sábado, 29 de novembro de 2014

Você conhece o movimento conhecido como “Antimaçonaria”? Conheça hoje!

A Antimaçonaria é um movimento coordenado, mas totalmente autônomo, criado nos Estados Unidos em meados do século 20 e formado, quase majoritariamente, por fundamentalistas religiosos ou ex-maçons, que enveredam críticas à Maçonaria e todo seu poder por diversos motivos, que você vai conhecer nesta postagem. Há também ação antimaçônica organizada por específicos movimentos políticos, cujo maior afloramento ocorreu na Europa para defesa de sua manutenção contra a Maçonaria, vista como opositora natural destes. À parte destes âmbitos religiosos e políticos há também o que se poderia denominar de “antimaçonaria popular” que seria composta pelas opiniões convergentes de indivíduos influenciados por estes e que reproduzem o discurso antimaçônico no âmbito local de suas relações interpessoais.


Esta coordenação da Antimaçonaria não deve ser interpretada como se existisse um órgão central que oriente a ação antimaçônica mundial, centralizando as formas de ação, mas antes se dá pelo fato de seguirem uma metodologia semelhante e tomarem decisões similares, seja no âmbito religioso seja no político, de modo que mesmo separados ideologicamente é possível traçar pontos de contato entre eles que forneçam uma identidade cognoscível ao pesquisador.

Verdade que já existiram movimentos religiosos e políticos antimaçônicos anteriores ao século 20, ou mesmo no seu início (há relatos que em 1738 a Igreja católica já se opôs à Maçonaria por considerá-la anticristã), mas quase sem exceção todos faziam parte de movimentos políticos totalitaristas que pretendiam garantir-se no poder, tais como o Salazarismo, o Fascismo, o Nazismo, o Socialismo e o Comunismo (este determinou a eliminação da Maçonaria em novembro de 1922). Todos proscreveram a Maçonaria de suas terras para que os homens não tivessem um organismo neutro no qual se apoiar contra alguma forma de ditadura.

Algumas expressões políticas norte-americanas, notadamente a fundação do Partido Antimaçônico no século 19, apesar de não transparecerem influência religiosa, mas meramente política, principalmente depois da repercussão do Caso Morgan em 1826, podem ter sido deflagradas como consequência dos movimentos religiosos já vistos até então.


Acusada de ser atualmente formada por fundamentalistas religiosos, a Antimaçonaria preza pela reputação de seus representantes e exporta para o Brasil esta ideologia, o que pode sugerir que a Maçonaria seja uma coisa só em todos os lugares onde esteja e que esta “coisa” é “anticristã” ou politicamente revolucionária. A maioria dos religiosos brasileiros já ouviu falar ou leu artigos de pessoas como Pat Robertson (conhecido por afirmações polêmicas sobre vários temas), David Bay, William Schnoebelen (cristão fundamentalista estadunidense que afirma ter sido satanista), Edward Decker e John Ankerberg, que são os mais expressivos expoentes da Antimaçonaria religiosa norte-americana.

De fato a Maçonaria tem três correntes principais: a Regular, a Irregular e a Paralela (também conhecida como Marginal ou Espúria) e sem que haja uma análise crítica sobre a identidade do tipo de Maçonaria com a qual os antimaçons tiveram contato, a tendência é a anular a diferença entre elas e atacar a todo movimento maçônico indistintamente, pois afirmam que esta diferença nada mais seria que um meio de enganar aos menos atenciosos e simular uma rivalidade “intramaçônica” para que aquela vertente que parecesse mais afeita ao contexto social se inserisse neste meio e instilasse suas estratégias religiosamente sincréticas ou politicamente subversivas.

A Maçonaria Regular seria aquela de origem católico-protestante, iniciada como “Operativa” por volta de 1356 e tornada “Especulativa” em 1717, a qual sempre esteve ligada ora a Igreja católica ora aos protestantes quando a primeira se lhes fez oposição. Atualmente ela se apresenta como neutra em assuntos políticos e religiosos, atendo-se precipuamente aos estudos de filosofia moral pela ótica dos filósofos que existiram desde a Antiguidade até a época presente e mantém seu liame histórico ligado à Grande Loja Unida da Inglaterra e tem tradicionalmente na Bíblia Cristã a sua fonte de explanações morais e metafísicas e fonte da Lei Universal de Deus.

A Maçonaria Irregular pode-se dizer que se compõe de todos os maçons, lojas e potências que não sejam reconhecidos pela Grande Loja Unida da Inglaterra. Abarcam também as chamadas “maçonarias mistas” e “femininas” e pessoas ateias, além de contar com elementos de misticismo totalmente incompatíveis com as origens da Maçonaria Regular. Alguns defendem que o filão descrito como Maçonaria Paralela não deveria utilizar o título “Maçonaria”, pois possui supostamente elementos contraditórios à Maçonaria regular, como, por exemplo, a aceitação em seu meio de místicos pagãos, tal qual bruxos, satanistas, luciferianos e outras correntes similares. A grande maioria dos bruxos do século 19 dela fez parte, tais como Eliphas Lévi, alguns teósofos, Annie Besant, Aleister Crowley (o mais famoso deles), Reuss e Anton LaVey, entre outros mais.


Os defensores da Maçonaria afirmam que os antimaçons usam aquilo que leem dos escritos dos “maçons paralelos” (que segundo aqueles, em sua maioria, seriam anticristãos e satanistas) para fundamentar as bases da Antimaçonaria, o que a tornaria inapta para validar toda a Maçonaria, ao que a Antimaçonaria afirma que a diferença entre elas é meramente aparente e uma forma de dissimulação, de modo que mesmo que a análise seja feita apenas usando um autor notadamente esotérico ou anticristão, o argumento antimaçônico é válido para toda organização que siga a filosofia maçônica.

A relação de Deus e sua crítica na Antiçamonaria...
A Maçonaria afirma que a crença no Ser Supremo é encarada como uma realidade filosófica e não como um ponto doutrinal de religião, daí por que ela apregoar a necessidade de crer no Ser Supremo para ser iniciado e ainda continuar sendo não-confessional. Isto porque duas das principais e primordiais certezas do homem é que ele existe e que por isso deve existir um criador que o fez e tudo o mais que existe. A Maçonaria faz especulações metafísicas sobre Deus, até enveredando pela Teodiceia, mas não faz o papel de uma religião dando a Deus um nome ou informações sobre liturgia ou culto. A atividade da Maçonaria com relação a Deus (ou Grande Arquiteto do Universo – G.A.D.U.) envolve estudos e não proselitismo, não sendo o G.A.D.U. um “deus maçônico”, nem a união sincrética de todos os deuses pagãos antigos. A despeito da existência do ateísmo como sendo também uma corrente filosófica, ele é encarado pela Maçonaria como uma filosofia de pouca qualidade, visto estar na contramão de importantes expressões filosóficas da história que se coadunam com sua ideologia.

A Antimaçonaria discorda destas justificativas e afirma que a Maçonaria dissimula suas reais concepções sobre Deus e que isso é feito para que, paulatinamente, o maçom se desprenda de seus laços religiosos anteriores e siga apenas as concepções religiosas da Maçonaria.

Paulatinamente, à medida que o maçom progredisse nos graus dos diversos Ritos Maçônicos, algumas referências às verdadeiras concepções religiosas da Maçonaria seriam reveladas e fundamentadas sob uma aparente justificativa filosófica para que não confrontasse diretamente com as suas crenças pessoais, até que, chegado a um grau superior, fossem confrontadas as doutrinas religiosas anteriores com as “filosóficas” atuais, sugerindo que toda Religião seria uma forma alegórica de explicar aquilo que filosoficamente apenas a Maçonaria conseguiria captar em sua essência sobre a realidade do Ser Supremo. Devido a esta superior compreensão da Maçonaria ela jamais interferiria nas crenças dos maçons iniciantes porque eles precisariam trilhar o caminho da iluminação por si mesmos, ou nunca seriam verdadeiros maçons.


A Antimaçonaria também afirma que veladamente a Maçonaria substitua o Deus bíblico por Satanás em sua verdadeira ideologia e que aos poucos, também na medida da progressão do maçom, isso lhe seria revelado de modo a parecer algo crível em contraste com suas antigas crenças religiosas. Também acusa a Maçonaria de mesclar qualquer divindade cultuada na antiguidade ao Deus bíblico para retirar o monoteísmo bíblico de sua posição exclusiva e tributando a escolha de cada um por uma religião confessional nada mais seja do que uma etapa inacabada de sua compreensão real do que seja a Divindade.

A relação da Antimaçonaria e da Maçonaria com a figura do Homem...
A Maçonaria afirma que seus princípios apenas servem para que o Homem seja socialmente melhorado, nada implicando aspectos religiosos, mas sim apenas o que se depreende pelo estudo da Moral e da Ética. Já a Antimaçonaria contra-argumenta afirmando que a Maçonaria apenas diz que suas intenções são sociais, mas que na verdade ela ensina que o Homem receba a própria salvação eterna pelo que ele faz ou deixa de fazer e que isso contraria o dogma cristão que afirma serem as boas obras ou um dever de todos ou algo que apenas exterioriza sua condição de cristão.

A Antimaçonaria também denuncia que algumas vertentes maçônicas afirmam que o Homem já é um deus em si mesmo e que não precisa seguir qualquer religião para conseguir redenção de sua alma, uma vez que ele estaria numa condição transitória de aprendizado deificante ou de ajuda aos menos iluminados, mas que inegavelmente não existiria uma “punição eterna” por algo feito no curto espaço de tempo de uma vida.


A relação da Maçonaria com a religião e a crítica antimaçom...
A Maçonaria afirma que não é uma religião porque seus estatutos sociais declaram isso expressamente, além de não possuir uma confissão de fé, nem uma teologia, nem uma doutrina da salvação ou dogmas sobre o estado eterno da alma após a morte. A Antimaçonaria rebate tais afirmações porque entende que a Maçonaria não se registre como uma religião nos seus estatutos apenas para ter mais este argumento a usar contra seus opositores, mas que na verdade ela manteria todas as características de uma religião de mistérios, pois: (1) teria um deus próprio na figura do G.A.D.U.; (2) suas confissões de fé seriam subentendidas nos seus juramentos de cada Grau Maçônico; (3) pregaria a salvação pelas obras ou a autodeificação do Homem; (4) afirmaria a existência de um Oriente Eterno para onde todas as almas dos maçons iriam após a morte, não existindo um lugar de condenação porque a Maçonaria não creria na sua existência; (5) a manutenção do sigilo e do segredo maçônico aos maçons iniciantes seria a arma da Maçonaria para ocultar seu caráter religioso até que estes se encontrassem “preparados”.

