terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Considerações sobre a fotografia espírita: polêmicas, fatos e farsas...

Denomina-se “fotografia espírita” a toda uma série de fenômenos que remontam a poucas décadas depois do surgimento da fotografia, entre o final do século 19 e início do século 20, e se caracteriza pela presença de vultos, espectros e formas estranhas em imagens de natureza fotográfica. Ao longo de sua história foi objeto de acusações, diversas vezes demonstradas cabalmente de fraude.


Se, na atualidade, o avanço das técnicas de fotografia, em especial com o advento da fotografia digital, criou possibilidades quase infinitas de falseamento nas imagens fotográficas, em meados do século 19 as técnicas mais aprimoradas de fotografia, que recorriam ao daguerreótipo e ao coloide, ofereciam margem significativamente mais estreita à fraude e ao charlatanismo.

As origens da fotografia espírita...
A primeira fotografia espírita a que se costuma fazer referência data de 1861, feita manualmente pelo gravurista norte-americano William Mumler, em Boston. Trata-se de um autorretrato em que um “duplo” de Mumler, ou seja, sua própria imagem, só que translúcida e sobre ele, aparece. Após essa ocorrência, Mumler entrou em contato com outros fotógrafos, que sugeriram a repetição da experiência em condições diversificadas, a fim de que ele melhor pudesse se certificar da natureza dos fenômenos que testemunhava. Após convencer-se de que se tratava de fenômenos autênticos, largou sua profissão para dedicar-se exclusivamente à fotografia espírita. Os primeiros relatos dessas fotografias saíram no “Herald of Progress” de 1º de novembro de 1862 e no “Banner of Light” de sete dias mais tarde.


Com a difusão da notícia para além dos limites de Massachusetts, e em face do crescente interesse público pelo assunto, o editor do “Herald”, J. A. Davis, enviou um fotógrafo de sua confiança, com dez anos de experiência no ofício para investigar in loco os trabalhos de Mumler. O seguinte trecho, publicado no “Banner” de 29 de novembro daquele ano, um resumo de longa carta publicada no mesmo dia no “Herald”, sintetiza as conclusões do enviado:

Não me opondo o Sr. Mumler dificuldade alguma, eu mesmo fiz, na chapa escolhida para o meu retrato, todas as operações de banhos, viragem e montagem. Durante todo esse tempo, não perdi de vista a chapa, não deixei aproximar-se dela o Sr. Mumler, senão depois de terminada a operação. Em seguida, submeti a minuciosa inspeção o gabinete escuro, o caixilho, o tubo, o interior das cubas etc. E, apesar de tudo, obtive, com grande admiração, a minha fotografia acompanhada por uma outra imagem. Tendo continuado depois as minhas pesquisas, vi-me obrigado, com toda a sinceridade, a reconhecer sua autenticidade”.


Processo de qualificação da fotografia espírita...
Naturalmente, as opiniões acerca das fotografias de Mumler passavam longe de qualquer unanimidade. Muitos céticos, entre fotógrafos amadores e profissionais, empenharam-se em demonstrar publicamente que Mumler não passava de uma fraude, e que suas fotografias podiam ser reproduzidas por meio de diversas técnicas. A coisa ganhou grande repercussão quando, em abril de 1869, instaurou-se um processo contra Mumler, tendo em vista denúncia do jornal nova-iorquino “The World”. O fotógrafo, que acabara de se mudar de Boston para abrir um estúdio em Nova York, chegou a ser preso, sob suspeita de “ter cometido fraudes e trapaças à custa do público, por meio de fotografias espíritas”.

Os autores elaboraram oito fotos com o fito de provar a impostura de Mumler, e apontaram seis métodos diferentes para obtê-las, que, segundo eles, poderiam explicar completamente todo o trabalho de Mumler com a fotografia espírita. Acontece que nenhum dos fotógrafos que estavam do lado da acusação havia investigado o processo de trabalho de Mumler in loco. Ainda que convincentes, seus argumentos careciam da experiência concreta a que haviam se dedicado os quatro fotógrafos que testemunharam a favor de Mumler. Todos já tinham tido a oportunidade de inspecionar pessoalmente Mumler durante o trabalho de preparação, lavagem, exposição e revelação exigidos pelo método fotográfico da época.


Enquanto isso, as experiências das fotografias espíritas ganhava o status de excentricidade e as pessoas ficavam cada vez mais curiosas com essa novidade. Assim sendo, fotógrafos espíritas começaram a se popularizar em caravanas de circos e parques de diversões nos Estados Unidos, na França, na Alemanha e na Inglaterra. Muitos espectadores queriam que, nessas fotos, aparecessem seus entes queridos mortos, para saber se estavam bem, ou não, no outro plano.

Pesados os argumentos, e diante de doze testemunhos de pessoas que afirmavam ter reconhecido, nas fotos que tiraram com Mumler, parentes mortos, cinco dos quais tendo assegurado que os familiares nunca haviam sido fotografados em vida, o juiz concluiu que “o detido devia ser posto em liberdade, mesmo que o acusado tivesse cometido fraudes e trapaças. Em sua opinião, a parte queixosa não tinha conseguido provar o fato”.

Notoriedade pública e comércio das fotografias...
Após o processo, Mumler continuou a trabalhar com a fotografia espírita até o fim da vida. Apesar de muitas de suas fotos não mostrarem mais do que borrões de contornos pouco definidos, aquelas consideradas “de qualidade”, somadas a sua abertura para investigadores independentes interessados em conhecer os processos que ele utilizava, valeram-lhe o apoio público de notáveis personalidades de seu tempo, como a ex-primeira dama estadunidense, Mary Lincoln, viúva do presidente Abraham Lincoln; o juiz da Suprema Corte de Nova York, John Edmonds; e o editor da revista norte-americana “Waverly Magazine”, Moses Dow.


Posteriorente, o pesquisador e naturalista inglês Alfred Russel Wallace, tornou-se o primeiro cientista a obter uma fotografia de um espírito materializado (isto em 14 de março de 1874). Nesse período destacaram-se ainda as fotografias obtidas nos trabalhos de materializações com as médiuns Eusápia Paladino e Eva Carrière. Na mesma época registrou-se ainda, na França, o chamado “processo dos espíritas”, no qual Pierre-Gaëtan Leymarie (na qualidade de editor da “Revue Spirite”), Alfred Henri Firman e Édouard Buguet foram acusados por estarem ligados à publicação de fotos espíritas suspeitas de fraude.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Múmias de tabaco, maconha e cocaína: uma curiosidade para se reescrever a história?! Fato ou farsa?!

O assunto é bastante polêmico e pode levar historiadores, arqueólogos, antropólogos e paleontólogos a reescreverem a história da humanidade desde a sua criação, com os primeiros hominídeos da África. Trata-se do assunto chamado: as múmias de tabaco, maconha e cocaína do Egito. E agora você vai compreender por que esta questão é extremamente complexa e polêmica.


De acordo com as pesquisas que tivemos disponíveis na internet, tudo começou em março de 1992, quando pesquisadores alemães solicitaram o auxílio especializado da cientista forense Dr.ª Svetlana Balabanova, do Instituto Forense de Ulm, para investigar os conteúdos dos sarcófagos onde se encontravam múmias egípcias.

A primeira espécie testada foi apelidada “Het-Nut-Tawy”, ou “Senhora das duas terras”, da 21ª Dinastia (cerca 1069 a.C.), cujo sarcófago era finamente decorado com figuras de Nut, rainha do céu. Como se depreende, era uma múmia feminina. A cientista ficou pasma quando encontrou a presença de grandes quantidades de nicotina, cânhamo e cocaína nas amostras desta múmia e de outras tantas, guardadas no Museu Egípcio de Munique.


Por que a doutora ficou tão pasmada?! Simplesmente porque o cânhamo (maconha), o tabaco e a coca (cocaína) são plantas estritamente sul-americanas e só passaram a ser exportadas para outros continentes após as Grandes Navegações (a partir do século 16), principalmente para a África como moeda de troca nas tribos, que entregavam seus prisioneiros para servirem como escravos no continente americano. Desta forma, começou um intenso debate sobre várias possibilidades: (1) as múmias não serem autenticamente egípcias; (2) as plantas tóxicas não serem somente sul-americanas; e (3) os egípcios já terem feito comércio há muitos milênios com os incas, que costumavam usar em seus enterros a coca, o tabaco e a maconha.

Entretanto, como sempre ocorre com descobertas científicas revolucionárias, há os ortodoxos, alegando que não havia destas espécies de plantas no Egito Antigo. Naqueles tempos, o alucinógeno principal era o lírio azul, tão festejado nas pinturas egípcias, entre as mãos dos faraós e dos deuses. Além disso, a introdução destas plantas no restante do mundo, como dito acima, afirmavam, só ocorreu a partir de 1492, depois que Cristóvão Colombo “descobriu” a América em outubro daquele ano.

