quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Considerações, fatos e farsas sobre Maria Madalena, a personagem mais controversa da Bíblia e do Cristianismo...

Hoje vamos falar sobre uma das figuras mais controversas da Bíblia e de toda a história do Cristianismo: Maria Madalena, que teria nascido, segundo a tradição oral, no ano 3 d.C. no povoado de Magdala, em Israel, e morrido no sul da França em 63 d.C. É descrita no Novo Testamento como uma das discípulas mais dedicadas de Jesus Cristo.

A Igreja romana, seguindo São Gregório Magno, além de a identificar com “a pecadora”, também a confunde frequentemente com Maria de Betânia, irmã de Lázaro, e celebra as três Marias com uma única festa. As Igrejas grega e ortodoxa, ao contrário, seguindo Orígenes, distinguem as três figuras, celebrando três festas diferentes, nomeadamente no segundo domingo após a Páscoa.


1. Conforme está descrito nos Evangelhos de São Lucas e São Marcos, Maria Madalena acreditava que Jesus realmente era o Messias enviado por Deus à Terra para ensinar os homens em meio a tantos pecados naquela sociedade romana;

2. Outra fonte são os Evangelhos de São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João Evangelista, ao afirmarem que Madalena esteve presente durante todo o processo de condenação, crucificação e funeral de Jesus, junto a Maria;

3. No sábado após a crucificação, ela saiu do Calvário rumo a Jerusalém com outros crentes para poder comprar certos perfumes, a fim de preparar o corpo de Cristo da forma como era de costume funerário. Permaneceu na cidade durante todo o sábado, e no dia seguinte, de manhã muito cedo, quando ainda estava escuro, foi ao sepulcro, achou-o vazio, e recebeu de um anjo a notícia de que Cristo havia ressuscitado e foi-lhe dito que devia informar tal fato aos apóstolos;

4. As menções acima são as únicas da Bíblia canônica sobre Maria Madalena. Todo o resto vem da tradição oral, dos Evangelhos apócrifos (aqueles que não estão nas Bíblias cristãs) e do achismo de cientistas como historiadores, arqueólogos, sociólogos e antropólogos ligados às tradições do mundo antigo;

5. Há um momento um pouco controverso no Evangelho de São Lucas, capítulo 8, onde se faz menção pela primeira vez de “Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios”. Entretanto não há qualquer fundamento bíblico para considerá-la uma prostituta arrependida de seus pecados e pediu perdão a Cristo. Alguns antropólogos gostam de trabalhar com a ideia do maniqueísmo: Maria, mãe de Jesus, símbolo de bondade e virgindade, e Maria Madalena, símbolo da rua, da mulher pública, que já fez sexo e, consequentemente, cometera “vários pecados”;


6. De acordo com os teólogos e historiadores críticos da Bíblia, também não há nenhuma menção de que Maria Madalena tenha sido prostituta. Este episódio é frequentemente identificado com o relato de São Lucas, no seu Evangelho, capítulo 7, a partir do versículo 36, ainda que não seja referido o nome da mulher em causa a beira de ser apedrejada;

7. São Gregório Magno comenta que Maria Madalena amava tanto ao Senhor que não se afastava do sepulcro, chorando, sentia saudade daquele que julgava ter sido roubado. Por isso, somente ela o viu, porque somente ela perseverara;

8. Entretanto, outras linhas de pesquisas historiográficas e teológicas apontam que ela não deixava o sepulcro simplesmente porque era esposa de Jesus, conforme dá a entender em alguns livros apócrifos do Novo Testamento;

9. São Gregório Magno continua com sua ideia, comparando Maria Madalena, que virou santa, a Davi, quando no Salmo 41 diz: “Minha alma tem sede de Deus e deseja o Deus vivo”. Ao reconhecer Jesus, imediatamente o coloca acima, chamando-o Mestre. O termo empregado por ela, “Rabuni”, é mais solene que o habitual “Rabi”, e é usado principalmente quando se refere a Deus, da mesma maneira que o faz, por exemplo, São Tomé;

10. Outro ponto importante da teoria envolvendo a vida comum de Jesus envolvendo Maria Madalena está no Evangelho de São Tomé, outro apócrifo no Cristianismo. No texto diz que Maria Madalena também era uma apóstola – a mais cativante e ativa, e que vivia em reuniões de ensinamento com Jesus – e que Jesus a beijava na boca com frequência. Ainda neste Evangelho, diz que ela vivia em perfeita harmonia junto com Maria, mãe do Senhor;


