quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Por que os avistamentos de Ovni’s aumentam tanto durante as guerras?!

Hoje vamos debater um pouco sobre um dos casos mais estudados pelos ufólogos na contemporaneidade: o possível motivo com que haja tantos avistamentos de supostos objetos voadores não-identificados em períodos de guerras. O assunto começou mesmo antes de Roswell, caso que inaugura a ufologia, ocorrido em 1947, sendo percebido a partir de 1938, um ano antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


De acordo com os relatos de ex-combatentes em diversas guerras do século 20, sendo que a grande maioria prefere o anonimato em relação a este tipo de depoimento, nesses períodos conturbados da história recente são diversos os avistamentos de inúmeros supostos Ovni’s. Durante a Segunda Guerra houve até o avistamento dos “foo-fighters”, que você pode ler em um post mais antigo deste blog.

Para os céticos, o aumento da possível presença de objetos voadores não-identificados nas guerras se dá a partir do momento em que as sociedades bélicas testam novas armas, novas tecnologias. Foi assim, por exemplo, durante a Primeira Guerra do Golfo (1991), quando a aeronáutica norte-americana colocava em teste os chamados “aviões invisíveis(foto abaixo) sobre o Iraque e o Kuwait.


Para uma corrente da ufologia a explicação dos avistamentos não é tão simples assim. Para eles existe um outro lado da história, que muitas vezes ainda esbarra no sentido do deboche científico: alguns governos – desde muitos séculos – fazem uso de armas alienígenas, com alianças interplanetárias, para manterem a hegemonia e o monopólio do poder global. Assim, não seria de se espantar que os Estados Unidos tenham, em menos de 300 anos, passado de colônia à maior potência do mundo.

Desta maneira, nesta linha de raciocínio, tantos avistamentos seriam aliens e novas tecnologias ainda desconhecidas sendo colocadas à prova, à revelia, sem pensarem nos danos que seriam causados para os que utilizam tal tecnologia (como os pilotos e engenheiros aeronáuticos, por exemplo), bem como as populações que sofrem destes ataques (como os iraquianos em 1991 e os afegãos em 2001, por exemplo).


Acirrando ainda mais o debate sobre esta questão está a história da invenção dos radares por parte dos Aliados na Segunda Guerra Mundial e a história que os alemães inventaram para si mesmos a fim de explicarem os ocorridos depois de tal invenção.

1ª história – Como os Aliados estavam conseguindo “enxergar” os aviões nazifascistas e baterias antiaéreas durante as madrugadas, mesmo com a falta de luz nas cidades do continente europeu, alguns comandantes de Hitler explicaram que os pilotos britânicos estavam fazendo grande uso de cenoura, que seria bom para visão, e passaram a recomendar o seu uso entre os aviadores alemães;

2ª história – Os Aliados, com tal capacidade de “enxergarem” no escuro, muitos nazistas (famosos por seu misticismo exagerado) passaram a dizer que os britânicos estavam com superpoderes superiores, talvez vindos de ensinamentos interplanetários. Desta forma, os alemães passaram a crer piamente que os Aliados faziam uso de tecnologia avançada com a ajuda de aliens.


Em um consenso entre os cientistas de diversas áreas – ufologia, bioquímica, exobiologia, astronomia, astrofísica, física, meteorologia, aeronáutica, mecânica, engenharia etc. – acredita-se que o exagero de possíveis avistamentos de possíveis objetos voadores não-identificados tenha fundo na perspectiva do uso de novas tecnologias, que futuramente serão divulgadas – como no caso da Segunda Guerra Mundial era o uso secreto de radares, e na Primeira Guerra do Golfo, o uso de “aviões invisíveis”.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O que estaria escondido por detrás do conto de fadas “João e Maria”? Fato ou farsa?!

No post de hoje vamos falar sobre um dos contos de fadas mais conhecidos de todo Ocidente, “João e Maria”. Não é preciso fazer uma sinopse, pois todos nós conhecemos desde criancinhas a historinha dos irmãos que se perdem na floresta e param na casa de doces da bruxa que tenta devorá-los. O mais interessante é que vários psicólogos, antropólogos e historiadores apontam que nem tudo seja inocente no enredo, mas sim repleto de carga moralizante e até mesmo pornográfica. Sendo teoria da conspiração ou não, hoje vamos esmiuçar esse clássico da literatura infantil.


Um pouco sobre a concepção do conto...
Na realidade, “João e Maria” é o nome dado no Brasil ao conto folclórico alemão “Hänsel und Gretel”, que teria como tradução “Joãozinho e Margaridinha”. Tinha uma forte tradição oral, até que foi coletado e compilado pelos irmãos Grimm, autores de diversos contos clássicos que eram oralizados todas as noites nas casas das cidades e vilas europeias.

Para quem não tem ideia, a maior parte dos contos dos Grimm eram traços folclóricos orais, contados ao redor do fogão a lenha, principalmente nos territórios hoje compreendidos pela Alemanha, Áustria, Polônia, Holanda e Dinamarca. Eles não são criadores, mas somente compiladores destes contos de fadas; alguns deles foram até modificados para terem um conteúdo mais palatável para outras crianças do mundo.

Um dos conteúdos modificados em “João e Maria” do original que era contado boca a boca na Alemanha do século 18 era que, em vez de as crianças simplesmente se perderem na floresta porque estavam brincando nas trilhas próximas de casa, na realidade, este conto relatava a aventura dos filhos de um pobre lenhador, que em acordo com a mulher, decide largá-los na floresta porque a família não tem condições para mantê-los, na esperança que uma fera os devorasse. Ou seja, originalmente mais parece um conto de terror e infanticídio.


Mais análises do conto...
A história publicada pelos Grimm tem um final feliz e um enredo diferente do original, que mostrava a dureza de vida dos pobres aldeões na Idade Média, que passavam fome constantemente e viviam sob a égide da subnutrição. Na Europa Central, inclusive, há registros de prática de canibalismo durante rigorosos invernos – situação que a bruxa iria fazer com as crianças. Devido à fome e à constante escassez de comida, o homicídio infantil era uma prática comum na Idade Média. Nesta história os irmãos são deixados no bosque para que morram ou desapareçam porque não podem ser alimentados pelos pais.

Outro ponto importante é que até mesmo nas primeiras edições publicadas pelos Grimm, a mãe era a responsável pelo abandono das crianças. Entretanto, no século 19, no moralismo vitoriano, mudaram para a madrasta, que passou a ganhar o tom de mulher malvada e que maltrata os filhos do marido, pensamento que permanece até hoje. Esta mudança, como na “Branca de Neve” (outro conto folclórico alemão adaptado pelos irmãos), parece ser uma atenuação deliberada da violência contra as crianças para as mães modernas que não suportariam ouvir sobre mães que ferissem os próprios filhos.

O fato de que a mãe ou madrasta tenha morrido quando as crianças matam a bruxa é porque a mãe ou madrasta e a bruxa são, de fato, a mesma mulher, ou pelo menos que a personalidade delas está fortemente ligada. Além de porem as crianças em perigo, têm a mesma preocupação pela comida: a mãe ou madrasta para evitar a fome, e a bruxa com a casa feita de comida e o seu desejo de comer as crianças.


No final da história original não há final feliz, como fizeram os irmãos Grimm. Maria é morta depois de ser devorada por três lobos na floresta enquanto voltava para casa. Aí está um conteúdo moralizante: as crianças não deviam vagar sozinhas em lugares ermos por conta dos perigos: o primeiro da bruxa pagã, e o segundo das feras soltas nas florestas.

