sábado, 29 de março de 2014

Frenologia: apontamentos sobre o uso preconceituoso da psicologia e da antropologia...

Hoje vamos falar um pouco sobre a frenologia, uma chamada pseudociência que já teve validade para muitos psicólogos, médicos e antropólogos europeus durante a segunda metade do século 19 e primeira metade do século 20. Pode parecer loucura, mas para este estudo, o formato do crânio mostraria uma série de perfis psicológicos e psicopatologias. Isso fez com que houvesse o uso preconceituoso da psicologia e da antropologia.


1. Frenologia tem origem no grego “Frén”, “Cabeça, mente” e “Lógos”, “Estudo, pesquisa, conhecimento”. É uma teoria que reivindica ser capaz de determinar o caráter, personalidade e grau de criminalidade de alguém somente pela forma da cabeça, “lendo-se ‘caroços’ e protuberâncias”;

2. A teoria foi desenvolvida pelo médico alemão Franz Joseph Gall por volta de 1800 e acabou sendo muito popular em todo século 19 e início do século 20, agora totalmente desacreditada e classificada como “perigosa e preconceituosa pseudo ciência”, apesar de ainda encontrar ferrenhos defensores – principalmente na internet;

3. A frenologia, contudo, recebeu crédito como uma protociência por contribuir com a ciência médica com as ideias de que o cérebro é o órgão da mente e áreas específicas do cérebro estão relacionadas com determinadas funções do cérebro humano;

4. Seus princípios eram que o cérebro é o órgão da mente, e essa mente tem um jogo de diferentes faculdades mentais e comportamento, cada sentido em particular tem sua representação em uma parte diferente do órgão ou cérebro. Estas áreas seriam proporcionais a cada indivíduo, dadas as propensões e importância da faculdade mental e personalidade, e o osso sobrejacente do crânio refletiria estas diferenças;

5. Curiosamente, graças aos estudos e popularidade da frenologia a psicologia entrou em cena nos consultórios da Europa e dos Estados Unidos e, anos mais tarde, um médico austríaco chamado Sigmund Freud lançaria as bases da psicanálise, igualmente controversa por lidar com conexões tão complexas, tais como a sexualidade em uma sociedade hipocritamente pudica, como a vitoriana;


6. É importante destacarmos que a frenologia, que foca a personalidade e o caráter, é diferente da craniometria, que é o estudo do tamanho do crânio, peso e forma, e fisionomia, é o estudo das características faciais;

7. No entanto, estes campos de estudo têm tentado reivindicar a suposta capacidade de predizer características ou inteligência. Este assunto também é razão de estudo e controvérsias na antropologia e etnologia, e às vezes utilizado “cientificamente” para justificar o racismo;

8. Enquanto no passado alguns princípios da frenologia foram estabelecidos, atualmente a premissa básica de uma personalidade poder ser determinada em grande parte pelo formato do crânio é considerada como extremamente falsa;

9. A tentativa de localizar os sentidos ou a personalidade dentro da cabeça remonta ao filósofo Aristóteles, da Grécia Antiga. No entanto, as primeiras tentativas científicas de medir o formato de um crânio e tentar estabelecer uma suposta relação com o caráter foram feitas por Franz Joseph Gall, que é o fundador e pai da frenologia. Franz Joseph Gall foi um dos primeiros a considerar o cérebro como o lar de todas as atividades mentais;

10. Para termos uma ideia, durante muitos séculos e milênios os gregos imaginavam que os sentimentos eram processados e criados no fígado. Enquanto no Egito Antigo, acreditava-se que os sentimentos fossem criados pelo coração, e por isso até hoje ele é representado como o órgão do amor e dos sentimentos de paixão;


11. Durante a apresentação de seu principal trabalho sobre a frenologia, Gall fez algumas declarações sobre os princípios de sua doutrina: “Que a moral e os sentidos intelectuais estejam inatos. Que seu exercício ou manifestação depende da organização. Que o cérebro é o órgão de todas as propensões, sentimentos e sentidos. Que o cérebro é composto de muitos órgãos particulares como há propensões, sentimentos e sentidos que diferem essencialmente um do outro. Que a forma da cabeça ou crânio representa a forma do cérebro, e assim reflete o desenvolvimento relativo dos órgãos do cérebro”;

12. Estas declarações podem ser consideradas como as leis básicas que a frenologia foi construída. Por observação cuidadosa e medidas experimentais extensas, Gall acreditava que tinha encontrado ligações entre os aspectos do caráter, em que chamou de faculdades, como sendo um órgão específico dentro do cérebro;

13. A frenologia chegou nos Estados Unidos e Reino Unido através de alunos de Gall, e foi extensamente usada pelos sistemas policiais e penitenciários para “entender” a mente e comportamento de criminosos e a relação com suas vítimas. Apesar dos erros que a frenologia tem, foi um passo importante para a ciência psicológica de montar perfis de criminosos (principalmente serial-killers) segundo a cena do crime e as suas vítimas;

14. No período vitoriano, a frenologia frequentemente era vista com seriedade. Muitas personalidades proeminentes tal como o Reverendo Henry Ward Beecher promoveram a frenologia ativamente como uma maneira fácil de conhecimento, introspecção psicológica e crescimento pessoal;

15. No auge do século 19, milhares de pessoas consultavam um frenologista para receberem conselhos em questões como empregados pessoais ou para procurar um marido e casamento. No entanto, a frenologia foi rejeitada pela academia de mestres; a disciplina foi excluída da Associação Britânica para a Promoção da Ciência;


16. Durante o período do Imperialismo, também conhecido como Neocolonisalismo, as potências Grã-Bretanha, Bélgica e Alemanha fizeram uso frequente da frenologia para tentarem traçar um perfil dos povos africanos e asiáticos que estavam sob seu domínio;

17. Durante a Segunda Guerra Mundial, o único país que ainda mantinha centros de estudo de frenologia era a Alemanha que, nos campos de concentração, adotava medidas para traçar perfis extremamente preconceituosos de judeus, comunistas, ciganos e homossexuais. O mais interessante é que essa frenologia já vinha com um “diagnóstico” pronto: todos eram marginais extremamente perigosos;

18. Apesar desse uso na Alemanha Nazista, a popularidade da frenologia foi declinando em todo o mundo no início do século 20, com alguns chegando a misturar essa pseudociência com astrologia e quiromancia (a arte de ler a mão);

19. É interessante pontuarmos que nos Estados Unidos e na Alemanha há um arquivo imenso da polícia embasando casos criminosos com análise frenológicas. Os suspeitos eram presos e condenados muitas vezes a partir de evidências hoje vistas como totalmente “furadas”. Nos dias de hoje, muitos críticos apontam que a frenologia pode ter colocado na sentença de morte milhares de inocentes;

20. A frenologia foi a base para comportamentos sociais visando a eugenia, ou seja, a “seleção dos melhores para purificação da raça”. A lógica de uma teoria não significa que ela seja real. Um raciocínio gerado sobre premissas falsas é um sofisma. Foi graças a esse estudo que arraigou-se ainda mais o preconceito na Europa contra os judeus, os negros nas colônias e os ciganos;

21. Não havendo prova da premissa de que a forma e as dimensões da cabeça estejam relacionadas a qualquer padrão de comportamento, os críticos da frenologia argumentam que esta é apenas uma argumentação sofismática para comportamentos racistas de certos grupos sociais.


No post de hoje observamos como o mito do cientificismo pode ser extremamente perigoso. Um estudo que se tornou popular declamando-se ciência pura ajudou a fundamentar o preconceito, com erros grotescos para análise criminal, psicológica e antropológica. A frenologia hoje é considerada somente um passatempo curioso, como os mapas astrais da astrologia; não serve mais para as polícias e estudiosos para terem um predicado comum do comportamento de povos, etnias e serial-killers, por exemplo.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Você conhece a lenda dos “orang pendek”? Fato, farsa ou erro de identidade?

Orang pendek vem do idioma indonésio, e significa literalmente “pessoa pequena”. É uma das lendas mais comuns da Malásia, Indonésia, Cingapura e Papua Nova-Guiné; seriam animais que viveriam em áreas extremamente remotas, alto de montanhas e florestas tropicais. Há pelo menos duzentos anos os orang pendek são “documentados” e “relatados” por habitantes locais e até mesmo colonizadores portugueses e holandeses. Segundo as testemunhas, ele é parecido com um ser humano: anão, bípede, coberto com uma pelagem curta e mede até 1m50.


De acordo com as documentações realizadas por biólogos e demais pesquisadores, os supostos orang pendek são vistos com maior frequência na ilha de Sumatra, na Indonésia, mas também há relatos de avistamentos em outras partes do Sudeste Asiático. Para aumentar ainda mais o mistério, os avistamentos são mais recorrentes na região de Bukit Barisan, conhecida como a floresta tropical mais remota da civilização do mundo, portanto um rincão pouco conhecido. Por conta da inacessibilidade, torna-se difícil a pesquisa.

Debbie Martyr é uma das pesquisadoras que mais tem se dedicado à pesquisa e possível comprovação científica da existência destes seres, indo até Sumatra frequentemente por mais de 20 anos, tanto que ela conseguiu traçar certos perfis físicos destes seres, mas também até mesmo a dieta destes animais humanoides. Segundo ela, os relatos apontam que há uma dieta baseada em frutas e vegetais diversos, não sendo um animal de hábitos carnívoros – portanto se enquadrando entre os primatas.

Martyr também conseguiu coletar em regiões diversas do Sudeste Asiático nomes locais para o que poderiam ser os orang pendek a fim de filtrar de maneira mais enfática a sua pesquisa e não se perder em descrições sobre macacos. Alguns dos nomes identificados são: uhang pandak, sedapa, batutut, ebu gogo, umang, orang gugu, orang letjo, atoe pandak, atoe rimbo, ijaoe, sebado, batutu e goegoeh.


Na Indonésia existe um folclore conhecido como “Suku anak dalam”, ou “crianças perdidas das florestas”. Essa lenda é de cunho tradicional da educação e fala que os orang pendek, na realidade, são crianças desobedientes dos pais e que se perderam nas florestas ou foram levadas por espíritos da mata. Depois de crescidas, estas crianças se tornariam macacos por tanto tempo longe da civilização. Segundo antropólogos, parece que esta história poderia ter se desenvolvido no período colonial holandês para afastar os filhos dos colonos das matas (perigosas e desconhecidas) e dos habitantes locais (os supostos espíritos da mata).