A relação da Maçonaria com a política e a crítica antimaçom...
A Maçonaria nega possuir qualquer caráter político-partidário, não aderindo ou interferindo na política nacional de forma revolucionária e afirma que suas incursões em levantes e revoluções que lhe são tributadas (Revolução Francesa, Independência do Brasil, Proclamação da República, etc.) ou foram ações de maçons isoladamente, de acordo com suas convicções pessoais ou atenderam a anseios nacionais por se tratarem de formas de governo que não retratavam a condição social de época.

A Antimaçonaria contraria essa argumentação por afirmar que a Maçonaria possua uma forma coordenada, centralizada e militante de ação política para atender aos seus interesses corporativos ou que esteja a serviço de determinados grupos minoritários para subverter a ordem mundial, inserindo em posição de destaque algumas pessoas a si ligadas.

A Maçonaria nega ter qualquer orientação revolucionária em suas ações porque sempre se disporia a auxiliar o governo local em suas ações sociais beneméritas e ser encontrada em diferentes formas de Estado, tais como repúblicas, monarquias, mas não estando presente em regimes totalitaristas. A Antimaçonaria contra-argumenta essa afirmação porque relata que muito antes de existirem totalitarismos já havia proibição da Maçonaria se instalar em diversos Estados europeus.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A história do Leprechaun, a figura mitológica mais famosa da Irlanda...

Figura mitológica do folclore irlandês, transportado para os Estados Unidos através dos imigrantes do século 19, o Leprechaun (lê-se “Lép-rê-cáun”) também é conhecido no Brasil graças aos filmes e desenhos animados que apresentam essa figura simpática. Ele é apresentado como um diminuto homenzinho ruivo, sempre ocupado e agitado, extremamente ansioso, com uma barba ruiva e muito falante.

O nome “Leprechaun” é possivelmente originário do gaélico “Luacharmann”, significando “Meio-corpo” (no sentido de pequeno), ou “Leithbrogan” que significa “sapateiro”. Outra interpretação para a origem do termo seria a de que “Leprechaun” vem de “Luch-chromain”, gaélico para “pequeno Lugh corcunda”.


O Leprechaun sempre está ocupado trabalhando como sapateiro, e de acordo com o folclore, sempre aparece em duas situações: no meio de trevos ou no final de um arco-íris, onde se encontra seu pote de ouro com suas economias de toda vida; por ser mesquinho – pão-duro –, está sempre com roupas luxuosas, mas em péssimo estado de conservação. Ele também é tido como “o sapateiro da terra das fadas”, e também pode ser chamado de “duende” e “gnomo”.

Os Leprechauns são considerados guardiões ou conhecedores da localização de vários tesouros escondidos (como dito anteriormente, seus próprios tesouros). Para obter tais tesouros (normalmente um pote de ouro) é preciso capturar um Leprechaun e não o perder nunca de vista. Caso contrário, ele desaparece no ar.


De acordo com o folclore irlandês, é muito importante que o ser humano veja o Leprechaun antes de ele ver o ser humano, porque assim ele fica mais dócil, amigo e cooperativo; caso o humano seja amigo dele, como recompensa ele o leva até o final de um arco-íris e entrega de presente um pote de ouro que antes estava escondido. Mas ele é muito astuto e traquina, capaz de desaparecer num piscar de olhos caso ele veja o humano primeiro. Acredita-se que eles também tenham uma moeda de prata mágica, que volta à sua bolsa, depois de ser gasta, dando a esses seres fantásticos a característica da malandragem.

Os Leprechauns são descritos como sempre alegres e geralmente vestidos à maneira antiga, com roupas verdes, um barrete vermelho ou um estranho chapéu de três pontas, avental de couro e sapatos com fivelas. Esses duendes são frequentemente associados ou confundidos com os Cluricaun (foto abaixo), criaturas mágicas que habitam adegas e depósitos de vinho. Segundo alguns autores, estes dois seres encantados poderiam até ser duas formas diferentes do mesmo ser, tomadas em diferentes momentos do dia ou do ano.


O Leprechaun aparece em todas as lendas e folclore irlandês. Lá, é conhecido como um pequeno homem de roupas verdes, bigode, olhar simpático e um cachimbo na boca. Geralmente vive em pequenos arbustos, em bosques ou florestas. É conhecido por fazer só dois sapatos por ano. Os sapatos que eles fazem são muito bonitos, feitos de materiais naturais, tais como, flores e gotas de orvalho. Além do seu cachimbo, estão sempre acompanhados pelo seu pequeno, velho e gasto martelo. O Leprechaun é muito pequeno, medindo 30 a 50 centímetros de altura.

E a Igreja transforma o folclore em demônios...
Com a chegada do Cristianismo à Irlanda, no início da Idade Média, muitas figuras de seu folclore antiquíssimo tiveram que ser transformadas em figuras pagãs em contraste com os santos, anjos, arcanjos, Jesus Cristo e Deus. Não poderia haver “competições” de simpáticos: não se podia pedir dinheiro a um Leprechaun enquanto se ia à missa todos os dias, caso contrário você se tornaria um herege. Durante a história do Cristianismo vemos figuras mitológicas serem menosprezadas por causa da expansão da fé.


Assim sendo, os Leprechaun passaram a ser considerados pequenos demônios verdes das florestas que apareciam para enganar o homem e dar a ele a cobiça (lembre-se da história de dar ao ser humano o pote de ouro). Foi desta maneira que esses pequenos seres passaram para o subterrâneo da história folclórica como ajudantes terrenos dos demônios que combatiam a boa fé e Jesus Cristo, corrompendo os homens com ouro, prata e bebida (fazendo, aí, uma confusão com os Cluricauns).

Um dos maiores exemplos de demonização contemporânea da figura do Leprechaun se encontra em um dos episódios clássicos do Pica-Pau, de 1949, quando o protagonista encontra um deste ser que acaba prometendo muito dinheiro, fama e fortuna. No final, depois de muita confusão e depois de muito enganar o Pica-Pau e força-lo a cometer vários crimes, o Leprechaun vai para o inferno e é recebido pelo Satanás, que ri e afirma: “Seja bem-vindo de volta. Quer dizer que você conseguiu voltar ao seu lar antigo?”. Veja abaixo o episódio completo...



terça-feira, 25 de novembro de 2014

Você já ouviu falar no bicho conhecido como “jackalope”, ou “lebrílope”, mistura de lebre com antílope? Fato ou farsa?!

O “jackalope” é um animal mítico do folclore norte-americano (às vezes chamado pelos índios como “criatura terrível”), descrito como uma lebre com chifres de antílope ou de veado e, às vezes, descrito ainda com caudas de faisão. Em português também é conhecido como “lebrílope”, com a junção das palavras “lebre” e “antílope”.


A história do jackalope/lebrílope foi popularizada no estado americano do Wyoming na década de 1930, depois que um caçador local usar habilidades de taxidermia para enxertar chifres de veado em uma lebre morta durante uma caça, vendendo a criatura como curiosidade para um hotel local. É muito provável, de acordo com os folcloristas, que as histórias envolvendo o jackalope/lebrílope foram inspiradas por avistamentos de lebres e coelhos infectados com o vírus do papiloma Shope, que provoca crescimento de tumores e “chifres” pela cabeça dos animais – talvez por isso os índios chamavam esses animais de “criaturas terríveis”. O conceito de animais híbridos ocorre em todas as mitologias, folclores e culturas – como a sereia, o grifo, o dragão e a quimera, por exemplo – e jackalopes/lebrílopes também aparecem em alguns textos renascentistas fantásticos.

O mito do jackalope/lebrílope...
O jackalope/lebrílope tem levado a muitas pessoas a reivindicarem que a ciência deveria estudar melhor os relatos, pois ele poderia ser real. É dada, inclusive, uma nomenclatura científica: “Lepus temperamentallus”. Diz-se ser o cruzamento de veados-pigmeus com coelhos ou lebres selvagens, tornando uma espécie de “coelho assassino”. De acordo com os textos míticos, o jackalope é extremamente tímido, a menos que se sinta ameaçado; outras lendas dizem que jackalopes/lebrílopes fêmeas podem até ser ordenhadas tirando-se o leite para alimentação humana. Ainda segundo o mito, esses animais podem ser capturados e caçados quando deixadas bebidas alcoólicas como isca – semelhante à caça às gambás. Outros índios dizem que um animal deste pode repetir a voz humana, como papagaios. Segundo relatos nos tempos do Velho Oeste, homens diziam que podiam ver vários jackalopes/lebrílopes rondando a fogueira dos acampamentos da Califórnia; outros folcloristas contam a história que alguns índios diziam que esses bichos só se reproduzem no inverno rigoroso e uma fêmea só tem um filhote por vez, o que faz com que eles sejam tão raros. Alguns folcloristas chamam os jackalopes/lebrílopes de “unicórnios americanos”.


Os desenhos de jackalopes em obras renascentistas podem ser a fantasia do Novo Mundo logo após as descobertas de um “mundo maravilhoso” nos tempos das Grandes Navegações. Foi nessa época que se acreditava no poder da natureza em criar seres míticos em outros continentes distantes da Europa, tais como hidras, dragões, unicórnios, sereias, scylas etc. Entretanto, cada folclorista conta o mito dos jackalopes/lebrílopes de uma forma, com uma origem diferenciada, dependendo da região dos Estados Unidos.

