sábado, 28 de junho de 2014

Você conhece a teoria da conspiração envolvendo a lei americana conhecida como USA PATRIOT Act?!

No dia 11 de setembro de 2001 o mundo assistiu ao mais ousado atentado terrorista de todos os tempos, justamente no território que se julgava ser o mais seguro contra essas atividades. Estamos falando da queda das Torres Gêmeas em Nova York e do ataque ao Pentágono, em Washington. Apesar dos atentados e da proclamação de autoria aos grupos terroristas de Osama bin-Laden, muitas pessoas creem que tudo tenha sido arquitetado pelo próprio governo norte-americano.

Apesar das teorias tão díspares, o que todos temos de certeza é que os Estados Unidos nunca mais foram os mesmos em suas políticas interiores e exteriores. Chegamos à neurose do terrorismo, quando pessoas com sobrenome árabe chegaram a ser proibidas de terem seus vistos para viagens ao país. Foi nesse contexto que nasceu o USA PATRIOT Act, assunto da nossa postagem de hoje.


USA PATRIOT Act é a sigla para o inglês “Uniting and Strengthening America by Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism Act of 2001”, que numa tradução livre para o português significaria: “Lei de 2001 para unir e fortalecer a América, fornecendo instrumentos apropriados requeridos para interceptar e obstruir o terrorismo”, comumente referido na América do Norte como “Patriot Act”.

Além de ser a lei com o maior nome dos códigos legislativos dos Estados Unidos, também é uma controversa emenda constitucional do Congresso estadunidense que o então presidente George W. Bush assinou, tornando-a lei em 26 de outubro de 2001, durante a invasão ao Afeganistão na caçada ao Talibã e na iminência de um novo atentado terrorista como resposta vingativa à invasão pelo exército americano aos territórios das montanhas afegãs.


Entre as ações permitidas pelo “Patriot Act” estão: invasão de lares, espionagem de cidadãos, interrogatórios e torturas de possíveis suspeitos de espionagem ou terrorismo, sem direito a defesa ou julgamento. A maior polêmica é que, na prática, o ato suprime as liberdades civis que sempre foram pregadas pelos Estados Unidos, desde o século 19 conhecido como “terra da liberdade”, o que na realidade nunca foi verdade. Muitos cientistas políticos apontaram duas vertentes: (1) é necessário fazer esse tipo de atitude por parte do governo durante um estado de exceção, como o período dos atentados; e (2), que mesmo em épocas de estado de exceção as pessoas têm, por lei, desde 1777, direito à igualdade, à liberdade e à defesa, na primazia do direito que todos são inocentes até que se prove o contrário através de julgamento justo.

Muitos juristas consideram que essa lei facilita a instituição de lei marcial, na eventualidade de qualquer ameaça de terrorismo – real ou imaginária. Instituído no contexto da “guerra ao terror”, o “Patriot Act” é o instrumento legal que permite ao governo dos Estados Unidos obter qualquer informação sobre qualquer pessoa, como também adotar medidas de vigilância e espionagem, usando informantes no interior de organizações sociais, para suprimir protestos.

Outros juristas apontam que esse dispositivo legal, na realidade, é ilegal e totalmente inconstitucional, uma vez que o governo instituído pode clamar essa legislação para fazer perseguições e espionagens a cidadãos considerados somente virtualmente como “perigosos”. Um dos resultados do “Patriot Act”, por exemplo, foi a série de espionagens que o governo Obama empreendeu sobre o Brasil, a Argentina, a Rússia e a Alemanha, países considerados “aliados” e livres de atividades de grupos extremistas e/ou terroristas. Isso rendeu uma crise diplomática sem precedentes, enquanto que o presidente dos Estados Unidos disse, à época, que precisava salvaguardar os interesses de seu país sobre os outros demais, o que também quebra uma série de tratados internacionais. Ou seja, o “Patriot Act” seria uma forma legal de promover a ilegalidade, sob a ótica destes juristas contrários.


Segundo o advogado Michael Ratner, presidente emérito do Center for Constitutional Rights (CCR), e presidente do European Center for Constitutional and Human Rights (ECCHR), as pessoas comuns aceitaram normalmente essas violações, “aceitaram que o governo pudesse espionar qualquer um sem autorização judicial, sob a alegação de ‘guerra contra o terrorismo’ – tudo o que antes era condenado pelos Estados Unidos quando ocorria em outros países”. Para ele, os Estados Unidos poderiam estar se tornando um Estado policial. “Perdemos os valores fundamentais do Século das Luzes em torno dos direitos individuais”, afirmou Ratner.

Quando Michael Ratner fala nos valores fundamentais do Século das Luzes, estamos falando dos valores do Iluminismo, sistema filosófico que nasceu na França do século 18, mas que só foi posto em prática pela primeira vez em 1776, com a independência dos Estados Unidos. Segundo o Iluminismo, todo ser humano tem direito ao respeito à sua liberdade, sua individualidade, sua igualdade perante aos demais, sistema de leis justo e igualitário, liberdade de trabalho e de mercado. São, enfim, os valores da burguesia daqueles tempos.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (36)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Por que Roma é também conhecida como “Cidade eterna”?
Tudo começa na Antiguidade, quando Roma tornou-se a capital do vastíssimo Império Romano – veja a ligação entre o nome do enorme Estado e da cidade. Por ser uma cidade tão importante, ganhou o apelido de “cidade eterna” por guardar nela os resquícios da comunidade romana e, ainda, a sede da maior instituição do período medieval: a Igreja católica, tida também como uma instituição eterna. Portanto, todo o legado histórico e arquitetônico de Roma fizeram com que ela fosse considerada eterna, por misturar estilos diferentes de tempos diferentes, mesclando o antigo e o novo.


Por que Paris também tem é chamada de “Cidade-luz”?
Muitas pessoas acreditam que a capital da França tenha esse apelido porque foi a primeira cidade a ter luz elétrica. Isso não é verdade; na realidade, o nome nada tem a ver com eletricidade, luz a gás, invenções mirabolantes etc. Paris tornou-se a “Cidade-luz” no século 18, nas vésperas da Revolução Francesa. Isto porque foi o local onde moravam e debatiam os estudiosos do Iluminismo, movimento intelectual que pregava “tirar o mundo das trevas” – ou seja, explanar o uso da razão e da filosofia contra as superstições, folclores populares, lendas e religiosidade. O movimento ganhou adeptos em todo o mundo e muitos jovens iam a Paris estudar tais ideias, que influenciaram nos movimentos de independência das colônias no continente americano; assim, Paris ganhou o apelido de “cidade luz dos homens, aquela que os guia da escuridão à luz do conhecimento”.


Existem os chamados “alimentos detergentes”?
Sim, existem. Alimentos detergentes são aqueles que agem como “detergentes” durante a mastigação auxiliando na limpeza bucal, eliminação de cáries e placas. Esses alimentos são, na sua maioria de consistência firme, possuem pouco teor de açúcar e muitas fibras que são de difícil deterioração durante a mastigação. O atrito dos dentes decorrentes do ato de mastigar ajuda a remover de modo superficial, resíduos e bactérias que se localizam na placa. A riqueza desses alimentos em fibras proporciona um considerável aumento da produção de saliva e elevam o pH da boca, o que reduz a acidez. Mas atenção! Esses alimentos não substituem o uso da escova de dente, do fio dental ou do antisséptico bucal, somente auxiliam na higienização da boca. Alguns deles são: mamão, cenoura, maçã, pera e chiclete sem adição de açúcar. Outros alimentos também tem essa função, são eles: pepino, acelga e o aipo, além das nozes e castanhas. Com poder adstringente e bactericida, o limão também é um ótimo aliado. Ele elimina as bactérias presentes na boca e no sistema digestivo. Outro adstringente natural é o gengibre, que estimula alguns processos digestivos por fazer parte da categoria dos alimentos antioxidantes e anticoagulantes. Acrescentar gengibre às refeições ou carregar balinhas da planta podem ser estratégias simples para combater o mau hálito. Mastigar folhas de hortelã para acelerar a digestão é outra dica do dentista.

O que seriam as chamadas “experiências proibidas”?
De acordo com a filosofia da ciência, ramo da filosofia que estuda os processos de metodologia das pesquisas científicas, as experiências proibidas seriam aquelas que transpassam os interesses biológicos e éticos. A principal experiência proibida, segundo muitos teóricos, seria a das “crianças selvagens”, aquela em que seres humanos são deixados ao relento nas florestas para que animais pudessem cuidar deles e tais seres humanos se transformam em feras; nas mitologias temos vários exemplos (como na foto abaixo, o mito fundador de Roma, em que Romulo e Remo foram criados por uma loba), além de alguns na vida cotidiana. Entretanto, as novas correntes apontam que a experiência proibida mais impedida até hoje já seja a clonagem de seres humanos.


A groselha e o tutti-frutti são sabores de frutas que realmente existem?
A groselha realmente existe e é um doce fruto (foto abaixo) da groselheira. Muito utilizada para a fabricação de xaropes, algo apreciado entre portugueses e brasileiros como bebida quando misturado à água ou ao leite. Também faz parte da culinária de alguns países europeus, principalmente os do norte da Europa, entre ingredientes de tortas e doces variados. Já o tutti-frutti não existe, sendo um sabor criado no final do século 19 misturando os sabores de frutas vermelhas, tais como o morango, a amora, a maçã, a framboesa e a cereja. O nome vem do italiano e significa “todas as frutas”.


terça-feira, 24 de junho de 2014

Considerações e explicações sobre o famoso Paradoxo de Fermi...

Hoje vamos falar um pouco de astrofísica e da possibilidade teórica de vida fora do planeta Terra. Trata-se do chamado Paradoxo de Fermi, uma aparente contradição entre as altas estimativas de probabilidades de existência de civilizações extraterrenas e a falta de evidências para o contato direto com tais civilizações. É um assunto polêmico demais e um pouco complexo, portanto seremos superficiais e didáticos a fim de que todos possam entender os prós e contras desta teoria.


