sábado, 2 de agosto de 2014

Merlin, Avalon e Camelot: considerações sobre personagens e lendas fascinantes...

Quem conhece a história do Rei Artur e seus cavaleiros da Távola Redonda sabe muito bem o que significam esses nomes: Merlin, Avalon e Camelot. Personagem e lugares fundamentais para o folclore arturiano, de grande orgulho nacional nas terras britânicas. E no post de hoje vamos falar um pouco sobre esses tópicos tão interessantes, na tentativa de mostrar o que é fato e o que é farsa em todo esse enredo de tantos séculos.


Considerações sobre Merlin...
- De acordo com a estrutura folclórica, Merlin herdou a beleza da mãe e a inteligência do pai, sendo um mago e profeta da religião druida. Os druidas formavam uma base fundamental da religião pagã da Grã-Bretanha muito antes da invasão por parte do Império Romano;

- Merlin geralmente é confundido com uma pessoa que realmente existiu, Myrdin, um louco que se dizia profeta e se refugiou na Escócia, dizendo fazer previsões do futuro enquanto a Inglaterra e o País de Gales eram devastados pelos exércitos de Roma em sua expansão;

-Segundo “As crônicas de Artur”, de Bernard Cornwell, o sonho de Merlin era expulsar os saxões da atual Inglaterra, e isso só poderia ser feito se ele encontrasse os Treze Tesouros da Britânia, incluindo o famoso caldeirão de Clyddno Eidin. Juntando os Treze Tesouros, segundo Merlin, a mesma seria devolvida aos deuses antigos;

- De acordo com o folclore, Merlin foi traído pela sua amante, Nimue, que o prendeu e o torturou até que ele revelasse todos os segredos do Rei Artur e das magias e profecias que conhecia. Por fim, Merlin acabou tornando-se um velho louco;

- Merlin teve sua morte ao ser sacrificado por Nimue para criar uma tempestade que varreu a maioria das tropas de Arthur.



Considerações sobre Avalon...
- Avalon vem do idioma celta e significa “maçã”. É uma ilha folclórica da história do Rei Artur, famosa justamente pelas suas plantações de maçãs, extremamente doces e perfeitas esteticamente;

- Avalon aparece pela primeira vez na “História dos reis da Bretanha”, de Geoffrey Monmouth, como o lugar onde a espada do Rei Arthur, Excalibur, foi forjada e posteriormente para onde Arthur é levado para se recuperar dos ferimentos após a Batalha de Camlann;

- Avalon tem paralelo em outros lugares na mitologia indo-europeia, em particular a Tír na mitologia irlandesa e a Hespérides grega, também conhecidas por suas maçãs excepcionais;

- Em algumas versões, Avalon é regida por Morgana, uma sacerdotisa rodeada de nove donzelas responsáveis pela cura do Rei Artur. Numa outra versão ela é descrita como sua meia-irmã;

- Em outra versão folclórica dos contos arturianos, Avalon tem outro nome: Ynys Wyndryn, que significa Ilha de Vidro. De acordo com essa outra versão, é nesse local que Merlin habita com sua família, sendo um lugar fora do plano terráqueo onde a magia pode ser utilizada sem problemas;

- Nas histórias folclóricas britânicas relacionadas a Avalon há muitas versões diferentes para o local porque houve a oralidade dessas histórias, e como diz o ditado popular, “quem conta um conto sempre aumenta um ponto”. É por isso que falar de Avalon sempre é difícil porque raramente encontramos denominadores comuns, pois em cada região da Britânia temos relatos diferenciados;

- No geral, sendo o nome Avalon ou Ynys Wydryn, a ilha tem um poder absurdo sobre os personagem do ciclo arturiano. Lá se tem magia, se tem cura milagrosa, se tem cama de ouro maciço, se tem ninfas, fadas e donzelas;

- Em torno de 1190, Avalon tornou-se associada com Glastonbury, quando monges da Abadia de Glastonbury alegaram ter descoberto os ossos de Artur e sua rainha;



Considerações sobre Camelot...
- Camelot é o castelo lendário, sede da corte arturiana. Geralmente as pessoas confundem o lugar com o castelo. Ou seja, acreditam que o nome da terra seja Camelot em vez de Avalon, e vice-versa;

- De acordo com as lendas, o castelo continha um grande salão, decorado com estandartes, no qual havia uma enorme mesa, a Távola Redonda, para os cavaleiros do reino;

- As histórias mais antigas sobre as lendas arturianas não mencionam Camelot. Geoffrey Monmouth situa a corte do Rei Artur em Caerleon, no atual País de Gales. O primeiro livro que menciona Camelot, e ainda assim de maneira fugaz, é “Lancelote, o cavaleiro da carreta”, escrito entre 1177 e 1181 pelo poeta francês Chrétien de Troyes;

- A importância de Camelot aumentou muito nos romances arturianos medievais escritos mais tarde. Nas lendas e folclores, Camelot situa-se em algum lugar não especificado da Grã-Bretanha. Desde a época medieval até os dias de hoje algumas localidades são apontadas como sendo o lugar onde se localizava. Uma vez que o castelo é lendário essas tradições carecem de base científica.