sábado, 30 de agosto de 2014

Projeto Montauk e “guerra psicológica”: fatos ou farsas?!

O Projeto Montauk foi acusado de ser uma série de projetos paralelos, secretos, do governo norte-americano realizado em Camp Hero, também conhecido como Air Force Station, na cidade de Montauk, na região metropolitana de Nova York. Há poucas referências sobre a existência deste projeto e suas finalidades, sendo que muitos conspiracionistas consideram-no como uma lenda urbana do período da Guerra Fria (1945-1991).

De acordo com o que se tem documento, e é pouca coisa, a finalidade era desenvolver técnicas de guerra psicológica e investigações consideradas incomuns e exóticas, incluindo neste rol viagens no tempo, viagens no hiperespaço, invisibilidade à luz visível, ao infravermelho e aos radares. Diz-se que muito do que se conseguiu da invisibilidade aos radares dos caças “stealth”, nos anos 80 e 90, vem do Projeto Montauk.

Outros estudiosos apontam que muitas pesquisas deste projeto em si vieram do que se chama “engenharia reversa” vinda de dois pontos: (1) captura de aviões abatidos da antiga União Soviética; e (2) estudos em supostos objetos voadores não identificados, aeronaves aliens que caíram em território norte-americano.

Devido à falta de evidências para apoiar grupo de hipóteses, os críticos argumentam que o Projeto Montauk é uma teoria da conspiração ou apenas uma lenda urbana ou um absurdo. O pesquisador Jacques Vallée descreve as alegações do Projeto Montauk como uma consequência de histórias sobre o Experimento Filadélfia (tema que você pode encontrar em um post antigo neste blog).


Guerra psicológica e algumas considerações importantes...
A guerra psicológica é mais uma ferramenta da guerra moderna, também conhecida como “op psico”. Trata-se de uma guerra não convencional que envolve stress, terrorismo, propaganda etc. Ela é usada para induzir confissões ou reforçar atitudes e comportamentos favoráveis aos objetivos do originador, e às vezes são combinadas com as operações negras ou táticas de ataque de falsa bandeira.

O Departamento de Defesa norte-americano define guerra psicológica como o uso planejado de propaganda ou outras ações psicológicas com o objetivo primário de influenciar as opiniões, emoções, atitudes e comportamento de grupos estrangeiros hostis, de forma a alcançar os objetivos da nação.


Em geral, entende-se que a guerra psicológica seja extremamente capaz, pois pode mudar comportamentos a favor de uma decisão que, em geral, a população seria totalmente contra; ou então o uso de inteligência e mensagem subliminar para minar o psicológico do inimigo durante determinado combate. Essas ações podem ser políticas, militares, diplomáticas, econômicas, sociais ou puramente psicológicas, como o próprio termo diz.

Ações de guerra psicológica ao longo da história...
Genghis Khan (foto abaixo), líder do Império Mongol no século 13, uniu seu povo para, eventualmente, criar o maior império contíguo da história humana. Diminuir a vontade do inimigo em lutar era a prioridade. Antes de atacar as aldeias, um acordo era proposto, os generais mongóis exigiam a submissão ao Khan, e ameaçavam as aldeias com a destruição completa, diante de uma recusa a se render. Depois de vencer a batalha, os generais mongóis cumpriam suas ameaças e massacravam os sobreviventes.

Exemplos incluem a destruição das nações de Kiev e Khwarizm. Consequentemente, os boatos sobre o exército de Genghis Khan se espalhavam para as aldeias próximas e criou-se uma aura de insegurança que minou a possibilidade de resistência futura. Nações posteriores estavam muito mais propensas a se render aos mongóis sem lutar. Estas ações psicológicas garantiram vitórias rápidas mongóis.


Genghis Khan também empregou táticas que fizeram seus números parecem maiores do que realmente eram. Durante as operações noturnas ele ordenou cada soldado acender três tochas ao anoitecer para dar a ilusão de um exército enorme e enganar e intimidar os batedores inimigos. Ele também colocava objetos ligados às caudas de seus cavalos, de modo que, ao andar em campo aberto e seco levantava-se uma nuvem de poeira que dava ao inimigo a impressão de um grande exército.

Outro exemplo histórico de guerra psicológica vem do imperador Vlad, conhecido popularmente como Conde Drácula, ou Vlad Empalador. Há o registro de que, certa vez, mensageiros mouros chegaram à Romênia trazendo mensagem no sultanato. Vlad III ordenou que eles tirassem seus turbantes. Contudo, eles se recusaram em referência ao respeito de sua cultura. Com isso, ele ordenou que pregassem os turbantes nas cabeças dos mensageiros. Há lendas que nunca foram comprovadas. Teria conseguido conseguiu reduzir os furtos cortando a mão do ladrão. Teria também conseguido acabar com a pobreza em um dia, quando convidou todos os pobres do reino para um jantar em seu palácio e, ao chegarem, foram trancados em um recinto onde Vlad ateou fogo.

Certa vez, Vlad III (fotos abaixo) assustou o exército mouro ao apresentar na entrada da cidade uma “floresta” com mais de dois mil corpos empalados. Essa recepção causou tremendo terror entre os emissários e soldados otomanos.



Outro exemplo muito comum de guerra psicológica é a própria história da Guerra Fria, conflito ideológico entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, depois da Segunda Guerra Mundial, entre 1945 e 1991. Durante esse tempo era muito comum uma série de propagandas diretas e subliminares entre aquelas duas potências. Para muitos conspiracionistas, a Guerra Fria é o maior exemplo histórico de guerra psicológica, por terem sido utilizadas técnicas variadas e metodologias bem diferentes.

Métodos mais comuns de guerra psicológica...
- Distribuição de panfletos encorajando a deserção de soldados;
- Emissão de determinadas ideias através de veículos de comunicação de massa, como rádio, televisão e cinema;
- Ameaças subliminares, como o caso da floresta de corpos empalados na Romênia;
- Estratégia militar designada como “choque e espanto”;
- Terrorismo direto para minar os pontos básicos do inimigo e espalhar o medo da população.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Por que não temos avistamentos de Ovnis anteriores ao século 20?!

Hoje vamos falar sobre um assunto extremamente controverso no meio da ufologia, que acaba se estendendo até a astronomia, a física e a história. Trata-se da suposta “falta” de avistamentos e quedas de objetos voadores não-identificados anteriores às décadas de 30 e 40 do século 20.


As aparições de Ovni’s na cultura ocidental começam a ser mais bem documentadas a partir da década de 1930, justamente quando tem início a aviação comercial; por isso, alguns ufólogos e teóricos da aviação dizem que grande parte desses supostos avistamentos está embasada no erro de identificação, como no México, onde balões metálicos de festejos facilmente são confundidos como objetos não-identificados, sendo considerado um dos lugares mais comuns para avistamentos “estranhos” no mundo, de acordo com a Mufon, a rede internacional de investigação ufológica.

Entretanto, quem não compartilha desta hipótese de erros de identidade e identificação, aponta para alguns fatos históricos já citados aqui neste blog em posts anteriores, sobre supostos avistamentos de discos voadores e seres de outros planetas há muitos séculos e até mesmo milênios: (1) a mais importante, a Teoria dos Deuses Astronautas; (2) o relato bíblico da “aeronave” no livro de Ezequiel; (3) a batalha de Ovni’s em Nuremberg, Alemanha, no século 16; (4) e a queda de um Ovni em uma pequena cidade no Texas, Estados Unidos, em meados do século 19. Todos esses pontos podem ser encontrados neste blog através de posts mais antigos, onde o leitor pode ter mais detalhes das respectivas histórias e teorias.

Esses quatro apontamentos já seriam suficientes para deixar qualquer cético com dúvidas em relação a esses avistamentos pré-contemporâneos e pré-aviação comercial. No entanto, para os críticos destes pontos, faltam mais provas e embasamentos científicos, ficando tudo em um campo místico e milagroso, com uma aura de folclore local.


Uma teoria defendida por parte de ufólogos e físicos é que os supostos discos voadores não eram vistos antes da década de 1930 simplesmente porque antes disso praticamente não havia aviação. Ou seja, muitos dos Ovni’s seriam erros de identificação de aeronaves, balões meteorológicos etc. A isso se explicaria a “explosão” de casos vistos entre 1950 e 1970, período da Guerra Fria (1945-1991), quando os Estados Unidos e a União Soviética espionavam um ao outro usando maquinário secreto, portanto desconhecido e passível de ser confundido como um disco voador ou qualquer objeto voador não-identificado.

Esse é um assunto bastante controverso e que alimenta muitas paixões, principalmente da corrente ufológica que tenta compreender esses objetos voadores como manifestações físicas e incontestáveis da existência de seres de outras galáxias que nos visitam frequentemente, os “turistas espaciais”.

