sábado, 31 de maio de 2014

Você conhece a história do Basilisco, a serpente fantástica da mitologia?! Fato ou farsa?!

Em algumas descrições, o basilisco é uma serpente fantástica. O antigo historiador Plínio Velho o descreve como uma serpente com uma coroa dourada e, no macho, uma pluma vermelha ou negra. Durante a Idade Média era representado como tendo uma cabeça de galo ou, mais raramente, de homem.


Para a heráldica, o basilisco é visto como um animal semelhante a um dragão com cabeça de galo; em outras descrições, porém, a criatura é descrita como um lagarto gigante (às vezes com muitas patas), mas a sua forma mais aceita é como uma grande cobra com uma coroa. De acordo com a lenda, o basilisco é capaz de matar com um simples olhar. Os únicos jeitos de matá-lo são fazendo-o ver seu próprio reflexo em um espelho, considerando-se que alguém chegue perto o bastante.

Pessoas proeminentes e racionais chegaram a crer na sua existência. O exemplo é Leonardo da Vinci, que escreveu que o basilisco é tão cruel que, quando não consegue matar animais com a sua visão venenosa, vira-se para as plantas e para as ervas aromáticas e, fixando o olhar nelas, seca-as. O famoso cientista disse que o animal é uma besta com um olhar venenoso que causaria ferimentos invisíveis.

O basilisco, junto com o grifo, o unicórnio e dragão, povoou a mentalidade das artes durante muito tempo, principalmente na Idade Média. Foram compostas peças teatrais, óperas, contos de aventura e muito mais onde o basilisco aparece, ora como um enorme inimigo a ser vencido, ora como um ajudante nas vilas medievas.


De acordo com os contos folclóricos europeus, principalmente da França e da Alemanha, o basilisco é descrito como um animal raríssimo que só pode ser tocado por mulheres. Além disso, seus inimigos mortais são os grifos, e seus aliados são os dragões. Para os vikings, tratava-se de um animal santificado, que merecia grande respeito porque ajudava a carregar as almas dos mortos ao paraíso do além para este grupo de povos.

Segundo os relatos folclóricos da Europa Central, é importante evitar um confronto direto com os basiliscos, pois se você enfiar uma espada neste ser, o seu sangue extremamente venenoso percorrerá a espada ou lança até alcançar o braço de quem o ataca, tendo que amputá-lo imediatamente para que a pessoa continue viva. Assim sendo, a melhor opção seria se aproximar da criatura utilizando um espelho como escudo, pois o melhor meio de espantá-lo é utilizar seu próprio reflexo, caso ele se deparasse com sua imagem refletida poderia ser morto pelo seu próprio olhar. Além disso, na Europa diz-se que se uma galinha pôr um ovo e este for chocado por uma rã, nascerá um basilisco.


De acordo com os antropólogos culturais, o basilisco ganhou fama na Europa medieval por causa dos seus curtos relatos na Bíblia cristã. Há citações sobre este ser mitológico no livro dos Provérbios, em Jeremias e em Isaías. Portanto, acredita-se que a forma do basilisco tenha vindo de criaturas mitológicas babilônicas ou egípcias, no período em que o povo hebreu esteve em cativeiro nestes dois lugares, no entanto não há um consenso quanto a isso.

Atualmente, usam o nome “basilisco” para um estranho lagarto tropical, membro da família da iguana, que pode ser encontrado nas florestas úmidas da América Central. O que há de curioso nele é que pode correr sobre a água por curtas distâncias (razão pela qual também é conhecido como “lagarto-jesus”), com as pernas dianteiras erguidas e o corpo quase ereto.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ilusão da bailarina: um fato muito interessante para enganar nossa mente...

O nome original é “The silhouette illusion”, conhecida em português como “A ilusão da bailarina”, e é uma ilusão ótica dinâmica multi-estável que se assemelha a uma bailarina a rodar sobre o próprio eixo. Esta obra, da autoria do designer japonês Nobuyuki Kayahara, implica a acepção perceptiva de uma direção aparente no movimento de rotação da figura. Num primeiro contato com esta ilusão, alguns observadores veem-na rodar no sentido dos ponteiros do relógio e outros no sentido contrário aos ponteiros do relógio, causando um interessante truque na mente.


Análise do efeito...
Esta ilusão de ótica é originada pela falta das pistas visuais que são necessárias para se estabelecer a profundidade da figura. Com os dados que estão disponíveis, é tão possível que os braços, quando se dirigem para um dos lados, estejam rodando pela frente como por detrás. Portanto, a bailarina tanto roda no sentido dos ponteiros do relógio quando o pé que se vê no chão é o esquerdo, como roda no sentido contrário quando o pé que se vê no chão é o direito.


Uma vez que não há dados visuais na silhueta que indiquem qual dos lados está a ser apresentado, ela tanto está numa como na outra perna, porque quando a sua imagem se dirige para um dos lados é interpretada como estando voltada para cá ou para lá do observador. Os perfis, esquerdo e direito, são as posições menos ambíguas na aparente rotação da figura. Contudo, mesmo assim, também não é possível determinar qual das pernas está no chão, e se ela se movimenta pela parte anterior ou posterior do círculo quando se dirige para um dos lados.

A pista que falta e a que é dada...
Pode dizer-se, portanto, que a causa que origina este efeito está na necessidade de ver resolvida a ambiguidade, combinada com uma interpretação a três dimensões de uma imagem que só tem duas. A pista que falta é a que conduz à leitura da profundidade do corpo na representação da figura. Sem ela o observador deveria ver somente uma figura que se move de um lado para o outro. No entanto, embora não esteja presente a pista que leva a decodificar a profundidade do corpo, está presente a pista que leva a decodificar a profundidade do espaço que este ocupa.

Espaço que se observa na oscilação deste para cima e para baixo, enquanto percorre o seu movimento de um lado para o outro. Esta curta oscilação vertical sincronizada com o longo movimento horizontal, produz o desenho de um círculo paramétrico com rotação horizontal, criando assim a sensação contínua da profundidade do movimento. E como o ponto de vista do observador sobre a bailarina se localiza na sua cintura, o círculo desenhado tanto pode estar a ser percepcionado por cima como por baixo. Quando o círculo é percepcionado por cima a figura roda no sentido dos ponteiros do relógio, quando o círculo é percepcionado por baixo ela roda no sentido contrário, e vice versa.

Testes no cérebro e o cientificismo...
Esta ilusão foi irresponsavelmente identificada como método científico para fazer testes de personalidade, supostamente determinando qual dos dois hemisférios cerebrais do observador em questão é predominante no momento da observação, caso a figura rode para um ou para o outro lado. Seguindo este ponto de vista supostamente científico, do qual resta apresentar prova, a ilusão da bailarina tornou-se conhecida como o “teste do cérebro direito vs. cérebro esquerdo”, e foi assim que se divulgou pela internet, dos finais de 2007 aos inícios de 2008.


De acordo com os proponentes desta ilusão como teste de personalidade, se no momento em que inicia a sua observação, o sujeito da análise vê a imagem a rodar no sentido contrário aos ponteiros do relógio, isso significa que o hemisfério esquerdo predomina, se ele vê a imagem a rodar no sentido dos ponteiros do relógio, predomina o hemisfério direito.

Todavia, Steven Novella, diretor da Escola de Medicina da Universidade de Yale, afirma que o teste é um completo absurdo e não serve para o que foi proposto. Novella diz ainda que embora esta noção de que temos uma predominância de um hemisfério sobe o outro esteja difundida na consciência pública, e os hemisférios funcionem bem sozinhos e tenham aptidões diferentes, é como um todo único que funcionam e não em separado como se imagina.

Sugestão do corpo e do cérebro diante da imagem...
A auto-sugestão desempenha um papel fundamental na interpretação deste tipo de fenômeno. Para resolver a ambiguidade criada pela falta de dados, o observador adota inconscientemente um sentido para a rotação, e só depois de uma observação continuada é que este sentido pode, eventualmente, mudar de direção. Dependendo da percepção do observador, a direção aparente de rotação da bailarina pode mudar uma série de vezes, embora alguns observadores tenham muita dificuldade em ver alguma mudança na direcção. Todavia, há uma aprendizagem que pode fazer-se.


