terça-feira, 29 de abril de 2014

Você conhece a história da última “bruxa” executada por ocultismo na Europa?!

Anna Göldi nasceu e morreu no território que hoje pertence à Alemanha. Viveu entre 1734 e 1782. Mesmo sendo muito pobre, acabou entrando para a história; não por conta de grandes feitos, mas por causa da ignorância e do preconceito que ainda habitavam no continente europeu na Idade Moderna. Anna Göldi entrou para a história como “a última bruxa a ser executada na Europa pela prática de bruxaria”.


Cenário em que ocorreu sua vida...
Logo após a Reforma Protestante, que separou o catolicismo em duas religiões distintas, a Europa entrou em verdadeiro caos religioso e político por conta dos seguidores de ambos os lados. O mais interessante é que tanto católicos quanto protestantes mantiveram sua fé embasadas em derrotar o que chamavam de práticas de bruxaria.

No movimento católico conhecido como Contrarreforma, a Santa Inquisição queimou vários protestantes, judeus e muçulmanos – todos acusados de praticarem bruxaria, serem contra as bulas papais e terem pacto com o diabo. Na mesma medida, na Alemanha, o movimento luterano, e na Suíça com o movimento calvinista, o protestantismo queimou muitas pessoas acusadas das mesmas práticas de bruxaria, o que culminou nos Estados Unidos no episódio trágico conhecido como “As bruxas de Salem”.

O pavor pelo desconhecido e pelas práticas tradicionais, entre elas a medicina homeopática, fazia com que qualquer um pudesse ser alvo desses julgamentos repletos de torturas. Tanto as igrejas católicas quanto as protestantes pediam aos seus fiéis que vigiassem os seus vizinhos, e por isso o clima de suspeitas foi aumentando em cada vila e em casa rua, em cada cidade e em cada família.

De acordo com a historiografia, muitos indivíduos acabaram sendo julgados, torturados e mortos através de falsas denúncias motivadas por invejas, fofocas, dívidas, descontentamentos, desavenças familiares etc. O mais interessante é que isso ocorria no período conhecido como Idade Moderna, onde se dizia que a razão e o Iluminismo governavam os seres humanos, enquanto que na Idade Média, período conhecido popularmente como escuridão do Ocidente, nada disso acontecia em enorme escala com uma “industrialização” dos processos religiosos.


Voltando à história de Göldi...
Göldi provinha de família humilde e trabalhava como empregada doméstica. Ela teve dois filhos, sendo que o primeiro morreu logo após o nascimento – como era comum à época por falta de vacinas e higiene. Mesmo assim, Anna Göldi foi acusada de infanticídio, condenada e punida.

Mais tarde viria a trabalhar como empregada na casa do médico, presidente de conselho, juiz e ministro de Johann Jakob Tschudi, pertencente a uma das mais ricas e influentes famílias do cantão de Glarus. De acordo com as alegações, Anna teria enfeitiçado o leite das filhas de Tschudi com agulhas. Além disso, membros da família Tschudi testemunharam que uma das filhas teria repetidamente cuspido agulhas. Recaiu sobre Anna a culpa por enfeitiçar uma das meninas e ela foi formalmente acusada por um tribunal protestante.


Sob tortura, Anna viria a admitir sua culpa por conjurar forças diabólicas – o que era comum acontecer: uso da tortura para conseguirem-se admissões. O conselho de Glarus condenou-a em 13 de junho de 1782 à morte pela espada. O veredito foi cumprido sem demoras e causou polêmica tanto na Suíça quanto na Alemanha. Na leitura do veredito a acusação de bruxaria foi removida e os autos do processo destruídos; Anna foi executada por envenenamento.

Partindo de análises de fontes até então desconhecidas, o jornalista Walter Hauser chega à conclusão de que Anna Göldi provavelmente mantinha um caso com seu amo Johann Jakob Tschudi e teria sido inclusive estuprada pelo mesmo. Já que adúlteros confessos não tinham a permissão de assumir cargos políticos, Tschudi teria provavelmente resolvido se livrar de Anna Göldi e iniciado o processo de bruxaria, que viria a terminar com a execução dela, muitas vezes gerando as “provas” contra as próprias filhas.

Assim sendo, Anna Göldi foi a última pessoa na Europa a ser condenada à morte por, formalmente, ser chamada de bruxa. Outros casos também foram julgados, mas os atos de bruxaria foram retirados do processo durante as torturas e julgamentos em um período que os Estados tinham religião oficial.

Em março de 2007 o governo cantonal e o conselho eclesiástico cantonal negaram uma Reabilitação de Anna Göldi por ocasião do 225º aniversário de sua morte, pois no consciente popular da população de Glarus ela já é tida como reabilitada. Para seu 225º aniversário de morte foi planejado a inauguração de um museu para a última bruxa da Europa. O Anna Göldi Museum encontra-se em Mollis e foi inaugurado em 22 de setembro de 2007.


No jornal “Zürcher Zeitung” foi publicada uma carta (foto acima) em forma de classificado emitido pelo cantão de Glarus em 09 de fevereiro de 1782 na qual a suposta bruxa era procurada:

O honorável estado de Glarus compromete-se por meio desta a pagar cem coroas reais de recompensa àquele que descobrir e trouxer à justiça Anna Göldi, abaixo descrita; através da presente as autoridades de mais alto posto e seus funcionários subalternos também são conclamados a ajudar de toda forma possível na apreensão deste pessoa; é de lembrar que ela cometeu o ato monstruoso de administrar incrivelmente uma porção de agulhas e outros objetos a uma inocente criança de oito anos de idade. Anna Göldi, da comuna de Sennwald, pertencente ao bailiado da Alta Sax e Forstek, na região de Zurique, aproximadamente 40 anos de idade, de estatura grande e robusta, rosto redondo e rosado, cabelos e sobrancelhas negras, tem os olhos meio adoentados, que se encontram geralmente avermelhados, sua aparência é abatida e fala dialeto sennwaldês, usa uma saia colorida à moda, uma camisa listrada azul com uma jaqueta azul de cordas, tschope damastênico cinza, meias brancas, uma capa negra, abaixo um chapelete branco e usa uma echarpe de seda preta. Data, 25 de janeiro de 1782”.

sábado, 26 de abril de 2014

Você conhece a história do disco voador de Itatira?! Fato ou farsa?!

O disco voador de Itatira foi um acontecimento já considerado clássico entre os ufólogos e investigadores do ramo no Brasil, ocorrido na pequena cidade de Itatira, no interior do Ceará (mapa abaixo). Chegou a render uma série de reportagens especiais no canal a cabo Globo News, e até hoje rende um amplo debate com versões diferentes entre céticos, ufólogos e especialistas em aeronáutica.


No mês de novembro de 2008, alguns moradores diziam ter visto um objeto voador não-identificado na cidade de Itatira, no sertão do Ceará, a 176 quilômetros da capital do estado, Fortaleza. Os moradores descrevem da mesma maneira: os objetos sem movem rápido, irradiam uma luz muito forte, provocam calor enorme e não emitem barulho algum.

As aparições, que se estenderam de 2008 a 2009 em Itatira já repercutiram em mais de 200 relatos extraordinários da presença de Ovni’s no pequeno município. Dezenas de moradores presenciaram o que relataram como “uma grande bola parecida com a lua” que pairava sob a serra da comunidade de Mourão, a poucos metros do centro da cidade. Os moradores da comunidade também testemunharam o objeto que permaneceu por alguns minutos “fixo” no céu e depois “desceu” escondendo-se atrás da serra. Muitos chegaram a tirar fotografias em celulares ou câmeras do que viram na noite de terça-feira, 27 de janeiro de 2009.


Não acostumados ao aparecimento de supostos objetos voadores não-identificados, alguns moradores mais antigos chegaram a dizer que seria o sinal do final dos tempos, com a lua fazendo movimentos estranhos próximos à Terra. Com as aparições e histórias, a cena passou a se repetir em outras localidades deixando as pessoas temerosas. Os moradores permaneciam com as luzes dos veículos apagadas, pois acreditavam que atraiam a atenção dos supostos discos voadores. Famílias nas áreas mais afastadas não mais saiam à noite para trabalhar em suas plantações temendo os avistamentos.

Muitos moradores se recordaram da mídia e repercussão de casos clássicos da ufologia no Brasil, como os casos de Mirassol, a Operação Prato, dentre outros. O principal medo era que abduções pudessem acontecer e esses discos voadores mudaram totalmente a rotina da cidade de Itatira: aulas à noite foram canceladas, as igrejas deixaram de realizar missas e cultos no período noturno, as pessoas evitavam sair de casa etc. Alguns pesquisadores começaram a falar em histeria coletiva.


