenta alguns defeitos, tanto sob o ponto de vista astronômico, como no seu aspecto prático. Por exemplo, o número de dias de cada mês é irregular (28 a 31 dias), além disso a semana, adotada quase universalmente como unidade laboral de tempo, não se encontra integrada nos meses e muitas vezes fica repartida por dois meses diferentes, prejudicando a distribuição racional do trabalho e dos salários. Outro problema é a mobilidade da data da Páscoa, que oscila entre 22 de março e 25 de abril, perturbando a duração dos trimestres escolares e de numerosas outras atividades econômicas e sociais.

A mudança para o calendário gregoriano deu-se ao longo de mais de três séculos. Primeiramente foi adotado por Portugal, Espanha, Itália e Polônia; e de modo sucessivo, pela maioria dos países católicos europeus. Os países onde predominava o luteranismo e o anglicanismo tardariam a adotá-lo, caso da Alemanha (1700) e Grã-Bretanha (1752). A adoção deste calendário pela Suécia foi tão problemática que até gerou o dia 30 de fevereiro. A China aprova-o em 1912, a Bulgária em 1916, a Rússia em 1918, a Romênia em 1919, a Grécia em 1923 e a Turquia em 1926.


O calendário juliano...
O calendário juliano foi implantado pelo líder romano Júlio César, em 46 a.C., como uma importante e substancial alteração no calendário romano. Foi modificado ainda mais em 8 d.C., pelo imperador Augusto, e os nomes dos meses sofreram ainda várias mudanças ao longo do Império Romano. O calendário juliano acabou sofrendo sua última modificação em 1582, pelo Papa Gregório XIII, dando origem ao calendário gregoriano que foi adotado progressivamente por diversos países, e hoje é utilizado pela maioria dos países ocidentais.

O calendário juliano, com as modificações feitas por Augusto, continua sendo utilizado pelos cristãos ortodoxos em vários países. Nele, os anos bissextos ocorrem sempre de quatro em quatro anos, enquanto no calendário gregoriano não são bissextos os anos seculares exceto os múltiplos de 400, o que hoje acumula uma diferença para o calendário gregoriano de 13 dias.

Em 46 a.C., Júlio César, percebendo que as festas romanas em comemoração à estação mais florida do ano, marcadas para março (que era o primeiro mês do ano), caíam em pleno inverno, determinou que o astrônomo alexandrino Sosígenes corrigisse o calendário. As modificações realizadas a partir desses estudos modificaram radicalmente o calendário romano: dois meses, Unodecembris e Duocembris foram adicionados ao final do ano de 46 a.C., deslocando assim Januarius e Februarius para o início do ano de 45 a.C.. Os dias dos meses foram fixados numa sequência de 31, 30, 31, 30... de Januarius a Decembris, à exceção de Februarius, que ficou com 29 dias e que, a cada três anos, teria 30 dias.

Com estas mudanças, o calendário anual passou a ter doze meses que somavam 365 dias. O mês de Martius, que era o primeiro mês do ano, continuou sendo a marcação do equinócio. Foi abandonado o formato luni-solar do calendário romano se fixando para um calendário predominantemente solar, se substituiu o mês intercalar Mercedonius de 22 e 23 dias por apenas um dia chamado de dia extra que deveria ser incluso após o 25º dia de Februarius, que, em função da forma de contagem dos romanos acabou criando o conceito de ano bissexto, de 366 dias que deveria ocorrer de três em três anos.

Os anos bissextos definidos no calendário juliano aproximavam o ano trópico por 365,25 dias, incorporando pequenos erros no alinhamento das estações ao longo dos anos. O imperador Augusto acabou corrigindo essas diferenças em 8 d.C., determinando que os anos bissextos ocorressem de quatro em quatro anos.


Pela inclusão destes dois meses Unodecember e Duodecember e mais o mês intercalar Mercedonius, este ano de 46 a.C. acabou ficando com uma aparente duração de 445 dias uma vez que os romanos estavam acostumados a que o ano só findava ao término de Februarius. Na realidade, os meses de Januarius e Februarius, que seriam os últimos meses do ano de 46 a.C. com a inclusão destes dois meses a mais, passaram a ser os primeiros meses do ano de 45 a.C. Pela confusão que ocorreu, este ano 46 a.C. foi chamado pelos romanos de “ano da confusão”, pois, no calendário anterior, os anos já vinham com uma sequência irregular de 355, 377, 355 e 378 dias.

