quinta-feira, 31 de julho de 2014

A maldição da família Kennedy: uma assustadora lenda urbana norte-americana...

Hoje vamos falar sobre uma das lendas urbanas mais comentadas no território norte-americano e que sempre perpassa em comentários gerais acerca da paranormalidade envolvendo um grupo de pessoas, neste caso a própria família Kennedy.

A “tragédia dos Kennedy”, ou também conhecida como “maldição da família Kennedy” são termos gerais usados para descrever a série de tragédias que tomaram conta dos membros desta influente família de políticos estadunidenses. Muitos céticos afirmam que os casos relatados são forçados para que as pessoas reconheçam uma suposta maldição envolvendo o nome destas pessoas.

Diversas pessoas relacionadas ao espiritismo e à paranormalidade dizem que paira sobre a família uma verdadeira maldição ainda não identificada em sua origem. Vários membros dos Kennedy morreram de causas não naturais, os mais proeminentes foram os assassinatos dos irmãos John (foto abaixo) e Robert, mortos em 1963 e 1968 respectivamente, e o filho do primeiro, John Jr. (foto abaixo), que morreu em um acidente de avião junto com sua esposa e cunhada, em 1999.



A existência de tal maldição tem sido discutida por outros que têm argumentado que muitas dessas tragédias foram causadas por negligência grosseira, como dirigir embriagado ou pilotar uma aeronave em condições precárias, e outras seriam resultado natural dos acontecimentos que poderiam ocorrer a famílias numerosas, tais como o câncer e aborto espontâneo, de modo a noção de uma maldição é uma criação da mídia.

Segundo um grupo de paranormais norte-americanos que pregam a maldição dos Kennedy, a fonte seria a religiosidade. Como os Estados Unidos são uma nação fundada por protestantes, ditos “WASP” (sigla para “brancos, ingleses e protestantes”), não caberia ao país uma família católica no comando da política daquele país, uma vez que mais de 90% dos presidentes são de cunho protestante. Entretanto esse é um argumento muito frágil e fácil de ser rebatido: em um país com tradição protestante e cuja população majoritariamente segue esta denominação, é óbvio que teremos predominância desta cultura religiosa, sem ligarmos a maldições e conjurações sobrenaturais.


Cronologia da suposta maldição da família Kennedy...
1941 – Rosemary Kennedy pensava sofrer de retardamento mental. No entanto, algumas fontes afirmam que sofria de uma doença mental mais grave, com picos de depressão. Devido ao seu clima crescente de violência e mudanças de humor, Joe Kennedy secretamente organizou que a submetessem a uma lobotomia. A cirurgia complicou suas habilidades cognitivas e, como consequência, permaneceu internada em um hospital psiquiátrico até sua morte em 2005.

1944 – Joseph Kennedy Jr. morreu na explosão de um avião no nordeste da Inglaterra em uma missão enquanto pilotava na Segunda Guerra Mundial.

1948 – Kathleen Kennedy Cavendish morreu em um acidente de avião na França com o seu amante, Peter Wentworth-Fitzwilliam.

1956 – Jacqueline Kennedy deu à luz uma filha nascida morta. Apesar de não colocarem-lhe um nome, a enterraram no Cemitério Nacional de Arlington com seus pais com uma legenda que dizia “Filha”, mais tarde, os relatórios indicam que os Kennedy tinham intenção de chamá-la de Arabella.

1963 – Patrick Bouvier Kennedy, nascido em seis semanas prematuro, morreu dois dias após seu nascimento. E o evento mais importante, ocorrido em 22 de novembro daquele ano: o presidente John Kennedy foi assassinado em Dallas.


ATENÇÃO! EM RESPEITO AOS NOSSOS LEITORES, NÃO COLOCAMOS AS FOTOS DA AUTÓPSIA DE JOHN KENNEDY PORQUE SÃO MUITO FORTES. ESSAS FOTOS PODEM SER ENCONTRADAS EM VÁRIOS ÂNGULOS NO PRÓPRIO SITE DE IMAGENS DO GOOGLE.

1964 – O senador por Massachusetts Edward Kennedy envolveu-se em um acidente de avião que matou um de seus assessores e o piloto. Ele foi retirado dos destroços pelo senador Birch Bayh e passou semanas no hospital se recuperando da parte traseira quebrada, um pulmão perfurado, costelas quebradas e hemorragia interna.

1968 – Robert Kennedy é assassinado por Sirhan Sirhan em Los Angeles no dia em que venceu a primária democrata da Califórnia na corrida presidencial, e tudo indicava que esta seria a volta da família Kennedy ao comando dos Estados Unidos.

1969 – No acidente Chappaquiddick, um carro dirigido por Ted Kennedy cai de uma ponte em Martha’s Vineyard, afogando a passageira Mary Kopechne, sua secretária. Na sua declaração televisionada em 25 de julho, Kennedy disse que na noite do acidente se perguntava que “se uma maldição real se mantinha sobre todos os Kennedy”.

1973 – Joseph Kennedy II é o motorista em um acidente de carro que deixou um passageiro, Pam Kelley, permanentemente paralisado. Ainda: Edward Kennedy Jr. perdeu parte da perna esquerda devido ao câncer de osso aos 12 anos de idade.

1984 – David Kennedy morreu de uma overdose de Demerol e cocaína no seu quarto em um hotel em Palm Beach.

1991 – William Kennedy Smith foi julgado por estupro e é absolvido de todas as acusações.

1997 – Michael Kennedy morreu em um acidente de esqui em Aspen, Colorado.

1999 – John F. Kennedy Jr., sua esposa e sua cunhada morreram no avião Piper Saratoga pilotado por Kennedy, que caiu no Oceano Atlântico a caminho de Martha’s Vineyard.


2011 – Kara Anne Kennedy morreu de ataque cardíaco enquanto praticava exercícios em um clube de Washington.

2012 – A segunda mulher de Robert Kennedy Jr., Mary, de 52 anos, suicidou-se por enforcamento na sua casa de Bedford, no estado norte-americano de Nova York.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Você conhece a lenda folclórica da vagina dentada?!

Hoje vamos falar sobre um dos folclores mais comuns em povos primitivos, a lenda da vagina com dentes. De acordo com folcloristas, etnólogos e antropólogos, esse tipo de lenda tem um tom moralizante, avisando os perigos de praticar sexo com mulheres desconhecidas, principalmente de etnias e clãs diferentes àqueles de que se tem aliança estratégica (mulheres conhecidas).


A vagina dentada aparece nos mitos de várias culturas, principalmente no interior da África e entre os habitantes das ilhas da Oceania. De acordo com o antropólogo Erich Neumann, um desses mitos oceânicos conta que um peixe habita a vagina da divindade conhecida como Grande Mãe Tenebrosa, e o herói é o homem que vencer esta entidade, quebrar os dentes de sua vagina mortal e, então, conseguir matar o peixe e estuprá-la.

De acordo com Neumann, o mito ainda fala que não é possível identificar qual mulher seria esta Grande Mãe Tenebrosa, e por isso ele expressa a total ameaça que as relações sexuais com mulheres desconhecidas representam para os homens.


A história moralizante da vagina dentada provou ser um tema cativante para muitos artistas e escritores, em particular entre obras surrealistas ou sobre psicanálise. Apesar de o mito estar associado com o receio da castração, é geralmente, atribuída por engano a Sigmund Freud. Freud nunca mencionou o termo nos seus trabalhos sobre psicanálise, e este vai de encontro às suas próprias ideias sobre a castração. Para Freud, a vagina significa o medo da castração porque os jovens rapazes assumem que as mulheres outrora tiveram um pênis, que agora não possuem. A vagina é, então, o resultado da castração, e não a sua causa.

De um modo geral retornamos sempre ao folclore. Segundo os antropólogos, a lenda teria surgido a partir do momento que os jovens de tribos e clãs queriam pegar mulheres de tribos e clãs diferentes somente para praticarem estupros coletivos. Dentro desse conceito, se a mulher engravidasse, esse clã ou tribo ficaria impuro caso fosse a mulher de uma aldeia ou grupo rival. Assim, a vagina dentada surgiu como ameaça de castração do falo, e como advertência se diz que Grande Mãe Tenebrosa nunca aparece no aspecto de um demônio, mas sim como uma sedutora mulher de grande beleza.


Mas essa lenda também serve para preservar as mulheres de violações sem consentimento. Em 2005, a inventora Sonette Ehlers introduziu o “Rapex” (palavra vinda do inglês “rape”, que significa “estupro”) (foto abaixo), um preservativo feminino anti-estupro que pode ser inserido no canal vaginal, tal como um diafragma. Este produto apresenta minúsculas farpas que atacam o penis do violador, e que tem de ser cirurgicamente removido. Num artigo sobre o “Rapex”, Ehlers comentou que foi inspirada a inventar o aparelho depois de um encontro com uma vítima que lhe disse: “Se eu tivesse dentes aqui embaixo”.


sábado, 26 de julho de 2014

O que as ciências falam sobre as Dez Pragas do Egito, citadas na Bíblia?!