Os céticos também diziam que essas múmias poderiam ser falsas, compradas de mercados negros do século 19, quando o Egito estava no auge da moda, e falsários roubavam corpos de mendigos e construíam sarcófagos para, depois, os venderem aos colecionadores que pagavam qualquer fortuna por esses objetos incomuns. Por isso alguns especialistas céticos acreditavam que a doutora responsável pela descoberta deveria ir com calma, sendo que essas múmias do Museu Egípcio de Munique poderiam ser espécimes falsos fruto deste período do século 19, quando a cocaína foi introduzida na sociedade como uma espécie de medicamentos para vários males, principalmente na sociedade germânica (o famoso psiquiatra Sigmund Freud é um dos mais famosos adeptos da medicina com base na coca, fazendo uso dela e recomendando-a aos seus pacientes).


A descoberta causou tremendo alvoroço entre historiadores, arqueólogos, biólogos, antropólogos e paleontólogos, principalmente quando foi publicada na renomada revista científica alemã “Naturwissenschaften”, em julho de 1992. Se a cientista Balabanova estava certa, todos haviam errado, e isto eles não admitiam de jeito nenhum, tendo que reescrever toda a história da humanidade que estamos acostumados a aprender nas escolas e nas universidades. Alguns cientistas ortodoxos mais classudos tornaram-se contra a doutora, acusando-a de ser precipitada e não reparar todos os contextos antes de publicar o artigo revolucionário.

Na Inglaterra, insultada, a curadora do Museu de Manchester, Rosalie David, mantenedora da coleção de múmias, declarou enfaticamente: “Ou os testes falharam ou as próprias múmias são falsas”. Entretanto, a Dr.ª Balabanova é uma toxicologista forense experiente, com um currículo impecável. Havia usado um método seguro de análise denominado “folículo capilar”. Se a pessoa falecida consumiu alguma droga, os traços são levados até a proteína do poro do folículo capilar, lá permanecendo para sempre. Há um teste posterior, com álcool, para verificação de contaminação externa da mostra com as drogas. As amostras indicariam se as drogas vinham do folículo capilar interior ou do exterior (contaminação pelo ar, por exemplo). Os exemplos das múmias de Balabanova vinham do interior, indicando, portanto, que as pessoas cujas múmias estavam sendo examinadas foram, mesmo, usuárias daquelas drogas.

A autenticidade das múmias, então, foi exigida pelos cientistas. A múmia apelidada de “Het-Nut-Tawy” foi comprada pelo Rei Ludovico I, em 1845. Quem a vendeu foi um comerciante inglês chamado Dodwell – aí está a história que os cientistas ortodoxos queriam ouvir. O curador do Museu de Munique, Dr. Alfred Grimm, autenticou as inscrições, os amuletos e os métodos complexos de embalsamamento. A múmia viera de uma tumba de Sacerdotes e Sacerdotisas seguidores do deus Amon, em Tebas. De acordo com os egiptólogos, os seguidores de Amon faziam uso do lírio azul egípcio, além de bebidas alucinógenas. Ou seja, de acordo com os testes, inclusive de carbono 14, a múmia drogada era autêntica.

Rosalie David, inconformada, testou as suas próprias múmias e, visivelmente desapontada, deu a mão à palmatória: a Dr.ª Svetlana Balabanova estava correta. E foi então, glorificada. Com isso, surgiu um novo debate: como os egípcios tiveram acesso, milênios antes, a artefatos “sagrados” que só chegaram ao restante do mundo dois mil anos depois?




Com esse esquema de mistério no ar e certa incompreensão, os cientistas estavam desapontados com sua infalibilidade metódica. A certeza estava ruída. Assim é que entraram em cena os teóricos dos deuses astronautas com suas explicações acerca dos ocorridos no Egito e na América. De acordo com esta teoria, na Antiguidade os deuses que se referem judeus, hinduístas, budistas etc. são, na verdade, alienígenas que desceram à terra e ensinaram várias técnicas importantes à Humanidade. Assim sendo, de acordo com esses teóricos, os deuses astronautas teriam espalhado da América do Sul as plantas medicinais que podemos encontrar nessas múmias, de uma forma especial porque só são encontradas em múmias específicas no Egito Antigo.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

“Malleus maleficarum”, ou “Martelo das bruxas”: o manual de torturas mais antigo da história...

Muitos conhecem as histórias folclóricas envolvendo um livro bastante controverso da Igreja católica, também usado pela Inquisição calvinista. Trata-se do “Malleus maleficarum”, também conhecido como “Martelo das bruxas” ou “Martelo das feiticeiras”. Ele é uma espécie de manual de diagnóstico para bruxas, publicado em 1487, dividindo-se em três partes: a primeira ensinava os juízes a reconhecerem as bruxas em seus múltiplos disfarces e atitudes; a segunda expunha todos os tipos de malefícios, classificando-os e explicando-os; e a terceira regrava as formalidades para agir “legalmente” contra as bruxas, demonstrando como processá-las, inquiri-las, julgá-las e condená-las.

Os autores oferecem um complexo e completo guia sádico em forma de passo a passo sobre como conduzir torturas e julgamentos de uma bruxa, desde a reunião de provas até o interrogatório (geralmente regrado a muita violência de diversos tipos). Um exemplo: mulheres fortes que não choravam durante o julgamento eram automaticamente consideradas culpadas de bruxaria, e iam direto para a pena capital.


Histórico do manual de torturas...
Apesar de os pensadores da Idade Moderna declarar a Idade Média como “Idade das trevas” e seu tempo como a “Era das luzes”, o “Martelo das bruxas” foi produzido e colocado em prática justamente no período em que a humanidade acordava para o novo, com as Grandes Navegações, Renascimento Cultural, Revolução Científica etc.

Assim, o “Martelo das bruxas” é provavelmente o tratado mais importante que foi publicado no contexto da perseguição da bruxaria do Renascimento. Trata-se de um exaustivo manual sobre a caça às bruxas, publicado primeiramente na Alemanha, em 1487, e que logo recebeu dezenas de novas edições por toda a Europa, provocando um profundo impacto nos julgamentos de pessoas acusadas de bruxaria no continente por cerca de 200 anos. A obra é notória por seu uso no período de histeria da caça às bruxas, que alcançou sua máxima expressão entre o início do século 16 e meados do século 18.


O “Martelo das bruxas” foi compilado e escrito por dois inquisidores dominicanos alemães, Heinrich Kraemer e James Sprenger (geralmente os nomes aparecem em latim: Henrici Institoris e Iacobus Sprenger). Os autores fundamentavam as premissas do livro com base na bula “Summis desiderantes”, emitida pelo Papa Inocêncio 8º em dezembro de 1484, o principal documento papal sobre a bruxaria. Nela, Sprenger e Kramer são nomeados para combater a bruxaria no norte da Alemanha, com poderes especiais.

Kramer e Sprenger apresentaram o livro à faculdade de Teologia da Universidade de Colônia, na Alemanha, em maio de 1487, esperando que fosse aprovado. Entretanto, o clero da universidade condenou a obra, declarando-a ilegal e antiética. Kramer, porém, inseriu uma falsa nota de apoio da universidade em posteriores edições impressas do livro. O ano de 1487 é geralmente aceito como a data de publicação, ainda que edições mais antigas da obra tenham sido produzidas em 1485 ou 1486.

É interessante pontuar o seguinte: oficialmente a Igreja católica proibiu o livro pouco depois da publicação, colocando-o no “Index Librorum Prohibitorum” (“Índice dos Livros Proibidos”). Apesar disso, entre os anos de 1487 e 1520, a obra foi publicada treze vezes. Entre 1574 e a edição de Lyon, de 1669, o livro recebeu um total de 16 novas reimpressões. Ou seja, mesmo sendo proibido pelo Catolicismo, acabou fazendo muito sucesso nos processos dos inquisidores, fazendo também as graças no meio da Inquisição calvinista.

A suposta aprovação inserida no início do livro contribuiu para sua popularidade, dando a impressão de que tinha respaldo oficial. O texto chegou a ser tão popular que vendeu mais cópias do que qualquer outra obra à exceção da Bíblia.


Os efeitos do “Martelo das bruxas” se espalharam rapidamente muito além das fronteiras da Alemanha pré-Reforma Protestante de Lutero. As páginas foram provocando enorme impacto nos cleros da França, da Itália, da Espanha e em Portugal. Na Inglaterra não chegou a causar grande impacto, nem mesmo entre os perseguidores norte-americanos de Salém, em Massachussetts.

É importante lembrar que, embora a crença popular consagre o “Martelo das bruxas” como um clássico texto católico no que cabia ao contexto da Inquisição, a obra nunca foi oficialmente usada pela Igreja católica. Os inquisidores a usavam escondidos, enquanto a Igreja proibiu sua publicação, como vimos anteriormente. As igrejas Luterana e Anglicana também proibiram o uso deste manual em seus julgamentos, sendo a única, a igreja Calvinista, a liberar o uso indiscriminado deste texto.


Entretanto, o feitiço virou contra o feiticeiro – literalmente. Kramer foi condenado pelo Tribunal da Santa Inquisição em 1490, e sua demonologia considerada não acorde com a doutrina católica. Porém, seu livro continuou sendo publicado e usado também por protestantes em alguns de seus julgamentos contra bruxas.