1. A idade do universo e seu vasto número de estrelas sugerem que, se a Terra é um planeta típico, então vida extraterrestre deveria ser comum. Discutindo essa ideia com colegas durante um almoço em 1950, o físico Enrico Fermi questionou por que, se um grande número de civilizações extraterrestres avançadas existem na galáxia Via Láctea, evidências como espaçonaves ou sondas não são vistas;

2. Houve tentativas de resolver o Paradoxo de Fermi tentando-se localizar evidências de civilizações extraterrestres, bem como propostas de que tal vida poderia existir sem o conhecimento humano. Argumentos contrários sugerem que a vida extraterrestre inteligente não existe, ou ocorre tão raramente que os humanos dificilmente farão contato com ela, principalmente por causa das distâncias dos possíveis planetas habitáveis;

3. O paradoxo de Fermi é um conflito entre um argumento de escala e probabilidade e a falta de evidências. Uma definição mais completa poderia ser apresentada como: (1) os aparentes tamanho e idade do universo sugerem que muitas civilizações extraterrestres tecnologicamente deveriam existir; (2) entretanto, esta hipótese parece inconsistente com a falta de evidência observacional para suportá-la;

4. O primeiro aspecto do Paradoxo, “o argumento de escala”, é uma função dos números envolvidos: há aproximadamente 200 a 400 bilhões de estrelas na Via Láctea e 70 sextilhões no universo visível. Mesmo que a vida inteligente ocorra em uma minúscula porcentagem de planetas, ainda haveria um grande número de civilizações existentes na Via Láctea. Este argumento também assume o princípio da mediocridade, que afirma que a Terra não é especial, mas simplesmente um planeta típico, submetido às mesmas leis, efeitos e resultados prováveis que qualquer outro planeta;

5. A segunda pedra angular do Paradoxo é uma resposta ao argumento de escala: dada a capacidade da vida inteligente de superar a escassez e sua tendência a colonizar novos habitats, parece provável que pelo menos algumas civilizações seriam tecnologicamente avançadas, procurariam por mais recursos no espaço e então colonizariam primeiro seu próprio sistema estelar e, posteriormente, os sistemas em seu entorno. Como não há provas conclusivas ou certificáveis da existência de outras formas de vida inteligente mesmo após 13,7 bilhões de anos de história do universo, várias hipóteses foram feitas na tentativa de explicar a questão;

6. O Paradoxo de Fermi pode ser argumentado de algumas formas. Uma delas é: “Por que não há presença de alienígenas nem de seus artefatos aqui?”, se viagem interestelar for possível então, mesmo com a tecnologia presente na Terra, seria preciso de 5 a 50 milhões de anos para colonizar a galáxia. Esta é uma quantidade de tempo relativamente pequena em uma escala geológica, ainda mais em uma escala cosmológica;

7. Já que há muitas estrelas mais velhas do que o Sol, ou já que vida inteligente poderia ter se desenvolvido mais cedo em outro lugar, alguém poderia se perguntar por que a galáxia ainda não foi colonizada. Mesmo que a colonização seja impraticável ou indesejável para todas as civilizações alienígenas, exploração em larga escala da galáxia ainda é possível; os meios de exploração e sondas teóricas são discutidos extensivamente abaixo. Entretanto, nenhum sinal de colonização ou exploração foi confirmado;

8. O argumento acima pode não ser verdadeiro para o universo como um todo já que o tempo de viagem pode explicar a falta de presença física na Terra de vida extraterrestre de galáxias distantes. Entretanto, a questão então se torna: “Por que nós não vemos nenhum sinal de vida extraterrestre inteligente?”. Já que uma civilização suficientemente avançada poderia ser potencialmente observada por uma significante fração do universo observável. Mesmo que tais civilizações sejam raras, o argumento da escala indica que elas deveriam existir em algum lugar em algum momento da história do universo;

9. Enquanto várias teorias e princípios estão relacionados com o Paradoxo de Fermi, o mais estreitamente relacionado é a Equação de Drake. A equação foi formulada em 1961, uma década após as objeções de Fermi, em uma tentativa de encontrar um jeito sistemático para avaliar as numerosas probabilidades envolvidas com a existência ou não de vida alienígena;

10. Uma outra objeção é a de que a forma da Equação de Drake assume que civilizações nascem e morrem dentro de seus sistemas estelares de origem. Se colonização interestelar é possível então esta suposição é inválida e as equações da dinâmica de populações seriam aplicáveis;


11. Um jeito óbvio de resolver o Paradoxo de Fermi seria encontrar evidência conclusiva de inteligência extraterrestre. Vários esforços para encontrar tais evidências foram feitos desde 1960. Como seres humanos ainda não possuem capacidade de viagem interestelar, tais buscas estão sendo realizadas remotamente a grandes distâncias e dependem da análise de evidências muito sutis. Isto limita as possíveis descobertas para civilizações que alteram seu ambiente de maneira detectável ou que produzem efeitos que podem ser observados à distância, como emissões de rádio. É improvável que civilizações não tecnológicas sejam detectadas da Terra em um futuro próximo;

12. Há dois modos pelos quais a astronomia pode encontrar evidências de uma civilização extraterrestre. Um é que astrônomos convencionais, estudando estrelas, planetas e galáxias, possam observar por acaso algum fenômeno que não pode ser explicado sem se supor uma civilização inteligente como fonte. Houve suspeitas do caso várias vezes. O outro modo pelo qual astronomia convencional pode resolver o Paradoxo de Fermi é através de uma busca especificamente dedicada a encontrar evidências de vida;

13. Tecnologia de rádio e a capacidade de construir um radiotelescópio são supostamente um avanço natural para espécies tecnológicas, teoricamente criando efeitos que podem ser detectados em distâncias interestelares. Observadores sensíveis do sistema solar, por exemplo, notariam ondas de rádio incomumente altas devido às transmissões de telecomunicações e televisão provenientes da Terra. Na ausência de uma causa natural aparente, observadores extraterrestres poderiam inferir a existência de uma civilização alienígena;

14. Detecção e classificação de exoplanetas surgiram devido a refinamentos recentes nas análises e instrumentos da astronomia convencional. Embora este seja um novo campo na astronomia – o primeiro artigo publicado afirmando a descoberta de um exoplaneta foi lançado em 1989 – é possível que planetas provavelmente aptos a suportar vida serão encontrados no futuro próximo;

15. Evidência direta para a existência de vida pode ser eventualmente observável, tal como a detecção de gases de assinatura biótica (como metano e oxigênio) – ou mesmo a poluição do ar industrial e uma civilização tecnologicamente avançada – na atmosfera de um exoplaneta através de análise espectroscópica. Com melhorias nas nossas capacidades observacionais pode ser possível detectar evidência direta como a que a humanidade produz;

16. A detecção e classificação de exoplanetas é uma sub-disciplina muito ativa da astronomia, com 424 exoplanetas sendo detectados entre 1988 e 2010, e a primeira descoberta de um planeta telúrico localizado dentro da zona habitável de uma estrela ocorrendo em 2007;

17. Como observado, dado o tamanho e idade do universo, e a relativa rapidez com a qual vida inteligente pode se dispersar, evidências de colonização alienígena podem ser possivelmente descobertas. Evidências de exploração sem a presença de vida extraterrestre, como sondas e dispositivos de coleta de dados, também podem esperar descoberta;

18. Outra possibilidade de contato com uma sonda alienígena – uma que procure ativamente por sinais de civilizações – seria a Sonda de Bracewell. Tal dispositivo seria uma sonda autônoma com o objetivo de procurar e se comunicar com civilizações alienígenas. Esta sonda foi proposta como alternativa a uma lenta comunicação à velocidade da luz entre civilizações muito distantes;

19. Desde a década de 50, exploração direta foi realizada em uma pequena fração do sistema solar e nenhuma evidência de que já tenha sido visitado por colonizadores ou sondas extraterrestres foi encontrada. Exploração detalhada de áreas do sistema solar onde recursos são abundantes, como asteroides, o cinturão de Kuiper, a nuvem de Oort e os sistemas de anéis planetários podem, teoricamente, ter maiores chances de encontrar evidências de exploração alienígena. Essas regiões, entretanto, são amplas e difíceis de investigar;

20. Mesmo que artefatos alienígenas sejam encontrados eles podem não ser reconhecidos como tal. Os produtos de uma mente alienígena e uma tecnologia alienígena avançada podem não ser perceptíveis ou reconhecidos como construções artificiais. Dispositivos exploratórios na forma de formas de vida transgênica através de biologia sintética provavelmente se desintegrariam após algum momento, deixando nenhuma evidência;


21. Em 1959, Freeman Dyson observou que civilizações humanas em desenvolvimento constantemente aumentam seu consumo de energia e, teoricamente, uma civilização de idade suficiente iria precisar de toda a energia produzida pela sua estrela. A Esfera de Dyson foi um experimento mental que ele supôs como uma possível solução: uma concha ou nuvem de objetos circulando uma estrela para captar o máximo possível de sua energia;

22. Tal feito da astroengenharia iria alterar drasticamente o espectro observável da estrela envolvida, mudando a sua linha de emissão normal de atmosfera estelar para a de um corpo negro, provavelmente com um pico no infravermelho. Dyson especulou que civilizações alienígenas avançadas poderiam ser encontradas examinando-se o espectro das estrelas, à procura de tal alteração;

23. Certos teóricos acreditam que a aparente ausência de evidência prova a ausência de extraterrestres e tentam explicar o porquê. Outros oferecem possíveis cenários em que o “silêncio” pode ser explicado sem descartar a possibilidade de vida extraterrestre, incluindo suposições sobre o comportamento e tecnologia alienígenas. Cada uma dessas explicações hipotéticas é essencialmente um argumento para a diminuição do valor de um ou mais termos da Equação de Drake;

24. Uma ideia possível é a de que a humanidade é a única (ou perto disso) da galáxia. Muitas teorias deste tipo foram propostas, explicando porque a vida inteligente pode ser rara ou de vida curta. As implicações dessas hipóteses são examinadas como o Grande Filtro;

25. Aqueles que acreditam que a vida extraterrestre inteligente não existe argumentam que as condições necessárias para a vida – ou pelo menos vida complexa – evoluir são raras, ou mesmo presentes apenas na Terra. Esta é conhecida como a Hipótese da Terra Rara, que tenta resolver o Paradoxo de Fermi rejeitando o princípio da mediocridade, e afirmando que a Terra não é típica, mas incomum ou até mesmo única;

26. Enquanto a ideia de que há uma única Terra tem sido historicamente aceita em discussões filosóficas e religiosas, a hipótese da Terra Rara utiliza argumentos estatísticos e quantificáveis para argumentar que vida multicelular é extremamente rara no universo, pois planetas parecidos com a Terra são extremamente raros e/ou muitas coincidências improváveis convergiram para tornar a vida complexa na Terra possível;

27. É possível que vida complexa evolua através de mecanismos diferentes daqueles encontrados especificamente na Terra, mas o fato de que durante a história da vida na Terra apenas uma espécie desenvolveu uma civilização capaz de viagens espaciais e tecnologia de rádio; ou mais basicamente, ideias abstratas tais como música, arte ou religião dá maior credibilidade à ideia de que civilizações tecnologicamente avançadas são raras no universo;

28. Geoffrey Miller sugeriu que a inteligência humana é o resultado de uma seleção sexual bem sucedida, que toma rumos imprevisíveis. Steven Pinker alerta que a ideia de que a evolução da vida (uma vez que tenha atingido uma certa complexidade mínima) é obrigada a produzir criaturas inteligentes, se baseia na falácia da “escada de evolução”;