As chamadas Dez Pragas do Egito são dez pestes diferentes que, segundo a tradição judaico-cristã, Deus enviou pelas mãos de Moisés sobre os faraós do Egito e seu povo, narradas no Velho Testamento, no livro de Êxodo, entre os capítulos 7 e 12. As tais pragas, ou pestes, teriam sido enviadas para que Israel fosse libertado da terra egípcia e se reconhecesse a unicidade de Deus, o monoteísmo, frente ao politeísmo egípcio. As pragas pareceriam dirigidas às divindades egípcias específicas, como o deus Nilo, os deuses animais, culminando com a morte do primogênito do faraó, já que este era considerado uma divindade.

Atualmente, diversos cientistas têm estudado o fenômeno a fim de entenderem, à luz da razão e das ciências, como tais pragas chegaram a afetar tanto a sociedade e a economia de uma potência local como era o Egito naquela época. Nesse meio tempo muito tem sido proposto, mas nada de concreto foi produzido a fim de mostrar o que pode ser fato, o que pode ser farsa, ou o que foi um simples erro de identidade. Neste post apresentamos as principais questões do debate científico.


Segundo a Bíblia e a Toráh, as Dez Pragas descritas no texto foram, em ordem cronológica:

1. Águas transformadas em sangue;
2. Rãs pelas cidades;
3. Piolhos infectando os animais e habitantes;
4. Moscas varejeiras;
5. Doenças purulentas nos animais;
6. Sarna que se transformava em úlceras;
7. Saraiva com fogo;
8. Nuvens de gafanhotos;
9. Trevas em pleno dia;
10. Morte dos primogênitos.


Ao contrário do que muitas pessoas imaginam e do que a cultura popular prega, são dez as pestes que infligiram grande castigo ao Egito e não sete. As pessoas costumam associar ao número sete por causa dos Sete Pecados Capitais e pelo número sete ser considerado místico entre a maior parte das correntes religiosas.


Algumas evidências arqueológicas foram consideradas, e alguns estudiosos propuseram a hipótese de que as tais Dez Pragas se referem a catástrofes ecológicas naturais, motivadas principalmente pela explosão do Vulcão Santorini, na Grécia, a centenas de quilômetros do centro urbano egípcio da época. Essa erupção vulcânica teria destruído o que conhecemos hoje como Ilha de Santorini, e teria sido uma catástrofe de nível mundial. A seguir, algumas hipóteses apontadas pelos variados cientistas:

As águas do Rio Nilo tornam-se puro sangue...
- A explosão do Vulcão Santorini espalhou cinzas por sobre o Egito. A lama e a fumaça que caíram sobre o rio torna quente a água do Nilo e provoca a reprodução descontrolada de algas pirrófitas, que causam o fenômeno da maré vermelha colorindo as águas com cor de sangue. Isso já teria ocorrido recentemente em outras partes do mundo e é um fenômeno natural muito estudado e hoje conhecido como “Alga sangrenta” ou “Água de sangue”.

Rãs cobrem a terra...
- A intoxicação das águas dos rios da região faz com que as rãs e sapos fujam do rio e dos brejos nos arredores, espalhando-se facilmente pela terra seca de toda a região. Como estamos falando de um ecossistema, trata-se de um efeito dominó, onde um estrago leva a destruição de outro.

Piolhos atormentam homens e animais...
- Com a morte de muitos animais, hospedeiros dos maruins e piolhos, estes encontram sangue quente nos seres humanos. Outra hipótese é que os piolhos já eram comuns e por isso os egípcios usavam a cabeça raspada com perucas feitas de rabos de cavalos. Assim, não seria uma praga tão desconhecida para eles.

Moscas atacam homens e animais...
- Outra forma de praga que não era tão desconhecida assim para os egípcios, as moscas proliferaram males como o berne. Outro fator importante é que a quantidade de animais mortos pelas vilas fez com que as larvas se proliferassem imensamente, aumentando consideravelmente o número de varejeiras levando doenças para as casas.

Uma doença purulenta atinge os animais...
- De acordo com veterinários, a doença purulenta citada na Bíblia poderia ser causada pela mosca do estábulo (causando a peste equina africana) e a outra, causada pelos piolhos (que causam a peste língua-azul). Essas doenças levam os animais a ficarem fracos e com muitas feridas pelo corpo até chegarem à morte.


Sarnas fortíssimas cobrem os seres humanos e os animais...
- Na realidade, em vez de sarna, estamos falando do mormo, doença equina que também ataca o homem, transmitida pela mosca dos estábulos e extremamente comum no norte da África. Essa doença parece sarna no início do contágio, mas chega uma hora que aparecem feridas purulentas na pele.

Saraivas de fogo destroem plantações e cidades...
- De acordo com os meteorologistas, o granizo cai com frequência no Egito. Misturado aos raios, temos a ilusão ótica de ser uma saraiva. Também se supõe que proveio do encontro entre uma massa de ar quente e uma massa de ar fria que causa ventos, chuva forte, ou tempestades elétricas, que os egípcios poderiam interpretar como chuva de fogo, já que esse tipo de tempestade é relativamente raro no país.

Nuvem de gafanhotos ataca plantações...
- O Egito até hoje é assolado por tempestades de gafanhotos, que vêm em enormes nuvens da região da Etiópia. Por ser um povo agricultor, sempre lhes causava prejuízo essa praga, que até hoje é um problema para a população e para o governo, que arca todas as consequências ajudando os produtores afetados.

Escuridão encobre o Sol...
- De acordo com os meteorologistas, uma tempestade de areia pode durar dias e é capaz de encobrir completamente a luz do Sol. E isso é comum até hoje em todo o território do norte da África. É possível que o mesmo fenômeno que ocorreu com os raios tenha encoberto o Sol, devido às correntes de areia do Deserto do Saara levantadas pelo vento. Um dos exemplos mais marcantes foi na Líbia, vizinha do Egito, que em 1988 viu um vilarejo ficar cinco dias sem ver o Sol por causa de uma fortíssima tempestade de areia.

Os primogênitos de homens e animais morrem, dizimando a população...
- Com a escassez de alimentos, causada pela morte dos animais e peixes e a devastação das plantações, cereais eram guardados em celeiros, ou abaixo da terra para serem protegidos da contaminação, mas já estavam contaminados por vestígios dos gafanhotos e/ou moscas dos estábulos, e junto com o forte calor os grãos podem desenvolver um tipo de fungo altamente tóxico. Como no Egito Antigo os primogênitos (tanto humanos quanto dos animais) tinham a preferência na alimentação, uma tradição no Egito Antigo, tanto para homens quanto para animais (recebiam a primeira porção, logo a mais contaminada por ser mais vulnerável, e uma porção extra no final) como eram muitas toxinas, era possível a morte dos primogênitos.
- Outra explicação em relação aos primogênitos é que, diante de tantas catástrofes alimentares, sociais e higiênicas, o corpo humano – principalmente de bebês – não estava pronto e com recursos da medicina de hoje para suportar tantos intempéries; por isso que as crianças menores morriam.


Para os especialistas em diversas áreas consultados por várias fontes científicas, as Dez Pragas do Egito podem ser explicadas como fenômenos naturais que ainda ocorrem com frequência em toda a região do norte da África banhada pelo Rio Nilo, desde a Etiópia até o Egito, passando pelo Sudão do Sul e pelo Sudão do Norte.

Entretanto, muitos teólogos apontam que os fenômenos podem ser naturais, mas a sua sequência e intermitência são intervenções divinas, ou seja, que o ato de fé deve se sobrepor a todas essas explicações científicas que enriqueceriam ainda mais a fé em Deus e todo o Seu poder.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Considerações sobre o que as religiões pensam sobre a possibilidade de vida extraterrestre...

O que será que os principais teólogos das diferentes correntes religiosas pensam sobre a vida alienígena? Será que quando falamos em aliens e seres de “outros mundos” estamos anulando a crença em Deus (ou deuses)? Esta é uma questão muito polêmica que tem sido debatida no meio religioso com o suporte da ciência. Até mesmo o Vaticano já se pronunciou sobre isso, e vamos falar sobre este posicionamento hoje.


1. Muitos teólogos de diferentes ramos religiosos acreditam, inicialmente, que a comprovação da vida extraterrestre não abalaria a fé das pessoas, nem traria descrédito às religiões;

2. Conforme o ponto de vista de ufólogos e alguns teólogos, o Cristianismo poderia ser a religião mais afetada pela confirmação da existência de extraterrestres, uma vez que sempre pregou o planeta Terra como sendo o ponto máximo da criação de Javé, junto com o homem, criação máxima da inteligência divina;

3. De acordo com os teólogos, as religiões orientais – como o Hinduísmo, o Budismo, o Sikhismo e o Xintoísmo – são as que mais se adaptaram à ideia de seres de outros planetas, pois suas teologias variadas falam da existência de seres vindos das estrelas, sendo alguns chamados “irmãos galácticos”;

4. De acordo com um grupo de teólogos luteranos dos Estados Unidos, a existência da vida alienígena não é um assunto recente a ser debatido pela religião, mas discutido filosoficamente há, pelo menos, 800 anos, e isso não romperia com a fé em Deus, mas mostrando ainda mais a sua grandiosidade;

5. Anos atrás, o astrônomo e diretor do Observatório do Vaticano, José Gabriel Funes, afirmou que a Igreja Católica não teria problemas com a possibilidade da existência de vida inteligente em outros lugares do cosmos;


6. No ano 2010, houve enorme polêmica. Guy Consolmagno, astrônomo do Vaticano, especulo que, se os alienígenas realmente existem, eles devem ter almas e se ofereceu para batizá-los pessoalmente. Isso virou um escândalo porque remontou a época das Grandes Navegações, quando a Igreja forçou o batismo dos indígenas americanos e escravos africanos;

7. De acordo com o Judaísmo, há comprovações de que existem bilhões de galáxias no universo visível, e isso não contradiz a teologia judaica, mas pelo contrário: não se pode limitar a obra criadora de Deus, uma vez que no próprio planeta Terra existem milhões de espécimes diferentes de animais, e por que não, também, no universo?