O famoso jornal “New York Times” atribui a origem da história ao ano de 1932, envolvendo o caçador Douglas Herrick durante a sua adolescência na cidade de Douglas, no estado norte-americano do Wyoming. Herrick e seu irmão estudaram taxidermia por correspondência, e depois de terem caçado algumas lebres, Douglas Herrick separou uma lebre para fazer o serviço de taxidermista. Na oficina, ele decidiu, de brincadeira, colocar pequenos chifres de veado no animal e, assim, foi “construído” o primeiro jackalope/lebrílope. Depois disso, os irmãos venderam a dez dólares o bicho a Roy Ball, que colocou em exposição no Hotel La Bonte, na mesma cidade. Em 1977, o jackalope/lebrílope foi roubado enquanto a Câmara de Comércio de Douglas fazia dinheiro vendendo licenças de caças de jackalope/lebrílope a vários turistas curiosos. A prefeitura chegou a criar, nos anos 1960, a “temporada de caça ao jackalope”, em junho.

A verdade sobre o mito...
De acordo com os folcloristas, os irmãos Herrick não criaram nenhum ser mitológico, mas sim reproduziram fisicamente o primeiro ser concebido pela fantasia de índios norte-americanos. Esses índios chamavam os jackalopes/lebrílopes de “criaturas terríveis”; e isso tem mais verdade do que mito: avistamentos de lebres e coelhos infectados com o vírus do papiloma Shope, que provoca o crescimento de tumores parecidos a chifres na cabeça dos animais, causando deformações desastrosas e extremamente contagiosas. Veja as fotos abaixo:




Reconhecimento oficial...
Em 2005, a legislatura estadual do Wyoming reconheceu o jackalope como criatura mitológica oficial do estado. Com isso, muito da cultura indígena, considerada morta por muitos estudiosos, passou a viver através da mentalidade fantástica das pessoas, algumas que ainda creem na existência desses animais.

Desde o experimento dos irmãos Herrick nos anos 1930, vários taxidermistas têm vendido para todo mundo, através da internet, exemplares de jackalopes/lebrílopes de diversos tipos e jeitos. No meio disso tudo ainda aparecem os curiosos em capturar animais realmente infectados com os vírus apresentados acima.

sábado, 22 de novembro de 2014

Considerações importantes sobre a Cientologia, a religião que venera os progressos da ciência...

A Cientologia é um conjunto de crenças e práticas relacionadas à criação de Ron Hubbard, iniciando em 1952, como sucessor ao seu sistema de autoajuda chamado “dianética”. A Cientologia ensina que as pessoas são seres imortais que se esqueceram de sua verdadeira natureza. Seu método de reabilitação psiquiátrica espiritual é um tipo de aconselhamento conhecido como “auditoria”, no qual os praticantes visam reviver conscientemente os eventos dolorosos ou traumáticos de seu passado a fim de libertar-se dos seus efeitos limitantes.

A Cientologia é reconhecida legalmente como uma religião isenta de impostos nos Estados Unidos, Itália, África do Sul, Austrália, Suécia, Nova Zelândia, Portugal e Espanha. A Igreja da Cientologia enfatiza isso como prova de que é uma religião de boa-fé. Em outros países, nomeadamente Canadá, França, Alemanha e no Reino Unido, a Cientologia não tem status religioso comparável embora suas Igrejas sejam permitidas.

A Cientologia patrocina uma variedade de programas de serviço social. Estas incluem a Narconon, programa antidrogas, a Criminon, programa de reabilitação em prisões, a Study Tech, metodologia de educação, a Volunteer Ministers, o World Institute of Scientology Enterprises e um conjunto de diretrizes morais expressas em um livreto chamado The Way to Happiness.

A Igreja da Cientologia é um dos mais controversos movimentos religiosos modernos que surgiram no século 20. Tem sido muitas vezes descrita como um culto que faz lavagem cerebral, defrauda e abusa financeiramente de seus membros, cobrando taxas exorbitantes por seus serviços espirituais. Em resposta, os cientologistas têm argumentado é um movimento religioso genuíno que tem sido deturpado, caluniado e perseguido.


1. Em 1901, Allen Upward cunhou o termo “cientologia” como uma palavra depreciativa para indicar uma cega e irracional aceitação de doutrina científica, numa época em que se acreditava que a ciência resolveria todos os problemas da humanidade, sem ser crítico o suficiente aos métodos usados e futuros contratempos para as sociedades futuras (poluição, superpopulação, testes antiéticos);

2. Em 1934, o filósofoco Nordenholz publicou um livro que usou o termo “cientologia” para falar sobre “a ciência da ciência”. Acredita-se que Hubbard, nos anos 1950, tenha usado esse sentido para fundamentar sua crença da Cientologia;

3. A Cientologia foi desenvolvida por Ron Hubbard como uma sucessora para o seu sistema anterior de autoajuda chamado “dianética”. A dianética usa uma técnica de aconselhamento conhecido como auditoria, desenvolvida por Hubbard para permitir lembrança consciente de eventos traumáticos no passado de um indivíduo. Esse sistema foi originalmente destinado a ser um novo tipo de psicoterapia e não era esperado se tornar a base de uma nova religião;

4. Hubbard definiu a dianética de várias maneiras como uma tecnologia de cura espiritual e uma ciência organizada do pensamento. A declarada intenção da dianética é libertar os indivíduos da influência de traumas passados pela sistemática exposição e remoção das reminescências que esses eventos deixaram para trás, em um processo chamado de limpeza;

5. Em 1952, Hubbard construiu sobre a estrutura existente estabelecida da dianética e publicou um novo conjunto de ensinamentos como “Cientologia, uma filosofia religiosa”. Em dezembro de 1953, Hubbard incorporou três igrejas – Igreja da Ciência Americana, a Igreja da Cientologia e Igreja da Engenharia Espiritual – em Camden, Nova Jersey;


6. Em 1963, o Departamento de Medicamentos e Alimentos dos Estados Unidos entrou com um processo contra a Cientologia, alegando que esta seita usava métodos experimentais de medicina em seus seguidores alegando cura imediata de inúmeros problemas;

7. No decorrer do desenvolvimento de Cientologia, Hubbard apresentou uma rápida mudança de ensinamentos que eram muitas vezes autocontraditórios. Para o quadro interno de cientologistas desse período, o envolvimento não dependia tanto na crença de uma doutrina particular, mas na fé inquestionável em Hubbard;

8. Em 1979, após operações do FBI, a Igreja de Cientologia acabou perdendo o status de religião com as isenções fiscais que as igrejas têm, pois uma investigação mostrou que ali havia uma maquiagem para encobrir atividades de Hubbard, que não eram caritativas e tinham fins comerciais e de proveito próprio do fundador da seita. Nesse meio tempo a igreja perdeu muitos membros, que alegavam abertamente o distanciamento da mesma dos seus fundamentos originais e principais;

9. Em 1991, a Igreja da Cientologia acabou decretando falência pública nos Estados Unidos, deixando como herança uma dívida de mais de 2 milhões de dólares, mas em 1996 ela voltou a funcionar sob o comando de um ex-membro, Steven Hayes, que reestruturou a igreja e toda organização;

10. Em 2005, a Igreja da Cientologia divulgou uma estatística polêmica por ser parcial: a adesão de oito milhões de seguidores em todo mundo. Mas um censo independente feito pela Universidade de Nova York mostrava que esse número poderia ser uma fraude (mais uma): só nos Estados Unidos havia somente 55 mil seguidores, enquanto que o censo da igreja apontava 3 milhões de seguidores em território norte-americano;


11. Os cientologistas tendem a menosprezar pesquisas religiosas gerais com o fundamento de que muitos membros que mantêm laços culturais e sociais com outros grupos religiosos informariam ser praticantes de religiões mais tradicionais e socialmente aceitas;

12. De acordo com a Cientologia, suas crenças e práticas são baseadas em pesquisas rigorosas e suas doutrinas são concedidas a importância equivalente à dessas leis científicas. A conversão é considerada de menor importância do que a aplicação prática dos métodos cientologistas. Os adeptos são incentivados a validar o valor dos métodos que se aplicam através de sua experiência pessoal;

13. A Cientologia usa um sistema de classificação emocional chamada de “tone scale” (“escala de tom”), uma ferramenta utilizada em aconselhamento; os cientologistas afirmam que saber a posição da pessoa na escala faz com que seja mais fácil prever suas ações e assim auxiliá-lo na melhoria de sua condição;

14. O desejo de um indivíduo de sobreviver é considerado a primeira dinâmica, enquanto que a segunda dinâmica refere-se à procriação e à família. As dinâmicas restantes abrangem áreas mais amplas de ação, envolvendo grupos, a humanidade, toda a vida, o universo físico, o espírito, e o infinito, muitas vezes associadas com o Ser Supremo. É considerada como melhor solução para qualquer problema a solução que trazer maior benefício para o maior número de dinâmicas;

15. Enquanto Cientologia afirma que muitos problemas sociais são resultados não-intencionais de imperfeições das pessoas, também afirma que há indivíduos verdadeiramente maléficos. Hubbard acreditava que cerca de 80% de todas as pessoas têm o que chamou de personalidades sociais, são pessoas que aceitam e contribuem para o bem-estar dos outros. Os 20% restantes da população, pensava Hubbard, eram pessoas “supressivas”;


16. A Cientologia afirma que as pessoas têm habilidades ocultas que ainda não foram completamente desenvolvidas. Acredita-se que o aumento da consciência espiritual e benefícios físicos são alcançados através de sessões de aconselhamento conhecidas como “auditoria”. Através de auditoria, diz-se que as pessoas podem resolver seus problemas e libertar-se de seus problemas. Isso restaura as pessoas à sua condição natural;

17. A “auditoria” é uma sessão pessoa por pessoa com um conselheiro ou auditor da Cientologia. Ele tem uma semelhança superficial com a confissão ou aconselhamento pastoral, mas o auditor grava e armazena todas as informações recebidas e não dispensa o perdão ou conselho da mesma maneira que um pastor ou padre poderia fazer. Em vez disso, a tarefa do auditor é ajudar a pessoa a descobrir e compreender seus problemas;

18. A Igreja da Cientologia acredita no princípio da reciprocidade, que envolve dar e receber em cada transação humana, então os membros são obrigados a fazer doações para os cursos de estudo e de auditoria à medida que “sobem a ponte”, as quantias doadas aumentam a medida que níveis mais elevados são atingidos. A participação em cursos de nível superior na ponte pode custar vários milhares de dólares e os cientologistas geralmente ingressam na ponte a uma taxa regida por sua renda;