Enquanto isso, os vilarejos no interior da Malásia, Indonésia, Cingapura e Tailândia são cheios de pessoas com informações sobre os orang pendek. Alguns acreditam que possam ser seres humanos, outros pensam ser criaturas misteriosas e outros tantos alegam que são macacos que se parecem muito com os humanos em seus hábitos e posturas.


Os pesquisadores, de um modo geral, observaram fotos e pegadas e demais evidências e veem no que poderiam ser restos deixados pelos orang pendek como restos de qualquer outro primata da região da Sumatra e do Sudeste do continente asiático. Até agora nenhum projeto empreendido pelas grandes universidades e museus de história natural obtiveram sucesso em realmente comprovar a existência de uma nova espécie de mamíferos, mesmo pesquisadores como Martyr declarando que é preciso analisar com maior carinho e confiança a floresta mais remota do mundo.

Vale ressaltar que até o início do século 20, os famosos grandes gorilas africanos eram conhecidos somente como mitos impossíveis de “bárbaros negros” de vilarejos distantes da civilização. Entretanto, após sucessivas documentações e expedições foi possível comprovar a existência da nova espécie de primata; é nisso que Debbie Martyr acredita que poderá acontecer, enquanto um pequeno grupo chega a crer em uma tribo de hominídeos desconhecida da civilização, com baixa estatura como os pigmeus africanos.

Enquanto isso, os orang pendek continuam sendo um mito para alguns, um animal estranho para os moradores dos vilarejos e um motivo de educação e obediência para as crianças indonésias, com medo de se perderem nas florestas fechadas.

terça-feira, 25 de março de 2014

Manuscrito (ou Código) de Voynich: o que haveria por trás das misteriosas caligrafias?

Manuscrito Voynich é um misterioso livro ilustrado com um conteúdo incompreensível. Imagina-se que tenha sido escrito há aproximadamente 600 anos por um autor desconhecido que se utilizou de um sistema de escrita não-identificado e uma linguagem ininteligível. É conhecido como “o livro que ninguém consegue ler”.

Ao longo de sua existência registrada, o Manuscrito Voynich tem sido objeto de intenso estudo por parte de muitos criptógrafos amadores e profissionais, incluindo alguns dos maiores decifradores norte-americanos e britânicos ao tempo da Segunda Guerra Mundial (todos os quais falharam em decifrar uma única palavra). Esta sucessão de falhas transformou o manuscrito num tema famoso da história da criptografia, mas também contribuiu para lhe atribuir a teoria de ser simplesmente um embuste muito bem tramado – uma sequência arbitrária de símbolos.


A teoria hoje mais aceita é de que o manuscrito tenha sido criado como arte no século 16 como uma fraude. O fraudador teria sido o mago, astrólogo e falsário inglês Edward Kelley com ajuda do filósofo John Dee para enganar Rodolfo II da Germânia (do Sacro Império Romano-Germânico). Foi datado por carbono-14 como se fosse do começo do século 15. Segundo a datação Kelley não poderia ter escrito ele, pois nasceu meio século depois. Vendo torres que se assemelham a uma cidade há uma teoria que diz que foi escrito no norte da Itália. O livro ganhou o nome do livreiro polonês Wilfrid Voynich, que o comprou em 1912. A partir de 2005, o Manuscrito Voynich passou a ser o item MS 408 na Beinecke Rare Book and Manuscript Library da Universidade de Yale. A primeira edição fac-símile foi publicada em 2005, com uma curta apresentação em francês.

Características do manuscrito...
O volume, escrito em pergaminho de vitelo, é relativamente pequeno: 16 centímetros de largura, 22 centímetros de altura e 4 centímetros de espessura. São 122 folhas, num total de 204 páginas. Estudos consideram que o original teria 272 páginas em 17 conjuntos de 16 páginas cada, outros falam em 116 folhas originais, tendo um se perdido.

Percebe-se, pelos espaços ao final direito das linhas, que o texto é escrito da esquerda para a direita, sem pontuação. Análise grafológica mostra uma boa fluência. No total são cerca de 170 mil caracteres, 20 a 30 letras se repetem, umas 12 aparecem só uma ou duas vezes. Os espaços indicam haver 35 mil palavras; os caracteres têm boa distribuição quantitativa e de posição, alguns podem se repetir (duas e três vezes), outros não, alguns só aparecem no início de palavras, outros só no fim; análises estatísticas (análise de frequência de letras) dão ideia de uma língua natural, europeia, algo como inglês ou línguas românicas.

Conforme o linguista Jacques Guy, a aparente estrutura do texto indica semelhanças com línguas da Ásia do Sul e Central, sendo talvez uma língua tonal, algo como línguas sino-tibetanas, austro-asiáticas ou tai. Conforme datação por carbono-14 feita pela Universidade do Arizona, o pergaminho data do início do século 15; conforme a análise do McCrone Research Institut, a tinta é da mesma época, embora as cores dos desenhos sejam posteriores. Nas páginas finais aparecem anotações mais recentes feitas em letras latinas nas formas de alfabetos europeus do século 15.


Composição do Manuscrito Voynich...
Acompanha o texto uma quantidade significativa de ilustrações em cores que representam uma ampla variedade de assuntos; os desenhos permitem que se perceba a natureza do manuscrito e foram usados como pontos de referência para os criptógrafos dividirem o livro em seções, conforme a natureza das ilustrações.

• Seção 1 (folhas 1 a 66): denominada botânica, contém 113 desenhos de plantas ainda desconhecidas, ou então fantasiosas;
• Seção 2 (folhas 67 a 73): denominada astronômico-astrológica, apresenta 25 diagramas que parecem se referir a estrelas e constelações. Ali podem ser identificados alguns signos do zodíaco. Neste caso ainda fica difícil haver certezas acerca do que trata realmente esta seção;
• Seção 3 (folhas 75 a 86): denominada biológica, denominação que se deve exclusivamente à presença de muitas figuras femininas, frequentemente imersas até os joelhos em estranhos vasos comunicantes contendo um fluido escuro;
• Logo após essa seção vem uma mesma folha repetida seis vezes, apresentando nove medalhões com imagens de estrelas ou figuras que podem parecer células, imagens radiais de pétalas e feixes de tubos;
• Seção 4 (folhas 87 a 102): denominada farmacológico-medicinal, por meio de imagens de ampolas e frascos de formas semelhantes às dos recipientes das farmácias antigas. Nessa seção há ainda desenhos de pequenas plantas e raízes, possivelmente ervas medicinais
• A última seção do Manuscritto Voynich tem início na folha 103 e prossegue até o fim, sem que haja nessa seção final mais nenhuma imagem, exceto estrelinhas (ou pequenas flores) ao final de alguns parágrafos. Essas marcações fazem crer que se trata de algum tipo de índice.


História da descoberta do manuscrito...
O Manuscrito Voynich deve sua denominação graças a Wilfrid Michael Voynich, um americano de ascendência polonesa, mercador de livros, que adquiriu o livro no Colégio Jesuíta de Villa Mondragone, em Frascati, em 1912, através de um padre jesuíta. Os jesuítas precisavam de fundos para restaurar a vila e venderam a Voynich 30 volumes da sua biblioteca, que era formada por volumes do Colégio Romano que tinham sido transportados ao Colégio de Mondragone junto com a biblioteca geral dos jesuítas, para evitar sua expropriação pelo novo Reino de Itália. Entre esses livros estava o misterioso manuscrito.

Com o livro, Voynich encontrou uma carta de Johannes Marcus Marci (1595-1667), reitor da Universidade de Praga e médico real de Rodolfo II da Germânia, com a qual enviava o livro a Roma, ao amigo polígrafo Athanasius Kircher para que o decifrasse. Na carta, que ostenta no cabeçalho Praga, 19 de agosto de 1665, Marci declarava ter herdado o manuscrito medieval de um amigo seu (conforme revelaram pesquisas, era um muito conhecido alquimista de nome Georg Baresch), e que seu dono anterior, o Imperador Rodolfo II do Sacro Império Romano, o adquirira por 600 ducados, cifra muito elevada, acreditando que se tratasse de algo escrito por Roger Bacon.

Voynich afirmou que o livro continha pequenas anotações em grego antigo e datou o mesmo do século 13. A definição da data do pergaminho ainda é controversa, mas é possível situar a elaboração do texto no final do século 17: uma análise por radiação infravermelha revela a presença de uma assinatura sucessivamente apagada: Jacobi a Tepenece, na época Jacobus Horcicki, morto em 1622 e principal alquimista a serviço de Rodolfo II do Sacro Império. Como “Jacobi” recebeu o título de Tepenece em 1608, isso prova não ser confiável a informação da aquisição do manuscrito antes disso.

Além disso, uma das plantas representadas em desenho na seção de Botânica é quase idêntica ao girassol, que somente passou a existir na Europa depois da conquista da América, o que leva o manuscrito a ser posterior a 1492.


Criptografia do manuscrito...
Muitos, ao longo do tempo, e principalmente em tempos mais recentes, tentaram decifrar a escrita e a língua desconhecidas do Manuscrito Voynich. O primeiro a ter afirmado que decifrara a escrita foi William Newbold, professor de Filosofia Medieval na Universidade da Pensilvânia. Em 1921 publicou um artigo no qual apresentava um proceder complexo e arbitrário pelo qual decifrara o texto. O texto como visível, segundo ele, não tinha significado, o verdadeiro conteúdo seria um subtexto micrografado, com marcas mínúsculas ocultas nos caracteres maiores. O texto real era escrito em latim, camuflado nas marcas quase invisíveis, sendo obra de Roger Bacon. A conclusão que Newbold tirou de sua tradução dizia que já no final da Idade Média seriam conhecidas noções de astrofísica e de biologia molecular.

Nos anos 40, os criptógrafos Joseph Martin Feely e Leonell Strong aplicaram ao documento um outro sistema de decifração, tentando encontrar caracteres latinos nos espaços claros, brancos. A tentativa apresentou resultados sem significado. O manuscrito foi o único a resistir às análises dos “experts” de criptografia da marinha americana, que ao fim da guerra estudaram e analisaram alguns antigos códigos cifrados para testar os novos sistemas de codificação. J.M. Feely publicou uma dedução no livro “Roger Bacon’s cipher: the right key found” no qual, mais uma vez, volta-se a atribuir a Bacon a paternidade do livro misterioso.

Em 1945, o professor William Friedman constituiu em Washington um grupo de estudiosos, o First Voynich Manuscript Study Group. A opção foi por uma abordagem mais metódica e objetiva, a qual levou à percepção a grande repetição de “palavras” em alguns trechos no texto do manuscrito. No entanto, independente da opinião formada ao longo dos anos quanto ao caráter artificial da tal linguagem, na prática, a busca terminou em impasse: de fato não serviu para transpor os caracteres em sinais convencionais, o que serviria de ponto de partida para qualquer análise posterior.