8. Teologicamente, o Catolicismo também pensa o mesmo. O Observatório Vaticano diz que a criação de Deus é imensa, infinita, e que seres inteligentes podem, sim, viver neste vastíssimo universo ainda desconhecido para a capacidade e tecnologias humana;

9. Um dos poucos ramos que ainda encontramos “problemas” ao abordar a questão extraterrestre é o neopontecostal fundamentalista, uma vez que para este ramo teológico, Deus é tão perfeito que não criaria outros seres em outros recantos do universo. De acordo com os ufólogos, isso parece o pensamento católico da Idade Média;

10. A fim de abordar a questão de como as religiões da Terra reagiriam ao contato com uma civilização alienígena, o ufólogo americano Peters elaborou um questionário que tem sido enviado a diversos líderes religiosos. A conclusão de suas pesquisas indica, segundo ele, que os religiosos estão muito mais dispostos a louvar a Deus juntamente com um alienígena do que poderíamos esperar;


11. De acordo com uma pesquisa realizada em 2011 pelo Instituto Gallup, nos Estados Unidos, pessoas de religiões e denominações diferentes acreditam que a realidade da vida extraterrestre não faria mal à sua fé;

12. De acordo com alguns ufólogos europeus que estudam a relação das grandes religiões com a crença na vida alien, fica uma pergunta: “Jesus Cristo morreu na cruz pelos aliens e sua salvação também?”. É que de acordo com o Cristianismo, o evento histórico teve efeito para salvar toda a criação divina;

13. Veja como vai o debate: se toda a criação inclui 125 bilhões de galáxias com centenas de bilhões de estrelas em cada uma, como os astrônomos pensam, então o que aconteceria se algumas dessas estrelas tivessem planetas com civilizações avançadas também? Por que Jesus Cristo veio à Terra, de todos os planetas habitados no universo? Para salvar os terráqueos e abandonar o resto das criaturas de Deus?

14. O professor de filosofia Christian Weidemannof, que se autodescreve como cristão protestante sugeriu algumas soluções possíveis. Talvez os extraterrestres não sejam pecadores, como seres humanos, e, portanto não precisem de salvação. No entanto, o princípio da mediocridade – a ideia de que o seu exemplo é mais provável, a menos que você tenha provas em contrário – lança dúvidas sobre isso. “Se existem seres inteligentes extraterrestres, é seguro assumir que a maioria deles são pecadores também”, disse Weidemann. “Se for assim, Jesus irá salvá-los também? Provavelmente não. Então, a nossa posição entre os seres inteligentes no universo seria muito excepcional”;

15. Na visão do Espiritismo e de algumas filosofias religiosas do Oriente, outra possibilidade é a de que Deus encarnou várias vezes, enviando uma versão de si mesmo para salvar cada planeta habitado separadamente. No entanto, com base nas melhores estimativas de quantas civilizações poderíamos encontrar no universo e por quanto tempo os planetas e as civilizações são esperadas para sobreviver, encarnações de Deus teriam que estar em cerca de 250 lugares simultaneamente em um dado momento, assumindo que cada encarnação levou cerca de 30 anos;


16. Se Deus realmente se tornou corpóreo e tomou forma humana quando Jesus Cristo nasceu, as várias reencarnações não teriam sido possíveis. Embora a descoberta de inteligência extraterrestre provavelmente estimule um profundo exame de consciência nas pessoas de todas as crenças, muitas das religiões do mundo podem facilmente se acomodar ao conhecimento do que ao Cristianismo;

17. Isso parece ser um problema somente para o Cristianismo. No Islã, por exemplo, Maomé era um profeta, ou mensageiro de Deus, não Deus encarnado. Por isso, profetas adicionais poderiam simultaneamente visitar outros planetas para salvar espécies extraterrestres;

18. Em última análise, no entanto, a descoberta de alienígenas inteligentes não é suscetível de constituir uma grave crise para o Cristianismo. Afinal, a religião já sobreviveu a desafiadoras revelações científicas antes, como por exemplo, a forma arredondada da Terra enquanto ela pregava que o planeta era plano como uma mesa;

19. O interesse do Vaticano pela ufologia e a vida extraterrestre começou a chamar a atenção do mundo a partir do dia 18 de janeiro de 1997, quando a revista oficial da Conferência dos Bispos da Itália publicou uma entrevista com o Padre Piero Coda, um dos mais importantes teólogos do Vaticano. Em suas declarações, Padre Coda afirmou que, “criados por Deus e tendo suas falhas, os extraterrestres também precisam de redenção através das palavras salvadoras de Jesus Cristo”;

20. Padre Coda afirmou que se existirem seres inteligentes e livres em outros lugares do universo, a solidariedade religiosa exigirá que a eles também seja oferecido o caminho da salvação. O religioso ainda disse que “pode até haver algum enriquecimento cultural, exatamente como aconteceu no passado, quando a cultura europeia entrou em contato com mundos que eram até então absolutamente desconhecidos”;


21. Meses antes da entrevista do Padre Coda, outros teólogos do Vaticano haviam declarado ao respeitado jornal italiano “Corriere Della Serra” que os extraterrestres também devem ser considerados filhos de Deus;

22. Em outubro de 1998, ao divulgar a mais recente edição do Dicionário do Vaticano, a Santa Sé admitiu ter incluído a expressão “objeto voador não identificado” que, na obra, é chamada em latim de “res inexplicata volans”, algo como “coisa voadora inexplicada”. Ainda no mesmo mês, o influente jornal inglês “The Sunday Times” informou que o Vaticano começará a construir um dos maiores observatórios astronômicos do planeta, a ser localizado no deserto do Arizona, Estados Unidos. Os planos do Vaticano são de que o observatório venha a ser um dos mais bem equipados do mundo, para que possa contribuir intensamente na busca de outros planetas com condições de sustentar a vida;

23. “Procurem as digitais de Deus”, disse o Papa João Paulo II aos 20 padres astrônomos que estão trabalhando no projeto e à toda a equipe que o está desenvolvendo. Aparentemente complementando as declarações do Papa, o diretor do observatório, Frei George Coyne, comentou no dia seguinte: “Acreditamos que a Igreja tem de se juntar a esse esforço científico internacional de busca por vida no espaço. A graça trazida pela encarnação de Cristo estende-se a todos os campos da atividade humana”;

24. A conversão de extraterrestres ainda não teve seus procedimentos e rituais definidos pela Santa Sé, pois o assunto não está sacramentado, mas dificilmente seria idêntico aos realizados com humanos. Tudo isso porque se deu a lembrança histórica da conversão forçada de índios e escravos no processo conhecido como Grandes Navegações, dos século 15 ao 18;

25. Este ano a agitação está por conta de Monsenhor Corrado Balducci, teólogo do Vaticano e uma das pessoas mais próximas de João Paulo II. Monsenhor Balducci é assíduo na televisão italiana e fala abertamente sobre ET’s e Ovni’s. Segundo ele, que disse não estar se expressando oficialmente pelo Vaticano, a Santa Sé está recebendo muitas informações sobre os extraterrestres e seus contatos com os terráqueos. Essas informações, de acordo com o monsenhor, vieram principalmente de seus núncios no México, Chile e Venezuela;


26. O teólogo reafirmou que a Igreja Católica está analisando o assunto com muito interesse, lembrando que os encontros com extraterrestres “não são demoníacos, nem provenientes de problemas psicológicos ou, muito menos, de casos de possessão por entidades. Este tema deve ser estudado com muito cuidado”;

27. O que chama atenção de modo especial é que Monsenhor Balducci é um exorcista consagrado no Vaticano, cujo hábito é extirpar do meio católico todas as práticas consideradas estranhas ou desconhecidas – o que, entretanto, não fez com a ufologia;

28. Do outro lado da história estão algumas das igrejas protestantes neopentecostais mais fundamentalistas, que chegam até mesmo a negar o catastrófico efeito estufa no planeta Terra. Para essas denominações, Deus seria tão perfeito que a existência de outros seres inteligentes romperia com as profecias bíblicas. Na mesma pauta de assunto, o Judaísmo e o Islamismo acreditam que a ufologia e a existência de seres inteligentes não atrapalham a fé;

29. Desde 1995 as religiões começaram a debater o assunto depois que o então Papa João Paulo II afirmou que a ufologia poderia ser uma ciência inovadora e que não interrompe a corrente de fé dos católicos, mas sim ampliaria os conceitos das maravilhas de Deus, chegando a chamar os aliens de “nossos irmãos”;

30. O diretor do Observatório Vaticano, Padre José Funes, declarou que as perguntas que nos fazemos sobre a origem da vida e a possível presença de vida fora do planeta Terra, no universo, são legítimas e merecem uma séria consideração;


31. Em entrevista à imprensa, promovida pela Academia Pontifícia para as Ciências e o Observatório do Vaticano, Padre Funes disse que “mesmo se não encontrarmos vida, as pesquisas nos ensinam coisas importantes e úteis sobre nosso mundo”, o que, segundo ele, seria um grande avanço para todas as ciências e concepções de vida – fora e dentro da Terra.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Você sabia que grandes empresas de hoje ajudaram os nazistas a dizimarem pessoas nos campos de concentração?!