No Brasil foi publicado pela Editora Três em 1976 com o título “Malleus maleficarum: manual de caça às bruxas” e, posteriormente, pela Editora Rosa dos Tempos com o título “O martelo das feiticeiras”. Alguns conspiracionistas chegam a apontar que o “Martelo das bruxas” teria sido usado como metodologia de torturas e julgamentos durante a Ditadura Militar no Brasil, na Argentina, no Chile, no Paraguai e no Uruguai, mas até hoje não há informações de que isso tenha sido verdade em algum momento da história. Também é interessante deixar claro que atualmente nenhum país considera essa obra perigosa por detalhar como fazer torturas secretas. O livro pode ser acessado via internet livremente, ou comprado sob encomenda.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Disputas cristológicas: você já ouviu falar nisso?!

As chamadas disputas cristológicas são uma série histórica de polêmicas sobre a natureza de Jesus Cristo, mantidas no seio do Cristianismo durante muitos séculos, desde o início desta religião até a fundamentação das atuais seitas neopentecostais. Essas disputas visam interpretar a vida e obra de Cristo através da Bíblia e de outros relatos históricos (os livros apócrifos do Novo Testamento, tais como os Evangelhos de São Tomé e de Santa Maria Madalena). Para o catolicismo, muitas destas disputas são heresias sem tamanho.


História das disputas cristológicas...
O ano de 325 d.C., no primeiro Concílio de Niceia, assim como no primeiro Concílio de Constantinopla, em 381 d.C., se estabeleceu a doutrina oficial da Igreja católica, que abrangia todo o território do Império Romano. Atingiu o consenso que Cristo era eterno, segundo o credo, uma encarnação divina, (chamada de “homoousios”), que significa “consubstancial com Deus-Pai”, em uma só pessoa, porém com duas naturezas – completamente divina e completamente humana – e propósitos. A partir desse momento, e até o século 7, sucessivos Concílios condenaram doutrinas que diferenciavam com a do credo de Niceia em matérias de ontologia em torno do Cristo.

O período dos quatro primeiros séculos da história do Cristianismo se caracterizou por disputas cristológicas. Os movimentos religiosos minoritários, qualificados como heréticos, que surgiram no segundo milênio nunca voltaram a questionar as explicações estabelecidas sobre a natureza do Cristo, e se concentraram em problemas como a simonia, hipocrisia, a burocracia, a injustiça social e a luxúria da Igreja institucional. Enquanto isso voltou a ser assunto durante a Reforma Protestante com o aparecimento de novos movimentos. Hoje em dia especialmente as Testemunhas de Jeová voltam a questionar as doutrinas cristológicas adotadas no quarto século e pregam o Cristianismo como supostamente pode ter sido no século I.


Principais correntes do conflito e suas características...
Algumas das principais correntes cristãs que interagiram em disputas cristológicas nos primeiros séculos do Cristianismo foram:

1. Adocionismo: é a doutrina segundo a qual Jesus era um simples ser humano, elevado a uma dignidade semelhante à de Deus, logo após a sua morte. Uma visão teológica do Cristianismo primitivo. No pensamento judaico, o Messias era um ser humano escolhido por Deus na realização de seu propósito: conquistar os hebreus e torna-lhes conhecidos entre as nações. Ao mesmo tempo, o adocionismo era psicologicamente interessante para os primeiros cristãos, já que estes eram uma comunidade humilde e atrasada, e, por onde era fácil identificar-se com um herói como Jesus. Sendo humano como qualquer que fosse escolhido (“ungido”) por Deus, e que por onde dava esperança de salvação aos próprios cristãos, tão humildes, ao contrário tendo Deus como seu herói maior.

2. Apolinarismo: afirmava que no Cristo o espírito estava substituído pelo “Logos divino”, com o que implicitamente negava a natureza humana completa do Redentor, um dogma católico. Foi condenado no primeiro Concílio de Constantinopla.

3. Trinitarianismo: é a doutrina oficial da Igreja católica e da maioria das denominações cristãs contemporâneas. O trinitarianismo, ou trinitarismo, prega a doutrina da Santíssima Trindade, segundo a qual Jesus, o Espírito Santo e Deus pai formariam três manifestações harmônicas do “Mistério Divino”, que é Deus.

4. Sabelianismo: pregado por Sabélio, um bispo de Cirene, hoje Líbia. Também chamado de Moalismo, pois fala que Deus se manifesta de modos distintos, mas não possui pessoas.

5. Arianismo: condenado no primeiro Concílio de Niceia, o Arianismo era diretamente oposto ao Apolinarismo; negava a consubstancialidade do filho (Cristo) com o Pai (Deus) e como também a doutrina da Trindade católica. Nesta visão monoteísta, Cristo era uma criatura criada como todas as outras. Favorecida primeiramente pelo Imperador Constâncio Cloro, esta escola foi repelida por Teodósio I. Adotada oficialmente pelo reino visigodo na Espanha até sofrer oposição pelo Rei Recaredo I, que se converteu à fé romana.

6. Marcionismo: foi uma doutrina originada no segundo século, pregada por Marcião, um semignóstico. Ele rejeitava estritamente o Deus do Velho Testamento, Javé, pois o considerava violento e vingativo, uma espécie de tirano que oferecia recompensas materiais para seus adoradores. No entanto, Marcião descreveu o Deus do Novo Testamento, como um Deus perfeito, um Deus de genuíno amor e misericórdia, de bondade e de perdão.

7. Monarquianismo: foi uma doutrina originada no segundo século que não reconhecia que em Deus havia mais de uma pessoa e considerava Jesus como um simples ser humano, no entanto, aceitava seu nascimento como milagroso. Os monarquistas se dividiram em modalistas, a quem afirmaram que Cristo fosse outro homem para o mesmo Deus ou uma emanação do Logos divino encarregado de transmitir sua mensagem, patripasianistas, a quem sustentavam que foi o mesmíssimo Deus-Pai quem havia vindo a terra e havia morrido.

8. Monofisismo / Eutiquianismo: afirma que em Cristo existe uma só natureza, a divina.

9. Nestorianismo: proposta pela primeira vez no quinto século, esta doutrina afirmava que no “Verbo” (Jesus Cristo, tal como está descrito no Evangelho de São João 1:1) existiam duas pessoas: a divina (Cristo, filho de Deus) e a humana (Jesus, filho de Maria). Na cruz, por outro lado, só havia morrido um humano. Para o Catolicismo, em contraste, o Filho era uma só pessoa das três que integram a Trindade. Foi condenada no Concílio de Éfeso. Atualmente os cristãos assírios, no Iraque, mantiveram esta crença. Essa doutrina atualmente é sustentada pela Igreja Assíria do Oriente e pela Fraternidade Rosacruz.

10. Origenismo: proscrita no segundo Concílio de Constantinopla, afirmava a imortalidade da alma humana (o Catolicismo nessa época afirmava que a alma só é criada no momento da concepção biológica). Uma dessas almas havia sido a do Cristo, que se encarnou com o objetivo de proporcionar a salvação aos homens.

11. Priscilianismo: Agostinho, Turíbio de Astorga, Papa Leão Grande e Orósio difundiram a ideia que Prisciliano, um pregador do quarto século baseado nos ideais de austeridade e pobreza, tido como herético por supostamente por negar o dogma da Trindade, a encarnação do Verbo, atribuição que Jesus havia tido um corpo falso e maniqueísta. Essas atribuições levaram a sua condenação no Sínodo de Braga. Em 1885 Georg Schepss descobriu na Universidade de Würzburg alguns manuscritos de Prisciliano e provou que as acusações eram falsas e que a teologia dele modernamente seria considerada ortodoxa.


Principais correntes cristológicas desde a Reforma Protestante...
Desde a Reforma Protestante, podemos citar outras correntes com semelhantes crenças, como, por exemplo, as seguintes:

1. Serventismo: originado pelo teólogo e cientista espanhol Miguel Servet, quem em 1531 publicou “Os erros sobre a Trindade” – obra na qual contradizia as alegadas verdades bíblica do dogma trinitário estabelecido no primeiro Concílio de Niceia que dizia que o Filho é o fruto da união do Logos divino com a pessoa de Jesus, nascido por meio de sua mãe Maria milagrosamente. Portanto, segundo Servet, o Filho não é eterno nem é uma pessoa da Trindade, cuja existência nega veementemente definindo-a como “três fantasmas”, o “cão Cérbero de três cabeças”, e define aos que creem em tal doutrina como “triteístas”.

2. Socinianismo: difundido pelo pensador e reformista italiano Fausto Socino, se inspirou em algumas ideias de seu tio Lélio. Fausto foi um dos italianos entusiasmado pelos escritos de Miguel Servet, que se sentiu movido, a examinar a doutrina da Trindade e concluiu que esta não tinha base na Bíblia. Então forçosamente sensibilizado Fausto, pouco a pouco, decidiu deixar para trás sua vida cômoda como homem da corte, compartilhando suas doutrinas com outros. Segundo a história, perseguido pela Santa Inquisição Católica, Lélio Socini viajou para o norte. Chegando à Polônia, encontrou um grupo de anabatistas apelidados de “Os irmãos que rejeitaram a Trindade”. Assim, ele fixou residência na cidade polonesa de Cracóvia e ali começou a escrever em defesa da causa deles. Fausto Socino foi antitrinitário e considerava que em Deus havia uma única pessoa e que Jesus de Nazaré foi só um homem, nascido milagrosamente por vontade divina. Segundo esta confissão, a missão de Jesus na terra foi transmitir o propósito do Pai tal como havia sido revelada, e após sua execução foi ressuscitado por Deus e elevado aos céus, onde adquiriu a imortalidade e onde reina sobre o mundo desde então.