Difícil imaginar que um conto que parecia tão simples era contado de boca em boca, nos séculos 17 e 18, como uma forma de educar as crianças através de imposição da realidade dura, canibalismo, infanticídio e pura miséria. Entretanto, este não é um caso isolado; em breve falaremos de outros contos de fadas tradicionais, como “Branca de Neve e os Sete Anões”, “Cinderela”, “Alice no País das Maravilhas” etc.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (30)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Como surgiu a palavra “táxi” para os veículos de aluguel?
O começo vem do inglês “taxi”, redução de “taxicab”, que por sua vez é outra redução de “taximeter cab”, expressão formada de “taximeter”, que vem do francês “taximètre”, que significava “máquina de taxar”, além do “cab”, que é abreviação de “cabriolet”, que em francês significava tanto “carro” quanto “carruagem”.

Qual foi a primeira cidade do Brasil?
Apesar de Portugal ter chegado ao Brasil em abril de 1500, até cerca de 1530 o país europeu não teve o menor interesse por nossas terras até ter seu comércio com o Oriente ameaçado por vários fatores. Por isso, só em janeiro 1532 foi fundada a nossa primeira cidade, São Vicente, no litoral de São Paulo. Os portugueses tinham preferência em se instalar em ilhas para defesa e fuga em caso de ataques de corsários europeus ou indígenas.


Quem são os quatro reis do baralho de cartas?
Alguns preferem a descontração do truco; outros preferem a elegância do pôquer; outros preferem jogar paciência. Seja como for, um simples baralho pode garantir diversão solitária ou em grupo. Mas poucos sabem da simbologia por trás das cartas, e que os quatro reis dos naipes representam reis de verdade, que existiram e são personagens históricos importantes. O rei de espadas representa o bíblico Rei Davi; o rei de copas representa o Rei Carlos Magno, que unificou a França; o rei de ouro é Júlio César, dos tempos romanos; e o rei de paus representa Alexandre O Grande, que criou um império enorme que ia da Grécia até a Índia.

Qual a origem da peruca?
Alguns estudos demonstram que os egípcios e assírios tinham o costume de oferecer sua cabeleira aos deuses, prática esta que deixava homens, mulheres, crianças e idosos carecas. Quando tinham necessidade de ir à rua, cobriam a cabeça com tiras de pano, turbantes ou mechas de pelo do rabo do cavalo, imitando cabelo natural. Assim, a moda acabou pegando e se tornando algo comum. Na Europa, a peruca foi introduzida por volta do século 14 para esconder a calvície de alguns nobres. Luís III, que era calvo, adotou a peruca oficialmente na corte. Luís XIV, o Rei-Sol, incentivou a moda e espalhou-a nos centros elegantes da Europa, tanto como adorno quanto como sinal de dignidade. Para a Inglaterra a peruca foi levada por Carlos II, também calvo. Em pouco tempo toda a corte inglesa adotou a inovação de seu monarca. Em alguns países a peruca branca ainda e usada nos tribunais por membros e juízes. Vale ressaltar que tanto no Egito Antigo como na Europa, por muitas vezes, as perucas foram usadas porque as pessoas ficaram carecas durante infestações de piolhos.


Por que uma pessoa malvada é chamada de vilã? Isso tem algo a ver com vilas?
Tudo tem início no latim “villanu”, o mesmo que “habitante da vila”, ou “camponês”. Em português, inicialmente, o sentido de “vilão” era somente este. Depois, por sua oposição à aristocracia e ao homem que vivia nas cidades, “vilão” virou sinônimo de gente rude e muito pobre. Por causa disso é que, com o tempo, o vilão que era somente um pobre, ganhou sentido de um sujeito porco, rude, de modos incomuns e, portanto, malvado.

Como surgiu a expressão de que algo “é de tirar o chapéu”?
Essa expressão foi trazida para o Brasil no século 17, pelos portugueses colonizadores, que por sua vez seguiram os costumes instituídos por Luís XIV, na França, conhecido como Rei-Sol. Luís XIV fez um decreto disciplinando o uso do chapéu. O chapéu só deveria ser retirado em ocasiões especiais e com movimentos que determinavam o grau de reverência. Nos casos mais cerimoniosos, tirava-se o chapéu e inclinava-se ligeiramente a cabeça. Nos movimentos de gala, ou de intensa euforia, tirava-se o chapéu, dava-se uma grande volta sobre a cabeça até que sua aba tocasse o chão. Mas este ritual só acontecia quando a situação era realmente de “se tirar o chapéu”!

Na realidade, o que eram os bacanais?
A palavra “bacanal” tem origem no deus grego do vinho, Baco. Os bacanais foram introduzidos em Roma vindos da cultura grega. Eram secretos e frequentados somente por mulheres durante três dias no ano. Posteriormente, os homens foram admitidos nestes rituais e as comemorações passaram a acontecer cinco vezes no mês. A má reputação dos bacanais, nos quais ocorriam as mais grotescas vulgaridades e onde todos os tipos de crimes eram cometidos, uma vez que todos os participantes estavam embriagados, levou à publicação de um decreto por parte do senado, em 186 a.C., proibindo tais “festinhas” em toda Itália. Embora fossem aplicadas punições severas àqueles que infringissem a lei, os bacanais demoraram ainda muito tempo até serem erradicados.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Você conhece a lenda portuguesa da Dama do Pé-de-Cabra?!

Esta é uma das histórias mais importantes do folclore lusitano. Foi compilada pela primeira vez por Alexandre Herculano no livro “Lendas e narrativas”, que colecionava os contos populares que povoavam (e ainda povoam a mente dos portugueses). A lenda da Dama do Pé-de-Cabra também tem outra versão, escrita em inglês no livro “A story of the dark ages”, de 1878.


A lenda portuguesa mais conhecida...
Dom Diogo Lopes, nobre senhor da área de Biscaia, caçava nos seus domínios, quando foi surpreendido por uma linda mulher que cantava. Ofereceu-lhe o seu coração, as suas terras e os seus vassalos se com ele se casasse. A dama impôs-lhe como única condição a de ele nunca mais se benzer. Mais tarde, no seu castelo, Dom Diogo apercebeu-se que a dama tinha um pé forcado como o de uma cabra. Viveram muitos anos felizes e tiveram dois filhos: Inigo Guerra e Dona Sol.

Um dia, depois de uma boa caçada, Dom Diogo premiou o seu grande alão com um grande osso, mas a podenga preta de sua mulher matou o cão para se apoderar do pedaço de javali. Surpreendido com tal violência, Dom Diogo benzeu-se. A Dama do Pé-de-Cabra deu um grito e começou a elevar-se no ar, com a sua filha Dona Sol, saindo ambas por uma janela para nunca mais serem vistas. A partir daí, foi confessar e o pároco disse que estava excomungado, sua penitência foi guerrear contra os mouros por tantos anos quanto vivera em pecado, tendo ficado cativo em Toledo. Sem saber como resgatar o pai, Dom Inigo resolveu procurar a mãe que se tornara, segundo uns, numa fada, segundo outros, numa alma penada.

A Dama do Pé-de-Cabra decidiu ajudar o filho, dando-lhe um onagro, uma espécie de cavalo selvagem, que o transportou a Toledo. Aí, o onagro abriu a porta da cela com um coice e pai e filho cavalgaram em fuga, mas, no caminho, encontraram um cruzeiro de pedra que fez o animal estacar. A voz da Dama do Pé-de-Cabra instruiu o onagro para evitar a cruz. Ao ouvir aquela voz, depois de tantos anos e sem saber da aliança do filho com a mãe, Dom Diogo benzeu-se, o que fez com que o onagro os cuspisse da cela, a terra tremesse e abrisse, deixando ver o fogo do inferno, que engoliu o animal. Com o susto, pai e filho desmaiaram. Dom Diogo, nos poucos anos que ainda viveu, ia todos os dias à missa e todas as semanas se confessava. Dom Inigo nunca mais entrou numa igreja e crê-se que tinha um pacto com o diabo, pois, a partir de então, não havia batalha que não vencesse.