A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) passou a fazer investigações sobre o acontecimento na região do sertão cearense; junto a isso, ufólogos faziam investigações paralelas às oficiais. Chegando diversos ufólogos, professores de universidades e turistas interessados em acampar e observar as “naves”, levando consigo uma fotografia daquilo que agora tornou-se natural e comum à maioria dos habitantes da cidade.

O então prefeito José Ferreira Matheus na época entrou em contato com autoridades e especialistas para tentar explicar os fenômenos que, segundo especialistas em ufologia, devem continuar. Em Itatira já foram registradas 273 aparições de 21 de novembro de 2008 até a data de 08 de abril de 2009.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Você sabe qual foi a real importância do povo hebreu para a História?! Vamos conhecer no post de hoje...

Muitas pessoas que seguem o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo sabem muito bem do papel do povo hebraico para a cultura do Ocidente em pleno século 21. Entretanto, muitos crentes destas religiões não fazem a menor ideia do motivo de este povo do deserto ser lembrado extensivamente até mesmo nos livros escolares de História. No post de hoje vamos debater um pouco sobre a maneira de como um povo historicamente insignificante (sem menosprezo, mas aqui citando os pontos de vista militar e social) tenha produzido reflexos há milênios.


O povo hebreu tem origem em tribos andantes do Deserto do Sinai. Antes de adotarem o monoteísmo de Javé (Jeová), adoravam deuses ligados à natureza como a água, o sol, a lua, as árvores, os oásis etc. A esses deuses davam os nomes que hoje aparecem na Bíblia, erroneamente, como sinônimos para Jeová, como El-Shaday, que era a entidade do Sol, uma das principais do panteão hebraico antigo.

Os hebreus nunca foram um povo unido, formando uma série de tribos lideradas por um patriarca, assim como os vikings da Idade Média. Somente mais tarde que adotaram os Estados, depois de viverem como servos e escravos em cativeiros na Babilônia e no Egito Antigos. Foram nestes territórios que os hebreus/judeus passaram a conhecer conceitos de leis, escrita, cosmogonia, religião monoteísta (através do deus supremo do Egito, Aton) etc.


Aspectos práticos: sociedade e estado...
De acordo com os historiadores especializados na Antiguidade, depois de terem formado um estado, os hebreus de Israel nunca foram um povo grandioso conforme eles relatam nos seus próprios relatos bíblicos. Nem mesmo os Reis Davi e Salomão foram grandiosos como dizem os pressupostos bíblicos, uma vez que o Reino de Israel e o Reino de Judá nunca rivalizaram com as grandes potências da época: Egito, Mesopotâmia, Pérsia, Cartago e Grécia; estes, sim, eram os grandes atores do jogo de xadrez político da Antiguidade.

Enquanto isso, Israel lutava por uma sobrevivência pobre em relação à política e à sociedade. Quando falamos em inovações tecnológicas temporais, os hebreus nem chegam próximos aos seus contemporâneos egípcios, fenícios, gregos e mesopotâmicos. Não tinham agricultura elaborada, não tiveram grandes progressos científicos, não foram majestosos mercadores. Enfim, se não fosse pelo conceito de monoteísmo de um Deus bondoso (o “povo escolhido”), teriam passado despercebidos no fluxo da História.

No quesito político, nunca fizeram grandes alianças e grandes tratados, sempre estando na ameaça da invasão de povos mais poderosos, como ocorrera em relação aos egípcios, aos sírios, aos persas e aos romanos – estes, já nos tempos de Jesus Cristo. E sempre se aproveitaram de maneira ímpar para agregarem conhecimentos alheios às suas concepções de mundo e de tecnologia; vieram com o monoteísmo de Aton egípcio, o sistema de cálculo do tempo dos babilônios, as irrigações romanas e as construções arabescas.


Aspectos religiosos: o monoteísmo e a moral hebraica...
Dentre o panorama que nós colocamos acima, podemos entender que os judeus não foram grandes atores da historiografia mundial. Entretanto, de acordo com a história da teologia, os hebreus fizeram um pacto de amizade com Javé, acabando com o politeísmo das tribos desérticas e fundando o Judaísmo, religião que prega a existência de um único deus, que é onipresente, onisciente e onipotente, sendo o mais forte e poderoso de todo o panteão de deuses da época. Javé era possível vencer qualquer outra entidade e era única e singela.

Esse aspecto de um Deus único foi fundamental para a unificação as tribos hebraicas em um único estado, Israel – não na forma como o conhecemos hoje. A moral hebraica foi fundamental para a fundação das três grandes religiões do Ocidente: primeiro o Judaísmo, depois o Cristianismo e por fim o Islamismo. Todas as três creem neste mesmo Deus onipresente (que está em todos os lugares ao mesmo tempo), onisciente (que sabe de tudo, passado, presente e futuro) e onipotente (o mais forte e poderoso de todos).

Ou seja, os hebreus podem até não ter sido grandes astrônomos, matemáticos e arquitetos como os mesopotâmicos, romanos, gregos, persas e egípcios, mas inventaram uma religião que pregava um único Deus que tinha formação de pai, que aceita o próximo mesmo com seus erros, e que não age no mal – como os deuses antropomorfos da Grécia, de Roma e do Egito.

A moral pregada por este Deus único está presente em toda Bíblia e no Alcorão, mostrando o que é certo e o que é errado até os dias de hoje, com restrições e com permissões. Isso faz com que os reflexos hebraicos se estendam a todo o Ocidente desde o século 14 antes de Cristo até o tempo hodierno.


Reflexos na cultura do Ocidente...
O maior reflexo dos hebreus em pleno século 21 está em toda estrutura ético-religiosa deixada por eles, mesmo não sendo um povo de grandes aventuras científicas e militares. Graças ao pacto firmado há milênios com o Deus Javé (Jeová), foram formadas as três grandes religiões que regem nossas vidas: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo; juntas, fundamentam a sociedade de mais de 2,4 bilhões de pessoas em todo o planeta.

Além disso, mesmo estando em uma sociedade laica, ou seja, sem uma religião oficial, a cultura do Ocidente ainda é fortemente influenciada pelos preceitos culturais, morais e folclóricos dos hebreus; suas datas festivas são nossos feriados religiosos, nossa semana segue o preceito de que o fim de semana deve respeitar o sábado (Shabbath) e o domingo (dia do Senhor); aquilo que na Bíblia está citado como errado ainda é regido pelas leis do Estado como errado – tais como aborto, bigamia etc.

Ou seja, de um modo geral podemos dizer que os hebreus não foram grandes militares e grandes inventores da nossa historiografia, mas graças ao pacto de amizade que fizeram com o Deus único que chamaram Javé (ou Jeová), mudaram todo o curso da história através de guerras santas e a busca de um equilíbrio moral dentro da sociedade, desde que, no Império Romano, o monoteísmo foi oficializado como religião do Estado. Esse é o motivo pelo qual falamos tanto dos hebreus e de suas aventuras e desventuras ao longo dos séculos.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Você já ouviu falar nas “luzes estranhas de Oklahoma e Missouri”? Fato ou farsa?

As “luzes estranhas”, também chamadas “luzes bizarras”, “luzes de Hollis” e “luzes estranhas de Joplin” e um fenômeno visual misterioso alegadamente experienciado com milhares de testemunhas e amplamente documentado por estudiosos e curiosos, numa pequena área conhecida como “Passeio do Diabo”, na fronteira entre os estados norte-americanos do Missouri e de Oklahoma.

Apesar de nos Estados Unidos ser conhecida como uma luz estranha do Missouri, já é fato que o fenômeno fica mais bem visto e documentado no território pertencente a Oklahoma. As “luzes estranhas” são vulgarmente descritas como uma única esfera de luz ou um agrupamento bem apertado de luzes, que é afirmado aparecerem regularmente no “Passeio do Diabo” durante a noite. Embora não seja um fenômeno único no planeta, ocorrendo em outros recantos da Terra, o caso das “luzes estranhas do Missouri” ganhou fama internacional; numerosas lendas existem para tentar descrever a origem das luzes, uma delas envolvendo o suposto espírito de dois índios nativos norte-americanos.


História das “luzes estranhas”...
De acordo com os relatos, o fenômeno tem acontecido com grande frequência desde pelo menos o século 19, embora tenha ganhado notoriedade em todos os Estados Unidos logo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Algumas fontes apontam que os primeiros relatos tenham ocorrido com a expansão da malha férrea nos Estados Unidos, por volta de 1850. A primeira observação das “luzes estranhas” ocorreu em 1866, logo depois da Guerra Civil Americana; já a primeira matéria jornalística aparece no Kansas City Star, em 1936.