19. Na Cientologia, as cerimônias para eventos, como casamentos, nomeação criança e funerais são observados na sexta-feira para comemorar a conclusão dos serviços religiosos de uma pessoa durante a semana anterior. Ministros ordenados pela Cientologia podem realizar tais ritos. No entanto, estes serviços e o clero que os executam desempenham apenas um papel menor na vida religiosa dos cientologistas;

20. A orientação geral da filosofia de Hubbard deve muito a Will Durant, autor do popular clássico de 1926 em “A história da filosofia”; outro trabalho muito similar às doutrinas da cientologia vem do pensamento do filósofo luso-holandês Baruch Espinosa, do século 17;


21. A psicologia de Sigmund Freud, popularizada na década de 1930 e 1940, foi um dos principais contribuintes para o modelo de terapia da Dianética e foi reconhecida sem reservas como tal por Hubbard em seus primeiros trabalhos;

22. Além disso, o próprio Hubbard enumerou muitas outras influências em seus próprios escritos. Por exemplo, suas influências incluem os filósofos a partir de Anaxágoras e Aristóteles até Herbert Spencer e Voltaire, físicos e matemáticos, como Euclides e Isaac Newton, bem como fundadores de religiões, como Buda, Confúcio, Jesus e Maomé, mas há pouca evidência nos escritos de Hubbard de que ele estudou esse grande número de filosofias com grande profundidade;

23. Relatórios e denúncias foram feitos por jornalistas, tribunais e órgãos governamentais de vários países afirmando que a Igreja da Cientologia é “uma empresa comercial sem escrúpulos que persegue seus críticos e brutalmente explora seus membros”. A revista “Time” publicou um artigo em 1991 que descrevia a Cietnologia como “uma organização mundial extremamente rentável que sobrevive ao intimidar seus membros e críticos ao estilo da máfia”;

24. As controvérsias que envolvem a Igreja e seus críticos, alguns deles em andamento, incluem: a política de “desligamento”, em que os membros são encorajados a cortar todo o contato com amigos ou familiares que são “antagônicos” à Cientologia;

25. Em 2011 foi anunciado que o FBI estava investigando Cientologia por suspeitas de tráfico humano e trabalhos forçados. Declarações conflitantes sobre a vida de L. Ron Hubbard, em afirmações específicas de Hubbard ao discutir sua intenção de iniciar uma religião para ter lucro e de seu serviço nas forças armadas;


26. Outra grave crítica contra a Cientologia é forçar os meios de buscas em sites, como Google e Yahoo, a omitirem quaisquer páginas de críticos da Cientologia. Uma dessas críticas diz que denúncias de um ex-cientologista do alto escalão de que o líder da Cientologia David Miscavige bate e desmoraliza seu pessoal e que a violência física por parte dos superiores para com o pessoal que trabalha para eles é uma ocorrência comum na igreja;

27. Hubbard previu que as celebridades teriam um papel fundamental a desempenhar na divulgação da Cientologia, e em 1955 lançou o “Projeto Celebridade”, a criação de uma lista de 63 pessoas famosas que ele pediu a seus seguidores para direcionar para a conversão à Cientologia;

28. Hoje, a Cientologia opera oito igrejas que estão designadas como “Centro das celebridades”, a maior delas sendo a de Hollywood. Os centros de celebridades são abertos ao público em geral, mas são projetados principalmente para ministrar aos cientologistas famosos. Artistas como John Travolta, Kirstie Alley, Lisa Marie Presley, Nancy Cartwright, Jason Lee, Isaac Hayes, Edgar Winter, Tom Cruise, Chick Corea e Leah Remini geraram publicidade considerável para a Cientologia.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Considerações sobre o movimento do anticristianismo e sobre a figura do Anticristo: fato ou farsa?! Ele já estaria entre nós?!

O anticristianismo não é uma religião, mas sim um movimento político e filosófico que visa fazer frente às instituições ligadas ao Cristianismo, possuindo uma série de dogmas, fundamentos e regras, por isso muitas pessoas teorizam esse movimento como uma religião, que não pode ser confundida com o Satanismo. Dentre as regras básicas há a base na visão niilista de Friedrich Nietzsche (foto abaixo) através dos livros “Assim falou Zaratustra” e “O Anticristo”.


O anticristianismo tenta construir uma sociedade alternativa ao Cristianismo com valores não-cristãos e laicos. O movimento anticristianista pode se basear em religiões e formas espirituais alternativas, ou numa ciência ateia, ou também incorporando os movimentos pagãos, místicos diversos, telêmicos, satanistas, helenos ou new ages que vão contra a doutrina religiosa, mas não obrigatoriamente. Não confundir o movimento anticristão filosófico e intelectual com outras vertentes. Por ser tão variado, pode ser facilmente confundido.

Os anticristãos consideram-se contra todas as formas de Cristianismo: todas as doutrinas católicas, protestantes e reformistas. Cada anticristão possui personalidade própria e não é obrigado a ter uma veste específica ou estilo de vida (muitos não os têm), pois, como já dito, ele se incorpora. Também não se deve confundir anticristianismo com anticlericalismo (contra todas as formas de clero: que nem todos os anticristãos serão) nem com o ateísmo. Os ateus acreditam na realidade e alguns têm as crenças cristãs como loucura, por vezes placebo ou coisas criadas sem fundamento, lógica ou racionalidade pelos crentes eles próprios. Os ateus crêm, pois, na realidade a ponto de se fazerem eles mesmos, e a crença no mundo material, perceptível pelo Homem. Pelas razões expostas, não se pode identificar anticristianismo com ateísmo.


O anticristianismo pode se encaixar no ateísmo ou ceticismo, mas também pode ser independente, pode se incorporar em demais religiões, mas pode existir sem a afirmação de nem uma delas. Os anticristãos muitas vezes são vítimas de preconceito. Como os ensinamentos de Jesus Cristo se difundem ao Islamismo (que o tem como um profeta), os anticristãos podem reagir negativamente ao Islamismo. Anticristianistas não são obrigados a estar vinculados ao marxismo ou comunismo (este último promove o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida), mas pode se incorporar a eles assim como a ideologias capitalistas.

Anticristãos acreditam na independência da religião, qualquer que seja o motivo que os inspire a ser anticristãos. Para os anticristãos, a religião cristã é uma ditadura, baseada em dogmas, verdades absolutas impostas, onde será impossível qualquer grupo que não concorde conviver pacificamente. Para os anticristãos, o Cristianismo é uma ditadura onde apenas os cristãos podem se pronunciar ou criticar qualquer outro seguimento, e o contrário não o pode ocorrer. Para os anticristãos, o cristianismo é uma filosofia que não cabe na sociedade, pois consideram que religiões e filosofias não-cristãs, mulheres, homossexuais, dentre outros, são, pelo seu proselitismo homogenizador, objeto de constrangimento da parte do Cristianismo. Para os anticristãos, portanto, o Cristianismo, onde se manifeste, gera um relacionamento conturbado, logo é uma religião de falsa paz. O anticristianismo define-se essencialmente por este conjunto de crenças.

Anticristianismo como movimento na história...
Logo na Idade Média os anticristãos foram perseguidos sem distinção por serem considerados hereges e blasfemos, também foram mortos, perseguidos com eles as bruxas, os ciganos, os filósofos diversos, ateístas, as religiões indígenas, ameríndias, as religiões pagãs, as crenças africanas, os homossexuais e as prostitutas da época. Também com eles a Maçonaria, muito da ciência e algumas das crenças orientais, muitas religiões/filosofias simplesmente desapareceram, independente o que estavam dizendo ou não.

O anticristianismo teve princípio logo no início do Cristianismo. O anticristianismo, todavia, teve auge no Iluminismo: corrente cultural que reclamava trazer “luzes” ao obscurantismo (do qual, em certa medida, culpava a religião) e uma filosofia que não incluía dogmas, perseguições ou moralidade dúbia. No “século das luzes”, filósofos como René Descartes, John Locke, Montesquieu e Jean-Jacques Rousseau começam a lançar as bases da independência ao Cristianismo.


Na França, Voltaire foi considerado o maior dos filósofos iluministas e um dos maiores críticos do Antigo Regime e da Igreja. Defendeu a liberdade de pensamento e de expressão. Mas as liberdades de pensamento e expressão, no caso dele, significavam liberdade de pensamento e de expressão desvinculada da doutrina cristã. Além de combater a Igreja como instituição, Voltaire combate também a sua doutrina. Voltaire defendia a ideia de uma fraternidade em bases puramente humanas, sem a necessidade de Deus ou superior a Deus. Além da de Voltaire, também a ação difusora dos filósofos Diderot e D’Alembert foi fundamental para que os valores iluministas ganhassem muita popularidade e tivessem êxito.

Algumas pessoas usavam e usam de ambiguidade e de citações dúbias tais, que poderão levar outras a identificar os primeiros com o anticristianismo. Entre os que se pronunciariam ambiguamente pode-se citar Shakespeare, Leonardo da Vinci, Freud (ateu declarado e pai da psicanálise), Aldous Huxley, Charles Darwin e Nietzsche. Freud, por exemplo, era contra a religiosidade e a favor de o Homem acreditar em si. Albert era outro que também criticou muito o Cristianismo em várias cartas a seus colegas físicos e demais cientistas.


A figura do Anticristo de acordo com as correntes teológicas...
A origem da palavra Anticristo é grega: “Antixristós”, ou “opositor a Cristo”. Denominação comum no Novo Testamento da Bíblia para designar aqueles que se oponham a Jesus, e também designa um personagem escatológico, apocalíptico, que segundo a tradição cristã dominará o mundo perto do fim dos tempos.

Perfil do Anticristo...
De acordo com os textos, será um ser humano de capacidades e habilidades incríveis, o maior líder de toda Terra. Esse personagem é mencionado principalmente nos livros de Daniel (Velho Testamento), II Tessalonicenses e Apocalipse (ambos no Novo Testamento). A Bíblia em si através dos seus versículos dá vários outros adjetivos ao Anticristo: “o pastor inútil”, “o pequeno chifre”, “o príncipe que há de vir”, “o homem vil”, “o rei que fará segundo sua própria vontade”, “o homem da iniquidade”, “filho da perdição”, “iníquo”, “o Anticristo”, “a besta”, “o abominável da desolação”, “assolador”.