Entretanto, de acordo com a Mufon, 98% dos casos de avistamentos relatados à entidade e investigados por ela são simplesmente erros de identidade ou fraudes fotográficas. Somente os outros 2% restantes sofrem de possível falta de comprovação maior.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Teorias conspiratórias envolvendo o Papa João 23. Fatos ou farsas?!

Apesar de ser amado, aclamado e homenageado por muitos, o Papa João 23 (1881-1963) (foto abaixo) é também alvo de várias críticas, acusações e teorias de conspiração, que são feitas e defendidas majoritariamente por alguns grupos de católicos tradicionalistas. Como, por exemplo, estes grupos minoritários e marginalizados defendem que João 23 era maçom ou rosacruciano; era simpatizante ou cúmplice do comunismo, do socialismo e de correntes radicais anticatólicos; e era um herege modernista por defender o ecumenismo, a liberdade religiosa e a realização do Concílio Vaticano II. Por acusá-lo de ser um herege, alguns até defendem a teoria conspiratória de que João 23 era um antipapa que usurpou ilegalmente a cátedra de São Pedro, que devia pertencer ao cardeal Giuseppe Siri.


Existem também alguns grupos, ligados à ufologia ou à detecção e crença de profecias apocalípticas, que defendem que João 23 teve vários contatos com extraterrestres e redigiu um conjunto de profecias com muitas metáforas que abrangem desde a Segunda Guerra Mundial até ao fim do mundo. Parte destas profecias obscuras foram registradas no livro “As profecias do Papa João XXIII”, de Pier Carpi.

Os principais grupos católicos não acreditam ou negam todas estas críticas, teorias e especulações conspiratórias mencionadas e descritas com maior pormenor nas seções seguintes. Eles defendem-se dizendo que estas acusações, vindas de grupos marginalizados e ávidos de teorias de conspiração, são tão vagas e mal fundamentadas que a igreja católica nunca se deu ao trabalho de refutá-las. Eles defendem que todas as dúvidas importantes acerca da santidade, catolicidade e conduta do Papa João 23 foram clarificadas ou refutadas direta ou indiretamente pela sua beatificação. Eles também mencionam que a Igreja conseguiu beatificá-lo e canonizá-lo sem grandes problemas e escândalos, sendo um forte sinal revelador do pouco impacto que estas críticas e acusações conspiratórias causaram.


Suposta relação do Papa com a Maçonaria...
Vários grupos de pessoas, nomeadamente certos grupos católico-tradicionalistas, acusam o Papa João 23 de ter ligações com a Maçonaria e de ser fortemente influenciado por esta mesma associação. Segundo uma outra teoria, João 23, desde 1935 (naquela altura, ele era delegado apostólico na Turquia e na Grécia), já era um membro de uma sociedade iniciática com características maçônicas e rosacrucianas.

Outros até dizem que ele foi um membro do Priorado de Sião. Algumas destas teorias estão registadas e defendidas no livro “As profecias de João XXIII”. Yves Marsaudon, um barão e maçom francês, afirmou que o Papa tornou-se um maçom de 33º grau durante a sua estada na França como núncio apostólico. Em 1994, o grão-mestre do Grande Oriente da Itália declarou que Roncalli iniciou-se na Maçonaria em Paris e participou nos trabalhos das lojas maçônicas de Istambul (Turquia). Em 2002, um jornal português revelou mais algumas supostas provas de que Roncalli era de fato um maçom praticante.

As acusações mencionadas são graves porque a Igreja ensina que todos “os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão”. Os principais grupos católicos negam qualquer envolvimento do Papa João 23 na Maçonaria ou em qualquer associação secreta.


Relações do Papa com o comunismo, o socialismo e o radicalismo...
Além de acusarem-no de maçom, o Papa João 23 é também acusado de ser um simpatizante e até um cúmplice do comunismo, do socialismo e de correntes radicais. Estes movimentos modernos são todos eles condenados pela igreja católica. Existem relatos que dizem que Roncalli, antes de ser Papa, convivia e socializava amavelmente com muitos comunistas, socialistas e radicais. No seu octagésimo aniversário (em 1961), o Papa até recebeu, por telegrama, felicitações de Khrushchev, que era, naquela altura, líder da União Soviética.

O Papa é também acusado de firmar um acordo secreto com a União Soviética, em 1962. Neste acordo, João 23 comprometeu-se com o negociador soviético a não atacar o povo nem o regime da Rússia. Isso era para que Moscou permitisse que os observadores ortodoxos russos comparecessem ao Concílio Vaticano II.

Vários católicos tradicionalistas acusam também o Papa de não condenar abertamente o comunismo e o socialismo na sua encíclica “Mater et magistra” e no Concílio Vaticano II. Eles também acusam esta famosa encíclica de promover e conter ideias socialistas. Mas, a verdade é que o próprio Papa João 23 teve o cuidado de incluir na “Mater et magistra” as condenações do Papa Pio 11 sobre o comunismo e o socialismo.


Concílio Vaticano II e acusações de heresia e modernismo...
Existem vários grupos de católicos tradicionalistas que acusam o Papa João 23 de ser um defensor e praticante da “heresia modernista”. Eles afirmam que, já em 1925, Roncalli era suspeito pelo Santo Ofício de ser modernista, acabando por ter que ser enviado para Bulgária como Visitante Apostólico. Tais grupos afirmam também que Roncalli era um grande admirador do movimento modernista francês Le Sillon, que foi condenado pelo Papa Pio 10.

Os referidos sectores referem também que o Papa João 23, já desde cedo, tinha ideias muito heterodoxas e até heréticas. Como, por exemplo, eles alegam que Roncalli, sendo um maçom, não acreditava na divindade de Jesus e em milagres, sendo conhecido por vários maçons como um deísta e racionalista. Roncalli era também visto como um defensor acérrimo da liberdade e dos direitos humanos (incluindo a liberdade religiosa), do ecumenismo, do diálogo interreligioso (nomeadamente com os judeus) e do respeito e tolerância religiosas. Roncalli chegou mesmo a designar os “cismáticos” e os “heréticos” de “irmãos separados” que pertencem a uma única “família cristã”.

Os grupos tradicionalistas dizem que a queda dos “valores morais” começou no Concílio Vaticano II, idealizado justamente por João 23, onde se introduziu também muitas outras inovações, como a colegialidade dos bispos, o ecumenismo, a liberdade religiosa, a valorização da dignidade e dos direitos humanos, a reforma litúrgica do Rito Romano e a abertura da Igreja ao mundo moderno. Eles acreditam que estas inovações são heréticas e constituem uma ruptura com a tradição católica, fazendo com que a atual Igreja não seja verdadeiramente católica.


Teoria do Antipapa...
O Papa João 23 é também acusado de ser um antipapa por alguns grupos tradicionalistas. Eles alegam que João 23 era de fato um herege, um apóstata e um não-católico que pretendia conspirar contra a Igreja através do Concílio Vaticano II. Alguns destes grupos acreditam inclusivamente que o Cardeal Giuseppe Siri (foto abaixo) foi de fato eleito Papa no conclave de 1958, mas que teve que dar o seu lugar a Roncalli devido às ameaças dos comunistas (nomedamente dos soviéticos).


Os apoiadores desta teoria afirmam também que esta suposta resignação do Cardeal Siri era ilegal, por isso eles acreditam que Siri é que era o verdadeiro e legítimo Papa (eles até acreditam que Siri escolheu o nome papal de Gregório 17). Eles acham por isso que João 23 era só um mero usurpador ilegal da cátedra de São Pedro. Mas existem também muitos estudiosos, entre os quais católicos tradicionalistas que defendem que esta teoria é falsa e foi baseada em interpretações confusas e distorcidas dos fatos e de certas notícias em língua italiana.

Supostas profecias e encontros com extraterrestres...
Para além das críticas e acusações, existem também várias alegações e teorias que defendem que Angelo Roncalli redigiu, em 1935, um conjunto de profecias “surpreendentemente claras”, sendo em parte reveladas ao mundo no livro “As profecias do Papa João XXIII”, de Pier Carpi. Como qualquer profecia, as suas mensagens estão carregadas de metáforas. Abrangem desde a iminente II Guerra Mundial até o final dos tempos.

Os conspiracionistas acham que João 23 prognosticou a entrada em cena de um Santo Padre em cujo tempo “a Mãe estenderá o braço e se abrirá ao mundo” – ou seja, a Igreja abarcará o mundo todo. A Igreja aceitará então “uma pequena corrente”, isto é, adotará princípios gnósticos. Assim, a doutrina da reencarnação será então aceita.