Hoje nós vamos abordar um assunto polêmico e que nunca pode cair no esquecimento a fim de evitar que se repita na nossa história: a Segunda Guerra Mundial e a matança de judeus, ciganos, comunistas, eslavos, homossexuais, dentre outros, em campos de concentração nazistas. No post de hoje, especificamente, falaremos sobre como as grandes multinacionais dos séculos 20 e 21 fizeram uso de mão de obra escrava destes campos de extermínio para crescerem e aumentarem sua produção e sua produtividade.


No período compreendido entre 1933 e 1945, a máquina belicosa alemã recorreu ao trabalho forçado dos prisioneiros dos campos de concentração e campos de extermínio. Várias empresas fizeram uso desses prisioneiros para suas escalas de produção, uma vez que não era preciso pagar impostos ao governo e muito menos salários. Ou seja, as empresas tinham escravos patrocinados pelo sistema nazista de Estado.

Um exemplo de como isso funcionava está muito bem ilustrado no clássico cinematográfico de Steven Spielberg, “A lista de Schindler”, em que aparecem os judeus prisioneiros trabalhando para a prefeitura de Cracóvia e para as indústrias de panelas e caldeirões de Oskar Schindler.

O mais interessante é que essas empresas que fizeram uso da mão de obra escrava dos judeus, eslavos, homossexuais e ciganos são enormes multinacionais hoje em dia; apagaram de seus registros históricos esse fato negro e nunca pediram desculpas publicamente ou pagaram indenização às famílias dos explorados.


Um dos exemplos é o da Volkswagen. Esta empresa criou o modelo de manter os campos de concentração na própria fábrica, sendo que os prisioneiros produziam equipamentos bélicos e Fuscas, carro popular cuja ideia foi do próprio Adolf Hitler. Os franceses e italianos montavam carros de combate, as mulheres soviéticas enchiam bombas, os metalúrgicos do Leste europeu soldavam peças para aviões de caça Fl-103. Os prisioneiros chegavam a representar 67% dos trabalhadores no pico da produção.

Ainda na Volkswagen, os prisioneiros eram alojados em barracões, sendo que os homens eram separados das mulheres e crianças. Na medida em que qualquer erro ou falha por parte dos prisioneiros era entendida como atos de sabotagem, recorria-se a severos castigos.


Até hoje o trabalho escravo na época nazista é negligenciado por historiadores e pesquisadores. O livro “A fábrica da Volkswagen no III Reich” é uma exceção. Seus autores, Hans Mommsen e Manfred Griege, oferecem uma reconstrução parcial do infernal cotidiano de pouco mais de sete milhões de pessoas em empresas que hoje têm enorme poder aquisitivo.

Em alguns setores da BMW, a segurança fora delegada a ucranianos, mais temidos do que a própria Gestapo. A ração diária incluía apenas sopa aguada de batata no almoço, 150 gramas de pão, manteiga e uma fatia de linguiça.

Já a Bayer fabricava o Zyklon B, composto químico que era depositado nos salões de banho dos campos de concentração, transformando-os em mortais câmaras de gás que levaram à morte milhões de pessoas.

Até hoje milhares de sobreviventes destes infernos industriais sofrem uma via-crúcis na justiça alemã, que é extremamente lenta nesses casos e totalmente indiferente para com as pessoas que reclamam indenizações, que são fabulosas de tão altas. Muitos críticos do sistema estatal dizem que se trata do capitalismo financeiro falando mais alto, “molhando as mãos” de juízes e promotores, uma vez que essas indústrias não querem seus nomes em escândalos antigos e fazem de tudo para escamotearem essa história nada honrosa.

Lista das principais empresas que se aproveitaram do Holocausto...
Abaixo temos uma pequena lista de algumas das empresas ainda existentes que colaboraram com o sistema de guerra alemão recrutando escravos como empregados e montando fábricas dentro de campos de concentração. Nenhuma destas empresas jamais pagou uma indenização ou pediu desculpas publicamente pelo fato, o que gera polêmica na Europa e em Israel até os dias de hoje, principalmente por serem empreendimentos financeiros de grande potência.

Allianz – seguros
Basf – medicamentos
Bayer – medicamentos
Beiesdorf – cosméticos
BMW – automobilístico
Bosch – autopeças
Commerzbank – financeiro
Daimler-Chrysler – automobilístico
Degussa-Huls – mineradora
Deutsche Bank – financeiro
Henkel – química
Hochtief – construção civil
Hoechst – medicamentos
IBM – equipamentos eletrônicos (?!)
Lufthansa – aviação
MAN – automobilístico
Mannesmann – siderúrgico
Mercedes Benz – automobilístico
Porsche – automobilístico
Siemens – telecomunicações
Stihl – equipamentos industriais
Suisse Bank – financeiro
Thyssen-Krupp – siderúrgico
Varta – autopeças
Volkswagen – automobilístico


Com certeza você reparou o sinal (?!) em frente ao nome da IBM, esta por ser uma empresa de informática e norte-americana. Por que, então, usaria mão de obra escrava em campos de concentração se os Estados Unidos formavam os Aliados contra o Eixo?! A resposta é simples. Antes de produzir computadores, a IBM vendia para o Estado nazista cartões de registros magnéticos que serviam para fazer os registros dos prisioneiros que trabalhavam nas empresas instaladas dentro dos campos de concentração, como se fossem cartões de ponto a fim de que o regime alemão soubesse a produção e a escala de trabalho dos escravos; caso a produtividade e a produção caíssem, ou o preso sofria represálias, ou então era executado de alguma forma cruel. Portanto, é por este motivo que colocamos a IBM entre as grandes empresas por ter colaborado abertamente, à época, ao sistema do Holocausto.

sábado, 19 de julho de 2014

Aviões que quase “atropelam” banhistas numa praia do Caribe: fato ou farsa?!

Com certeza o internauta que está lendo este post já deve ter ouvido falar em uma praia no Caribe onde os banhistas quase são “atropelados” por aviões que pousam em um aeroporto local, certo? Há várias fotos, na internet, dessas aterrissagens impressionantes e que, por vezes, apavoram e fazem subir nosso nível de adrenalina. Mas será que são montagens essas fotos? Será que essa praia realmente existe? Se existe, onde ela fica? Qual é o nome dela? É um fato, ou uma farsa?! É o que vamos descobrir hoje! Primeiramente, observe as fotos abaixo coletadas na internet…





Impressionante, não?! O nome desta praia é Maho Beach, e localiza-se no lado holandês da ilha caribenha de Saint Martin, país de mesmo nome. Acabou tornando-se famosa nos últimos anos por causa do Aeroporto Internacional Princesa Juliana, que é adjacente à praia, o que faz com que essas fotos acima sejam verdadeiras!

Na aterrissagem, aeronaves de todos os tamanhos e portes devem chegar o mais próximo possível da cabeceira da pista, por esta ser muito curta por conta do pequeníssimo tamanho da ilha (contando-se a proporção de tamanho), o que faz com que a cabeceira da pista de pouso do aeroporto esteja a poucos metros da Estrada 10, que é a orla de Maho Beach, o que faz com que os aviões pousem na altitude mínima indicada para segurança de todos – dentro e fora da aeronave.

Devido a esse conjunto de fatores, a praia é muito popular entre observadores de aviões. Este é um dos poucos lugares no mundo onde os aviões podem ser vistos em sua rota de voo fora da final da pista. A excentricidade é tão grande que virou uma forma de turismo em Saint Martin, a ponto de bares, restaurantes e hotéis exibirem os horários de pousos e decolagens para que os turistas possam admirar tamanha ousadia da engenharia e da geografia. É por isso que, na internet, já há vários vídeos do aeroporto.







Apesar de tanta adrenalina e excentricidade, o governo de Saint Martin avisa que há o perigo de pessoas muito altas e em pé na praia serem sopradas para dentro da água por causa da potência dos aviões muito próximos ao chão. Por causa da explosão turística, uma cerca foi acrescentada recentemente, separando a autoestrada e a cabeceira da pista do aeroporto, e placas de advertência foram postas na praia (foto abaixo).


A praia em si é de areia muito branca e grossa, e tem pouquíssima vegetação, tudo por causa da erosão causada pelos jatos das aeronaves que passam ali a todo instante. A praia também ficou popular entre os praticantes de windsurfe por causa das eventuais ondas mais altas, justamente, também, por causa da passagem de aviões grandes com turbinas potentes; por conta disso, quiosques próximos frequentados por surfistas têm contato com a rádio da torre de controle do aeroporto para saber quando as grandes aeronaves estarão chegando a fim de os esportistas se prepararem nas águas próximas.