Uma das formas a que se pode recorrer para forçar a mudança de direção da rotação, ou tentar controlar a sua direção, é usar a imaginação. O observador pode fazer um esforço de imaginação na sua mente para visualizar a bailarina a rodar no sentido contrário ao que via antes de fechar os olhos, e ao ter conseguido fazer a visualização voltar a abri-los devagar. Não basta pensar que se vai ver a figura a rodar ao contrário, é preciso estar a vê-la na imaginação. Para isto pode ser eficaz imaginar o círculo de rotação desenhado pelo pé estendido, como estando observado abaixo ou acima do campo de visão.

Se se conseguir imaginar o círculo a rodar lá em baixo a bailarina rodará no sentido dos ponteiros do relógio, se se conseguir imaginar o círculo a rodar lá em cima ela rodará no sentido contrário. Outra forma de fazê-lo é focar a atenção numa zona periférica da imagem, exterior ou interior à figura, mantendo o movimento da rotação no campo visual periférico, e lentamente voltar a olhar para a bailarina. Também pode ser de utilidade experimentar inclinar a cabeça enquanto se olha para a figura, ou mover-se em várias direções.


A solução para se conseguir ver a bailarina a rodar para ambos os sentidos possíveis da sua rotação sem dificuldade, está na inclusão dos dados visuais que a imagem tem em falta, para que se possa determinar, sem qualquer sombra de dúvida, a profundidade na representação do seu corpo, e assim eliminar a ambiguidade que produz o efeito da ilusão de ótica.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Você já ouviu falar nas criaturas misteriosas chamadas “Garadiávolos”? Fato ou farsa?

O Garadiávolo, também conhecido nos Estados Unidos como “Jenny Haniver”, é uma das criaturas estudadas pela criptozoologia, tem sua existência não provada e causou (e ainda causa) enormes divergências entre os cientistas quanto à sua real existência. As imagens abaixo mostram alguns exemplos de possíveis Garadiávolos capturados ao redor do mundo:




O explorador Alfredo García Garamendí relatou ter sido atacado por uma destas criaturas em uma expedição de pesquisas na região de Porto Rico, em 1974. Antes disso, Garamendí já afirmava que havia matado um ser desta espécie em 1971, também próximo às águas de Porto Rico. Em 1975, o suposto Garadiávolo foi enviado para a Universidade Central de San Juan. Quando a criatura foi devolvida a Garamendi, homens da CIA teriam supostamente confiscado a criatura.

Na época, muitos biólogos e oceanógrafos ficaram animados com a possibilidade de terem sido descobertos novos seres vivos aquáticos, mas havia um grave problema: nunca as pessoas capturavam um Garadiávolo vivo, mas sempre morto. Isso começou a levantar suspeitas da comunidade científica, enquanto alguns ufólogos levantavam certo interesse.

Alguns grupos de ufólogos iniciaram o discurso de que os Garadiávolos poderiam ser seres alienígenas depositados na Terra, por isso não sobreviviam às nossas condições climáticas e atmosféricas, motivo pelo qual nunca havia a captura de um ser desta estirpe vivo. Com este panorama, anos depois, Garamendí teria capturado outra criatura, que estudou em sua casa, e escreveu um livro afirmando que os Garadiávolos vinham de outras dimensões.


Depois do sensacionalismo da mídia em relação aos Garadiávolos, os seguidores das teorias de Garamendí começaram a teorizar sobre o “hábitat natural” destes seres: as águas do Caribe e as águas da Oceania. Entretanto, céticos mostraram um contraponto: se eram seres de outra dimensão, como poderiam ter um “hábitat natural” na Terra? Junto ao destaque da mídia, na Europa e na América Latina esses tais seres ganharam o nome de seu possível descobridor, em italiano Garadiávolos significa “Diabos de Garamendí”.

O pesquisador mexicano Luiz Ruiz Nogués foi uma luz cética no meio da polêmica sensacionalista destes supostos animais. Em seu mais famoso livro “Cem fotos de extraterrestres”, Nogués afirma que os Garadiávolos são uma farsa muito bem tramada. De acordo com sua pesquisa laboratorial, eles são raias que são estripadas e deformadas para que fiquem com uma formação humanoide.

As raias possuem na parte inferior do corpo narinas que fazem com que sua parte inferior se pareça com o rosto e o resto do corpo provavelmente foi definido com barbantes e seu corpo conservado com verniz. Atualmente, Garadiávolos são vendidos por pescadores a turistas em várias partes do Caribe e de ilhas na Oceania.

Nas fotos abaixo, de raias, repare como elas se parecem com os supostos rostos humanoides dos Garadiávolos:



sábado, 24 de maio de 2014

Algumas considerações interessantes sobre as fadas... Fato ou farsa?!

Hoje vamos falar um pouco sobre as fadas, seres extremamente comuns nas histórias infantis, mas que nasceram de folclores e religiões primitivas da Europa Central e da Europa do Norte. Você sabe qual o significado cultural delas? Você sabia que existe, também, um significado religioso? Junto com as bruxas, as fadas ainda estão bem vivas na memória das pessoas, talvez por causa dos contos infantis mais famosos. Pois bem, é o que vamos descobrir no post de hoje...


1. As fadas são seres mitológicos característicos dos contos celtas, anglo-saxões, germânicos e nórdicos (vikings);

2. O primeiro autor que mencionou as fadas foi Pompônio Mela, um geógrafo que viveu no primeiro século da era cristã. De acordo com ele, as fadas são conhecidas como as fêmeas dos elfos, também conhecidos como duendes;

3. O termo “fada” incorporou-se à cultura ocidental a partir dos assim chamados “contos de fadas”. Nesse tipo de história, a fada é representada de forma semelhante à versão clássica dos elfos de J.R.R. Tolkien, porém apresentando “asas de libélula” nas costas e utilizando-se de uma “varinha de condão” para realizar encantamentos;

4. Dependendo da obra em que aparece, a fada pode ser retratada em estatura de uma mulher normal ou diminuta, com até 30 centímetros. No primeiro caso, temos a fada de “Cinderela”. Como exemplo da segunda representação podemos citar Sininho, do clássico infantil “Peter Pan”;

5. O escritor e folclorista inglês Joseph Ritson, na sua dissertação “On Faries”, definiu as fadas como uma espécie de seres parcialmente materiais, parcialmente espirituais, com o poder de mudarem a sua aparência e de, conforme a sua vontade, serem visíveis ou invisíveis para os seres humanos;


6. De acordo com linguistas, o nome “fada” vem do latim “fatum”, que significa “destino”. Isso porque acreditavam que elas poderiam interferir de forma mágica no destino das pessoas, como a fada fez no conto “Cinderela”;

7. Na Europa é muito comum que pessoas seguidoras da religião wicca digam conseguir ver fadas e entrar em contato com elas, sendo que essas fadas trariam mensagens de pessoas do “outro mundo”, ou seja, do mundo dos mortos, do além;

8. Para os antigos celtas, as fadas eram espíritos das florestas, como no Candomblé temos a entidade chamada Capitão da Mata. Assim, as fadas seriam protetoras dos rios, riachos, árvores e animais, e muitas vezes os seres humanos infringiam leis das fadas – leiam-se leis da natureza – ao caçarem em “território não permitido”;

9. Já de acordo com a mitologia nórdica dos vikings, as fadas seriam a contraparte feminina dos elfos e dos duendes, que protegiam a natureza e os animais não domesticados;

10. Nos anos de 1920, na Inglaterra, algumas fotos de supostas fadas e duendes de verdade apareceram nos jornais e ficaram conhecidas como “as fadas de Cottingley”. Muitas revistas tentaram entender quem eram aquelas criaturas, o que fez com que as pessoas acreditassem na real existência desses seres folclóricos;


11. Em relação às fotografias surpreendentes das chamadas “fadas de Cottingley”, posteriormente lançaremos um post falando sobre elas, mas já adiantamos que houve decepção nos anos 70, quando as autoras disseram que se tratava de uma farsa muito bem montada;