Em 1946, o Instituto de Engenharia do Exército dos Estados Unidos tentou estudar profundamente as causas das “luzes estranhas do Missouri/Oklahoma”, mas não conseguiu chegar a uma conclusão satisfatória; nas próprias palavras dos relatórios, “a origem das luzes é desconhecida”. Enquanto isso, os moradores próximos diziam que as tais luzes são extremamente antigas, dos tempos de seus bisavós – século 19.

Nos anos 60, o fenômeno ganhou os Estados Unidos a partir da mídia sensacionalista e com isso chegou a ser fundado um museu local reunindo objetos, teorias, relatos e, claro, vendendo lembrancinhas para quem esteve no local e observou o fenômeno. Desde então, ao longo da fronteira entre os estados do Missouri e de Oklahoma há vários estabelecimentos que vivem comercialmente das “estranhas luzes”, mas a maioria acaba falindo em pouco tempo. Nos anos 70 e 80 houve várias excursões de curiosos, historiadores, ufólogos e estudantes para a área, fazendo crescer o comércio no local; entretanto, hoje o que resta é um rastro de comércios fantasmas na borda dos dois estados.


Aspecto das “luzes estranhas”…
Os mais aficionados nas luzes já têm até coordenadas para melhor observarem o fenômeno que, segundo eles, ocorre com maior intensidade no momento que a noite cai, principalmente no condado de Ottawa, onde a visão seria perfeita. Segundo os pesquisadores anônimos, não adianta avançar na estrada para tentar “captar” a luz, pois ela sempre será um ponto distante na sua visão e mesmo que tente de helicóptero para ver onde ela está, do alto ela simplesmente desaparece.

Outro aspecto interessante é que sua cor também muda. Cada grupo de turistas, curiosos, moradores e pesquisadores viram as “luzes estranhas” com uma coloração diferente: branca, azulada, esverdeada, laranja, vermelha etc. Entretanto, a formação é sempre a mesma: em forma circular, parecendo ser uma forte lanterna de acampamento a uns dois metros do chão, que às vezes pisca e outras vezes some e aparece com aspecto tênue, apagando aos poucos.

Possíveis explicações...
As explicações para o aparecimento de tais luzes variam enormemente, passando pelo discurso fantástico, fantasmagórico, cético, místico, mítico etc. Uma das explicações mais comuns é que as pessoas veem faróis de carros na estrada insterestadual número 44, que corta Oklahoma; entretanto essa explicação não tem nenhum tipo de fundamentação porque as luzes ficam paradas e variam de cor de acordo com a época do ano, além de estarem presentes nos relatos desde o século 19, antes da popularização dos automóveis no interior dos Estados Unidos. Os que sustentam a tese das “luzes estranhas” serem faróis de carros estão os físicos, céticos de modo geral e William Least, um dos maiores estudiosos deste fenômeno.


Outra explicação diz que as luzes seriam resultado de pessoas procurando por metais no meio da floresta (entretanto à noite?). Essa versão se sustenta porque a área onde elas aparecem sempre foi local de mineração de chumbo e zinco. Uma versão parecida a esta, mas parapsicológica, afirma que as luzes são de fantasmas de mineiros perdidos como almas penadas neste mundo.

Apesar dos vários folclores sobre as “luzes estranhas”, ainda não há um consenso sobre a origem delas. Há algum tempo, o programa “Fact or faked: paranormal files” tentou fazer uma investigação sobre o fenômeno, este que permaneceu em total mistério. Outra explicação também plausível veio dos anos 60, através de um estudo da Universidade do Arkansas: as luzes poderiam ter origem orgânica nos chamados “fogos fátuos(foto abaixo), que são gases que saem da terra e que entram em combustão espontânea.


sábado, 19 de abril de 2014

Você sabe sobre os pioneiros das “fotografias espíritas”?! Fato ou farsa?!


Hoje vamos falar sobre um dos assuntos mais interessantes relacionados a temas tão díspares possível; assim é a própria invenção da fotografia e da popularização do espiritismo, foi quando começaram a ocorrer as possíveis “aparições fotográficas”, ou as chamadas “fotografias espíritas”, que fizeram enorme sucesso na Europa vitoriana e nos Estados Unidos recém-industrializados. Esse é o debate de hoje: essas fotos são fato ou farsa? Quem começou a popularizá-las?


Um fato importante a ser dito é que quando a fotografia foi inventada, na segunda metade do século 19, ela era vista como um capricho da ciência. Não era tida como arte, conforme consideravam a pintura, e não sabiam muito bem para que ela serviria no futuro. Além disso, o tempo de exposição era muito grande (enorme) e as pessoas não queriam posar como estátuas (não podiam se mexer) por tanto tempo para serem memorizadas.

A fotografia era vista como uma “coisa estranha” que a ciência havia inventado e não havia muitas possibilidades com ela. Tratava-se de um processo muito caro que somente os muito ricos poderiam ter acesso, como as pinturas na Idade Moderna, no Renascimento Cultural. Entretanto, com o tempo, a fotografia começou a ter aspectos sociais e culturais um pouco obscuros.


No mesmo instante que a fotografia era desenvolvida e aprimorada pela sociedade, na Europa e nos Estados Unidos uma nova seita ganhava popularidade e mais tarde seria uma das religiões mais populares do Brasil, o Espiritismo. Naquele tempo era desenvolvido o famoso Evangelho Segundo Alan Kardec; podemos dizer que tanto a fotografia quando o Espiritismo são frutos do mesmo tempo, das mesmas sociedades e do mesmo zeitgeist (“espírito da época”, numa tradução grosseira). Assim, o ser humano criou paradoxalmente um método racional e científico para lidar com um ocultismo que estava esquecido no Ocidente desde as perseguições da Idade Média – a comunicação com supostos espíritos.

Muitos autores acreditam que a popularização e mundialização do espiritismo kardecista tenha motivação justamente nestas fotografias de supostos espíritos, comercializadas em feiras, circos e parques de diversões, mas também em centros de estudos religiosos. William Mumler foi o primeiro a supostamente ter feito uma fotografia espírita; ele chegou a deixar seu trabalho em uma joalheria para fazer dedicação total a este tipo de serviço. Entretanto, Mumler cobrava cerca de 30 dólares (da época, o que hoje seriam 230 dólares) por uma fotografia, sendo que o preço normal era 50% menor. Já podemos imaginar que rapidamente Mumler tornou-se um rico fotógrafo.


Posteriormente, no início do século 20, outro homem, William Hope, deixou de lado seu trabalho como carpinteiro para se tornar um “profissional da fotografia espírita”. Ele ficou famoso instantaneamente por vender suas fotografias em grandes circos e parques de diversões dos Estados Unidos. De acordo com a publicidade de suas fotos, ele dizia que poderia trazer à lembrança de fotografias os parentes mortos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Assim como Mumler, Hope também ficou muito rico com esse recurso.


De acordo com os especialistas em fotografia e os parapsicólogos, essas fotos de fantasmas não passavam de truques fotográficos descobertos no antigo processo de revelação da imagem. Assim sendo, era comum misturar num mesmo papel duas fotografias diferentes e vender às pessoas como se fossem revelações espirituais. Portanto, a fotografia espírita tão popular no século 19 e início do século 20, não passava de uma tremenda farsa que fez com que homens comuns ficassem extremamente ricos às custas das esperanças das pessoas, que chegavam a pagar o equivalente atual a R$ 400 por uma imagem.

No entanto, o assunto continua em aberto porque muitos estudiosos do Espiritismo falam que grande parte das imagens era verdadeira e que ficaram famosos e ricos somente os homens que agiram de má fé contra as pessoas.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Considerações sobre a possessão demoníaca: fato, farsa ou erro de identidade?!

Na postagem de hoje do nosso blog, vamos falar um pouco sobre um dos assuntos mais debatidos do Cristianismo e do Judaísmo, mas principalmente do primeiro, que são as possessões demoníacas. Alguns afirmam que se trata de um fato que não pode ser negligenciado; ateístas falam em sugestão psicológica; parapsicólogos dizem que o mais comum é o erro de identidade, falar de doenças psicológicas e psiquiátricas sob a abrangência de supostas forças satânicas. Mas afinal de contas, o que podemos falar sobre esta parte tão controversa do monoteísmo, principalmente da contraparte cristã?