O Anticristo será um líder, alguém de cargo político muito importante: ele chegará à liderança mundial formando uma nova era de paz e segurança global. Ele vencerá pela diplomacia, pacificamente, convencendo todos os líderes mundiais, com sutileza, engenhosidade e sabedoria. Ele será um homem “complexo”, diferente de todos os demais, alguém que abraçará, em seu caráter, as habilidades e poderes de Nabucodonosor, Napoleão, Alexandre Grande, e de César Augusto.

Possuirá o admirável dom de atrair as pessoas e a irresistível fascinação de sua personalidade, suas versáteis conquistas, sua sabedoria sobre-humana, sua grande habilidade administrativa e executiva, aliadas ao seu poder de consumado lisonjeador, brilhante diplomata, e soberbo estrategista, vão torná-lo o homem mais notável e importante de todos os Tempos. Terá uma personalidade gentil, inofensiva, compassiva e se dedicará à paz e prosperidade do mundo. Esse líder estará pronto para solucionar grandes problemas mundiais: guerras, crises, pobreza, desigualdades etc.


II Tessalonicenses, 2:7 diz: “Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então, será, de fato, revelado o iníquo”. Assim, para os crentes nesta crença, esse mistério já está operando e preparando o caminho para a entrada do Anticristo. Com certeza Anticristo já está presente, camuflado em algum lugar, aguardando apenas o momento de manifestar-se.

Alguns dos aspectos do seu futuro governo mundial, segundo a Bíblia, são: governará o mundo todo, governará com consentimento de todos, controlará a economia mundial, fará um acordo de paz com as terras de Israel, terá grande sabedoria e inteligência, enorme poder intelectual, será um gênio político, estrategista militar, grande orador, gênio do comércio e da administração e falso religioso.

O Anticristo de acordo com a escatologia muçulmana...
Como o Islamismo acredita que Jesus Cristo tenha sido o penúltimo profeta a vir à Terra (o último foi Maomé), então eles creem que Dajal, o Anticristo, será uma figura maligna que supostamente retornará antes do Juízo Final. De acordo com textos tradicionais do Islamismo, “dizem que ele terá um olho danificado e o outro será normal”. Para alguns, o fato do Anticristo ter um olho danificado e o outro normal relaciona-se com a representação do Olho da Providência, ou simplesmente, o “olho que tudo vê” dos movimentos da Maçonaria e dos Illuminati.


Considerações gerais sobre a figura do Anticristo...
O termo “Anticristo” ocorre apenas quatro vezes na Bíblia, todas elas nas cartas do apóstolo São João. As passagens são I João 2:18, 2:22, 4:3 e II João 1:7, onde o termo Anticristo é definido como um “espírito de oposição” aos ensinamentos de Cristo. O Cristianismo crê, no entanto, que este “espírito” seja uma personificação de um “messias demoníaco” que virá nos últimos dias. Por essa razão, os cristãos creem que este Anticristo é descrito em outros textos, tais como o livro de Daniel, as cartas de Paulo (como “o homem do pecado”) e o Apocalipse como a “besta que domina o mundo”. Para certos grupos cristãos, incluindo a Igreja católica, tal besta chegou a ser personificada através do imperador romano Nero – grande perseguidor dos cristãos primitivos.

Segundo muitos teólogos, o Anticristo mencionado pelos cristãos do primeiro século era alguém que já atuava naqueles dias. Não era personagem de um futuro tão distante, nem futuro próximo, como o texto de I João 4,3: “[...] Anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo”. Ao longo da história, diversas correntes cristãs acusaram-se entre si ou atribuíram aos seus inimigos a designação de “anticristos”, sendo exemplos de utilização de tais argumentos o Cisma Papal, as Cruzadas (referindo-se a Maomé), na Reforma Protestante (referindo-se ao Papa) e na Contrarreforma (referindo-se a Lutero), entre outros diversos acontecimentos. Também há os que consideram que o termo Anticristo poderá estar ligado aos modernos movimentos satânicos ou pensamentos liberais.

Atualmente, o termo é bastante popular, sobretudo no meio cristão protestante, onde existe uma interpretação por parte de muitos grupos de que o Anticristo será uma pessoa que se oporá aos mandamentos da Bíblia e organizará uma sociedade baseada em valores outrora atribuídos ao paganismo, onde todos os cidadãos poderão ser controlados através de uma marca na mão ou na testa à semelhança da marca que os romanos impunham sobre seus escravos ou à que era colocada nos prisioneiros dos campos de concentração durante a Alemanha nazista, e que seria o número 666. Este Anticristo, por fim, seria derrotado por Cristo em sua segunda vinda, quando se estabelecer seu reinado milenar.


São Policarpo, através da Epístola aos Filipenses (livro apócrifo bíblico) alertou aos filipenses que todos que pregassem uma falsa doutrina em nome de Cristo seria um Anticristo. Santo Ireneu especulou que seria “muito provável” que o Anticristo poderia ser chamado “Lateinos”, que é o grego de “homem latino”, ou seja, do Império Romano. São João Crisóstomo alertou contra especulações e antigas histórias sobre o Anticristo, dizendo: “Não nos deixe saber sobre estas coisas”. Ele pregou que conhecendo as descrições de Paulo do Anticristo em II Tessalonissences, os cristãos evitariam a decepção. Por fim, Santo Agostinho escreveu: “É incerto em qual templo o Anticristo deve se estabelecer, e ainda se será na ruína do templo que foi construída por Salomão, ou na igreja”.

Aliados do Anticristo...
Assim como Nero foi taxado como o primeiro Anticristo da história, por perseguir os primeiros cristãos, também Napoleão foi chamado como tal pelos seus inimigos ingleses e portugueses. Adolf Hitler também foi acusado de ser o Anticristo contemporâneo, tanto pelos judeus que perseguia quanto pelos seus inimigos, os Aliados. A braçadeira, a saudação da mão direita e a marca recebida pelos presos nos campos de concentração foram identificadas como sinais da besta. Outras figuras históricas também foram identificadas como aliadas do Anticristo: Osama Bin Laden, Josef Stálin, George W. Bush etc.

Algumas doutrinas protestantes acreditam que a dominação mundial pelo Anticristo acontecerá após o arrebatamento do povo de Deus (Mateus 24-40,41), esse período é chamado de período pré-tribulacional, porque acontecerá antes da Grande Tribulação.

Ascensão ao poder do Anticristo e sua derrota...
O Anticristo será um homem que surgirá em meio às crises mundiais existentes, de forma que sua aparição surpreenderá o mundo. Seu governo se tornará, em um curto espaço de tempo, num forte governo mundial unificando com sucesso todos os blocos de relações econômicas e políticas existentes no momento. Com a finalidade de trazer a paz, será reconhecido e aceito, e combaterá as crises mundiais implantando um largo sistema de integração financeira: o sistema 666 de compra e venda (Apocalipse 13:16–18). Neste momento, com o auxílio de um “deus estranho” (Daniel 11:39, Isaías 14:12), exaltará a si próprio como sendo o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” e exigirá ser adorado como Deus, declarando-se então ser o Messias de Israel (Daniel 11:36). Será então que, perseguirá todo aquele que, na Terra, não se curvar a ele para adorá-lo como Deus, manifestando-se ser o que a Bíblia chama de “o filho da perdição” (II Tessalonicenses 2:3), o então Anticristo. Descumprirá o seu tratado mundial de paz e estabelecerá, então, a guerra. Se voltará contra Israel e Jerusalém no lugar do antigo templo, para lá pôr o trono do seu governo mundial (Daniel 11:31).

De acordo com a interpretação comum da Bíblia, o Anticristo será derrotado no retorno de Jesus Cristo à Terra, e lançado no lago de fogo e enxofre, a que se chama “segunda morte”. A isso se seguirão mil anos de reinado de Cristo, e, por fim, o Julgamento Final a chegada da Nova Jerusalém.


A Reforma Protestante e a Contrarreforma Católica no contexto do Anticristo...
Na Reforma Protestante, Martinho Lutero, João Calvino, Thomas Kranmer, John Knox, Cotton Mather, e John Wesley chamaram o Papa de Anticristo. Na Contrarreforma Católica, por sua vez, Martinho Lutero e outros reformadores foram chamados de Anticristo por terem ocasionado a suposta perda da unidade cristã, e “amputado e desmembrado o Corpo de Cristo”. Atualmente, muitas correntes cristãs retiraram estas afirmações para reatarem relações. Porém, outras ainda as mantêm em suas confissões de fé.

Lutero, em 1522: “Oh! Quando não me custou, apesar de que me sustente a Santa Escritura, convencer-me de que é minha obrigação encarar sozinho com o Papa e apresentá-lo como o Anticristo! O Papa, quer apagar a luz do Evangelho destinada a iluminar ao mundo. É, então, o Anticristo predito por Daniel, pelo Senhor Jesus Cristo, Pedro, Paulo e o Apocalipse”.

Kranmer, em 1555: “E quanto ao Papa, eu o abomino como inimigo de Cristo, e Anticristo, com todas as suas falsas doutrinas”.

Confissão de fé irlandesa, de 1615, da Igreja Episcopal: “O Bispo de Roma é, longe de ser a cabeça da Igreja Universal de Cristo, o que sua doutrina e obras, de fato revelam, que ele é aquele ‘homem do pecado’ predito nas Santas Escrituras, a quem o Senhor há de consumir com o espírito de Sua boca, e abolir com o resplendor de sua vinda”.

Confissão de fé de Westminster, de 1647, da Igreja Presbiteriana: “Não há outro cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo. Em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, senão que ele é aquele Anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus”.