12. Apesar de as autoras terem afirmado se tratar de uma fraude, muitas pessoas dizem que as fadas e duendes eram reais, mas as autoras das fotografias foram forçadas pelo governo britânico para negarem a existência destes seres a fim de diminuir o possível misticismo e retorno ao paganismo;

13. Segundo a teosofia, os espíritos da natureza podem ser categorizados hierarquicamente, na forma como veremos a seguir: (1) anjos/devas: seres luminosos de grande inteligência que agem como orientadores da natureza e supervisores dos espíritos de menor importância. (2) elementais/fadas: espíritos dos quatro elementos (ar, água, terra e fogo);

14. As elementais do ar são divididas em sílfides ou fadas das nuvens e fadas das tempestades. As primeiras vivem nas nuvens, são dotadas de elevada inteligência e sua principal atividade é transferir luz para as plantas; interessam-se muito também por animais e por pessoas, para as quais podem agir como protetoras e guias. As fadas das tempestades possuem grande energia e circulam sobre as florestas e ao redor dos picos das montanhas; costumam ser vistas em grupos pelas alturas e só descem à superfície quando o vento está forte;

15. As elementais da terra têm seus principais representantes os gnomos, criaturas de cerca de um metro de altura que vivem no interior da terra (embora existam gnomos da floresta, que cuidam basicamente das raízes das plantas). Os kobolds, menores que os gnomos, são mais amigáveis e prestativos para os humanos que seus parentes, embora sejam igualmente cautelosos. Os gigantes são entidades enormes que costumam estar ligados à montanhas, embora também possam viver em florestas antigas. Finalmente, os devas da montanha, são os elementais da terra mais evoluídos, entidades que permeiam e trabalham com uma montanha ou uma cadeia inteira de montanhas, com sua consciência tão profundamente imersa na Terra que mal tomam conhecimento da existência de criaturas de vida breve, como os homens;


16. Elementais do fogo: as salamandras ou espíritos do fogo, habitam o subsolo vulcânico, os relâmpagos e as fogueiras. São mais poderosas que as fadas dos jardins, mas estão mais distantes da humanidade também. São espíritos de transformação, responsáveis pela conversão de matéria em decomposição em solo fértil. Podem agir também como espíritos de inspiração, mediadores entre o mundo angélico e os níveis físicos de criação (ou seja, agem como musas);

17. As elementais das águas são representadas pelas ninfas, ondinas, espíritos das águas e náiades. São responsáveis por retirar energia do sol para transmiti-la à água. As ninfas estão ligadas às águas, mas também às montanhas e florestas. Regulam o fluxo da água na crosta terrestre e dão personalidade e individualidade a locais aquáticos, tais como poços, lagos e fontes. Podem assumir a forma de peixes, os quais protegem. As ondinas parecem estar restritas a determinadas localidades, sendo responsáveis pelas quedas d’água e a vegetação circundante. Os espíritos das águas vivem em rios, fontes, lagos e pântanos. Assemelham-se a belas donzelas, muitas vezes com caudas de peixe; gostam de música e dança, e têm o dom da profecia. Embora possam ajudar eventualmente os seres humanos, estes têm de se acautelar com tais espíritos, que podem ser traiçoeiros e afogar pessoas. Da mesma forma que os espíritos das águas, as náiades presidem os rios, correntezas, ribeiros, fontes, lagos, lagoas, poços e pântanos;

18. De acordo com alguns teóricos das religiões pagãs célticas, as fadas são expulsas com o fenômeno da industrialização (poluição) e crescimento das cidades (diminuição das áreas verdes), e por isso não são mais vistas com frequência como há alguns séculos. Este seria o motivo pelo qual elas teriam desaparecido quase que completamente, e só aparecido a pessoas iniciadas no ocultismo;

19. Há uma tradição em Portugal, no Brasil, no Canadá, no Reino Unido e nos Estados Unidos e noutros países europeus, segundo a qual a Fada do Dente viria à noite para trocar o dente de leite da criança, colocado sob o travesseiro, por uma moeda ou um pequeno presente;

20. De acordo com alguns historiadores, a lenda da Fada do Dente remonta o século 19 no Reino Unido e nos Estados Unidos, quando os dentes das crianças eram usados em dentaduras para os ricos burgueses, que queriam ter aparência natural da dentição, e por isso os pais induziam as crianças a guardarem seus dentes – pois depois os venderia ao dentista mais próximo a um bom preço;


21. Na cultura popular temos a Lorelei, fada do folclore alemão, de longos cabelos dourados, que canta nas costas do Mar do Norte para atrair os navios e barcos e matar os homens afogados, em vingança a todos os marinheiros porque foi um dia traída por um;

22. Na história do Rei Arthur há várias fadas, entre elas a chamada Vivianne, que era amante do mago Merlin. Outra bastante conhecida por todos nós é Tinker Bell, por aqui mais conhecida como Sininho, fada fiel e ajudante de Peter Pan, e platonicamente apaixonada por ele.


quinta-feira, 22 de maio de 2014

E se o Brasil tivesse sido colonizado pelos holandeses e/ou pelos franceses?!

Hoje nós vamos falar um pouco sobre dois temas extremamente complexos, mas que, às vezes, fazem a cabeça de pessoas com pouco senso histórico-político-sociológico. Trata-se de um ramo novo do estudo da História conhecido como “história alternativa”, que seria a metodologia do famoso “e se fosse diferente?”; essa metodologia tem ganhado força no campo da ficção científica, mas abre portas para debatermos temas bem específicos da nossa realidade historiográfica.

Durante a década de 80 era muito comum observarmos em sala de aula alguns professores reclamarem da situação em que se encontrava a economia do país e falarem que se nossa colonização tivesse sido francesa ou holandesa, a coisa seria diferente naqueles tempos e hoje em dia. Isso porque França e Holanda tentaram montar colônias por aqui algumas vezes. Mas a pergunta que fica: será que realmente seríamos diferentes com esses dois tipos de colonização? É o que vamos debater um pouco deste complexo sistema alternativo de historiografia e tomaremos exemplos palpáveis da geopolítica atual.


A colonização holandesa no Brasil...
No século 17, duas vezes a Holanda tentou constituir colônias no litoral nordeste do Brasil, sendo que na segunda vez obteve algum sucesso ficando durante alguns anos na capitania de Pernambuco, sendo a cidade do Recife a capital sob o comando de Maurício de Nassau. Durante a invasão holandesa (ou como alguns autores chamam, “Brasil holandês”), houve um incentivo às artes, construção de palácios do governo, liberdade de expressão, liberdade religiosa (quando foi construída no Recife a primeira sinagoga das Américas) e vários estudiosos e pintores vieram para este pedaço de chão brasileiro em missões.

Entretanto, o colonialismo holandês não era diferente do português praticado no restante do litoral. Éramos somente um entreposto comercial para negociação de escravos e açúcar, e meio caminho até a Ásia e a outra colônia holandesa, onde hoje temos a Indonésia (na época conhecida como Batávia).

Apesar da construção de palácios, escolas e pontes, a estrutura e da liberdade religiosa da colonização holandesa no Brasil, não podemos deixar de lado a lembrança de que permanecia a escravidão de negros e de índios e que tanta “liberdade” tinha como prefixo mostrar aos pernambucanos que era melhor terem os holandeses como aliados do que os portugueses, que nada faziam de obras públicas. Mas, na realidade, essas obras eram feitas somente para desfrute dos mais ricos, pois havia pedágios nas pontes.


A colonização francesa no Brasil...
Também no Brasil tivemos, também por duas vezes, as tentativas dos franceses calvinistas de formarem colônias no nosso território. A primeira em 1555, com a primeira fundação do Rio de Janeiro, refundado por portugueses vencedores dez anos depois; e a segunda, no Maranhão, sendo a cidade de São Luís a única do Brasil fundada por franceses.

A colonização francesa sobre o território brasileiro tinha os aspectos religioso e econômico; os protestantes franceses (huguenotes) fundaram uma vila onde hoje é a cidade do Rio de Janeiro, e depois os católicos vieram a fundar São Luís do Maranhão como um entreposto comercial para a comercialização de açúcar.