1. Possessão demoníaca, ou simplesmente possessão, é o controle de um indivíduo por um ser maligno sobrenatural. Apesar de muito popular o termo no Cristianismo, ele está presente em quase todas as religiões estudadas pela antropologia;

2. De acordo com os estudiosos desses casos, antropólogos, teólogos, psiquiatras e parapsicólogos, tais descrições de possessões muitas vezes incluem memórias ou personalidades apagadas, convulsões e desmaios. Alguns relatos também incluem uma nova personalidade, como se um novo ser humano estivesse agindo sobre aquele, com voz diferente, por exemplo;

3. Outras descrições incluem o acesso ao conhecimento oculto (gnosis) e línguas estrangeiras (glossolalia), mudanças drásticas na entonação vocal e estrutura facial, o súbito aparecimento de lesões (arranhões, marcas de mordida) ou lesões e força sobre-humana;

4. Ao contrário da canalização mediúnica ou outras formas de possessão, o indivíduo não tem controle sobre a suposta entidade que o possui e por isso permanece nesse estado até que a entidade seja forçada a deixar a vítima, normalmente através de um exorcismo;

5. Alguns antropólogos chamam a atual onda de possessões demoníacas de “cultura demoníaca”, principalmente por onda das religiões protestantes neopentecostais, que abusam do conceito de possessão, e muitas vezes há erro de identidade no caso de problemas psiquiátricos, como o que ocorreu a Anneliese Michel (foto abaixo), que gerou o filme “O exorcismo de Emily Rose”;


6. Muitas culturas e religiões contêm algum conceito de possessão demoníaca, mas os detalhes variam consideravelmente. As mais antigas referências à possessão demoníaca vêm dos sumérios, que acreditavam que todas as doenças do corpo e da mente eram causadas por “demônios de doenças” chamados “giddim”;

7. Os sacerdotes que praticavam exorcismos nessas nações eram chamados de “ashipu” (“feiticeiro”) em oposição a um “asu” (“médico”), que aplicava bandagens e pomadas. Muitas tábuas cuneiformes contêm orações para certos deuses pedindo proteção contra os demônios, enquanto outras pedem aos deuses para expulsar os demônios que invadiram seus corpos;

8. Culturas xamânicas também acreditam em possessões demoníacas e os xamãs realizam os exorcismos. Nessas culturas, as doenças são muitas vezes atribuídas à presença de um espírito vingativo (ou raramente chamado de demônio) no corpo do paciente. Estes espíritos eram mais frequentemente descritos como espectros de animais ou pessoas injustiçadas pelo portador, os ritos de exorcismo geralmente eram compostos de ofertas respeitosas ou ofertas de sacrifício;

9. O cristianismo afirma que a posse deriva do diabo, ou seja, satanás, ou de um de seus demônios. Em muitos sistemas de crença cristãos, satanás e seus demônios são descritos como anjos caídos;

10. A Bíblia apresenta vários casos de possessão demoníaca, como no Novo Testamento. Isto, provavelmente, foi uma influência trazida à religião judaica pelos anos de exílio na Babilônia, quando aprenderam com este povo o conceito dito anteriormente de “ashipu” e “giddim”;


11. As possessões demoníacas foram um grande terror na Europa e nas Américas durante os séculos 17 e 18. Muitas pessoas foram torturadas e queimadas vivas por conta de possíveis pactos com satanás. Exemplo disso é o clássico caso dos julgamentos de Salem, nos Estados Unidos;

12. A possessão demoníaca não é um diagnóstico psiquiátrico ou médico válido e reconhecido pelo DSM-4 e CID-10. Aqueles que professam a crença em possessões demoníacas por vezes descrevem sintomas que são comuns a várias doenças mentais, como histeria, mania, psicose, Síndrome de Tourette, epilepsia, esquizofrenia ou transtorno dissociativo de identidade;

13. Em casos de transtorno dissociativo de identidade em que a personalidade é questionada quanto à sua identidade, 29% são relatados como possessões de demônios. Além disso, há uma forma de monomania denominada “demoniomania” ou “demonopatia” em que o paciente acredita que está possuído por um ou mais demônios;

14. A ilusão de que o exorcismo funciona em pessoas com sintomas de possessão é atribuída por alguns ao efeito placebo e ao poder da sugestão. Algumas pessoas supostamente possuídas são realmente narcisistas ou sofrem de baixa autoestima e agem como uma “pessoa possuída por um demônio” com o propósito de ganhar atenção;

15. A história da medicina aponta que muitas doenças psiquiátricas foram confundidas como possessões ao longo do período bíblico e na Idade Média. Isso teria prejudicado, e muito, o desenvolvimento de tratamentos verdadeiros e aumentado o preconceito das pessoas portadoras de tais doenças, totalmente alijadas da sociedade. Somente mais recentemente que tais “possessões” começaram a ser analisadas com metodologia científica e passamos a contar com tratamentos médicos e medicamentos, mas nunca foi deixada de lado a crendice popular e religiosa das possíveis possessões;


16. Historicamente, a possessão era considerada uma causa de loucura. Um dos livros mais clássicos, porém relegados por ter contexto religioso, é “A loucura sob novo prisma”, do médico homeopata e espírita Bezerra de Menezes;

17. No desenvolvimento da psiquiatra no Brasil esse tema também foi abordado, sobretudo pela escola baiana, sobretudo por Nina Rodrigues, que apesar da carga de preconceitos e patologização de manifestações religiosas (interpretando estas como manifestações epiléticas ou histéricas) conseguiu reunir e produzir considerável material etnográfico sobre as religiões africanas tendo como continuadores vultos como Estácio de Lima e Arthur Ramos;

18. A interpretação psicanalítica inaugurou uma forma de estudo até hoje válida, na perspectiva da relação entre o conteúdo religioso e manifestações criminosas. Pode-se tomar como marco dessa abordagem o trabalho de Sigmund Freud “Uma neurose demoníaca do século 17”, escrito em 1922;

19. Hoje em dia considera-se que a maioria dos casos de possessão demoníaca são distúrbios sociológicos, e não patológicos. Dalgalarrondo em estudo de revisão de trabalhos publicados desde o final do século 19 sobre messianismo, “loucura religiosa” e trabalhos contemporâneos relacionando religião, uso de álcool e drogas, além de algumas condições clínicas (esquizofrenia e suicídio), refere-se à ausência de uma linha de pesquisa que proporcione uma melhor articulação entre investigação empírica e análise teórica dos dados, assim como um diálogo mais próximo da psiquiatria com ciências sociais, como a antropologia e a sociologia da religião para um maior avanço nesta área;

20. Atualmente a possessão demoníaca é um assunto muito comum em religiões africanas e no ramo do Cristianismo relacionado ao pentecostalismo. Entretanto, psicanalistas dizem que essas possíveis possessões são histerias coletivas e sugestionamentos.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Você conhece a história de Nandana, uma possível telepata?! Fato ou farsa?!

Na cidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, Nandana Unikrishnan (foto abaixo), de origem indiana, nascida em 2003, autista e portadora da Síndrome de Savant (pessoas que apresentam habilidades extraordinárias, mas sérios transtornos mentais) chamou atenção dos médicos, psicólogos e pedagogos de todo o mundo quando uma reportagem sensacionalista revelou uma possível habilidade para a telepatia. Ou seja, ao que tudo indica, Nandana pode ler a mente da sua mãe.


Segundo o histórico, a extraordinária faculdade da garota começou a se manifestar em 2011. A menina começava a manifestar uma espécie de pré-ciência (conhecimento prévio) daquilo que sua mãe estava pensando ou, ainda, prestes a falar ou fazer. A princípio, os pais consideraram que as inúmeras vezes nas quais a menina antecipava palavras e gestos maternos eram mera coincidência. A mãe de Nandana, Sandhya conta: “Ela pode sentir minhas emoções e ler meus pensamentos. Ela vinha para mim e me dizia o nome da comida que eu estava pensando em preparar. Se eu e meu marido decidíamos levá-la a algum lugar ela se antecipava e reagia de acordo ou não”.

Nandana foi diagnosticada autista quando tinha dois anos de idade. Mais especificamente ela tem um Transtorno do Espectro Autista (ASD) e Síndrome de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Por outro lado, a Síndrome de Savant, encontrada em mais ou menos uma em cada 10 pessoas com autismo, é um distúrbio psíquico cujos portadores possuem uma grande habilidade intelectual aliada a um déficit de inteligência – paradoxalmente. Tais habilidades são sempre ligadas a uma memória extraordinária.

Sandhya continua a explicar: “No início era muito difícil para mim para ensiná-la o conceito dos objetos. Eu tive que lutar muito para fazê-la entender o quê é um copo. Mas, nestes dias (depois que a telepatia começou a se manifestar)  é muito fácil fazê-la aprender alguma coisa. Ela é boa em matemática. Mas às vezes eu sinto que quando ela faz o seu dever de casa rápido, é porque estou pensando naquilo”.

Nandana tem problemas de fala. Tem muita dificuldade para pronunciar as palavras com clareza. Por isso, os pais demoraram ainda mais para crer na ligação telepática entre mãe e filha. Então, em janeiro deste ano de 2013, Nandana aprendeu a usar o teclado do computador.