3. Irmãos poloneses: grupo racionalista polonês antitrinitário que foi precursor do Iluminismo.

4. Igreja Unitária Magiar: fundada em 1568 por Fransisc Dávid, possui congregações na Hungria e Transilvânia. O Unitarianismo Magiar crê que Jesus foi gerado por Deus e glorificado, mas não deve ser adorado.

5. Unitarianismo: na Inglaterra doutrinas antitrinitárias apareceram desde 1548 como John Assheton. George van Parris (1551), Patrick Pakingham (1555), Matthew Hamont (1579), John Lewes (1583), Peter Cole (1587), Francis Kett (1589), Legate (1612), Edward Wightman (1612) foram queimados por professar doutrinas unitárias. Em 1648, negar a Trindade foi considerado crime capital. Mas dois anos depois John Knowles foi um pregador leigo ativo em Chester. Em 1712, Samuel Clarke iniciou uma polêmica ao publicar “Scripture Doctrine of the Trinity” e depois a ideia teria influenciado Isaac Newton. Pregadores congregacionalistas como Joseph Priestley e Thomas Belsham e anglicanos como Theophilus Lindsey organizaram congregações unitárias em 1773 na Inglaterra. Ao mesmo tempo nas colônias inglesas na América do Norte a Igreja Congregacional passava por um cisma, que teve como figuras influentes Charles Chauncy, William Ellery Channing e os presidentes John Adams e John Quincy Adams. Mais tarde, a Associação Unitária Universalista tornou-se não-credal, não-dogmática e próxima do agnosticismo.

6. Testemunhas de Jeová: embora sejam cristãs, não apoiam alguns dos ensinos da cristandade em geral, pois segundo elas, alguns se baseiam nos cultos pagãos do Oriente Médio. Afirmam ainda que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que teve uma vida pré-humana nos céus como a primeira criação de Deus, e, que durante seu período na terra foi um homem perfeito, equivalente à alma perdida do primeiro homem, Adão e não Deus Todo-Poderoso em forma de homem. E que ele foi morto numa estaca de tortura, como supostamente eram executados os criminosos comuns no Império Romano e voltou à sua primeira condição espiritual quarenta dias depois de sua ressurreição e que reina nos céus atualmente.

7. Pentecostais do nome de Jesus: surgido em 1913, acredita que Deus possui três manifestações (Sabelianismo), sendo os termos Pai, Filho e Espírito Santo meros nomes.


sábado, 20 de dezembro de 2014

“Chuva de sangue”: fato, farsa, mistério, algo sobrenatural, um milagre?!

Chuva de sangue”, ou “chuva vermelha”, é um fenômeno em que se percebe que sangue estaria caindo do céu junto com a chuva, ou no lugar da chuva. Os casos registrados são vários, e vão desde as poesias de Homero até vilas medievais e, mais recentemente, na Índia. Antes do século 17, acreditava-se que a chuva realmente fosse sangue e era usada pelas pessoas como se fosse o anúncio de um mau presságio ou anúncio de que Deus não estava se agradando com a população da terra e, assim, faria um banho de sangue.

Os casos registrados de “chuvas de sangue” cobrem uma pequena área, ao contrário de chuvas de verão e frentes frias. A duração de tempo, também, geralmente é bastante curta demorando somente uma pancada de, no máximo, duas horas – de acordo com todos os registros meteorológicos e históricos feitos até hoje. Só por volta do século 17 que as explicações científicas para o fenômeno foram sobressaindo às explicações sobrenaturais, mas estas ainda existem. No século 19, alguns cientistas começaram a coletar água desse tipo de chuva e criou-se a teoria de que a poeira suspensa no céu faria a chuva ficar desta cor avermelhada. Hoje há muitas teorias envolvendo a “chuva de sangue”, como a da poeira de chuva, ou devido à presença de micro-organismos específicos. As últimas ocorrências deste tipo de chuva foram em Kerala, Índia, em 2001 e em 2007.


Historiografia do fenômeno e uso na literatura...
Ocorrências de “chuva de sangue” aparecem em toda a história da Humanidade, desde a Antiguidade até os dias atuais. O mais antigo exemplo literário está na “Ilíada”, de Homero, quando Zeus, por duas vezes, manda uma chuva de sangue à terra para alertar os humanos sobre massacres em batalhas. O mesmo acontece num texto grego de Hesíodo. Críticos literários apontam que Hesíodo poderia ter sido influenciado por Homero, que por sua vez foi influenciado por uma chuva real. Plutarco também fala de “chuva de sangue” na cidade de Roma logo após ela ter sido fundada pelos irmãos Romulo e Remo. Alguns autores romanos também registraram na Itália pelo menos quatro “chuvas de sangue” e também indicaram o fenômeno como péssimo presságio.

Eventos incomuns como a “chuva de sangue” era considerados como péssimos presságios durante a Antiguidade, e esse pensamento permaneceu durante a Idade Média e o início da Idade Moderna. Entretanto, no norte da Europa, esse fenômeno era considerado como um milagre de Deus porque, na Bíblia, Jesus deu seu sangue na cruz pela Humanidade. Em 685, na Inglaterra, há a história de que a “chuva de sangue” também transformou manteiga, queijo e leite em puro sangue. Gregório de Tours anota que em 582 d.C., nos arredores de Paris, uma “chuva de sangue” caiu sobre diversas pessoas causando muito pânico e horror. Em 1190, também em Paris, houve outra ocorrência parecida, também causando enorme pânico na sociedade do medievo, que via todos acontecimentos com olhares sobrenaturais.


Muitos trabalhos escritos que falam da ocorrência de “chuvas de sangue” foram escritos muito tempo depois dos eventos. Por exemplo, o escrito do século 14, do Monge Ralph Higden, afirma que em 787 houve “chuva de sangue” na Irlanda e que isso foi um presságio de uma terrível invasão viking. Outro escrito do século 12 aponta que em 868, na Escócia, também houve pelo menos três “chuvas de sangue” antes de outra invasão viking muito sangrenta que culminou no assassinato de vários monges enquanto suas abadias eram saqueadas.

Durante o reinado de Ricardo Coração de Leão, na Inglaterra, houve a ocorrência de “chuva de sangue” em Londres, que acabou sendo interpretada pela população como sendo um presságio sobre a forte determinação do rei em seus empreendimentos. Alguns entenderam como reprovação divina aos atos do rei; outros entenderam como total aprovação de Deus, que dava seu sangue para o reinado em troca de total fé. Na Alemanha, uma tempestade com episódio de “chuva de sangue”, em 1348, foi vista como um péssimo sinal durante a Peste Negra. Esse fenômeno ganhou maior exposição no século 16, durante a Reforma Protestante: para os seguidores de Lutero, isso era um sinal dos céus de que Deus estava descontente com a Igreja católica. Ainda em território alemão, poucos foram os indivíduos que acreditavam em causas naturais para essas “chuvas de sangue”.

Na Europa, houve mais ou menos 30 casos registrados de “chuva de sangue” entre os séculos 13 e 15. E mais de 190 casos registrados no mesmo continente entre os séculos 16 e 17. Logo depois, entre os séculos 18 e 19, foram registradas 187 ocorrências de “chuva de sangue” em toda Europa. Como sinal milagroso há muitos testemunhos, mas a ciência só foi se interessar com maior profundidade nesse fenômeno no final do século 20, início do século 21, com os registros indianos e paquistaneses de “chuva de sangue”.


Explicações possíveis para o estranho fenômeno...
Enquanto a maior parte dos antigos autores, tais como Hesíodo e Plínio, tendem a descrever a tal chuva como atos dos deuses, Cícero foi o único do período a ter a ideia de que a “chuva de sangue” poderia ter motivos da natureza, ou seja, causas biológicas e fatores naturais. De acordo com o filósofo Heráclito, as duas “chuvas de sangue” no épico “A ilíada” poderiam ser somente água avermelhada, e não sangue propriamente dito. Naqueles tempos, comentaristas naturalistas acreditavam até que a “chuva de sangue” era causada pela evaporação do sangue no solo depois de épicas batalhas, e isso seria a explicação de o fenômeno ocorrer esporadicamente e em uma pequena área.

Durante o século 19 houve maior tendência em examinar cientificamente os fenômenos conhecidos como “chuva de sangue”. Alguns cientistas tentaram conduzir experiências na Academia de Ciências de Berlim, criando chuva a partir de poeira de terra vermelha, por exemplo; a experiência foi bem sucedida e começou-se a compreender que a “chuva de sangue” poderia ser a mistura de terra vermelha com restos de vegetais e animais decompostos. As experiências posteriores feitas na Europa compreenderam que o pó da chuva tinha origem africana, provavelmente vinda das enormes tempestades de areia vindas do Saara, levadas até o continente europeu durante os verões. Essa tem sido a explicação usada até hoje para os fenômenos de “chuva de sangue” na Europa desde antes da Idade Média.