O que podemos reparar é que as tentativas franco-holandesas de formação de colônias no território brasileiro não tinham como principal aspecto a habitação, como ocorria na Nova Inglaterra, com os calvinistas no nordeste do atual Estados Unidos. Havia toda uma preocupação em escravizar pessoas, extrair da terra o pau-brasil, exportar açúcar e tentar encontrar ouro e prata, o que já era realidade nas colônias americanas da Espanha. Não havia preocupação com a população, mas sim com a manutenção do latifúndio, da escravidão e dos privilégios da burguesia agrária.

Os resultados das colonizações...
Tentar resumir este assunto complexo em um post não é tarefa fácil. É um assunto que renderia livros e mais livros, com muitas visões de historiadores e dos fatos em si. Mas o que queremos é mostrar, ainda que resumidamente, que nem tudo seria um mar de rosas caso fôssemos realmente colonizados por franceses ou holandeses, como se supunha dizer na década de 80. Não seríamos um país de primeiro mundo falando holandês, muito menos seríamos uma potência francófona. Alguns historiadores estão certos ao afirmarem que a melhor invenção de Portugal foi ter feito o Brasil dar certo com uma unidade territorial imensa, com cultuas tão diferentes. Vejamos alguns exemplos dos nossos colegas franceses e holandeses.

A França teve suas colônias em dois pontos do continente americano: no norte, nos territórios hoje pertencentes ao Canadá e aos Estados Unidos, e no Caribe, principalmente no Haiti. Sob mãos de ferro, a colônia do Haiti era comandada por uma elite branca que vendia o açúcar a preço baixíssimo e usava a mão de obra negra como principal meio de trabalho. Após uma violenta revolta escrava, em 1804 o Haiti foi a primeira colônia latina a ficar independente. No entanto, hoje o país é o mais pobre do continente.

No século 19, a França também fez o neocolonialismo na África, na busca de mercado para seus produtos industrializados. O ápice chegou à Guerra de Independência da Argélia, nos anos 60 do século 20. Isso causou um número enorme de refugiados e mortos, enquanto a França também fazia de tudo para não largar sua colônia asiática, a Indochina, hoje Vietnã, Laos e Camboja.



Já a colonização holandesa não foi muito diferente. Apesar de não terem tido sucesso no Brasil, os holandeses obtiveram imensos lucros nas Antilhas e na Indonésia. O tipo de colonização não foi diferente: escravocrata, extrativista, com privilégios de uma elite europeia e branca, com enormes propriedades rurais com vista à exportação. Na Indonésia, a Holanda só “largou o osso” depois de 1949, depois de o povo local lutar contra a invasão japonesa na Segunda Guerra e uma luta sem fim pela independência político-administrativa.

O que podemos dizer é que a História não é uma ciência exata, mas sim passível de interpretações. Podem haver vários pontos a favor da colonização franco-holandesa no Brasil, mas com certeza são muito poucos perto das desvantagens que sofreram os outros países colonizados por estas potências europeias. Não digo que a colonização portuguesa tenha sido melhor, mas apenas afirmo que teríamos mais do mesmo, uma vez que o que imperava na Europa era uma luta de poder entre reinos à procura de um caminho mais fácil para especiarias asiáticas e o desejo que ter mais ouro e prata que a Espanha.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Urinoterapia: tratamento médico à base de urina. Fato ou farsa?!

Com certeza você já deve ter ouvido falar em pessoas que consomem a própria urina logo de manhã cedo, em jejum, no café da manhã, para curar algum tipo de doença. Pode parecer nojento, mas isso tem nome: urinoterapia, e é muito mais antiga do que podemos supor.


De acordo com os profissionais, a urinoterapia é uma espécie de doutrina antiga que propõe como tratamento o uso da urina humana para fins comerciais e cosméticos. Exemplos de aplicação incluem a ingestão da própria urina ou massagem da pele com urina. Mas a urinoterapia tem duas vertentes, uma mais comum e outra nem tanto. A mais comum, se assim dizemos, é a pessoa consumir a própria urina; a menos comum e que sofre maior preconceito é o tratamento usando urina de outras pessoas e/ou de animais variados – como a vaca e o cachorro.

A urina humana constitui-se principalmente de água e ureia, sendo que este último componente possui muitos usos diferentes e comerciais. A urina também contém pequenas quantidades de milhares de outros componentes, hormônios, metabólitos incluindo corticosteroides e glicose.

Em países do Oriente como a Índia, o Nepal, o Japão, a China e a Tailândia, a urinoterapia do tipo menos comum é uma das mais usadas. Por lá há várias farmácias especializadas em vender urina de vaca para tratamento de pele, por exemplo; na China e no Nepal, urina de tigre serve para dar potência sexual – de acordo com os especialistas, o que gera grande controvérsia sobre a urinoterapia.


Pesquisas realizadas pelo Instituto Genome Alberta, no Canadá, por sete anos seguidos, envolvendo mais de vinte pesquisadores interdisciplinares sobre a composição da urina humana, em sua última versão, revelaram mais de 41 mil metabolitos e quase seis mil proteínas e DNA, provando que a urina não é um líquido simples como supunha muitos cientistas.

Argumentos polêmicos a favor da urinoterapia...
- De acordo com a Universidade de Newcastle, na Austrália, beber urina de manhã restabelece os níveis plasmáticos de melatonina;
- A urina tem sido apontada como um elemento benéfico no tratamento de câncer, controlando ou mesmo revertendo seu avanço, conforme American Cancer Society;
- A prática ganhou alguns adeptos entre esportistas como o lutador brasileiro Lyoto Machida e o mexicano Juan Manuel Márquez;
- Relatos de ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial apontam para o poder cicatrizante da urina, isto se dá porque há grande concentração de cortisona, o que a torna antisséptica, bactericida e cicatrizante, sendo excelente também para tratamento de queimaduras;
- Os japoneses e indianos já conhecem a prática da urinoterapia há milênios, sendo que os primeiros a utiliza inclusive como cosmético, supostamente rejuvenescendo a pele com a aplicação de urina. Na Índia é conhecida há milênios como “shivambhu kalpa” e possui tradição na medicina ayurveda;
- Existem depoimentos de náufragos que excederam os limites de sobrevivência marítima bebendo a própria urina e no deserto é comum os viajantes usarem a mesma para saciar a sede, na falta de água potável;
- A atriz britânica Sarah Miles bebeu sua própria urina por mais de 30 anos, relatando benefícios imunológicos, combate a alergias entre outros benefícios para a saúde;
- Muitos jogadores de baseball são recomendados a usarem a própria urina para se livrarem dos seus calos nas mãos e pés;
- A diva do mundo pop Madonna certa vez declarou que usava urina para curar pé-de-atleta e tirar os calos dos pés. Entretanto, segundo sua biografia não autorizada, ela faz uso da urinoterapia para outros propósitos, como rejuvenescimento;
- Segundo estudos preliminares do London Cancer Hospital, o uso da urina como bebida pela manhã, em jejum, ajudaria pacientes com leucemia durante o tratamento da doença com medicamentos convencionais.


Argumentos contrários à polêmica urinoterapia...
- De acordo com grande parte dos biólogos e médicos, a urina faz parte de um complexo sistema de excreção do corpo humano, ou seja, um produto fisiológico que contém o “lixo” eliminado pelo corpo e que não teria a menor utilidade, ou então esses compostos químicos não seriam eliminados;
- O uso de urina como bebida medicinal pode aumentar os níveis de ureia e creatinina no sangue, o que pode comprometer o funcionamento normal dos rins;
- Ainda não há suporte científico tradicional cientificamente comprovado de tais técnicas para a saúde.

Na verdade, não há um consenso em relação à urinoterapia. Há vários indícios de benefícios, principalmente no Oriente, onde a técnica é usada há milênios; os usuários do tratamento alegam que a medicina ainda não abriu a mente para tentar novas possibilidades, como um todo no que diz respeito aos tratamentos orientais em geral.

sábado, 17 de maio de 2014

Você conhece o projeto Blue Book, sobre possível vida alienígena?! Fato ou farsa?!