A mãe da menina ainda fala: “Eu a ensinei a digitar. Agora, se eu pedir que escreva o que eu estou pensando, ela incrivelmente pode fazer isso. Às vezes ocorrem erros de ortografia e ela ainda não entende bem os conceitos de pontuação. Se eu disser ‘ponto’ ou ‘espaço’ em minha mente, ela digita a palavra ‘espaço’, por exemplo, ao invés de colocar a separação entre os vocábulos”. Sandhya Unikrishnan não se encaixa no padrão comum de mãe de uma criança com necessidades especiais. Depois que percebeu que Nandana era autista, ela foi estudar e fez um curso superior de Análise Comportamental Aplicada com duração de dois anos e pós-graduou-se em Reabilitação Socialmente Integrada.

No final de fevereiro de 2013, os pais a levaram para uma Clínica de Orientação da Criança onde o caso foi analisado por uma equipe de especialistas entre os quais um psiquiatra especializado, um assistente social, um educador também dedicado às crianças portadoras de autismo e síndromes conexas e, ainda, um grupo de enfermagem. Todos testemunharam as habilidades telepáticas de Nandana. O Jornal Khaleej Times recebeu uma cópia do certificado emitido pelo Dr. Jeena Fiji no qual o médico testemunha a capacidade de Nandana de captar os pensamentos, desejos e intenções de sua mãe.

De acordo com os pais da menina, o principal objetivo é atentar o mundo aos efeitos ainda classificados como paranormais para a ciência e para a sociedade, como a telepatia, que acabou sendo cientificamente comprovada com uma taxa de 100% de acertos entre mãe e filha. Para a família da telepata, é imprescindível que a ciência abra um pouco mais “sua mente” para assuntos que ainda não seriam tão bem vistos.


Alguns psicanalistas consultados pela reportagem do jornal disseram que alguns portadores da Síndrome de Savant possuem habilidades incríveis, como memória fotográfica, memória musical, mas nenhum ao nível de telepatia. Entretanto, muitos destes profissionais especializados afirmaram que já ouviram falar em experiências extrassensoriais em portadores dessa síndrome.

Alguns testes...
Na clínica para os testes com os especialistas, um poema classificado como “Nível 2” foi entregue à mãe da menina. Esta leu o poema mentalmente e Nandana digitou o poema inteiro lendo a mente da mãe. Depois, um papel com um número de seis dígitos escritos foi entregue a Sandhya. E Nandana reproduziu o número em seu teclado. Outro número foi dado a Sandhya que, desta vez foi separada da filha, em outro aposento. E a menina reproduziu o número mesmo assim, provando que podia ler a mente de sua mãe à distância.

sábado, 12 de abril de 2014

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (33)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

O Papa é algo além do papel de chefe da Igreja Católica?
Todos nós sabemos que os Papas são os chefes supremos e maiores do Catolicismo. Entretanto, como o Vaticano é um estado (país) como qualquer outro, o Papa também exerce funções fora do mundo clerical. Com isso, para quem não sabe, ele também é: presidente do Tribunal do Vaticano, presidente da Câmara Legislativa do Vaticano, chefe do poder executivo do Vaticano e de todas as dioceses da Igreja no mundo, arcebispo de Roma e sucessor direto de São Pedro como apóstolo de Cristo.

Princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea, era uma abolicionista?
Todos nós sabemos que em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que, finalmente, colocava fim à escravidão no Brasil. Alguns historiadores especulam que ela teria feito isso somente porque a burguesia estava ameaçada com medo de uma revolta negra, como acontecera no Haiti em 1804. Entretanto, a verdade é outra; em toda sua história, Isabel mostrou-se liberal, política e abolicionista. Apoiou jovens políticos e artistas durante a campanha do abolicionismo contra os barões do café, chegando a refugiar fugitivos em sua residência em Petrópolis. Quando senadora (a primeira mulher da história brasileira a ocupar este cargo), atacou com veemência a manutenção da escravidão. Outros pontos polêmicos da época que Isabel defendia eram: sufrágio feminino, voto universal para todas as camadas sociais, reforma agrária e criação de política salarial.


O Brasil foi realmente a única monarquia existente nas Américas?
Sim e não. Sim porque a monarquia foi o sistema político brasileiro que proporcionou a unidade nacional do tamanho que vemos hoje, indo desde sua independência de Portugal, em 1822, até 1889. Várias décadas com dois monarcas, Pedro I e Pedro II. Por outro lado, também temos o não. O México chegou a aplicar rapidamente, por duas vezes, a monarquia. A primeira vez foi em 1823, por oito meses, sob reinado de Agustín I – Primeiro Império Mexicano; mais tarde, a França impôs a Dinastia Habsburgo, e entre 1864 e 1867 tiveram como imperador Maximiliano I, parente direto de Napoleão Bonaparte – período conhecido como Segundo Império Mexicano. Portanto, trata-se de um erro falarmos que nosso país foi o único nas Américas a adotar a monarquia. Vale, ainda, ressaltar que a Argentina também tentou, sem sucesso, implementar a monarquia naquele país para, também, garantir a unidade das Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina, Bolívia, Paraguai e partes do Uruguai e Chile).

Nosso país foi o último no mundo a libertar seus escravos?
Não; isso é um erro histórico tremendamente passado à frente como se fosse verdade. No continente americano fomos quase os últimos, em 1888. A Argentina libertou seus cativos em 1853, e os Estados Unidos, em 1865. O primeiro de todos foi o Haiti, em 1804, com a revolta dos negros, que expulsou da colônia todos os franceses e brancos. Já Cuba foi o último país do nosso continente a dar abolição aos escravos, em 1898. No mundo, a escravidão só foi totalmente abolida em 1963, quando alguns países da África foram forçados pela ONU a fazerem isso. Na Europa, até 1870 era comum encontrarmos escravos em zonas rurais, principalmente ciganos e alguns judeus. Naquele continente, o último país a dar alforria a todos os escravos (ciganos e turcos) foi o território da Romênia, em 1901.


Como fazemos para curar os terríveis soluços?
O soluço talvez seja um dos problemas mais desagradáveis a alguns mamíferos. Sim, não são somente os seres humanos de sofrem deste mal. Porcos, cães, gatos e sapos costumam ter ataques de soluço também. Como a maior parte dos ataques de soluço dura apenas alguns minutos, é grande o número de tratamentos caseiros indicados. É muito difícil avaliar a eficácia de medidas tão empíricas, mas como são inócuas, vale a pena tentá-las no início da crise. Todavia, procure o médico se as crises durarem mais de 24 horas, principalmente se interferirem com o sono – pois já há no mercado medicamentos específicos para estes soluços intermitentes, com diagnóstico de mais de 24 horas. Soluço crônico usualmente requer acompanhamento neurológico. Algumas manobras caseiras recomendadas pelos médicos são: (1) prenda a respiração por alguns segundos; (2) engula uma porção de açúcar cristal (uma colher de chá), miolo de pão ou gelo moído; (3) chupe uma fatia de limão; (4) respire repetidamente dentro de um saco de papel; (5) faça gargarejos com água; (6) puxe sua língua para provocar reações de vômito; (7) coce o céu da boca com um cotonete de algodão; (7) suspenda a úvula (campainha da garganta) com uma colher de chá – cuidado, pois isso causará ânsia de vômito; e (8) erga os joelhos até o peito e incline-se sobre eles.

Por que na Inglaterra, quando chove muito, costuma-se dizer que “os leões vão beber água”?
Na realidade, isso é uma expressão de Londres que ganhou todo o Reino Unido. A cidade fica às margens do Rio Tâmisa, que corta toda a cidade e subúrbios. A margem não era muito alta e, até o século 16, a qualquer chuva ou maré mais alta, Londres era totalmente alagada; por isso os sobrados ficaram tão populares, pois as pessoas (extremamente pobres) ficaram cansadas de perderem tudo (o pouco) que tinham. Com a reforma urbanística da cidade no século 18, o Rio Tâmisa ganhou em suas margens leões de bronze que marcam a altura máxima da água para prevenir inundações. Assim, quando a água subia muito devido à chuva, já se preveniam dizendo: “Hoje os leões vão beber água”, ou seja, provavelmente haverá alagamentos na cidade. Essa expressão é usada até os dias de hoje, sendo uma das mais antigas em uso corrente nos idiomas ocidentais.



quinta-feira, 10 de abril de 2014

Você conhece o motivo de os nazistas usarem triângulos em seus prisioneiros? E o que cada cor representava? Conheça agora!

