terça-feira, 18 de novembro de 2014

Rodando o disco ao contrário e ouvindo mensagens ocultas: você conhece os fatos e farsas envolvendo o “backmasking”?!

Quem viveu na década de 1980 sabe o que é a história de “rodar o disco ao contrário” e tentar encontrar, ali, mensagens demoníacas, satânicas e subliminares. Vários artistas foram vítimas destes boatos: no Brasil, principalmente a Xuxa. Mas você sabia que a teoria da conspiração de um nome a isso? É o “backmasking”, popularmente conhecido como “mensagem ao contrário”, cuja tradução seria “mascaramento reverso”. Com gravadores modernos, digitais, o processo é facilitado, sem precisar cortar e colar a fita junto a outras. Tudo é feito digitalmente. O “backmasking” é um processo premeditado, sendo assim, causa de muitas controvérsias, especialmente relacionadas com supostas mensagens subliminares em diversas músicas e outras mídias sonoras.


1. A prática de manipular músicas gravadas começou nos finais dos anos 50 com a chegada da música concreta. Esta forma vanguardista da música eletrônica consistia na edição conjunta de fragmentos sonoros naturais e mecânicos;

2. Os Beatles, que incorporaram as técnicas da música concreta dentro das gravações, foram os responsáveis pela popularização do conceito de “backmasking”. John Lennon experimentou executar ao contrário o acetato de “Tomorrow Never Knows”, canção do álbum “Revolver”. O som da canção sendo tocada ao contrário lhe agradou e ele compartilhou os resultados com os companheiros de banda no dia seguinte;

3. Em 1969, o DJ Russell Gibb recebeu um telefonema anônimo em que a pessoa do outro lado da linha lhe dissera que Paul McCartney estava morto. Segundo o mesmo, a reprodução de certas gravações do grupo Beatles ao contrário revelavam certas mensagens ocultas. Um LP em particular, “Álbum Branco”, inclui algumas destas mensagens. Ao final da cancão “I’m So Tired”, se escuta um murmúrio intencional que, supostamente, ao contrário, está a dizer: “Paul is dead man, miss him, miss him...”;

4. Assim mesmo, a repetição de palavras “Number nine, number nine, number nine...” que aparecem na canção “Revolution 9”, ao contrário se tornam “Turn me on dead man, turn me on dead man...”;

5. Outro exemplo famoso de backmasking é o da canção “Stairway to Heaven” da banda Led Zeppelin. Em uma parte da canção é executada a inversa, e se escuta “Here’s to my sweet Satan”. A Swan Song Records, a gravadora do grupo, declarou: “Nossos discos só tocam em uma direção...”;

6. Em contraponto, há quem fala da invalidade do “backmasking”, argumentando que uma série de sílabas aleatórias pronunciadas em diversos acentos, podem ser placidamente interpretadas como qualquer coisa;

7. Em 1985, os psicólogos John R. Vokey e J. Don Read levaram a cabo um estúdio usando o Salmo 23, da Biblia, na canção “Another One Bites the Dust” do Queen e vários outros sons adaptados para o experimento. Vokey e Read concluíram: “Não podemos encontrar efeito significativo nalgumas das mensagens invertidas sobre o comportamento dos ouvintes, consciente ou inconscientemente”;

8. Gary Greenwald, um pregador cristão fundamentalista, afirmava que as mensagens escondidas podem ser escutadas subliminarmente, podendo induzir os ouvintes ao sexo e uso de drogas. Depois do pavor às mensagens subliminares na década de 50, quando se popularizou o som concreto, muitos negócios haviam surgido pretendendo comercializar áudio subliminar benéfico. Estas lojas ofereciam fitas subliminares que supostamente melhoravam a saúde do ouvinte. Porém não existem evidência da efetividade terapêutica destes tipos de gravações;

9. Em 1985, a banda britânica de heavy metal Judas Priest foi denunciada devido a um ataque suicida cometido por estudantes no estado de Nevada, Estados Unidos. Um deles sobreviveu, afirmando a seus pais que o álbum “Stained Class”, de 1978, continha mensagens ocultas. As palavras “Do it” (“Faça”) eram supostamente audíveis quando a gravação da faixa “Better By You, Better Than Me” era examinada ao contrário;

10. O caso foi arquivado depois que se apresentaram evidências de que os jovens haviam crescido em um ambiente violento e depressivo e depois o agrupamento demonstrou que outras absurdas mensagens ao contrário podiam falar-se sem se usar suficiente imaginação;


11. Muitos músicos já gravaram deliberadamente mensagens subliminares em suas canções. Seus propósitos haviam sido iludir a censura, introduzindo declarações artísticas ou sociais, a divertirem-se à custa das críticas. Alguns grupos, efetivamente, haviam falado em favor do satanismo ou da violência usando “backmasking”;

