terça-feira, 24 de março de 2015

Conheça mais um pouco sobre a crucificação como método de pena de morte...

A crucificação foi um método de execução muito comum utilizado no período da Antiguidade, e comum tanto no Império Romano, como no Egito e também em Cartago. Abolido no século 4 d.C., por Constantino, consistia em torturar o condenado e obrigá-lo a levar até o local do suplício a barra horizontal da cruz, onde já se encontrava a parte vertical cravada no chão. De braços abertos, o condenado era pregado na madeira pelos pulsos e pelos pés e morria, depois de horas de exaustão, por asfixia e parada cardíaca (a cabeça pendida sobre o peito dificultava sobremodo a respiração).


O personagem histórico mais famoso por ter sido condenado a uma crucificação é Jesus de Nazaré, mas outros tantos mártires da Igreja também foram mortos desta mesma maneira. Um detalhe importante no parágrafo anterior rompe com um mito religioso antigo: Jesus não carregou a cruz até o Calvário; cabia ao condenado carregar somente a parte horizontal que compunha uma cruz, pois a parte vertical já ficava no local da condenação, geralmente distante do centro comercial da vila ou da cidade. Mas não pense que carregar somente uma parte da cruz era tarefa fácil: a madeira podia pesar mais de 200 quilos, em um caminho longo, debaixo do sol, sendo chicoteado, cuspido e apedrejado. Era uma verdadeira tortura física e mental.

Os historiadores acreditam que essa pena de morte tenha sido criada na Pérsia, sendo trazida para o Oriente Médio e Ocidente por Alexandre o Grande, sendo então popularizada no Egito, em Roma e em Cartago. Neste ato combinavam-se os elementos de vergonha e tortura, e por isso o processo de crucificação era olhado com profundo horror. O castigo da crucificação começava com flagelação, depois do criminoso ter sido despojado de suas vestes. No azorrague os soldados fixavam os pregos, pedaços de ossos, e coisas semelhantes, podendo a tortura do açoitamento ser tão forte que às vezes o flagelado morria em consequência do açoite. O flagelo era cometido ao réu estando este preso a uma coluna.


Tratava-se de uma morte extremamente cruel por ser muito lenta. Se a pessoa não morresse por conta dos maus tratos sofridos durante o caminho até o local da pena máxima, ela poderia ficar lá por dias. Há casos de condenados que ficaram sete dias presos à cruz e morreram por infecção generalizada, ou por sede, ou por frio. Um dado curioso é que somente homens eram condenados à crucificação; às mulheres cabiam os apedrejamentos públicos, despejo em penhascos ao mar, afogamentos etc.

No ato da crucificação a vítima era pendurada de braços abertos em uma cruz de madeira, geralmente amarrada, ou, muito raramente, presa a ela por pregos perfurantes nos punhos, nos pés e nos calcanhares. O peso das pernas sobrecarregava a musculatura abdominal que, cansada, tornava-se incapaz de manter a respiração, levando à morte por asfixia. Para abreviar a morte, os torturadores às vezes fraturavam as pernas do condenado, removendo totalmente sua capacidade de sustentação, acelerando o processo que levava à morte. Mas era mais comum a colocação de “bancos” no crucifixo, que foi erroneamente interpretado como um pedestal. Essa prática fazia com que a vítima vivesse por mais tempo. Nos momentos que precedem a morte, falar ou gritar exigia um enorme esforço.


A maior crucificação de que se tem notícia ocorreu em 71 a.C., ao tempo de Pompeu, em Roma. Dominada a revolta de 200 mil escravos sob o comando de Espártaco, as legiões romanas, furiosas, num só dia crucificaram cerca de seis mil revoltosos vencidos.

A crucificação de Jesus de Nazaré...
O método da crucificação adquiriu grande importância para o Cristianismo, já que de acordo com os cristãos Jesus de Nazaré havia sido entregue pelos judeus aos romanos para crucificação. No caso de Jesus parece ter sido esse castigo feito de modo severo, antes da sentença final, considerando os castigos impetrados pelo sinédrio e posteriormente pela corte romana local na pessoa de Pôncio Pilatos. Segundo a Bíblia, nesse ato foi colocado um pedaço de madeira sobre a cabeça do réu, com uma inscrição de poucas palavras que exprimiam o crime: INRI, ou “Iesus Nazarenus Rex Ioderum”, ou “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”. Jesus carregou a cruz até o lugar da execução e este trajeto público e penoso é chamado de Via Crucis.

Jesus Cristo foi pregado na cruz, mas por vezes o condenado era apenas atado a esse instrumento de suplício, visto que o tempo de agonia do criminoso era extraordinariamente prolongado. Entre os judeus, algumas vezes o corpo de criminosos era pendurado numa árvore; mas não podia ficar ali durante a noite porque era “maldito de Deus” e contaminaria a terra. Diversos outros cristãos também foram crucificados, entre eles São Pedro, que segundo registros históricos, teria sido crucificado de cabeça para baixo.

De acordo com a tradição judaica, Jesus de Nazaré não teria sido crucificado pelos romanos, mas sim teria sido um religioso anterior chamado Jesus Ben Pantera declarado herege pelo sinédrio, apedrejado e pendurado em uma árvore na véspera da Páscoa de 88 a.C. de cuja história teria originado posteriormente o Cristianismo. Já de acordo com o Islamismo, a crucificação de Jesus teria sido aparente, já que Deus não permitiria um sofrimento demasiado para um justo.