Os campos de concentração nazistas, durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), possuíam um sistema de figuras geométricas baseadas em triângulos para auxiliar a identificação do tipo de pessoa que a portava, e se tinha “direitos maiores” ou não em relação aos demais prisioneiros. É com respeito às cores, as inclinações e a sobreposição das figuras que se baseavam os critérios para classificação dos segregados em seus respectivos lugares (campos). Como a filósofa e jornalista Hannah Arendt disse, isso faz parte de um complexo e eficaz sistema de burocratização da morte através do aparato do Estado, que classificava e etiquetava as “mercadorias” (como os nazistas falavam de seus prisioneiros em textos oficiais).



Os triângulos coloridos...
Diante desta gigantesca estrutura da morte nos campos de concentração e para efeito de transporte de prisioneiros que cumpriam tarefas fora dos campos, em vez de números, os administradores tiveram de elaborar uma engenhosa solução gráfica de identificação, que os facilitava no monitoramento entre outros cidadãos que trabalhavam nas indústrias bélicas.

Esses prisioneiros, requeridos a serviço dentro ou fora dos campos, eram obrigados a usar triângulos coloridos nas vestes para sua rápida identificação ao longe. Eram as cores dos triângulos que facilitavam identificar tanto o campo de origem do prisioneiro como seu idioma. Como esses campos eram organizados para atender o idioma dos prisioneiros, a nacionalidade e/ou preferência política, alguns historiadores entenderam que os triângulos teriam a obrigação de responder sua etnia (no sentido de raça e religião). Desse modo, com ou sem etnia, as cores variariam muito de campo para campo e de lugar para lugar. As tonalidades mais comuns correspondiam aos campos mais populosos.

Veja como era a questão das cores no contexto dos triângulos:

- Amarelo: prisioneiros judeus com dois triângulos sobrepostos a fim de formar a Estrela de Davi, com a palavra “Jude” (judeu) escrita por cima. Os que eram considerados parcialmente judeus, somente com o pai ou a mãe da religião judaica, usavam somente a estrela amarela na roupa;
- Vermelho: dissidentes políticos, incluindo comunistas, sociaisdemocratas, liberais, anarquistas e maçons;
- Verde: criminosos comuns. Criminosos de ascendência ariana recebiam frequentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros, como os chefes dos blocos e tinham alimentação melhor e mais folgas;
- Roxo: basicamente aplicava-se a todos os objetores de consciência por motivos religiosos, por exemplo, as Testemunhas de Jeová, que se negavam a participar dos empenhos militares da Alemanha nazista e a renegar sua fé assinando um termo declarando que serviriam a Adolf Hitler;
- Azul: imigrantes. Foram usados, por exemplo, pelos prisioneiros espanhóis que se exilaram na França a seguir à derrota na Revolução Espanhola contra Franco, e que mais tarde foram deportados para a Alemanha considerados como apátridas;
- Marrom: ciganos;
- Preto: lésbicas e mulheres “antissociais”, como alcoólatras, grevistas, feministas, deficientes e mesmo anarquistas. Os arianos casados com judeus recebiam um triângulo negro sobre um amarelo.
- Rosa: homossexuais masculinos.


A questão dos triângulos invertidos...
Os triângulos coloridos cumpriam a missão de identificar os detentos quando mandados para trabalhar em alguma fábrica ou no ir e vir às cidades; logo alguns segregados (astutamente) descobriram que invertendo o lado do triângulo o mesmo mudava de cor. Essa cor de fundo facilitava ao elemento se comunicarem com outros campos ou em alguns casos cumprir tarefas num campo menos vigiado e depois fugir. Essa solução, entretanto, foi descoberta e algum administrador elaborou outra solução sobrepondo os triângulos de algumas classes. Assim ficou:

- Dois triângulos sobrepostos amarelo, o emblema "Amarelo", um judeu;
- Triângulo vermelho invertido sobreposto em um amarelo-prisioneiro político judeu;
- Verde em cima de um triângulo invertido amarelo um judeu “criminoso habitual” (homicida, estelionatário, estuprador etc);
- Triângulo roxo invertido sobrepostas em um amarelo correspondia a uma Testemunha de Jeová de ascendência judaica;
- Triângulo invertido rosa sobreposta a um amarelo: um delinquente sexual judaico ou um homossexual judeu;
- Triângulo preto invertido sobrepostas em um amarelo, “antissocial” e “trabalho tímido” judeus;
- Triângulo preto superposto sobre um triângulo amarelo, um judeu condenado de miscigenação e rotulados como um profanador da “raça”;
- Triângulo amarelo sobreposto a um triângulo preto invertido, um ariano (mulher) condenado por miscigenação e rotulados como um profanador “raça”.


As letras sobre os triângulos...
Além do código das cores, alguns subgrupos tinham o complemento de uma letra localizada no centro do triângulo, para especificar prefixo do país de origem do prisioneiro. Isso facilitava na remoção das “mercadorias” para evitar um grupo étnico muito grande num mesmo campo a fim de evitar motins. Quanto menos se entendessem, melhor seria para o regime totalitário. Vejamos abaixo alguns exemplos:

B para belgas.
F para franceses.
I para italianos.
K para russos ou comunistas em geral.
P para poloneses.
D para alemães.
JUDEN para judeus de um modo geral.
S para espanhóis.
T para tchecos.
U para húngaros.

As barras sobre os triângulos...
Além de todo esse sistema complexo de identificações nos campos de trabalho e extermínio do nazismo, no caso de reincidência por algum crime que o prisioneiro tenha cometido e não tenha sido condenado à morte, era colocada uma barra colorida em seu triângulo ou estrela. Assim:

Um prisioneiro político teria uma barra vermelha sobre a sua estrela ou triângulo;
Um criminoso habitual teria uma barra verde;
Um trabalhador forçado estrangeiro teria uma barra azul;
A Testemunha de Jeová teria uma barra púrpura;
Infratores teria uma barra rosa;
Um antissocial teria uma barra preta;
Cigano teria uma barra marrom.



terça-feira, 8 de abril de 2014

O que seria uma “obsessão” de espíritos? Fato ou farsa?

Obsessão, segundo o espiritismo, seria a interferência prejudicial exercida por um espírito sobre outro, sejam eles “encarnados” (homens vivos) ou “desencarnados” (pessoas falecidas). Segundo a crença espírita, aquele que sofre a influência de seres espirituais seria, por definição, um médium.


Graus de obsessão...
No que tange aos tipos possíveis de obsessão, a doutrina espírita apresenta uma classificação em três graus de intensidade crescente, a saber:

1) A obsessão simples, que ocorre quando um espírito ou vários influenciam a mente de um médium com suas ideias, mas de maneira tal que o médium consciente percebe. A obsessão simples perturba, podendo causar constrangimento quando o médium inexperiente exprime de forma desavisada pensamentos que não são seus e somente se dá conta disso depois. No entanto, ele, médium, permanece senhor de si mesmo e reconhece quando fala ou age sob influência, sendo a ele possível, com estudo, aprender a controlar-se;

2) A fascinação é uma ação direta e constante do pensamento de um espírito sobre a mente do médium paralisando-lhe o raciocínio de tal modo que este aceita tudo que lhe é passado pelo espírito como a mais pura verdade, reproduzindo, desde informações simplórias aos mais completos disparates, como se fosse tudo fruto da mais profunda sabedoria. O espírito que se dedica à fascinação de um médium é ardiloso pois, primeiro, ele tem que ganhar a confiança irrestrita do médium para aos poucos ir dominando seu raciocínio;

3) A subjugação é uma influência tão forte sobre a mente do médium que este não mais raciocina nem age por si mesmo, agindo como marionete do espírito ou dos espíritos que o influenciam.

A obsessão simples tanto pode ser resultado da ação de espíritos voltados para o mal que querem prejudicar o médium por sentir prazer nisso, como de espíritos que identificaram no médium alguém que lhes prejudicou ou agrediu física ou moralmente em outra existência e, não tendo evoluído a ponto de perdoá-lo, dele buscam vingança. A fascinação tanto pode ser uma ação dirigida contra o médium, para fazê-lo parecer ridículo e, assim, humilhá-lo, como uma ação dirigida a um grupo ou a toda uma comunidade visando criar um movimento de oposição a outros voltados ao bem e à busca da verdade. Os casos de subjugação, finalmente, são os mais complexos, pois se trata sempre da ação de espíritos que têm profundo ódio pelo médium, tudo fazendo para lhe arruinar a existência.


Alguns teóricos da doutrina espírita e da parapsicologia apontam que a obsessão pode ocorrer em objetos inanimados, como, por exemplo, possíveis espíritos que não deixam suas casas e passam a assombrar os novos moradores, como o que aconteceu em Amytville depois do assassinato de toda a família, o que é relatado até hoje. Já em outros casos a obsessão é parte da mente sugestionada do ser humano, que passa a ver sombras, ouvir vozes que não existem; isso já se torna uma patologia que pode levar à loucura.

