terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Sonhos premonitórios: fato, farsa ou algo que o ser humano ainda não pode compreender?!

As mensagens rabiscadas em muros, os grafites e pichações, são um fenômeno muito antigo, por isso a frase “LEMBREM-SE DE PEARL HARBOR” na calçada em frente a uma escola primária em Owensville, Indiana, nos Estados Unidos, não causou nenhuma estranheza. O estranho é a data em que foi escrita: 07 de dezembro de 1939, dois anos antes do ataque japonês à base naval norte-americana no Havaí (foto abaixo). A menos que alguém do local tivesse motivos particulares para homenagear a base naval, ou que o grafiteiro, depois do fato, houvesse cometido um anacronismo, a frase parece uma premonição. Se assim for, o exemplo não é único. Há registros de previsão de desastres até antes dos tempos clássicos. O fenômeno é bem similar às premonições de morte, mas ocorre numa escala maior, envolvendo guerras, crimes violentos e catástrofes da natureza, assim como o destino de pessoas.


Profeta da destruição...
Um exemplo antigo de previsão acertada foi citado pelo historiador judeu-romano Flávio Josefo sobre a Guerra Judaica. Ele fala num tal de Jesus, filho de Ananias, que previu a tragédia de Jerusalém quatro anos antes da revolta de 66 d.C., que terminou com a destruição do templo por legionários romanos e na diáspora judaica. Jesus, filho de Ananias, foi preso e torturado, mas continuou prevendo desgraças para a cidade antes e depois da luta, e até a hora em que se daria o cerco de Jerusalém. Quando a tragédia que previra com tanta antecedência ocorreu, ele foi finalmente calado em meio à batalha ao ser atingido na cabeça por uma pedra.

Assassinato previsto...
Talvez por ocorrer de forma súbita e dramática, o assassinato de políticos parece ser tema de sonhos e premonições. A mais conhecida previsão dos últimos tempos foi da morte do presidente John F. Kennedy em Dallas, em novembro de 1963. A previsão foi de Jeanne Dixon, clarividente que ganhou fama com suas colunas em jornais de todos Estados Unidos e aparições na televisão. Na sua biografia, Jeanne afirma ter tido várias premonições de tragédias, a partir de 11 anos antes e até o próprio dia, quando contou a duas senhoras com as quais estava almoçando que um horrível estava prestes a ocorrer. Chegou a citar uma entrevista que dera à revista “Parade” em 1956, prevendo que um “presidente democrata, de olhos azuis, eleito em 1960” seria assassinado.


Na verdade, a entrevista, que não era tão precisa, dizia: “Quanto às eleições de 1960, a senhora Dixon acha que serão dominadas pelo Partido Trabalhista, mas vencerá um candidato democrata que será assassinado ou vai morrer no mandato, não necessariamente no seu primeiro mandato”. Mesmo assim, a previsão é impressionante – só fica um pouco menos incrível se considerarmos a conhecida coincidência de presidentes mortos durante o mandato, eleitos em anos terminados em zero. Além de Kennedy (1960) e Lincoln (1860), Garfield (1880) e McKinley (1900) foram mortos, ao passo que Warren Hardings (1920) e Roosevelt (1940) morreram no exercício do cargo. A coincidência finalmente acabou com Ronald Reagan (1980), que sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 1981 e cumpriu dois mandatos na Casa Branca.

De certa forma, a previsão que fez John Williams, engenheiro de mineração da Inglaterra, é mais convincente. Na noite de 11 de maio de 1812, ele sonhou que estava no Parlamento de Westminster com um homem baixo, de paletó azul e colete branco. Apareceu então outro homem, de paletó marrom e botões amarelos, que apontou um revólver e atirou no primeiro. O atirador foi preso, e Williams ouviu dizer que o homem atingido era ministro das Finanças do Reino Unido. Ao acordar, contou à esposa, dormiu de novo e teve o mesmo sonho. No dia seguinte, relatou o sonho a todas as pessoas com quem esteve.