De acordo com as supostas profecias, João 23 previu os avanços da biogenética, como o Projeto Genoma Humano, e a clonagem de animais. De acordo com ele, nesse ponto entrará em cena o Anticristo.


No final da década de 1990, um grupo de conspiracionistas espalhou rumores na internet dizendo que o diário privado de João 23 contém mais revelações e profecias sobre o futuro. Eles afirmam que o Papa, através do seu contato direto com Cristo e com Nossa Senhora, recebeu a preciosa informação de que, no dia 25 de dezembro de 2000, Cristo apareceria em Nova York, dando início à Parusia e ao fim do mundo, o que não aconteceu. Apesar de este Papa ter de fato um diário, não existem evidências fundamentadas de que este diário privado contenha visões apocalípticas do futuro.

Existe, ainda, o grupo de ufólogos que atribuem a João 23 uma profecia relativa ao suposto ressurgimento de Atlântida, o continente perdido, e ao contato imediato com extraterrestres e discos voadores no Vaticano. Ainda de acordo com esse assunto extremamente controverso, alguns ufólogos declaram categoricamente que João 23 teve vários encontros com seres supostamente não-humanos, sendo que um grupo deles esteve com o Papa no Castel Gandolfo, em 1961, só não se sabe como os ufólogos tiveram essa informação, que deveria ser secreta.

Segundo estes relatos, no fim deste encontro em Castel Gandolfo, o Papa afirmou a um dos seus assistentes o seguinte: “os filhos de Deus estão em todas as partes; algumas vezes temos dificuldade em reconhecer a nossos próprios irmãos”.

sábado, 23 de agosto de 2014

Sobre a morte de Brandon Lee durante as gravações de “O corvo”: história lendária do cinema contemporâneo...

Hoje vamos falar um pouco sobre uma das histórias mais controversas do cinema contemporâneo: a morte, em cena, do ator Brandon Lee (foto abaixo), filho de Bruce Lee, durante as filmagens do clássico longa-metragem “O corvo”. O filme acabou se tornando um clássico justamente porque Bruce Lee, protagonista, foi morto durante uma das cenas do filme, o que rendeu um inquérito policial e a curiosidade das pessoas sobre a cena fatídica.



A morte ocorreu durante as gravações do filme “O corvo”, longa-metragem dirigido por Alex Proyas, nos estúdios Carolco, nos Estados Unidos. De acordo com o que a imprensa teve acesso, a morte ocorreu no dia 31 de março de 1993, e o inquérito diz que enquanto contracenava em uma parte em que o ator seria baleado por um projétil o qual deveria estar carregado com festim, houve um erro e usaram uma bala de verdade.

Depois do incidente e dos testemunhos, a imprensa teve acesso aos depoimentos. De acordo com o diretor, uma das cenas filmadas requeria que uma arma fosse carregada, engatilhada e apontada para a câmera, mas, por causa da curta distância do tiro, a munição carregada era de verdade, mas sem a pólvora. Após a realização desta cena, o assistente do armeiro limpou a arma para retirar as cápsulas, derrubando um dos projéteis no cano. A arma foi carregada com festim (que normalmente tem duas ou três vezes mais pólvora do que um projétil normal, para fazer um barulho alto).

Lee entrou no set com um saco de supermercado contendo uma bolsa explosiva de sangue artificial. O projétil que estava preso no cano foi involuntariamente disparado em Lee, atravessando o saco que ele trazia, causando perfurações em seus órgãos internos e partindo sua coluna vertebral, causando sua morte por hemorragia interna, mesmo com a desesperada tentativa de uma cirurgia de seis horas para retirar a bala.


A morte do ator ocorreu já nas conclusões da filmagem, e por isso o diretor fez uso de um dublê e inserções digitais do rosto de Lee. Por causa do ocorrido, “O corvo” virou sensação e acabou entrando para o rol dos clássicos de Hollywood. No momento do lançamento, em 1994, houve rumores de que os negativos com a filmagem de sua morte teriam sido destruídos sem que nunca fossem revelados. No entanto, segundo fontes extraoficiais, a trágica cena foi incluída na edição final do filme. Existe praticamente um consenso entre os defensores dessa tese a respeito de qual é a tétrica cena; trata-se do momento em que Eric Draven, o personagem de Brandon, é alvejado por diversos policiais e o impacto do tiro que o matou arremessa o seu corpo para trás, fazendo com que ele atravesse a janela às suas costas. É provável que realmente seja essa cena, pois há uma nítida incoerência na continuidade: Eric, alvejado, atravessa a janela de costas e está caindo em direção ao chão, mas na tomada seguinte (quando os estilhaços do vidro ainda estavam caindo ao solo) ele já está ereto e se agarra ao parapeito da sacada do prédio, inclusive já estando de frente para o mesmo, algo que seria inteiramente impossível.

De acordo com os conspiracionistas, em toda a sequência seguinte à cena da quebra da janela, quando Eric foge da perseguição policial, o seu rosto não é focalizado em momento algum pela câmera, exceto já quase ao final da mesma e de forma bem rápida e ainda estando parcialmente encoberto, quando ele se levanta após uma queda. Em slow-motion, no entanto, é possível verificar que o rosto do ator que interpreta Eric Draven naquele momento não tem nem sequer a mais remota semelhança com a fisionomia de Brandon, sendo que nesta cena não se fazia necessária a presença de um dublê, pois não se trata de uma cena perigosa, apenas se levanta do chão e sai andando.




Entretanto, o fato descrito acima é uma lenda urbana para vender o filme depois que ele saiu das salas de cinema. A história contada no inquérito policial é totalmente diferente, em relação ao momento da cena em que o ator é alvejado pelo tiro fatal.

Na cena em que Brandon Lee foi acidentalmente alvejado, de acordo com os depoimentos de diretor, atores e produção, o personagem dele caminha pelo seu apartamento e descobre sua noiva sendo espancada e estuprada por marginais. O ator Michael Massee, em seu personagem, atira em Lee enquanto ele avançava sobre os bandidos no quarto. Massee atirou acidentalmente em Brandon a uma distância de 3m60, atingindo seu abdômen e fraturando sua coluna.


As imagens da sua morte, capturadas pelas câmeras do set, foram usadas durante todo o processo investigativo, e depois totalmente destruídas conforme um acordo judicial entre a família de Lee, os produtores do filme, os executivos dos estúdios e os atores envolvidos na cena. Portanto, é totalmente falsa a teoria de que haja cópias da morte do ator e, principalmente, infundada a teoria de que essas imagens tenham sido usadas na versão final do roteiro.

Nos créditos finais do filme, os produtores incluíram uma homenagem a ele e sua noiva, Elisa Hutton. Sobre o fundo preto, aparece escrita a frase em branco: “For Brandon and Elisa”. O casamento de ambos se realizaria no dia 17 de abril de 1993, no México. Brandon, porém, morreu menos de três semanas antes, em 31 de março daquele ano.

Michael Massee (foto abaixo) revelou em entrevista que foi involuntariamente responsável pela morte do ator Brandon Lee durante as filmagens de “O corvo”. Ele alvejou Brandon na cena em que os personagens de ambos se confrontam, ignorando uma falha grave da equipe.


Apesar da tragédia, a família e a noiva de Brandon, Eliza Hutton, não cogitaram processar Michael, pois todos reconheceram que ele não teve culpa pelo que aconteceu. Ainda assim, Michael ficou tão abalado pelo ocorrido que permaneceu meses afastado da mídia e só retomou seus projetos de filmagem após quase um ano da morte de Brandon.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (37)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Por que durante a madrugada ouvimos vários estalos dentro de casa?!
Durante muitos anos esses estalos foram associados a casas mal-assombradas, presenças demoníacas em residências e toda a sorte de invencionice da população. Entretanto, a explicação é bem casual e simples. Os estalos durante a noite costumam acontecer no verão, principalmente em regiões onde a temperatura varia muito do dia (quente) para a noite (amena ou fria). Durante o dia, os móveis e objetos de madeira tendem a se expandir, e quando o sol se vai e a temperatura diminui, esses objetos voltam a ter suas moléculas comportadas no lugar anterior. Por isso durante a noite de verão ouvimos estalos “estranhos” na maior parte das casas.


É verdade que existiria supostamente um “tango brasileiro”?
Todos nós sabemos que o tango é a dança nacional da Argentina, que mistura ritmos europeus com ritmos africanos; iniciado no século 19 nos cabarés de Buenos Aires, sempre teve um tom bastante picante e sensual, com um bailado bastante difícil de aprender. Entretanto, recentemente, ouviu-se falar bastante em um suposto “tango brasileiro”. Isso realmente existe? Sim, existe, e sua principal fonte está no Nordeste e este tango brasileiro chama-se, também, “maxixe”. Recebe esse nome de “tango brasileiro” porque foi inventado no Rio de Janeiro, no início do século 20, e teve grande influência do tango argentino na composição dos passos, porém mais rápidos e compassados. De acordo com os historiadores da arte, o maxixe (ou tango brasileiro) serviu de inspiração forte para o surgimento do samba de gafieira e a lambada – todos juntos ao tango argentino, formam um conjunto de rimos bastante sensuais.