Hoje vamos falar um pouco de uma das supostas teorias da conspiração mais faladas nos Estados Unidos e, principalmente, entre físicos, astrofísicos e ufólogos: o projeto conhecido como Blue Book, que teria sido arquitetado pela CIA e pelo FBI para tentar desenvolver uma biblioteca de casos referentes aos discos voadores, abduções, avistamentos e contatos com aliens em geral. A história é polêmica porque reúne muitos fatos concretos, mas também muitas fantasias.


De acordo com os estudos ufológicos, o projeto Blue Book teria sido o terceiro conduzido pelos escritórios da CIA e do FBI na famosa base da “Área 51”, local onde, supostamente, um OVNI teria caído há muitas décadas, deixando a população local alarmada com os corpos dos aliens. O objetivo principal do Blue Book era identificar e estudar casos relacionados a: avistamentos de discos voadores, abduções de seres humanos, supostos exames dentro de objetos voadores não identificados, contatos imediatos com seres de outros planetas etc.

O projeto durou muito tempo. Foi iniciado em 1952 e totalmente encerrado em janeiro de 1971 (alguns autores falam em 1970, enquanto outros dizem que, na verdade, ele nunca foi encerrado realmente). Foi antecedido pelo projeto Sign e pelo projeto Grudge. O objetivo do projeto Blue Book era determinar se os OVNI’s eram uma ameaça potencial para a segurança nacional norte-americana. Recolheram, analisaram e arquivaram milhares de notícias sobre OVNI’s. Este foi o último projeto da CIA e FBI relacionado aos extraterrestres de forma pública até agora.


O projeto Blue Book é interessante porque foi um dos únicos públicos que falavam sobre a possível existência de alienígenas na Terra. A partir dele e do que já foi liberado Hollywood trabalhou em diversos roteiros de filmes e seriados. Inclusive o seriado “Arquivo X” foi todo ele baseado no Blue Book e em possíveis casos reais que foram relatados aos militares durante o período de estudos, muitos deles inconclusivos.

Muitos historiadores e alguns ufólogos lembram-se do contexto histórico em que o Blue Book foi executado. As investigações ocorreram durante períodos delicados da Guerra Fria, conflito ideológico irrompido entre os Estados Unidos e a União Soviética entre 1945 e 1991. Neste período, muitos voos de espionagem aconteceram em territórios norte-americanos e aliados, empreendidos por forças soviéticas, o que fazia com que as pessoas confundissem as aeronaves com supostos discos voadores alienígenas.

Para alguns grupos de estudos ufológicos e aeronáuticos, a CIA e o FBI, junto ao Pentágono, patrocinou o projeto Blue Book com uma cara fictícia, bem de ficção científica, cujos objetivos eram outros totalmente diferentes: conhecer tecnologia soviética e espionagem. Estes seriam os motivos básicos de os avistamentos de OVNI’s sofrerem um verdadeiro “boom” na década de 1970, logo após episódios históricos da Guerra Fria, tais como a Guerra da Coreia, Guerra do Vietnã e a Crise de Mísseis em Cuba.


No entanto, outro grupo composto por ufólogos aponta que o projeto Blue Book foi genuíno e não uma farsa de ficção científica. Isto havia ocorrido porque os espiões norte-americanos já haviam reparado que os avistamentos e contatos imediatos não estavam ligados aos soviéticos e/ou chineses (ambos comunistas), mas sim a possíveis seres de outro planeta que estariam investigando a humanidade. Para estes ufólogos, o Blue Book foi um projeto genuíno de segurança nacional dos Estados Unidos em um período de histeria coletiva em que uma guerra nuclear com o inimigo russo estava por um triz.

Possíveis resultados divulgados do projeto...
Segundo o capitão Edward J. Ruppelt, até meados de 1951, vários generais de alto posto muito influentes da Força Aérea dos Estados Unidos estavam tão descontentes com o estado das investigações sobre OVNI’s que desmantelaram o projeto Grudge e o substituíram pelo projeto Blue Book no início de 1952.

Desta vez as investigações se dariam pelas mãos da CIA e do FBI para preservar a imagem e a identidade dos militares, sendo que os envolvidos no novo projeto estariam sob jurisdição do Pentágono, junto aos escritórios centrais da CIA e do FBI.

Durante o tempo que durou, finalizado em 1970, foram recolhidos 12.618 indícios, e ao final concluiu-se que a maioria era interpretações equivocadas de fenômenos naturais (nuvens, estrelas, relâmpagos etc.) ou aviões convencionais. Essa mesma conclusão chegou o grupo independente e interdisciplinar de investigações de ufologia MUFON, que tem colaboradores em todo o mundo, em diversas especialidades.


De acordo com os relatórios do Blue Book, 97% dos casos eram relacionados a erros de identidade e os outros 3% restantes caberiam uma investigação mais cautelosa e duradoura, o que o governo norte-americano não dispunha no momento, uma vez que havia a classificação de “banalidades”. Atualmente as taxas de investigações da MUFON são parecidíssimas: 98% de erros de identidade variados, incluindo fraudes, e 2% de casos a serem mais bem explicados.

Segundo os relatórios do projeto Blue Book, muitos casos foram considerados fraudes porque as pessoas queriam aparecer na mídia de alguma forma. Ao todo 701 casos foram classificados como “até então inexplicáveis”. As informações foram arquivadas e estão disponíveis sob a Lei de Liberdade de Informação, mas os nomes dos testemunhos e outras informações pessoais foram eliminados para preservar a identidade das fontes e evitar sensacionalismo da mídia.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tesão de vaca: fato ou farsa?! Uma das mais famosas lendas urbanas da história...

Hoje nós vamos falar de uma lenda urbana extremamente popular nas últimas décadas, que não faz sucesso somente no Brasil, mas também em alguns países da América Latina – tais como: Argentina, Chile, Colômbia e México. Trata-se do chamado “tesão de vaca”. Será que isso realmente existe, tem algum fundo de verdade, ou simplesmente é uma farsa total? É o que vamos descobrir na postagem de hoje.


Tesão de vaca é uma lenda urbana surgida nos anos 80 na Argentina, referente a um suposto composto químico que, ao ser colocado na bebida das mulheres, geralmente em noitadas em boates, faria com que tivessem sua libido aumentada a níveis extremamente altos e acima do normal, passando a ter, momentaneamente, uma vontade obsessiva de praticar sexo com quem quer que fosse.

De acordo com a lenda urbana, o tesão de vaca seria um medicamento de uso veterinário, proibido para humanos, que faria com que vacas, ovelhas e éguas tivessem a ovulação exacerbada no cio e aumentasse a vontade de ter o coito com o macho, facilitando a gravidez destes animais.


Aproveitando-se desta lenda urbana disseminada na América Latina, e mais recentemente nos Estados Unidos, diversas empresas produtoras de itens para sex shops produzem supostos afrodisíacos com o nome “tesão de vaca” em seus produtos a fim de chamar comércio e publicidade boca a boca. Entretanto, há muitos esclarecimentos que devem ser pontuados em relação a isso.

1º esclarecimento – Em 2007, uma página mantida pelo Ministério da Saúde do Brasil traz o relato de uma menina que alegou ter tomado tesão de vaca antes de ter perdido a virgindade, sendo que este teria sido ministrado misturado a um refrigerante de guaraná;
2º esclarecimento – Em uma petição à Câmara Municipal de Unaí, Minas Gerais, um vereador apresentou uma denúncia contra a diretora de uma escola municipal, e dentre os supostos fatos citados estava a intenção da mesma em colocar o tesão de vaca na bebida de uma professora;
3º esclarecimento – Em setembro de 2011, um menor foi internado em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, com a informação de que teria ingerido tal substância;
4º esclarecimento – Na Argentina há várias histórias envolvendo suposto uso de tesão de vaca contra jovens em boates, festas e escolas.


Mas há outro ponto que deve ser considerado. De acordo com zootécnicos de universidades federais em diversos sites e blogs esclarecedores, há medicamentos que fazem, sim, o serviço da ovulação da fêmea ser acelerado, mas isso é feito mediante aplicação – via injeção – de hormônios específicos e que demoram certo tempo para atuarem no sistema reprodutor. Entretanto, a história do tesão de vaca instantâneo através da ingestão de comprimidos não é válida, de acordo com os zootécnicos.