29. Outra teoria deste tipo é a de que mesmo que as condições necessárias para a vida sejam comuns no universo, o fenômeno de formação da vida, um complexo conjunto de moléculas capazes de se reproduzir, de extrair componentes básicos do ambiente, e de obter energia em uma forma que possa ser utilizada para manter a reação, pode ser muito raro;

30. Também é possível que inteligência seja comum, mas não civilizações industriais. Por exemplo, a ascensão do industrialismo na Terra foi propiciada pela presença de fontes de energia convenientes, tais como os combustíveis fósseis. Se tais fontes de energia fossem raras ou não existentes em outros lugares, então seria ainda mais difícil para uma espécie inteligente avançar tecnologicamente até o ponto em que nós possamos nos comunicar com eles. Ou, em um planeta aquático, onde as criaturas inteligentes sejam parecidas com golfinhos, seria extremamente difícil acender fogo e forjar metais;


31. Outra possibilidade é a de que a Terra é o primeiro planeta na Via Láctea aonde uma civilização industrial surgiu. Entretanto, críticos notam que muitos planetas parecidos com a Terra foram criados bilhões de anos antes, então esta explicação requer rejeição ao princípio da mediocridade;

32. Civilizações tecnológicas geralmente, ou invariavelmente, destroem a si mesmas antes ou pouco depois de desenvolver tecnologias de rádio e viagem espacial. Possíveis meios de aniquilação incluem guerra nuclear, guerra biológica ou contaminação acidental, catástrofe nanotecnológica, experimentos de alta energia, uma super-inteligência mal programada ou uma catástrofe malthusiana após a deterioração da ecosfera de um planeta;

33. De fato, há argumentos probabilísticos que sugerem que a extinção humana pode ocorrer mais cedo do que tarde. Em 1966, Carl Sagan e Iosif Shklovskii propuseram que civilizações tecnológicas tendem a, ou se auto-destruírem um século após desenvolverem capacidade de comunicação interestelar, ou controlar suas tendências auto-destrutivas e sobreviver por bilhões de anos;

34. A partir de uma perspectiva darwinística, a auto-destruição seria um resultado paradoxal do sucesso evolucionário. A psicologia evolucionária que se desenvolveu durante a competição por recursos escassos pelo curso da evolução humana tornou as espécies agressivas e dirigidas pelo instinto. Estes fatores compelem a humanidade a consumir recursos, estender sua longevidade e a se reproduzir – em parte, os mesmos motivos que levaram ao desenvolvimento de sociedades tecnológicas;

35. Outra possibilidade é que uma espécie inteligente além de um certo ponto de capacidade técnica destruiria as outras espécies inteligentes que encontrasse, como é exemplificado pela proposta exterminação de neanderthais pelo homem primitivo. A ideia que alguém, ou alguma coisa, está destruindo vida inteligente no universo é bem explorada na ficção científica e a literatura científica;

36. Teorias deste tipo dizem que civilizações tecnológicas extraterrestres existem, mas os humanos não conseguem se comunicar com elas devido à restrições: problemas de escala ou de tecnologia; porque elas não querem se comunicar ou porque sua natureza é muito diferente da nossa para permitir qualquer comunicação significativa ou, talvez, mesmo para ser reconhecida como tecnologia;

37. Pode ser que civilizações alienígenas capazes tecnologicamente existam, mas estejam muito distantes uma da outra para qualquer comunicação significativa. Se duas civilizações estão separadas por vários anos-luz de distância, é possível que uma das, ou ambas as, culturas se tornem extintas antes que qualquer diálogo significativo seja estabelecido. Buscas humanas podem ser capazes de detectar sua existência, mas comunicação permanece impossível devido à distância;

38. O problema da distância é formado pelo fato que escalas de tempo propiciando uma janela de oportunidade para detecção ou contato podem ser muito pequenas. Civilizações avançadas podem surgir e desaparecer periodicamente por toda a galáxia, mas este pode ser um evento relativamente tão raro que as chances de duas ou mais civilizações existirem ao mesmo tempo são baixas;

39. Um argumento relacionado afirma que outras civilizações existem, e estão transmitindo e explorando, mas seus sinais e sondas simplesmente ainda não chegaram. Críticos, entretanto, afirmam que isto é improvável, já que necessitaria que o avanço da humanidade ocorresse em um ponto muito especial no tempo, enquanto a Via Láctea está em um estado de transição de vazia para cheia. Esta é apenas uma pequena fração do tempo de vida de uma galáxia e a probabilidade de que nós estejamos no meio desta transição é considerada baixa no paradoxo;

40. Muitas suposições sobre a habilidade de uma cultura alienígena de colonizar outras estrelas são baseadas na ideia de que a viagem interestelar é viável. Enquanto o entendimento atual das leis da física descarta a possibilidade de viagem mais rápida que a luz, não há nenhuma grande barreira teórica contra a construção de naves interestelares “lentas”. É possível, entretanto, que o conhecimento científico atual não seja capaz de calcular corretamente os custos e viabilidade de tal colonização interestelar;


41. Barreiras teóricas podem não ser ainda entendidas e os custos dos materiais e energia para tais empreendimentos podem ser tão altos que torna improvável que qualquer civilização possa se dispor a tentá-los. Mesmo que a viagem interestelar e colonização sejam possíveis, eles podem ser difíceis, levando a um modelo de colonização baseado na teoria da percolação. Esforços de colonização podem não ocorrer como uma corrida imparável, mas sim como uma tendência desigual para se expandir, com uma eventual desaceleração e finalização do esforço dado os enormes custos envolvidos e o fato que as colônias vão inevitavelmente desenvolver uma cultura e civilização própria;

42. Um argumento similar afirma que a viagem interestelar pode ser possível mas é muito mais cara do que comunicação interestelar. Além disso, para uma civilização avançada, a viagem poderia ser substituída por comunicação, através de upload de mente e outras tecnologias similares;

43. A primeira civilização pode ter explorado fisicamente ou colonizado a galáxia, mas civilizações posteriores acham que é mais barato, rápido e fácil viajar e conseguir informações contactando civilizações já existentes, ao invés de explorar fisicamente ou colonizar a galáxia eles próprios;

44. A capacidade da humanidade de detectar e compreender vida extraterrestre inteligente existiu por apenas um curto período de tempo, de 1937 em diante, se a invenção do radiotelescópio for considerada como a linha divisória – além disso, a espécie humana, Homo sapiens, é geologicamente recente. Todo o período da existência humana até hoje (em torno de 200 mil anos) é um período de tempo muito curto em uma escala cosmológica, enquanto que as transmissões de rádio só começaram a se propagar a partir de 1895;

45. Há um milhão de anos não havia nenhum Homo sapiens para um emissário alienígena encontrar e quanto mais atrás no tempo se considera, cada vez havia menos indicações de que vida inteligente se desenvolveria na Terra. Em um universo grande e já antigo, uma espécie alienígena poderia ter muitos planetas mais promissores para visitar e revisitar;

46. Outras teorias ainda dizem que a vida extraterrestre não pode ser encontrada devido a limitações em nossas tecnologias atuais e que, caso haja melhorias significativas nas mesmas, o trabalho seria facilitado;

47. Extraterrestres também poderiam usar frequências que cientistas pensem ser improváveis de carregar sinal, ou frequências que não consigam penetrar na nossa atmosfera, ou mesmo estratégias de modulação que não estão sendo pesquisadas. Os sinais poderiam estar em uma taxa de dados muito rápida para nossos aparelhos eletrônicos manipularem ou muito lentas para serem reconhecidas como tentativas de comunicação;

48. O maior problema é o tamanho da área que precisaria ser analisada (abrangendo todo o universo visível), a quantia limitada de recursos usados para buscas e a sensibilidade dos instrumentos modernos;

49. Para detectar civilizações alienígenas através de emissões de rádio, observadores da Terra precisam de aparelhos mais sensíveis ou a coincidência de alguns eventos casuais: que as emissões de rádio alienígenas sejam muito mais fortes que a nossa.


sábado, 21 de junho de 2014

E se o Brasil, após a independência de Portugal, tivesse se tornado uma República?!

Em 04 de julho de 1776, os ventos da mudança chegaram às Américas coloniais sob o princípio do Iluminismo francês. Nesta data, os Estados Unidos assinaram sua carta de independência contra o domínio britânico em seu território. Assim começa a história das independências no nosso continente. Em 1804 é a vez do Haiti, quando os negros escravizados se uniram e expulsaram os dominadores franceses, proclamando uma república frágil diante dos olhos do mundo, estupefatos pela agilidade dos negros e dos índios naquela ilha.


Na América espanhola o vento da mudança também veio com força, transformando as antigas capitanias e vicerreinados em países como o México, Chile, Venezuela, Peru, Colômbia e Argentina. O que a análise desses movimentos mostra é a vontade das elites locais (os chamados “criollos”, brancos filhos de europeus nascidos nas colônias) em deter o poder, somente trocando de mãos e deixando a grande parte da população à míngua. Outro ponto interessantíssimo é que o regime político escolhido tenha sido o do Republicanismo, sem exceção.

O caso do Brasil foi à parte. Em setembro de 1822 declara-se independente de Portugal e já era conhecido na América como “flor exótica”, por ser o único lugar onde havia uma coroa europeia vivendo no continente – lembrando que a Família Real havia fugido da Europa em 1808 por conta das invasões napoleônicas. Os livros de história latino-americanos evidenciam como Simón Bolívar e San Martín não gostavam da figura do Brasil por este representar, ainda, o Antigo Regime: monarquia, absolutismo, escravidão etc. Assim, nosso país continuou a ser conhecido nos anais historiográficos como “a flor exótica das Américas”; para muitos historiadores, não houve uma real ruptura em 1822, uma vez que o governante novo, Pedro I, era filho do governante colonial e era português, não havendo ainda uma identidade nacional brasileira em foco, como já ocorria nos Estados Unidos e em toda hispanoamérica.


O fato é que o Brasil tem toda essa unidade nacional com um território de mais de oito milhões de quilômetros quadrados e mais de 200 milhões de indivíduos falando o mesmo idioma com culturas totalmente diferentes graças à unidade territorial imposta pelo regime Monárquico dos partidários de Pedro I. Sob a espada ele enfrentou os interesses locais, com mercenários ingleses abafou revoltas e deu ao país Brasil uma unidade que temos até hoje. Mas e se tudo fosse diferente e tivéssemos tomado o mesmo caminho de nossos vizinhos hispânicos?

O Brasil como uma suposta República no século 19...
De acordo com todos os historiadores que investigam a história brasileira, há uma unanimidade em dizer que, caso o país tivesse optado pelo sistema republicano de governo, com toda certeza não teríamos uma nação de oito milhões de quilômetros quadrados, mas sim inúmeros países com culturas diferentes, mas um mesmo idioma, conforme ocorre hoje em toda a América Latina de ascendência colonial espanhola.