O professor Robert Brumbaugh, docente de Filosofia Medieval de Yale, e o cientista Gordon Rugg, na sequência de pesquisas linguísticas, assumiram a teoria que veria o Voynich como um simples expediente fraudulento, visando a desfrutar, na época, do sucesso que obtinham as obras de natureza esotéricas junto às cortes europeias. Em 1978, o filólogo diletante John Stojko acreditou ter reconhecido a língua, declarando que se tratava do ucraniano com as vogais removidas. A tal tradução, no entanto, apesar de apresentar alguns passos num sentido aparentemente lógico não correspondia aos desenhos. Em 1987, o físico Leo Levitov atribuiu o texto ao povo cátaro, pensando ter interpretado o texto como uma mistura de diversas línguas medievais da Europa Central. O texto, porém, não correspondia à cultura cátara e a tradução não fazia muito sentido.

O estudo mais significativo nessa matéria hoje é aquele feito em 1976 por William Ralph Bennett, que aplicou estudos de casuística e estatística de letras e palavras do texto, colocando em foco não somente a repetição, mas também a simplicidade léxica e a baixíssima entropia da informação. A linguagem contida no Voynich não somente teria um vocabulário muito limitado, mas também uma basicidade linguística encontrada somente na língua havaiana. O fato de que as mesmas “sílabas” e ainda palavras inteiras venham repetidas mostra algo que parece uma zombaria relacionada a uma visão mais complacente, inconscientemente, mas não deliberadamente enigmático.

O alfabeto utilizado, além de não ter sido ainda decifrado, é único. Foram, no entanto, reconhecidas de 19 a 28 possíveis letras, que não têm nenhuma ligação ou correspondência perceptível com os alfabetos hoje conhecidos. Em alguns pontos encontram-se quatro palavras ou mais repetidas de forma consecutiva. Suspeita-se também que foram usados dois alfabetos complementares, mas não iguais, e que o manuscrito teria sido redigido por mais de uma pessoa. É imprescindível e significativo lembrar que a total falta de erros ortográficos perceptíveis, de pontos riscados ou apagados, ou hesitações, é estranha, pois tais falhas sempre ocorreram em todos os manuscritos que já foram localizados e analisados.


Hipótese filosófica do manuscrito...
As palavras contidas no manuscrito apresentam frequentes repetições de sílabas, o que levou alguns estudiosos a levantar a hipótese de se tratar de uma “língua filosófica”, ou seja, artificial, na qual cada palavra é composta de um conjunto de letras que lembram uma divisão dos substantivos em categorias. O exemplo mais claro de língua artificial é a língua analítica de John Wilkins, também analisado no conto homônimo de Jorge Luís Borges. Nessa língua, todos os seres são catalogados em 40 categorias, subdivididas em subcategorias e a cada uma é associada uma sílaba ou uma letra: desse modo, por exemplo, a classe geral “cor” é indicada como “robo”; assim, o vermelho será “robôs” e o amarelo “robof” e assim por diante.

Essa hipótese baseava-se na repetição de sílabas, mas até hoje ninguém conseguiu dar um senso razoável aos prefixos silábicos repetidos. Além disso, as primeiras línguas artificiais começaram a aparecer em épocas posteriores da provável compilação do manuscrito. Quanto a esses pontos, não é uma restrição tão importante, pois é fácil acreditar que ideia de línguas filosóficas é simples e poderia ser mais antiga do que se pensa.

Uma hipótese contrária, muito mais arriscada e audaciosa, é de que era um objetivo do manuscrito sugerir que se tratava de uma língua artificial. O certo é que Johannes Marcus Marci tinha contatos com Juan Caramuel y Lobkowitz, cujo livro “Grammatica Audax” constituiu numa inspiração para a língua analítica de Wilkins.


Possível solução para a casa...
Recentemente foi levantada a hipótese que buscava entender o motivo da dificuldade para o texto ser decifrado. Gordon Rugg, em 2004, individualizou um método que poderia ter sido seguido pelos autores hipotéticos para produzir “ruídos casuais” em forma de sílabas e de palavras. Esse método, realizável mesmo com os recursos de 1600, explicaria essa repetição de sílabas e de palavras, a essência básica típica da escrita casual e tornaria verossímil a hipótese de o texto ser um falso trabalho renascentista criado como arte para enganar qualquer estudioso ou soberano. Antes disso, o estudioso Jorge Stolfi, da Universidade de Campinas, havia proposto a hipótese de que o texto fosse composto misturando sílabas casuais tiradas de uma tabela de caracteres. Isso explicaria a regularidade das repetições, mas não a ausência de outras estruturas de repetição, por exemplo, das outras letras ligadas aos conjuntos repetitivos.

Rugg parte da ideia de que o texto tenha sido composto com métodos combinatórios disponíveis por volta dos anos 1400 a 1600: chamou sua atenção a chamada “Grade (tabela) de Cardano”, criada por Girolamo Cardano em 1550. O método consiste em sobrepor com uma tabela de caracteres ou com um texto uma segunda grade, com apenas algumas pequenas casas (janelas) cortadas de modo a permitir ler a tabela que fica atrás. A superposição oculta a parte supérflua do texto de baixo, deixando visível a mensagem. Rugg reconduziu o método de criação com uma grade de 36 x 40 casas, à qual sobrepôs uma máscara com três furos, compondo assim os três elementos da palavra: prefixo, raiz central e sufixo. O método, muito simples na sua utilização, teria permitido ao anônimo autor do manuscrito a realização muito rápida do texto partindo de uma única grade (com casa cortada) colocada em diversas posições. Isso acabou com a teoria de que o manuscrito fosse algo falso, dado que um texto de tais proporções com características sintáticas similares será muito difícil de ser feito sem um método dessa natureza.

Rugg determinou algumas “regras básicas” do “Voynich” que poderiam reconduzir às características da tabela usada pelo autor. Como exemplo, a tabela original tinha a provavelmente as sílabas do lado direito mais longas, algo que se reflete nas maiores dimensões dos prefixos em relação às sílabas seguintes. Ele ainda tentou entender se o texto poderia se tratar de um segredo codificado no texto, mas a análise o levou a excluir tal hipótese, pois, em função da complexidade de construção das frases, é quase certo que a grade foi usada não para codificar o texto, mas para escrevê-lo. Pesquisas históricas posteriores a esse estudo levaram a atribuir a John Dee e a Edward Kelley o texto. Dee era um estudioso do Período Elisabetano e teria introduzido o notório falsário Kelley na Corte de Rodolfo II (Sacro Império Romano) por volta de 1580. Kelley era mago, além de falsificador, e assim conhecia truques matemáticos de Cardano, tendo criado o texto a fim de obter uma vultosa cifra que lhe foi dada pelo Imperador.

sábado, 22 de março de 2014

Você conhece a história dos macaquinhos que tapam os olhos, boca e ouvidos?!

Garanto que você já viu aquelas peças que são três macaquinhos, em que um tapa os olhos, outro tapa os ouvidos e o terceiro tapa a boca. Você sabia que eles são conhecidos como “três macacos sábios”, e são parte importante do folclore japonês? Por lá são conhecidos como “Sanbiki no-saru”. Ganharam o mundo com a expansão do Cristianismo, quando os frades portugueses evangelizaram grande parte do Japão.


Toda a história começa com os macacos que ilustram a porta do Estábulo Sagrado, um templo do século 15 localizado no Santuário de Toshogu, em Nikko, no Japão. Sua origem não é obscura como muitas pessoas podem supor, mas de um trocadilho de palavras japonesas; seus nomes são Mizaru (o que cobre os olhos), Kikazaru (o que tapa os ouvidos) e Iwazaru (o macaquinho que tapa a boca), que seria traduzido como “não ouça o mal, não fale o mal, não veja o mal”. Gramaticalmente, a palavra “saru”, em japonês, significa “macaco” e tem o mesmo som da terminação verbal “zaru”, que está ligada à negação.

Abaixo, na foto, os macaquinhos originais que ficam em Nikko


O folclore japonês é muito distante e os etnólogos não conseguiram identificar ao certo onde começa a lenda e a verdade, pois o período medieval japonês é repleto de misturas de realidades com ficções. De acordo com o que é contado, a imagem dos macacos foi trazida por um monge budista chinês no século 13. Apesar disso, não há nenhuma comprovação dessa suposição. O que se tem certeza é que os macaquinhos chegaram à Europa através dos jesuítas portugueses e comerciantes holandeses que invadiram o Japão no século 16.

Os três macacos sábios deram, com o tempo, temática para um provérbio japonês que diz: “Nunca olhe demais, jamais ouça o que nunca ouviu e nunca levante falso do outro”. O interessante é que, gramaticalmente, “miru” significa “olhar” (tem origem no português “mirar”), “kiku” é “ouvir” e “iu” é o verbo “falar”, enquanto “zaru” dá conotação de negação. Portanto os nomes dos macaquinhos, Mizaru, Kikazaru e Iwazaru portam o sentido de não fazerem essas ações. O ditado popular é uma forma de lembrar que, se os homens não olhassem, não ouvissem e não falassem o mal alheio, teríamos comunidades pacíficas com paz e harmonia.


Como na Europa não há macacos, houve uma adaptação continental: as figuras foram substituídas por ursinhos e, assim, também ganharam o continente estando por todas as partes nos principais centros comerciais marítimos, como Veneza, Florença, Gênova, Roterdã, Hamburgo, Lisboa e Barcelona.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Casa Sagrada de Loreto: fato ou farsa?!

O Santuário da Santa Casa de Loreto é um lugar de peregrinação católico situado no município italiano de Loreto. É considerado o mais importante da Itália depois da Cidade do Vaticano. Foi construído perto da casa onde, segundo a tradição medieval, o Arcanjo Gabriel anunciou à Virgem Maria a maternidade divina e onde viveu a Sagrada Família de Nazaré, casa essa miraculosamente transportada por anjos.


A lenda da casa...
Por volta do século 4, quando Santa Helena (mãe do Imperador Constantino, que colocou o catolicismo como religião oficial do Império Romano) foi a Nazaré, teria mandado construir uma igreja no local onde se encontrava a casa da Sagrada Família. A tradição da época conta também que foi nessa casa que Maria foi educada e cresceu na companhia dos seus pais, Santa Ana e São Joaquim.