O exame ginecológico “Papanicolau” tem alguma a ver com algum papa da Igreja?
Não, nada a ver. Seu nome traz a identidade de seu idealizador, o médico grego Geórgios Papanicolau (1883-1962) (foto abaixo), considerado o pai da citopatologia. O exame deve ser realizado em todas as mulheres com vida sexual ativa ou não, pelo menos uma vez ao ano. Após três exames anuais consecutivos normais, o teste de Papanicolau pode ser realizado com menor frequência, podendo ser, em mulheres de baixo risco, a cada três anos, de acordo com a análise do médico.


O parto cesariano tem alguma coisa a ver com Júlio César, do Império Romano?
Muitas pessoas dizem que o parto cesariano tem esse nome porque o imperador romano Júlio César teria nascido miraculosamente desta forma, dando a ele uma imagem mística, mas isso é pura lenda. A primeira cesariana foi realizada somente no século 17, na França, e a mulher parturiente morreu tempos depois por causa da infecção generalizada (não havia muita higiene médica naqueles tempos, como bons anestésicos, bactericidas, medicamentos contra infecções etc.). Assim sendo, cesariana tem origem no verbo latino “ceasare”, que significa “cortar”. Este tipo de parto é característico pelo corte na barriga da mãe para dar à luz o filho. Em inglês, “ceasare” deu origem a “scissors”, o mesmo que “tesoura”.

A carne vermelha só faz mal, ou ela também tem benefícios?
Poucos alimentos têm sido tão atacados nos últimos anos como a carne vermelha. Mais famosa por ser fonte de gorduras e colesterol do que pelos benefícios que traz ao organismo, ela foi tirada do cardápio de muitas pessoas que procuram perder peso e ter uma alimentação mais saudável. Mas, segundo muitos especialistas, cortar esse alimento da dieta sem antes procurar um nutricionista é um erro. A carne vermelha contém inúmeros nutrientes que, se forem consumidos na medida certa, são importantes para o bom funcionamento do organismo. Dentre todos os nutrientes encontrados na carne, os que ganham papel de destaque são as proteínas. Elas são consideradas completas, pois contêm os nove aminoácidos essenciais. Uma quantidade de 100 gramas de carne magra - com menos gordura –contém por volta de 20 a 30 gramas de proteína, o que equivale a, aproximadamente, 50% das necessidades diárias de um ser humano adulto. Para quem pratica exercícios físicos, ficar sem comer carne vermelha pode atrapalhar o treino, já que ela é fonte de diversos nutrientes que melhoram o desempenho muscular. Além disso, a carne vermelha também é fonte de mioglobulina, uma proteína que promove o transporte de oxigênio para as células musculares e age como antidepressivo, o que permite exercícios mais intensos e sensação de bem-estar. O alimento ainda é a única fonte de vitamina B12, indispensável para o funcionamento das células nervosas do corpo. Outro item que a carne bovina tem é o zinco. E o alimento traz bastante ferro em sua composição, mineral que normalmente fica em falta em quem apresenta o quadro de hipotireoidismo, e a absorção desse item é muito maior quando ele é ingerido através das carnes, chegando a ser seis vezes mais do que os alimentos de origem vegetal. O principal vilão da carne vermelha é a gordura, do tipo saturado e presente não só na capa externa, mas também nas fibras, impossíveis de serem removidas no preparo. Aposte em opções magras, como alcatra, contrafilé, filé-mignon e maminha. Não importa o tipo de corte, escolha a carne crua que esteja totalmente vermelha (rosa cinzento para vitela e carne de porco) e que não esteja seca.


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Você conhece os “aquisitores”?! Sabe o que eles são?! Fato ou farsa?!

Hoje vamos falar um pouco sobre uma parte obscura da história do nosso país. Desde golpes políticos até supostos atentados, os aquisitores são apontados como suposto braço brasileiro da organização conhecida mundialmente como Illuminati. Desde o Golpe Militar de 1964, este tem sido o debate fervoroso entre alguns teóricos da conspiração.


Teóricos conspiracionistas afirmam que o grupo conhecido como “aquisitores” pretende, através de métodos diversos, infiltrando-se em instituições tradicionais, como estabelecimentos de ensino, grupos religiosos variados, partidos políticos de direita e associações de classe, consolidar o poder político e econômico no Brasil fundamentando-se em valores tidos como tradicionais: família, religião e tradição social.

Através de suas táticas eficientes, silenciam qualquer oposição, mesmo porque a ciência, por parte da população, da existência de tal grupo é quase nenhuma, se resumindo a pessoas que, por interesse ou curiosidade, pesquisam sobre conspirações e técnicas de dominação de massa. Estão diretamente vinculados aos Illuminati, à maçonaria e o Alto Clero da Igreja Católica, bem como a igrejas de diversas nuances do Protestantismo.


Segundo as teorias de conspiração, sua origem está quase sempre relacionada à renuncia de Jânio Quadros, o presidente que renunciou por não aguentar o peso das “forças terríveis” (“forças ocultas”) e a instauração do Regime Militar em 1964.

Durante a Ditadura Militar brasileira, até pouco depois de 1985, os membros brasileiros dos Illuminati se organizaram em dois grupos que, supostamente, seriam inimigos. De acordo com os historiadores que creem nessa teoria, essas pessoas conseguiram importante influência política e prosperidade financeira, e se estruturavam principalmente no estado de São Paulo.

Segundo os teóricos conspiracionistas, os aquisitores teriam sido responsáveis por muitos atos cruéis contra opositores durante a Ditadura, principalmente estudantes, jornalistas, historiadores, sociólogos, comunistas etc. Para causar impacto nos brasileiros de modo positivo, os aquisitores teriam investido pesado em infraestrutura, gerando o que hoje conhecemos como “Milagre econômico brasileiro”, mas tudo isso aos custos de muitas vidas de pessoas desaparecidas por serem opositoras a esse sistema burocrático.


Ainda segundo os conspiracionistas que estudam os aquisitores, alega-se que estes foram culpados por uma série de mortes consideradas misteriosas no Brasil, como dos ex-presidentes João Goulart, Juscelino Kubitschek, do jornalista Vladimir Herzog e até mesmo da encomenda do assassinato do ambientalista Chico Mendes.


Não podemos afirmar se essas histórias são verdadeiras ou não. As teorias conspiratórias têm muita força, e muitas são baseadas em fundamentos obscuros. É importante ressaltar que os aquisitores até podem existir, e se forem como os Illuminati que agem nos Estados Unidos, com certeza, realmente, têm total controle na política e na economia do Brasil.

sábado, 16 de agosto de 2014

Você conhece as filosofias conhecidas como “Caminho da mão esquerda” e “Caminho da mão direita”?

Os termos “Caminho da mão esquerda” e “Caminho da mão direita” são uma dicotomia entre duas filosofias opostas encontradas na tradição esotérica ocidental, que abrange vários grupos envolvidos com o ocultismo e a magia cerimonial. Resumidamente, o “Caminho da mão esquerda” é equiparado às maliciosas práticas da magia negra, enquanto o “Caminho da mão direita” refere-se às práticas benéficas da magia branca, embora não haja distinção ética e os adeptos desta primeira também se julguem beneficiados com suas práticas. De forma mais popular, enquanto o primeiro é utilizado em práticas como o Satanismo, o segundo é usado por magos da Wicca, por exemplo.


Podemos dizer que o “Caminho da mão esquerda” é fundamentado na filosofia moral que afirma “Que a minha vontade seja feita”, afirmando o individualismo particular da burguesia capitalista, sendo algo egocêntrico; isso em oposição ao “Caminho da mão direita”, que afirma em sua moral “Que seja feita a vossa vontade”. Em essência as duas formas são práticas que buscam o contato com o oculto deus individual e com a sombra ou o poder do subconsciente de Carl Jung por meio de diversas e variadas técnicas mágicas e ritualísticas, com trabalhos em meio à natureza selvagem e, principalmente, levando em conta a importância e a participação do feminino e masculino.

A diferença entre ambas as formas de magia está em que, enquanto uma é utilizada contra um objeto exterior (“Mão esquerda”), a outra é usada a favor do grupo (“Mão direita”); assim, por exemplo, wiccanos e magos da magia branca podem obter cura, proteção, enquanto os satanistas e os magos da magia negra podem infligir medo e prejuízo em outros (embora alguns estudiosos afirmem que a magia negra projetada para fora do grupo possa trazer benefícios a ele).