Confissão de fé de Londres, de 1689, da Igreja Batista: “O Senhor Jesus Cristo é o cabeça da Igreja, aquele que, por designação do Pai, todo poder para o chamamento, instituição, ordem ou governo da igreja foi investido de maneira suprema e soberana; nem pode o Papa, de forma alguma, ser o cabeça dela, mas ele é o Anticristo, aquele homem do pecado, e filho da perdição, que se exalta a si mesmo, na igreja, contra Cristo e a tudo que se chama Deus; a quem o Senhor destruirá com o resplendor da sua vinda”.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Rodando o disco ao contrário e ouvindo mensagens ocultas: você conhece os fatos e farsas envolvendo o “backmasking”?!

Quem viveu na década de 1980 sabe o que é a história de “rodar o disco ao contrário” e tentar encontrar, ali, mensagens demoníacas, satânicas e subliminares. Vários artistas foram vítimas destes boatos: no Brasil, principalmente a Xuxa. Mas você sabia que a teoria da conspiração de um nome a isso? É o “backmasking”, popularmente conhecido como “mensagem ao contrário”, cuja tradução seria “mascaramento reverso”. Com gravadores modernos, digitais, o processo é facilitado, sem precisar cortar e colar a fita junto a outras. Tudo é feito digitalmente. O “backmasking” é um processo premeditado, sendo assim, causa de muitas controvérsias, especialmente relacionadas com supostas mensagens subliminares em diversas músicas e outras mídias sonoras.


1. A prática de manipular músicas gravadas começou nos finais dos anos 50 com a chegada da música concreta. Esta forma vanguardista da música eletrônica consistia na edição conjunta de fragmentos sonoros naturais e mecânicos;

2. Os Beatles, que incorporaram as técnicas da música concreta dentro das gravações, foram os responsáveis pela popularização do conceito de “backmasking”. John Lennon experimentou executar ao contrário o acetato de “Tomorrow Never Knows”, canção do álbum “Revolver”. O som da canção sendo tocada ao contrário lhe agradou e ele compartilhou os resultados com os companheiros de banda no dia seguinte;

3. Em 1969, o DJ Russell Gibb recebeu um telefonema anônimo em que a pessoa do outro lado da linha lhe dissera que Paul McCartney estava morto. Segundo o mesmo, a reprodução de certas gravações do grupo Beatles ao contrário revelavam certas mensagens ocultas. Um LP em particular, “Álbum Branco”, inclui algumas destas mensagens. Ao final da cancão “I’m So Tired”, se escuta um murmúrio intencional que, supostamente, ao contrário, está a dizer: “Paul is dead man, miss him, miss him...”;

4. Assim mesmo, a repetição de palavras “Number nine, number nine, number nine...” que aparecem na canção “Revolution 9”, ao contrário se tornam “Turn me on dead man, turn me on dead man...”;

5. Outro exemplo famoso de backmasking é o da canção “Stairway to Heaven” da banda Led Zeppelin. Em uma parte da canção é executada a inversa, e se escuta “Here’s to my sweet Satan”. A Swan Song Records, a gravadora do grupo, declarou: “Nossos discos só tocam em uma direção...”;

6. Em contraponto, há quem fala da invalidade do “backmasking”, argumentando que uma série de sílabas aleatórias pronunciadas em diversos acentos, podem ser placidamente interpretadas como qualquer coisa;

7. Em 1985, os psicólogos John R. Vokey e J. Don Read levaram a cabo um estúdio usando o Salmo 23, da Biblia, na canção “Another One Bites the Dust” do Queen e vários outros sons adaptados para o experimento. Vokey e Read concluíram: “Não podemos encontrar efeito significativo nalgumas das mensagens invertidas sobre o comportamento dos ouvintes, consciente ou inconscientemente”;

8. Gary Greenwald, um pregador cristão fundamentalista, afirmava que as mensagens escondidas podem ser escutadas subliminarmente, podendo induzir os ouvintes ao sexo e uso de drogas. Depois do pavor às mensagens subliminares na década de 50, quando se popularizou o som concreto, muitos negócios haviam surgido pretendendo comercializar áudio subliminar benéfico. Estas lojas ofereciam fitas subliminares que supostamente melhoravam a saúde do ouvinte. Porém não existem evidência da efetividade terapêutica destes tipos de gravações;

9. Em 1985, a banda britânica de heavy metal Judas Priest foi denunciada devido a um ataque suicida cometido por estudantes no estado de Nevada, Estados Unidos. Um deles sobreviveu, afirmando a seus pais que o álbum “Stained Class”, de 1978, continha mensagens ocultas. As palavras “Do it” (“Faça”) eram supostamente audíveis quando a gravação da faixa “Better By You, Better Than Me” era examinada ao contrário;

10. O caso foi arquivado depois que se apresentaram evidências de que os jovens haviam crescido em um ambiente violento e depressivo e depois o agrupamento demonstrou que outras absurdas mensagens ao contrário podiam falar-se sem se usar suficiente imaginação;


11. Muitos músicos já gravaram deliberadamente mensagens subliminares em suas canções. Seus propósitos haviam sido iludir a censura, introduzindo declarações artísticas ou sociais, a divertirem-se à custa das críticas. Alguns grupos, efetivamente, haviam falado em favor do satanismo ou da violência usando “backmasking”;

12. O “backmasking” foi usado por Frank Zappa em seus primeiros álbuns para enganar a censura. O disco “We’re Only in It for the Money” (1968) contém a seguinte mensagem oculta ao final do lado A: “Better look around before you say you don't care/Shut your f***ing [censurado no original] mouth ‘bout the length of my hair/how would you survive/if you were alive/shitty little person?” (“Melhor olhar ao redor antes de dizer que não se importa/Cala a merda da tua boca sobre o comprimento do meu cabelo/como sobreviverá/se tu estivesse vivo/insignificante pessoa de merda?”);

13. Grande parte da controvérsia sobre o backmasking é resultado das mensagens satânicas em músicas do heavy metal. O álbum “Hell Awaits” do Slayer é um prominente exemplo de mensagens satânicas ocultas. O disco inicia com uma voz demoníaca que quando é invertida diz “Join Us” (“Una-se a nós”);

14. A canção “Dinner at Deviants Palace”, de Cradle of Filth, consiste caso completamente de sons ambientes e uma leitura ao contrario do Pai Nosso (o ser capaz de rezar o Pai Nosso ao contrário, era percebido na Idade Média como um herege);

15. Outro exemplo menos conhecido é o álbum de “The Turn of a Friendly Card” de Alan Parsons Project: no fim final da primeira faixa “May be a price to pay”, há uma mensagem escondida no verso “Something’s been going on, there may be a price to pay” (“Algo está sendo continuado, deve ter um preço a pagar”). Em reverso, a mensagem oculta em espanhol diz: “Escucha baby al demónio, es bien fácil” (“Escuta baby ao demônio, é bem fácil”);

16. Algumas das polêmicas tratam de canções que não são necessariamente satânicas, e sim anticristãs. O álbum “Transilvanian Hunger” da banda Darkthrone, contém uma mensagem ao contrário que diz “In the name of God, let the churches burn” (“Em nome de Deus, deixe igrejas a queimarem”);

17. A música “Mysterium Iniquitatis” do grupo Christian Death está quase completamente ao contrário e ao ser invertida expressa crenças antirreligiosas;

18. Finalmente, alguns “backmasking” são controversos por seus temas violentos. Em “Born Dead”, um álbum de 1994 da banda Body Count, há uma mensagem invertida na canção “Killing Floor”: “Body Count, motherfucker. Burn in hell!” (“Número de mortos, filho da puta. Queime no inferno”);

19. O grupo finandês Turmion Kätilöt, em sua EP “Niuva 20”, há a inserção deliberada de uma mensagem inversa com voz robótica na metade da segunda canção, “Kirosana” (“Profanação”), que diz “Devemos violar este paraíso infernal na terra. Ali está teu significado de vida”;

20. As mensagens camufladas foram usadas como manifestações. No álbum “Amused to Death de Roger Waters”, o ex-vocalista do Pink Floyd gravou uma mensagem ao contrario onde criticava o filme “2001, Uma Odisseia no Espaço” do diretor Stanley Kubrick, que havía recusado que Waters usara um som do filme;


21. Muitas mensagens invertidas são paródias às custas do ouvinte que se preocupa, perdendo tempo, ouvindo tais gravações. Por outro lado, alguns músicos de nos anos 80 incluíram deliberadamente “backmasking” com mensagens evangélicas. O grupo cristão Petra, em sua canção “Judas Kiss” introduziu a mensagem “What are you looking for the devil, when you ought to be looking for the Lord?” (“Por que procura o demônio, quando deve estar em busca do Senhor?”);

22. Outro músico cristão, Randy Stonehill, incluiu a mensagem camuflada “He shall reign forever” (“Ele reinará para sempre”), em sua canção “Rainbow”. O grupo cristão de heavy metal Stryken pôs uma etiqueta preventiva em seu álbum para advertir aos que escutam o disco sobre numerosas mensagens ocultas, incitando ao ouvinte a aceitar Jesus Cristo como seu salvador;

23. Uma famosa mensagem ao contrário vem na introdução de uma peça instrumental da Electric Light Orchestra chamada “Fire on High”, em que uma misteriosa voz profunda, em reverso diz “The music is reversible, but time is not, turn back! Turn back! Turn back!” (“A música é reversível, mas o tempo não é, rode devolta!, rode devolta!, rode devolta!”);

24. O álbum “The Amazing Jeckel Brothers” lançado por Insane Clown Posse, em 2000, contém “backmasking” intencional. A canção “Everybody Rise” inclui uma galimatia ao final da faixa, que ao ser executada ao contrário revela que é o mesmo Violent J dizendo “If you flipped this message, ‘cuz you think there’s some secret message, there ain’t shit!” (“Se você havia voltado esta mensagem, é porque pensa que há alguma mensagem secreta, não há tal merda!”);

25. Com a popularização dos CD’s ficou mais difícil procurar por “backmaskings” e o interesse diminuiu muito. É por isso que podemos encontrar maior número de incidência em álbuns ainda feitos em vinil, pois as pessoas podiam manuseá-lo ao contrário, tocando no reverso;

26. Por conta de seu conteúdo folclórico ao longo das últimas décadas, muitos artistas têm usado o “backmasking” de maneira artística em suas músicas para complementar a obra em que trabalham no momento. Esse é o caso de Sigur Rós, Korn, David Bowie, Prince, Linkin Park etc.;


sábado, 15 de novembro de 2014

Animais que “farejam a morte” e outras coisas bizarras: fato, farsa ou sexto sentido paranormal?!