De acordo com a Comissão Internacional de Aviação Civil, o Aeroporto Internacional Princesa Juliana (que pode ser visto no Google Maps, ou Google Earth, colocando as seguintes coordenadas na área de busca: 18.03983, -63.12069) é um dos mais perigosos do mundo e somente pilotos muito experientes são escalados pelas empresas aéreas a fazerem tal linha que tem destino Saint Martin.


Você sabia que no Brasil temos uma situação parecida?!
Para quem não sabe, temos uma situação muito parecida aqui no Brasil, mais precisamente no Centro da cidade do Rio de Janeiro através do Aeroporto Santos Dumont, que faz as pontes aéreas e os voos domésticos. Para sair do Centro da cidade e chegar-se até a Escola Naval é preciso passar pela Avenida Almirante Sílvio de Noronha que, curiosamente, passa no final da pista de voo do referido aeroporto.





Quando alguma aeronave vai pousar ou decolar no Santos Dumont, a avenida é fechada à passagem de carros e apitos avisam que é para as pessoas ficarem dentro dos automóveis para evitar acidentes, o que já ocorreu: certa vez um táxi não respeitou o toque de parada, continuou sua viagem e foi empurrado pela força do ar até a beira da água do mar, da Baía de Guanabara. Essa curiosidade ainda não é tão famosa como no caso de Saint Martin, mas já há vídeos no You Tube dessa versão brasileira de pouso arriscado para pedestres.

A sorte de todos é que, mesmo sendo uma avenida no Centro do Rio, ela não é movimentada porque seu destino tem acesso restrito: instalações da Marinha Brasileira.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

O que você sabe sobre o Marquês de Sade, dono do termo sadomasoquismo?! Fatos e farsas sobre este personagem histórico...

Acreditamos que todos nós já ouvimos falar nas palavras “sádico”, “masoquista” e “sadomasoquista”. Mas hoje, neste post, o nosso foco é na palavra “sádico”, ou “sadismo”. Mas por quê? Porque vamos falar um pouco do “dono” desta expressão, o francês Marquês de Sade (foto abaixo), uma personagem extremamente controversa da história por conta dos seus pensamentos e sua excentricidade. Veremos em sua história o que é fato e o que é farsa.


1. Seu nome completo era Donatien Alphonse François de Sade, conhecido popularmente e imortalizado como Marquês de Sade, nascido em Paris, em 1740, vindo a morrer em 1814;

2. Marquês de Sade esteve preso diversas vezes por diversos motivos, inclusive tendo sua prisão decretada pessoalmente por Napoleão Bonaparte. Muitas das suas obras polêmicas foram escritas enquanto estava encarcerado;

3. Do seu nome e seu comportamento considerado “bizarro” nasceu o termo psicopatológico “sadismo”, que define a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro com quem está se relacionando. Alguns exemplos podem ser: espancamentos, humilhações, ofensas, tapas, socos etc.;

4. Na outra parte da história da sexualidade temos o termo “masoquismo”, que se refere à pessoa que encontra prazer e satisfação com um sádico, ou seja, quem tem prazer em ser violentado física e psicologicamente. Assim, seria o inverso do sádico;

5. Marquês de Sade foi duramente perseguido durante dois episódios da história francesa: a monarquia e a burguesia pós-Revolução Francesa governada por Napoleão. Tudo isso por causa do retrato da sociedade que costumava pintar em seus romances eróticos, geralmente que poderiam escandalizar a todos com as riquezas e detalhes e excesso de sadismo e de masoquismo;

6. Muitas pessoas até hoje acreditam que o Marquês de Sade tenha sido somente um aristocrata excêntrico e tarado. Entretanto, além de muito inteligente, escritor e dramaturgo, foi também filósofo baseado no Iluminismo. Por isso, de acordo com os filósofos, lidos enquanto teoria filosófica, os romances eróticos e escandalosos de Sade mostram um mundo novo, sem preconceitos, livre de moralismos religiosos e com excesso de racionalismo;

7. Curiosamente, Marquês de Sade era adepto do ateísmo, o que era, na época da França monárquica, um crime de Estado, o que o levou à prisão. Outro ponto importante é que o autor, em suas obras, fazia apologia a alguns crimes, tais como assaltos, espancamentos, estupros, abortos clandestinos, prática ilegal da medicina etc.;

8. Em suas obras, Sade, como livre pensador, usava-se do grotesco para tecer suas críticas morais à sociedade urbana. Evidenciava, ao contrário de várias obras acerca da moralidade uma moralidade baseada em princípios contrários ao que os “bons costumes” da época aceitavam; moralidade essa que mostrava homens que sentiam prazer na dor dos demais e outras cenas, por vezes bizarras, que não estavam distantes da realidade;

9. Alguns biógrafos da história do Marquês de Sade dizem que seu maior crime foi ser extremamente verdadeiro em uma época de hipocrisia, onde havia uma falsa moral e uma falsa religiosidade, e que Sade nada mais fez a não ser descrever os acontecimentos sexuais secretos das festas da aristocracia europeia da época, inclusive entre membros da Igreja, e por essa razão causou tanto incômodo;

10. Em seu romance “120 dias de Sodoma”, por exemplo, nobres devassos abusam de crianças raptadas encerrados num castelo de luxo, num clima de crescente violência, com coprofagia, mutilações e assassinatos, o que realmente acontecia com frequência nos palácios do interior da França, quando pobres meninas de sete a doze anos eram estupradas e mortas por nobres;


11. Duas personagens criadas por Sade foram suas ideias fixas durante décadas: Justine (que se materializou em várias versões do romance, ocupando muitos volumes), a ingênua defensora do bem, que sempre acaba sendo envolvida em crimes e depravações, terminando seus dias fulminada por um raio que a rompe da boca ao ânus quando ia à missa, e Juliette, sua irmã, que encarna o triunfo do mal, fazendo uma sucessão de coisas abjetas, como matar uma de suas melhores amigas lançando-a na cratera de um vulcão ou obrigar o próprio Papa a fazer um discurso em defesa do crime para poder tê-la em sua cama;

12. As orgias com o Papa Pio VI em plena Igreja de São Pedro, no Vaticano, fazem parte da trama sacrílega e ultrajante do romance “Juliette”, com a fala do pontífice transformada em agressivo panfleto político: “A dissertação do Papa sobre o crime”;

13. Muitas pessoas creem que os romances do Marquês de Sade são puramente contos eróticos cheios de situações grotescas e nojentas, sem nenhuma moralidade. Entretanto isso é falso. O nosso personagem do post de hoje tinha o costume de inserir ideias políticas e filosóficas por detrás dos seus enredos, para que ficassem na mente dos seus leitores, geralmente jovens curiosos com o mundo do sexo e da pornografia;

14. O panfleto intitulado “Franceses, mais um esforço se quiserdes ser republicanos”, que pregava total ruptura com o Cristianismo e com a Monarquia, foi por ele publicado entre as tramas eróticas no seu romance “A filosofia na alcova”, no qual um casal de irmãos e um amigo libertino “educam” uma jovem para a vida da prostituição e da libertinagem, mostrando como algumas pessoas tinham total aversão, na época, aos conceitos morais religiosos;

15. De acordo com muitos especialistas em história, filosofia, pedagogia, literatura e psicanálise, o Marquês de Sade não pode ser enquadrado em um estereótipo de ser humano com problemas psíquicos e taras sexuais, mas sim um ser humano extremamente esperto e inteligente que colocou suas ideias filosóficas – que geralmente só ficavam presas a tratados complicadíssimos – ao acesso do povo comum em meio àquilo que era muito procurado na época: pornografia e erotismo, uma vez que tais textos de sua autoria faziam muito sucesso entre os jovens da aristocracia;

16. Tanto o surrealismo como a psicanálise encamparam a visão da crueldade egoísta que a obra de Sade expõe despudoradamente. Um exemplo de influência do Marquês de Sade na arte do século 20 é o cineasta espanhol Luis Buñuel, que em vários filmes faz referências explícitas a Sade: em “A Idade do Ouro”, por exemplo, retrata a saída de Cristo e dos libertinos do castelo das orgias de “Os 120 dias de Sodoma”;

17. O sadismo também está explícito nas imagens mais surrealistas produzidas por Buñuel, como a navalha cegando o olho da mulher em “O Cão Andaluz”. Também há fortes referências sadianas em “A Bela da Tarde” e em “Via Láctea”, no qual aparece uma cena em que Sade converte uma indefesa menina ao ateísmo;

18. No campo da psicanálise e da psicologia, Marquês de Sade transformou-se em figura para explicar relações em que as partes têm prazer no sofrimento alheio (sadismo) ou em sofrer tal prática (masoquismo). Assim, as correntes psicológicas e psicanalíticas fundamentaram-se em estudos que englobam relacionamentos sadomasoquistas, considerados doentios;

19. A influência de Sade pode ser notada também em autores como o dramaturgo francês Jean Genet, homossexual, ladrão e presidiário, que retoma muitos dos temas do Marquês, também desenvolvidos em ambientes carcerários franceses;

20. A questão da suposta homossexualidade de Sade (“Terá sido Sade um pederasta?”) foi formulada pela escritora francesa Simone de Beauvoir no clássico ensaio “É preciso queimar Sade?”. A autora conclui pela heterossexualidade de Sade, que sempre amou mulheres tolerantes a suas aventuras, embora tivesse um comportamento sexual atípico, defendendo o coito anal e chegando a pagar criados para sodomizá-lo publicamente em suas orgias, das quais a primeira mulher, Renné de Sade, teria participado;