Além disso, os bruxos da “Mão esquerda” são interessados em quebrar tabus, utilizando-se frequentemente da magia sexual e adorando imagens satânicas. Os magos da “Mão direita” são, em grande parte, resgatadores do antigo paganismo, dividem antigos conceitos de mente, corpo e espírito legado da filosofia grega, procuram trazer benefícios ao grupo, buscam a iluminação espiritual e alguns evitam tabus e aderem às convenções sociais (embora não aceitem grande parte da moralidade cristã).

Alguns magos que partilham dos conceitos referentes ao “Caminho da mão esquerda” são luciferianos, xamânicos, iogues tântricos e alguns adeptos do budismo tibetano, mas isso não significa, necessariamente, que estes sejam satanistas. Alguns adeptos do satanismo tradicional e do nacional-socialismo (nazismo) também a praticam. Os principais estudiosos e divulgadores da “Mão esquerda” atualmente são o inglês Kenneth Grant, autor de diversas obras, e o famoso, porém discreto, Thomas Karlsson, fundador da ordem sueca Dragon Rouge.


A magia branca, por sua vez, é considerada a alta magia, a magia filosófica, que antigamente buscava a Pedra Filosofal e que busca a união com o mistério, com a deidade, que é secreta aos iniciados e que, por isso, precisa de uma dedicação e um estudo aprofundado e apaixonado para ser dominada. As tradições da “Mão direita” são o hermetismo, a teosofia, como também religiões do neopaganismo como o druidismo, wicca, kemetismo, neopaganismo celta, neopaganismo eslavo e o neopaganismo germânico.

Embora não seja uma regra, comumente os adeptos da “Mão esquerda” são chamados de bruxos, enquanto os adeptos do “Caminho da mão direita” são os magos. Este entendimento contradiz frontalmente, entretanto, o dito bruxo segundo o qual “não existe magia negra nem magia branca; toda magia é cinza”.


De acordo com diversos grupos religiosos atuais, diversos artistas e pessoas influentes da economia, da sociedade e do meio empresarial são adeptos do “Caminho da mão esquerda”, ainda que secretamente, através de “pactos”. No entanto, muito do que se diz acerca dessas pessoas são lendas urbanas e boatarias. Por exemplo, por muitas décadas, no passado, o ateísmo era relacionado ao “Caminho da mão esquerda”, o que na realidade não procede.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

“Bug do milênio”: a maior farsa da história?! Nem tanto assim...

O “bug do milênio”, ou “Bug Y2K1”, foi o termo muito usado para se referir ao problema previsto para ocorrer em todos os sistemas informatizados na passagem de 31 de dezembro de 1999 para 1º de janeiro de 2000. “Bug” é um jargão internacional usado por profissionais e conhecedores de programação, que significa um erro de lógica na programação de um determinado software. Com certeza, através deste post, muitas pessoas vão se recordar deste tempo em que, à época, a mídia fez enorme sensacionalismo sobre o fato, que em muitos casos nem chegou a acontecer.


Contexto histórico do “bug do milênio”...
Na década de 1960, com a solidificação de vários sistemas computacionais e a ampliação de sua abrangência, foi necessária a adoção de diversos padrões para garantir a compatibilidade entre os diversos tipos de hardware e os softwares escritos para eles. Numa época em que cada byte de memória economizado representava economia de dinheiro muitos destes padrões adotavam formas resumidas para armazenar dados. Ainda hoje centenas destes padrões ainda estão em vigor, embora muitos tenham sido substituídos para se atualizar com a flexibilidade dos novos hardwares disponíveis.

Nos sistemas mais antigos, como aqueles na linguagem COBOL e semelhantes, as datas eram armazenadas com apenas dois dígitos para o ano, ficando os restantes implicitamente entendidos como sendo “19”. Desta forma, cada data armazenada deixava de ocupar oito bytes (dois para o dia, dois para o mês e quatro para o ano), e passava a ocupar somente seis bytes (somente dois no ano). A opção por representar as datas desta forma vinha da necessidade real de economia de memória e espaço de armazenamento. Hoje isso parece insignificante, mas na época isso foi o suficiente para justificar a adoção do padrão, tamanho o custo das memórias e dispositivos de armazenamento.

Para ter uma ideia imagine um banco de dados com vários campos, entre eles data de nascimento, data de casamento e data de cadastro. Para cada registro a economia nas três datas totaliza seis bytes. Se o banco de dados tiver dez mil registros são 60kB a menos, o que era significativo numa época em que os discos tinham o tamanho de 180kB.


Entendendo um pouco do “bug do milênio”...
Como todas as datas eram representadas por somente dois dígitos, os programas assumiam o “19” na frente para formar o ano completo, sendo este valor fixo. Assim, quando o calendário mudasse de 1999 para 2000 o computador iria entender que estava no ano de “19” + “00”, ou seja, 1900. Os softwares mais modernos, que já utilizavam padrões mais atuais, não teriam problemas em lidar com isso e passariam corretamente para o ano 2000, mas constatou-se que uma infinidade de empresas e instituições de grande porte ainda mantinha em funcionamento programas antigos, em função da confiança adquirida por anos de uso e na sua estabilidade. Para, além disso, temiam-se os efeitos que poderiam ser provocados no hardware pelo sistema BIOS, caso este reconhecesse apenas datas de dois dígitos.

Caso as datas realmente “voltassem” para 1900, clientes de bancos veriam suas aplicações dando juros negativos, credores passariam a ser devedores, e boletos de cobrança para o próximo mês seriam emitidos com cem anos de atraso. Nos computadores da Apple era utilizado um sistema de contagem de segundos desde 1º de Janeiro de 1904, sendo que o sistema operativo se encarregava de converter os segundos em data. Ou seja, não havendo o problema do “bug do milênio”.

Consequências...
Surpreendentemente, houve poucas falhas decorrentes do “bug do milênio”, que se revelou quase inofensivo apesar de ter gerado uma onda de pânico coletivo, especialmente nos países nos quais os computadores estavam mais popularizados. O assunto gerou muita polêmica devido aos grandes lucros gerados para as empresas de informática, foi alvo de matérias copiosas na imprensa e deu até origem a vários filmes. Hoje é considerado como um dos casos registrados pela história de pânico coletivo vazio de fundamentos, uma versão moderna do “temor do fim do mundo” que acometeu os povos da Europa Medieval na virada do ano de 999 para 1000.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Considerações sobre duas polêmicas: terapia de reorientação sexual e transtorno de relacionamento sexual...

Hoje vamos abordar dois assuntos polêmicos dentro de uma mesma pauta: orientação sexual e psicologia, tudo isso em ressonância com a religiosidade. Trataremos da terapia de reorientação sexual (a “cura gay”) e o transtorno de relacionamento sexual, assuntos muito debatidos principalmente pelos círculos religiosos que defendem a causa, principalmente a “cura gay” por acreditarem que a homossexualidade seja uma doença. Abordaremos os principais pontos desta “terapia de conversão” (como também é conhecida) e sobre o transtorno de relacionamento sexual que, aí sim, se enquadra como uma doença psicológica e psiquiátrica, de acordo com o CID-10.


A terapia de reorientação sexual compreende um conjunto de métodos que visam eliminar a orientação sexual homossexual de um indivíduo. Essas terapias podem incluir técnicas comportamentais, cognitivo-comportamentais e psicanalíticas, além de abordagens médicas, religiosas e espirituais. Estes tipos de procedimentos têm sido fonte de intensa controvérsia nos Estados Unidos, no Brasil e em outros países. Entre os resultados negativos relatados sobre esse tipo de terapia estão transtornos de ansiedade (20%), pulsão suicida (10%), depressão (40%), impotência sexual (10%) e transtorno do relacionamento sexual (10%).

A Associação Americana de Psiquiatria afirma que debates políticos e morais sobre a integração dos homossexuais na sociedade norte-americana têm obscurecido os dados científicos sobre mudanças de orientação sexual por pôr no tema os motivos e até mesmo o caráter dos indivíduos em ambos os lados da questão. Os principais defensores contemporâneos desse tipo de terapia tendem a ser grupos cristãos conservadores e outras organizações religiosas. A principal organização que defende formas seculares de terapia de conversão é a Associação Nacional de Pesquisa e Terapia da Homossexualidade; no entanto, a entidade frequentemente faz parcerias com grupos religiosos para sobreviver.

