sábado, 28 de fevereiro de 2015

Calendário das festas pagãs e a relação com o Cristianismo: fato ou farsa?!

Nos últimos tempos, nosso blog tem mostrado como tem sido curiosa a história do Cristianismo e do Judaísmo ao longo dos séculos e dos milênios, principalmente por serem religiões tipicamente “agregadoras”; ou seja, agregam elementos sociais, culturais e teológicos de outros povos e de outras religiões e remetem a si como cultos genuínos, únicos e verdadeiros.

Na postagem de hoje vamos mostrar como as principais festas cristãs estão ligadas a elementos tipicamente pagãos da Antiguidade, quando a Igreja primitiva tentou diminuir os cultos greco-romanos e transformá-los em cultos e festividades disfarçadas de cristandade. Assim, percebemos como o calendário de celebrações cristão é mais pagão do que supúnhamos.


ATENÇÃO! GROSSO MODO FAREMOS UM RESUMO RÁPIDO DAS RELAÇÕES ENTRE A RELIGIÃO CRISTÃ E O PAGANISMO NAS FESTAS RELACIONADAS ABAIXO. PARA MAIS DETALHES, FAVOR CONFERIR SITES ESPECIALIZADOS E ENCICLOPÉDIAS...

- Carnaval: a festa que marca o início da Quaresma, os quarenta dias de jejum dos católicos, na realidade era uma festa romana que marcava muita bebida, muito sexo e muitas orgias ao som de muita música e exageros gastronômicos. O nome ainda é uma referência ao nome latino da festança romana: Carnavália, ou seja, “sem carne”, quando o tal jejum era praticado já nos tempos anteriores à vinda de Cristo ao mundo.

- Páscoa: esta é uma festa antiquíssima de origem mesopotâmica em homenagem ao início da primavera, dando honras à deusa-mãe Ishtar (por isso, em inglês, a Páscoa é “Easter”). Depois do inverno quando tudo ficava seco, a primavera trazia a “ressurreição” da natureza com o brotar das flores. Por isso os judeus também passaram a fazer esta festa, mas com um novo simbolismo, e os cristãos com um outro simbolismo dos judeus, mais próximo ao mesopotâmico: o renascimento. Dentro desta importante festa todos os elementos são pagãos: os ovos, o coelho etc.

- Festas Juninas: dizem que o ponto alto da temporada de festas juninas é a noite de São João, em 24 de junho. Tradicionais na França, Portugal e Espanha, trazidas para o Brasil pelos colonizadores, essas festas marcam a data de celebração de Santo Antônio de Pádua (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). Entretanto, essas celebrações são muito mais antigas do que essas celebrações medievais; a tradicional fogueira de São João era um marco para o início do solstício de verão no Hemisfério Norte: época em que os pagãos faziam festas e cultos ao “renascimento” do deus-Sol, o deus mais importante em qualquer mitologia e religião antiga (dita como “pagã”). Assim sendo, as festas juninas marcariam, na verdade, não a celebração de santos tão populares, mas a chegada do plantio para uma nova colheita futura, esperando um verão de calor depois de uma temporada obscura de muito frio no inverno.

- Dia de Todos os Santos: a festa dedicada a todos os santos do catolicismo está intimamente ligada ao Halloween, ou Dia das Bruxas. O Dia de Todos os Santos é em 1º de novembro, entre o Halloween (31 de outubro) e Finados, Dia dos Mortos, (02 de novembro). Esta festividade tem origem pagã britânica, quando os celtas acreditavam que os mortos voltavam à terra para passar o dia com seus familiares, mas os portões do mundo dos mortos também liberava terríveis demônios que passavam a assombrar as pessoas (daí o surgimento do Halloween). Também é uma festa ligada à agricultura, que durante o período do Império Romano, marcava o fim do período da colheita com grandes comilanças e bebelanças, preparando o terreno para o frio do inverno rigoroso da Europa.

- Natal: talvez esta seja a festa romana mais pagã de todas entre o Cristianismo. No antigo império, esta era a festa que marcava o reino do “Sol invicto”, ou seja, a festa que marcava o início do inverno e a esperança do deus-Sol vencer todo o tempo de frio e escuridão, trazendo luz, calor, segurança e conforto. Em várias culturas diferentes essa festa era celebrada entre 20 e 25 de dezembro por motivos astronômicos e astrológicos. Só por volta do século 2 d.C. que a Igreja primitiva decidiu cristianizar esta festa pagã do deus-Sol em festa do nascimento e celebração do Messias Jesus Cristo.