A versão da lenda portuguesa que foi publicada em inglês...
Na atual região da Beira Alta, mais concretamente na aldeia histórica de Marialva, vivia há muitos séculos uma donzela muito formosa. Certo dia um nobre encantado com a sua beleza e querendo desposá-la encomendou os serviços de um sapateiro pedindo-lhe que fizesse uns sapatos para a donzela em questão. Como se tratava de uma surpresa, o sapateiro teria de arranjar uma maneira de conseguir fazer um molde dos pés da donzela para acertar no tamanho do pé. Certo dia e sem que esta desse por isso, espalhou farinha aos pés da cama da donzela para que quando esta se levantasse, deixasse a marca na farinha espalhada no chão, e assim foi. O sapateiro percebeu pela forma deixada no chão que a donzela tinha “pés de cabra”, mas mesmo assim fez os sapatos adequados. Quando o nobre entrega o presente à donzela, esta com o desgosto de saber que já todos sabiam do seu defeito atirou-se da torre do castelo. A donzela chamava-se Maria Alva e ainda hoje, mesmo em ruínas, podemos ver a torre do castelo.


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Fantasmobras?! Torre Almirante preocupa funcionários da Petrobras por causa da suposta aparição de fantasmas...

A história que vamos contar hoje é contemporânea, e neste momento acontece no conturbado Centro da cidade do Rio de Janeiro. Depois de uma pesquisa e de pedaços de uma matéria publicada no jornal “O Globo”, o de maior circulação no Rio, vamos falar um pouco sobre a Torre Almirante, hoje conhecida popularmente de “Fantasmobras”, local onde estão instalados alguns setores da estatal.


Tudo tem início com o entardecer e cair da noite: barulhos estranhos e fantasmagóricos nos corredores e salas vazias, portas que se batem, torneiras que abrem sozinhas, passos ouvidos, murmúrios, vultos de pessoas são vistos passar para lá e para cá. Não se trata de filme de suspense ou história de castelo medieval, ou qualquer produção de Hollywood. São os fantasmas que andam assombrando os funcionários da Petrobras em um dos prédios onde a petrolífera está instalada – segundo o relato dos amedrontados frequentadores desse ponto que carrega por si só uma história terrível.

Os fenômenos inusitados e inexplicáveis estão acontecendo, em pleno século 21, na Torre Almirante, um edifício dos mais modernos, encravado em uma área nobre do Centro do Rio, na Avenida Almirante Barroso, esquina com Avenida Graça Aranha. Com 36 andares, o edifício todo espelhado, alugado pela Petrobras, tem duas faces planas, cada qual voltada para uma das ruas.


Desde sua inauguração, em 2005, os 36 andares são ocupados por diversas gerências da Petrobras, como Gás e Energia, Engenharia, Materiais e Segurança e Meio Ambiente. Desde o início, empregados da estatal , assim como o pessoal da limpeza e da segurança, têm diversas histórias para contar. Até mesmo pessoas que teriam medo de falar sobre o assunto por conta da posição social e empregatícia, como engenheiros, gerentes, presidentes etc.

No local onde foi construído a Torre Almirante, moderno e arrojado, existiu o edifício Andorinha, erguido em 1934 com 12 andares. O Andorinha foi destruído por um terrível incêndio em 17 de fevereiro de 1986. Uma tragédia que matou 21 pessoas, das quais duas se atiraram pelas janelas, e deixou 50 feridas. Das portas corta-incêndio, muitas estavam trancadas.


Esses fatos que ocorrem na Torre Almirante fariam qualquer equipe de parapsicólogos passarem a noite investigando o local, colocando sensores, instalando câmeras de investigação. Infelizmente, nenhuma equipe ainda teve autorização para fazer isso, mas é o sonho de muitas pessoas ligadas ao sobrenatural, uma vez que a Torre tem por trás de sua modernidade o terrível peso do incêndio do Andorinha, largamente coberto pela mídia.

Muitos funcionários da Petrobras contam que, desde a inauguração da Torre Almirante, são vistas e ouvidas assombrações, principalmente à noite. Quem visitar qualquer dos 36 andares com certeza ouvirá uma história passada pelas pessoas que circulam no prédio, onde trabalham 3.700 funcionários da estatal. Até quem é cético no assunto passou a acreditar que existem muitas coisas entre o céu e a terra, mais do que possamos imaginar.

Na matéria publicada sobre o assunto no jornal carioca “O Globo” há vários relatos que mostram como até mesmo os descrentes podem mudar de opinião diante de fatos tão assombrosos, vistos por tantas pessoas em um espaço de tempo tão curto. Como diz a matéria, é o caso de Renata Garcia, que foi trabalhar na Torre Almirante em março de 2010. Ela conta que, como era nova na Petrobras, ninguém comentara sobre qualquer evento estranho. Renata também não sabia da história do Andorinha nem que ele tinha existido naquele local. Logo no primeiro mês de trabalho, o computador dela não funcionava, desligando-se automaticamente. “Não era uma ou duas vezes por dia. Eram dez vezes por dia que isso acontecia. E eu chamava a todo instante o pessoal da informática”, disse ela à matéria.


Renata chegou a trocar de computador três vezes em apenas dois meses. Usou o computador de um colega quando ele saiu de férias. Não adiantou. Um técnico disse que poderia ser um problema elétrico na baia de trabalho, porque não havia mais explicações para o problema. O eletricista checou tudo e não encontrou alterações. Renata trocou de lugar para usar outro computador, e o problema continuou acontecendo. O computador se desligava sozinho. Foi quando alguns colegas de trabalho comentaram com Renata a tragédia do Andorinha. Ela decidiu, então, comprar essência de alfazema – que, dizem, afasta os maus espíritos e atrai energias boas –, uma pirâmide com pedras dentro e um cristal. Colocou tudo ao lado do computador.

Deu uma melhorada, mas os problemas não pararam totalmente. Já sabia que não era problema no computador. Teve um dia com muito o que fazer e eu não conseguia trabalhar. Aí resolvi falar com eles: ‘Acabou a palhaçada. Agora vocês vão me deixar trabalhar, eu não quero saber, acabou a brincadeira. Quero trabalhar, me deixem em paz’. E nunca mais meu computador, misteriosamente, deu problemas”, garantiu Renata à reportagem. Ela ainda teve outra experiência estranha. Em junho de 2010, ficou trabalhando até tarde, sozinha com apenas outra colega. Por volta das 23h, as duas começaram ouvir o barulho de pessoas correndo. Levantaram-se das cadeiras, foram até o corredor e não viram viva alma.


Tatiane Melo trabalha no 34º andar desde que sua gerência foi para lá, em 2006. Ela confirma que muitas pessoas comentam sobre fatos estranhos. Tatiane disse ao jornal que ouve muitos comentários principalmente do pessoal da limpeza que fica sozinho à noite ou trabalha nos fins de semana, quando o prédio está vazio. “Acredito plenamente que há muitas almas por aqui. Escuto muitos ruídos, vejo vultos com frequência. Às vezes eu sinto alguma coisa próxima à minha mesa”, afirmou.

Ana Paula trabalha nos serviços de limpeza do edifício há alguns meses. Afirmou que ouve muitos barulhos estranhos, principalmente aos sábados, quando trabalha das 7h às 13h, com o prédio vazio. “Escuto barulhos que parecem passos andando. Um dia, eu vi um vulto e fiquei assustada. As meninas (colegas de trabalho) falam que veem também, mas nem ligam. Acho que esse prédio é mal-assombrado”, explicou ao jornal. Ana Paula contou que seu marido é vigia do prédio à noite e também relata que, de vez em quando, ouve as portas de emergência batendo, escuta o barulho de passos e vê vultos. “Não é em todos os andares. Mas é impressionante, tem vezes em que vários telefones tocam juntos de madrugada. Ficamos preocupados se é alguém invadindo. O mais impressionante foi escutar uma criança chorando, em 2005”.