Em meados de 2007, uma história no mínimo curiosa foi publicada no “New England Journal of Medicine” sobre um gato que poderia “prever” as mortes de pacientes em um asilo várias horas antes de essas pessoas virem a óbito. De acordo com a matéria, Oscar, nome do bichano, fez pelo menos 25 previsões que se saíram bem sucedidas, quando os pacientes morreram algumas horas depois de o gato de sentar no colo delas. Após a equipe da casa de saúde ter percebido a capacidade de Oscar, eles começaram a alertar as famílias sempre que o gato assumia seu posto próximo ao paciente. A maioria das famílias tolerava ou mesmo agradecia a sua presença, apesar de Oscar ficar estressado se forçado para fora do quarto de um paciente morrendo, miando atrás da porta.

Essa história do gato Oscar fez pipocar na mídia uma série de atos que os animais poderiam fazer durante a rotina; além de cães farejadores de drogas, teríamos agora cachorros que farejam câncer, diabetes, problemas vasculares, gatos salvando seus donos, outros farejando espécies terríveis de câncer, entre outros. De acordo com os parapsicólogos, era, finalmente, a medicina descobrindo o sexto sentido animal.


Todos começaram a se perguntar como Oscar fazia isso com os velhinhos do asilo. Especialistas em animais formularam várias explicações, mas a maioria concorda que provavelmente isso tem a ver com um cheiro específico produzido por pacientes terminais. Em outras palavras, pessoas que estão morrendo exalam cheiro de determinados produtos químicos que não são detectáveis por outros humanos, mas que poderiam provocar o olfato de Oscar. Um especialista em felinos disse que os gatos podem sentir doenças em seus amigos humanos e animais.

Quanto a por que ele faz vigília próximo aos pacientes, Oscar poderia estar imitando o comportamento da equipe que passa mais tempo com pacientes que estão morrendo. Um especialista em animais sugeriu que pode ser que Oscar simplesmente aprecia o conforto de cobertores aquecidos colocados em pacientes que estão morrendo.

Histórias de animais com habilidades notáveis não são raras. Há muito tempo existem histórias de cães que detectam vários tipos de câncer com seu faro. Um estudo comprovou depois que os cães podiam sentir evidência de câncer de bexiga ao farejá-lo na urina. Algumas pessoas que sofrem de epilepsia grave usam cães especialmente treinados fornecidos por instituições de caridade. Esses cães avisam seus donos sobre convulsões iminentes, dando lambidas ou fazendo algum outro sinal.

Apesar de estarmos acostumados a ouvir falar de cães que aprendem a ajudar os cegos ou a buscar pessoas feridas, o caso de Oscar é mais curioso. Gatos, diferentemente de cães ou mesmo elefantes, não são associados a um comportamento altruístico ou empático. Cientistas acreditam que cães podem sentir doenças nos outros devido à sua origem evolucionária como os lobos, que precisavam ser capazes de detectar quando algum animal na matilha estava ferido ou doente.


De acordo com os veterinários, não estamos falando em nenhum sexto sentido ou paranormalidade, mas sim num ramo da ciência que vem ganhando corpo nos últimos anos: a etologia, especializada no comportamento dos animais. Seria quase uma psicologia comportamental do mundo animal. Segundo os etólogos, esses animais que farejam doenças e mortes têm uma capacidade sensorial extremamente apurada, como olfato, visão, audição etc.

Veja o caso do morcego, relacionado a forças malignas por voar na escuridão: sua visão é muito inferior à das pessoas, mas ele é dotado de um sistema que o permite emitir e ouvir ultrasons – sons de frequências superiores às audíveis pelos humanos – e consegue se orientar espacialmente com essa espécie de sonar. Elefantes, ao contrário, são sensíveis aos infrasons – o que permite, por exemplo, a um indivíduo desgarrado encontrar a manada mesmo que ela esteja a muitos quilômetros de distância.

Há algum tempo, a “British Medical Journal” publicou os resultados de um estudo sobre a possibilidade de cães detectarem a presença de câncer de bexiga. Como eles fazem isso? Farejando a urina do paciente. Um grupo de cachorros detectou corretamente o câncer em 22 dos 54 casos, o que significa 41% de acerto, quando a probabilidade desse diagnóstico ao acaso seria de apenas 14%.



De acordo com os primeiros estudos etológicos, o cão, por exemplo, é muito sensível aos odores cadavéricos, principalmente dos tecidos que estão em constante oxidação: são mais de dois mil componentes produzidos pelo corpo que podem ser identificados. Assim, alguns cães com os olhos vendados podem até distinguir uma vítima viva de um cadáver.

O lado da história segundo a parapsicologia: o sexto sentido...
Segundo os parapsicólogos, esse é o primeiro passo de reconhecimento daquilo que o folclore e o senso comum sempre disseram: os animais têm um sexto sentido, e têm como objetivo ajudar os seres humanos em risco neste plano terrestre e prepará-los para o outro plano, após a morte. Assim posto, a parapsicologia não refuta a etologia; pelo contrário: ela afirma que esse novo estudo racionaliza aquilo que o ser humano sempre correlacionou à emoção. O amor do animal para com seu dono e sua lealdade.

Para os parapsicólogos, os animais possuem um extraordinário desenvolvimento de suas faculdades perceptivas, que lhes permite ver o que os humanos sem sequer imaginam. Com uma capacidade premonitória excepcional, são capazes de detectar a proximidade de terremotos e saber se uma pessoa está dizendo a verdade ou mentindo, por exemplo. Em relação aos terremotos, por exemplo, é interessante pontuarmos dois fatos: (1) nas ruínas de Pompeia, destruída pelo Vesúvio, não foi encontrado nenhum animal de estimação porque eles sentiram o alerta no ar e simplesmente saíram da cidade; (2) o mesmo aconteceu em 2004 com o tsunami asiático e simplesmente todos os animais sumiram e nenhum morreu enquanto que mais de 300 mil pessoas vieram a óbito naquela ocasião.

A sensibilidade dos animais, especialmente cães e gatos, quanto aos fenômenos paranormais, é impressionante. O parapsicólogo norte-americano Dr. Robert Morris utilizou animais como “controles” em seus experimentos durante os anos 60. Em uma ocasião, esteve estudando uma casa supostamente mal-assombrada, lá havia acontecido uma tragédia. Utilizou um cachorro, um gato, um rato e uma cobra cascavel (todos dóceis e domesticados): (1) quando o cachorro adentrou menos de um metro na casa, começou a rosnar para o próprio dono e voltou para fora. De nenhuma forma conseguiram que o cachorro voltasse para dentro; (2) o gato entrou na casa no colo de seu dono. Quando chegou a uma distância parecida com a do cachorro, saltou imediatamente para os ombros do dono, cravando as unhas; logo pulou para o chão, dirigindo-se até uma cadeira. Passou alguns minutos bufando e olhando fixamente para a cadeira vazia, situada em um canto da casa, até que foi retirado de lá; (3) a cobra, ao ser colocada dentro da casa, adotou imediatamente uma postura de ataque, dirigida contra a mesma cadeira que havia deixado o gato nervoso. Após alguns minutos, girou lentamente a cabeça para a janela, para logo desviar a vista de lá e adotar novamente a posição de ataque, por cinco minutos até ser retirada; (4) o único animal que não teve nenhuma reação foi o rato. Depois de um tempo, todos os quatro animais foram examinados em outro local, e se comportaram normalmente.



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Quimera: a besta mitológica dos contos de fadas...

Geralmente, na linguagem popular, quando queremos falar de um sonho impossível, ou de uma situação inacreditável, falamos que se trata de uma “quimera”. Essa palavra de origem grega tem sua raiz na antiga mitologia daquela região: Quimera é uma figura mística caracterizada por uma aparência híbrida de dois ou mais animais e a capacidade de lançar fogo pelas narinas, sendo, portanto, uma fera ou besta.


De acordo com folcloristas gregos, a história da Quimera tem origem na região da Anatólia, atualmente localizada na Turquia, onde a Grécia fazia comércio e tomou conhecimento da lenda no século sétimo antes de Cristo, sempre exercendo muita atração no imaginário popular grego depois dos relatos dos viajantes, que juravam terem visto estes seres bestiais.

De acordo com a versão mais difundida da lenda, a Quimera era um monstruoso produto da união entre Equidna – metade mulher, metade serpente – e o gigantesco Tifão. Outras lendas a fazem filha da Hidra de Lerna e do Leão da Nemeia, que foram mortos por Hércules. Criada pelo rei da Cária, mais tarde assolaria este reino e o de Lícia bafejando fogo incessantemente, até que o herói Belerofonte, montado no cavalo alado Pégaso, conseguiu matá-la.


Com o passar do tempo, chamou-se genericamente “Quimera” a todo monstro fantástico empregado na decoração arquitetônica greco-romana. Já na Idade Média, durante os primeiros estudos da química como ciência, conhecida então como alquimia, a Quimera passou a ser um animal artificial, criado a partir da fusão de um ser humano com vários animais – seria como a experiência do Dr. Frankenstein e seu monstro.

Figurativamente ou em linguagem popular mais ampla, como dissemos no início deste post, o termo quimera alude a qualquer composição fantástica, absurda ou monstruosa, constituída de elementos disparatados ou incongruentes, significando também utopia. A palavra “quimera”, por derivação de sentido, significa também o produto da imaginação, um sonho ou fantasia.

Aparência da Quimera...
De acordo com os contos lendários gregos, turcos e com as artes plásticas encontradas em sítios arqueológicos por arqueólogos, a aparência da Quimera varia segundo a região e segundo o conteúdo do conto passado à frente. Por exemplo, podemos destacar:

- Cabeça e corpo de leão, com duas cabeças anexas, uma de cabra e outra de serpente;
- Cabeça e corpo de leão, com duas cabeças anexas, uma de cabra e outra de dragão;
- Duas cabeças ou até mesmo uma cabeça de leão e cabra, corpo de leão e cauda de serpente;
- Cabeça de leão, corpo de cabra, rabo de serpente e solta fogo pelas narinas;
- Cabeça de leão, cabeça de cabra, cabeça de dragão, corpo de leão e cauda de serpente;
- Duas cabeças de leão, com corpo de dragão e asas de morcego.


