quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Você conhece a história dos possíveis irmãos de Jesus Cristo, mais conhecidos como “Desposyni”? Fato ou farsa?!

Os possíveis irmãos de Jesus, conhecidos nas Igrejas Ortodoxas do Oriente como “Desposyni”, de origem do grego “despósunoi” – plural de uma palavra que significaria “pertencente ao mestre” –, de referiria à família co-sanguínea de Jesus Cristo. O termo foi aplicado pela primeira vez por Sexto Júlio Africano, um escritor do século III d.C.. Entre os argumentos dos estudiosos está o de que os parentes de Jesus ocupavam posições proeminentes na Igreja Antiga. Os cristãos da Igreja católica romana e ortodoxa oriental, assim como a maioria dos anglicanos e alguns luteranos rejeitam a ideia de que Jesus tenha tido irmãos verdadeiros, uma vez que suas igrejas defendem a doutrina da virgindade perpétua de Maria.


De acordo com o Evangelho Apócrifo dos Hebreus e os Evangelhos de Marcos e Mateus, Jesus tinha irmãos. Entretanto, ao mesmo tempo, nesses mesmos textos há referências de que essas pessoas são “verdadeiros parentes de Jesus”. Os Evangelhos Canônicos nomeiam quatro possíveis irmãos, mas apenas Tiago é conhecido historicamente. Após a morte de Jesus, Tiago, o “irmão do Senhor” era o líder da congregação em Jerusalém e os parentes de Jesus parecem ter tido posições de autoridade nas redondezas da cidade.

Conforme a doutrina da perpétua virgindade de Maria se desenvolveu, principalmente no Oriente, os cristãos passaram a considerar os irmãos de Jesus como sendo filhos de José de um outro casamento, e Jerônimo prosseguiu argumentando que os “irmãos” e “irmãs” eram, na verdade, primos. Os termos “irmão” e “irmã”, como utilizados neste contexto, realmente estão abertos a diversas interpretações. As línguas hebraica e aramaica possuem termo apropriado para indicar os primos, e os designam com a mesma palavra que significa irmãos no verdadeiro sentido. Portanto, poderia ser um suposto erro de tradução.


De acordo com os críticos da Bíblia, a história dos possíveis irmãos de Jesus se rompe a partir do momento da crucificação, quando somente Maria (sua mãe) e Maria Madalena (suposta esposa) aparecem sofrendo aos pés da cruz junto de Jesus, e nenhum outro parente “Desposyni”. Não existe uma conclusão definitiva no Novo Testamento se Jesus tinha ou não irmãos de Maria e de José, como aceitavam alguns membros da Igreja Antiga, posteriormente rotulados como antidicomarianitas. Mas quando Helvídio propôs esta ideia no século 4, Jerônimo, que, ao que parece, já tinha expressado a opinião geral da Igreja na época, defendia que a Maria tinha permanecido sempre virgem, argumentando que os que eram chamados de irmãos e irmãs eram na verdade filhos de Cléofas, um cunhado de Maria. Outras interpretações eram de que essas crianças seriam filhas de José em outro casamento, filhos de uma irmã de Maria ou de uma irmã de José. Estudiosos críticos dizem que a doutrina da virgindade perpétua há muito tem impedido o reconhecimento de que Jesus tinha irmãos.


De acordo com o Evangelho de Marcos, a mãe e os irmãos de Jesus estavam, no começo, céticos sobre o Seu ministério, mas depois se tornaram parte do movimento cristão. Tiago, o “irmão do Senhor”, presidiu sobre a igreja de Jerusalém após a dispersão dos apóstolos. Os parentes de Jesus provavelmente exercitaram realmente alguma liderança entre as comunidades até que os judeus foram expulsos da área com a fundação da Élia Capitolina nas ruínas de Jerusalém.

Em um estágio anterior também, Tiago, “irmão do Senhor”, e a quem Jesus teria dado a graça especial de aparecer após a ressurreição era, juntamente com Pedro, considerado um líder da igreja de Jerusalém e, quando Pedro partiu, Tiago se tornou a principal autoridade e era tido na mais alta estima pelos cristãos. Hegésipo relata que ele foi executado pelo Sinédrio em 62 d.C.

O Novo Testamento nomeia Tiago, o Justo, José, Simão e Judas como os “adelphoi” de Jesus. “Delphys” é a palavra grega para “útero” e, por isso, “adelphos” significaria, literalmente, “do mesmo útero” neste contexto. Porém, há muita controvérsia sobre esta interpretação. Porém, Eusébio de Cesareia e Epifânio de Salamina, importantes teólogos do Cristianismo primitivo aderiram à doutrina da perpétua virgindade de Maria e, portanto, não aceitavam que Maria pudesse ter tido outros filhos além de Jesus. Eusébio e Epifânio defendiam que estes eram filhos de José em um outro casamento, não registrado. Jerônimo, outro importante teólogo da mesma época, também seguia a doutrina, mas argumentava que os “adelphoi” eram filhos de uma irmã de Maria, também chamada Maria. Uma proposta moderna afirma que estes homens eram filhos de Cleofas (irmão de José, de acordo com Hegésipo) e Maria de Cleofas (não necessariamente a irmã de Maria, mãe de Jesus).


A doutrina oficial da católicos e dos ortodoxos é de que Maria teria sido uma virgem perpétua, assim como muitos dos primeiros protestantes, incluindo Martinho Lutero, Calvino e Zuínglio, assim como John Wesley, o líder metodista do século 18. De fato, a maioria dos primeiros cristãos parece não ter questionado esta doutrina. A Igreja católica, seguindo Jerônimo, conclui que os “adelphoi” eram primos de Jesus, enquanto que os ortodoxos, seguindo Eusébio e Epifânio, argumenta que eles eram filhos de José, mas de um outro casamento.

Estudiosos do Jesus Seminar sugerem que a doutrina da perpétua virgindade de Maria impediu o reconhecimento de que Jesus teria tido irmãos e irmãs. Alguns protestantes modernos geralmente consideram os “adelphoi” como sendo os filhos biológicos de Maria por José uma vez que estas igrejas entendem geralmente que Jesus é o filho de Deus ao invés de filho de José, os “adelphoi” são vistos, portanto, como sendo meio-irmãos de Jesus.


De acordo com os evangelhos sinóticos, particularmente de Marcos, Jesus estava uma vez ensinando para uma grande multidão perto da casa de sua própria família. Quando eles perceberam, foram vê-lo e “eles” (não especificado) disseram que Jesus estava “fora de si”. Na narrativa dos Evangelhos sinóticos e no Evangelho de Tomé, quando Jesus foi informado que Maria e os “adelphoi” estavam do lado de fora da casa em que está ensinando, Jesus diz que os que fazem o que Pai deseja são seus irmãos e sua mãe. De acordo com Kilgallen, a resposta de Jesus foi uma forma de sublinhar que a sua vida tinha mudado de tal forma que sua família era então menos importante do que os seus ensinamentos sobre o Reino de Deus. A visão negativa da família de Jesus representada nos Atos e nos Evangelhos pode estar relacionada ao conflito entre Paulo de Tarso e os judeus-cristãos, que mantinham alto apreço pela família de Jesus, por exemplo no Concílio de Jerusalém