Vera Luz é funcionária antiga da Petrobras e está na Torre Almirante desde que a divisão de Gás e Energia se mudou para lá. Há alguns anos, como era substituta na gerência de sua divisão, muitas vezes trabalhava até tarde, 22h ou 23h. Começava a ouvir portas se abrindo e fechando, passos e, em algumas ocasiões, via um vulto passando. Ela chegou a pensar que era algum vigia da noite, mas, quando ia conferir, não via ninguém. Uma vez, quando estava trabalhando à noite, escutou o barulho da torneira da pia da copa aberta. “Uma vez , entrei em um dos elevadores vazios quando estava indo embora tarde da noite. Entrou uma gravação automática que pede para desocupar o elevador por estar com excesso de peso. E eu estava sozinha”, lembra Vera. Em outro momento, Vera estava trabalhando em sua mesa e sentiu como se alguém respirasse perto dela. “Achei que era algum colega brincando, mas não havia ninguém. Uma vez, entrei no banheiro e uma porta bateu. Sempre depois das 20h essas portas de fuga batem. Escutam-se móveis se arrastando no andar de cima”. Vera passou a rezar quando presencia essas coisas.

Uma funcionária contou que lia um relatório à tarde. Quando levantou o olhar, viu uma pedra de vulcão à sua frente, com pontos vermelhos, como se pegasse fogo. “Quando o prédio foi inaugurado, muitos empregados não queriam vir trabalhar aqui. Tentei não entrar nessa paranoia. Nunca tinha visto nada até que, de um tempo para cá, comecei a ver alguns vultos”.


Muitos céticos explicam que os funcionários da Petrobras acabaram sendo sugestionados pelos contos, e acabam presenciando coisas que, na realidade, nem existem. Mas para muitos deles segue-se a regra básica: “Não acredito em bruxas, mas que existem, existem!”.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Fotografia kirliana (kirliangrafia): você conhece esse termo da parapsicologia?! Fato ou farsa?!

A fotografia kirliana (ou também conhecida como kirlingrafia) é o método de fotograma acidentalmente descoberto em 1939 por Semyon Kirlian, concluindo que se um objeto é colocado sobre uma placa fotográfica conectada a certa voltagem, uma imagem é projetada na placa. Esse resultado fez com que as pessoas cressem que a metodologia kirliana fotografasse a alma, a aura das pessoas etc. O trabalho de Kirlian em diante envolveu várias técnicas do fenômeno de eletrofotografia. Na física, este processo foi explorado similarmente pela xerografia por volta de 1777, pelo cientista alemão Georg Christoph Lichtenberg. Estudos mais tardios incluem Nikola Tesla e muitos outros, que exploraram o efeito eletrográfico nos séculos 19 e 20.



O histórico por detrás da invenção...
Em 1939, a técnica viria a ser conhecida, na União Soviética, sob a denominação de “efeito Kirlian”. O método consiste em fotografar um objeto com uma chapa fotográfica, submetida a campos elétricos de alta-voltagem e alta-frequência, porém baixa intensidade de corrente. O resultado é o aparecimento de uma aura, ou melhor, uma espécie de halo luminoso em torno dos objetos, seja ele qual for independente de ser orgânico ou inorgânico – o que quebra a alegação de que a fotografia mostraria a aura dos seres.

A história da kirliangrafia diz que o efeito foi redescoberto acidentalmente, não sendo resultado de nenhum tipo de pesquisa sistemática desenvolvida por Kirlian, que nem cientista era, e sim eletricista, porém, vários experimentos estavam sendo realizados na época, muitos dos quais eram pesquisas sobre as influências dos campos elétricos e eletromagnéticos nos seres humanos e suas possíveis aplicabilidades práticas.

No Brasil, a Embraer desde 1990 usa a kirliangrafia utilizada de forma a identificar “fadigas” bem como “rupturas”, “fraturas” ou ainda “bolhas” dentro do metal que tem aplicações em diversas. Por aqui, centenas de clínicas, institutos e hospitais se utilizam da foto kirliana para acompanhar o estado de saúde de seus pacientes.



Desde que o assunto surgiu na antiga União Soviética, foram realizadas muitas pesquisas e ainda hoje não há evidências conclusivas de que o que é registrado nas fotos tenha alguma utilidade na avaliação do estado emocional e de saúde, ou no diagnóstico de doenças. No entanto, a utilização da fotografia kirliana foi aprovada em 1999 pelo Ministério da Saúde da Federação Russa para uso como ferramenta auxiliar de diagnóstico médico. Existem atualmente diversas publicações científicas internacionais sobre o assunto, inclusive sobre diagnóstico de doenças, como o câncer.

Técnicas da fotografia kirliana e seus significados...
No procedimento para obter uma foto, o objeto, como por exemplo uma folha ou a parte do corpo de uma pessoa (geralmente os dedos), é colocado próximo à emulsão fotográfica, em uma chapa isolante com um eletrodo metálico por baixo, o qual está ligado ao aparelho de fotografia kirliana que gera uma corrente elétrica pulsante de alta frequência, baixa corrente e alta tensão (normalmente de cinco até vinte mil volts). Na foto obtida por este processo, aparece uma luminescência felpuda ao redor dos contornos dos objetos fotografados, resultantes da ionização dos gases que ali se encontram, onde fótons são produzidos e ali ficam registrados.

Fotografias kirlianas registram a passagem de correntes pela resistência elétrica da superfície dos materiais, biológicos ou não, por intermédio de uma chapa metálica eletrificada colocada em oposição. Muito se especula sobre o que é registrado nas fotos. Numa visão mística, alguns entusiastas religiosos alegam que as imagens do halo registrado nas fotos, correspondem à aura, ainda que esse registro também ocorra com objetos, ferramentas ou pedras. De fato o que se registra nas imagens eletrografadas é apenas a resistência ou permeância elétrica do objeto em estudo. Céticos afirmam que grande parte dos halos são gerados pela umidade que ocorre naturalmente em todos os seres vivos, que se tornam ionizada devido aos campos elétricos de alta-tensão e alta-frequência utilizados nessa técnica e captados pela emulsão fotográfica.

A hipótese de o fenômeno registrado ser realmente a aura dos objetos fotografados é atualmente desacreditada em praticamente todos os meios, salvo em alguns círculos místicos que ignoram as evidências contra tal explicação. O maior argumento a favor da explicação aceita pela comunidade científica (e consequentemente contra a explicação mística para o fenômeno) é o fato de que a suposta aura não aparece se a fotografia for realizada no vácuo. Como a suposta aura defendida pelos esotéricos deveria continuar existindo no vácuo, ou em qualquer outra condição atmosférica, esse fato representou um duro golpe na explicação mística para a imagem registrada pela fotografia kirliana.



Aplicações práticas e rotineiras das fotografias kirlianas...
Apesar da atual controvérsia sobre a existência de evidências conclusivas e falta do reconhecimento pela comunidade científica internacional sobre a validade do seu uso na prática médica, a técnica da bioeletrografia é potencialmente útil para outras situações, como a análise da condutividade e disposição de superfície de condutividade. Estudos iniciais sugerem que a técnica pode ser utilizada pela mineralogia. Desde que o assunto surgiu na antiga União Soviética, muitas pesquisas foram feitas. Em 1999 a técnica foi reconhecida pelo Ministério da Saúde da Federação Russa e em 2000 pela Academia de Ciências da Rússia, sendo recomendado o seu uso nas instituições de saúde daquele país como um instrumento científico auxiliar de diagnóstico, recomendado para uso na prática médica.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Você já ouviu falar nos crânios aliens?! E se forem somente casos de macrocefalia?!

Alguns crânios em exposição em museus do mundo causam espanto e aumentam as teorias de conspiração envolvendo a possível visita de aliens aqui no planeta Terra. Além destes crânios, o mais bizarro é o que alguns ufólogos chamam de “bebês aliens terráqueos”, ou seja, criaturas aliens que teriam nascido neste planeta e não se adaptado ao clima e ao ar, vindo a morrer e aqui deixadas. Para os céticos, há outra explicação muito mais simples para estes dois casos.