Por volta do século 13, os lugares santos cristãos foram ameaçados pelos sarracenos e a igreja construída por Santa Helena foi totalmente destruída. A mesma sorte estaria reservada à casa de Nazaré. Segundo a lenda, Deus fez miraculosamente transportar a Santa Casa para a Croácia, para as localidades de Trsat e Rijeka, para o Monte Rauniza, com a ajuda de anjos.

Este ideia surgiu no pontificado do Papa Nicolau 4. Na casa, foi encontrada uma estátua que representava Nossa Senhora coroada e tinha o Menino Jesus ao colo. Ainda segundo a tradição, a Santa Casa foi novamente transportada pelos anjos para Itália, onde foi encontrada por uma senhora chamada Lorette em 10 de dezembro de 1294. Foi daí que provém a história de Nossa Senhora de Loreto. As litanias loretanas foram compostas pelo Cardeal Savelli em memória deste acontecimento.


A herança da Casa...
Os habitantes da Croácia honram desde há séculos esta tradição mariana organizando peregrinações ao santuário de Loreto e consagrando igrejas a Maria, mãe de Jesus, no seu próprio país. Os papas Pio 2, Paulo 2, Sixto 4, Clemente 7, Leão 10 e Sixto 5 estão entre os primeiros pontífices a reconhecer oficialmente este prodígio. A história da Casa interessou muitas figuras cristãs durante e depois da Renascença, especialmente Erasmo de Roterdã, René de Bastarnay, Louis d’Arpajon e Battista Spagnuoli. René Descartes foi peregrino em ação de graças pelo sonho que conta em “Olympiques”, e que está na origem da sua mathesis universal. Loreto foi elevada a cidade mariana e sede de diocese e tornou-se um dos mais importantes locais de peregrinação da Europa.

Basília da Santa Casa de Loreto...
A basílica é uma estrutura do gótico tardio continuada por Giuliano da Maiano, Giuliano da Sangallo e Bramante. A espantosa fachada da igreja foi construída durante o pontificado de Sixto 5, que fortificou Loreto e lhe deu os privilégios de vila em 1586; a sua colossal estátua ergue-se no meio do lanço de escadas em frente. Sobre a portaria principal está uma estátua de bronze, à escala natural, da Virgem com o Menino de Girolamo Lombardo; as três soberbas portas de bronze foram feitas em finais do século 15, também por Lombardo, seus filhos e alunos, entre eles Tiburzio Vergelli, que também fez a caligrafia em bronze no interior. As portas e candelabros da Santa Casa são dos mesmos artistas.

O sino principal, apresentado por Leão 10 em 1516, pesa 11 toneladas. O interior da igreja tem mosaicos de Domenichino e Guido Reni, e outras obras de arte, incluindo estátuas de Raffaello da Montelupo. Nas sacristias de cada lado do transepto do lado direito há frescos, à direita de Melozzo da Forli, e à esquerda de Luca Signorelli. Em ambos há belas intarsias. A basílica como um todo é uma obra prima de colaboração que envolveu várias gerações de arquitetos e artistas.


Sobre a Santa Casa...
A maior atração do local é a Santa Casa de Loreto, o centro de peregrinação desde o século 14 e local muito popular entre os turistas, mesmo os não-católicos. É uma edifício de um só piso, de pedra, com 8,5 metros de largura por 4 metros de profundidade e 4 metros de altura; tem uma porta no lado norte e uma janela no lado ocidental, e um nicho que contém uma pequena imagem negra da Virgem Maria com o Menino Jesus, em cedro-do-líbano, ricamente adornada com joias.


Sobre a “verdadeira história” da Casa Sagrada”...
As recentes descobertas da arqueologia e da historiografia ajudaram a solucionar o famoso mistério da Casa Sagrada de Loreto. Será que a casa realmente pertenceu à Sagrada Família? Como uma casa inteira foi transportada do Oriente Médio para a Europa? Um exército de anjos a transportou pelos céus como a teoria dos deuses astronautas? Bem, os estudos de arqueólogos, antropólogos, teólogos e histioriadores ajudou a entender isso tudo.

De acordo com as pesquisas mais recentes, a casa realmente pertenceu a uma família de Israel do início da Era Cristã, pois as pedras e madeiras utilizadas nela são características do local, bem como formação arquitetônica.

Já a questão do transporte miraculoso da casa não tem tantos milagres assim. Registros históricos da Croácia, onde a casa ficou primeiro, apontam que ela foi transportada pelos Templários logo depois de algumas das Cruzadas medievais dos cristãos contra os muçulmanos na região onde hoje fica o Estado de Israel. Inclusive há registros de que a Casa Sagrada tenha mudado de lugar duas vezes na Croácia, antes de ser levada para a Itália como presente de um membro de uma família muito rica de novos comerciantes – a ascensão da burguesia e do comércio.

Com isso, a questão histórica fica mais prática do que milagrosa. A tradição fala em exército de anjos celestiais protegendo a casa, mas a história aponta outro exército, desta vez de homens de fé que acreditavam no poder místico daquela, que poderia não ser qualquer casa. Por isso ela foi parar no centro do comércio europeu da época, a potência do Mediterrâneo.

terça-feira, 18 de março de 2014

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (32)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Como os europeus reagiram ao aparecimento da sífilis?
As pestes e epidemias de todos os tipos eram vistas pelo povo como castigo dos deuses sobre um mundo corrompido e corrupto, como punição à imoralidade dos homens. A doença venérea sífilis foi identificada pela primeira vez em 1495 entre soldados franceses, nos quartéis em Nápoles, na Itália, espalhando-se rapidamente por toda a Europa. Ficou assim, na época, conhecida como “doença francesa”. As condições existentes na Europa na época propiciaram muito o avanço da sífilis, pois o número de bordéis e prostitutas era gigantesco; como não havia cura e matava em pouco tempo, seria a “Aids da época”. Os escoceses foram os primeiros a perceber que a doença se espalhava por contato sexual. Para proteger seus cidadãos da “doença francesa”, o Conselho de Aberdeen declarou que todas as prostitutas deixassem de “trabalhar”, sob pena de serem marcadas com ferro em brasa. Pouco adiantou, e a sífilis foi o mal do sexo até o século 19.


Tomar café forte ou banho gelado combatem a ressaca após a bebedeira?
Não. Isso é lenda. Somente o fígado tem a capacidade de processar o álcool ingerido, e mesmo assim num ritmo constante, que não pode ser acelerado. Um banho gelado ou um café forte só deixam a pessoa com ressaca molhada e mais desperta.

Por que o pé de coelho é sinal de boa sorte?
O pé de coelho é considerado um talismã desde 600 a.C. Uma soma de várias características fizeram do coelho um animal capaz de afastar desgraças, tais como: os coelhos já nascem de olhos abertos, sugerindo uma sabedoria enorme; passa grande parte da sua vida debaixo da terra, o que sugere uma conexão com o lado mais misterioso e profundo; é prolífero, sugerindo riqueza e prosperidade. Ninguém sabe ao certo por que o pé foi escolhido como símbolo da sorte, talvez por alguma associação fálica ou de fertilidade.


E se a Terra parasse de fazer o movimento de rotação?
Em primeiro lugar, se a Terra parasse de girar em torno do seu eixo (movimento de rotação, o que gera a sucessão dos dias), haveria uma destruição total de tudo por conta do movimento de freio repentino, uma vez que o planeta roda em torno de si mesmo à velocidade de 105 mil quilômetros por hora (ou trinta quilômetros por segundo), o que é surpreendente! Imagine uma freada a essa velocidade; tudo seria arremessado nesta velocidade e nada sobreviveria. Entretanto, no caso de ocorrer uma frenagem lenta, a parte que ficaria exposta ao Sol com o dia eterno teria a população sofrendo com o calor excessivo e a natureza descontrolada, sem o período de descanso da noite. Já a parte da noite eterna também sofreria, mas com a perda de calor, ficando em um frio eterno; da mesma forma que o outro lado, a natureza ficaria descontrolada por não haver a sucessão de dias e noites para se equilibrar. Ou seja, de uma forma ou de outra, a humanidade perderia muito e todos nós pereceríamos ou no dia escaldante, ou na noite gélida. Curiosamente a velocidade de rotação da Terra, por efeito das marés luni-solares, vem diminuindo ao longo dos séculos: atualmente, o dia aumenta em 2,5 milissegundos a cada século!

O que significam as diferentes cores dos anéis do símbolo dos Jogos Olímpicos?
O símbolo dos Jogos Olímpicos foi criado em 1914 pelo Barão de Coubertin, criador dos jogos contemporâneos, que começaram em 1896. De acordo com a sua concepção, os anéis representam os cinco continentes unidos sobre fundo branco, representando a paz entre as nações. O anel azul representa a Europa; o preto, a África; o amarelo, a Ásia; o verde representa a Oceania; e o vermelho, as Américas. Vale ressaltar outra curiosidade: essas cores foram escolhidas porque são aquelas que aparecem em todas as bandeiras dos países do planeta. Curiosamente, nos anos 1920 e 1930 tentaram criar um novo símbolo para as Olimpíadas, mas a tentativa não obteve sucesso.


Para os muçulmanos, todos nós somos “infiéis pecadores”?
Muitos grupos extremistas muçulmanos, que praticam atos terroristas, dizem que o Ocidente é formado por uma massa gigantesca de infiéis – principalmente nos Estados Unidos. Entretanto, é importante ressaltar que não são todos muçulmanos que são terroristas, mas sim os terroristas que usam a causa do Islamismo para atuarem em seus interesses geopolíticos contra o Estado de Israel e os Estados Unidos. Segundo a teologia islâmica, todos cristãos e judeus também são fiéis, uma vez que, junto com os muçulmanos, todos cremos no mesmo Deus único: Javé – Alá não é um “outro deus” para os islamitas, mas apenas a tradução para o árabe da palavra “Deus”. Para quem não sabe, o Islã foi fundado em 632 d.C. pelo profeta Mohammad (Maomé), misturando crenças católicas, judaicas e credos folclóricos tradicionais das arábias. Portanto, por todos crerem no mesmo Deus Único (monoteísmo), e terem a mesma ascendência, segundo o próprio Alcorão (livro sagrado islâmico), os verdadeiros praticantes do islamismo, do judaísmo e do cristianismo terão o Paraíso e serão salvos com a chegada do fim dos tempos, o Juízo Final, por concordarem que Javé é o Único Senhor de todos os tempos e eras.

sábado, 15 de março de 2014

O Judaísmo é uma religião com passado obscuro? Fato ou farsa?

