sábado, 11 de outubro de 2014

Você conhece a teoria conspiratória conhecida como “sedevacantismo”? Fato ou farsa?!

Sedevacantismo é uma teoria da conspiração bastante complexa, defendida por uma minoria muito grande de católicos tradicionalistas, que por sua vez afirmam que a Santa Sé está vaga desde a morte do Papa Pio 12, em 1958, ou de Angelo Roncalli, conhecido como João 23, em 1963. Entretanto, nem todos os tradicionalistas são sedevacantistas, exemplo é a Fraternidade Sacerdotal São Pio 10.


Sedevacantistas acreditam que os Papas Paulo VI (1963-1978), João Paulo I (1978), João Paulo II (1978-2005), Bento XVI (2005-2013) e Francisco não foram “católicos verdadeiros” nem, portanto, Papas legítimos em virtude de, alegadamente, terem abraçado “a heresia do modernismo”, ou de terem negado ou contrariado solenemente dogmas católicos bastante definidos.

Os conspiracionistas sedevacantistas apontam que nesse meio tempo tivemos Sumos-sacerdotes que eram comunistas, modernistas, quase ateus, humanistas, antropocentristas, não-marianos, céticos, cibernéticos, que não teriam feito votos necessários (de pobreza, celibatários etc.) ao catolicismo.






De acordo com o que está escrito no livro “Men of a single book”, que aborda um pouco sobre essa teoria conspiratória que estamos debatendo hoje:

O Concílio Vaticano II permitiu que a nova ideologia humanista do ‘progresso’, ciência e tecnologia invadisse os sacros limites antes reservados para o conhecimento e o amor de Deus. Mas, desde que a religião nunca pode ser um suporte para a mentalidade materialista como estruturada pela Renascença e o Iluminismo, e de fato está em completa oposição a ela, os chefes do Concílio buscaram uma pacto e uma acomodação com a mentalidade moderna. Tal meta constitui, contudo, uma clara traição do espírito cristão. Muito antes do Vaticano II, ainda na década de 1920, René Guénon escreveu: ‘qualquer compromisso entre o espírito religioso e a mentalidade moderna enfraqueceria o primeiro e só beneficiaria a segunda, cuja hostilidade não seria por isso diminuída, dado que o modernismo almeja a aniquilação total de tudo que, na humanidade, reflete uma realidade superior a ela mesma’. O principal arquiteto desta revolução dentro da igreja foi o jesuíta francês Teilhard de Chardin; ele foi o ‘elo perdido’ entre o Renascimento, o Iluminismo e o Vaticano II. Com seu evolucionismo panteísta com verniz cristão, Teilhard dizia que Cristo representou um grande 'salto evolutivo' e que Deus também está sujeito à 'evolução'! Seu ‘testamento intelectual’ pode ser resumido num extrato de seu livro ‘Cristianismo e Evolução’: ‘Se, como resultado de alguma revolução interior, eu perdesse sucessivamente minha fé em Cristo, minha fé no Deus pessoal e a fé no espírito, creio que continuaria a crer de forma invencível no mundo. O mundo, seu valor, sua bondade, sua infalibilidade, é isso, ao final das contas, a primeira, a última e a única coisa em que creio’. Não é sem razão que um comentário espirituoso diz que se Lutero foi um cristão que deixou a Igreja, Teilhard foi um pagão que permaneceu nela!


Ou seja, para os sedevacantistas o Concílio Vaticano II veio a coroar todos esses dogmas contemporâneos e modernistas os quais que a Igreja sempre fora contra em sua história tradicionalista. Outros pensadores creem que foi preciso à Igreja católica se modernizar para angariar e arrebanhar um número maior de fiéis, ou estaria fadada a se esvaziar cada vez mais em nome do Neopentecostalismo crescente.

Agora, com o papado de Francisco, os sedevacantistas estão cada vez mais “horrorizados” porque o Papa continua com o discurso modernizante, chegando a falar da aceitação de casais não casados na igreja, homossexuais e o discurso de conversação com outras religiões. Tudo isso seria um escândalo para a Igreja de Cristo, que o próprio Jesus teria fundado. Atualmente, para os conspiracionistas, Para Francisco seria mais um Antipapa infiltrado dentro da Igreja.

Como nasceu o termo?
O termo “sedevacantismo” é derivado da frase em latim “sede vacante”, que significa literalmente “cadeira vaga”, em que a cadeira em questão é a de um bispo. A utilização específica da frase está no contexto da vacância da Santa Sé, entre a morte ou renúncia de um Papa e a eleição de seu sucessor. Para os sedevacantistas, a Igreja Católica não tem atualmente um Papa para governá-la e guiá-la.


Alguns pequenos grupos de católicos tradicionalistas, oriundos do sedevacantismo, têm a sua alternativa própria: elegeram e reconheceram um dos seus como o verdadeiro e legítimo Papa. Devido ao fato de eles afirmarem que a Santa Sé é dirigida pelo seu candidato, eles não são sedevacantistas em sentido estrito, por isso são chamados de “conclavistas”. No entanto, o termo “sedevacantista” é também frequentemente aplicado a eles, porque eles rejeitam a atual sucessão papal aceite pela Igreja Católica, pelas mesmas razões do que os sedevacantistas.