terça-feira, 9 de setembro de 2014

Você sabe o que realmente é um exorcismo?! O que a ciência fala sobre isso?! Fato ou farsa?!

Muitos filmes de terror têm abordado esse tema ao longo da história do cinema; muito se tem falado sobre esta prática desde antes da Idade Média, até mesmo na Bíblia, quando Jesus retira uma “legião” de um homem; recentemente, as seitas neopentecostais têm usado e abusado desta prática para angariar mais fiéis contra o que é “mundano”. Hoje vamos falar um pouco sobre o exorcismo, prática cristã que é bastante controversa mas cheia de mistérios, curiosidades, fatos e farsas.


O termo “exorcismo” nasceu do grego “exórkismós”, o mesmo que “ato de fazer jurar”; ele designa o ritual executado por uma pessoa devidamente autorizada para expulsar espíritos malignos de outra pessoa que acredite estar num estado de possessão demoníaca. Pode também designar o ato de expulsar demônios por intermédio de rezas e esconjuros O termo se tornou proeminente no início do Cristianismo, no século 2, com o início das expulsões de demônios. No entanto, a prática é bastante antiga e faz parte do sistema de crença de muitas culturas e religiões que não são necessariamente cristãs.

Visões teológicas sobre o exorcismo...
No ritual católico do exorcismo, os padres não devem por princípio acreditar prontamente que uma pessoa se encontra sobre possessão demoníaca e apenas os bispos podem autorizar um sacerdote a fazer exorcismos.

No ritual do exorcismo e depois de invocar a sua segurança e de todos aqueles que o assistem, o padre condena o demônio a não ter poderes sobre qualquer um dos presentes perante o possesso que deve encontrar-se amarrado de forma a prevenir qualquer tentativa de agressão. Essa segurança pode ser conseguida também com alguns desenhos, usados para aprisionar e nulificar os poderes dos demônios, esses desenhos são pantáculos do grimório conhecido como “A Chave de Salomão”.


Segundo alguns relatos deste ritual, os demônios respondem com mentiras às numerosas perguntas do sacerdote sobre questões várias que incluem a identidade do demônio e/ou a razão da possessão. Apesar da resistência do demônio, o padre exorta-o a ir embora do corpo do possesso um prolongado período de tempo e com imensa insistência até que, por invocação do nome de Deus, de Cristo Jesus e todos os anjos, ao fim de algumas horas consideradas extenuantes de invocações e de oração, poderá acontecer que o possesso seja libertado do domínio demoníaco e considerado curado. Outras vezes essa situação pode ser revertida e a possessão volta a atormentar o paciente que muitas vezes também procura alívio em tratamentos psiquiátricos.

Dois atos de exorcismo soltam aos olhos na história recente. O primeiro é da alemã Anneliese Michel, que deu origem ao filme “O exorcismo de Emily Rose”; o outro caso é do jovem americano, anônimo, que deu origem ao roteiro do filme “O exorcista”. Ambos os casos o leitor pode encontrar aqui no blog mais detalhes em postagens específicas.


Nos movimentos cristãos pentecostal e neo-pentecostal, bem como nos movimentos de renovação carismática, há também um grande número de relatos de casos de exorcismo. Contrariamente ao ritual católico, não há uma liturgia rígida, embora seja considerado que não deva ser qualquer crente, que, embora tendo aceitado e confessado previamente Jesus como senhor e salvador, se pode tornar um exorcista, uma vez que, segundo a interpretação do Novo Testamento da Bíblia, Jesus deu autoridade apenas aos apóstolos para dominarem os espíritos “imundos”. Consideram-se os sacerdotes (presbíteros, pastores, bispos, etc.) como os apóstolos da atualidade (os pertencentes à Igreja Católica).

A fórmula utilizada nas igrejas evangélicas é simples, baseando-se na utilização de “O nome de Jesus”. A pessoa que apresenta sintomas de possessão ou infestação por demônios ou espíritos “imundos” ficaria libertada após a imposição de mãos e declaração verbal por parte do pastor ou autoridade equivalente na igreja, para que as entidades estranhas à pessoa se retirem. Atualmente, algumas denominações evangélicas defendem e praticam o exorcismo, de entre as, a Igreja Universal do Reino de Deus, com práticas consideradas não tão ortodoxas, como o “corredor de sal”, a Igreja Pentecostal Deus é Amor, a Igreja Maná, a Igreja Renascer em Cristo entre outras.


Visão científica em relação ao exorcismo...
A possessão demoníaca não é um diagnóstico psiquiátrico ou médico válido e reconhecido pelo DSM-IV e CID-10. Aqueles que professam a crença em possessões demoníacas por vezes descrevem sintomas que são comuns a várias doenças mentais, como histeria, mania, psicose, síndrome de Tourette, epilepsia, esquizofrenia ou transtorno dissociativo de identidade. Em casos de transtorno dissociativo de identidade em que a personalidade é questionada quanto à sua identidade, 29% são relatados como possessões de demônios. Além disso, há uma forma de monomania denominada “demoniomania” ou “demonopatia” em que o paciente acredita que está possuído por um ou mais demônios.

A ilusão de que o exorcismo funciona em pessoas com sintomas de possessão é atribuída por alguns ao efeito placebo e ao poder da sugestão. Algumas pessoas supostamente possuídas são realmente narcisistas ou sofrem de baixa autoestima e agem como uma “pessoa possuída por um demônio” com o propósito de ganhar atenção.


O psiquiatra Scott Peck pesquisou exorcismos e alegou ter realizado dois rituais do tipo em si mesmo. Ele concluiu que o conceito cristão de posse foi um verdadeiro fenômeno. Ele derivou critérios diagnósticos pouco diferentes dos utilizados pela Igreja Católica. Ele também afirmou ter visto as diferenças nos processos de exorcismo e de progressão. Depois de suas experiências e na tentativa de validar a sua pesquisa, ele tentou, sem sucesso, convencer a comunidade psiquiátrica para adicionar a definição de “Evil” para o DSM-IV.

Embora os trabalhos anteriores ao de Peck tenham recebido aceitação popular generalizada, sua pesquisa sobre os temas do mal e possessões gerou um forte debate. Muito foi feito em tentar associar a imagem de Peck ao do polêmico Malachi Martin, um padre católico romano e um ex-jesuíta, apesar do fato de Peck tê-lo chamado de “mentiroso” e “manipulador”. Outras críticas levantadas contra Peck incluem diagnósticos errôneos baseados na falta de conhecimento sobre o transtorno dissociativo de identidade (anteriormente conhecido como distúrbio de personalidade múltipla) e afirmações de que ele havia transgredido os limites da ética profissional, ao tentar persuadir seus pacientes a aceitar o Cristianismo.