Os crânios alienígenas e os bebês aliens encontrados...
Em várias escavações realizadas em diversas partes do mundo, desde o México até o interior da África, paleontólogos e arqueólogos encontraram muitos crânios de seres humanoides em formações “estranhas”. As formas variam muito, mas todas espantam pelo tamanho do cérebro, que seria relativamente e comparativamente bem maior dos humanos em suas respectivas idades – quando bebês e quando adultos.

No Egito, por exemplo, temos exemplos de crânios adultos alongados. No México, em outro caso, temos os bebês aliens. Nas fotos abaixo mostramos os exemplos destes dois tipos de crânios que, de acordo com os ufólogos, são provas extremamente concretas de que os “deuses astronautas” estiveram na Terra e fizeram experimentos aqui, inclusive tentando a colonização.



Para os antropólogos, o caso dos crânios adultos seria relativamente fácil de explicar. São questões de padrões de beleza e hierarquia nestas sociedades, como as mulheres deformadas com o pescoço alongado no Sudeste Asiático, ou as mulheres da China que tinham os pés deformados pelo uso de pequenos sapatos de madeira. Assim, o alongamento do crânio seria uma construção social de poder, o que ainda ocorre em algumas tribos do centro da África.





Alguns ufólogos e teóricos dos deuses astronautas explicam que a ciência está andando de mãos dadas com as grandes instituições e governos para tentarem explicar de maneira supostamente racional o que não é verdade: que são seres humanos com certa deformidade ou questões culturais (comparando-se aos pescoços alongados). Para estas pessoas, tais crânios são provas suficientes de que os aliens existem e estiveram aqui, e que “fomos criados à imagem e semelhança deles” – parafraseando o que está na Bíblia.

Trata-se de uma questão bastante delicada e controversa. Outro grupo de ufólogos dizem que é preciso termos mais provas, e não somente crânios deformados, e que a quantidade é ínfima próxima à visualização e grandiosidade que os teóricos dos deuses astronautas dão à questão. Assim, para este grupo, não basta somente um grupo de crânios isolados em quantidades pequenas, mas corpos completos – o que é muito difícil de termos, a não ser no caso do “bebê alien mexicano”.


O que os céticos explicam sobre isso: a medicina como ferramenta...
Muitos céticos e estudiosos do assunto usam a medicina como ferramenta de explicação para mais de 90% dos casos; os outros 10% seriam questões culturais do âmbito da antropologia. A explicação seria uma doença conhecida como macrocefalia. Você já ouviu a falar nela?!


A macrocefalia (do grego “makrós”, “grande” e “kefále”, “cabeça”) é um termo aplicado para designar uma cabeça anormalmente grande. É uma alteração na qual a circunferência da cabeça é maior que a média correspondente à idade e o sexo do bebê ou do menino. É um termo descritivo mais que de diagnóstico e é uma característica de uma variedade de transtornos – ou seja, é sintoma ou consequência de uma enormidade de doenças conhecidas.

A macrocefalia também pode ser hereditária. Ainda que uma forma de macrocefalia possa relacionar-se ao retardo mental, em aproximadamente a metade dos casos o desenvolvimento mental é normal – portanto, não afeta processos de inteligência e de aprendizagem. A macrocefalia pode ser causada por um cérebro agrandado ou hidrocefalia. Pode ser associada a outros transtornos tais como o enanismo, a neurofibromatose e a esclerose tuberosa.


Para grande parte dos céticos, os crânios de supostos bebês alienígenas seriam essas malformações cranianas. Por ser um sintoma raro de doença, este é o motivo de encontrarmos poucos crânios de aliens “crianças”. De acordo com as estatísticas médicas, a cada 300 mil nascimentos, um pode desenvolver essa característica. Mesmo assim isso não é suficiente para muitos estudiosos, que falam que os céticos são pessoas que andam de braços dados com as estruturas de poder e têm mente fechada para novas teorias, como a principal delas: a teoria dos deuses astronautas.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Velho do saco: de onde vem esta lenda urbana tão famosa?!

A história do velho do saco – ou do homem do saco – é uma das mais populares em todas as culturas do Ocidente, contada pelos pais para amedrontar crianças teimosas ou malcriadas. Há registros desta lenda urbana sendo contada como medida educativa nos Estados Unidos, México, Argentina, Portugal, Alemanha, Rússia, Inglaterra, Brasil, Colômbia, Grécia, Itália, França etc.


De acordo com a antropologia, que estuda as lendas e mitologias dos povos, sempre há um mito fundador, ou seja, aquele primeiro que é adaptado pelas sociedades de acordo com suas características e necessidades. Assim, a história envolvendo o velho do saco raptor de crianças teria, também, essa mesma raiz – justamente por estar presentes em várias partes do mundo. Portanto, veio de algum lugar com base em algum tipo de fator. E realmente há!

A origem da lenda, de acordo com antropólogos urbanistas...
De acordo com o que nos conta a lenda, as crianças que o velho carrega consigo são aquela que estavam sem nenhum adulto por perto, em frente às suas casas ou brincando na rua sem a permissão dos pais – nota-se aí o contexto patriarcal de força sobre os menores. Assim, o velho pegaria a criança caso ela saísse sem ninguém de dentro de casa, ou sem estar sob a vigilância e a responsabilidade de um adulto.

Na Europa a lenda tem um fim. As crianças carregadas pelo velho do saco eram transformadas em sabonetes, pele de tamboretes e seus ossos eram transformados em botões. Tudo isso para manter vivo o pavor das crianças em irem sozinhas para a rua sem a supervisão de um familiar.


De acordo com os antropólogos e etnólogos, não há evidências concretas de como se tenha dado início a esta lenda, mas há estimativas históricas que podem ajudar a nortear isso, dando uma chave para os motivos da existência deste mito urbano que atravessou continentes. Tudo teria ocorrido por volta da década de 1850, na Europa, quando os ciganos começaram a fazer o movimento de imigração para as Américas.

1. Neste período, na Europa, era muito comum que crianças fossem roubadas das ruas, principalmente nas zonas rurais, para que fossem vendidas a orfanatos e grandes industriais como mão de obra nas fábricas – nesse período, era comum uma criança trabalhar até 16 horas diariamente a um salário ínfimo;

2. Alguns dos raptores na Europa eram ciganos que, por viverem à margem da sociedade dependiam de dinheiro para sobreviver diariamente. Por isso, a fonte de lucros da quiromancia (ler as mãos) e artes circenses já não dava mais o mesmo dinheiro no período da Belle Epoque europeia. Assim, as crianças eram raptadas pelos grupos de ciganos e vendidas em outros cantos;

3. Os números de raptos eram maiores no Leste Europeu: Rússia, Ucrânia, Romênia, Grécia, Bulgária etc. Essas crianças raptadas pelos “velhos do saco” eram vendidas em cidades como Londres, Birmingham, Liverpool, Manchester, Lyon, Paris, Milão, Turim, Berlim e Viena;

4. Havia o preconceito, na época, de que ciganos e judeus não tinham nação ou pátria – no período em que o Nacionalismo tornava-se uma doença no mundo – e por isso vendiam as crianças, pois, para eles, a família não importava, e o sumiço “seria somente uma questão esquecida pelo tempo”.


No século 19, teve início a migração maciça dos ciganos para as Américas, principalmente Brasil e Estados Unidos. Fugiam de todo esse preconceito que estava arraigado nas sociedades europeias, que lhes impedia até de terem residência fixa – chamada “questão sectária”. Não foi o suficiente; no mesmo período o continente americano teve o maior fluxo de migração de ingleses, espanhóis, irlandeses, judeus, italianos, alemães, suíços. Os ciganos não conseguiram se livrar deste jugo eterno.

Sem pátria, num mundo onde tudo se transforma em uma velocidade cada vez maior, o povo cigano viveu durante muito tempo marginalizado da sociedade e desenvolveu-se uma aversão da população a esse povo, tachando-os de ladrões, sequestradores e vadios. No início do surgimento da lenda do velho do saco no continente americano, os pais amarravam uma fita vermelha na perna da cama da criança indesejada e o velho do saco passava à noite de casa em casa, se houvesse uma fita vermelha na perna da cama o velho do saco poderia levar embora a criança em questão. De acordo com os antropólogos, essa história era a versão original da lenda do velho do saco, os pais a usavam para assustar as crianças ou para forçarem as crianças a serem obedientes.