Outros estudos científicos também dão possíveis respostas para a “chuva de sangue”. Por exemplo, a chuva que caiu na Índia mais recentemente está conectada a bactérias vindas de pântanos próximos à cidade de Kerala, onde o fenômeno acabou se tornando mais popular. Essas bactérias, quando em decomposição com produtos orgânicos, fazem a água ficar de coloração avermelhada e elas se alimentam de matérias orgânicas vindas de poluição (como esgoto doméstico).


Como podemos observar e compreender neste post, muitas vezes os fenômenos sobrenaturais não têm nada de sobrenatural. São falhas na interpretação científica ou excesso de superstição de um povo em determinado tempo histórico (como a compreensão medieval para a “chuva de sangue”). Hoje podemos compreender, através da ciência, que há duas explicações plausíveis e bastante possíveis para este fenômeno que ainda faz muitas pessoas ficarem extremamente assustadas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sodoma e Gomorra: destruição de cidades pecadoras. Fato ou farsa?!

Sodoma e Gomorra são, de acordo com a Bíblia, duas cidades que teriam sido destruídas pela justiça de Deus com fogo e enxofre do céu. Segundo o relato bíblico, as cidades e os seus habitantes foram destruídos por Deus devido à prática de atos “imorais”. Entretanto, arqueólogos nunca encontraram nenhuma evidência significativa da existência de Sodoma e Gomorra. Mas outros dizem que há os primeiros sinais de evidências no meio do deserto, sim.

Um fato interessante é que “Sodoma e Gomorra” se aplica, por extensão, às cinco cidades-estado do Vale do Sidim, no Mar Morto. As cidades eram: Sodoma, Gomorra, Admá, Zebolim e Bela (também conhecida como Zoar).


O Vale do Sidim era descrito como um lugar paradisíaco. Ocupava uma área aproximadamente circular no vale inferior do Mar Morto, atualmente submerso pelas suas águas salgadas. A região é chamada em hebraico de “Kikkár” que significa “bacia”. A pequena península na margem oriental do Mar Morto é chamada em árabe de “El-Lisan” que significa “A língua”. Desde a península de El-Lisan ao extremo sul, se estenderia o Vale do Sidim. O seu fundo registra uma profundidade de 15 a 20 metros, enquanto para norte da península, o fundo desce rapidamente para uma profundidade de 400 metros.

Os crimes da região...
Após o retorno de Abraão do Egito, o relato bíblico menciona que os habitantes de Sodoma eram grandes pecadores contra Deus. Porém, isso não impediu uma coexistência pacífica entre os habitantes de Sodoma com o patriarca Abraão, e com o seu sobrinho, Ló. Alguns escritos judaicos clássicos enfatizam os aspectos de crueldade e falta de hospitalidade com forasteiros. Uma tradição rabínica, exposta na Mishnah, afirma que os pecados de Sodoma estavam relacionados à ganância e ao apego excessivo à propriedade, e que são interpretados como sinais de falta de compaixão. Alguns textos rabínicos acusam os sodomitas de serem blasfemos e sanguinários.

Outra tradição rabínica indica que Sodoma e Gomorra tratavam os visitantes de forma sádica. Um dos crimes cometidos contra os forasteiros é quase idêntico ao de Procusto, na mitologia grega, dizendo respeito à “cama de Sodoma” na qual os visitantes eram obrigados a dormir. Se os hóspedes fossem mais altos, eram amputados, se eram mais baixos, eram esticados até atingirem o comprimento da cama.


O fato é que os textos judaicos originais não falam que os habitantes destas cidades praticavam a homossexualidade, que acabou ganhando no campo da linguística os sinônimos de “sodomia” e “sodomita”. O que os textos falam é da corrupção para com os visitantes e esta questão da “cama de Sodoma”, que seria um método de tortura para conseguir as poucas riquezas dos viajantes. Por essas corrupções que os judeus primitivos escreveram que a região de Sodoma e Gomorra estava infestada de corrupção.

O processo de destruição das cidades...
Segundo o livro de Gênesis, dois anjos de Deus dizem a Abraão que “o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito”. Abraão então intercede consecutivas vezes pelo povo sodomita, e Deus ao final lhe responde que, se houvesse em Sodoma dez justos na cidade, ela não seria destruída. Nesse mesmo dia, os dois anjos que visitaram Abraão descem à cidade e são hospedados na casa de Ló. Segundo algumas versões da Bíblia, antes de se deitarem, os homens da cidade cercaram a casa de Ló para terem relações sexuais com seus dois hóspedes. Ló então sai na defesa dos anjos, oferecendo suas filhas virgens para saciar o desejo da multidão.


Ferindo com cegueira os homens que estavam juntos à porta da casa de Ló, os anjos retiram o patriarca e sua família da cidade e lhes dá a ordem de seguirem sempre em direção das montanhas sem olharem para trás. A mulher de Ló desobedeceu à ordem dada pelos anjos e olhou para trás e foi transformada em estátua de sal. Então, de acordo com Gênesis, inicia-se a destruição de Sodoma e de toda a planície daquela região.

Em 2008, o “Planisfério” descoberto por Henry Layard em meados do século 19 foi analisado pelos pesquisadores Alan Bond, da empresa Reaction Engines e Mark Hempsell, da Universidade de Bristol, e eles descobriram que a placa foi escrita por um astrônomo sumério onde os relatos datavam da noite do dia 29 de junho de 3123 a.C. no calendário juliano. Os pesquisadores afirmam que metade da placa contém informações sobre posições planetárias e de nuvens e a outra metade é uma observação de um asteroide com dimensões maiores de um quilômetro.

Segundo Mark Hempsell, de acordo com o tamanho e rota descritos, há a possibilidade deste asteroide ter se chocado contra os Alpes austríacos, região de Köfels. Não houve cratera que pudesse evidenciar explosão, pelo fato deste ter voado próximo ao chão, deixando um rastro de destruição causado pela onda supersônica. Seu rastro teria gerado uma bola de fogo com temperaturas próximas a 400°C, e devastado aproximadamente uma área de um milhão de quilômetros quadrados.


Hempsell sugere que a nuvem de fumaça consequente da explosão do asteroide atingiu o Monte Sinai, algumas regiões do Oriente Médio e o norte do Egito, vitimando diversas pessoas. A escala de devastação se assemelha com o relatado no Antigo Testamento na destruição das cidades de Sodoma e Gomorra.

Pesquisas de campo realizadas por arqueólogos na região do Vale do Sidim, em 2010 e 2011, mostraram que a história envolvendo a destruição do grupo de cidades bíblicas pode ser, sim, verdadeira. Escavações na área mostraram que abaixo de uma grossa camada de areia e rocha do deserto, há uma camada escura como que queimada e pequenos grãos de areia vítreos, criados somente em altíssima temperatura. Desta maneira, parece ser verdadeira a teoria de que um corpo celeste tenha caído sobre a Terra naquele dia fatídico, culminando na destruição de uma área gigantesca da Europa, Oriente Médio e norte da África.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Magnetoterapia: fato, farsa ou um novo recurso clínico?!

Magnetoterapia é uma terapia praticada pela medicina alternativa baseada na suposta influência dos campos magnéticos estáticos sobre o corpo humano. Os adeptos desta prática afirmam que ela seria capaz de tratar efetivamente diversas doenças, sobretudo de ordem reumática. Tais afirmações, todavia, carecem de base científica. No Brasil, esta terapia passou a fazer parte da atuação do profissional fisioterapeuta a partir da Resolução COFFITO nº 380/2010, o que gerou protestos dos profissionais mais céticos.


Reconhecimento científico...
Embora tratamentos baseados na aplicação de campos magnéticos tenham encontrado aceitação na cultura popular praticamente desde que os ímãs foram descobertos, há total falta de evidências científicas sobre a eficácia destes métodos. Alguns estudos controlados sugerem que campos magnéticos estáticos (tais como os gerados por ímãs) não causam nenhuma ou quase nenhuma influência sobre o corpo humano, mesmo em intensidades de grandeza maiores que as praticadas nestas terapias.

Isto porque os ímãs só exercem poder sobre alguns tipos de metais, e nenhuma influência direta sobre o corpo humano. Somente “ímãs gigantescos”, como o planeta Terra é, gerariam algum efeito sobre todos os corpos, causando, por exemplo, a gravidade dos corpos – puxando tudo para o chão.

Críticos desta terapia acrescentam ainda que algumas pessoas, como os operadores de equipamentos de ressonância magnética, são expostos frequentemente a campos magnéticos extremamente intensos (superiores a um tesla) sem nenhum efeito observado em sua saúde (seja benéfico ou não).


Exploração comercial...
Existem no mercado diversos dispositivos destinados à magnetoterapia, tais como pulseiras, colchões, travesseiros e até mesmo magnetizadores de água. Os estudos que existem apontam que nenhum destes dispositivos fazem nenhuma intervenção no corpo humano, sejam elas benéficas ou maléficas, como dito anteriormente. Entretanto, as vendas mundiais da indústria relacionada à terapia magnética somam mais de um bilhão de dólares americanos por ano.