21. Atualmente, estudiosos da cultura e da literatura compartilham a opinião de Simone de Beauvoir, creditando o comportamento e a imaginação literária do autor de “120 dias de Sodoma” a neuroses relacionadas a parafilias, como o gosto pelo lixo e pela sujeira, que na ficção sadeana desembocam na apologia do crime e na erotização da fealdade e das mais atrozes torpezas;

22. Na realidade, muitos especializados em literatura e em história acreditam que o Marquês de Sade tenha se casado justamente por causa dos papéis e ditames sociais, em uma época que a homossexualidade era totalmente criminalizada na França, e por causa de seus escândalos Sade passou muitos anos no cárcere;

23. A possível prova da homossexualidade do Marquês é que, durante seus devaneios e orgias sexuais, as mulheres eram extremamente humilhadas, ofendidas e violentadas enquanto ele era passivo em relações sexuais com homens – geralmente criados de suas propriedades, órfãos abandonados que o faziam em troca de dinheiro etc.;

24. Muitos psicólogos afirmam que o Marquês de Sade tenha colocado no papel tudo aquilo que vivia às escondidas e gostaria de mostrar ao mundo, principalmente as suas excentricidades sexuais e os mais sórdidos crimes que gostaria de cometer – se é que não houvesse realmente cometido;

25. Na velhice, já separado de Renné, sua primeira mulher, mas, como sempre, preso por causa de suas ideias e de seu comportamento libertino, foi amparado pela atriz Marie-Quesnet, que se mudou com ele para o Hospício de Charenton. Nessa época, sob o olhar tolerante de Marie-Quesnet, enamorou-se da filha de uma carcereira que tinha 14 anos quando o conheceu. Todos esses fatos estão rigorosamente documentados por Gilbert Lely, o mais importante biógrafo de Sade, compilador de suas cartas.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Você conhece a lenda do “navio fantasma em chamas” da Argentina?!

Nos arquivos deste blog, o leitor é convidado a conhecer algumas lendas envolvendo possíveis aparições de navios fantasmas, que parecem estar presentes em quase todas as culturas; no Chile, por exemplo, temos o Caleuche. Nos oceanos do Caribe e da África do Sul encontramos o navio fantasma conhecido como Holandês Voador. Hoje vamos tratar de um folclore muito popular no litoral argentino, especificamente vamos abordar a história de um possível navio fantasma que apareceria em chamas e também estaria ligado à ufologia através dos Osni’s – objetos submarinos não-identificados.


A Baía de Samborombón (mapa abaixo), na Argentina, próxima à capital do país, Buenos Aires, é, há séculos, cenário de fenômenos possivelmente inexplicáveis testemunhados por visitantes e moradores da região: esferas luminosas apareceriam nas águas profundas do estuário do Rio da Prata, junto com o desaparecimento de pessoas e a visão espectral de um antiquíssimo navio em chamas que seria fantasma.


De acordo com as testemunhas, o navio em chamas aparece do nada, sempre indo na mesma direção – do interior do rio para o mar. Ouvem-se gritos desesperados, como se passageiros e tripulantes estivessem aterrorizados e pedindo socorro. A embarcação flamejante é claramente visível em suas aparições e some de repente, mesmo estando a cerca de 500 metros da costa. Segundo os folcloristas, esta seria uma versão argentina dos contos de piratas, uma vez que a Argentina já foi invadida por esquadras inglesas diversas vezes ao longo de sua história colonial.

Em outras ocasiões, esferas luminosas são vistas movimentando-se ou paradas, por vários minutos, perfeitamente visíveis e indiferentes aos observadores do fenômeno. Muitos desses relatos são de pescadores que frequentam aquelas águas e a população ribeirinha. Em 2012, pesquisadores da Fundación Argentina de Ovnología (FAO), liderada pelo ufólogo Luis Burgos, fizeram uma vigília no local e coletaram relatos de testemunhas. Para estes pesquisadores, são relatos bastante consistentes de avistamentos de Osni’s.


A Fundación Argentina de Ovnología começou a registrar e coletar tais anomalias na região da Baía de Samborombón em 1996; essas anomalias são avistamentos de estranhas esferas aquáticas, voos noturnos de objetos voadores não-identificados e luzes dentro do Rio da Prata com as cores rosa e laranja. Mas os registros são ainda mais antigos: em 1965, quando a Base Militar de Punta Indio estava sob o comando de Hugo Fronth, ocorreu uma série curiosíssima de avistamentos de Ovni’s que duraram mais de um mês insistentemente.

Os sinais detectados pelo radar GCA, que é capaz de monitorar o espaço aéreo em um perímetro circular com raio de 80 quilômetros, provocaram inquietude em meio às autoridades militares. Na ocasião, o Tenente Frederico Machaín perseguiu um Ovni no quadrante aéreo da cidade de Magdalena. Uma comissão espacial e técnicos norte-americanos periciaram os equipamentos eletrônicos em busca de falhas e anomalias, sem resultado, no entanto. Então, a Marinha argentina instituiu um UFO Information Bureau (uma comissão especial de investigação) para acompanhar os acontecimentos.

Em novembro de 1968, em Piedra Punta Pipinas, Miguel Ángel Fountrier e Hugo Bustamente encontraram um estranho círculo deformado por nove cogumelos, um deles, especialmente grande, com 70 centímetros de diâmetro e 30 centímetros de altura. Esse é mais um ocorrido estranho que acontece quase todo o tempo na região da Baía de Samborombón, que a população local sempre tem algo a contar, por mais incríveis que possam parecer tais histórias, relatos e avistamentos.

Na madrugada de 05 de abril de 1983, o empresário Jorge Semacendí e seu acompanhante, Daniel Vera, viajavam de carro na estrada entre Villa Gesell e La Plata, quando foram perseguidos de perto por uma pequena esfera luminosa, que os ufólogos chamam de “sondas teleceptoras”. Os viajantes tentaram escapar da perseguição, acelerando o veículo pondo em risco suas vidas. Mas o objeto acompanhou o automóvel por cerca de duas horas percorrendo uma distância de cerca de 200 quilômetros. Poucos minutos depois, o mais surpreendente aconteceu: uma van, com portas traseiras abertas, ultrapassou o carro cujos faróis permitiram ver, no interior de seu compartimento de carga, um pequeno aparelho no formato discoide.


Uma outra esfera, semelhante a esta citada logo acima, também foi avistada por um motorista na estrada que vai até a cidade de Magdalena, também nos arredores dos estranhos ocorridos. E há mais relatos estranhos: em 1983, um avião que decolou da Base de Punta Indio sumiu, perdendo contato para sempre com a torre de controle. Já em 1997, três pescadores que trabalhavam na costa da cidade de Magdalena desapareceram do barco e seus corpos jamais foram encontrados.

Em janeiro de 2011, o helicóptero Robinson 44 da Agencia Nacional de Seguridade Vial (ANSV), pilotado por Alejandro Ferloza, partiu de Coronel Bransden em direção à costa atlântica argentina. Jamais chegou a seu destino. Em todos os casos de desaparecimento, nenhuma das equipes de busca e patrulhas que percorreram as áreas encontraram qualquer sinal ou restos das aeronaves.

De acordo com um grupo de físicos argentinos, associados a ufólogos, a região da Baía de Samborombón teria a ação diferenciada de campos magnéticos, alterando substancialmente as noções de espaço e tempo, como ocorreria no Triângulo das Bermudas. Ainda de acordo com esse grupo de cientistas, existem onze lugares do planeta que têm esses “dons e características especiais”.


Todas essas histórias permanecem um grande mistério para investigadores, mas bastante vivas na história do folclore argentino.

sábado, 12 de julho de 2014

Você conhece a hipótese de dilúvio no Mar Negro? Fato ou farsa?!

Se você reparar na foto de satélite abaixo do Mar Negro, vai reparar que ele parece ser um imenso lago, pois só tem uma única saída para o Mar Mediterrâneo, que é o chamado Estreito de Bósforo, onde está localizada a cidade de Istambul, na Turquia, antiga Constantinopla, que um dia foi capital do Império Romano do Oriente, rivalizando a primazia com Roma, esta sendo capital do Império Romano Ocidental.


O dilúvio do Mar Negro é uma hipótese da história natural, que propõe que o antigo Mar Negro havia sido um mar fechado e doce (um enorme lago) a ocupar o fundo de uma depressão; este mar doce teria sido inundado pelas águas salgadas da bacia do Mediterrâneo por volta do ano 5600 a.C., quando um acidente geológico provocou o rompimento de um istmo que unia a Trácia à Anatólia e, por consequência, a invasão do Mar Negro pelas águas da Bacia Mediterrânica e a submersão das suas depressões costeiras. Esta teoria foi manchete de jornais como o The New York Times em dezembro de 1996, que foi quando a teoria tornou-se popular.

Na imagem abaixo, feita a partir de imagens de satélites da Nasa, vemos o leito do Mar Negro; as partes em azul claro seriam as terras que um dia foram secas e habitadas por pastores e agricultores, emersas por volta do século 56 antes de Cristo.