Desta maneira, podemos perceber claramente que uma lenda urbana não é somente o nexo de vários elementos culturais, mas sim que eles têm nexo com os contextos sociais, econômicos, históricos e antropológicos. A lenda do velho do saco mostra o preconceito da sociedade vitoriana para com os ciganos, além de tentarem impor a obediência a uma sociedade machista e patriarcal. No fundo descobrimos que tudo tem uma história para ser contada.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Um projeto misterioso e sem explicações: o que você conhece (ou pensa conhecer) sobre o HAARP?!

O projeto HAARP, sigla de “High Frequency Active Auroral Research Program”, ou “Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência” é um dos mais controversos do governo norte-americano e vem incomodado até países aliados da Europa. Isso tudo porque ele nunca foi muito bem explicado para a sociedade. Trata-se de uma investigação financiada pela Força Aérea dos Estados Unidos, a Marinha e a Universidade do Alasca com o propósito oficial de “entender, simular e controlar os processos ionosféricos que poderiam mudar o funcionamento das comunicações e sistemas de vigilância”.


Iniciou-se em 1993 para uma série de experimentos durante vinte anos. É similar a numerosos aquecedores ionosféricos existentes em todo mundo, e tem um grande número de instrumentos de diagnóstico com o objetivo de aperfeiçoar o conhecimento científico da dinâmica ionosférica. Existem especulações de que o projeto HAARP seria uma arma dos Estados Unidos, capaz de controlar o clima provocando inundações e outras catástrofes. Em 1999, o Parlamento Europeu emitiu uma resolução onde afirmava que o Projeto HAARP manipulava o meio ambiente com fins militares, pleiteando uma avaliação do projeto por parte da Science and Technology Options Assessment (STOA), o órgão da União Europeia responsável por estudo e avaliação de novas tecnologias. Em 2002, o Parlamento russo apresentou ao presidente Vladimir Putin um relatório assinado por 90 deputados dos comitês de Relações Internacionais e de Defesa, onde alega que o Projeto HAARP é uma nova “arma geofísica”, capaz de manipular a baixa atmosfera terrestre.


O lugar onde se situa HAARP fica próximo à cidade de Gakona, Alasca (62° 23’ 36” N, 145° 08’ 03” W), a oeste do Parque Nacional Wrangell-San Elias. Depois de realizar um relatório sobre o impacto ambiental, permitiu-se estabelecer ali uma rede de 360 antenas. O HAARP foi construído no mesmo lugar onde se encontravam algumas instalações de radares, as quais abrigam agora o centro do controle do HAARP, uma cozinha e vários escritórios – simplesmente no meio do nada. Outras estruturas menores abrigam diversos instrumentos. O principal componente de HAARP é o Instrumento de Investigação Ionosférica (IRI), um aquecedor ionosférico. Trata-se de um sistema transmissor de alta frequência (HF) utilizado para modificar temporariamente a ionosfera.

O estudo destes dados contribui com informações importantes para entender os processos naturais que se produzem nela. Durante o processo de investigação ionosférica, o sinal gerado pelo transmissor é enviado ao campo de antenas, as quais o transmite para o céu. A uma altitude entre 100 e 350 quilômetros, o sinal dissipa-se parcialmente, concentrando-se numa massa a centenas de metros de altura e várias dezenas de quilômetros de diâmetro sobre o lugar. Os efeitos produzidos pelo HAARP podem ser observados com os instrumentos científicos das instalações mencionadas, e a informação que se obtém é útil para entender a dinâmica do plasma e os processos de interação entre a Terra e o Sol.


A estrutura do projeto...
O local do projeto fica ao norte de Gakona a oeste do Parque Nacional Wrangell-Saint Elias. Um estudo do impacto ambiental deu permissão para a instalação de mais de 180 antenas. O HAARP foi construído onde ficava o Radar Over-The-Horizon (OTH). Uma grande estrutura, construída para abrigar o OTH agora é a casa do HAARP, sala de controle, cozinha e escritórios. Diversas outras pequenas estruturas ficaram como salas de outros instrumentos.

Cada antena consta de um dipolo cruzado que pode ser polarizado para efetuar transmissões e recepções em modo linear ordinário (modo Ou) ou em modo extraordinário (modo X). A cada parte de cada um dos dipolos cruzados está alimentada individualmente por um transmissor integrado, desenhado especialmente para reduzir ao máximo a distorção. A potência efetiva irradiada pelo aquecedor está limitada por um fator maior de 10 à mínima frequência operativa. Isto se deve às grandes perdas que produzem as antenas e um comportamento pouco efetivo.

O HAARP tem permissões para transmitir unicamente em certas frequências. Quando o emissor está transmitindo, a largura de banda do sinal transmitido é de 100 kHz ou menos. Pode transmitir de forma contínua ou em pulsos de 100 microssegundos. A transmissão contínua é útil para a modificação ionosférica, enquanto a de pulsos serve para usar as instalações como um radar. Os cientistas podem fazer experimentos utilizando ambos métodos, modificando a ionosfera durante um tempo predeterminado e depois medindo a atenuação dos efeitos com as transmissões de pulsos.


As controvérsias do projeto...
O Projeto HAARP tem sido objeto de controvérsias desde meados da década de 1990, após alegações de que as antenas poderiam ser utilizadas como uma arma. Em agosto de 2002, o Parlamento Russo apresentou formalmente uma menção crítica. O Parlamento emitiu um comunicado de imprensa a respeito do HAARP escrito pelas comissões de Relações Internacionais e de Defesa, assinado por 90 deputados e apresentado ao presidente Vladimir Putin. Segundo o comunicado: “Os Estados Unidos estão criando novas armas geofísicas que podem influenciar a baixa atmosfera terrestre [...]. A significação deste salto qualitativo pode ser comparada à transição de armas brancas para armas de fogo, ou de armas convencionais para armas nucleares. Este novo tipo de armas difere dos tipos anteriores à medida que a baixa atmosfera terrestre torna-se objeto direto de influência e um de seus componentes”.

Por sua vez, o Parlamento Europeu, em resolução de 28 de janeiro de 1999 versando sobre o meio ambiente, segurança e política externa, assinalava que o Projeto HAARP manipulava o meio ambiente com fins militares e solicitava que o mesmo fosse objeto de avaliação por parte da Science and Technology Options Assessment (STOA) sobre as possíveis consequências de seu uso para o meio ambiente regional, mundial e para a saúde pública em geral. A mesma resolução do Parlamento Europeu pedia a organização de uma convenção internacional com vistas à proibição em escala global do desenvolvimento ou utilização de quaisquer armas que possam permitir a manipulação de seres humanos.


O enfoque das teorias conspiratórias...
O HAARP é o protagonista de diversas teorias conspiratórias, nas quais são atribuídos motivos ocultos e capacidades ao projeto. Algumas destas capacidades incluem controle climático e geológico, mapeamento de imagens subterrâneas e controle mental. O jornalista Sharon Weinberger chamou o projeto HAARP de “a Moby Dick das teorias da conspiração” e disse que a popularidade das teorias da conspiração muitas vezes ofusca os benefícios que o projeto HAARP pode trazer para a comunidade científica. Em janeiro de 2010, setores da imprensa venezuelana afirmaram que o terremoto de 2010 no Haiti poderia ter sido causado por armas produzidas pelo projeto HAARP.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Você sabia que os barbeiros, por muitos séculos, foram os “médicos” do povo?!

Este post é uma espécie de homenagem pessoal a um dos livros que eu mais gosto, “O físico”, de Noah Gordon, que mistura com grande maestria romance de ficção com pano de fundo da realidade da medicina no período da Idade Média, antes do ano 1300. O livro mostra em vários capítulos como era a concepção da medicina no medievo, as proibições sociais da Igreja, a prática dos médicos, a formação dos acadêmicos e principalmente: os barbeiros, que na realidade eram os “médicos do povo”.