Imagine, por exemplo, hoje em dia vermos notícias da Bahia e do Pará como informes internacionais nos telejornais do Rio e de São Paulo. Ou então um gaúcho programando as férias de verão nas praias de Fortaleza, no Ceará, e indo até a Polícia Federal para tirar passaporte e visto, com direito a deportações por imigração ilegal dos nordestinos em São Paulo. Esse seria o Brasil do século 21 à luz de uma República criada por volta de 1822.



Segundo alguns historiadores, caso fôssemos República desde a nossa gênese, o Brasil sofreria um duro golpe na sua expansão territorial. (1) o Rio Grande do Sul e Santa Catarina poderiam ser uma República em separado, ou teriam se anexado à Argentina; (2) o Sudeste e Centro-Oeste seriam um país forte centralizado no Rio de Janeiro; (3) a Bahia seria outro país; (4) Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí, Paraíba e Pernambuco formariam outro Estado independente; (5) Maranhão e Pará seriam um outro país que demoraria mais a ter sua independência, pois sentiam-se mais confortáveis economicamente como colônia portuguesa.

Outro ponto em questão é a Cisplatina, antiga província brasileira que em 1828 ficou independente de nós e transformou-se no Uruguai. Para os historiadores, se permanecesse sob a égide do Brasil sem as interferências da Argentina, estaria anexada a um território independente do Rio Grande do Sul junto a Santa Catarina.

Outro ponto importante é que durante as guerras de independência hispânicas, o Paraguai tentou se anexar ao Brasil como província para ter acesso ao mar sem ter que passar dentro do território argentino, com quem batalhava. A intervenção interna de políticos argentinos dentro do Paraguai evitou isso, e caso tivesse sucesso não teríamos a Guerra do Paraguai, o conflito mais sangrento da história do nosso continente.


A base que os historiadores têm para falar desse suposto desmembramento territorial do Brasil está na própria América Latina: (1) o México se despedaçou em territórios interessados mais em estar ao lado dos Estados Unidos graças às elites locais; (2) a capitania da América Central se desfez em países como Costa Rica, El Salvador etc.; (3) a Colômbia se partiu com o Panamá graças aos interesses norte-americanos em 1902, dentre outros.

Entretanto, o exemplo mais interessante e óbvio é o da Argentina. Desde o século 18 tinha o título de Vicerreinado do Rio da Prata e compunha um território vasto, que aumentou com a entrada da província conhecida como Alto Peru. Após sua independência, em 1810, as elites locais queriam se desprender de Buenos Aires e trilhar seus próprios caminhos; foi quando o centro do poder entrou em guerra civil contra as elites locais (cabildos). Assim, o Vicerreinado do Rio da Prata se despedaçou em Argentina, Paraguai e Bolívia, além de ter perdido territórios para o Brasil e o Chile. Durante esse processo de guerra civil, chegou-se a cogitar um reinado no Prata para dar unidade nacional, reinado este que seria dado a Carlota Joaquina, esposa de Dom João VI, rei de Portugal. Desta forma, se tivesse aceitado, Argentina e Brasil poderiam ter sido uma união americana como fora a União Ibérica entre Portugal e Espanha, o que permitiu ao nosso país expandir seus territórios para o interior da Amazônia e do Cerrado.

Abaixo, para finalizar, temos o suposto mapa de como ficaria o Brasil “quebrado aos pedaços” se tivesse optado pela República assim que se declarou independente da metrópole portuguesa. Difícil pensar em um território assim, com vários países falando português, mas sob regimes totalmente diferentes e histórias locais múltiplas e variadas.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Fatos e farsas envolvendo o clássico do cinema “O exorcista”, de 1972...

Ninguém passa a vida sem ter ouvido falar ou ter assistido ao clássico do cinema de terror “O exorcista”, gravado em 1971 e lançado em 1972, tornando-se de cara, em 1973, um cult da cultura cinematográfica. Inúmeros são os fatos e as farsas envolvendo esta história, que muitos não sabem, mas é real. No post de hoje vamos falar um pouco do que é verdade e o que não é no meio de tantas lendas urbanas transformando um filme em verdadeiro clássico.


1. A história verídica se passou com um garoto de 14 anos de idade, cuja família era frequentadora da Igreja Luterana. Seu nome era Robbie, e sua história começa a ficar interessante em janeiro de 1949, quando ele vivia ao lado de seus pais e avós em Cottage City, Maryland. Por culpa de uma tia, Robbie aprendeu a usar as tábuas Ouija.  Logo após a morte de sua tia, ele começou a usar a tábua para se comunicar com ela;

2. Depois de algum tempo obcecado com o oculto, o jovem começou a perceber certas manifestações, barulho de pingos à noite, passos, e, até mesmo barulhos de mobílias sendo empurradas começaram a deixar os moradores com muito medo;

3. O pai de Robbie começou a ficar receoso pela a vida de seu filho, sendo que era constante às vezes em que Robbie se sentava na cama ou sofá, e esses começavam a sacudir brutalmente. Os objetos não paravam mais nos lugares, quadros se movimentavam. O próprio garoto começou a ficar atormentado com pesadelos, cada vez mais frequentes, e se sentia muito mal com sensações de enjoo, sempre ficando muito irritado e com certo desgosto a tudo e todos. Seus pais viram como solução levar o garoto a testes psicotécnicos, para ver se havia algo de errado com ele;

4. Os testes não apontavam absolutamente nada de errado, até encontrarem com o Cardeal O’Boyle, que após recebê-los já tinha certeza que algo estava “junto” ao menino. Assim que ele entrou na sala do cardeal, o ambiente se resfriou, e Robbie falou com uma voz demoníaca, dizendo palavras obscenas. Os pais então autorizaram o exorcismo;

5. Na verdade, depois a Robbie foram feitos dois exorcismos, o primeiro dramaticamente atirou-o para uma cama de um hospital, após uma família luterana ter convencido os pais a procurarem ajuda na Igreja Católica. Mesmo atado pelas mãos e pés, o garoto escapou e atacou o padre com uma mola de seu colchão;

6. Assim com o exorcismo não completado, a família decide se mudar para Saint Louis, pois no corpo do garoto apareciam ferimentos que formaram o nome da cidade. E foi lá que a família encontrou um padre e disse que poderia lhes ajudar;

7. O padre rapidamente aceita visitá-los na moradia nova, e logo após entrar, objetos começam a se mexer e o garoto não consegue ficar um segundo sem gritar, ele falava coisas sem sentido algum gritando em latim e dialetos, que, supostamente seria aramaico, seu corpo começava a ficar extremamente quente fazendo com que o lençol de sua cama pegasse fogo;

8. Robbie, no meio das chamas, parecia imune a elas, e o padre dentro do quarto começara a gritar ritos em latim. Uivando e grunhindo o garoto responde com uma voz demoníaca a quase tudo que o padre diz, retrucando em latim também. A cama em meio ao fogo começava a balançar. Por um súbito momento o garoto parou de gritar, era tudo o que o padre precisava. Ele se vira aos pais que estavam parados no corredor, e pergunta se é possível fazer o batismo;

9. Os pais quase sem escolha respondem sim. Rapidamente, o padre oferece a hóstia e o demônio rejeita de primeira, com certa insistência do padre, volta em sua decisão e a recebe. Reconhecendo o poder se São Miguel Arcanjo, o demônio é expulso;

10. O garoto teve de ser internado, pois após o exorcismo ele entrara em coma, e ficou assim por volta de quatro dias. Ao acordar foi perguntado de tudo que se lembrava, e que a única coisa se lembrava era a imagem de São Miguel Arcanjo;


11. As lendas urbanas dizem que todo o elenco morreu, inclusive a menina que foi a protagonista, Linda Blair. Entretanto, isso ocorreu com outro filme de terror, os protagonistas de “Poltergeist”. Linda Blair continua firme e forte na carreira, trabalhando em seriados norte-americanos;

12. O que reforçou a lenda urbana envolvendo o filme “O exorcista” foi a própria boataria, situação que ocorre em qualquer produção cinematográfica: alguém que quebra o pé, outra pessoa que perde o bebê, um indivíduo que bate de carro etc. Nada de sobrenatural, mas normal em uma produção que tem muitas pessoas;

13. De acordo com os anais históricos do cinema, a equipe técnica sofreu horrores durante a produção. O homem que refrigerava o quarto onde aconteceram as cenas de possessão morreu de maneira inexplicável. Um vigia noturno que cuidava dos cenários foi morto a tiros durante uma madrugada. Um carpinteiro cortou o polegar fora. Outro serrou o dedão do pé;

14. Na época do auge do filme, muitos religiosos e igrejas processaram o estúdio e os produtores, simplesmente alegando que se tratava de uma péssima influência para os jovens e crianças (mesmo esse filme não sendo recomendado para o público infantil);

15. Os olhos são muito grandes para as produções cinematográficas de Hollywood. É por isso que os sucessos têm tantas continuações, como “Jogos mortais”, “Piratas do Caribe”, “Sexta-feira 13”, entre outros. Em 1977 os produtores criaram uma nova história: “O exorcista 2, o herege”, desta vez a partir de uma história imaginada, e não real como a primeira;

16. Em 1990 foi lançado “O exorcista 3”, que teoricamente não é uma sequência dos anteriores. O filme se baseia no livro “O espírito do mal”, de William Peter Blatty, autor do primeiro “O exorcista”. Foi ideia dos produtores trocar o título e inserir referências ao clássico de 1973 para atrair público. O enredo se inspirou num serial killer verdadeiro, confundindo ainda mais as coisas;

17. De acordo com os estudiosos do caso real, o menino que deu origem à história do primeiro filme tinha cortes profundos na pele, que apareciam espontaneamente, mas exames psicológicos mostravam o contrário: inteligência enorme e saúde mental perfeita;

18. Ainda segundo as testemunhas do caso, o processo de exorcismo durou quatro meses, o que não é considerado longo pelos cristãos que praticam o exorcismo. De acordo com eles, se uma pessoa for possuída por uma legião de demônios fortes, o processo pode demorar até quatro anos para “limpar espiritualmente” o indivíduo;

19. Em 1986 caiu nas mãos da imprensa o diário de um padre que havia participado deste exorcismo nos anos 1940. Neste diário estavam documentados todos os processos e procedimentos feitos no garoto, mostrando que muitas partes pesadas não haviam aparecido no filme, como um diácono que havia levado mais de cem pontos no braço depois de ter sido atacado com um pedaço de ferro da cama pelo jovem garoto endemoniado;

20. Ainda segundo os relatos do diário, que virou peça rara e importantíssima, vários padres jesuítas continuaram fazendo um trabalho espiritual com a família do menino. Durante um mês a casa dele e de outros parentes próximos sofreu intervenção religiosa com um procedimento conhecido como “libertação espiritual”;


21. Segundo o que estava descrito no diário, as possessões ocorriam à noite, quando o menino se debatia com selvageria, praguejava e dizia “coisas heréticas”, adentrando a madrugada e terminando somente por volta das 7h da manhã do dia seguinte;