As principais organizações médicas e científicas norte-americanas têm expressado preocupação com a terapia de conversão e consideram-na potencialmente prejudicial. A Associação Americana de Psicologia define esse procedimento como uma terapia que tem como objetivo mudar a orientação sexual de uma pessoa. A Associação Americana de Psiquiatria afirma que esse procedimento é um tipo de tratamento psiquiátrico baseado na suposição de que a homossexualidade per se é um transtorno mental ou com base na suposição a priori de que um paciente deve mudar a sua orientação sexual homossexual.


O consenso de longa data das ciências comportamentais e sociais e dos profissionais de saúde mental e geral é de que a homossexualidade, per se, é uma variação normal e positiva da orientação sexual humana. Pesquisas já realizadas têm falhado consistentemente em fornecer qualquer base empírica ou científica para considerar a homossexualidade como uma doença ou anormalidade. Existem pessoas que passam por terapias de reorientação sexual e tendem a ter visões religiosas fortemente conservadoras que as levam a procurar uma forma de mudar a sua orientação sexual. Não há estudos de suficiente rigor científico para concluir que os recentes esforços de mudança de orientação sexual têm sido eficazes. Embora dados de confiança sobre a segurança dessas terapias sejam extremamente limitados, algumas pessoas relataram terem sido prejudicadas por esse tipo de técnica.

As terapias de reorientação sexual têm gerado controvérsia devido às tensões entre os valores mantidos por algumas organizações religiosas, de um lado, e aqueles mantidos por organizações profissionais, científicas e de direitos LGBT, de outro. Alguns indivíduos e grupos têm promovido a ideia de que a homossexualidade é um sintoma de defeitos ou falhas no desenvolvimento espiritual e moral e têm argumentado que tais terapias, incluindo esforços psicoterapêuticos e religiosos, poderiam alterar os sentimentos e comportamentos homossexuais. Tais técnicas têm um grave potencial de prejudicar as pessoas que as buscam porque apresentam a visão de que a orientação sexual de jovens LGBT é uma doença mental ou um distúrbio e porque muitas vezes enquadram a incapacidade de mudança da orientação sexual dessas pessoas como um fracasso pessoal e moral.

História da tentativa frustrada da “cura gay”...
Tentativas médicas de alterar a homossexualidade já incluíram tratamentos cirúrgicos como a histerectomia, ovariectomia, clitoridectomia, castração, vasectomia, cirurgia do nervo pudico e a lobotomia. Métodos baseados em substâncias incluíram o tratamento hormonal, tratamento de choque farmacológico e tratamento com estimulantes sexuais e antidepressivos sexuais. Outros métodos incluíram a terapia de aversão, a redução da aversão à heterossexualidade, tratamento de eletrochoque, grupo de terapia, hipnose e psicanálise.

Durante o período do Nazismo, o governo da Alemanha tentou “tratar” homossexuais através de métodos como tratamentos hormonais e relações sexuais forçadas com prostitutas. Para a ideologia nazista, os homossexuais deveriam ser “recuperados” para poderem voltar à prática reprodutiva. No entanto, diante da ineficácia das tentativas de cura, todos os homossexuais masculinos envolvidos nas terapias foram castrados para impedi-los de sentir qualquer tipo de prazer sexual, e as lésbicas passavam por sessões de estupros coletivos para que engravidassem e essas crianças eram mandadas para orfanatos a fim de se transformarem em “soldados da Alemanha vencedora”.

Nas duas últimas décadas do século 19, uma visão diferente começou a predominar nos círculos médicos e psiquiátricos, julgando esse comportamento (homossexual) como um indicativo de um tipo de pessoa com uma orientação sexual definida e relativamente estável. No final do século 19 e 20, os modelos patológicos da homossexualidade ainda eram padrão.

No dia 17 de maio de 1990, a Assembleia Geral da Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação Internacional de Doenças. O governo do Reino Unido seguiu o exemplo em 1994, seguido pelo Ministério da Saúde da Rússia e pelo Conselho Federal de Psicologia do Brasil em 1999, além Sociedade Chinesa de Psiquiatria em 2001. Os conselhos da Associação Americana de Psiquiatria (AAP) já havia votado, por unanimidade, a retirada da homossexualidade como um distúrbio da seção de desvios sexuais do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em 1973. Esta decisão foi confirmada oficialmente por 58% dos membros da AAP em 1974, que votaram para substituir o diagnóstico para uma categoria mais suave de “distúrbio de orientação sexual”, que foi então substituído para “homossexualidade ego-distônica”, que, em 1986, foi excluída.


Posição da comunidade científica...
As terapias de mudança de orientação sexual são bastante discutidas, pois não há provas científicas que a orientação sexual de uma pessoa possa ser alterada através de terapias, sendo a sexualidade humana definida, provavelmente, por fatores biológicos. Existem alguns grupos, a maioria de fundamentação cristã conservadora, que afirmam que a orientação sexual de uma pessoa é influenciada pelo tipo de educação comportamental que foi realizada na infância e poderia ser alterada mais tarde. Estudos da psicologia, no entanto, afirmam que a orientação sexual não é algo controlável.

Apesar de quase um século de especulação psicanalítica e psicológica, não há nenhuma evidência substantiva para apoiar a sugestão de que a natureza da criação dos filhos ou que as primeiras experiências da infância desempenham qualquer papel na formação da orientação fundamental de uma pessoa heterossexual ou homossexual. Parece que a orientação sexual é de natureza biológica, determinada por uma complexa interação de fatores genéticos e do ambiente uterino precoce. A orientação sexual não é, portanto, uma escolha. Atualmente, não há consenso científico sobre os fatores específicos que levam um indivíduo a tornar-se heterossexual, homossexual ou bissexual, incluindo possíveis efeitos biológicos, psicológicos ou sociais da orientação sexual dos pais. No entanto, as evidências disponíveis indicam que a grande maioria das lésbicas e adultos homossexuais foram criados por pais heterossexuais e que a grande maioria das crianças criadas por pais gays e lésbicas crescem como heterossexuais.

Atualmente, há um grande número de evidências que afirmam que ser homossexual ou bissexual é compatível com uma saúde mental e um ajustamento social completamente normais e saudáveis. Por isso, as principais organizações de saúde mental não incentivam as pessoas a tentar mudar a sua orientação sexual de homossexual para heterossexual. De fato, essas intervenções são eticamente suspeitas, porque elas podem ser prejudiciais para o bem-estar psicológico daqueles que passam por elas.

A Associação Americana de Psiquiatria condena este tipo de terapia e afirma que profissionais éticos evitam tentativas de mudar a orientação sexual dos indivíduos. O psicólogo Douglas Haldeman escreveu que esse tipo de procedimento se dá por meio de técnicas que incluem tratamentos aversivos, como a aplicação de choques elétricos nas mãos e/ou genitais e medicamentos indutores de náuseas administrados simultaneamente com a apresentação de estímulos homoeróticos, recondicionamento masturbatório, visualização, treinamento de habilidades sociais, terapia psicanalítica e intervenções espirituais, tais como oração e grupo de apoio e pressão. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) proibiu esse tipo de terapia em 22 de março de 1999.


Posicionamento contrário e polêmico...
Em 2001, Robert Spitzer apresentou um trabalho controverso na reunião anual de 2001 da Associação Americana de Psiquiatria em que argumentava ser possível que alguns indivíduos altamente motivados conseguissem mudar a sua orientação sexual de homossexual para heterossexual. Um artigo do “Washington Post” indicou que Spitzer tinha 45 minutos de entrevistas telefônicas com 200 pessoas que afirmavam que as suas respectivas orientações sexuais mudaram de homossexual para heterossexual. Spitzer afirmou que a sua pesquisa mostrou que algumas pessoas podem mudar de homossexual para heterossexual. Entretanto, Spitzer concluiu que embora a mudança pudesse ocorrer, ela é “provavelmente muito rara”.

A AAP emitiu um comunicado oficial desmentindo a pesquisa de Spitzer, salientando que o trabalho não havia sido revisado e afirmando que não há nenhuma evidência científica publicada em apoio a eficácia da terapia reparativa como um tratamento para mudar de orientação sexual. A pesquisa de Spitzer foi criticada por seus métodos de amostragem e os critérios usados para definir o sucesso da terapia. Em 2012, no entanto, Spitzer se desculpou publicamente pela conclusão de sua pesquisa.

No entanto, mesmo sendo proibida nos consultórios psicológicos, a “cura gay” ganhou espaço dentro das igrejas, principalmente em movimentos cristãos neopentecostais. Muitas igrejas afirmam realizar a “terapia de conversão” através de orações, conversas com pastores, supostas terapias de grupo, amuletos, águas bentas etc. Mas alguns indivíduos que se disseram curados da homossexualidade, hoje conhecidos no meio como “ex-ex-gays”, dizem que durante o processo passaram por preconceitos, ameaças e tiveram episódios de ansiedade, desejo reprimido, depressão e impulso suicida.