Por muitos milênios as religiões dos povos faziam uso da magia para entender o presente e prever o futuro, evitando possíveis imprevistos e surpresas, às vezes para burlar a morte. Entretanto, a magia já é condenada no Antigo Testamento como uma intervenção proibida diante da onipotência de Deus. Mas as Sagradas Escrituras dos judeus são uma mina de ouro de práticas mágicas. Nelas sobreviveram resquícios da antiga magia egípcia e babilônica, que os judeus absorveram durante seus cativeiros no Egito e na Babilônia. Desfaz também a piedosa noca de que os judeus teriam sido o primeiro povo monoteísta, cultuando uma só divindade, um Deus espiritual, que não reside em imagens, que é tanto invisível quanto onipotente e onipresente, que domina todo o mundo material.


Conforme prova o estudioso Riwkah Schärf em sua tese “A figura de Satanás no Antigo Testamento”, o Deus judeu Javé (ou Jeová) tinha, originalmente, um irmão gêmeo, Malek-Javé, que representava a noite e tudo o que representa de ruim e sombrio. Está aí o maniqueísmo dia-noite, Sol-Lua, bom-mau etc. Noção esta que se reporta aos antigos deuses gêmeos babilônicos. No livro de Jó, Malek-Javé passa a ser um suposto “filho” de Deus. Agora é Lúcifer que, ainda como príncipe dos anjos, faz uma aposta de igual para igual com seu pai por causa da inveja. Em textos posteriores, ele toma o nome de Satã, mas ainda é mensageiro de Deus. É mágico-mor. Só no Novo Testamento Lúcifer se torna rei do inferno, opositor de Deus, o poder do mal; com isso também a magia passou a ser uma arte infernal.

De acordo com muitos teólogos, o Antigo Testamento não conhece o inferno como nós o imaginamos; apenas um céu, o reino de Javé e dos anjos imortais. Seu inferno é o deserto, noção muito compreensível num povo nômade e pastor. O senhor do deserto é conhecido como Azazel, antigo demônio do folclore árabe dos desertos, da era pré-mosaica. Ele simboliza a aridez e o vazio, a ausência de vida. A esta entidade os israelitas consagravam, por ocasião da farta colheita, um bode; sobre estes eram depositados, junto com fórmulas mágicas de esconjuração, todos os erros e pecados do povo, enfim, tudo de mal que ocorrera naquela tribo. A seguir, o animal era enxotado para o deserto. Para a psicologia, este conceito mágico de bode expiatório se tornou uma característica recorrente do inconsciente humano: a tendência de atribuir sempre a terceiros todos os nossos erros, atitudes errôneas ou insucessos, em vez de procurar as causas no próprio íntimo.


Peculiarmente, em passagem alguma do Antigo Testamento se encontra a descrição exata do Além. A rigor, só há distinção entre viver e não viver. O Antigo Testamento não conhece igualmente ritos de iniciação no mistério da morte, seja como porta para o renascimento – sob qualquer forma –, seja como transição para o prosseguimento da vida após a morte, sob forma espiritual. O que os profetas anunciam como redenção é a Terra Prometida, onde corre leite e mel. A morada de Deus é o Monte Sinai, como o Monte Olimpo é a morada dos deuses gregos. Céu e inferno, os paramos do Além, são imaginados, por assim dizer, só para a vida terrestre. É possível que este conceito materialista de vida tenha explicação na sina dos judeus: sem condições de se defender dos povos vizinhos, com um Estado fraco, sofreram diversos períodos de escravidão e invasões.

No entanto, apesar da proibição divina, também praticavam a necromancia, e evocação dos mortos para predição do futuro. O Rei Saul, por exemplo, certa vez procurou, na calada da noite, a bruxa de Endor, conforme se pode ler no livro 1º de Samuel, capítulo 28, versículos 7 a 25. Exigiu dela a convocação do espírito de Samuel, para que ele lhe revelasse o desfecho de uma grande batalha. O espírito compareceu e anunciou a morte do rei. A Bíblia não diz se isto se deu em consequência do resultado da batalha, desfavorável para Saul, ou como castigo pelo ato proibido de consultar a tal bruxa. Predizer e profetizar, como magia aplicada, era hábito generalizado entre os judeus, conforme mostram os livros dos profetas; mas só o sumo-sacerdote podia consultar oráculos, e isto unicamente no recinto do Templo. O Antigo Testamento proibia, sob pena de morte, procurar conselhos junto a bruxas e feiticeiros.

É importante também pontuarmos que por muito tempo a cultura judaica tenha sido politeísta, e os nomes que atribuem a Deus, como sinônimos para Javé, eram nomes de deuses do deserto, das águas, dos mares etc. Assim, temos El-Shadai, El-Shalom, El-Aharim, El-Shadok etc. São importantes estruturas que hoje ficam escondidas sob o discurso de relativismo teológico.

Ainda sobre a magia, também o Rei Davi, sucessor de Saul, consultou oráculos, desafiando a Lei Mosaica. Quando viu as colheitas ameaçadas pela seca, mandou até exumar os corpos dos seus antepassados, para pendurar os esqueletos como feitiço de chuva no “monte diante do Senhor”, ou seja, no Monte Sinai. O sábio Rei Salomão tomou por esposa uma princesa egípcia, e em seu harém viviam mulheres das mais variadas procedências. Era tolerante, e permitia que elas consultassem os deuses de origem. Consta que ele conhecia os mais recônditos segredos da magia e da demonologia do Egito. Seu sinete mágico desempenhou posteriormente papel significativo no Talmude e na Cabala judaica.


Após a sua morte, o reino decaiu. Ao norte de Israel venerava-se Deus sob a forma de um touro. É o chamado bezerro de ouro citado na Bíblia, e que integra o culto ao deus Baal. Ao sul, reavivaram-se conceitos religiosos da época do xamanismo. Veneravam-se árvores, fonte, a Lua, o Sol, como remanescentes dos tempos no Egito. A posição de divindade suprema é ocupada pela maternal deusa da fertilidade Ishtar, também a deusa suprema da Babilônia.

Só com a queda do Império Assírio, aproximadamente em meados de 1000 a.C., o Rei Josias desencadeia a grande derrubada de todos os “deuses estranhos”. Foi nessa época que o Antigo Testamento tomou a forma como o conhecemos hoje na Bíblia e no Pentateuco. Corresponde igualmente ao período em que na Antiga Grécia se processava a filosofia e o início da transição do pensamento mágico para o pensamento lógico.

Como podemos perceber, religião é questão de fé. Mas também pode ser questão de antropologia e historiografia, evidenciando que a teologia pode ser uma ciência humana ou social, pois a sociedade é formada por seres humanos, mutantes conforme o tempo. A religião é formada pela sociedade, e por isso também está passível de sofrer mudanças de regras, o que faz o assunto ficar cada vez mais animador e interessante.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Você já ouviu falar no “efeito/fenômeno CSI”? São os maios mitos sobre laboratórios criminais nos seriados de TV...

Há uma verdadeira enxurrada de seriados norte-americanos baseados em crimes quase insuspeitos e indecifráveis, mas há uma enorme gama de proezas dos peritos criminais na solução de tantas charadas. Nos Estados Unidos já se chama isso de “efeito CSI” ou “fenômeno CSI”, até porque muitos jovens iludidos decidiram ingressar na carreira da perícia criminal.


Entretanto, como sabemos, os shows de televisão apelam para o exagero, sensacionalismo e desinformação, que no caso de “CSI” e seriados parecidos, é a falta de informação dos roteiristas e produtores em relação às verdadeiras práticas destes profissionais. Mesmo nos Estados Unidos há uma série de crimes sem solução quase caducando e sendo arquivados; em muitos condados os chefes de polícia não têm sequer necrotérios, apelando para as cidades vizinhas; nas cidades menores a polícia mal tem condições para trabalhar bem, sequer fazer perícias com o que os shows mostram ser tecnologia de ponta – que sequer existem de verdade!

O nome “efeito CSI” começou a ganhar forma quando os juízes criminais, acreditando naquilo que assistiam nos seus televisores, começaram a pedir o que os criminalistas chamavam de “provas impossíveis”: testes de DNA de pelo de cachorro, resultados de exames de DNA em até 72 horas, armas que não existem, peritos especializados em medicina, biologia e física etc. Recentemente, visando esclarecer a opinião pública, Tim Kupferschmid, diretor executivo da Sorenson Forensics, com 20 anos de experiência no uso do DNA em provas periciais, divulgou, através de release, os dez maiores mitos sobre laboratórios criminais em seriados televisivos.


Os exageros começam no olhar clínico dos astros destes shows, que somente ao olhar o cadáver já interpretam como morreu, como foi assassinado, o tipo de arma usado, a posição do criminoso no fato etc. Isso não existe e depende de uma série de exames de balística. Mas vamos aos mitos? Voilà!

1. A ideia de que laboratórios criminais podem reunir, preparar, testar e obter resultado de DNA e de outros testes forenses em 72 horas está totalmente errado! De acordo com Tim, “existe uma imensa fila de testes de DNA nos Estados Unidos com atrasos que vão de algumas semanas a anos”. A tecnologia que você vê na TV não existe no mundo real dos criminalistas, explica o especialista;

2. Um suspeito irá sentar-se em uma sala de interrogatório, usando as mesmas roupas que usou durante o crime – e resultados conclusivos chegam às mãos do interrogador no exato momento em que você começa a interrogá-lo. Não! Investigadores da cena do crime (CSI’s) irão esperar meses ou mesmo anos pelos resultados de DNA, garante Kupferschmid. Geralmente, em média, os investigadores demoram 72 horas para prenderem um suspeito – com isso, se ele não fugiu, já trocou de roupa várias vezes;

3. Os seriados no estilo CSI seguem casos do início ao fim e concluem as investigações magicamente em alguns dias. De acordo com Tim, tudo sonho. Alguns casos ficam arquivados por anos, e existem muitos outros casos sendo acompanhados simultaneamente. Segundo o especialista, os seriados fazem parecer que os investigadores têm uma dedicação exclusiva àquele crime do episódio, o que não acontece; muitos investigadores são sobrecarregados, investigando até 15 casos ao mesmo tempo;

4. Nos seriados, os personagens estão diretamente envolvidos com a investigação in-loco do crime, as blitzes, as detenções, os exames laboratoriais. Pura ilusão! A cena do crime é processada por agentes da lei e agentes estilo CSI dificilmente veem um suspeito ou mesmo o interrogam, ficando somente presos aos laboratórios de criminalística e balística;