Por muitos séculos a Europa entrou em seu próprio mundo, tendo pouca comunicação com o “mundo lá fora”. Os feudos e reinos eram fechados em si mesmos, portanto era difícil interagir entre grupos de vilas. Às famílias mais nobres restavam duas carreiras, geralmente: ser soldado, ou ser membro do clero – caso não houvesse a sorte de ser membro de uma corte real parasitária.

Neste contexto, havia na Europa poucas profissões, mesmo que a necessidade fosse absurda. Uma delas era o ser médico. Na Europa medieval havia poucas universidades dedicadas a este estudo, sendo que, geralmente, as universidades – comandadas pela Igreja – se colocavam a ensinar filosofia, teologia, arquitetura e direito, pouco além disso. Nesse meio tempo, no Oriente Médio, já havia várias universidades que ensinavam, com grande maestria, a medicina como profissão importante.

Na Europa o atraso era enorme. Havia poucos médicos, que cobravam caríssimo pela consulta e que faziam remédios mirabolantes, mais parecidos com poções mágicas – ou sinal de puro curandeirismo. E como se vivia em um mundo teocentrista, acreditava-se que Deus curaria todos os males. Quem realmente queria ser médico dirigia-se para Bagdá, Damasco, Isfahan, onde se localizavam as melhores instituições para o estudo das doenças e dos males da humanidade, ainda que precariamente aos olhos dos avanços de hoje.


Os barbeiros como “médicos”...
Como era muito caro e difícil termos médicos profissionais e formados na Europa medieval, era comum que barbeiros fizessem o serviço de barbeiro e cabeleireiro e, ainda, dentista e médico. Extraíam dentes, faziam incisões, cirurgias, curativos, receitavam remédios que mais pareciam poções mágicas etc. Também é digno de nota dizer que estes barbeiros, para atingirem esse grau de execução do serviço, era preciso participar de uma “guilda” por pelo menos oito anos.

Guildas eram espécies de sindicatos que agrupavam setores profissionais. Assim, havia a guilda dos pedreiros, a guilda dos artesãos, a guilda dos atores etc. Um jovem aprendiz começava fazendo barbas e cortando cabelos; com o tempo, iam auxiliando como enfermeiros de hoje em dia os barbeiros ou médicos, aprendendo um pouco mais de cada doença e cada tratamento. De maneira brilhante Noah Gordon mostra isso no livro “O físico”.

Na entrada de cada barbearia havia um cilindro pintado em branco e vermelho. Isso significava que aquele barbeiro tinha aptidões medicinais, e poderia ser chamado durante qualquer hora do dia para uma emergência: um enfarte, um parto, um curativo, uma perna quebrada etc.

De acordo com o historiador medievalista Jacques Le Goff, o barbeiro era mais popular que o médico por questões mais do que financeiras; se formos passar os valores de um pão em Londres em 1350 para os dias de hoje, ele custaria absurdos 9 reais. O mesmo ocorria com uma consulta: com o médico, atuais 315 reais, e com um barbeiro, somente 38 reais. Para uma população malnutrida, sem instrução e com poucos bens, presa à terra do senhorio, ir ao médico era um luxo tremendo.


O estudo da medicina no medievo...
Agora surge a pergunta: então como se formavam os médicos durante esse período da história? Bem, primeiramente cabe dizer que somente membros da nobreza ou da aristocracia formavam-se médicos, pois as melhores escolas estavam em territórios muito distantes, principalmente no Oriente Médio. As melhores universidades ficavam sob o comando islâmico em Damasco, Constantinopla, Alexandria, Bagdá, Fez, Isfahan e Beirute; ao contrário dos europeus que deram preferência a se fecharem em feudos teocêntricos, naquela época os árabes continuaram com os seus estudos sobre as doenças, iniciados pelos gregos e pelos romanos séculos antes em suas academias.

Mesmo com essa diferença entre os mundos Ocidental e Oriental, havia gravíssimos entraves. As pessoas estudavam medicina, mas as disciplinas anatômicas eram feitas em porcos – por terem estrutura orgânica parecida com a de seres humanos. Isto porque o Cristianismo e o Islamismo proibiam que corpos humanos, considerados “templos de Deus” fossem “profanados” em estudos. E muitas doenças eram vistas, ainda, como estranhas manifestações demoníacas, como a epilepsia.

Diz a lenda que Leonardo da Vinci, para fazer seus desenhos anatômicos , teve que recorrer a vários corpos de mendigos mortos nos arredores de onde vivia, chegando a ser preso por isso duas vezes. A “profanação de corpos” era um crime passível de multa ou prisão mesmo no auge da Itália renascentista, considerado período que o homem fez do mundo um antropocentrismo. Foi somente nos idos do século 18 que as universidades europeias começaram a se interessar pelos problemas do corpo humano, a abrir cursos de medicina e a utilizar seres humanos nos estudos anatômicos.


Por muitos e muitos séculos os barbeiros foram os verdadeiros médicos e dentistas das populações, formada por 99% de pobres miseráveis. Na prática do empirismo que adquiriram conhecimento, no erro e no acerto que mataram e curaram pessoas com “fórmulas mágicas do tempo da vovó”. Mas foram eles que, de feira em feira, parando de vila em vila, que levaram esperança e um pouco de higiene nos tempos em que tomar banho e escovar os dentes eram atividades consideradas prejudiciais ao corpo.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Você conhece o caso verídico que levou ao filme “O exorcismo de Emily Rose”?!

Hoje vamos falar sobre o caso real que inspirou o filme “O exorcismo de Emily Rose”; trata-se da jovem alemã Anneliese Michel, em um caso de tremenda polêmica que a mídia se debruçou, misturando medicina, ceticismo, fé, religiosidade, descuidos paternais etc. Hoje o leitor vai entender o porquê de este caso ter-se tornado tão grande que virou filme.


Anneliese Michel (1952-1976) (foto abaixo) foi uma jovem alemã de família católica que acreditava ter sido possuída por uma legião de demônios, tendo sido submetida a uma intensa série de sessões de exorcismo pelos padres Ernest Alt e Arnold Renz em 1975 e 1976. O Caso Klingenberg, como passou a ser conhecido pelo grande público, deu origem a vários estudos e pesquisas, tanto de natureza teológica quanto científica, e serviu como inspiração para os filmes “O exorcismo de Emily Rose” e “Requiem”.


Anneliese experimentou graves distúrbios psiquiátricos a partir dos 16 anos de idade até sua morte, aos 23 anos, sendo seu quadro clínico composto desde desnutrição secundária a doença mental. Depois de vários anos de tratamento psiquiátrico ineficaz, ela se recusou ao tratamento médico e solicitou um exorcismo. As graves consequências atribuídas ao ritual de exorcismo sobre a jovem motivaram a abertura de um processo criminal pelos promotores de justiça locais contra os pais de Anneliese e os padres exorcistas, causando uma grande polêmica em toda a Europa e dividindo a opinião pública mundial. Tanto os padres que realizaram o exorcismo quanto os pais de Michel foram condenados por homicídio negligente porque renunciaram ao tratamento médico quando do início do tratamento por meio do exorcismo.

A infância de Anneliese...
Anneliese nasceu na Baviera, e foi criada com as suas três irmãs. Seus pais, Anna e Josef Michel, muito religiosos, lhe deram uma educação profundamente católica. O pai de Anneliese mantinha a família trabalhando em uma serraria. Quando tinha 16 anos, Anneliese sofreu uma grave convulsão e foi diagnosticada com epilepsia. Logo, ela também começou a alucinar enquanto rezava. Em 1973, ela sofria de depressão e começou a ouvir vozes dizendo que ela estava “condenada” e que iria “apodrecer no inferno”. Em 1973, Anneliese estava sofrendo de depressão e considerando o suicídio. O seu comportamento tornou-se cada vez mais bizarro. Ela andava nua pela casa, fazia suas necessidades em qualquer lugar, rasgava suas roupas, comia insetos como moscas e aranhas, carvão e chegou a lamber sua própria urina.