22. Os cortes que apareciam no peito do garoto eram ainda mais sinistros, parecendo rabiscou ou arranhões feitos por espinhos, onde as palavras “INFERNO” e “ÓDIO” podiam ser lidas em sangue. Os padres rezavam quase continuamente em latim, pois acreditavam que isto iria apressar Cristo, que iria confrontar o diabo naquele corpo;

23. Segundo o diário do diácono, no domingo de Páscoa de 1949, depois de muitas noites de trabalhos espirituais de exorcismo, o menino se recuperou;

24. Médicos e céticos que leram o diário sugerem que o menino poderia estar sofrendo de gravíssimos males psiquiátricos, tais como: (1) automatismo: ação de maneira mecânica ou involuntária, uma característica de algumas formas de esquizofrenia; (2) síndrome de Tourette: desordem na personalidade, na qual as vítimas gritam descontroladamente, soltam grunhidos, debatem-se e usam linguagem suja ou indecente; e (3) desordem obsessiva e compulsiva: ataca na forma de ansiedade com pouca relevância para eventos atuais, ou denota extrema urgência de realizar atos não necessários ou irrelevantes;

25. De acordo com os padres jesuítas que acompanharam o caso, os sacerdotes que fizeram o exorcismo já morreram e o menino que teve a possessão demoníaca já tem quase 80 anos de idade, casou-se duas vezes e já é avô de vários netos. Vivendo na anonimidade, nunca mais teve problemas com o mundo sobrenatural, e hoje é católico fervoroso;

26. Atualmente, a Igreja Católica é reticente em relação a exorcismos, apesar de o então Papa João Paulo II ter exorcizado uma garota em 1982. Entretanto, de acordo com o padre Amorth, especialista em ritualística, cerca dos 50 mil exorcismos que estudara em sua vida acadêmica, somente uns 80 ele chamaria de possessões genuínas;

27. Atualmente, a recomendação da Igreja Católica é que os sofredores de possessões procurem recursos médicos e psicológicos e, em último caso, procurem a ajuda de um padre experiente e vivido, que, por sua vez, consultará o bispo ao qual está hierarquicamente ligado. Assim, antes de praticar o exorcismo, a Igreja Católica faz um colegiado com sacerdotes e médicos para saber se trata-se de fato, farsa, possessão ou uma simples doença;

28. Segundo as instruções da Igreja Luterana, o exorcismo deve ser algo simples mesmo que a palavra pareça medonha. Uma simples reza e a convocação do nome de Jesus Cristo, além de usar versículos específicos da Bíblia;

29. Reconhecendo os perigos do exorcismo, algumas religiões estão banindo tais práticas e substituindo-as por absolvições e bênçãos. Ao mesmo tempo, as igrejas pentecostais e fundamentalistas, em incrível ascensão popular, atraem multidões para seus cultos de “cura”, que garantem libertação imediata do demônio. Os críticos mantêm a posição de que tais ritos atraem aqueles que querem chamar atenção para si próprios. Argumentos similares podem ser usados para explicar os casos individuais, mas não se pode levar em consideração os depoimentos de pessoas idôneas que testemunharam aterradores, e aparentemente inexplicáveis, eventos durante um exorcismo;

30. Voltando ao caso do menino endemoniado que gerou o filme “O exorcista”, de acordo com informações de dentro do Vaticano, o caso é verdadeiro e há documentos assinados por 48 testemunhas idôneas comprovando a possessão e o exorcismo;


31. Esse exorcismo que deu origem ao filme acabou se tornando uma espécie de lenda urbana nos Estados Unidos. De acordo com o que contam, a casa onde ocorrera o verdadeiro exorcismo teria ocorrido em Mount Rainier, na esquina da Bunker Hill com a 31st Street. Supostamente, após a mudança da família, a casa mostrou-se “invendável” e foi utilizada pelos Bombeiros local como local de treinamento, não admirando ter sido queimada totalmente. Após 25 anos, a prefeitura utilizou o terreno para construir uma praça;

32. De acordo com o diário do padre, um rabino também esteve presente em duas sessões de exorcismo pelo jovem garoto madrugada adentro, mas este abandonou o caso acreditando que se tratava se uma doença psicológica relativamente comum, conhecida como esquizofrenia psicótica;

33. Ainda no diário consta que o menino falava fluentemente várias línguas desconhecidas por ele, um fenômeno conhecido como xenoglossia. O garoto debatia com os exorcistas fluentemente em latim, aramaico e hebraico;

34. Depois do exorcismo bem sucedido, a família do menino começou a passar por uma investigação paranormal e religiosa, vindo a descobrir que tudo teve início quando a tia do menino passou a levá-lo a sessões espíritas e a iniciá-lo na brincadeira do Tabuleiro Ouija. Quando a tia morreu, este começou a usar o tabuleiro para tentar comunicar-se com ela e saber como era o além;

35. Durante um episódio em que o menino estava aterrorizado pela força desconhecida, a sua mãe gritou “se és tu, Tillie, bate três vezes”. Imediatamente se somou uma aragem fria, que entrelaçou o seu sopro gélido à volta da mãe de Roland, da sua avó e mesmo dele próprio. Então se ouviram três batimentos distintos no chão, que todos os três ouviram. A senhora Doe perguntou, excitantemente, “se realmente és tu, Tillie, bate quatro vezes”. De novo os três ouviram quatro batidas no chão, mas muito mais perturbadoras;

36. Segundo o diário do padre que presenciou essa atividade de exorcismo que estamos abordando neste post, refere-se a uma cena clássica do filme: o incrível vômito da menina do filme. Este vômito com tremenda pontaria e numa quantidade absurda realmente ocorreu e, de acordo com o diário, o vômito foi de “quantidades absurdas e anormais”;

37. Ao contrário do que acontece no enredo do filme, somente as três primeiras noites do exorcismo aconteceram na casa da família que sofria com o fenômeno sobrenatural. Foi decidido que tudo aconteceria numa ala de um hospital psiquiátrico de Saint Louis para proteger os padres, os familiares e não chamarem atenção da vizinhança da família;

38. De acordo com os relatos do diário do sacerdote que acompanhou tudo, o menino gritou para o rabino, em hebraico fluente: “Estou no inferno, eu sou do inferno, e eu te vejo. Você está no inferno e vai morrer em 1957”;

39. Em uma das noites, depois de horas a recitar orações, o exorcista Bowdern e os companheiros ficaram alarmados quando Roland se sentou completamente direito e anunciou, numa voz troante, ser o Arcanjo Miguel e ordenou ao demônio que abandonasse o menino;

40. Mesmo com a publicação do diário, muito deste fenômeno sobrenatural de exorcismo acabou tornando-se uma lenda urbana muito forte nos Estados Unidos e Canadá, principalmente após o lançamento do filme e de suas sequências. Vários meios de comunicação, ao longo das décadas, tentaram investigar o caso e tentar encontrar a pessoa que passou por este sofrimento físico e espiritual, mas a Igreja se recusa a abrir o caso e revelar nomes.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Você conhece a incrível história do xerife Val Johson? Fato ou farsa?!

Hoje nós vamos abordar uma das histórias clássicas da ufologia, envolvendo a história da suposta abdução do xerife Val Johson, no interior dos Estados Unidos, no final da década de 1970. Os relatos e documentos mostram a preocupação das autoridades com o ocorrido, e isso rendeu documentários, livros, estudos aprofundados, filmes e uma grande teoria da conspiração sobre o conhecimento das autoridades norte-americanas em relação à existência de seres de outros planetas visitando a Terra.


No início de uma manhã, um xerife do estado de Minnesota, nos Estados Unidos, foi surpreendido por uma luz muito forte vinda de um objeto voador não-identificado. Era o início da madrugada do dia 27 de agosto de 1979, quando o xerife Val Johson estava dirigindo seu carro de patrulha numa rodovia rural dentro do município de Marshall. No horário de 1h40 da manhã, Johnson avistou uma luz intensa sobre um grupo de árvores que estava a uma certa distância de seu carro. No princípio, ele pensou que poderia ser um avião voando baixo, então mudou o rumo de seu carro daquela direção para conferir o que estava acontecendo.

Johnson notou que a luz estranha não estava iluminando a área circunvizinha. De repente, essa luz começou a se mover em sua direção e imediatamente cobriu quase que uma área de uma milha e meia antes de parar sobre seu carro. De acordo com seu relato posterior, ele ouviu um barulho de vidro se partindo, e reparou que o interior do carro estava iluminado fortemente; quando a luz ficou mais intensa, ele desmaiou e não se lembrou de mais nada.

(Na imagem abaixo, temos Val Johson no local onde teria ocorrido o incidente Ovni)


Por alguma razão desconhecida, Johnson perdeu consciência. Quando ele despertou, sua cabeça estava deitada no volante. O seu carro patrulha tinha se deslocado de alguma forma para o sul da pista da rodovia rural e no momento em que ele recuperou a consciência o carro estava indo para o leste. Ele também teve problemas na sua visão, de acordo com uma das versões sobre o incidente.

No momento que Johnson passou um rádio para outro xerife de Marshall, para pedir ajuda já eram 2h19 da madrugada e ele contou para o despachante que algo havia tocado seu carro. Ele disse: “Não sei como explicar! Ouvi um barulho de vidro se quebrando e meus freios ficaram bloqueados. Não tenho a menor ideia do que aconteceu”. Um amigo de Johnson chamado Greg Winskowski logo chegou ao local. Ele notou que Johnson tinha um inchaço vermelho em sua testa, e concluiu que ele tinha batido sua cabeça no volante. Então ele pediu uma ambulância para levar o xerife para o hospital.

No hospital, um médico tentou examinar os olhos de Johnson, mas logo que o doutor iluminou seus olhos com uma luz brilhante, Johnson sentia uma dor extrema. O profissional percebeu que havia uma ferida nos olhos de Johnson, como se fossem queimaduras moderadas de um aparelho de solda, e lhe deu um pouco de pomada e bandagens. Johnson fez um boletim de ocorrência e foi levado para casa.

(Nas imagens abaixo, o carro que Val Johnson ainda preservado na delegacia, com os estragos feitos pelo suposto disco voador)


Na manhã seguinte, o xerife Dennis Brekke levou o carro patrulha de Johnson para a garagem para checá-lo. Os mecânicos da garagem acharam que o carro estava danificado de uma forma estranha. Por exemplo, o capô tinha um dente circular de meia polegada de diâmetro. Havia uma rachadura no para-brisas que vinha de cima para baixo. A rachadura tinha quatro pontos de impactos que poderiam ser causado por objetos pequenos. O relógio do painel do carro estava marcando 19h00, que era a hora que Johnson tinha se apresentado para o serviço, e neste momento este relógio estava 14 minutos atrasado. Além disso, o relógio de pulso de Johnson também estava 14 minutos atrasado. Outros investigadores acharam danos mais estranhos ainda no carro que não pôde ser explicado facilmente, de acordo com uma das versões do caso.

