sábado, 23 de agosto de 2014

Sobre a morte de Brandon Lee durante as gravações de “O corvo”: história lendária do cinema contemporâneo...

Hoje vamos falar um pouco sobre uma das histórias mais controversas do cinema contemporâneo: a morte, em cena, do ator Brandon Lee (foto abaixo), filho de Bruce Lee, durante as filmagens do clássico longa-metragem “O corvo”. O filme acabou se tornando um clássico justamente porque Bruce Lee, protagonista, foi morto durante uma das cenas do filme, o que rendeu um inquérito policial e a curiosidade das pessoas sobre a cena fatídica.



A morte ocorreu durante as gravações do filme “O corvo”, longa-metragem dirigido por Alex Proyas, nos estúdios Carolco, nos Estados Unidos. De acordo com o que a imprensa teve acesso, a morte ocorreu no dia 31 de março de 1993, e o inquérito diz que enquanto contracenava em uma parte em que o ator seria baleado por um projétil o qual deveria estar carregado com festim, houve um erro e usaram uma bala de verdade.

Depois do incidente e dos testemunhos, a imprensa teve acesso aos depoimentos. De acordo com o diretor, uma das cenas filmadas requeria que uma arma fosse carregada, engatilhada e apontada para a câmera, mas, por causa da curta distância do tiro, a munição carregada era de verdade, mas sem a pólvora. Após a realização desta cena, o assistente do armeiro limpou a arma para retirar as cápsulas, derrubando um dos projéteis no cano. A arma foi carregada com festim (que normalmente tem duas ou três vezes mais pólvora do que um projétil normal, para fazer um barulho alto).

Lee entrou no set com um saco de supermercado contendo uma bolsa explosiva de sangue artificial. O projétil que estava preso no cano foi involuntariamente disparado em Lee, atravessando o saco que ele trazia, causando perfurações em seus órgãos internos e partindo sua coluna vertebral, causando sua morte por hemorragia interna, mesmo com a desesperada tentativa de uma cirurgia de seis horas para retirar a bala.


A morte do ator ocorreu já nas conclusões da filmagem, e por isso o diretor fez uso de um dublê e inserções digitais do rosto de Lee. Por causa do ocorrido, “O corvo” virou sensação e acabou entrando para o rol dos clássicos de Hollywood. No momento do lançamento, em 1994, houve rumores de que os negativos com a filmagem de sua morte teriam sido destruídos sem que nunca fossem revelados. No entanto, segundo fontes extraoficiais, a trágica cena foi incluída na edição final do filme. Existe praticamente um consenso entre os defensores dessa tese a respeito de qual é a tétrica cena; trata-se do momento em que Eric Draven, o personagem de Brandon, é alvejado por diversos policiais e o impacto do tiro que o matou arremessa o seu corpo para trás, fazendo com que ele atravesse a janela às suas costas. É provável que realmente seja essa cena, pois há uma nítida incoerência na continuidade: Eric, alvejado, atravessa a janela de costas e está caindo em direção ao chão, mas na tomada seguinte (quando os estilhaços do vidro ainda estavam caindo ao solo) ele já está ereto e se agarra ao parapeito da sacada do prédio, inclusive já estando de frente para o mesmo, algo que seria inteiramente impossível.

De acordo com os conspiracionistas, em toda a sequência seguinte à cena da quebra da janela, quando Eric foge da perseguição policial, o seu rosto não é focalizado em momento algum pela câmera, exceto já quase ao final da mesma e de forma bem rápida e ainda estando parcialmente encoberto, quando ele se levanta após uma queda. Em slow-motion, no entanto, é possível verificar que o rosto do ator que interpreta Eric Draven naquele momento não tem nem sequer a mais remota semelhança com a fisionomia de Brandon, sendo que nesta cena não se fazia necessária a presença de um dublê, pois não se trata de uma cena perigosa, apenas se levanta do chão e sai andando.




Entretanto, o fato descrito acima é uma lenda urbana para vender o filme depois que ele saiu das salas de cinema. A história contada no inquérito policial é totalmente diferente, em relação ao momento da cena em que o ator é alvejado pelo tiro fatal.

Na cena em que Brandon Lee foi acidentalmente alvejado, de acordo com os depoimentos de diretor, atores e produção, o personagem dele caminha pelo seu apartamento e descobre sua noiva sendo espancada e estuprada por marginais. O ator Michael Massee, em seu personagem, atira em Lee enquanto ele avançava sobre os bandidos no quarto. Massee atirou acidentalmente em Brandon a uma distância de 3m60, atingindo seu abdômen e fraturando sua coluna.


As imagens da sua morte, capturadas pelas câmeras do set, foram usadas durante todo o processo investigativo, e depois totalmente destruídas conforme um acordo judicial entre a família de Lee, os produtores do filme, os executivos dos estúdios e os atores envolvidos na cena. Portanto, é totalmente falsa a teoria de que haja cópias da morte do ator e, principalmente, infundada a teoria de que essas imagens tenham sido usadas na versão final do roteiro.

Nos créditos finais do filme, os produtores incluíram uma homenagem a ele e sua noiva, Elisa Hutton. Sobre o fundo preto, aparece escrita a frase em branco: “For Brandon and Elisa”. O casamento de ambos se realizaria no dia 17 de abril de 1993, no México. Brandon, porém, morreu menos de três semanas antes, em 31 de março daquele ano.

Michael Massee (foto abaixo) revelou em entrevista que foi involuntariamente responsável pela morte do ator Brandon Lee durante as filmagens de “O corvo”. Ele alvejou Brandon na cena em que os personagens de ambos se confrontam, ignorando uma falha grave da equipe.


Apesar da tragédia, a família e a noiva de Brandon, Eliza Hutton, não cogitaram processar Michael, pois todos reconheceram que ele não teve culpa pelo que aconteceu. Ainda assim, Michael ficou tão abalado pelo ocorrido que permaneceu meses afastado da mídia e só retomou seus projetos de filmagem após quase um ano da morte de Brandon.