5. Os agentes dos seriados conseguem obter DNA de qualquer superfície, desde que tenha algum material orgânico. De acordo com Kupferschmidt, podemos obter uma amostra de DNA de um indivíduo se ele roubou um carro e o dirigiu por horas a fio, mas não se ele simplesmente esfregou um objeto nas suas mãos. Nesse caso, teremos somente impressões digitais;

6. Geralmente as análises de DNA oferecem dois resultados: sim, a pessoa cometeu o crime, ou não, ele é inocente. Bem, isso só ocorre na televisão. Este DNA pode ser deixado na cena do crime muito tempo antes ou depois do mesmo, principalmente em se tratando de crimes domésticos, como os passionais. É necessário um bom investigador à moda antiga para determinar a culpa de um suspeito, que vai muito além de um simples resultado positivo ou negativo de DNA;

7. Os agentes dos seriados não somente obtêm o DNA com extrema facilidade e rapidez, mas ainda dizem se ele é proveniente de lágrima, saliva, sêmen, suor ou até mesmo restos de cadáveres queimados. De acordo com o especialista, isso não acontece – a não ser que o agente saiba que fora retirado DNA destes restos deixados pelo corpo, mas a cremação destrói completamente todos os elementos biológicos, inclusive o DNA;

8. Existiria uma base de dados de DNA e registros odontológicos e médicos de todos os cidadãos dos Estados Unidos. Mentira! De acordo com o estudioso, existem apenas pouco mais de dez milhões de perfis de DNA nas bases de dados dos Estados Unidos, que é um país com mais de 300 milhões de habitantes. E ainda mais: a fila de espera para coletar esses dados é imensa;

9. Quando se obtém uma coincidência nos perfis de DNA, os monitores dos computadores do laboratório apresentam letras piscantes em vermelho, declarando “uma coincidência de 99%” e mostrando uma foto da carteira de motorista. Nada disso! Segundo Tim, não há fotos nem informes sobre coincidências, apenas um código numérico que você deve anotar e buscar em outra base para saber quem é quem;

10. Os investigadores de séries do estilo CSI realizam análises de DNA beliscando uns snacks ou contando piadas para um colega. De acordo com Tim, não se come ou bebe enquanto testes são realizados, e é difícil bater um papo usando uma máscara cirúrgica e fazendo análises tão complexas.


O que mais impressiona, após vermos esses mitos, é que juízes – pessoas gabaritadas e extremamente estudadas – se impressionam com tecnologia mostrada em seriados de TV, que sequer existem, e ainda impõem curtos espaços de tempo para a investigação, exigindo que os detetives tenham tais habilidades impossíveis.

Da próxima vez que assistir ao novo episódio de CSI, olho vivo e faro fino e seja mais crítico, pois nem todo o trabalho da polícia norte-americana é esse primor tecnológico!

terça-feira, 11 de março de 2014

Você conhece a “hipótese de Duesberg” para a contaminação da Aids? Fato ou farsa?!

A hipótese de Duesberg afirma que o abuso de drogas recreativas e farmacêuticas, e não o HIV, é a causa primária da Aids. Segundo esta hipótese, a Aids não é mais que o nome dado a várias doenças sem relação umas com as outras e que podem ter como origem o abuso de drogas recreativas como a heroína e a cocaína, a malnutrição, ou o uso de drogas finalizadoras da cadeia de DNA, como o AZT – o mesmo que é utilizado para tratar a infecção pelo HIV. O HIV é, assim, visto como apenas um vírus passageiro, o que faz levantar a questão se a infecção pelo HIV acontece de fato ou não.


Os mais destacados defensores desta teoria são o virologista Peter Duesberg (foto abaixo) e o bioquímico David Rasnick. Em apoio a esta hipótese, Duesberg aponta a correlação estatística entre o decréscimo no uso de drogas recreativas e a diminuição nos casos notificados de Aids. Da mesma forma, o rápido aumento da Aids na década de 80 corresponde a uma epidemia de uso de drogas recreativas nos Estados Unidos e Europa. Além disso, Duesberg assevera que o tratamento da Aids com drogas como AZT demonstrou ser mais fatal que o uso de drogas recreativas, tais como heroína e cocaína. O AZT também é problemático por induzir aborto, causar defeitos congênitos e causar câncer em animais nascidos de mães tratadas com AZT. Devido a problemas com o tratamento por AZT, muitos pacientes de Aids passaram a ser tratados com um coquetel de drogas inibidoras de protease e inibidoras de transcriptase. No entanto, estes coquetéis de drogas falham em 53% dos casos relatados.

Duesberg explica a predominância da Aids entre homossexuais nos países do Ocidente pelo fato do uso de drogas recreativas ser predominante entre os homens homossexuais nestes países. Como foi relatado na literatura médica, homens homossexuais nestes países usam grande número de estimulantes sexuais, incluindo “poppers” (inalantes com nitrato), anfetaminas, cloro-etil, cocaína e heroína. Sabe-se que várias destas drogas inibem o funcionamento do sistema imunológico do organismo.


Duesberg aponta também para o fato de que um número significativo de vítimas da Aids morre sem qualquer traço de infecção pelo HIV, e que casos relatados na África, onde não se faz qualquer teste para HIV, não se limitam aos grupos de risco tais como viciados em drogas e homens homossexuais. Segundo ele, esses casos de Aids são explicados mais facilmente por subnutrição, infecção parasitária e condições precárias de saneamento.

O desafio mais radical de Duesberg à hipótese HIV-Aids é sua proposta de se autoinfectar com o HIV. No entanto, Duesberg não pode fazer isso sem a aprovação do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e da universidade onde ele trabalha. Além do mais, já existe quase um milhão de pessoas HIV-positivas nos Estados Unidos sem qualquer sintoma de Aids, bem como outros 34 milhões de pessoas saudáveis no mundo que são HIV-positivas.


Discussões sobre tal hipótese...
O consenso da maior parte da comunidade científica é de que a hipótese de Duesberg deve ser refutada pelas evidências que teriam demonstrado que os postulados de Koch foram cumpridos para o isolamento do HIV e que o número de vírus no sangue tem correlação com a progressão da doença, e que um mecanismo plausível para a ação de HIV foi proposto. As opiniões ainda divergem. Duesberg afirma que o vírus (retrovírus) HIV não foi isolado nem de tecidos frescos ou cultura, o que significa que a sua existência não foi provada até ao dia de hoje. Duesberg, que pela primeira vez mapeou a estrutura genética dos retrovírus (façanha que lhe garantiu premiações científicas), afirma que não foram cumpridos os postulados de Koch e que os testes para HIV não determinam nada, uma vez que apresentam os reagentes imunológicos e não o próprio vírus.

Uma edição da revista científica “Science” que avaliou o método de Duesberg afirmou que existem abundantes evidências de que o HIV causa doença e morte em hemofílicos; a epidemia de Aids na Tailândia, citada por Duesberg como prova de sua hipótese, é uma evidência que tende a confirmar o papel do HIV na Aids; o AZT não causa deficiência imunológica semelhante à encontrada na Aids.

Entretanto, sabe-se que mais de 80% das pesquisas sobre a Aids são financiadas pelos próprios laboratórios da indústria farmacêutica que fabrica a medicação anti-HIV. Sabe-se também que o AZT é tóxico e que, entre outras coisas, tem diversas contraindicações. Renomados cientistas concordam com Duesberg sobre a não-relação HIV-Aids e sobre os efeitos nocivos dos coquetéis AZT.


Pontos contra a hipótese articulada por Duesberg...
- Os antirretrovirais tem comprovada eficácia em reverter os efeitos da infecção pelo HIV. Reduzindo a carga viral e permitindo a regressão a valores aceitáveis dos linfócitos T CD4.

- Todo indivíduo com Aids apresenta em seu organismo o HIV. Porém, os métodos utilizados para diagnósticos são métodos sorológicos, ou seja, baseados na presença de anticorpos no organismo, e não do vírus. Essa escolha se deve ao fato dos métodos sorológicos serem mais acessíveis em termos de custo. Porém, é possível a existência de anticorpos com afinidade pelas proteínas do HIV em pacientes não infectados como pacientes com lúpus eritematoso sistêmico, gestantes e em reação a certas vacinas como a H1N1.

- O HIV causa uma imunodeficiência. Mas, nem todo imunodeficiente apresenta HIV. Por exemplo, pacientes com tumores como linfomas podem ser imunodeficientes, e, desse modo, podem apresentar doenças oportunistas, inclusive Sarcoma de Kaposi.

- Os sintomas causados pelo HIV estão relacionados à imunodeficiência, ou seja, infecções e neoplasias oportunistas. Porém, pelo sistema imunológico ser dinâmico, a infecção pode se manter silenciosa por muito tempo.

- O vírus HIV não é o único a causar doença depois de um longo período de tempo. O HTLV (vírus linfotrópico humano), um vírus “irmão” do HIV, pode causar leucemia após vários anos de infecção em 1% dos infectados. O HPV causa mutações a nível nuclear podendo levar a carcinomas de colo uterino, pênis, vulva ou canal anal que veem a surgir de 10 a 20 anos após a infecção. O vírus da Hepatite B e Hepatite C podem levar a cirrose, sintomas de insuficiência hepática e hepatocarcinoma em um período superior a 10 anos.

- Duersberg cita que a etiologia da infecção são as drogas antirretrovirais e recreacionais. Isso não justifica o surgimento da doença em indivíduos que jamais fizeram usos de drogas e nos indivíduos ainda sem tratamento. O mesmo é válido para tentar criar um nexo causal com desnutrição e doenças parasitárias.

- Há muito tempo o HIV deixou de ser uma doença exclusiva de grupos de risco. Hoje, a infecção sobre com a feminilização (mais mulheres infectadas), interiorização (a doença sai dos grandes centros), maior incidência em homossexuais jovens, o surgimento da infecção na terceira idade (pela má adesão ao uso de preservativo nessa faixa etária) e heterossexualização (os heterossexuais passam a ser a maior porcentagem de infectados).

- A combinação de inibidores específicos das enzimas virais permitiu a melhora das condições clínicas dos pacientes. Mutações no genoma do HIV induzem a resistência a esses inibidores e levam a recaídas e agravamento do estado clínico dos referidos pacientes.

- O decréscimo dos casos de AIDS observados desde a década de 80 e mais acentuadamente após a década de 90 está claramente relacionado com a introdução dos antirretrovirais, em especial, da terapia tríplice altamente efetiva (chamada em inglês de HAART).