11. Alguns escritores e estudiosos contemporâneos, principalmente Margaret George, Henry Lincoln, Michael Baigent, Richard Leigh e Dan Brown narram Maria Madalena como uma apóstola, mulher de Cristo que teve com ele, inclusive, filhos. Nessas narrações, tais fatos teriam sido escondidos por revisionistas cristãos que teriam alterado os Evangelhos;

12. Estes escritores teriam baseado suas afirmações nos Evangelhos canônicos e nos livros apócrifos do Novo Testamento, além dos escritos gnósticos. Segundo os Evangelhos aceitos pela Igreja Católica, Jesus Cristo, o suposto filho de Deus, não veio à Terra para se casar com uma humana e muito menos ter filhos com ela. Portanto, para os preceitos desta Igreja, Maria Madalena não foi e nem poderia ter sido a esposa de Jesus Cristo;

13. Tornou-se muito célebre, com a divulgação do livro de Dan Brown, o argumento de que na tela “A última Ceia”, de Leonardo da Vinci, a personagem que está à sua direita, com traços femininos, seja Maria Madalena e não o apóstolo João, como outros defendem;

14. O fato de Jesus não envergar nenhum cálice – o Graal – poderá levar a interpretações que consideram “flagrantemente abusivas” do ponto de vista histórico e religioso, como acreditar que Maria Madalena é, de fato, o “cálice sagrado” onde repousa o “sangue de Cristo”, ou seja, que ela estaria grávida de Jesus;

15. Praticamente todos os teólogos consideram inaceitável a história narrada no romance de Dan Brown. Argumentam que Leonardo da Vinci se inspirou no Evangelho de São João (no texto João, capítulo 21) em que se fala do discípulo amado – que seria o próprio apóstolo João – e não propriamente nas passagens referentes à instituição da última Ceia;



16. Outros estudiosos consideram a teoria válida, afirmando uma vez que a própria existência de Jesus Cristo não está comprovada até hoje, e que qualquer hipótese relativa a tão obscuras e confusas tradições e escritos pode ser levada em consideração para análises à luz indispensável da ciência;

17. A face feminina de Deus, como o foi Ísis e Eurídice, a representação da Sofia grega, que Pitágoras e Parmênides encaravam como a uma deusa é representada por Maria Madalena e o seu histórico banimento. Não basta aceitar e declarar a união espiritual da Madalena e de Jesus, para Margareth Starbird, é necessário reconhecer o papel arquetípico da sua união, uma união sagrada que também ocorreu no plano físico;

18. Maria Madalena continua sendo uma personagem controversa em vários níveis de estudos e de crítica bíblica. De acordo com os estudiosos da tradição judaica, Maria Madalena foi perfumar o corpo de Jesus morto porque, justamente, isso faz parte do papel da esposa judaica, o que deixa ainda mais quente esse debate;

19. O Evangelho de Maria Madalena traz uma nova interpretação de quem teria sido esta personagem. Segundo este Evangelho, ela teria sido uma discípula de suma importância à qual Jesus teria confidenciado informações que não teria passado aos outros discípulos, sendo por isso questionada por Pedro e André. Ela surge ali como confidente de Jesus, alguém, portanto, mais próximo de Jesus do que os demais;

20. De acordo com o texto do seu Evangelho, depois que Jesus morreu, Maria Madalena, Maria (mãe de Jesus) e João foram morar juntos enquanto São João Evangelista cuidava das duas assim como Jesus Cristo teria lhe pedido, mas há uma tradição muito forte na Europa;


21. De acordo com a tradição europeia, depois da morte de Jesus Cristo, Maria Madalena seguiu com Maria para a França, onde fixou residência e por lá morreu. Já segundo a tradição copta, Maria Madalena fundou um ministério cristão no território do Egito;

22. Alguns trechos do Evangelho de Maria Madalena: “O apego à matéria gera uma paixão contra a natureza. É então que nasce a perturbação em todo o corpo; é por isso que eu vos digo: Estejais em harmonia… Se sois desregrados, inspirai-vos em representações de vossa verdadeira natureza”;

23. Outro trecho do Evangelho: “Que aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça. Após ter dito aquilo, o Bem-aventurado saudou-os a todos dizendo: Paz a vós – que minha Paz seja gerada e se complete em vós! Velai para que ninguém vos engane dizendo: Ei-lo aqui. Ei-lo lá. Porque é em vosso interior que está o Filho do Homem; ide a Ele: aqueles que o procuram o encontram. Em marcha! Anunciai o Evangelho do Reino”.