Analisando as hipóteses do dilúvio...
Em 1998, William Ryan e Walter Pitman, geólogos da Universidade de Colúmbia, publicaram evidências do rompimento de um suposto “Istmo do Bósforo” por volta do ano 5600 a.C. Nesta época de nossa história geológica, ocorria, no nordeste da Europa, o derretimento das vastas camadas de gelo da última glaciação, cuja consequência direta foi transformar o Mar Negro e o Mar Cáspio em vastos lagos de água doce (ou salobra, no caso do Cáspio), ao mesmo tempo em que o nível da Bacia Mediterrânica permanecia bem abaixo das quotas atuais. Cogita-se, inclusive, que, a certo ponto, o Mar Negro e o Mar Cáspio poderiam ter estado ligados.

Conforme, todavia, o degelo avançava, muitos dos cursos de água que alimentavam o Mar Negro mudaram de direção e começaram a encontrar saídas que levavam à Bacia Atlântica – pelo Mar Báltico, ou mesmo pelo Mar do Norte –, o que teria causado um déficit na alimentação do Mar Negro e feito o seu nível regredir, e perder também a ligação com o Cáspio, se esta realmente existiu. Do recuo do Mar Negro surgiu uma depressão fertilíssima, onde, muito possivelmente, hordas populacionais se sedentarizaram, como, por exemplo, a civilização indo-europeia dos curganos, ao norte, ou os proto-sumérios, ao sul.

O prosseguimento do degelo, em benefício do Atlântico, fez elevar o nível do Mediterrâneo, e por consequência, do Mar Egeu, que absorveu as águas doces de regiões costeiras da Anatólia e da Grécia.

Quando, finalmente, em fins do sexto milênio a.C., o nível do Mediterrâneo (e do Egeu) subiram a quotas similares às modernas, e segundo a sugestão de Ryan e Pitman, a pressão do Mediterrâneo forçou o rompimento do antigo Istmo do Bósforo, provocando o surgimento de uma cascata de água salgada que inundou os 155.000 quilômetros quadrados da antiga depressão do Mar Negro e expandiu os limites daquele mar em direção ao norte e ao oeste (principalmente).

A principal consequência antropológica deste evento foi a diáspora dos indo-europeus que vicejavam às margens do antigo Mar Negro; estes foram forçados a fugir, espalhando-se em direção à Europa Central, ao Vale do Danúbio, à Anatólia, ao Cáucaso, ao Irã, à bacia Caspiana e outras regiões. É possível também que os sumérios tivessem-se refugiado do dilúvio no planalto iraniano, de onde mais tarde desceriam para a Mesopotâmia.

Quem acredita nesta teoria de um antigo Mar Morto como um grande lago fértil também faz uma associação: ao antigo dilúvio descrito na Bíblia, que dizimou grande parte da população de um lugar ao qual não temos certeza, mas a Bíblia afirma ser o mundo inteiro. Entretanto, vale lembrar que, no século 56 antes de Cristo, o conhecimento de “mundo” era extremamente limitado e, por isso, acreditava-se que aquelas terras fossem todo o planeta Terra.


Sobre o evento geológico, Ryan e Pitman escreveram: “A cada dia, 42 quilômetros cúbicos de água foram despejadas, duzentas vezes o volume do que flui pelas cataratas do Niágara. A torrente do Bósforo rugia e jorrava em fluxo máximo por pelo menos trezentos dias”. A análise dos sedimentos no Mar Negro em 2004 por um projeto europeu revelou-se compatível com a conclusão de Pitman e Ryan; isso porque no leito do Mar Negro próximo às margens atuais foram encontradas casas toscas, ferramentas, cercados, pequenas fazendolas, templos rudimentares etc. Ou seja, a teoria foi confirmada pela pesquisa submarina.

O outro lado da história: as críticas à teoria...
Contrária a esta hipóteses, dados coletados por cientistas ucranianos e russos podem antecipar a data do dilúvio do Mar Negro. A pesquisadora russa Yanko Hombach alega que o fluxo de água através do Bósforo continuamente mudou de direção no tempo geológico, dependendo de mudanças nas quotas relativas de espelho de água do Mar Negro e do Mar Egeu. Isto contradiz o proposto desastre geológico da ruptura repentina do Bósforo em que Ryan e Pitman sustentam sua teoria. Da mesma forma, os níveis de água calculados por Yanko Hombach foram diferentes, por larga margem, daqueles propostos por Ryan e Pitman.

Em 2007, Hombach, agora presidente do Instituto Avalon de Ciência Aplicada em Winnipeg, no Canadá, publicou um volume científico do qual constava 35 relatos feitos por um grupo internacional de estudiosos do Mar Negro, inclusive sua própria pesquisa no tópico. O livro avalia muito das pesquisas anteriores, feitas por russos e britânicos pela primeira vez, e combina-as com as mais recentes descobertas científicas. Já em 2006, um projeto de pesquisa multidisciplinar estabelecido pela Unesco e pela União Internacional de Ciências Geológicas tomou prosseguimento no assunto.

Vale ressaltar algo muito importante: a crítica feita nunca negou o dilúvio do Mar Morto. Pelo contrário, ela confirma que o Mar Negro um dia foi um lago com populações de pequenos agricultores e pastores, que iniciavam a agricultura e a pecuária. A crítica somente trabalha a datação do ocorrido, acreditando que o desastre tenha sido muito posterior ao século 56 antes de Cristo. Portanto, quanto à existência do dilúvio do Mar Negro não existe dicotomia no discurso.


Pauta arqueológica do dilúvio do Mar Negro
Embora a agricultura do Neolítico já houvesse, por volta de 5600 a.C., atingido a Planície Panônica, os autores ligam essa expansão ao êxodo de elementos indo-europeus das terras inundadas pelo dilúvio do Mar Negro. Exames mais recentes, feitos por oceanógrafos jogam algumas dúvidas sobre esta teoria de dilúvio catastrófico. Os arqueólogos encontraram depósitos de lama no Mar de Mármara e concluíram que houve uma forte, contínua interação entre o Mediterrâneo e o Mar Negro por pelo menos dez mil anos.

Numa série de expedições, uma equipe de arqueólogos marinhos, liderados por Robert Ballard, identificou, no fundo do Mar Negro, vestígios do que pareciam ser antigas costas, cascas de caramujos de água doce, barrancas de rios submersos, madeira trabalhada por instrumentos e até estruturas construídas por mão humana a 90 metros de profundidade ao largo da costa da Anatólia. Datação por radiação a carbono dos fósseis de caramujos indicaram-lhes idades para além de sete mil anos.

De acordo com um relato na revista “New Scientist” publicada em 04 de maio de 2002, os pesquisadores descobriram um delta submarino a sul do Bósforo, evidência de um forte fluxo de água doce para fora do Mar Negro no oitavo milênio antes de Cristo.

A análise de sedimentos no Mar Negro, provindo de uma série de expedições que tiveram lugar entre 1998 e 2005, primeiro no âmbito de um projeto de colaboração entre a França e a Romênia, e depois prosseguidos por um projeto pan-europeu coordenado por Gilles Lericolais, confirmaram a conclusão de Pitman e Ryan. Estes resultados foram também completados pelo Projeto Noé, liderado pelo Instituto Búlgaro de Oceanologia. Adiante, cálculos feitos por Mark Siddall predisseram a existência de um desfiladeiro submarino, que foi de fato localizado. A hipótese, contudo, permanece um ativo objeto de debate entre os arqueólogos.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Fatos, farsas, mitologias e folclores envolvendo as auroras boreais e austrais, um espetáculo da natureza...

A aurora polar é um fenômeno ótico composto de um brilho observado nos céus noturnos nas regiões polares, no norte extremo e no sul extremo, em decorrência do impacto de partículas de vento solar e a poeira espacial encontradas na Via Láctea com a alta atmosfera da Terra, canalizadas pelo campo magnético terrestre. Em latitudes do hemisfério norte é conhecida como “aurora boreal” (nome batizado por Galileu Galilei em 1619, em referência à deusa romana do amanhecer, Aurora, e ao seu filho, Bóreas, representante dos ventos nortes). Ocorre normalmente nas épocas de setembro a outubro e de março a abril. Em latitudes do hemisfério sul é conhecida como “aurora austral”, nome batizado por James Cook, uma referência direta ao fato de estar ao sul.

O fenômeno não é exclusivo somente à Terra, sendo também observável em outros planetas do Sistema Solar, tais como Júpiter, Saturno, Marte e Vênus. Da mesma maneira, o fenômeno não é exclusivo da natureza, sendo também reproduzível artificialmente através de explosões nucleares ou em laboratórios.



A aurora polar terrestre é causada por elétrons de energia de 1 a 15 keV, além de prótons e partículas alfa, sendo que a luz é produzida quando eles colidem com átomos da atmosfera do planeta, predominantemente oxigênio e nitrogênio, tipicamente em altitudes entre 80 e 150 quilômetros. Cada colisão emite parte da energia da partícula para o átomo que é atingido, um processo de ionização, dissociação e excitação de partículas. Quando ocorre ionização, elétrons são despejados do átomo, os quais carregam energia e criam um efeito dominó de ionização em outros átomos.