Depois de levar o carro patrulha de Johnson para a garagem policial, o xerife Brekke levou Johnson para a cidade de Grand Forks, para um exame de vista mais completo. O médico de lá achou que os olhos de Johnson tinham clareado e que sua a visão estava boa. Brekke telefonou depois o Centro de Estudos OVNI em Evanston descrevendo o contato de Johnson para Allan Hendry, que aceitou imediatamente voar para o município de Marshall para investigar o caso.

Logo quando chegou, Hendry encontrou marcas de derrapagem no local do incidente revelando que o carro patrulha de Johnson tinha se deslocado cerca de 260 metros antes dos freios ficarem bloqueados e que tinha continuado a se deslocar mais 30 metros. Depois de entrevistar várias pessoas em Warren, que conheciam Johnson, Hendry concluiu ele não tinha inventado esta história. Ele também concluiu que um avião não poderia ter causado o dano que ocorreu no carro patrulha.


O incidente de Val Johnson foi divulgado na mídia nacional dos E.U.A. e se tornou um dos melhores relatos de Ovni’s dos anos 70, ganhando muito sensacionalismo, inclusive. Vários amigos de Johnson lhe pediram para que ele se submetesse a um detector de mentiras a fim de provar que ele estava contando a verdade. Eles também pediram para que ele passasse por uma hipnose para ver se ele poderia se lembrar melhor do incidente. Johnson recusou ambos os pedidos afirmando que achava que a hipnose ou um teste do detector de mentiras só satisfariam a curiosidade mórbida das pessoas. Desta forma, nunca podemos saber o que causou a perda temporária da sua visão ou o que aconteceu com ele durante aquele lapso de tempo perdido.

sábado, 14 de junho de 2014

Algumas considerações sobre a figura histórica de Tiradentes. Fatos e farsas da história...

Hoje vamos falar um pouco sobre algumas verdades envolvendo um herói nacional, homenageado no Panteão dos Heróis Nacionais, em Brasília. Mesmo com todo o mérito envolvendo a tentativa de libertação do país através da Inconfidência Mineira, a figura de Joaquim José da Silva Xavier continua envolta de muitos mitos e mistérios, e é o que vamos debater hoje.


Mesmo após a independência do Brasil, Tiradentes permaneceu uma personalidade histórica relativamente esquecida e obscura, uma vez que o nosso país escolheu o sistema político monárquico e a Inconfidência Mineira queria a proclamação de uma república genuinamente brasileira, e não uma monarquia absolutista regida por sangue português.

Durante a fase do Segundo Império Brasileiro, a coroa de Dom Pedro II também não aceitava a figura de Tiradentes pelo motivo de seu movimento ter tido veias republicanas, mas não abolicionista, como algumas pessoas acreditam. Naquela época, a figura do alferes era perigosa, pois o Código Penal de 1830 previa penas graves para quem conspirasse contra o imperador e contra a monarquia, e Tiradentes era visto como uma figura inconveniente e conspiradora.

O “erro” imagético e o mito do mártir...
É muito comum vermos imagens de um suposto Tiradentes com cabelos longos, barba comprida e uma túnica branca. Entretanto esta é a imagem errada que a História perpetuou, uma vez que ele foi executado no período próximo à Páscoa. O que o sistema queria? Simplesmente que a população brasileira associasse a sua imagem a Jesus Cristo e a todo o martírio que Ele passou no período pascoal em nome de toda a humanidade. No caso, José Joaquim da Silva Xavier teria passado por um “terrível martírio em nome de um Brasil independente, livre e republicano”.


Um dos quadros mais famosos que representam essa imagem de mártir está acima, mostrando um Tiradentes sacrificado e condenado injustamente. Entretanto, outra imagem mais próxima à verdadeira imagem do nosso personagem encontra-se abaixo.


Ou seja, houve uma detalhada estratégia para que a população assimilasse a imagem de Tiradentes como um homem sofredor que pagou sozinho pelos “pecados” dos inconfidentes mineiros, uma vez que foi o único a ter pena capital por parte da Coroa Portuguesa. Houve toda uma estratégia para santificar sua imagem em nome de um nacionalismo ascendente no período logo após a Proclamação da República, pois até 1889 Tiradentes era um desconhecido da história brasileira.

O nascimento do mito...
Foi a República – ou, mais precisamente, os ideólogos positivistas que presidiram sua fundação – que buscaram na figura de Tiradentes uma personificação da identidade republicana do Brasil, mitificando a sua biografia. Como militar, o máximo que Tiradentes poder-se-ia permitir era um discreto bigode. Na prisão, onde passou os últimos três anos de sua vida, os detentos eram obrigados a raspar barba e cabelo a fim de evitar piolhos.

Historiadores como Francisco de Assis Cintra e o brasilianista Kenneth Maxwell procuram diminuir a importância de Tiradentes, enquanto autores mineiros como Oilian José e Waldemar de Almeida Barbosa procuram ressaltar sua importância histórica e seus feitos, baseando-se, especialmente, em documentos sobre ele existente no Arquivo Público Mineiro.


O que se sabe é que somente no período militar a data de 21 de abril tornou-se feriado e Tiradentes passou a ser a mais alta figura do Panteão dos Heróis do Nacionalismo Brasileiro, juntamente com Dom Pedro I. Nesse mesmo período da nossa obscura história, enquanto pessoas eram torturadas nos porões das delegacias, os estudantes aprendiam Moral e Civismo, e nos livros sempre havia uma forte reverência a Tiradentes.

E a teoria de que ele, na verdade, não teria morrido enforcado?
Nos últimos anos tem circulado na internet uma teoria de que Tiradentes não teria morrido enforcado e não teria sido esquartejado, mas que teria fugido para a França e vivido lá por muitos anos, principalmente a partir de supostas assinaturas em documentos franceses. Entretanto, de acordo com os historiadores, isso é boataria; Tiradentes foi morto e esquartejado no Centro da cidade do Rio, onde hoje está localizada a Praça Tiradentes.

Essa teoria de que nosso personagem teria fugido é impossível porque a Coroa Portuguesa não deixava, naquele período, que navios se não portugueses aportassem no Brasil, e na época a França era terrível inimiga de Portugal. Portanto, seria muito mais fácil José Joaquim da Silva Xavier ter fugido para a Inglaterra, “nação amiga” da metrópole, cujos navios também podiam aportar aqui. De acordo com os historiadores, esse mito do Tiradentes vivo nasceu para criar nele uma aura de teoria da conspiração – que aparece aos montes, diariamente, na internet.


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Você conhece a “xenoglossia”, o dom de falar línguas “estranhas” na religião?! Fato ou farsa?!

Hoje vamos tratar de um assunto bastante polêmico e complexo, conhecido popularmente no meio religioso de “dom de línguas”, mas cientificamente nomeado como “xenoglossia”. A xenoglossia tem origem em duas palavras gregas: “xenón”, “estranho, estrangeiro” e “glóssa”, “idioma”. É um suposto fenômeno psíquico no qual uma pessoa seria capaz de falar idiomas que nunca aprendeu, como, por exemplo, uma pessoa começar a falar alemão fluentemente sem nunca ter aprendido alemão, ser alemão ou conviver com alemães. Já no meio religioso seria conhecido como o dom de falar “a língua dos anjos e dos santos”.


O termo “xenoglossia” foi criado por Charles Robert Richet para identificar o fenômeno no qual pessoas falam em línguas que eles e, geralmente, o público presente ignoram, porém se tratam de línguas existentes hoje ou que existiram no passado. Em um de seus trabalhos escritos, Sigmund Freud chega a falar que tratou de uma paciente que deixara de falar sua língua materna, o alemão, e o esquecera completamente, passando a falar somente em inglês. Entretanto, esta paciente em questão já tinha conhecimento do inglês em sua vida cotidiana.

O “dom de línguas” no Cristianismo...
Diz o livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento, no capítulo 2, versículos 1 ao 4, que no dia de Pentecostes (cinquenta dias depois da Páscoa), dez dias antes de Jesus ascender ao céu, os onze apóstolos restantes, além de Matias, estavam reunidos num cenáculo quando, de repente, veio um vento forte e línguas de fogo pousaram sobre eles e então ficaram todos cheios do Espírito Santo, começando a falar em outras línguas, conforme o mesmo Espírito lhes concedia que falassem. De acordo com os teólogos, nascia aí o Cristianismo e a manifestação do fenômeno da xenoglossia nele, fenômeno este que viria a se repetir em outras ocasiões durante os primeiros séculos de existência da nova religião, mas que seria quase esquecido ao longo dos séculos, tendo sido, entretanto, visto como frequente na história de alguns santos e outras pessoas.

Hoje em dia, devido ao surgimento dos movimentos pentecostais, nos protestantes (pentecostalismo), não há a manifestação desse fenômeno, e sim o da glossolalia, que é totalmente distinto do que ocorreu em Pentecostes.


No Cristianismo, glossolalia religiosa (ou dom de línguas) é narrada pela primeira vez no livro dos Atos dos Apóstolos, que descreve o evento ocorrido no dia de Pentecostes, uma data em que judeus de várias partes do mundo se reuniam em Jerusalém. Os judeus de todo mundo antigo em visita a Jerusalém se maravilharam por conseguir ouvir a mensagem em sua própria língua ou dialeto. Sinal similar ocorreu na casa de Cornélio, um oficial romano. Antes disso, o apóstolo Pedro teve uma visão de que não deveriam ser recusados aqueles a quem Deus purificasse, independentemente da origem. Este sinal se mostra com propósito inverso ao ocorrido na construção da Torre de Babel. O fenômeno é descrito na carta de Paulo aos coríntios como sendo um dos dons oferecidos pelo Espírito Santo.

A igreja católica não nega existir o dom de línguas, como foi afirmado por São Paulo na carta aos coríntios, testemunhado pelos apóstolos, mesmo que a manifestação deste carisma seja de certo modo incomum a muitos fiéis. A atual prática, inserida expressivamente dentro da Renovação Carismática Católica, não é estranha ao ensinamento da Igreja, já que a mesma tem conhecimento e aprovação de todos os estatutos do movimento eclesial, que inclusive tem seu escritório internacional no Vaticano.

O fenômeno ocorrido durante o Pentecostes pode ser entendido também como xenoglossia (uma oração em língua desconhecida de quem ora, mas que existe ou já existiu e ainda é do domínio humano), uma vez que os povos de todas as nações encontravam-se em Jerusalém e ouviam os apóstolos anunciarem as maravilhas de Deus no seu próprio idioma. Já a glossolalia é um fenômeno que se deu, sobretudo, na comunidade cristã de Corinto, mas também nas de Cesareia e Éfeso; não é a mesma coisa que o “falar outras línguas” (o milagre de Pentecostes), mas consistia nisso que a pessoa proferia sons ininteligíveis e palavras sem nexo, que se tornavam compreensíveis apenas para quem possuía o carisma da interpretação.


