sábado, 16 de agosto de 2014

Você conhece as filosofias conhecidas como “Caminho da mão esquerda” e “Caminho da mão direita”?

Os termos “Caminho da mão esquerda” e “Caminho da mão direita” são uma dicotomia entre duas filosofias opostas encontradas na tradição esotérica ocidental, que abrange vários grupos envolvidos com o ocultismo e a magia cerimonial. Resumidamente, o “Caminho da mão esquerda” é equiparado às maliciosas práticas da magia negra, enquanto o “Caminho da mão direita” refere-se às práticas benéficas da magia branca, embora não haja distinção ética e os adeptos desta primeira também se julguem beneficiados com suas práticas. De forma mais popular, enquanto o primeiro é utilizado em práticas como o Satanismo, o segundo é usado por magos da Wicca, por exemplo.


Podemos dizer que o “Caminho da mão esquerda” é fundamentado na filosofia moral que afirma “Que a minha vontade seja feita”, afirmando o individualismo particular da burguesia capitalista, sendo algo egocêntrico; isso em oposição ao “Caminho da mão direita”, que afirma em sua moral “Que seja feita a vossa vontade”. Em essência as duas formas são práticas que buscam o contato com o oculto deus individual e com a sombra ou o poder do subconsciente de Carl Jung por meio de diversas e variadas técnicas mágicas e ritualísticas, com trabalhos em meio à natureza selvagem e, principalmente, levando em conta a importância e a participação do feminino e masculino.

A diferença entre ambas as formas de magia está em que, enquanto uma é utilizada contra um objeto exterior (“Mão esquerda”), a outra é usada a favor do grupo (“Mão direita”); assim, por exemplo, wiccanos e magos da magia branca podem obter cura, proteção, enquanto os satanistas e os magos da magia negra podem infligir medo e prejuízo em outros (embora alguns estudiosos afirmem que a magia negra projetada para fora do grupo possa trazer benefícios a ele).


Além disso, os bruxos da “Mão esquerda” são interessados em quebrar tabus, utilizando-se frequentemente da magia sexual e adorando imagens satânicas. Os magos da “Mão direita” são, em grande parte, resgatadores do antigo paganismo, dividem antigos conceitos de mente, corpo e espírito legado da filosofia grega, procuram trazer benefícios ao grupo, buscam a iluminação espiritual e alguns evitam tabus e aderem às convenções sociais (embora não aceitem grande parte da moralidade cristã).

Alguns magos que partilham dos conceitos referentes ao “Caminho da mão esquerda” são luciferianos, xamânicos, iogues tântricos e alguns adeptos do budismo tibetano, mas isso não significa, necessariamente, que estes sejam satanistas. Alguns adeptos do satanismo tradicional e do nacional-socialismo (nazismo) também a praticam. Os principais estudiosos e divulgadores da “Mão esquerda” atualmente são o inglês Kenneth Grant, autor de diversas obras, e o famoso, porém discreto, Thomas Karlsson, fundador da ordem sueca Dragon Rouge.


A magia branca, por sua vez, é considerada a alta magia, a magia filosófica, que antigamente buscava a Pedra Filosofal e que busca a união com o mistério, com a deidade, que é secreta aos iniciados e que, por isso, precisa de uma dedicação e um estudo aprofundado e apaixonado para ser dominada. As tradições da “Mão direita” são o hermetismo, a teosofia, como também religiões do neopaganismo como o druidismo, wicca, kemetismo, neopaganismo celta, neopaganismo eslavo e o neopaganismo germânico.

Embora não seja uma regra, comumente os adeptos da “Mão esquerda” são chamados de bruxos, enquanto os adeptos do “Caminho da mão direita” são os magos. Este entendimento contradiz frontalmente, entretanto, o dito bruxo segundo o qual “não existe magia negra nem magia branca; toda magia é cinza”.


De acordo com diversos grupos religiosos atuais, diversos artistas e pessoas influentes da economia, da sociedade e do meio empresarial são adeptos do “Caminho da mão esquerda”, ainda que secretamente, através de “pactos”. No entanto, muito do que se diz acerca dessas pessoas são lendas urbanas e boatarias. Por exemplo, por muitas décadas, no passado, o ateísmo era relacionado ao “Caminho da mão esquerda”, o que na realidade não procede.