No final do dia, Williams soube pelo filho que o carro postal tinha chegado de Londres com a notícia de um assassinato no Parlamento, na tarde anterior. A vítima era Spencer Perceval, primeiro-ministro e ministro das Finanças, assassinado por um corretor falido de Liverpool chamado John Bellingham. Embora não conhecesse nenhum dos dois, o sonho de Williams correspondia perfeitamente à descrição física e às roupas deles. Quando esteve depois em Londres, conseguiu também dizer o lugar onde ocorrera o assassinato sem que ninguém lhe mostrasse.


Premonições de catástrofes...
Os acidentes em terra, ar e mar são tão comuns em sonhos premonitórios quanto o assassinato de políticos. Há muitas provas de pessoas que se salvaram graças a um sexto sentido que as impediu de entrar num trem, navio ou avião que depois se acidentou. A acreditar na curiosa pesquisa feita por um matemático americano na década de 1960, tais previsões chegaram a milhares. William Cox pesquisou o número de passageiros que viajaram em trens acidentados e o comparou com o de outros dias comuns nesses mesmos trens. Descobriu que, misteriosamente, o número era muito menor nos dias de acidentes. Exemplo: um trem de Chicago bateu em 15 de junho de 1952 com apenas nove passageiros, enquanto a média de passageiros nas quatro semanas anteriores foi de mais de 50 passageiros. Embora muitos fatores – como condições do tempo – possam ter influído, Cox acredita que os números mostram um fenômeno de “previsão de acidente” calcado em premonições inconscientes.

A ideia de previsões de desastres isolados, individuais, em geral a distância, é mais aceita. Um caso bastante conhecido é o de David Booth, de 23 anos, dos Estados Unidos, que sonhou dez noites seguidas com um acidente da American Airlines. Certo de que se tratava de um sonho premonitório, entrou imediatamente em contato com a empresa aérea e a Aviação Civil Norte-americana para alertar contra o perigo iminente, sem poder detalhar a hora e o local do acidente. Este ocorreu três dias depois, em 25 de maio de 1979, no aeroporto O’Hare de Chicago. Um avião da American Airlines caiu ao decolar, matando 273 pessoas – o pior desastre da aviação norte-americana até então.

Houve muitas tentativas de criar centros de premonição que pudessem se beneficiar de avisos como o de David Booth, mas nenhum deu resultado devido à falta de informações precisas. Sem o dia e o local, nem as autoridades receptivas à ideia podem fazer alguma coisa, por mais que queiram.


Uma catástrofe muito pesquisada depois foi a que atingiu uma comunidade galesa de mineradores pouco após as 9 horas da manhã de 21 de outubro de 1966. Depois de dois dias de chuvas fortes, restos de carvão empilhados num monte de escória perto de Aberfan atingiram de repente a aldeia, soterrando uma escola primária, várias casas e uma fazenda. Ao todo, 28 adultos e 116 crianças morreram.

Após o fato, um psiquiatra londrino pediu para ser procurado por quem tivesse pressentido a tragédia. Ele recebeu 76 respostas e considerou que 60 mereciam ser investigadas. Depois de ouvir detalhes e procurar testemunhas, deu crédito a 24 premonições pelo fato de terem sido comunicadas e outras pessoas antes. Quase todos os avisos foram em sonhos. Um idoso viu a palavra “Aberfan” brilhando; uma mulher de Kent viu uma escola atingida por uma avalanche de carvão; um espírita disse ter visto um menino apavorado ao lado de um homem de boné que fazia o resgate – e reconheceu ambos depois na televisão, na cobertura do resgate.

A história mais triste foi contada pela mãe de uma criança morta na avalanche. Duas semanas antes da tragédia, a fila de 9 anos teve um sonho e disse à mãe que não tinha medo de morrer porque sabia que estaria com seus amiguinhos. Na véspera da tragédia, teve outro sonho – desta vez, viu a escola coberta de preto. A menina morreu na escola naquela manhã junto com os amigos cujos nomes citara após o primeiro sonho.