Transtorno de relacionamento sexual...
Transtorno do relacionamento sexual é quando a identidade ou a orientação sexual (hetero, homo ou bissexual) leva a dificuldades no estabelecimento e manutenção de um relacionamento com um parceiro sexual. Aí sim podemos falar em “doença” relacionada à orientação sexual, e não a orientação sexual em si. O CID-10 inclui uma nota sobre como orientação sexual não é uma desordem nem transtorno, o transtorno se restringe ao sofrimento causado pelo relacionamento sexual insatisfatório independente da combinação (hetero relacionando-se com homo, homo relacionando-se com bi, bi relacionando-se com hetero etc.).

Por conta da cultura intolerante a diversidade sexual é comum que homens e mulheres com desejos homossexuais se relacionem com parceiros do sexo oposto como forma de serem melhor aceitos socialmente. Porém o desejo homossexual quase sempre persiste e causa insatisfação sexual no casamento.


Em uma pesquisa realizada nos anos 80 pelo Instituto Kinsey de Sexologia, com mais de 5 mil homens e mulheres que se diziam heterossexuais houve uma surpresa: somente 37% das mulheres afirmaram que em um momento da vida tiveram algum tipo de contato homossexual com outra mulher, enquanto que o contato homossexual entre homens chegou aos 62%.

Em uma outra pesquisa com homens casados com desejo sexual por outros homens, os pacientes tinham 38 anos em média quando começaram a terapia, eram casados em média há 13 anos e tinham em média dois filhos. Nenhum foi bem sucedido em eliminar esse desejo, 97% sabiam que possuíam desejo por homens antes de casar, 61% tinham vida sexual insatisfatória, 36% fizeram terapia para eliminar esse desejo, 94% tiveram casos fora do casamento e apenas 19% das esposas sabiam que o marido tinha desejo por homens antes do início da terapia.

Ainda segundo essa pesquisa dos anos 80, cerca de 13% dos homens heterossexuais, casados, com filhos, confessaram que ainda sentiam desejo de fazer sexo com outros homens. Entre as mulheres, também heterossexuais, casadas, e com filhos, a taxa cai para 6%. Entre os gays e lésbicas pesquisados, somente 0,4% desejam fazer sexo com parceiros do sexo oposto.


Tratamento para o transtorno de relacionamento sexual...
Apesar de os psicólogos serem proibidos em quase todo o planeta de realizarem “terapia de conversão”, é importante que eles realizem tratamento para diminuir os sofrimentos causados pelo transtorno de relacionamento sexual, pois o indivíduo se esconde em uma máscara e gostaria de sair dela, levando uma vida normal e aberta sem aparências.

O tratamento pode ser feito com terapia individual onde o indivíduo discute sobre seus desejos e como satisfazê-los causando o mínimo sofrimento para seu(sua) parceiro(a) ou como terapia de casal em que ambos discutem e decidem como preferem lidar com essa situação. Existe um procedimento conhecido como Método Coleman que tem cinco objetivos básicos: (1) fazer a pessoa sentir-se mais confortável com a sua sexualidade; (2) examinar mitos e estereótipos relacionados à homossexualidade, bissexualidade e homossexualidade; (3) educar sobre o funcionamento da sexualidade humana; (4) lidar com questões de performance sexual em relações com o mesmo sexo e com o sexo oposto; e (5) explorar alternativas mais saudáveis e funcionais de realizar os desejos sexuais do paciente.

Dentre as soluções possíveis estão: terminar o relacionamento, organizar ménage à trois com parceiros sexualmente atraentes a ambos, manter um relacionamento aberto sexualmente, interpretar papéis diferentes na cama para satisfazer os desejos e fetiches do parceiro, manter um relacionamento a três, fazer trocas de casais bissexuais etc. Durante a terapia é importante desenvolver habilidades de assertividade e de assumir responsabilidade no paciente.


Geralmente o desejo de manter o relacionamento heterossexual apesar de desejos homossexuais é embasado em crenças religiosas conservadoras que devem ser discutidas e questionadas cuidadosamente para que o paciente não desista da terapia. O objetivo nesse caso é formar novas crenças mais saudáveis e tolerantes em relação à diversidade. Diversas entidades religiosas aceitam a diversidade sexual de forma tolerante e podem ser recomendadas para auxiliar o paciente a se realizar espiritualmente e sexualmente simultaneamente. No Brasil, psicólogos que se proponham a fazer terapia de reorientação sexual devem ser denunciados ao Conselho Regional de Psicologia (CRP) local onde será decidida sua punição.

sábado, 9 de agosto de 2014

Calçada dos Gigantes: um monumento natural que parece feito pelo homem...

A Calçada dos Gigantes é a designação dada a um conjunto de cerca de 40 mil colunas em forma de prisma, feitas de basalto, encaixadas de modo como se formassem uma enorme calçada de pedras gigantescas, formadas pela disjunção prismática de uma grande massa de lava basáltica resultante de uma erupção vulcânica ocorrida há cerca de 60 milhões de anos. A formação está localizada na costa da Irlanda do Norte, a cerca de três quilômetros a norte da vila de Bushmills. Foi declarada como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1986.

Mas o que atrai na Calçada dos Gigantes? Justamente a forma como ela foi concebida pela natureza, de modo que parece ação humana. Os enormes blocos em forma angular, encaixados de maneira sistemática, faz com que a Calçada dos Gigantes seja um assunto interessante para os teóricos dos deuses astronautas. Observe as fotos abaixo e comprove se realmente não parece uma obra de engenharia humana essa formação rochosa.




A Calçada dos Gigantes fica numa área de basalto compacto. A atividade vulcânica nessa área fez a rocha derretida subir através de fendas no calcário, com temperatura média de mais de mil graus. Quando entrou em contato com o ar, ela se resfriou e se solidificou. A rocha derretida, ou magma, é composta por muitos elementos químicos e por isso pode criar vários tipos de rocha. O tipo de rocha formado na área do contexto em questão é o basalto.

O magma se encolhia à medida que se resfriava lentamente e, por causa de sua composição química, fendas hexagonais regulares se formaram na superfície. Enquanto o magma continuava a se resfriar por dentro, as fendas desciam gradualmente, formando a grande quantidade de colunas de basalto semelhantes a lápis.

A lenda envolvendo a Calçada...
Segundo uma lenda irlandesa, um gigante chamado Finn McCool queria enfrentar numa luta um gigante escocês chamado Benandonner, mas havia um problema: não existia uma embarcação com tamanho suficiente para atravessar o mar e levar um ao encontro do outro. A lenda diz que McCool resolveu o problema construindo uma calçada que ligava os dois lados, usando enormes colunas de pedra. Benandonner aceitou o desafio e viajou pela calçada ate à Irlanda. Ele era mais forte e maior do que McCool. Percebendo isso, a esposa de Finn McCool, de forma muito perspicaz, decidiu vestir seu marido gigante como um bebê. Quando Benandonner chegou à casa dos dois e viu o bebê, pensou: “Se o bebê é deste tamanho, imagina o pai!”, e fugiu correndo de volta para a Escócia. Para ter certeza de que não seria perseguido por Finn McCool destruiu a estrada enquanto corria, restando apenas as pedras que agora formam a Calçada dos Gigantes.


Características básicas do local...
Milhares de colunas verticais de pedras de até 6 metros de altura, cada uma de 38 a 51 centímetros de largura, com topos planos e seis lados. Por serem tão uniformes, seus topos parecem se encaixar como favos. Cerca de um quarto das colunas tem cinco lados e também há algumas com quatro, sete, oito e até nove lados. Por causa dessa perfeição geométrica é que algumas pessoas acreditam que a Calçada tenha sido obra mecânica em algum ponto da Idade do Bronze na Europa do norte.

Finalmente, a Calçada é composta por três partes. A grande Calçada, a maior, começa na praia ao sopé dos rochedos. Se parece mais com um conjunto desordenado de enormes degraus, alguns com seis metros de altura. À medida que se estende em direção ao mar, dá para entender facilmente por que razão tem o seu nome: é devido aos seus topos parecidos com favos de mel, que logo se nivelam, lembrando uma rua pavimentada com pedras arredondadas, que varia de vinte a trinta metros de largura.