12. O “backmasking” foi usado por Frank Zappa em seus primeiros álbuns para enganar a censura. O disco “We’re Only in It for the Money” (1968) contém a seguinte mensagem oculta ao final do lado A: “Better look around before you say you don't care/Shut your f***ing [censurado no original] mouth ‘bout the length of my hair/how would you survive/if you were alive/shitty little person?” (“Melhor olhar ao redor antes de dizer que não se importa/Cala a merda da tua boca sobre o comprimento do meu cabelo/como sobreviverá/se tu estivesse vivo/insignificante pessoa de merda?”);

13. Grande parte da controvérsia sobre o backmasking é resultado das mensagens satânicas em músicas do heavy metal. O álbum “Hell Awaits” do Slayer é um prominente exemplo de mensagens satânicas ocultas. O disco inicia com uma voz demoníaca que quando é invertida diz “Join Us” (“Una-se a nós”);

14. A canção “Dinner at Deviants Palace”, de Cradle of Filth, consiste caso completamente de sons ambientes e uma leitura ao contrario do Pai Nosso (o ser capaz de rezar o Pai Nosso ao contrário, era percebido na Idade Média como um herege);

15. Outro exemplo menos conhecido é o álbum de “The Turn of a Friendly Card” de Alan Parsons Project: no fim final da primeira faixa “May be a price to pay”, há uma mensagem escondida no verso “Something’s been going on, there may be a price to pay” (“Algo está sendo continuado, deve ter um preço a pagar”). Em reverso, a mensagem oculta em espanhol diz: “Escucha baby al demónio, es bien fácil” (“Escuta baby ao demônio, é bem fácil”);

16. Algumas das polêmicas tratam de canções que não são necessariamente satânicas, e sim anticristãs. O álbum “Transilvanian Hunger” da banda Darkthrone, contém uma mensagem ao contrário que diz “In the name of God, let the churches burn” (“Em nome de Deus, deixe igrejas a queimarem”);

17. A música “Mysterium Iniquitatis” do grupo Christian Death está quase completamente ao contrário e ao ser invertida expressa crenças antirreligiosas;

18. Finalmente, alguns “backmasking” são controversos por seus temas violentos. Em “Born Dead”, um álbum de 1994 da banda Body Count, há uma mensagem invertida na canção “Killing Floor”: “Body Count, motherfucker. Burn in hell!” (“Número de mortos, filho da puta. Queime no inferno”);

19. O grupo finandês Turmion Kätilöt, em sua EP “Niuva 20”, há a inserção deliberada de uma mensagem inversa com voz robótica na metade da segunda canção, “Kirosana” (“Profanação”), que diz “Devemos violar este paraíso infernal na terra. Ali está teu significado de vida”;

20. As mensagens camufladas foram usadas como manifestações. No álbum “Amused to Death de Roger Waters”, o ex-vocalista do Pink Floyd gravou uma mensagem ao contrario onde criticava o filme “2001, Uma Odisseia no Espaço” do diretor Stanley Kubrick, que havía recusado que Waters usara um som do filme;


21. Muitas mensagens invertidas são paródias às custas do ouvinte que se preocupa, perdendo tempo, ouvindo tais gravações. Por outro lado, alguns músicos de nos anos 80 incluíram deliberadamente “backmasking” com mensagens evangélicas. O grupo cristão Petra, em sua canção “Judas Kiss” introduziu a mensagem “What are you looking for the devil, when you ought to be looking for the Lord?” (“Por que procura o demônio, quando deve estar em busca do Senhor?”);

22. Outro músico cristão, Randy Stonehill, incluiu a mensagem camuflada “He shall reign forever” (“Ele reinará para sempre”), em sua canção “Rainbow”. O grupo cristão de heavy metal Stryken pôs uma etiqueta preventiva em seu álbum para advertir aos que escutam o disco sobre numerosas mensagens ocultas, incitando ao ouvinte a aceitar Jesus Cristo como seu salvador;

23. Uma famosa mensagem ao contrário vem na introdução de uma peça instrumental da Electric Light Orchestra chamada “Fire on High”, em que uma misteriosa voz profunda, em reverso diz “The music is reversible, but time is not, turn back! Turn back! Turn back!” (“A música é reversível, mas o tempo não é, rode devolta!, rode devolta!, rode devolta!”);

24. O álbum “The Amazing Jeckel Brothers” lançado por Insane Clown Posse, em 2000, contém “backmasking” intencional. A canção “Everybody Rise” inclui uma galimatia ao final da faixa, que ao ser executada ao contrário revela que é o mesmo Violent J dizendo “If you flipped this message, ‘cuz you think there’s some secret message, there ain’t shit!” (“Se você havia voltado esta mensagem, é porque pensa que há alguma mensagem secreta, não há tal merda!”);

25. Com a popularização dos CD’s ficou mais difícil procurar por “backmaskings” e o interesse diminuiu muito. É por isso que podemos encontrar maior número de incidência em álbuns ainda feitos em vinil, pois as pessoas podiam manuseá-lo ao contrário, tocando no reverso;

26. Por conta de seu conteúdo folclórico ao longo das últimas décadas, muitos artistas têm usado o “backmasking” de maneira artística em suas músicas para complementar a obra em que trabalham no momento. Esse é o caso de Sigur Rós, Korn, David Bowie, Prince, Linkin Park etc.;