As tentativas de tratamento psiquiátrico...
Depois de ser admitida em um hospital psiquiátrico, a saúde de Anneliese não melhorou. Além disso, sua depressão começou a se aprofundar. Ela começou a ficar cada vez mais frustrada com a intervenção médica, que não melhorava a sua condição. Em longo termo, o tratamento médico não foi bem sucedido, seu estado, incluindo a sua depressão, agravaram-se com o tempo.

Tendo centrado toda a sua vida em torno da fé católica, Anneliese começou a atribuir sua condição psiquiátrica à possessão demoníaca. Ela tornou-se intolerante a lugares e objetos sagrados, como crucifixos, que contribuiu ao que achavam ser possessão demoníaca. Ao longo do curso dos ritos religiosos, Anneliese sofreu muito. Foram prescritos a ela medicamentos antipsicóticos, que ela pode ou não ter parado de tomar.

Em junho de 1970, Anneliese sofreu uma terceira convulsão no hospital psiquiátrico, neste momento foi prescrito pela primeira vez anticonvulsivantes. O nome desta droga não é conhecida e não trouxe alívio imediato aos sintomas da doente. Ela continuou falando sobre o que ela chamou de “faces do diabo”, vistas por ela durante vários momentos do dia. Anneliese ficou convencida de que a medicina convencional era de nenhuma ajuda. Acreditando cada vez mais que sua doença era um tipo de distúrbio espiritual, ela recorreu à Igreja para que a exorcisassem.

Naquele mesmo mês, lhe foi prescrita uma outra droga, que é uma fenotiazina com propriedades gerais semelhantes às da clorpromazina: é usada no tratamento de psicoses diversas, incluindo esquizofrenia e distúrbios de comportamento. Em novembro de 1973, Anneliese iniciou o tratamento com Tegretol (carbamazepina), que é uma droga antiepiléptica. Ela tomou o medicamento com frequência, até pouco antes de sua morte.


O exorcismo e morte da vítima...
Anneliese fez uma peregrinação a San Damiano com um amigo da família, que regularmente organizava peregrinações para lugares santos não reconhecidos oficialmente pela Igreja Católica. Como Anneliese era incapaz de passar por um crucifixo e se recusava beber a água de uma nascente sagrada, seu acompanhante concluiu que ela estava sofrendo de possessão demoníaca. Tanto Anneliese quanto sua família se convenceram de que ela estava realmente possuída e consultaram vários sacerdotes, pedindo um exorcismo. Os sacerdotes se recusaram, recomendaram a continuação do tratamento médico e informaram à família que para a realização de exorcismo era necessária a permissão de um arcebispo. Eventualmente, em uma cidade próxima, se depararam com vigário Ernst Alt, que, depois de ver Anneliese, declarou que ela não “parecia uma epilética” e que ele não a via tendo convulsões. Ele acreditava que a menina estava sofrendo uma possessão demoníaca. Alt pediu ao bispo para permitir um exorcismo. Em setembro de 1975, o Bispo Josef Stangl concedeu uma permissão ao Padre Renz para exorcizar Anneliese de acordo com o “Rituale romanum” de 1614, mas ordenou total sigilo sobre o caso. Renz realizara a primeira sessão em 24 de setembro.

Uma vez convencidos de sua possessão, Anneliese, seus pais e os exorcistas pararam de procurar tratamento médico e colocaram seu destino nas mãos apenas dos ritos de exorcismo. Sessenta e sete sessões de exorcismo, uma ou duas por semanas, com duração de até quatro horas, foram realizadas durante cerca de 10 meses em 1975 e 1976. Em algum momento, Michel começou a falar cada vez mais sobre a morte para expiar a juventude rebelde do dia e os padres apóstatas da igreja moderna e se recusou a comer. A pedido da própria Anneliese, os médicos não estavam mais sendo consultados. Em 01 de julho de 1976, Anneliese morreu durante o sono. O relatório da autópsia indicou a causa da morte foi desnutrição e desidratação de quase um ano de semi-inanição, enquanto os ritos de exorcismo eram realizados.


O julgamento do caso Michel, que virou o filme...
Logo após a morte de Anneliese, os padres Ernest Alt e Arnold Renz fizeram o comunicado do óbito às autoridades locais que, imediatamente, abriram inquérito e procederam às investigações preliminares. Os promotores públicos responsabilizaram os dois padres e os pais de Anneliese de homicídio causado por negligência médica. O Bispo Josef Stangl, embora tivesse dado a autorização para o exorcismo, não foi indiciado pela promotoria em virtude de sua idade avançada e seu estado de saúde debilitado, vindo a falecer em 1979. Josef Stangl foi quem consagrou bispo o padre Joseph Ratzinger, que no futuro se tornaria o Papa Bento XVI.

O julgamento do processo, que passou a ser denominado como o Caso Klingenberg iniciou-se em 30 de março de 1978 e despertou grande interesse da opinião pública alemã. Perante o tribunal, os médicos afirmaram que a jovem não estava possuída, muito embora o Dr. Richard Roth, ao qual foi solicitado auxílio médico pelo Padre Ernest Alt, teria feito a afirmação à época que não havia medicação eficaz contra a ação de forças demoníacas. Os médicos psiquiatras, que prestaram depoimento, afirmaram que os padres tinham incorrido inadvertidamente em “indução doutrinária” em razão dos ritos, o que havia reforçado o estado psicótico da jovem, e que, se ela tivesse sido encaminhada ao hospital e forçada a se alimentar, o seu falecimento não teria ocorrido.

A defesa judicial dos padres foi feita por advogados contratados pela Igreja. A defesa dos pais de Anneliese argumentou que o exorcismo tinha sido ato lícito e que a Constituição Alemã protege os seus cidadãos no exercício irrestrito de suas crenças religiosas. A defesa também recorreu ao conteúdo das fitas gravadas durante as sessões de exorcismo, que foram apresentadas ao tribunal de justiça, onde, por diversas vezes, as vozes e os diálogos – muitas vezes perturbadores – dos supostos demônios eram perfeitamente audíveis. Em uma das fitas é possível discernir vozes masculinas de dois supostos demônios discutindo entre si qual deles teria de deixar primeiro o corpo de Anneliese. Ambos os padres demonstraram profunda convicção de que ela estava verdadeiramente possessa e que teria sido finalmente libertada pelo exorcismo, um pouco antes da sua morte. Ao fim do processo, os pais de Anneliese e os dois padres foram considerados culpados de negligência médica e foi determinada uma sentença de seis meses com liberdade condicional sob fiança.


Exumação do corpo de Anneliese...
Antes do início do processo, os pais de Anneliese solicitaram às autoridades locais uma permissão para exumar os restos mortais de sua filha. Eles fizeram esta solicitação em virtude de terem recebido uma mensagem de uma freira carmelita. A freira relatou aos pais da jovem que teria tido uma visão na qual o corpo de Anneliese ainda estaria intacto ou incorrupto e que esta seria a prova definitiva do caráter sobrenatural dos fatos ocorridos. O motivo oficial que foi dado às autoridades foi o de que Annieliese tinha sido sepultada às pressas em um sarcófago precário.

Os relatórios oficiais, entretanto, divulgaram a informação que o corpo já estava em avançado estado de decomposição. As fotos que foram tiradas durante a exumação jamais foram divulgadas. Várias pessoas chegaram a especular que os exumadores moveram o corpo de Anneliese do antigo sarcófago para o novo, feito de carvalho, segurando-o pelas mãos e pernas, o que seria um indício de que o corpo não estaria na realidade muito decomposto. Os pais e os padres exorcistas foram desencorajados a ver os restos mortais de Anneliese. O Padre Arnold Renz mais tarde afirmou que teria sido inclusive advertido a não entrar no mortuário.