- A transmissão por HIV através de transfusões de sangue praticamente desapareceu em países onde a detecção de anticorpos anti-HIV foram implementados.

- Peter Duesberg não é médico. E os argumentos por ele utilizados são muito mais teóricos do que práticos. Sem dúvida, muitas experiências pessoais de médicos poderiam ser citadas como comprovações de causalidade e efeito terapêutico dos antirretrovirais (vide exemplo do Dr. Benjamin Young).


sábado, 8 de março de 2014

Você sabe quais são as classes sociais e como elas são divididas?

Nos últimos anos temos ouvido notícias de que a classe média aumentou no Brasil, que a classe alta nos Estados Unidos sofreu um duro golpe durante a crise imobiliária, que a classe baixa aumentou assustadoramente em alguns países da Europa. Entretanto, você tem ideia de como são fundamentadas as teorias para definir se alguém é da classe média ou da classe alta, por exemplo? Na realidade, cada país tem sua metodologia e hoje vamos entender um pouco sobre isso.


Dependendo da fonte de estudos, no Brasil, as classes sociais são aquelas que se fundamentam necessariamente nos valores do salário mínimo. Assim sendo teríamos:

Classe miserável – Renda de até um salário mínimo por família
Classe baixa – Renda de um até dois salários mínimos por família
Classe média baixa – Renda de três até cinco salários mínimos por família
Classe média – Renda de seis até dez salários mínimos por família
Classe média alta – Renda de onze até 19 salários mínimos por família
Classe alta – Renda de mais de 20 salários mínimos por família


Outra classificação utilizada no país é aquela que explica o fenômeno dos “emergentes” ou chamados “novos ricos” do Brasil:

Classe A1: inclui as famílias com renda mensal maior que R$ 14.400
Classe A2: maior que R$ 8.100
Classe B: maior que R$ 4.600
Classe C: maior que R$ 2.300
Classe D: maior que R$ 1.400
Classe E: maior que R$ 950
Classe F: maior que R$ 400
Classe H: Bolsa Família Média de 2013 = R$ 97,00



Muitos teóricos de sociologia e economia afirmam que dentro do sistema capitalista temos, na realidade, somente três classes sociais: a classe alta, a classe média e a classe baixa. A decomposição destas classes seria sem necessidade, mas somente para facilitar estudos econômicos e sociais. Atualmente o país vive o que chamamos de um fenômeno muito grande, parecido com o ocorrido nas décadas de 1950 e 1960: o aumento da classe média, graças ao boom econônico, que facilitou a entrada das mais baixas classes a poderes de consumo.

A distribuição de classes no Brasil é distorcida pela desigualdade social. Os 10 % mais ricos da população nacional, ou seja, toda a classe alta brasileira, chegava, em 1980, a controlar 51% de toda a renda disponível no país. Se somarmos a esse contingente a parte mais rica da classe média brasileira, ou seja, outros 10 % da população nacional, notaremos que essa parcela de apenas 20% controlaria quase 67% de toda a renda nacional.


As classes sociais nos Estados Unidos...
A estrutura social dos Estados Unidos é um conceito vagamente definido que faz uso de termos e percepções comumente usados no país. Entre eles estaria a renda anual do lar, o nível de educação e a ocupação daqueles que estão em idade economicamente ativa. Na estrutura de estudos econômicos, nos Estados Unidos, temos as seguintes classes sociais:

Upper class, a classe alta: aqueles com enorme influência, riqueza e prestígio. Membros desse grupo têm uma tremenda influência sobre as principais instituições do país. Essa classe compõe cerca de 1% da população total do país e retêm em torno de um terço de todas as riquezas. Têm renda igual ou superior a US$ 200.000 anuais (R$30.000 por mês);
Upper-middle class, a classe média alta: consiste dos chamados “profissionais do colarinho-branco” com alta qualificação (certificados, diplomas, cursos, doutorados, pós-doutorados, etc.) e uma renda alta. Os trabalhadores dessa classe normalmente gozam de grande liberdade e autonomia no ambiente de trabalho, fato que resulta em uma alta taxa de satisfação em relação aos seus empregos. Considerando sua renda média, aqueles que compõem essa classe são cerca de 15% da população americana. Sua renda varia de US$ 62.500 a US$ 150.000 anuais (R$9.300 a R$22.000 por mês);
Middle class, a classe média: são profissionais de qualificação intermediária, podendo ou não possuir educação superior. A transferência de empregos para países em desenvolvimento aparece como sendo o principal problema desse estrato social, afetando a sensação de segurança no emprego. Famílias típicas dessa classe possuem, em média, renda dupla combinada (dois indivíduos trabalham) e portanto têm uma renda equivalente àqueles profissionais da classe média-alta (como os advogados). No geral, possuem uma renda que pode variar de US$ 32.000 até US$ 62.500 anuais (R$ 4.800 a R$ 9.300 por mês);
Working class, a classe dos trabalhadores: de acordo com alguns estudiosos, essa classe pode chegar a representar a maioria da população americana e pode também ser chamada de classe média baixa (lower-middle class). Ela inclui os chamados “profissionais de colarinho-azul”, assim como alguns “colarinhos-brancos” que ganham salários relativamente baixos, além de não possuírem diplomas de ensino superior. Perfazem cerca de 45% da população americana que não frequentou o ensino superior. Possuem renda que pode variar de US$ 15.000 até US$ 32.000 anuais (R$ 2.250 a R$ 4.800 por mês);
Lower class, a classe baixa: essa classe inclui os pobres e os membros sem instrução e marginalizados da sociedade americana. Embora grande parte desses indivíduos possua emprego, é comum que fiquem no limiar da pobreza. Muitos só possuem o diploma de conclusão do colegial. Possuem renda inferior a US$ 15.000 anuais (R$ 2.250 por mês).


quinta-feira, 6 de março de 2014

Fatos, farsas e curiosidades sobre Cleópatra, uma personagem cheia de enigmas e surpresas...

Na postagem de hoje vamos falar um pouco sobre uma personagem histórica muito interessante e que ainda desperta muito interesse e muita intriga sobre os estudiosos. Cleópatra foi a última governante do Egito Antigo, e junto a Tutankhamon, é um dos faraós mais conhecidos da cultura popular. Diz que tinha uma beleza extravagante e exuberante, mas não é o que indicam os indícios historiográficos. Vamos debater alguns fatos, farsas e curiosidades sobre a mulher mais poderosa que o Antigo Egito teve.


1. Seu nome completo era grego, e não de língua egípcia: “Cleopátra Thea Philopátor”, e provavelmente viveu entre os anos de 69 a.C., nascida em Alexandria, e 30/29 a.C. Seu nome significa “Glória do pai, deusa, amadíssima de seu pai”, um gesto que mostra o grande amor que seu pai, Ptolomeu 12 teve com seu nascimento tamanha homenagem recebida;

2. Foi a última farani (feminino de “faraó”) da dinastia de Ptolomeu, general que governou o Egito após a conquista de Alexandre III da Macedônia;

3. Para quem não sabe, na história do Egito houve outras governantes com o mesmo nome, tanto que, oficialmente, esta deveria ser conhecida como Cleópatra VI (sexta), e nunca governou o Egito sozinha, mas sempre junto do seu pai e de dois irmãos, chegando a se casar com seu irmão, Ptolomeu 14;

4. Com toda certeza, Cleópatra entrou para os anais da história por ser uma mulher muito à frente do seu tempo, por ter recebido uma educação que, geralmente, somente era dada aos homens. Foi uma grande negociante, estrategista militar, falava oito idiomas e estudava filosofia, música, literatura e artes, tanto da Grécia, como de Roma e do Egito;

5. Curiosamente, Cleópatra teve duas irmãs com o mesmo nome, mas com marcações diferentes por conta da ordem de nascimento: Cleópatra 5 e Cleópatra 7. Observou um reinado extremamente desastroso dentro da sua família e, talvez por isso, aprendeu e soube como ninguém governar uma das províncias mais importantes do vastíssimo Império Romano. Há registros historiográficos de que, junto com seus dois irmãos, executou a própria mãe e três irmãs para poder governar o Egito, o que a torna uma das mais sanguinárias governantes da história da política feminina;


6. O reinado de Cleópatra também foi conturbado, principalmente por conta de homens da corte que também queriam ter influência junto à monarca para exercerem poder dentro da província do Egito, em áreas onde suas respectivas famílias tinham grandes posses;

7. Desde o início Cleópatra compreendeu que Roma era a nova potência do Mediterrâneo e que caso desejasse manter-se no poder deveria manter relações amigáveis com ela. Em 49 a.C. Cleópatra fornece ao filho do triunviro Pompeu, Pompeu Jovem, sessenta barcos para se juntarem à frota que lutava contra Júlio César. Perante o comportamento da rainha, os conselheiros insinuaram que Cleópatra pretendia governar sozinha e colocaram o povo de Alexandria contra Cleópatra, que foi obrigada a fugir para o sul do Egito e depois para a Síria;

8. Após a derrota procura refúgio em Alexandria, tendo Ptolomeu 13 declarado que aceitava recebê-lo. Contudo, o verdadeiro plano do rei consistiu em ordenar a morte de Pompeu, julgando que desta forma agradaria a César. O assassino de Pompeu, um romano ao serviço de Ptolomeu 13, corta-lhe a cabeça, que o rei apresentou a César. No entanto, esta atitude foi um erro, dado que César ficou horrorizado com o ato bárbaro;

9. Afastada do palácio real, Cleópatra deseja encontrar-se com César em Alexandria. É então que se desenrola o famoso episódio do tapete, relatado pelas fontes antigas. Conta Plutarco, num episódio lendário da sua biografia dos Césares, que Cleópatra marcou um encontro com Júlio César, quando este chegou ao Egito, no inverno de 48 a.C. a fim de lhe dar um presente, que consistia num tapete. Este, ao ser desenrolado, mostrou que a própria rainha estava em seu interior (Cleópatra tinha sido enrolada no tapete pelo seu servo Apolodoro). Cleópatra teria então argumentado que tinha ficado encantada com as histórias amorosas de César, tendo ficado desejosa de conhecê-lo. Tornou-se, assim, sua amante, o que ajudou a estabelecer o seu poder no país;

10. Quando houve esse episódio, os irmãos de Cleópatra fizeram uma tremenda trama palaciana, digna de filmes: houve mortes misteriosas, assassinatos sangrentos, o exército do Egito recusou-se a aceitar Cleópatra como sua soberana em favor da sua irmã mais nova. Com isso, em 47 a.C., o exército egípcio foi derrotado por César;