Da obsessão simples até a subjugação...
Analisando-se o caso de Anneliese Michel (que deu origem ao filme “O exorcismo de Emily Rose”) (foto abaixo), supõe-se que ela começou a sofrer de obsessão aos 16 anos. O fato de ela alegar desde o começo que estava sob a influência de supostos espíritos, de vê-los e querer se ver livre deles revela sob a ótica da fé, que ela estivesse, inicialmente, sob o efeito de uma obsessão simples. Infelizmente, a época, não seria possível um diagnóstico adequado e tratamento para causas psiquiátricas, de modo que a possibilidade de obsessão é mera especulação nesse caso.

No entanto, sem que tratamento algum lograsse sucesso, os crentes supunham se tratar da investida de espíritos, que aos poucos teriam conseguindo ter controle sobre sua mente e sobre seu corpo, o que caracterizaria sob o ângulo da fé espírita, um caso de subjugação, conforme se lê no artigo sobre a jovem: “Ela insultava, espancava e mordia os outros membros da família, além de dormir sempre no chão e se alimentar com moscas e aranhas, chegando a beber da própria urina. Anneliese podia ser ouvida gritando por horas em sua casa, enquanto quebrava crucifixos, destruía imagens de Jesus Cristo e lançava rosários para longe de si. Ela também cometia atos de automutilação, tirava suas roupas e urinava pela casa com frequência”.


Tratamento...
Na visão espírita, nem toda perturbação emocional tem origem espiritual, sendo sempre importante a averiguação médica das origens da mesma. Identificando-se, porém, uma ocorrência de obsessão, recomenda-se o tratamento de suas causas, ao mesmo tempo em que o tratamento médico lhe trata os efeitos.

Como o espiritismo vê, na obsessão e na subjugação, a ação de espíritos desencarnados que odeiam o médium e querem se vingar dele, aos quais chama de obsessores, ele preconiza o esclarecimento dos mesmos à luz da Lei de Causa e Efeito ao mesmo tempo em que enseja ao médium e àqueles que se preocupam com ele uma ação efetiva em busca do autoaprimoramento, baseada no estudo da doutrina espírita e na dedicação à caridade.

O tratamento da obsessão, chamado de desobsessão, é sempre feito em um centro espírita. Nele se utiliza a Lei de Causa e Efeito na tentativa de mostrar aos obsessores que aquele por quem eles nutrem ódio hoje, em função de lhes ter feito mal em existência passada, teria, em existência ainda mais remota, sido a vítima cujos agressores teriam sido eles, ocasião em que teriam plantando a semente do mal que mais tarde os viria a afligir. Quebrar o círculo vicioso do ódio entre obsessor e obsediado é tarefa que requer do esclaredor espírita, paciência, perseverança e conhecimento dos mecanismos da vida. A desobsessão espírita é baseada no amor, pois procura ver a todos, obsessores e obsidiados, como irmãos e irmãs queridos necessitando de esclarecimento.

Entretanto para a psicologia, psiquiatria e parapsicologia a história pode ser bem diferente. A obsessão seria um estado patológico na mente de pessoas previamente sugestionadas ao sobrenatural. E é isso que a parapsicologia tenta desbanalizar: explicar que somente 2% dos casos investigados teriam explicação sobrenatural – ou poderíamos dizer uma falta de explicação lógica até que a ciência tenha embasamento de pesquisa. Assim, o melhor tratamento não seria através da religião, mas sim de sessões psicanalistas e medicamentos psiquiátricos para aplacar as crises, como a negligência destes no caso de Anneliese, na Alemanha.


Obsessão e missão do médium...
Alguns teóricos do Espiritismo dizem que os grandes casos de obsessão e subjugação são traços para a missão do médium que carrega isso consigo, a fim de que a sociedade veja que existe um mundo espiritual e uma terrível batalha travada entre as forças do bem e do mal, e que esta batalha pode chegar ao mundo físico, através de possessões demoníacas ou obsessões espíritas, por exemplo. Desta maneira, em linhas gerais, tais casos seriam um alerta para que as pessoas entendessem e adentrassem na glória de Deus a fim de combaterem todo o mal da terra.


Outras considerações importantíssimas...
De acordo com o código internacional de doenças, o CID-10, a obsessão não passa de transtornos psiquiátricos, sendo os mais comuns segundo a psiquiatria: depressão, esquizofrenia, intoxicação por uma substância psicoativa, overdose, síndrome pós-traumática, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno bipolar, transtorno de múltiplas personalidades e transtornos psicóticos agudos e transitórios.

Muitos médicos explicam que é preciso tratamento halopático urgente nestes casos e não somente as crenças espirituais porque pode prejudicar a saúde do paciente, conforme aconteceu com o famoso caso de Anneliese Michel, gerando o julgamento histórico que tornou-se no filme “O exorcismo de Emily Rose”. Enfatizamos que, segundo essas definições o estado de possessão, segundo a definição médica, deve incluir aqueles de transe involuntários e não desejados, mas exclui aqueles ligados ao contexto cultural ou religioso do sujeito. Não pode, portanto, ser tomado como um reconhecimento dos fenômenos espirituais pela medicina.

sábado, 5 de abril de 2014

Considerações sobre a possível colonização terráquea de Marte...

A colonização de Marte refere-se à proposta de instalação de assentamentos humanos permanentes naquele planeta. Tal proposta é objeto de estudo sério. Depois da Terra, Marte é o planeta mais habitável do sistema solar e tem sido considerado como um dos principais candidatos à colonização humana extensiva e permanente, não apenas por estar mais próximo ao nosso planeta, mas também pelas condições da sua superfície – que são mais semelhantes às da Terra, comparativamente a outros planetas do sistema solar –, destacando-se, por exemplo, a disponibilidade de águas superficiais, embora congeladas, em Marte.

Embora a Lua, devido à sua proximidade, tenha sido proposta como o primeiro local para a colonização humana, a gravidade lunar corresponde apenas a 16% da gravidade da Terra, enquanto a gravidade de Marte é mais substancial: corresponde a 38%. Há mais água presente em Marte do que na Lua, e Marte tem uma atmosfera tênue. Esses fatores dão a Marte maior capacidade potencial de abrigar a vida orgânica e a colonização humana.

A habitação humana permanente, em um corpo planetário que não seja a Terra, é um dos temas mais frequentes na ficção científica. Como a tecnologia tem avançado e as preocupações sobre o futuro da humanidade na Terra tem aumentado, a tese de que a colonização do espaço é uma meta alcançável, válida e ganha impulso.


Semelhanças de Marte com a Terra...
Embora o vizinho mais próximo da Terra seja Vênus considerando a distância no espaço, Marte é muito mais similar à Terra. As razões incluem:

- O dia marciano é mais parecido com o da Terra, tendo 24 horas e 39 minutos;
- Marte tem uma área de superfície similar em 28% a da Terra, somente menor no quesito porção de terra arenosa (que são de 29% da superfície da Terra);
- Marte tem uma inclinação de 25.19°, comparada com os 23.44° da Terra. Por causa disto, Marte tem estações muito parecidas como a Terra, embora elas durem o dobro por causa do ano marciano durar cerca de 1,88 vezes o ano terrestre. Um calendário foi criado para ser usado no planeta (o calendário dariano). O polo norte Marciano aponta para Cygnus, em vez da Ursa Menor como a Terra;
- Marte tem uma atmosfera. Embora muito menor, cerca de 0,7% da atmosfera terrestre, isto permite alguma proteção contra a radiação solar e a radiação cósmica e tem sido usada com sucesso como aero freio para espaçonaves.

Diferenças entre Marte e a Terra...
Porém, Marte também apresenta diferenças ao nosso planeta:

- A gravidade superficial em Marte é apenas um terço a da Terra. Não se sabe se este nível é bastante alto para causar problemas de saúde associados à perda de peso;
- Marte é mais frio que a Terra, isto significa temperaturas entre 18°C e -140°C;
- Não há nenhum lençol de água na superfície de Marte;
- Por causa de Marte estar mais longe do Sol, o nível de energia solar que alcança a superfície (a chamada constante solar) é apenas a metade da Terra ou da Lua;
- A órbita de Marte é mais excêntrica do que a Terra, exacerbando a temperatura e constantes variações solares;
- A pressão atmosférica em Marte é inferior à necessária para humanos sobreviverem, sendo necessários trajes de descompressão (controle da pressão); e as estruturas habitacionais em Marte necessitariam de câmeras de descompressão similares as das espaçonaves, capazes de suportar a pressão;
- A atmosfera marciana consiste principalmente de dióxido de carbono. Entretanto, a pressão parcial de CO2 na superfície de Marte é 52 vezes mais alta do que na Terra, possivelmente permitindo o suporte a vida em Marte;
- Marte tem dois satélites e eles são muito menores e mais próximos do planeta em relação à distância da Lua à Terra. Fobos e Deimos podem provar serem úteis como testes para a conceituação da colonização de asteroides.