Portanto, o tesão de vaca pode até existir, mas não pode existir na forma como as lendas urbanas latinas o concebem: um comprimido “milagroso” colocado na bebida das mulheres em festas. Ele só faria efeito desejado após a aplicação coordenada dos hormônios. Entretanto, no Paraguai, a droga ecstasy é conhecido como tesão de vaca.


De um modo geral, podemos dizer que o tesão de vaca existe e não existe ao mesmo tempo. Existe porque há medicamentos específicos na forma de hormônios e injeções tratados durante um tempo; e não existe porque não há uma maneira de fazer a mulher ovular instantaneamente mediante o uso de comprimidos escondidos na bebida.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Você sabe quem foram os fariseus? Por que eles são tão comentados na história religiosa?

Fariseu é o nome comumente dado a um grupo de judeus radicais devotos da Torá surgidos no século 2 antes de Cristo. Opositores de outro grupo de judeus, os saduceus, criaram uma lei oral em conjunto com a lei escrita, mas sua grande importância é a criação das sinagogas como ponto máximo de encontro dos seguidores do Judaísmo. Entretanto, na nossa cultura popular, os fariseus são ditos como mesquinhos, arrogantes, traidores, assassinos de Jesus. Mas qual será a verdadeira história dos fariseus?


Com a morte de Jesus e a destruição de Jerusalém em 70 d.C. e a queda do poder dos saduceus, cresceu a influência dos fariseus dentro da comunidade judaica, se tornando precursores do judaísmo rabínico, com formação de homens em seminários para a função de rabino. Já a palavra “fariseu” tem o significado de “separados” ou “santos” – isso porque eles viviam em separado dos outros judeus que não levavam tão a sério os mandamentos da Torá.

Sua oposição ferrenha ao Cristianismo rendeu-lhes através dos tempos uma figura de fanáticos e hipócritas que apenas manipulam as leis para seu interesse. Esse comportamento deu origem à ofensa “fariseu”, comumente dado às pessoas dentro e fora do Cristianismo, que são julgados como religiosos aparentes. Mas essa origem de ofensa tem a ver diretamente com o antissemitismo que surgiu na Europa medieval.


Apesar do aspecto cultural negativo sobre os fariseus, graças a eles o Judaísmo segue vivo até os dias de hoje com uma importante tradição cultural e idiomática do hebraico. Isso porque eles fundaram as primeiras sinagogas, mostraram a importância de ler e escrever para se ter acesso à palavra de Deus, formaram as grades de estudos básicos para a formação de rabinos etc. Muitos cristãos e judeus não sabem deste aspecto cultural e histórico desta parte dos judeus, que até hoje levam uma tremenda má fama.

A origem mais provável dos fariseus é que tenham surgido do grupo religioso judaico chamado “hassidim”, que apoiou a revolta dos macabeus (168-142 a.C.) contra Antíoco IV Epifânio, rei do Império Selêucida, que incentivou a eliminação de toda cultura não-grega através da assimilação forçada e da proibição de qualquer fé particular. Uma parte da aristocracia da época e dos círculos dos sacerdotes apoiaram as intenções de Antíoco, mas o povo em geral, sob a liderança de Yehudah Makkabi (Judas Macabeu) e sua família revoltou-se.

Os judeus conseguiram vencer os exércitos helênicos e estabelecer um reino judaico independente na região entre 142 a.C.- 63 a.C., quando então foram dominados pelos romanos. Durante este período de 142-63 a.C., a família dos macabeus estabeleceu-se no poder e iniciou uma nova dinastia real e sacerdotal, dominando tanto o poder secular como o religioso. Isto provocou uma série de crises e divisões dentro da sociedade israelita da época, visto que pelas suas origens os macabeus (também conhecidos pelo nome de família como asmoneus) não eram da linhagem de Davi, não podendo assim ocupar o trono de Israel, e também não eram da linhagem sacerdotal araônica.


Foi provavelmente nesta época que alguns grupos apareceram dentro da sociedade judaica, começando a estabelecer um certo tipo de divisão de posturas, normalmente com relação à política e/ou à religião e com a vida em geral, e com isso se relacionando com a maneira de pensar e de se encaixar na sociedade da época.

Dois dos grupos são: os saduceus, clamando ser os legítimos descendentes de Tzadok e portanto os legítimos detentores do sumo-sacerdócio e da liderança religiosa em Israel; e os fariseus, oriundos dos hassidim que, geralmente, desiludidos com a política, voltaram-se para a vida religiosa e estudo da Torá, esperando pela vinda do Messias e do reino de Deus.

Outras linhas já existiam há algum tempo e tiveram também seu papel neste cenário, mesmo que de maneira indireta ou subjetiva; um exemplo são os essênios, que viviam mais em uma vida de consagração ao Criador se estabeleciam na região do deserto, nos montes, como o Carmelo, e em algumas outras regiões a fim de preparar o caminho para a vinda do Rei Messias.


Os fariseus agrupavam-se em “havurot”, associações religiosas que tinham os seus líderes e suas assembleias, e que tomavam juntos as suas refeições. Segundo Flávio Josefo, historiador do 1º século d.C., o número de fariseus na época era de pouco mais de seis mil pessoas.

Eles estavam intimamente ligados à liderança das sinagogas, ao seu culto e escolas. Eles também participavam como um grupo importante, ainda que minoritário, do Sinédrio, a suprema corte religiosa e política do Judaísmo da época. Isso rompe totalmente com a ideia de que os fariseus que manipulavam e eram maior número no Sinédrio no período do julgamento de Jesus Cristo.

Muitos dentre os fariseus tinham a profissão de escribas, ou seja, as pessoas responsáveis pela transmissão escrita dos manuscritos e da interpretação dos mesmos. Duas escolas de interpretação religiosa se desenvolveram no seio dos fariseus e se tornaram famosas: a Escola de Hillel e a Escola de Shammai. A Escola de Hillel era considerada mais liberal na sua interpretação da Lei, enquanto a de Shamai era mais estrita. No entanto, os fariseus eram uma seita de grande influência em Israel devido ao ensino religioso e político. Aceitavam a Torá escrita e as tradições da Torá oral, na unicidade do Criador, na ressurreição dos mortos, em anjos e demônios, no julgamento futuro e na vinda do rei Messias. Eram os principais mestres nas sinagogas, o que os favoreceu como elemento de influência dentro do Judaísmo após a destruição do Templo. São precursores por suas filosofias e ideias do Judaísmo rabínico.


Por terem uma preocupação muito grande com a vinda do Messias em tempos tão difíceis, quando sua terra foi invadida por Roma e sua cultura praticamente destruída pela helenização, talvez seja o motivo de os fariseus ficarem tão incomodados com as pregações de Jesus Cristo, uma vez que ele mudou muito do que está escrito na Torá através de novos ensinamentos – tais como a cura no Shabáth, enquanto este deveria ser um dia santo de guarda, e não de trabalho.

Com o tempo os fariseus foram sumindo, e de acordo com a maior parte dos historiadores e teólogos o resquício de seu pensamento está diretamente ligado ao Judaísmo ortodoxo, com homens que tentam seguir à risca a Lei e se dedicam ao estudo dela. Abaixo temos algumas frases importantes supostamente atribuídas aos mestres fariseus:

“A verdade é o selo de Deus”
“Aquele que comete uma falta em segredo, nega a onipotência de Deus”
“Ditoso o homem que sai deste mundo, limpo e sem pecado, como entrou”
“Mais que toda ação religiosa, Deus quer um coração puro”
“Mais vale estar entre os perseguidos que entre os perseguidores”
“Não julgues teu próximo até que te encontres no lugar dele”
“Sêde dos discípulos de Arão, amai a paz e sacrificai tudo para mantê-la”
“Toda oração deve ser precedida por um ato de caridade”


De um modo geral podemos dizer que muito do que conhecemos sobre os fariseus são mitos criados pelo antissemitismo e pelo messianismo cristão da Idade Média. Graças a eles temos até hoje uma cultura hebraica viva, e principalmente: graças aos fariseus nos seus ofícios de escribas temos uma Bíblia que não se perdeu no tempo nem na oralidade. Isso já deveria ser o fato de agradecimento por parte dos cristãos, e não de acusações que já duram milênios.

sábado, 10 de maio de 2014

Considerações e apontamentos sobre Zecharia Sitchin, um dos pioneiros da teoria dos deuses astronautas...

