quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A grande farsa que é a pulseira do equilíbrio, a Power Balance...

A Power Balance, fundada em 2007, é uma marca celebrizada por comercializar milhões de pulseiras de silicone, com dois hologramas, cujos fabricantes e vendedores alegavam serem capazes de melhorar o equilíbrio, a força e a flexibilidade de quem as usasse. Afirmavam que a alegada tecnologia holográfica fazia ressonância e respondia ao campo energético do corpo capaz de aumentar o desempenho esportivo. Entretanto essas pulseiras de silicone mostraram ser uma grande farsa envolvendo milhões de dólares de lucro para a produtora, gerando muitos processos em todo o mundo.


Em 2010, a filial australiana da Power Balance foi obrigada a desmentir publicamente os supostos efeitos terapêuticos destes produtos e a garantir o reembolso aos consumidores que se considerassem lesados pela publicidade enganosa. A marca foi também multada pelas mesmas razões em Itália, em Espanha e na Holanda. Na época do seu auge, a pulseira verdadeira, da marca, chegou a ser vendida a R$ 230 no Brasil.

Numerosos estudos independentes sobre este dispositivo descobriram que, no que diz respeito à sua capacidade de aumentar a performance atlética, a pulseira não é melhor que o placebo.

A pulseira do equilíbrio teve grande publicidade entre celebridades pagas para promovê-la, além de um estudo científico falsificado feito por estudantes universitários que tiveram suas faculdades pagas pela Power Balance. Entre as celebridades que promoveram publicidade estão David Beckham, Cristiano Ronaldo, Rubens Barrichello e Shaquille O’Neal.

Problemas legais...
Depois de muitas polêmicas e matérias contrárias em telejornais de todo mundo, a Power Balance negou inicialmente que tivesse feito alegações médicas ou científicas como comprovação de verdade para seus produtos, mas depois de um gravíssimo processo judicial na Austrália, em 2010, a empresa reconheceu o erro e retirou suas falsas alegações médicas e científicas. Isso não foi o bastante para a empresa continuar comercializando com muito sucesso a pulseira do equilíbrio.

Em 2011, a justiça australiana continuou na cruzada contra a pulseira do equilíbrio e apresentou-se um processo de fraude, crime contra a economia, falsa propaganda, concorrência desleal e enriquecimento ilícito contra a produtora, a Power Balance. No mesmo ano houve um processo coletivo de consumidores australianos se dizendo prejudicados; no total, quem comprou a pulseira deveria receber o valor de volta, mais danos morais e materiais. Entretanto as pessoas nunca viram a cor do dinheiro porque a Power Balance apresentou documentos dizendo estar em processo de falência.


A história da evidência científica das pulseiras do equilíbrio...
Em 2011, pesquisadores do Instituto Americano de Quiropraxia divulgaram um estudo afirmando que não havia diferença alguma entre o equilíbrio de pessoas com e sem a tal pulseira, e que tudo passava de sugestionamento psicológico, uma forma de placebo. Enquanto isso, a Power Balance gastava milhões em publicidade mostrando grandes atletas afirmando que tinham melhorado o equilíbrio e o desempenho esportivo depois de usarem a pulseira holográfica.

Na época, o jornal “Los Angeles Times” divulgou uma matéria em que um físico desportista destrinchava a pulseira do equilíbrio. No texto, divulgava-se o embuste: uma pulseira de borracha com silicone com um simples holograma colado com cola de sapateiro. Nada mais que isso. A Power Balance se defendeu dizendo que o jornal usou um modelo chinês falsificado, e que suas verdadeiras pulseiras traziam um poderoso ímã debaixo do holograma. Entretanto, o periódico consultou médicos e físicos, que mostraram que ímãs não têm poder para influenciar a ação de equilíbrio do corpo perto da enorme força da gravidade terrestre.

Na mesma época, um estudo da Universidade de Wisconsin testou os efeitos das pulseiras Power Balance num grupo de atletas da Associação Atlética Universitária Nacional dos Estados Unidos. Um grupo de atletas recebeu uma pulseira Power Balance, enquanto outros receberam uma pulseira placebo. Os atletas foram sujeitos a testes de flexibilidade, equilíbrio e força. Depois trocaram de pulseiras e repetiram os testes. O estudo descobriu que, comparado com o placebo, as pulseiras Power Balance não tinham qualquer efeito na performance dos atletas.


Críticas variadas sobre o produto e a empresa...
Um grupo de estudantes, céticos acerca das alegações da empresa, conduziu uma experiência que mostrava quaisquer diferenças entre a pulseira real e falsa. Investigadores incumbidos pela BBC também descobriram que as pulseiras eram placebos. Junto a esse experimento televisivo vieram vários médicos especializados em medicina desportiva e exercícios afirmando que a pulseira do equilíbrio não passa de “uma grande farsa com evidência anedótica”.

Na Europa, a Power Balance foi bombardeada de críticas por parte dos profissionais de saúde e por professores de educação física e treinadores desportistas, acusando a empresa de ingerência por afirmar em sua publicidade que a pulseira de silicone poderia substituir o aquecimento antes e depois das atividades físicas, com vídeos falsos em seu site. Na Inglaterra, a empresa chegou a “ganhar” um prêmio de pior empresa do ano, dado por uma associação de defesa do consumidor. Em novembro de 2012, o dono do Dallas Maverick criticou o negócio de patrocínio entre a NBA e a Power Balance.


Por fim, o resumo da ópera...
Em novembro de 2010, os distribuidores australianos da Power Balance foram obrigados pelo Conselho Nacional Australiano de Fisioterapia a deixar de usar afirmações falsas e enganadoras de que os utilizadores poderiam obter um aumento até 500% de força, resistência e flexibilidade, e ordenou que estas alegações fossem removidas do site da companhia e que fosse publicada uma declaração, num prazo de duas semanas, que corrigisse essas declarações. Em dezembro do mesmo ano, também na Austrália, o Ministério da Justiça também proibiu que a empresa fizesse publicidade enganosa com fins de lucros. Como resposta a tantos processos, o diretor-executivo da Power Balance na Austrália escreveu no site da empresa: “No início nós fizemos alegações que diziam que os nossos produtos melhoravam a força, o equilíbrio e a flexibilidade e não tínhamos os estudos de dupla ocultação avaliados pelos pares ou o nível de prova que era necessária para fundamentar essas alegações”.

No Brasil, quem abriu os olhos da sociedade foi a Rede Record, em uma extensa matéria no programa “Domingo Espetacular”. Assim, em setembro de 2010, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, foi suspensa a publicidade dos efeitos terapêuticos da Power Balance e da Life Extreme, a versão brasileira destas pulseiras. Mas o reembolso não foi exigido no Brasil. Na Europa houve os processos mais violentos, principalmente na Itália, Espanha, Reino Unido e Holanda.