Quanto à tonalidade, a oração em línguas normalmente se apresenta como: Louvor (oração sequenciada, de palavreado frequente, onde a pessoa fica “mergulhada” como criança diante de Deus), Júbilo (oração transbordante, jubilosa e extremamente alegre, quase interminável e sem pausas), Súplica (oração compassada e em tonalidade penitencial, que leva a frutos de contrição), Canto (é também uma espécie de louvor, sendo que em tonalidade musical). O dom das línguas foi um dom abundante no início da Igreja. É normal um católico exercê-lo. Ele traz muitos frutos para a vida de oração e de santificação pessoal, favorecendo a intimidade e a comunhão com Deus.

No protestantismo, a glossolalia, conhecida como dom de línguas (ou, simplesmente, falar em línguas), é admitida pelas correntes pentecostais e neopentecostais. As demais igrejas, tidas como históricas ou tradicionais, majoritariamente refutam a manifestação contemporânea da glossolalia. Ou seja, para as igrejas históricas, o fenômeno foi um milagre de Deus inédito somente na Bíblia e que nunca mais voltou a acontecer.

O fenômeno em outras religiões não cristãs...
Antes do cristianismo, diversos grupos religiosos praticavam formas de glossolalia. No Oráculo de Delfos, a sibila (sacerdotisa do deus Apolo) falava com estranhos sons que se supunham ser mensagens do deus. Alguns textos gnósticos do período do Império Romano possuem fórmulas silábicas como “t t t t t t t t n n n n n n n n n d d d d d d d…” etc. Crê-se que tais seriam transliterações de sons feitos por glossolalia.

Atualmente, religiões como o espiritismo apresentam fenômenos semelhantes, incluindo manifestações de xenoglossia. Fenômenos de glossolalia são observados também no xamanismo, no vodu haitiano, em alguns grupos judaicos hassídicos e entre os sufi muçulmanos.


A interpretação da ciência para esses casos...
Nos anos 70, o fenômeno atraiu a comunidade acadêmica, com estudos publicados pela antropóloga Felicitas Goldman e pelo linguista William Samarin. Goldman descreveu a ocorrência da glossolalia em situações distintas e Samarin considerou a glossolalia não constituía uma língua per se nos parâmetros conhecidos da ciência linguística. Uma pesquisa publicada em 2006 pela Universidade da Pensilvânia descobriu que quando um indivíduo produz glossolalia, a área do cérebro que controla a linguagem não é ativa, assim não possui controle sobre o sujeito. O fenômeno ainda está a ser estudado e desperta a curiosidade da ciência e do público familiar com a prática.

Isso afirmaria que o “dom de línguas” seria algo sobrenatural, realmente, e que as pesquisas comprovaram isso? De modo algum. O que a pesquisa de 2006 mostrou é que durante o período que o indivíduo fala as tais “línguas estranhas” não há preocupação em formar sentido, coesão, textualidade – como fazemos quando falamos e conversamos normalmente – mas sim a “preocupação” em reproduzir sons em um estado de possível inconsciência.

Através de inúmeros estudos realizados pela parapsicologia, tem se chegado à conclusão que o fenômeno da glossolalia ou xenoglossia pode ser resultado das faculdades humanas, visto que podem ser induzidos através de hipnose, euforia ou transe – até mesmo fora de ambientes religiosos, cristãos ou não. Os linguistas concordam que a esmagadora maioria dos fenômenos gravados e analisados não apresenta um número suficiente de características de uma língua para serem aceitos como tais.

Uma das situações mais delicadas que aparecem nos círculos religiosos que trabalham com os fenômenos da xenoglossia ou da glossolalia é a fraude. Muitos missioneiros usam da má fé para serem reconhecidos em seus círculos, uma vez que o “poder” de falar a língua das suas entidades daria status dentro daquele grupo. De acordo com linguistas da Universidade da Califórnia, em pesquisa divulgada em 2008, mostrou que havia certa fraude nesses fenômenos em 67% dos casos analisados; isso mostraria que não é tão fácil assim como parece ser obter o “dom de línguas” e o dom de sua interpretação. Entretanto, é digno que a pesquisa não mostrou serem inexistentes a xenoglossia e a glossolalia.

Ian Stevenson, que chefiou o Departamento de Psiquiatria e Ciências Neurocomportamentais da Universidade da Virgínia, lançou o livro “Xenoglossia: novos estudos científicos”, cuja sinopse é: “Xenoglossia é nome que se dá ao fenômeno parapsíquico em que uma pessoa consegue falar em idiomas que nunca aprendeu ou sequer teve contato. Conhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre reencarnação, o renomado psiquiatra canadense Ian Stevenson registra com rigor científico dois casos de xenoglossia, que comprovam a reencarnação. O primeiro caso envolve uma mulher que começa a falar em alemão, sem nenhum conhecimento prévio do idioma, identificando-se com outra personalidade. O segundo caso envolve uma jovem indiana, que em uma clínica de tratamento apresenta uma nova personalidade, falando em bengali, idioma com o qual nunca teve contato”.

O neurologista e psiquiatra Brian Weiss, conta em seu livro “Muitos corpos, uma só alma”, que aplicando a terapia de vidas passadas em pacientes, ele viu que alguns deles expressaram xenoglossia, o que segundo ele é uma prova extraordinária de que esses pacientes realmente estavam lembrando-se de uma vida passada deles.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Você conhece a história do “Filho das Estrelas”, o bebê alienígena?! Fato ou farsa?!

Hoje vamos falar sobre um dos assuntos preferidos dos ufólogos e crentes da teoria dos deuses astronautas, em um debate sem fim com os céticos. Trata-se de mais um suposto esqueleto de alien, desta vez conhecido como “Filho das estrelas”. Trata-se, de fato, de um crânio infantil anômalo, de nove séculos, que se assemelha muito ao de extraterrestres do tipo grey; esses restos mortais foram encontrados em uma caverna do México.



Ao longo da história recente, vários supostos restos mortais de alienígenas, com estrutura óssea humanoide, foram encontrados ao redor do mundo: México, Peru, Egito, Irã, Turquia. O que chama atenção é que os locais de descoberta sempre estão localizados em antigos lugares de adoração religiosa ou astronômica/astrológica. É isso que dá muita base para os teóricos dos deuses astronautas: tais aliens visitaram a Terra, foram confundidos como deuses e, então, na ocasião da sua morte, foram enterrados nos locais onde eram “adorados”.

A história arqueológica do “Filho das estrelas”...
Em 1930, em um túnel de mina abandonado no interior do México, uma adolescente encontrou dois esqueletos completos enterrados lado a lado – um adulto e um infantil com crânio anormal. Depois de sua morte, os crânios foram passados a Ray e Melanie Young, de El Paso, Texas, que, em fevereiro de 1999, os entregaram ao escritor Lloyd Pye – atualmente, o maior pesquisador do caso.

Vale ressaltar que o México sempre foi um lugar interessante para a pesquisa de campo dos ufólogos, pois há vários indícios que deixam a entender isso: templos com imagens curiosas, estrutura social complexa (que seria indício de ensinamentos aliens superiores), crânios de cristal perfeitamente esculpidos e polidos (assunto para um post no futuro) etc.

Pye e Mark Bean enviaram os crânios a empresas especializadas em genética e, com o apoio do geneticista Kem Paid e outros especialistas, concluíram que existe uma probabilidade próxima a 90% de que o crânio infantil (apelidado de “Starchild”, ou “Filho das estrelas”) é de um ser de mãe humana e de pai de uma espécie desconhecida. Ou seja, um híbrido assim como se falava muito na série popular “Arquivo X”.


A formação biológica e evolucionária do crânio...
O crânio do “Filho das estrelas” possui muitas anomalias para um crânio normal. Com base em um exame na parte direita do maxilar, dentistas forenses concluíram que a criança tinha cerca de cinco anos de idade quando morreu. Porém, o volume interior do crânio é de 1.600 cm³, 200 cm³ maior do que o cérebro de um adulto normal e 400 cm³ maior do que de um adulto do mesmo tamanho aproximado. As cavidades oculares são ovais e rasas que não davam muita mobilidade aos olhos, com o canal do nervo ótico (que deveria estar na parte posterior) na parte inferior.

Além disso, o “Filho das estrelas” não tem seios faciais e a parte de trás do crânio é achatada. Junto a isso, o foramen magnun – o buraco que na base da cabeça se une à coluna – é adiantado, quase no centro da base, e não na parte de trás da cabeça, como em todos os seres humanos. A composição do crânio é a mesma dos ossos de mamíferos. Apesar disso, sua espessura e densidade diferem das características dos ossos humanos.

Apesar de tantas diferenças assustadoras, o crânio do “Filho das estrelas” apresenta semelhanças com os seres humanos. Encontramos o mesmo número e tipo de ossos cranianos – embora nenhum seja amoldado ou esteja posicionado como nos humanos. Há certas extrusões e contornos ósseos, ligamentos de músculo e aberturas para veias e artérias que correspondem às características humanas.

Os estudos envolvendo o “Filho das estrelas”...
O teste de datação por carbono 14 no crânio normal foi feita na Universidade da California em Riverside, em 1999. No “Filho das estrelas”, o teste foi realizado na Beta Analytic – o maior laboratório de datação por carbono no mundo –, em Miami, em 2004. Os dois testes indicaram 900 anos desde as mortes, com margem de erro de até 60 anos para mais, ou para menos.

O teste de DNA no laboratório forensce BOLD, em Vancouver, no Canadá, em 1999, encontrou os cromossomos X e Y em duas amostras retiradas do crânio. Isso indica que a criança, um menino, era humana e seus pais também (pois contribuíram com os cromossomos sexuais humanos).

Um exame mais detalhado foi feito em 2003 na Trace Genetics, que, ao contrário do BOLD, é especialista na extração de DNA de amostras antigas. O DNA mitocondrial foi retirado dos dois crânios. O garoto pertence ao haplogrupo C. A mulher – que tinha entre 20 e 30 anos –, ao haplogrupo A. Ambos haplotipos caracterizam nativos americanos, mas a diferença de haplogrupos indica que a mulher não era mãe da criança. A Trace Genetics não foi capaz de recuperar DNA nuclear ou do cromossomo Y suficiente para testes mais apurados.


Os médicos tentam explicar as anomalias no crânio do “Filho das estrelas”, tentando explicar de maneira cética essas deformidades, eliminando a história ufológica. Para eles, o garoto poderia ter hidrocefalia e ficar muito tempo num cradleboard. Outras causas poderiam ser braquicefalia, síndrome de Crouzon ou progeria.