Um relatório da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos sobre atitude e entendimento público observou que a terapia magnética não é “nem um pouco científica”. Numerosos vendedores fazem afirmação sem fundamentos sobre a terapia magnética usando pseudociência e linguagem “New Age” – como vários tratamentos de teorias duvidosas, como a cromoterapia e a cristaloterapia. Tais afirmações não encontram guarida em resultados de estudos científicos e clínicos.


sábado, 13 de dezembro de 2014

Caso Aztec: outro classico ufológico ou mais uma enorme farsa?!

No post de hoje vamos abordar um assunto que, talvez, seja o caso ufológico mais famoso depois de Roswell. Trata-se do chamado “caso Aztec”, algumas vezes conhecido como “incidente de Aztec”. Este caso ainda levanta um caloroso debate entre ufólogos e militares, entre crédulos e céticos, pois há evidências de que tenha sido uma farsa, mas também possíveis evidências de que tenha sido verdade.


Em 1948, na cidade de Aztec, no estado do Novo México, nos Estados Unidos, surgiu uma história às vezes conhecida como “o outro Roswell” – isso porque ocorreu pouco tempo depois do famosíssimo incidente de um Ovni na cidade de Roswell. De acordo com os militares, o caso trata-se da possível queda de um falso disco voador e assunto do livro “Por trás dos discos voadores”, de Frank Scully, um famoso ufólogo da década de 1950.

O possível incidente sendo narrado...
No início de março do ano de 1948, um objeto voador não-identificado foi relatado sobrevoando a região do Laboratório Nacional Aeronáutico de Los Alamos, no Novo México. Aproximadamente duas semanas depois, em 25 de março, no Cânion Hart, um Ovni similar foi relatado aterrissando depois de quase ter sido atingido por equipamentos militares secretos instalados no deserto. Supostas testemunhas afirmaram que dezesseis humanoides mortos foram encontrados perto da aeronave e a aeronave por si mesma teria 30 metros de diâmetro, o que seria o maior disco voador encontrado até então, um caso superior em curiosidade ao de Roswell.

A espaçonave teria sido feita com um material que não esquentava. E todos os humanoides encontrados pareciam ser crianças. Outros relatórios supostamente feitos pelos militares parecem ter sido mais bem detalhados: as criaturas aliens teriam 90 centímetros de tamanho e cerca de 20 quilos de massa.


As testemunhas afirmaram à época que logo depois de o Ovni ter sido abatido, vários jipes militares apareceram, isolaram e limparam a área de evidência, inclusive os corpos dos aliens e o disco voador. Em sequência, teriam sido levados ao famoso Hangar 18, na Base Aérea Wright-Patterson, que seria o local de desova de aliens e discos voadores capturados (recentemente, neste blog, falamos um pouco sobre a história envolvendo este hangar, nesta base aérea).

Alguns ufólogos dizem que o caso Aztec abriu a estreita relação entre os militares norte-americanos e os alienígenas, juntando corpos para pesquisa e recolhendo possíveis Ovnis e Osnis para trabalhos de engenharia reversa. Ainda de acordo com o que foi narrado por Scully em seu livro, pelo menos 18 militares sofreram gravíssimos problemas de câncer ou morreram por altíssimos níveis nucleares em contato com o Ovni e os corpos humanoides.

Esse incidente deu à luz o Simpósio Ovni de Aztec, que ocorria anualmente na cidade de Aztec, de 1997 a 2002. Cientistas notáveis e outras pessoas de renome participaram dos debates e palestras, incluindo possíveis testemunhas do ocorrido em 1948, ufólogos, engenheiros da Nasa, aviadores, militares aposentados que estavam na ativa nesta época, entre outros.


A possível boataria...
Silas Newton e Leo Gebauer tinham viajado por Aztec na tentativa de vender dispositivos mecânicos desconhecidos que eles chamavam “doodlebugs”. Eles alegavam que esse maquinário poderia encontrar petróleo, gás natural e ouro, tudo baseado em tecnologia alien. Para sustentar suas alegações de tecnologia superior, relataram a queda de um disco voador por Frank Scully para algumas revistas de renome nos Estados Unidos. Na época, final dos anos 40, o caso foi publicado, mas não havia aparecido nenhuma testemunha. Quando o jornalista J.P. Cahn, jornalista do “San Francisco Chronicle”, pediu a Newron e Gebauer uma amostra desta suposta tecnologia alienígena, o que eles entregaram foi uma chapa de metal, que, quando testada em laboratório, era uma simples chapa de alumínio. Quatro anos mais tarde, a fraude foi revelada na revista “True”. Depois que o caso foi exposto na mídia, muitas vítimas da dupla vieram à tona. Uma das vítimas foi o milionário Herman Glader, que apresentou queixa formal na justiça. Por fim, os dois foram condenados por fraude em 1953.

De modo geral, Silas Newton e Leo Gebauer usaram o suposto enredo do caso Aztec para vender o equipamento “doodlebugs”, o que fez popularizar em todo território norte-americano a história deste suposto abatimento militar no Novo México. Foi graças a essa fraude que muitos céticos até a data atual entendem que o caso Aztec foi um tremendo engodo.

Memorando do FBI sobre o caso...
Em abril de 2010, entusiastas da ufologia descobriram o que se tornou mais bem conhecido como “Memorando Hottel”, que estava disponível a visitações no site de arquivos do FBI. No entanto, o memorando nunca fora classificado, e não chegou a entrar na história da ufologia clássica porque nunca havia despertado nenhum interesse.

O documento contém o testemunho de um homem chamado Guy Hottel, que era o agente do FBI no escritório de Washington nos anos 40 e 50. As páginas eram endereçadas a Edgar Hoover e anexadas aos arquivos do FBI. Mais tarde descobriu-se que a história de Hottel era o testemunho de um outro testemunho de 06 de janeiro de 1950, em um artigo publicado em Kansas City. Por si só o testemunho do jornal era a história de um vendedor de carro e de um radialista local.


Depois que se popularizou o “Memorando Hottel”, em dois anos ele recebeu mais de dois milhões de visitações. Em 2013, finalmente, o FBI passou um comunicado oficial à imprensa falando sobre este documento. De acordo com o comunicado, “o memorando não prova a existência de discos voadores; trata-se somente de uma história investigada em terceira versão, contada a uma pessoa, que contou para outra, e para outra e finalmente até Hottel, mas nunca investigada pelo FBI, sendo deixada no arquivo morto. Algumas pessoas creem que o memorando repete uma boataria que circulava nos Estados Unidos naquele tempo, mas o escritório do FBI não tem nenhuma informação para verificar essa teoria”.

Mais sobre o incidente de Aztec...
Entre a segunda metade da década de 50 até o início da década de 70, a maior parte dos investigadores ufológicos considerou o assunto com certo ceticismo e até chegou a evitar comentar sobre ele, por causa da bruma de boataria. Entretanto, no final dos anos 70, Leonard Stringfield propôs que não somente o incidente era real, mas que a aeronave capturada era apenas uma de muitas outras preservadas pelo Exército dos Estados Unidos. Mais tarde, na década de 80, muitos livros foram escritos e o assunto explorado exaustivamente; nos anos 90 foi a vez da série de documentários de TV instigando as pessoas a raciocinarem se o caso Aztec era um fato ou uma farsa.

Em 2011, um livro publicado nos Estados Unidos trouxe duas versões para o referido caso: (1) tratava-se de um experimento secreto da Aeronáutica, bem característico do período de anos de chumbo da Guerra Fria, quando havia muita espionagem entre os Estados Unidos e a União Soviética e ação do Comitê do Macartismo (contra possíveis comunistas em território norte-americano); ou então (2): a tentativa de criação de um novo caso Roswell para colocar Aztec num roteiro turístico curioso, uma vez que a comunidade de Roswell passou a ganhar muito dinheiro os visitantes e curiosos na história do clássico ufológico.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O que é o “arrebatamento”?! Fato, farsa ou uma esperança para todos nós?!

Nos últimos anos muitas pessoas têm reparado em veículos que ostentam um curioso aviso em forma até de advertência: “Cuidado: em caso de arrebatamento, este veículo ficará desgovernado”. E, assim, muitas pessoas acabaram ficando curiosas sobre o que seria o arrebatamento. O primeiro fato é que estamos falando de um assunto religioso monoteísta muito forte, de enorme densidade.


O arrebatamento é um conceito que está presente em algumas interpretações das escatologias cristã e islâmica, inclusive o dispensacionalismo, criadas a partir do século 19, cujo pontapé inicial foi dado pelo ministro anglicano John Nelson Darby. É uma interpretação de vários livros bíblicos, como, por exemplo, o Apocalipse, livro da revelação dada ao apóstolo João sobre o futuro da humanidade. Trata-se de um momento no qual Jesus resgataria os salvos para a Nova Jerusalém, deixando na Terra os demais seres humanos que não o aceitaram como salvador.

De acordo com a maioria das pessoas que advogam essa tese, após o arrebatamento, haverá um grande caos na terra durante sete anos (três anos e meio de falsa paz e três anos e meio de guerras), com o governo do Anticristo (líder político mundial), do falso profeta (líder religioso ecumênico) e da Besta (o deus da religião do futuro). Esse período é chamado de “Grande Tribulação”. Após os sete anos, Jesus voltaria novamente junto com os salvos para reinar no nosso planeta por mil anos. Após o milênio irá acontecer o Juízo Final e a construção do “novo céu” e da “nova Terra”.


