sábado, 21 de março de 2015

Fatos e outras verdades sobre o clássico conto “O flautista de Hamelin”...

Assim como fizemos há algum tempo com relação aos contos “João e Maria”, “Alice no país das maravilhas” e “Chapeuzinho vermelho”, hoje falaremos um pouco sobre os conteúdos históricos e sociológicos envolvendo mais um conto infantil clássico. Cremos, e provamos isso, que muito pode estar escondido no discurso do lúdico e do infantil, mas também há coisas demais a serem ditas, por exemplo: o fato da infestação de ratos na cidade de Hamelin (foto abaixo) é uma verdade, que tornou-se folclórica, depois impressa como conto moralizante infantil.


O flautista de Hamelin” é um conto folclórico escrito pela primeira vez como conto infantil pelos irmãos Grimm e que narra um desastre incomum, porém real, acontecido na pequena vila de Hamelin, na atual Alemanha, no dia 26 de junho de 1284, período compreendido na história como Idade Média.

Naqueles tempos, a cidade de Hamelin estava sofrendo com uma infestação terrível de ratos – eles eram os vetores da Peste Negra, que ceifou a vida de mais de 21 milhões de pessoas em toda Europa.

No conto, um dia chega à cidade um homem que reivindica ser um caçador de ratos dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Wesser.

Apesar de obter sucesso, o povo da cidade abjurou a promessa feita e recusou-se a pagar o caçador de ratos, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.

E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.


Na versão original do folclore, nos territórios que formariam a Alemanha atual, o final é diferente: após levar o calote, o flautista atrai as crianças para o mesmo rio, no qual elas morrem afogadas. Apenas três crianças sobrevivem: uma cega, que não consegue seguir o flautista e se perde no caminho; uma surda, que não consegue ouvir a flauta, e uma deficiente, que usa muletas e cai no caminho.

De acordo com os historiadores especializados no período medievo alemão e demais folcloristas de contos germânicos, há várias teorias sobre o que o flautista de Hamelin simbolizaria nas narrativas orais antes de se tornar uma história para crianças. Para alguns, ele seria a representação de um serial killer, para outros uma metáfora para as epidemias que dizimavam populações, como a peste, e para muitos remetia ao processo de migração para colonizar outras regiões da Europa quando o comércio começava a gerar as primeiras cidades, no período conhecido como Baixa Idade Média, com a decadência das vilas feudais.

Segundo os historiadores medievais, o ocorrido no dia 26 de junho de 1284 poderia mostrar uma mortandade de crianças através de uma vingança empreendida por um mercenário que prometera caçar os ratos de uma pequena vila de pessoas religiosas, porém astutas ao ponto de não pagarem o combinado.