Para descobrir a verdade, foi criado o Projeto Starchild, liderado por Lloyd Pye. As pesquisas descartaram a possibilidade de más formações congênitas. Pye diz que o crânio é uma demonstração da presença extraterrestre em nosso planeta e lembra que não foi possível identificar a espécie do pai do garoto – embora haja dois cromossomos sexuais humanos no menino.

De acordo com vários antropólogos, entre os indígenas que habitam a região onde os crânios foram encontrados, circula uma antiga lenda sobre as “crianças das estrelas”. As histórias têm, no mínimo, duzentos anos. Nelas, seres desciam das estrelas e deixavam grávidas várias aldeãs que habitavam comunidades mais isoladas da região. Após dar à luz, as crianças eram criadas por anos até os pais regressavam do céu para levá-las. Em 1938, um famoso paranormal argentino, Benjamin Parravicini, profetizou através de uma psicografia que a teoria de Darwin estaria errada e homem teria vindo das estrelas.

Para quem não sabe, a teoria de Charles Darwin é a teoria evolucionista, e afirma que o homem e o macaco vieram de um ser em comum, terráqueo, que seria chamado de “elo perdido”, porque ainda não foi encontrado nenhum fóssil deste ser que nos ligasse a essa surpreendente evolução intelectual e biológica.


Muitos estudiosos continuam se perguntando qual seria o motivo da estranha formação do crânio. Se tais características seriam congênitas, adquiridas ou algo mais impensável. Por que foram enterrados em uma caverna como membros imponentes de uma sociedade muito antiga? Há muitas perguntas a serem respondidas através de investigações avançadas, principalmente a partir dos resultados dos exames de DNA. O mistério e o debate continuam...

sábado, 7 de junho de 2014

Considerações sobre a EQM, experiência de quase morte. Você já ouviu falar nela?! Muito interessante!

Hoje vamos falar de algumas considerações importantes que a medicina tem muita curiosidade, junto com correntes religiosas: a chamada EQM, sigla da “experiência de quase morte”, quando o indivíduo fica no limiar da vida e da morte, e depois de passar por isso, relata uma série de experiências supostamente sobrenaturais, e por isso chama atenção das religiões. A experiência de quase morte pode levar a inúmeras conclusões e tem fatos interessantíssimos, e é isso que vamos fazer na postagem de hoje.

O assunto é extremamente interessante e vasto, com várias formas de observação dos pontos de vista religioso, médico, psicológico, psiquiátrico etc. Por isso, vamos nos ater aos pontos mais debatidos dos círculos acadêmicos e teológicos.


1. O termo EQM, “experiência de quase morte”, refere-se a um conjunto de visões e sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, sendo as mais divulgadas a projeção astral – também chamada de projeção da consciência, desdobramento espiritual, emancipação da alma ou experiência fora do corpo;

2. Duas características muito importantes quando falamos da experiência de quase morte  é a sensação de serenidade que o indivíduo diz sentir – também chamada sensação de paz interior – e a chamada experiência do túnel, talvez a característica mais falada na EQM. Esses fenômenos são normalmente relatados após o indivíduo ter sido pronunciado clinicamente morto ou muito perto da morte, daí a denominação experiência de quase morte;

3. O termo experiência de quase morte (em francês, “expérience de mort iminente”), foi proposto pelo psicólogo e epistemólogo francês Victor Egger em 1896 como resultado das discussões no final século 19 entre filósofos e psicólogos, relativamente às histórias de escaladores sobre a revisão panorâmica da vida durante quedas;

4. O interesse popular pelas EQM’s se iniciou devido principalmente ao trabalho do psiquiatra e parapsicólogo norte-americano Raymond Moody em seu best seller “Vida depois da Vida”, escrito em 1975 sob o nome de “near-death experiences” (NDE’s), repetindo a frase já proposta por Victor Egger;

5. Muito se estuda sobre as experiências de quase morte, mas não existem nem provas científicas e nem consenso científico sobre o significado e a causa desses fenômenos. Vários médicos, parapsicólogos, cientistas e espiritualistas em geral apontam as experiências como provas da projeção astral e da vida após a morte. Por outro lado, muitos outros médicos e cientistas apontam as EQM’s como tendo características de alucinações produzidas pelo cérebro em estado crítico;


6. Em 1981, foi criada a Associação Internacional de Estudos do Quase-Morte. Essa associação utiliza a Escala Greyson, um método criado pelo psiquiatra e parapsicólogo Bruce Greyson para determinar as EQM’s legítimas;

7. As pessoas que viveram o fenômeno relatam, geralmente, uma série de experiências comuns, tais como: um sentimento de paz interior; a sensação de flutuar acima do seu corpo físico; a impressão de estar em um segundo corpo, distinto do corpo físico; a percepção da presença de pessoas à sua volta; a visão de seres espirituais; visão de 360º; sensação de que o tempo passa mais rápido ou mais devagar; ampliação de vários sentidos; a sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado no fundo;

8. Nesse espaço, a pessoa que vive a EQM percebe a presença do que a maioria descreve como um “ser de luz”, embora seu significado possa variar conforme os arquétipos culturais, a filosofia ou a religião pessoal;

9. O portal entre essas duas dimensões é também descrito como a fronteira entre a vida e a morte. Por vezes, alguns pacientes que viveram essa experiência relatam que tiveram de decidir se queriam ou não regressar à vida física. Muitas vezes falam de um campo, uma porta, uma sebe ou um lago, como uma espécie de barreira que, se atravessada, implicaria não regressarem ao seu corpo físico;

10. Com a multiplicação de referências a acontecimentos comparáveis à experiência de quase morte, iniciou-se uma nova corrente, em que diversos pesquisadores de todo o mundo deram início à discussão e à análise do fenômeno de forma mais aberta. Grupos da comunidade médica passaram a olhar para a morte e a sobrevivência da consciência sob uma nova perspectiva, como ocorre, por exemplo, na Associação Internacional de Estudos de Quase Morte;


11. Enquanto existem observadores que atribuem esse fenômeno a experiências espirituais, outros recorrem a teorias como alucinação, memória genética ou a simbolização do nascimento biológico;

12. Após a experiência de quase morte, muitas pessoas declaram terem alterado seus pontos de vista em relação ao mundo e às outras pessoas. As mudanças comportamentais geralmente são significativamente positivas, e o principal fator para a mudança é a perda do medo da morte (tanatofobia);

13. Em geral, a pessoa diz enxergar o mundo de maneira mais vívida, ser inundada por sentimentos de bondade e amor ao próximo, ter vontade de ajudar os necessitados, sentir abertura a uma forma de religiosidade não dogmática e a crenças orientais como a reencarnação, aceitar-se mais e aceitar mais os outros, perder o sentido de importância do ego e se preocupar menos com as opiniões dos outros;

14. Até recentemente, este fenômeno costumava ser considerado pela ciência estrita como um assunto vulgar, fruto de lendas, crendice popular ou religiosidade. No entanto, na década de 1970, pesquisas como a de Raymond Moody e de Elizabeth Kubler-Ross, principalmente após a publicação dos best-sellers “Vida Depois da Vida” e “Sobre a Morte e o Morrer”, respectivamente, levaram ao início de uma corrente de pesquisas em todo o mundo sobre o fenômeno;

15. Mesmo com tanto interesse e a presença de numerosos relatos anedóticos, ainda não há qualquer comprovação científica sobre a realidade das experiências de quase morte. Entre os cientistas que pesquisam o assunto, há os que interpretam as experiências como reações do cérebro (visão monista) e há os que interpretam tais experiências como prova de que a consciência não é produzida pelo cérebro (posição dualista); e de que existe vida após a morte;


16. Muitos pesquisadores materialistas acreditam na teoria de que as EQM’s são alucinações complexas causadas pela falta de oxigênio no cérebro durante a etapa final do processo de morte. Mas muitos outros pesquisadores discordam das teorias materialistas e defendem teorias que interpretam as experiências como prova de que a consciência não é produzida cérebro e de que existe vida após a morte;

17. O primeiro estudo clínico sobre experiências de quase morte em pacientes em estado de parada cardíaca foi feito pelo cardiologista holandês Pim van Lommel e sua equipe médica, tendo sido publicado em 2001. De acordo com o cardiologista, dos 344 pacientes que foram reanimados com sucesso depois de sofrerem parada cardíaca, 62 (18%) tiveram EQM’s e lembraram com detalhes as condições que passaram quando estavam clinicamente mortos;

18. Apesar de a obra científica ter sido publicada somente em 2001, na entrada do século 21, desde a Grécia Antiga há uma preocupação da medicina e da filosofia nesse estado de quase morte e também no estado de coma, que para muitos médicos seria um pré estado de EQM;

19. Um dos relatos intrigantes descritos no livro “A Luz do Além”, de 1988, diz: “Em Long Island, uma mulher de setenta anos cega desde os dezoito, foi capaz de descrever, com detalhes vívidos, o que aconteceu, enquanto os médicos tentavam ressuscitá-la de um ataque do coração. Ela conseguiu dar uma boa descrição dos instrumentos que foram utilizados, e até mesmo de suas cores. E o mais surpreendente para mim é que a maioria daqueles instrumentos sequer fora concebida na época em que ela ainda podia ver, havia cerca de cinquenta anos. Além de tudo isso, ela ainda disse ao médico que ele usava um jaleco azul quando começou a ressuscitá-la”;

20. Mesmo diante de relatos que para muitos são surpreendentes, a visão monista, a de que alterações funcionais e químicas no cérebro são as responsáveis pelas experiências de quase morte, ao menos até o momento é a cientificamente suportada; em virtude primeiro da ausência factual científica necessária ao suporte da visão dualista como científica; e em segundo devido a considerações levantadas quanto se busca definir de forma rigorosa o que é “consciência”; sobretudo diante da perspectiva dos avanços em biotecnologia, onde a possibilidade de se construir uma máquina com consciência não pode ser mais tratada como mera ficção científica;


21. Os avanços das técnicas de mapeamento cerebral e de mecanismos excitatórios cerebrais invasivos e não invasivos contribuíram significativamente para a compreensão científica da experiência de quase morte. A exemplo, o estímulo direto dos lobos temporais pode induzir a sensação de uma presença invisível ou “divina”;

22. Um capacete construído pelo médico Michal Persinger e por ele denominado “capacete de Deus” induz experiências “espirituais” em 80% daqueles que o experimentam. Modificações induzidas no funcionamento dos lobos parietais simulam experiências extrassensoriais, entre elas corporificações e a sensação de se “sair do corpo”;

23. Em experimentos realizados em aceleradores centrípetos, que visam a compreender as reações psicofisiológicas humanas em presença de enormes acelerações, após momentaneamente desmaiarem dadas a incapacidade circulatória e oxigenação inadequada do cérebro, as pessoas submetidas ao teste relatam quase sempre alucinações análogas às apresentadas pelas pessoas que passaram por experiências de quase morte, incluso a experiência de se ver fora do corpo.