Para quem ainda não compreendeu, o arrebatamento seria o ato de ir para o Paraíso Celeste (o Céu religioso) sem passar pelo processo de morte do corpo e desprendimento da alma. Assim, na cultura católica há vários personagens que teriam sido arrebatados – foram para o céu em corpo físico. No Islamismo, de acordo com as tradições, tanto Maomé, como Abraão, teriam sido arrebatados aos Céus por terem sido enormemente misericordiosos aos olhos de Deus.

Continuando o assunto...
Segundo algumas interpretações de certas passagens bíblicas – tais como Primeira Epístola aos Tessalonicenses 4, 13-17, I Corintios 15, 51-52 e Mateus 24, 40-41 –, alguns textos bíblicos apresentam esta doutrina como uma realidade que impulsiona a fé e a esperança de um futuro sem dores, tristeza e morte. Essa seria a grande verdade, pois todos os cristãos têm uma esperança bendita da manifestação da glória de Deus. No Antigo Testamento também se refere ao arrebatamento de Elias, não sendo muito claro o significado deste acontecimento.

A exegese católica não crê em um arrebatamento nestes termos e tampouco nos mil anos literalmente falando que, para a mesma, consistiriam no lapso de tempo entre a ascensão de Jesus e os tempos em que vivemos, mas na Parusia, que é a segunda vinda de Jesus Cristo no final dos tempos e sua manifestação gloriosa ao mundo para julgar pessoalmente cada homem segundo sua fé e obras e a história humana. Os justos seriam salvos e gozariam a vida eterna, a criação será renovada e os maus condenados à eternidade sem Deus, que é o inferno.


O conceito popularizou-se em anos recentes, tanto pelo avanço do esforço missionário pentecostal quanto pela difusão de obras que tentam divulgar esse conceito, das quais a mais notável é a série “Deixados para trás”.

Na teologia protestante, a que mais prega o conceito de arrebatamento de qualquer ser humano que esteja bem-visto aos olhos de Deus, acredita-se que Jesus já veio, morreu e reviveu e virá para buscar a igreja, porém antes desta segunda vida relatada na Bíblia, haverá o grande arrebatamento da igreja, que será a subida do Espírito Santo, e em seguida os selos serão desatados e as trombetas tocarão e começará o grande Apocalipse, e esta é a teoria mais originalizada dentro da Bíblia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Macaco-de-loys: fato, farsa ou erro de identificação?!

Hoje vamos falar sobre uma história interessante e no mínimo curiosa envolvendo a região amazônica, na América do Sul. Uma criatura possivelmente descoberta e que ligaria todas as histórias envolvendo o Homem e os macacos, o Pé-grande, o Yeti etc. O macaco-de-loys ou Ameranthropoides loysi (nome científico não oficial) foi uma estranha criatura semelhante a um macaco foi morta a tiros em 1917, na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia pelo geólogo suíço François de Loys. A criatura era semelhante a um hominídeo, não tinha rabo como um macaco, possuía 32 dentes e tinha aproximadamente de 1m65 de altura.


Suposto encontro com a criatura...
François de Loys conduzia uma expedição em busca de petróleo próximo ao Rio Tarra e o Lago Maracaibo, quando duas criaturas avançaram em direção do seu grupo. No intuito de se defender, Loys disparou contra as criaturas. O macho correu em direção à selva e a fêmea foi atingida e morta. A criatura foi fotografada e as fotos foram guardadas por Loys.

Publicação da foto...
François de Loys não revelou a mais ninguém sobre a criatura quando retornou à Suíça. Mas em 1929 o antropólogo George Montadon, que estava procurando informações nas anotações de Loys sobre tribos indígenas da América do Sul descobriu a foto e convenceu Loys a publicá-la num jornal inglês. Mais tarde, várias matérias foram publicadas em França sobre a misteriosa criatura e George Montadon propôs o seu nome científico à Academia Francesa das Ciências.


Discordância com a “nova criatura”...
A existência do Ameranthropoides loysi nunca foi comprovada ou aceita pela comunidade científica. Loys foi muitas vezes criticado por Arthur Keith, um intelectual britânico. Não é possível saber o tamanho do macaco-de-loys pela fotografia. O criptozoologista Ivan Terrance Sanderson também defende que o macaco-de-loys era apenas um macaco-aranha (fotos abaixo).



Aquela criatura poderia ser a explicação para o registo visual de criaturas como yeti, sasquatsh e mapinguary. Anos mais tarde, a comunidade científica entrou em acordo de que o macaco-de-loys era apenas um macaco-aranha que teve seu rabo cortado. No entanto é estranho encontrar um macaco-aranha tão grande. Alguns cientistas defendem que o macaco-de-loys é uma espécie exótica de macaco-aranha.

sábado, 6 de dezembro de 2014

A mitologia dos ciclopes: fato ou farsa?! Seres que existiram vindos das estrelas?!

Os ciclopes (palavra de origem grega “kúklóps”, “olho redondo”) eram, segundo a mitologia grega, gigantes imortais com um só olho no meio da testa que, segundo as poesias, trabalhavam com o deus Hefesto, deus do ferro, como ferreiros forjando os poderosos raios usados por Zeus, o deus dos deuses de acordo com a tradição antiga da Grécia.


De acordo com os folcloristas especializados em mitologia antiga, os ciclopes podem ser divididos em dois grupos de acordo com o tempo de existência: os ciclopes antigos (ou primeira geração) e os ciclopes jovens (ou nova geração, ou ainda, segunda geração).

Eles aparecem em muitos mitos da Grécia, porém com uma origem bastante controversa. De acordo com sua origem, esses seres são organizados em três diferentes espécies: os urânios, filhos de Urano e Gaia; os sicilianos, filhos do deus dos mares Possêidon; e os construtores, que provêm do território da Lícia.


Os ciclopes urânios...
Arges, Brontes e Estéropes são considerados os ciclopes mais antigos, descendendo de Urano e Gaia. Diz a lenda que, ao nascerem e por causa de seus enormes poderes, seu pai Urano, senhor dos céus, trancou-os no interior da Terra com seus irmãos, os hecatônquiros, gigantes de cem braços e cinquenta cabeças. Gaia, enraivecida por ter os filhos presos no Tártaro, incita-os a apoiar a guerra travada por cinco dos seis titãs, também seus filhos com Urano, a fim de tomar o trono do pai que, à época, governava o céu. Os titãs vencem, porém os ciclopes são enviados novamente para o abismo do Tártaro após uma série de traições.

Por vezes, Zeus, assim como seus irmãos Possêidon e Hades, libertava os ciclopes com a intenção de tê-los como aliados na guerra contra Cronos e os titãs. Os ciclopes, como bons ferreiros, forjaram armas mágicas e poderosas para os irmãos: Zeus recebera raios e relâmpagos; Possêidon, um tridente capaz de provocar terríveis tempestades; e Hades, o Elmo do Terror, que lhe dava invisibilidade.

Tempos depois, quando os ciclopes já eram considerados ministros de Zeus e seus ferreiros permanentes, o grande deus percebeu uma ameaça no médico Asclépio, filho do deus Apolo. Asclépio, por meio de muito estudo, conseguiu fazer ressuscitar os mortos. Então, para que isso não causasse qualquer impacto com a ordem do mundo, Zeus decidiu exterminá-lo. Transtornado e ofendido com a ira de Zeus sobre seu filho, Apolo decidiu matar os ciclopes que fabricavam os seus raios. Há indícios de que não foram os ciclopes que morreram pelas mãos de Apolo, mas sim seus filhos.


Os ciclopes sicilianos...
Essa raça é retratada nos poemas homéricos como gigantescos e insolentes pastores fora da lei, os quais habitavam a parte sudoeste da Sicília. Não se importavam muito com a agricultura e todos os pomares cultivados naquelas terras eram invadidos por eles, quando procuravam por comida. Registra-se que, por vezes, comiam até mesmo carne humana. Por este motivo, eram considerados como seres que não possuíam leis ou moral, morando em cavernas, cada um deles com sua esposa e filhos, os quais eram disciplinados de forma bastante arbitrária pelos mesmos.

Ainda segundo Homero, nem todos os ciclopes possuíam apenas um olho no centro da testa, entretanto Polifemo, que era considerado o principal dentre todos os outros, esse sim tinha apenas um olho em sua testa. Homero ressalta, ainda, que os ciclopes descritos em seus poemas não serviam mais a Zeus e desrespeitavam o grande deus grego.

Segundo Virgílio e Eurípedes, os ciclopes eram assistentes de Hefesto e trabalhavam dentro dos vulcões junto com o deus, tanto no Monte Etna, na Sicília, como em outras ilhas mais próximas. Os dois filósofos não os descreviam mais como pastores, mas como ferreiros que trabalhavam para os deuses e heróis, forjando suas armas. O poder dos ciclopes era tão grande que a Sicília e outros locais mais próximos conseguiam ouvir o som de suas marteladas quando trabalhavam na forja (explicação mítica para os sons das explosões nos vulcões da região). Acredita-se que o número de ciclopes tenha aumentado, segundo os poetas, e que sua moradia tenha sido remanejada para a parte sudeste da Sicília.