Habitabilidade do “planeta vermelho”...
Na imagem acima temos o que já é a bandeira oficial de Marte, para o caso de colonização espacial do satélite. Isso ocorre porque há debates da questão de habitabilidade do planeta, se ele pode sustentar vidas complexas como a Terra.

Fisiologicamente, a atmosfera de Marte pode ser considerada vácuo. Um ser humano desprotegido perderia a consciência em cerca de 20 segundos e não sobreviveria mais do que um minuto na superfície sem um traje espacial.

As condições em Marte são mais habitáveis do que outros planetas que têm temperaturas mais altas e baixas que ele, como Mercúrio, ou a superfície superaquecida de Vênus, ou o frio criogênico do espaço sideral. Somente a uma altitude acima da malha de nuvens, Vênus é melhor em condições de habitabilidade do que Marte.

Há condições na Terra exploradas por humanos próximas às condições de Marte. As altitudes mais altas atingidas por um balão em ascensão, como um registro em maio de 1961, onde foi atingido 34.668 metros. A pressão nesta altitude é a mesma da superfície de Marte. O frio extremo no Ártico e Antártica são semelhantes à mais extrema temperatura em Marte. Também há desertos na Terra muito similares ao terreno marciano.

Processo de “terraformação” de Marte...
Marte é um fortíssimo candidato à terraformação. Em sua terraformação, o desafio será adensar a atmosfera de 0,008 atm a 1 atm, que corresponde a um aumento de efeito estufa, nivelando a temperatura diurna de -50°C a 20°C, logo após um breve aumento de escudo contra radiação solar.

Mesmo assim não podemos esquecer que a terraformação é um processo com alto risco de erro, extremamente caro, e demorado (neste caso, uma visão otimista engloba dois séculos), mas cálculos apontam que a terraformação de Marte será a mais fácil do sistema solar, por exemplo, a da Lua e de Ceres, será preciso criar a atmosfera, a de Mercúrio, engrossar a atmosfera com gases que ajudam ao máximo o resfriamento da superfície, e a de Vênus (a mais difícil), será preciso diminuir a pressão da atmosfera de 92 atm para 1 atm, isso provavelmente pode durar até um milênio numa visão realista. Mas vale lembrar que a terraformação é um passo muito posterior à colonização, tendo que sua necessidade só ocorrerá ao término do povoamento de toda a Lua e de habitações espaciais.


Possível localização das colônias marcianas...
Marte pode ser dividido em extensas regiões para discutir o local da possível colônia. Os polos norte e sul de Marte, por exemplo, atraíram grande interesse como locais para a colônia por causa da variação periódica da calota de gelo polar muito observada por telescópios da Terra.

Na “terra média” a exploração da superfície de Marte está em plena marcha. Os dois Rovers de Exploração para Marte, Spirit e Opportunity, encontraram solos bem diferentes e rochas características. Isto sugere que a aterrissagem é muito variável e a localização ideal para uma colônia será melhor determinada quando se tiver mais dados disponíveis. Como na Terra, quanto mais próximo do equador, menor é a variação climática.

Valles Marineris, o “Grand Canyon” de Marte, tem cerca de 3 mil quilômetros de comprimento e, em média, 8 quilômetros de profundidade. A pressão atmosférica no fundo deve ser 25% mais alta do que a média na superfície. O cânion se estende para o meio oeste, assim as sombras de suas encostas não devem interferir na coleta de energia solar. Canais de rios dirigem-se para o cânion, indicando que ele já foi submerso em algum momento da história geológica de Marte.

Como podem perceber quanto à localização das possíveis colônias, o interesse no planeta vermelho é tão grande que já existe toda uma geografia do local, com alguns mapas mostrando e dando nomes a territórios, vales e montanhas, conforme podem perceber no mapa abaixo.


Possíveis problemas da colonização em Marte...
Além das várias críticas contra a colonização espacial humana, há preocupações específicas a respeito da colonização de Marte:

- Alguns se preocupam com a contaminação do planeta com a vida terrestre, como aconteceu com a Terra, principalmente após as Grandes Navegações;
- A viagem média entre a Terra e Marte é de seis meses, o que é considerada extremamente longa;
- Os níveis de radiação para viagens para e de Marte são muito altos, além de significativamente aumentarem o risco de câncer, e se mulheres grávidas forem enviados haveria possibilidade de surgirem defeitos de nascimento;
- Alguns sugerem a Lua com um local mais lógico para a primeira colonização planetária, talvez a usando como uma área de passagem para futuras missiões para Marte;
- É desconhecido se a gravidade marciana pode suportar a vida humana por longo prazo (todas as experiências são ou em 1g ou na gravidade zero). Os pesquisadores de Medicina espacial teorizam sobre se há benefícios na saúde com aumento lento ou rápido da gravidade, do sem peso à gravidade total da Terra.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Victor de Aveyron, a história real do menino lobo das florestas...

Victor de Aveyron (nascido cerca de 1787, morreu em 1828) foi uma criança selvagem que foi encontrada na França em 1798, sendo adotado então pelo educador Jean-Marc Gaspard Itard. A história ganhou tons folclóricos com o tempo, com várias versões, chegando a ser confuso saber o que é realidade e o que é fantasia. Sua história virou tema de séries, filmes, telenovelas, desenhos animados etc. A grande maioria destas histórias têm como base os relatos deixados por Itard em relação a Victor de Aveyron.


No dia 09 de janeiro de 1799, uma estranha criatura surgiu dos bosques próximos ao povoado de Saint-Serin, no sul da França. Apesar de andar em posição ereta, se assemelhava mais a um animal do que a um ser humano, porém, imediatamente foi identificado como um menino de uns onze ou doze anos. Unicamente emitia estridentes e incompreensíveis grunhidos e parecia carecer do sentido de higiene pessoal, fazia suas necessidades onde e quando lhe apetecia. Foi conduzido para a polícia local e, mais tarde, para um orfanato próximo.

A princípio escapava constantemente e era difícil voltar a capturá-lo, agindo sempre como um animal. Negava-se a vestir-se e rasgava as roupas quando lhes punham. Nunca houve pais que o reclamassem. Portanto era um mistério; com isso, a polícia começou a suspeitar que o garoto fosse uma criança abandonada à própria sorte no bosque, com a intenção que morresse com fome ou devorado por feras; essa atitude era muito comum na época por causa da pobreza extrema logo após o conturbado período da Revolução Francesa.

O menino foi submetido a um minucioso exame médico no qual não se encontrou nenhuma anormalidade importante. Quando foi colocado diante de um espelho parece que viu sua imagem sem reconhecer-se a si mesmo. Em uma ocasião tratou de alcançar através do espelho uma batata que havia visto refletida nele (de fato, a batata era segurada por alguém atrás de sua cabeça). Depois de várias tentativas, e sem voltar a cabeça, colheu a batata por cima de seu ombro.


Um sacerdote que observava ao menino diariamente descreveu esse incidente da seguinte forma: “todos estes pequenos detalhes, e muitos outros que poderiam aludir, demonstram que este menino não carece totalmente de inteligência, nem de capacidade de reflexão e raciocínio. Contudo, nos vemos obrigados a reconhecer que, em todos os aspectos que não tem a ver com as necessidades naturais ou a satisfação dos apetites, se percebe nele um comportamento puramente animal. Se possui sensações não desembocam em nenhuma ideia. Nem sequer pode comparar umas as outras. Poderia pensar-se que não existe conexão entre sua alma ou sua mente e seu corpo”.

Posteriormente, o menino foi enviado para Paris, onde se ocorreram tentativas sistemáticas de transformar-lhe “de besta em humano”. O esforço resultou só parcialmente satisfatório. Aprendeu a utilizar o banheiro, aceitou usar roupa e aprendeu a vestir-se sozinho. No entanto, não lhe interessavam nem as brincadeiras nem os jogos e nunca foi capaz de articular mais que um reduzido número de palavras. Até onde sabemos pelas detalhadas descrições de seu comportamento e suas reações, a questão não era a de que fosse retardado mental. Parece que ou não desejava dominar totalmente a fala humana ou que era incapaz de fazê-lo. Com o tempo fez escassos progressos e morreu em 1828, quando tinha por volta de quarenta anos.


Há várias histórias das chamadas “crianças selvagens” em várias partes do mundo. Essas histórias corroboram com as psicologias da educação e do desenvolvimento ao afirmarem que nós nos tornamos humanos por conta da educação e da convivência com outros humanos parecidos conosco; aí está uma questão antropológica da força da cultura sobre os indivíduos.