Hoje vamos fazer uma singela homenagem a um dos maiores teóricos dos deuses astronautas, o escritor e estudioso Zecharia Sitchin (foto abaixo), nascido na antiga União Soviética, em território hoje correspondente ao Azerbaijão. Sitchin, ao longo da vida, colecionou muitos amigos e inimigos, aliados e críticos severos, por causa dos seus escritos sobre a formação da Terra e da população que aqui reside há milhares de anos. Uma das suas ferramentas de trabalho foi a reinterpretação das escritas cuneiformes dos sumérios, o que gerou o maior mal-estar entre os arqueólogos e o escritor.



1. Zecharia Sitchin nasceu em 1920, na cidade de Baku, e morreu no ano de 2010 na cidade de Nova York. Foi um importante autor de livros que defendem uma versão da teoria dos deuses astronautas antigos para a origem da nossa humanidade;

2. Ele atribui a criação da antiga cultura suméria aos chamados “anunnaki”, uma raça de extraterrestres nativa de um planeta chamado Nibiru, que se encontraria nos confins do nosso Sistema Solar. Sitchin afirma que a mitologia suméria é a evidência disto, embora suas especulações sejam descartadas pela maioria dos cientistas, historiadores e arqueólogos convencionais, que discordam de sua tradução dos textos antigos e de sua interpretação da física;

3. De acordo com a interpretação que Sitchin faz da cosmologia suméria, haveria um planeta desconhecido de nossa ciência que segue uma órbita elíptica e demorada, passando pelo interior do Sistema Solar a cada 3.600 anos. Este planeta chamaria-se Nibiru (associado ao deus Marduk na cosmologia babilônica);

4. Segundo Sitchin, um dos satélites de Nibiru teria colidido catastroficamente com Tiamat, outro planeta hipotético, localizado por Sitchin entre Marte e Júpiter. Esta colisão teria formado o planeta Terra, o cinturão de asteroides, e os cometas. Tiamat, conforme descrito no “Enuma elish”, o épico da criação mesopotâmico, é uma deusa. De acordo com Sitchin, contudo, Tiamat era o que é agora conhecido como Terra. Quando atingido por uma das duas luas do planeta Nibiru, Tiamat teria se partido em dois. Numa segunda passagem, o próprio Nibiru teria atingido um dos fragmentos e metade de Tiamat teria se tornado o cinturão de asteroides. A segunda metade, após capturar a órbita de uma das luas de Nibiru (a nossa Lua), seria empurrada para uma nova órbita e tornar-se-ia o atual planeta Terra;

5. Este cenário é difícil de ser conciliado com a atual pequena excentricidade orbital da Terra de apenas 0,0167. Os defensores de Sitchin mantém que isso explicaria o formato oblongo do nosso planeta, cuja distância entre os polos é ligeiramente menor que o diâmetro na linha do equador. Também explicaria a peculiar geografia antiga da Terra, devido à acomodação após a colisão celeste, entenda-se, continentes sólidos de um lado e um oceano gigantesco do outro. Embora isto seja consistente com a hipótese do impacto gigante e posterior alteração de órbita que teria originado a Lua, estima-se que esse acontecimento tenha ocorrido há 4 bilhões de anos;

6. O cenário delineado por Sitchin, com Nibiru retornando ao interior do Sistema Solar regularmente a cada 3.600 anos implica numa órbita com um eixo semiprincipal de 235 unidades astronômicas, estendendo-se do cinturão de asteroides até 12 vezes mais distante do Sol que Plutão;



7. A teoria da perturbação elementar indica que, sob as circunstâncias mais favoráveis de escapar-se de impactos diretos com outros planetas, nenhum corpo com uma órbita tão excêntrica conseguiria manter o mesmo período por duas passagens consecutivas. Dentro de doze órbitas, o objeto seria expulso ou converter-se-ia num corpo de período breve. Portanto, a busca por um planeta transplutoniano por T. C. Van Flandern, do Observatório Naval dos EUA, que Sitchin usa para justificar sua tese, não se sutenta;

8. De acordo com a teoria de Sitchin, posto isto, a partir de um começo equilibrado, os nefilim evoluíram em Nibiru 45 milhões de anos à frente do desenvolvimento comparado na Terra, com seu ambiente claramente mais favorável;

9. Tal resultado é improvável, para dizer o mínimo, uma vez que Nibiru passaria 99% de seu período além de Plutão. A explicação de Sitchin que o calor de origem radioativa e uma grossa atmosfera manteriam Nibiru aquecido é absurda e não resolve o problema da escuridão no espaço profundo. Também inexplicado é como os nefilim, que evoluíram muito depois da chegada a Nibiru, sabiam o que aconteceu com o planeta quando entrou pela primeira vez no Sistema Solar;

10. De acordo com Sitchin, Nibiru era o lar de uma raça extraterrestre humanoide e tecnologicamente avançada chamada de anunnaki no mito sumério, que seriam os chamados nefilim da Bíblia. Ele afirma que eles chegaram à Terra pela primeira vez provavelmente 450.000 anos atrás, em busca de minérios, especialmente ouro, que descobriram e extraíram na África;

11. Esses “deuses” eram os militares e pesquisadores da expedição colonial de Nibiru ao planeta Terra. Sitchin acredita que os annunaki geraram o Homo Sapiens através de engenharia genética para serem escravos e trabalharem nas minas de ouro, através do cruzamento dos genes extraterrestres com os do Homo Erectus;

12. Ele afirma que inscrições antigas relatam que a civilização humana de Sumer na Mesopotâmia foi estabelecida sob a orientação destes “deuses”, e a monarquia humana foi instalada a fim de prover intermediários entre a humanidade e os annunaki. Ele crê que a radioatividade oriunda de armas nucleares usadas durante uma guerra entre facções dos extraterrestres seja o “vento maligno” que destruiu Ur por volta de 2000 a.C. (segundo ele, o ano exato seria 2024 a.C.), descrito no Lamento por Ur;



13. Em agosto de 2002 o Museu Britânico em Londres revelou caixas não abertas encontradas no porão do museu da época de Woolley contendo esqueletos das Tumbas Reais de Ur de uma deusa rainha, depois descoberta como Ninpuabi, filha de NINSUN (anunnaki) + LUGALBANDA (semi-deus anunnaki), sendo irmã mais nova de Gilgamesh, o mesmo das tábuas sumérias, neta de INANNA, que era NETA DE ANU rei de Nibiru;

14. Procurando saber se haveria planos para examinar DNA nesses ossos, Sitchin entrou em contato com o museu. Educadamente ele foi informado de que não havia planos para tal. Através de petições ao museu, o mesmo desejava fazer o mapeamento genético da deusa e compará-lo ao humano, mostrando assim nosso parentesco extraterrestre;

15. Logo antes de morrer, Sitchin esteve internado devido a um grave problema abdominal. Quando saiu do hospital, ele expressou seu desejo (último desejo): “Depois de algum repouso espero voltar à plena atividade relacionada ao meu livro mais recente, e ao Projeto Genoma da Deusa de Ur”. Porém nunca chegou a finalizar esse projeto;

16. Segundo Sitchin, a última passagem de Nibiru foi em 556 a.C., considerando sua órbita de 3.600 anos, seu retorno está previsto por volta de 2900. Entretanto, acreditava que os anunnaki poderão retornar antes, e que o momento do retorno coincidirá com a mudança astrológica da Era de Peixes para Era de Aquário, em algum momento entre 2090 e 2370;

17. Quando Sitchin escreveu seus livros, apenas os especialistas podiam ler a linguagem suméria, mas agora qualquer um pode conferir suas traduções através de um livro de 2006, o “Sumerian lexicon”;