Há, ainda, um mito sobre os ciclopes mais jovens, ou nova geração. Tais ciclopes eram também gigantes e tinham um olho em suas testas, porém, diferentemente das raças anteriores, eram pastores e viviam em uma ilha chamada Hypereia, conhecida entre os romanos como a Sicília. Foi exatamente um desses ciclopes, Polifemo, que Ulisses encontrou quando de sua viagem de regresso à Ítaca, seu lar. Diz-se que essa nova raça de ciclopes nasceu do sangue do deus Urano que espirrou sobre a Terra, Gaia. Entretanto, Polifemo não era filho de Urano e Gaia, mas de Possêidon com a ninfa Teosa.


Os ciclopes construtores...
Diz-se que há, ainda, uma terceira raça de ciclopes, denominados “construtores”, provenientes do território da Lícia. Esses possuiam grandes poderes físicos e não eram violentos. Seus trabalhos eram muito pesados e nenhum humano conseguiria realizá-lo tão facilmente. Suspeita-se de que esses ciclopes sejam os responsáveis pela construção das muralhas das cidades de Tirinto e Micenas.


Os ciclopes e a teoria dos deuses astronautas...
De acordo com alguns especialistas da teoria dos deuses astronautas, os ciclopes podem, sim, terem existido na face da Terra há muitos milhares de anos. O argumento é que há várias mitologias (grega, romana, hindu, polinésia, nativas norte-americana) diferentes que falam da existência de “homens gigantes” com um só olho na testa.

Para este grupo de pessoas, os ciclopes poderiam ser raças inferiores que os “deuses aliens” trouxeram para trabalhar como escravos aqui no planeta, e não é à toa que se tem este pensamento: em todas as mitologias e folclores que há ciclopes, eles são mostrados como seres fortes, enormes, mas com pouca inteligência e servindo aos “deuses” – seres superiores, talvez alienígenas, conforme pregam as teorias dos deuses astronautas.

Entretanto, em debate sobre este tema com os céticos, é importante lembrar a fala deles: se os ciclopes existiram na Terra como escravos de deuses aliens, por que até hoje não encontramos nenhum resto mortal deste grupo de seres humanoides com um só olho na testa? Fica aí uma pergunta vaga e importante, ainda sem resposta.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Clássico da ufologia: as luzes de Phoenix, fato ou farsa?!

As luzes de Phoenix foram um avistamento de objetos voadores não-identificados que ocorreram sobre a cidade de Phoenix, nos Estados Unidos, na noite de quinta-feira, 13 de março de 1997, e acabou causando grande espanto na população, nas comunidades científica e militar, além de entre os ufólogos. Luzes de várias descrições foram vistas por milhares de pessoas entre as 19h30 e 22h30 (horário local) num espaço de 480 quilômetros em linha reta.


Há dois eventos distintos envolvendo o incidente: uma formação triangular de luzes fora vista passando sobre cidades do Arizona, e uma série de luzes estacionárias foi vista especificamente sobre Phoenix. A Força Aérea Americana identificou, ainda que não oficialmente, disse que as luzes triangulares eram um A-10 Warthog fazendo exercícios militares.

Testemunhas alegam ter visto um enorme Ovni de formato triangular, contendo cinco luzes brancas muito fortes. Fife Symington, governador do Arizona na época, foi uma destas testemunhas e disse, na época, que o que havia visto “com certeza não era deste mundo humano”. Depois de 1997, essas mesmas luzes de Phoenix reapareceram em 2007 e 2008, mas já agora os eventos não caíram na rede ufológica, mas sim militar.

Relatos iniciais...
Por volta das 18h55, hora local, um homem relator haver visto um objeto voador em formato de um “V” sobrevoando a cidade de Henderson, no estado de Nevada. Ele disse que este Ovni tinha o tamanho de um Boeing 747, e fazia o som de um forno de micro-ondas em movimento, mas de maneira mais suave. O tal “V” tinha seis lâmpadas brancas muito fortes e acabou sendo relatado cruzando o céu num percurso de quase 500 quilômetros.

Um policial aposentado de Paulden, Arizona, é a próxima pessoa que relata o ocorrido. Ele estava dirigindo por uma estrada e viu o mesmo “V” passando quase silenciosamente sobre o céu, mas desta vez as luzes brancas estavam alaranjadas (talvez por causa da poeira suspensa no ar). Desta vez, atrás do “V” ainda havia cinco luzes alinhadas seguindo esta aeronave.


Mais tarde, por volta das 20h17, várias pessoas de Prescott Valley começaram a ligar para os serviços de emergência por terem visto a tal aeronave em formato de “V” cruzando o céu silenciosamente sem nenhuma aeronave da Força Aérea interceptá-la. Assim, o mesmo relato, no mesmo dia, em poucos minutos, já aparecia em dois estados diferentes com centenas de testemunhas bastante lúcidas.

A rede internacional de investigação ufológica, MUFON, recebeu o seguinte relatório vindo da área de Prescott Valley: “Enquanto a equipe estava fazendo fotografias do céu com suas estrelas, por ser uma noite limpa e clara, observamos cinco luzes numa formação de ‘V’ se movendo lentamente, do noroeste para o nordeste, até que se virou em direção ao sul e continuou sua viagem tranquila. A formação da aeronave parecia um ‘V’ prolongado com pernas pouco angulares. Durante esse voo podia se ouvir quase silenciosamente o barulho da aeronave, que parecia um vento calmo e nesta noite não havia sinal de vento”.

Mais tarde, a 16 quilômetros de Prescott Valley, em Dewey, sete pessoas ligaram para a emergência alegando terem observado um estranho objeto voador não-identificado parecido com um “V” passando silenciosamente sobre o céu.

Primeiros avistamentos em Phoenix...
Tim Ley e sua esposa Boobbi, seu filho Hal e seu neto Damien primeiro observaram as luzes a uns cem quilômetros de onde eles estavam. Primeiro eram cinco luzes dispostas em uma linha levemente arqueada como se fosse um balão gigantesco. Logo depois repararam que as luzes começaram a se mover na direção deles. Em dez minutos as luzes já estavam sobre Phoenix e causaram grande espanto na população, que ligava em desespero para a polícia e os bombeiros. Como o governador do estado também havia visto os objetos, ele entrou em contato com o aeroporto de Phoenix, e os equipamentos não viam nada nos radares. Por volta das 20h45 os objetos voadores não-identificados já tinham desaparecido totalmente, deixando a população curiosa e as autoridades em desespero.


Aparecimentos em 2007 e em 2008...
Em 06 de fevereiro de 2007 houve outra aparição de estranhas luzes sobre Phoenix. De acordo com o Centro de Aviação Civil dos Estados Unidos, as luzes seriam explicadas por exercícios militares de aviões do tipo F-16. Também em 21 de abril de 2008, luzes novamente foram vistas sobre a cidade; desta vez, as luzes faziam a forma de um diamante no céu e desta vez não houve nenhuma manifestação governamental sobre o avistamento, mas alguns meteorologistas explicaram que, “estranhamente”, eram balões de hélio.

Explicações possíveis para os ocorridos em 1997...
Há alguma controvérsia quanto à melhor forma de classificar e entender os relatos sobre aquela noite de 1997. Alguns defendem que, segundo os relatórios das testemunhas, havia sobre Phoenix uma série de diferentes aeronaves não-identificadas. Isto é amplamente descartado pelos céticos como um excesso de extrapolação do tipo de desvio comum em relatos de testemunhas oculares, necessariamente subjetivas. Os pesquisadores de mídia e mais céticos em grande parte preferiu dividir os avistamentos em duas classes distintas, uma primeira e segunda.

O primeiro evento, o “V” misterioso sobre o céu, é o mais controverso porque foi visto por muitas pessoas em locais diferentes, inclusive o então governador do Arizona. Para os ufólogos, este primeiro “evento” não tem uma explicação plausível uma vez que não há aviões conhecidos com este formato. Entretanto, alguns engenheiros aeronáuticos dizem que poderia ser um voo de teste de alguma aeronave nova da Força Aérea, explicação usada pelo governo. Outros céticos apontam que a forma em “V” é natural em exercícios da Esquadrilha da Fumaça, que estava treinando naquela noite.

O segundo evento foi mais bem documentado por serem as luzes estáticas sobre Phoenix, e acontecera neste mesmo dia. Para alguns céticos, as luzes são as mesmas: aeronaves fazendo exercícios militares à noite; entretanto, pergunta-se: “Como aviões ficam estáticos no céu durante tanto tempo?”. Para engenheiros especializados em aeronáutica, as luzes não passaram de balões especiais para medir o vento e a temperatura, mas os ufólogos explicam que esses apontamentos são extremamente simplórios.

De qualquer forma, parece que continuaremos sem nenhuma explicação certa sobre o que realmente ocorreu naquela noite de 1997 no Deserto do Arizona, sobre a cidade de Phoenix, assim como a repetição do evento em 2007 e em 2008.