A “morte” da Quimera...
Após o período conhecido como Alta Idade Média, quando o poder da Igreja católica foi mais forte, além da expansão da ideia do dragão como um ser fantástico, a Quimera foi perdendo espaço e sumiu dos contos de fadas da Europa. De acordo com os folcloristas especializados em mitologia greco-romana, a figura de São Jorge matando o dragão é a substituição (ou canonização) da imagem pagã de Belerofonte matando com uma lança a Quimera.

Assim, como foi muito comum na Igreja primitiva e na Idade Média, cristianizou-se uma série de elementos mitológicos considerados como pagãos pelos bispos e padres europeus. A Quimera passou a ser a representação da traição, da mentira, da morte e do mal. O herói do conto mais popular, Belerofonte, transformou-se em santo católico, São Jorge, padroeiro da Inglaterra.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Nos Estados Unidos houve escravidão de negros? Sim! E como foi isso? Descobriremos agora...

Hoje vamos tratar de um tema interessante para a historiografia: a questão da escravidão em outros países. Costuma-se debater somente a escravidão no Brasil, como se o problema só tivesse ocorrido no nosso país; entretanto, ele ocorreu em todo continente americano durante o Colonialismo. Também é comum o discurso de que a escravatura brasileira tenha sido extremamente cruel com os negros, mas os indícios históricos mostram que ela foi dura em toda América.

Pouco se debate sobre a história da escravidão dos negros durante o período colonial norte-americano. Parece que o negro aparece nos Estados Unidos só a partir dos anos 1950 com as lutas raciais no sul daquele país e, mais tarde, com as figuras de Martin Luther King Junior, Rosa Parks e Malcolm X. Mas esses problemas que eles lutaram tanto surgiram, justamente, com o preconceito gerado na escravidão de africanos levados para os Estados Unidos.

As imagens usadas no post de hoje, todas elas, foram tiradas dos escravos nos Estados Unidos, bem como as pinturas. Elas mostram como a rotina e os castigos do norte eram bem parecidos com os métodos aplicados nas colônias portuguesas.



Uma das primeiras farsas históricas que devemos romper é a fala comum de que na colônia inglesa do norte americano só havia mão de obra livre com seres humanos usufruindo de liberdade religiosa, liberdade política, liberdade de ir e vir, liberdade individual. Pelo contrário. Encontramos muitos problemas comuns às colônias, como o Pacto Colonial, o Mercantilismo, as taxas coloniais altíssimas e, claro, a escravidão.

Começo da história da escravidão americana...
Nos primeiros anos dos assentamentos da Baía de Chesapeake, era muito difícil conseguir mão de obra, e a taxa de mortalidade era altíssima; os europeus não estavam acostumados àquele ambiente e os índios atacavam com frequência. Escravizar os índios era impossível porque eles não entendiam o sistema capitalista europeu e não se encaixavam ao molde de trabalhador graças ao preconceito generalizado que o índio era preguiçoso.

A maior parte dos trabalhadores vinha do Reino Unido, da Irlanda e da Alemanha como “servos”. Assinavam contrato com os donos das terras, que pagava salário (baixo) ou então eram meeiros. Essas pessoas fugiam das perseguições religiosas, da fome e das guerras dos séculos 17 e 18 – a colonização dos Estados Unidos é tardia em relação à latina, começando no século 16. Assim, não podemos falar ainda em escravidão nesse período dos “pioneiros”, como lá são conhecidos os primeiros colonizadores.

De acordo com os dados feitos no Arquivo Nacional da Inglaterra, entre 1519 e 1867, os navios negreiros ingleses entregaram a maior parte dos escravos no Brasil (38%) e os Estados Unidos receberam cerca de 11% (ficando em quarto lugar neste estranho e sangrento ranking vergonhoso) desses negros como mercadorias, e o maior comércio de escravos na América do Norte estava no porto de Boston.

Os primeiros “tumbeiros” (como eram chamados no Brasil os navios negreiros) chegaram aos Estados Unidos em 1619 na colônia de Jamestown, na Virgínia, trazidos por piratas holandeses que os roubaram de uma embarcação espanhola que levava os homens e mulheres para a atual Colômbia. No início da escravidão, se o negro se convertesse ao Protestantismo, poderia ficar livre depois de alguns anos e, por isso, muitos se converteram por interesse; e isso fez com que os senhores de terras mudassem essa regra.



Em 1621 chega aos Estados Unidos outro carregamento de negros, desta vez liderados por comerciantes portugueses que, de acordo com os documentos disponíveis, eram mulatos filhos de homens portugueses com negras da África. Foi assim que, aos poucos, a escravatura foi crescendo na América do Norte, convivendo com os trabalhadores europeus livres, donos de pequenas propriedades agrícolas. Em 1640, por exemplo, uma corte na Virgínia condenou à “escravidão eterna” um negro que tentou fugir do seu senhor de terras.

Os historiadores apontam que o auge da chegada de tumbeiros nos portos norte-americanos acontece em dois períodos: entre 1700 e 1760 e entre 1800 e 1860 (nota-se que é depois da independência dos Estados Unidos, em 1776, documento que declara que todo ser humano nasce igual e com os mesmos direitos – mas o homem que escreveu esta frase tinha 250 escravos em sua fazenda baseada no plantation de algodão e laranja).

Em 1654 uma outra corte coloca uma punição severa a um escravo que tentou fugir para um quilombo na Geórgia (os quilombos nos Estados Unidos eram chamados “marons”). O homem, John Casor, foi condenado a 250 chibatadas nas costas e nas pernas. Depois de alguns anos ele acabou sendo liberto porque um vizinho comprou sua liberdade depois de testemunhar uma série de violências contra Casor.



Como os africanos não eram protestantes e nem europeus, eles eram considerados estrangeiros (até mesmo os filhos dos escravos nascidos nos Estados Unidos) e, portanto, contavam com leis ainda mais severas. A situação era pior entre os mulatos, pois não eram considerados nem africanos escravizados, nem americanos por direito. Até 1662, os filhos de escravos nasciam livres até que a situação mudou em favor dos senhores de terras: eles incentivavam que os casais escravizados tivessem filhos para terem mais trabalhadores futuros em seu favor. Se a criança fosse filha de um pai europeu, ela ficaria com a mãe até os quinze anos e depois seria liberta e viveria à própria sorte (geralmente acabavam mendigando ou se tornando pequenos batedores de carteiras).

Em 1705 as leis coloniais dão outro duro golpe nas minorias: as práticas religiosas dos índios americanos e dos africanos foram consideradas “práticas satânicas e, portanto, totalmente ilegais”. Estamos falando do contexto geral da caça às bruxas que terminou com a matança de Salém, em Massachussetts. Assim, a conversão forçada tornou-se prática comum entre os escravos e os índios. Todo esse conjunto de lei foi dando força à escravatura nos Estados Unidos enquanto os portos de Boston, de Chesapeake e de Jamestown abarrotavam-se de negros expostos à venda.

Em 1735, algumas cortes de vilarejos na Geórgia tentaram proibir a escravidão em vista dos maus tratos que os negros passavam nas grandes fazendas de algodão, entretanto a força do dinheiro foi maior e as leis e proibições foram barradas. Com o tempo os senhores de terras foram ganhando cada vez mais força porque contavam com o apoio da metrópole inglesa.



Durante o período das Treze Colônias, e depois da independência dos Estados Unidos, a escravidão foi comum. Nas colônias do norte os negros eram comuns como empregados domésticos, artesãos, trabalhadores braçais urbanos. Nas colônias do sul a escravidão era mais comum, mais árdua e mais agressiva; os homens e mulheres trabalhavam 17 horas por dia nos grandes plantations de algodão, laranja, arroz, tabaco e banana. Em 1720, por exemplo, na Carolina do Sul, 65% da população era formada por escravos; de cada dez habitantes, quase sete eram negros escravizados.

De acordo com os historiadores, no período que a escravidão foi aceita e legalizada nos Estados Unidos, pelo menos 1,6 milhão de homens e mulheres chegaram àquele território para trabalharem compulsoriamente. No censo de 1860 havia quatro milhões de escravos nos Estados Unidos (registrados); e a taxa de mortalidade era altíssima por conta das agressões e condições de vida.

O fim da escravidão nos Estados Unidos...
Apesar de o tráfico negreiro ter sido proibido nas terras norte-americanas em 1815, o contrabando continuou até pelo menos 1860 porque era um tipo de mercado extremamente lucrativo. Nesse meio tempo já era forte a campanha abolicionista vinda dos estados do norte. O Compromisso do Missouri, de 1820, autoriza a escravidão apenas abaixo do paralelo 36º. O apoio que ainda poderia existir no Norte a favor da escravidão esvaiu-se com o livro “A cabana do Pai Tomás”, de Harriet Elizabeth Stowe, uma ardente abolicionista que o publicou em 1852.

Com o avanço da campanha abolicionista, em 1860 a Carolina do Sul se declarou independente do restante do país, fato que culminou no movimento de independência das colônias do sul (ainda escravagistas). O “novo país” era formado pelos seguintes estados: Virgínia, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Geórgia, Flórida, Alabama, Mississippi, Louisiana, Arkansas, Texas e Tennessee. Isso gerou a Guerra Civil Americana (Guerra de Secessão), que terminou com a vitória dos estados do norte. Por fim, em 1865 o governo federal norte-americano aboliu todos os escravos do território, pondo fim, no papel, à escravidão.



Entretanto esse era o ponto exposto do iceberg. Como libertar, do nada, pessoas marginalizadas, pessoas despreparadas para o mercado de trabalho, geralmente analfabetas, extremamente pobres? Esses problemas foram culminando até os anos 50 e 60 do século 20, quando vemos surgir as figuras de Rosa Parks, Martin Luther King Jr. e Malcolm X. Até hoje a diferença social entre negros e brancos é enorme, mas vem diminuindo aos poucos com políticas afirmativas – como acontece no Brasil.