A excitação resulta em emissão, levando o átomo a estados instáveis, sendo que estes emitem luz em frequências específicas enquanto se estabilizam. Enquanto a estabilização do oxigênio leva até um segundo para acontecer, nitrogênio estabiliza-se e emite luz instantaneamente. Tal processo, que é essencial para a formação da ionosfera terrestre, é comparável ao de uma tela de televisão, no qual elétrons atingem uma superfície de fósforo, alterando o nível de energia das moléculas e resultando na emissão de luz.

De modo geral, o efeito luminoso é dominado pela emissão de átomos de oxigênio em altas camadas atmosféricas (em torno de 200 quilômetros de altitude), o que produz a tonalidade verde. Quando a tempestade é forte, camadas mais baixas da atmosfera são atingidas pelo vento solar (em torno de 100 quilômetros de altitude), produzindo a tonalidade vermelho escura pela emissão de átomos de nitrogênio (predominante) e oxigênio. Átomos de oxigênio emitem tonalidades de cores bastante variadas, mas as predominantes são o vermelho e o verde.


O fenômeno também pode ser observado com uma iluminação ultravioleta, violeta ou azul, originada de átomos de nitrogênio, sendo que a primeira é um bom meio para observá-lo do espaço (mas não em terra firme, pois a atmosfera absorve os raios UV).

Aurora artificial
As auroras também podem ser formadas através de explosões nucleares em altas camadas da atmosfera (em torno de 400 quilômetros). Tal fenômeno foi demonstrado pela aurora artificial criada pelo teste nuclear estadunidense Starfish Prime em 09 de julho de 1962 (foto abaixo). Nessa ocasião, o céu da região do Oceano Pacífico foi iluminado pela aurora por mais de sete minutos. Tal efeito foi previsto pelo cientista Nicholas Christofilos, que havia trabalhado em outros projetos sobre explosões nucleares. De acordo com o veterano estadunidense Cecil R. Coale, alguns hotéis no Havaí ofereceram festas da bomba de arco-íris em seus telhados para acompanhar o Starfish Prime, contradizendo relatórios oficiais que indicavam que a aurora artificial era inesperada. O fenômeno também foi registrado em filme nas Ilhas Samoa, em torno de 3.200 quilômetros distante da Ilha Johnston, local da explosão.


Aurora em outros planetas...
Tanto Júpiter quanto Saturno também possuem campos magnéticos muito mais fortes que os terráqueos (Urano, Netuno e Mercúrio também são magnéticos) e ambos possuem grandes cintos de radiação. O efeito da aurora polar vem sendo observado em ambos, mais claramente com o telescópio Hubble.

Tais auroras parecem ser originadas do vento solar. Por outro lado, as luas de Júpiter, em especial Io, também são fontes poderosas de auroras. Elas são formadas a partir de correntes elétricas pelo campo magnético, geradas pelo mecanismo de dínamo relativo ao movimento entre a rotação do planeta e a translação de sua lua. Particularmente, Io possui vulcões ativos e ionosfera, e suas correntes geram emissão de rádio, que vêm sendo estudadas desde 1955.

Histórico das pesquisas com as auroras...
As auroras boreais vêm sendo estudadas cientificamente desde o século 17. Em 1621, o astrônomo francês Pierre Gassendi descreveu o fenômeno observado no sul da França. No mesmo ano, o astrônomo italiano Galileu Galilei começou a investigar o fenômeno como parte de um estudo sobre o movimento dos astros celestes. Como seu raio de estudo limitava-se à Europa, o fato de verificar o fenômeno no norte do continente levou-o a batizá-lo “aurora boreal”. No século 18, o navegador inglês James Cook presenciou no Oceano Índico o mesmo fenômeno de Galileu, batizando-o aurora austral. A partir de então ficou claro que o efeito não era exclusivo do hemisfério norte terrestre, criando-se a denominação aurora polar. Na mesma época, o astrônomo britânico Edmond Halley suspeitou que o campo magnético terrestre estivesse relacionado com a formação de auroras boreais. Em 1741, Olof Hiorter e Anders Celsius foram os primeiros a noticiar evidências do controle magnético quando existiam observações de auroras.

Henry Cavendish, em 1768, calculou a altitude no qual o fenômeno ocorre, mas somente em 1896 uma aurora foi reproduzida em laboratório por Kristian Birkeland. O cientista, cujos experimentos em câmara de vácuo com raios de elétrons e esferas magnéticas mostravam que tais elétrons era guiados para as regiões polares, propôs por volta de 1900 que os elétrons da aurora são originados de raios solares. Esse modelo possui problema devido à falta de evidências no espaço, tornando-se obsoleto em pesquisas atuais. Birkeland também deduziu em 1908 que as correntes de magnetismo fluíam na direção leste-oeste.

Mais evidências na conexão com o campo magnético são os registros estatísticos das auroras polares. Elias Loomis (1860) e posteriormente mais detalhadamente Hermann Fritz (1881) estabeleceram que a aurora aparece principalmente em uma região em forma de anel com raio de aproximadamente 2.500 quilômetros em volta do polo magnético terrestre. Loomis também foi responsável por descobrir a relação da aurora com a atividade solar, ao observar que entre 20 e 40 horas mais tarde de uma erupção solar, noticiava-se o aparecimento de auroras boreais no Canadá.


A aurora polar nas culturas dos povos...
Para quem acreditava no fenômeno da Terra oca, no século 19, era crença de que as auroras polares fossem reflexos de luzes das cidades no interior do planeta, e que nos polos haveria entradas e saídas para esses mundos que seriam paralelos. Por muitos anos várias pessoas acreditaram piamente nesta possibilidade.

Através da história as pessoas vêm escrevendo e falando sobre sons associados às imagens da aurora. O explorador dinamarquês Knud Rasmussen mencionou tal efeito em 1932 enquanto descrevia tradições folclóricas dos esquimós da Groeelândia. Os mesmos sons no mesmo contexto são mencionados pelo antropólogo canadense Ernest Hawkes em 1916. Públio Cornélio Tácito, um historiador da Roma Antiga, escreveu em sua obra “Germania” que os habitantes da atual Alemanha aclamavam escutá-los da mesma maneira. Atualmente, várias pessoas continuam reportando tais sons, ainda que suas gravações nunca tenham sido publicadas, e que existam problemas científicos com a ideia de sons originados de auroras serem ouvidos.

No clássico livro de Thomas Bullfinch, de 1855, “Mitologias”, existe uma citação da mitologia nórdica relacionada ao fenômeno: “As Valquírias são virgens da guerra, montadas em cavalos e armadas com elmos e lanças. Quando elas cavalgam adiante em sua mensagem, suas armaduras derramam uma luz estranha que bruxuleia, que acende por cima dos céus do norte, fazendo o que os homens chamam ‘aurora borealis’, ou ‘luzes do norte’”. Apesar de uma descrição marcante, não há citações na literatura escandinava que apóiem tal afirmação. Embora a atividade auroral seja comum na região na qual situa-se a Escandinávia, é possível que o polo norte magnético estivesse consideravelmente mais longe dessa região nos séculos anteriores à documentação da mitologia, assim explicando a falta de referências.


A primeira citação na mitologia nórdica é encontrada na crônica “Konungs skuggsjá” (1250). Seu autor havia ouvido falar sobre o fenômeno de compatriotas retornando da Groenlândia, e fornece três explicações: que o oceano estava rodeado de fogos vastos, que os raios solares podiam atingir o “lado noturno” do mundo, ou que as geleiras podiam armazenar energia de forma a tornarem-se eventualmente fluorescentes.

Um antigo nome escandinavo para as luzes do norte é traduzido como “relâmpago de arenque”. Acreditava-se que as luzes fossem reflexos lançados por grandes cardumes de arenques para o céu. Outra fonte escandinava refere-se a fogos que rodeiam os extremos norte e sul do mundo. Isso coloca em evidência que os nórdicos chegaram a se aventurar até a Antártica, ainda que somente uma citação seja insuficiente para formar uma conclusão sólida.

O nome finlandês para a aurora é “revontulet”, que significa “fogos de raposa”. De acordo com a lenda, as raposas feitas de fogo viviam na Lapônia, e “revontulet” eram as faíscas que elas arremessavam para a atmosfera com seus rabos. Em estoniano é chamado “virmalised”, “espíritos dos altos reinos”. Em algumas lendas eles possuem caráter negativo, enquanto noutras positivo.

O povo sami acreditava que deveria se ter cuidado e silêncio ao observar as estrelas do norte (chamadas “guovssahasat” em sua língua), senão elas poderiam descer e matar o observador. Já os algonquinos acreditavam que as luzes eram seus ancestrais dançando ao redor de um fogo cerimonial. No folclore inuit, a aurora boreal era composta por espíritos de mortos jogando futebol com uma caveira de morsa pelo céu. Eles também utilizavam a aurora para chamar seus filhos para casa antes da escuridão, clamando que se a pessoa fizesse sons em sua presença ela baixaria e a queimaria. No folclore letão, especialmente se a cor vermelha era observada, acreditava-se que se tratasse de almas de guerreiros mortos, um agouro de desastre, como guerra ou fome. No folclore chinês acredita-se que as auroras trazem nascimentos em um período próximo.

Também é creditada como uma referência às auroras uma citação bíblica do livro de Ezequiel: “Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo que emitia de contínuo labaredas, e um resplendor ao redor dela; e do meio do fogo saía uma coisa como o brilho de âmbar”, Ez 1:4.