11. Em 47 a.C. Cleópatra deu à luz Ptolomeu 15, conhecido como Cesarion, ou “Pequeno César”. Embora César tenha reconhecido a paternidade da criança, a historiografia moderna coloca em causa esta paternidade. César recusou-se contudo a torná-lo seu herdeiro, honra que coube a Otaviano;

12. Em 46 a.C., a convite de César, Cleópatra instala-se em Roma, com o filho e marido-irmão, fixando residência nos jardins do Janículo, mesmo próxima da então esposa de César (a terceira). Teria sido em Roma que Cleópatra elaborou o seu plano de hegemonia do Mediterrâneo. Sabe-se pouco da presença de Cleópatra em Roma, a não ser que a sua presença teria gerado desprezo na população;

13. Em sua honra César ordenou que fosse colocada uma estátua de ouro de Cleópatra no templo da deusa Vênus Genetrix. Pouco depois do assassinato de César, Cleópatra voltou para o Egito. Segundo consta, Cleópatra assassinou seu irmão-marido e passou a reinar sozinha. Seu filho passou a ser seu co-regente;

14. Em 42 a.C., Marco Antônio, um dos triunviros que governava Roma após o vazio governativo causado pela morte de César, convocou-a a encontrá-lo em Tarso para ela responder a ele sobre a ajuda que prestara a Cássio, um dos assassinos de César e, portanto, inimigo dos triúnviros. Cleópatra chegou com grande pompa e circunstância, o que encantou Marco Antônio. Passaram juntos o inverno de 42 a 41 a.C. em Alexandria. Ficou grávida pela segunda vez, desta vez com gêmeos que tomariam o nome de Cleópatra Selene e Alexandre Hélio;

15. Quatro anos depois, Marco Antônio voltou ao Egito e especula-se que tenha casado com Cleópatra segundo o rito egípcio, ainda que nessa altura estivesse casado com Otávia. Então, Cleópatra deu à luz outro filho, Ptolomeu Filadelfo;


16. Depois das chamadas “doações de Alexandria”, em 34 a.C., a família de Cleópatra saiu repleta de poder: Cleópatra e Cesarion foram coroados regentes do Egito e do Chipre, outro filho foi coroado governante da Armênia, outra filha virou princesa da Líbia e o filho mais novo ganhou o título de governante da Fenícia e Síria;

17. O senado romano declarou-lhes guerra em 31 a.C.. Após serem derrotados por Otávio na batalha naval de Áccio, ambos cometeram suicídio, tendo Cleópatra se deixado picar por uma serpente da espécie Naja egípcia, em Alexandria no ano 30 a.C., e o Egito tornou-se inteiramente uma província romana;

18. A imprensa internacional noticiou, em maio de 2008, ter sido encontrada a cabeça de uma estátua em alabastro de Cleópatra, perto de Alexandria, no litoral mediterrâneo do Egito. A descoberta deu-se no templo de Taposiris Magna. Em abril de 2009, o arqueólogo egípcio Zahi Hawass afirmou ter descoberto a sepultura de Cleópatra no templo de Taposiris Magna;

19. Apesar de a cultura pop colocar Cleópatra como grande sinal de beleza, as estátuas e imagens mostram-na como uma mulher de baixa estatura, nariz grande e cabelo maltratado. Mesmo assim, sua história serviu de inspiração para escritores, pintores e cineastas – sendo que a versão da MGM, estrelada por Elizabeth Taylor, a mais clássica de todas;

20. De acordo com a historiografia atual, segundo os comentários de especializados egiptólogos, Cleópatra tinha o perfil de ser uma rainha extremamente ciumenta e egoísta, com um ego imenso e extremamente inteligente e caprichosa.


terça-feira, 4 de março de 2014

Considerações polêmicas [e que provavelmente você não sabia] sobre o clássico literário “Alice no país das maravilhas”...

1.Alice no país das maravilhas” é a obra mais conhecida de Charles Dodgson, publicada em 1865 sob o pseudônimo de Lewis Carroll. É uma das obras mais conhecidas daquilo que os estudos literários ingleses chamam de “non-sense”;

2. Para quem não tem ideia, o conto está cheio de referências debochadas aos desafetos de Dodgson à época da publicação, como vizinhos, inimigos políticos, parentes etc.

3. De acordo com os teóricos literários, a obra torna-se um primor por conter “dois livros” em um só texto: um para crianças (repleto de contos de fadas, terras encantadas, feitiçarias) e outro para adultos (repleto de críticas sociais, mensagens subliminares, alusões políticas);

4. Para quem não sabe, “Alice no país das maravilhas” tem uma continuação: “Alice do outro lado do espelho”;


5. Em 1862, durante um passeio de barco pelo Rio Tâmisa, Charles Dodgson, na companhia do seu amigo Robinson Duckworth, conta uma história de improviso para entreter as três irmãs Liddell (Lorina, Edith e Alice). Eram filhas de Henry George Liddell, vice-chanceler da Universidade de Oxford;

6. A maior parte das aventuras foi baseada e influenciada em pessoas, situações e edifícios de Oxford e da Christ Church, por exemplo, o “buraco do Coelho” simboliza as escadas na parte de trás do salão principal na Christ Church;

7. Essa história imprevista deu origem, em novembro de 1864, ao manuscrito de “Alice debaixo da terra”, com a finalidade de oferecer a Alice Liddell a história transcrita para o papel. Mais tarde, influenciado tanto pelos seus amigos como pelo seu mentor George MacDonald (também escritor de literatura infantil), decidiu publicar o livro e mudou a versão original;

8. A obra, quando publicada, foi um sucesso absoluto por conta dos dois contextos explanados anteriormente: o adulto (político) e o infantil (lúdico). Rapidamente a tiragem se esgotou das prateleiras, e entre os fãs de “Alice no país das maravilhas” estão o poeta Oscar Wilde e a Rainha Vitória;

9. Em 1865, devido ao sucesso estrondoso na Grã-Bretanha, a obra foi editada pela primeira vez – sem quaisquer direitos do autor, que nem mesmo sabia do que havia acontecido com sua história no outro lado do Atlântico;

10. Em 1869, a obra é publicada pela primeira vez em idioma que não seja o inglês: em alemão e em francês, também fazendo enorme sucesso pelo contexto temporal da época, tanto para crianças como para os adultos ligados na política britânica do seu enorme império mundial;


11. Para alguns teóricos de literatura comparada, o enredo de “Alice no país das maravilhas” é bem semelhante ao encontrado em “João e Maria”, por conter uma espécie de conto de terror contado para educar as crianças na era vitoriana;

12. Em uma parte do texto, Alice sai desesperada pela floresta e encontra-se com uma lagarta azulada que, calmamente, bebe seu chá de cogumelos e fuma um narguilé. Em vistas do comportamento “politicamente correto” das mídias, seria caso de censura um conto infantil com um personagem desta estirpe;

13. Alguns dos personagens foram retirados de estátuas encontradas nos arredores da igreja que Dodgson frequentava na época que dava os primeiros traços na história em questão;

14. O autor do livro tinha um sério problema de gagueira, e, por isso, criou o personagem Dodô em sua própria homenagem;

15. O Chapeleiro Louco tem esse nome por conta da indústria da época vitoriana, devido ao vapor de mercúrio usado na fabricação de feltro que causa transtornos psicóticos, fazendo parecer que todos os chapeleiros e sapateiros tivessem transtornos mentais;


16. A Rainha de Copas é confundida com a Rainha Vermelha, que aparece na sequência da história, “Alice no outro lado do espelho”, mas não têm nenhuma característica em comum, exceto o caráter de serem ambas rainhas. A Rainha de Copas pertence a um baralho de cartas que está presente no primeiro livro, enquanto a Rainha Vermelha é representada por uma peça de xadrez vermelha, dado que o xadrez é o tema presente do segundo livro;

17. O livro pode ser interpretado de várias maneiras. Uma das interpretações diz que a história representa a adolescência, com uma entrada súbita e inesperada (a queda na toca do coelho, iniciando a aventura), além das diversas mudanças de tamanho e a confusão que isso causa em Alice, ao ponto de ela dizer que não sabe mais quem é após tantas transformações (o que se identifica com a psicologia adolescente);

18. No capítulo oitavo, três cartas estão a pintar rosas brancas de vermelho, porque acidentalmente plantaram uma roseira de rosas brancas, cor que a Rainha odeia. As rosas vermelhas simbolizam a Casa Inglesa de Lancaster, enquanto as rosas brancas são um símbolo da casa rival York, fazendo deste modo alusão à Guerra das Duas Rosas;

19. O livro inspirou várias adaptações cinematográficas e televisivas. Porém os filmes originais e mais conhecidos mundialmente são “Alice in Wonderland”, de 1951, feito em animação tradicional, e o de 2010 dirigido por Tim Burton com a participação de Johnny Depp como o Chapeleiro Maluco, ambos da Walt Disney;

20. Em 1903 apareceu o primeiro tipo de adaptação de “Alice no país das maravilhas” para o cinema através de um filme mudo – filme este que pode ser encontrado facilmente na internet por ter se tornado um grande clássico “cult”;


21. Dodgson, para quem não sabe, era pedófilo. Uma de suas frases mais polêmicas foi: “Gosto de crianças, exceto meninos”. Um dos seus hobbies era desenhar e fotografar meninas nuas ou seminuas, entre elas Alice Liddell, que deu origem à personagem de seu livro;

22. Por temor que estas imagens desnudas criassem embaraços para as meninas mais tarde, pediu que após a sua morte fossem destruídas ou devolvidas às crianças ou a seus pais. Quatro ou cinco fotos ainda sobrevivem;

23. Outro ponto polêmico da vida do autor era o hobbie de enviar cartas e poemas de amor às crianças que fotografava nuas ou com pouca roupa. Dizem que Alice foi o seu grande amor. O maior detalhe é que as sessões de fotografia eram feitas com total consentimento dos familiares das crianças que ele mantinha certo “relacionamento”;

24. A protagonista do livro realmente existiu, chamando-se Alice Pleasance Liddell (1852-1934), sendo filha de um pastor da igreja onde Dodgson frequentava. Graças às fotografias de conteúdo erótico e às cartas enviadas pelo autor, acredita-se que viveu um romance pedófilo com ele;

25. Em 1880 Alice casou-se com Reginald Hargreaves. Dodgson não estava presente no casamento, mas enviou-lhe, por meio de um amigo, um presente e um pequeno poema de tristeza. Ela teve três filhos, os quais viveram com ela até sua morte em Hampshire.