No decorrer dos anos pessoas deram nomes a uma dessas formações, duas delas tem o nome de instrumentos musicais. Uma é chamada de “Órgão”, porque suas colunas compridas e regulares lembram os tubos de um órgão gigante, a outra, a “Harpa do Gigante”, tem enormes colunas arqueadas que descem até o litoral. Outros nomes também trazem a ideia de gigantes habitando a região. Por exemplo, o Tear do Gigante, Caixão do Gigante, Canhões do Gigante e Olhos do Gigante. Existe até mesmo a Bota do Gigante, com cerca de dois metros de altura e algumas pessoas calculam que o lendário gigante provavelmente teria usado essa bota estima-se de 16 metros de altura.


Teoria dos deuses astronautas...
A geologia já explicou em experimentos laboratoriais a natureza da Calçada dos Gigantes. O que seria uma “natureza natural”. Ou seja, obra do acaso. Entretanto, teóricos dos deuses astronautas afirmam que a lenda dos gigantes pode esconder algo que está no passado muito remoto da Grã-Bretanha, como a forma de como os povos primitivos da Inglaterra fizeram Stonehenge – carregar pedras de enormes toneladas com tecnologia supostamente deficitária.

Segundo os teóricos dos deuses astronautas, a lenda diz que a Calçada foi construída para o encontro de dois gigantes que bem poderiam ser dois seres de outras galáxias, pois do outro lado da Calçada, já na Escócia, há algumas formações rochosas parecidas às da Calçada irlandesa. Ou seja, para alguns destes estudiosos é impossível na natureza haver uma construção tão perfeita geometricamente, parecendo o chão de uma praça.

De acordo com estes estudiosos em sua versão, a Calçada poderia ter sido construída no período de 1200 antes de Cristo, quando Stonehenge também era construída com um propósito obscuro de observar os céus. Assim sendo, a Calçada dos Gigantes teria sido uma colaboração humana para o encontro de dois grupos que veneravam supostos deuses rivais.

No entanto, como já foi dito, a geologia já trabalhou esse esquema de formação rochosa, que até pode ser encontrada em outras partes do mundo como no Japão, África do Sul, Chile e Canadá. De obra humana, ali, não há nada a não ser a transformação daquela bela paisagem em status permanente de proteção.



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A grande farsa que é a pulseira do equilíbrio, a Power Balance...

A Power Balance, fundada em 2007, é uma marca celebrizada por comercializar milhões de pulseiras de silicone, com dois hologramas, cujos fabricantes e vendedores alegavam serem capazes de melhorar o equilíbrio, a força e a flexibilidade de quem as usasse. Afirmavam que a alegada tecnologia holográfica fazia ressonância e respondia ao campo energético do corpo capaz de aumentar o desempenho esportivo. Entretanto essas pulseiras de silicone mostraram ser uma grande farsa envolvendo milhões de dólares de lucro para a produtora, gerando muitos processos em todo o mundo.


Em 2010, a filial australiana da Power Balance foi obrigada a desmentir publicamente os supostos efeitos terapêuticos destes produtos e a garantir o reembolso aos consumidores que se considerassem lesados pela publicidade enganosa. A marca foi também multada pelas mesmas razões em Itália, em Espanha e na Holanda. Na época do seu auge, a pulseira verdadeira, da marca, chegou a ser vendida a R$ 230 no Brasil.

Numerosos estudos independentes sobre este dispositivo descobriram que, no que diz respeito à sua capacidade de aumentar a performance atlética, a pulseira não é melhor que o placebo.

A pulseira do equilíbrio teve grande publicidade entre celebridades pagas para promovê-la, além de um estudo científico falsificado feito por estudantes universitários que tiveram suas faculdades pagas pela Power Balance. Entre as celebridades que promoveram publicidade estão David Beckham, Cristiano Ronaldo, Rubens Barrichello e Shaquille O’Neal.

Problemas legais...
Depois de muitas polêmicas e matérias contrárias em telejornais de todo mundo, a Power Balance negou inicialmente que tivesse feito alegações médicas ou científicas como comprovação de verdade para seus produtos, mas depois de um gravíssimo processo judicial na Austrália, em 2010, a empresa reconheceu o erro e retirou suas falsas alegações médicas e científicas. Isso não foi o bastante para a empresa continuar comercializando com muito sucesso a pulseira do equilíbrio.

Em 2011, a justiça australiana continuou na cruzada contra a pulseira do equilíbrio e apresentou-se um processo de fraude, crime contra a economia, falsa propaganda, concorrência desleal e enriquecimento ilícito contra a produtora, a Power Balance. No mesmo ano houve um processo coletivo de consumidores australianos se dizendo prejudicados; no total, quem comprou a pulseira deveria receber o valor de volta, mais danos morais e materiais. Entretanto as pessoas nunca viram a cor do dinheiro porque a Power Balance apresentou documentos dizendo estar em processo de falência.


A história da evidência científica das pulseiras do equilíbrio...
Em 2011, pesquisadores do Instituto Americano de Quiropraxia divulgaram um estudo afirmando que não havia diferença alguma entre o equilíbrio de pessoas com e sem a tal pulseira, e que tudo passava de sugestionamento psicológico, uma forma de placebo. Enquanto isso, a Power Balance gastava milhões em publicidade mostrando grandes atletas afirmando que tinham melhorado o equilíbrio e o desempenho esportivo depois de usarem a pulseira holográfica.

Na época, o jornal “Los Angeles Times” divulgou uma matéria em que um físico desportista destrinchava a pulseira do equilíbrio. No texto, divulgava-se o embuste: uma pulseira de borracha com silicone com um simples holograma colado com cola de sapateiro. Nada mais que isso. A Power Balance se defendeu dizendo que o jornal usou um modelo chinês falsificado, e que suas verdadeiras pulseiras traziam um poderoso ímã debaixo do holograma. Entretanto, o periódico consultou médicos e físicos, que mostraram que ímãs não têm poder para influenciar a ação de equilíbrio do corpo perto da enorme força da gravidade terrestre.

Na mesma época, um estudo da Universidade de Wisconsin testou os efeitos das pulseiras Power Balance num grupo de atletas da Associação Atlética Universitária Nacional dos Estados Unidos. Um grupo de atletas recebeu uma pulseira Power Balance, enquanto outros receberam uma pulseira placebo. Os atletas foram sujeitos a testes de flexibilidade, equilíbrio e força. Depois trocaram de pulseiras e repetiram os testes. O estudo descobriu que, comparado com o placebo, as pulseiras Power Balance não tinham qualquer efeito na performance dos atletas.


Críticas variadas sobre o produto e a empresa...
Um grupo de estudantes, céticos acerca das alegações da empresa, conduziu uma experiência que mostrava quaisquer diferenças entre a pulseira real e falsa. Investigadores incumbidos pela BBC também descobriram que as pulseiras eram placebos. Junto a esse experimento televisivo vieram vários médicos especializados em medicina desportiva e exercícios afirmando que a pulseira do equilíbrio não passa de “uma grande farsa com evidência anedótica”.

Na Europa, a Power Balance foi bombardeada de críticas por parte dos profissionais de saúde e por professores de educação física e treinadores desportistas, acusando a empresa de ingerência por afirmar em sua publicidade que a pulseira de silicone poderia substituir o aquecimento antes e depois das atividades físicas, com vídeos falsos em seu site. Na Inglaterra, a empresa chegou a “ganhar” um prêmio de pior empresa do ano, dado por uma associação de defesa do consumidor. Em novembro de 2012, o dono do Dallas Maverick criticou o negócio de patrocínio entre a NBA e a Power Balance.


Por fim, o resumo da ópera...
Em novembro de 2010, os distribuidores australianos da Power Balance foram obrigados pelo Conselho Nacional Australiano de Fisioterapia a deixar de usar afirmações falsas e enganadoras de que os utilizadores poderiam obter um aumento até 500% de força, resistência e flexibilidade, e ordenou que estas alegações fossem removidas do site da companhia e que fosse publicada uma declaração, num prazo de duas semanas, que corrigisse essas declarações. Em dezembro do mesmo ano, também na Austrália, o Ministério da Justiça também proibiu que a empresa fizesse publicidade enganosa com fins de lucros. Como resposta a tantos processos, o diretor-executivo da Power Balance na Austrália escreveu no site da empresa: “No início nós fizemos alegações que diziam que os nossos produtos melhoravam a força, o equilíbrio e a flexibilidade e não tínhamos os estudos de dupla ocultação avaliados pelos pares ou o nível de prova que era necessária para fundamentar essas alegações”.

No Brasil, quem abriu os olhos da sociedade foi a Rede Record, em uma extensa matéria no programa “Domingo Espetacular”. Assim, em setembro de 2010, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, foi suspensa a publicidade dos efeitos terapêuticos da Power Balance e da Life Extreme, a versão brasileira destas pulseiras. Mas o reembolso não foi exigido no Brasil. Na Europa houve os processos mais violentos, principalmente na Itália, Espanha, Reino Unido e Holanda.