O calendário judaico...
Calendário judaico é o nome do calendário utilizado dentro do judaísmo. Atualmente os judeus ortodoxos o utilizam no cotidiano para a determinação das datas de aniversário, falecimento, casamento entre outras, enquanto a maior parte dos judeus o utiliza somente para fixar as festividades, os serviços religiosos e outros eventos da comunidade. O calendário hebraico é um calendário do tipo lunissolar cujos meses são baseados nos ciclos da Lua, enquanto o ano é adaptado regularmente de acordo com o ciclo solar. Por isso ele é composto alternadamente por anos de 12 ou 13 meses. Provavelmente o calendário lunissolar foi adotado pelos judeus a partir do calendário grego, antes dos judeus serem dominados pelos gregos. Neste calendário lunissolar, torna-se necessário o uso do mês intercalar, adicionado durante a estação da primavera.

Nos tempos bíblicos a determinação do começo do mês era realizada pela observação direta de testemunhas designadas para este fim, método seguido pelos caraítas até os dias de hoje, os quais determinam o primeiro mês do ano como Abib. Hoje em dia segue-se um cálculo o qual já leva em conta outros parâmetros religiosos adicionados por rabinos da época do Talmude. O cilclo lunar é de aproximadamente 29 dias e meio, o que gera uma alternação de meses com 29 ou 30 dias. A duração média de um mês hebreu é de 29,530594 dias, muito próximo ao mês sinódico (entre duas luas novas).

No calendário judaico atual, os meses são fixados por um cálculo complexo que leva em conta mais uma série de fatores, como por exemplo, a determinação talmúdica de que o primeiro dia do ano não pode cair nem num domingo, nem numa quarta-feira nem numa sexta-feira – ou outras regras ligadas ao horário exato da lua nova. O ano judaico deve ser periodicamente ajustado ao ciclo solar devido à determinação da Torá de que o mês de Nissan deve cair sempre na primavera do hemisfério norte, ou mais precisamente, de acordo com a determinação dos rabinos da época do Talmude o equinócio da primavera tem que estar dentro do mês de Nissan.


Para este ajuste precisamos determinar a diferença de dias entre um ano solar (aproximadamente 365 dias e 6 horas) e o período de 12 meses lunares (aproximadamente 354 dias): ele equivale aproximadamente a 11 dias e 6 horas. Ou seja, a cada dois ou três anos é necessário acrescentar um mês de 29 dias.

De acordo com a tradição judaica, a contagem é feita a partir da criação de Adão, o primeiro homem. Ou seja, os dias se iniciaram, segundo o Velho Testamento, ao por do sol na noite de quinta-feira, 07 de outubro de 3.761 a.C. Para o cálculo do ano judaico, basta acrescentar 3760 ao ano do calendário gregoriano. Por exemplo: o ano de 2013 seria o ano de 5773 judaico, mas a partir do dia 05 de setembro de 2013 começou o ano de 5774 judaico.

O calendário islâmico...
O calendário islâmico, ou calendário hegírico, é um calendário lunar composto por doze meses de 29 ou 30 dias ao longo de um ano com 354 ou 355 dias. A contagem do tempo deste calendário começa com a Hégira – a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 16 de julho de 622. O mês começa quando o crescente lunar aparece pela primeira vez após o pôr do sol. Tem cerca de 11 dias a menos que o calendário solar.

Este calendário baseado no ano lunar não corresponde aos calendários do ano solar. Os meses islâmicos retrocedem a cada ano que passa em relação aos calendários baseados no ano solar, como o calendário gregoriano, por exemplo. Uma vez que o calendário islâmico é cerca de 11 dias mais curto que o calendário solar, os feriados muçulmanos acabam por circular por todas as estações. O ano atual para os islâmicos é o de 1436.

Os 12 meses do ano se alternam em durações de 29 e 30 dias. Dentro de um ciclo de 30 anos, 11 deles recebem um dia a mais (30 dias no último mês). São, assim, a cada 30 anos, 19 anos de 354 dias e 11 de 355 dias. O início desse calendário é tido como sexta-feira (o sétimo dia da semana islâmica), 16 de julho de 622 d.C. do calendário juliano.


A partir deste artigo nós temos a certeza de que o tempo é algo concebido pelo Homem para se situar em um espaço temporal e em determinado lugar; por ser uma criação humana temos várias formas de contar o tempo. Portanto, neste momento que estamos no ano de 2015 d.C. no calendário gregoriano, estamos ao mesmo tempo no ano 2768 do calendário da fundação romana, em 4711 no ano chinês, em 5776 no calendário judaico, em 1394 no ano persa e em 1438 no calendário muçulmano.