18. A perspectiva da "colisão planetária" por Sitchin tem ligeira semelhança com uma teoria levada a sério por astrônomos modernos – a teoria do impacto gigante sobre a formação da Lua há cerca de 4,5 bilhões de anos por um corpo chocando-se com a recém-formada Terra;



19. A proposta de Sitchin de uma série de colisões planetárias desgarradas difere em detalhes e sincronia. Como na tese anterior de Immanuel Velikovsky em “Worlds in collision”, Sitchin afirma ter achado evidências de antigos conhecimentos humanos sobre movimentos celestes desgarrados em diversos relatos míticos;

20. No caso de Velikovsky, estas colisões interplanetárias eram passíveis de ocorrerem dentro do período da existência humana, enquanto que para Sitchin estas ocorreram durante os primeiros estágios da formação planetária, mas entraram para o relato mitológico através da raça extraterrestre que supostamente evoluiu em Nibiru após estes choques;

21. Sitchin baseia seus argumentos em suas interpretações pessoais de textos pré-nubianos e sumérios e no selo VA 243. Ele afirma que estas civilizações antigas tinham conhecimento de um décimo-segundo planeta, quando de fato, mesmo somando-se o Sol e a Lua, eles conheciam apenas sete corpos celestes, todos chamados por eles de “planetas”;

22. Centenas de selos e calendários astronômicos sumérios têm sido decodificados e registrados, e a contagem total de planetas verdadeiros em cada selo é de cinco. O selo VA 243 tem 12 pontos que Sitchin identifica como sendo planetas. Quando traduzido, o selo VA 243 diz, “Tu é seu servo”, o que agora considera-se uma mensagem de um nobre a um servo. De acordo com o semitologista Michael S. Heiser, o suposto Sol no selo VA 243 não é o símbolo sumério para o Sol, mas uma estrela, e os pontos também são estrelas. O símbolo no selo VA 243 não tem semelhança com o mesmo símbolo do Sol em centenas de inscrições sumérias;

23. Ideias semelhantes foram exploradas por autores como Immanuel Velikovsky, Erich von Däniken, Alan F. Alford e Laurence Gardner. Alford mais tarde reviria suas opiniões e criticaria a interpretação que Sitchin faz dos mitos;

24. O Raelismo, a religião idolatradora de Ovni’s, fundada por Claude Vorilhon, tira muitas de suas crenças da obra de Sitchin, bem como a religião Nuwaubiana fundada por Dwight York. Zetatalk, o culto na internet fundado pela autoproclamada contatada Nancy Leider, descreve o “Planeta X”, um grande objeto que afirmam colidirá com a Terra, como Nibiru, em referência às teorias de Sitchin;



25. As teorias de Sitchin foram principais para a construção, por Dänniken, da teoria dos deuses astronautas. Isso foi um diferencial bastante forte para a concepção da ufologia nas últimas décadas, trazendo novo fôlego para esses estudos como uma nova perspectiva de estudos;

26. Os livros de Sitchin foram duramente criticados por arqueólogos e especialistas na língua suméria, pois afirmavam que poderia haver erros grotescos de tradução e de interpretação a fim de que tais palavras levassem à teoria do autor. Esse debate é gigantesco até os dias de hoje entre os defensores dos planetas extrassolares;

27. No Brasil, muitos dos livros de Sitchin foram largamente publicados nos anos 70, mas principalmente na década de 1980. Aos interessados em conhecerem as teorias do autor seguem os títulos já publicados no Brasil: “O 12º planeta”, “A escada para o céu”, “O livro perdido de Enki”, “Guerra de deuses e homens”, “Os reinos perdidos”, “Gênesis revisitado”, “O começo do tempo”, “Encontros divinos”, “O código cósmico”, “O fim dos dias” e o mais recente, “Havia gigantes na Terra”.




quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (34)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Os gatos teriam um sexto sentido, ou um sentido especial?
Não se sabe disso ainda, uma vez que não há pesquisas científicas que estudem essa parte do folclore europeu, de que os gatos teriam um sentido especial – um sexto sentido – ao qual poderiam ver espíritos, almas penadas, observar a aura das pessoas maliciosas etc. Tudo isso faz parte de um contexto em que as bruxas medievais tinham muitos gatos como animais de estimação, e os pobres bichanos foram inseridos por osmose no mundo místico sem a menor culpa. O que acontece, de acordo com os veterinários, é que os gatos e cães são capazes de ouvir comprimentos de ondas inaudíveis aos seres humanos e, portanto, podem ouvir ruídos extremamente baixos e, então, perceberem movimentações de pequenos animais no ambiente, a chegada de alguém vindo da rua (pelo faro extremamente perspicaz). São habilidades biológicas que o ser humano ainda não pensa em ter a não ser através da conjugação de DNA’s, o que nos coloca no campo da ficção científica.


Por que Freud é tão popular e comentado?
Muitas pessoas falam as frases “Será que Freud entende?” ou “Será que Freud explica?”, sem na realidade entenderem o que o “pai da psicanálise” fazia realmente. Bem, ele interpretava sonhos, falava da sexualidade, dos hábitos alimentares dos pacientes, foi a fundo em uma parte que a sociedade vitoriana – moralmente enganada e enganosa – não queria expor. Assim, as pessoas diziam que Freud rompeu muitos tabus para época, como falar sobre sexualidade, alegando que os seres humanos faziam de tudo para satisfazer seus sentimentos primitivos: procriação, alimentação e proteção contra o tempo e os inimigos externos. Por isso ele ficou tão comentado e eternizado, por explicar tudo com base neste contexto da busca pelo prazer e satisfação dos desejos primitivos.


É verdade que o protestantismo também teve Inquisição?
Sim, é verdade. Geralmente aprendemos na escola, nas aulas de História, que a Igreja Católica praticou horrores contra pessoas que falavam contra aquilo que ela pregava, torturando e queimando em enormes fogueiras. Entretanto, na Holanda, norte da Alemanha e oeste da Suíça o Protestantismo promoveu enormes guerras e perseguições contra católicos, judeus e ciganos – principalmente na Alemanha; na Suíça era comum o método conhecido como “fogo lento”, quando as pessoas eram assadas lentamente em brasas. Também é válido lembrarmo-nos do clássico caso das Bruxas de Salem, nos Estados Unidos, quando os presbiterianos fundadores das Treze Colônias torturaram e mataram várias mulheres e homens em nome da fé, acusados de serem satanistas.

Qual a diferença entre os volumes da água oxigenada?
Todos nós percebemos que as embalagens de água oxigenada têm “volumes”: 10 volumes, 20 volumes, 40 volumes etc. De acordo com a química, esses volumes correspondem à porcentagem para se preparar em 100 ml de água oxigenada. Assim sendo, 20 volumes correspondem a 80 ml de água e 20 ml de peróxido de hidrogênio (H2O2). Portanto, quando mais forte o volume, mais forte será a água oxigenada e mais prejudicial para nossa saúde. Na indústria química há água oxigenada de até 80 volumes, que não é comercializada para o grande público. E quanto mais volumes, mais pastosa será a solução. A água oxigenada usada para desinfetar ferimentos é a mais fraca, de 10 volumes. Acima disso é puro uso estético para salões de beleza.

O português tem influência de outros idiomas?
A língua portuguesa é um idioma que nasceu do latim, nos tempos do Império Romano, quando houve a regionalização do latim oficial do império, e é por isso que o português se parece tanto com os demais idiomas latinos. Entretanto, como os idiomas são coisas vivas como os seres, eles vão se modificando com o tempo. Assim sendo, o latim é a base principal do português; o árabe vem em segundo lugar, pois Portugal foi invadido pelos mouros por quase oito séculos; em terceiro lugar vem o inglês, graças à globalização da informática. A título de curiosidade, algumas das muitas palavras de origem árabe: açafrão, álcool, elixir, azulejo, esmeralda, fulano, alface, sorvete, xadrez, açúcar, garrafa, jaca, laranja, melão, surra etc. Isso mostra como os idiomas são ricos sem que tenhamos conhecimento direto disso. O espanhol também é um idioma que tem forte influência árabe pelo mesmo motivo do português.