terça-feira, 29 de julho de 2014

Você conhece a lenda folclórica da vagina dentada?!

Hoje vamos falar sobre um dos folclores mais comuns em povos primitivos, a lenda da vagina com dentes. De acordo com folcloristas, etnólogos e antropólogos, esse tipo de lenda tem um tom moralizante, avisando os perigos de praticar sexo com mulheres desconhecidas, principalmente de etnias e clãs diferentes àqueles de que se tem aliança estratégica (mulheres conhecidas).


A vagina dentada aparece nos mitos de várias culturas, principalmente no interior da África e entre os habitantes das ilhas da Oceania. De acordo com o antropólogo Erich Neumann, um desses mitos oceânicos conta que um peixe habita a vagina da divindade conhecida como Grande Mãe Tenebrosa, e o herói é o homem que vencer esta entidade, quebrar os dentes de sua vagina mortal e, então, conseguir matar o peixe e estuprá-la.

De acordo com Neumann, o mito ainda fala que não é possível identificar qual mulher seria esta Grande Mãe Tenebrosa, e por isso ele expressa a total ameaça que as relações sexuais com mulheres desconhecidas representam para os homens.


A história moralizante da vagina dentada provou ser um tema cativante para muitos artistas e escritores, em particular entre obras surrealistas ou sobre psicanálise. Apesar de o mito estar associado com o receio da castração, é geralmente, atribuída por engano a Sigmund Freud. Freud nunca mencionou o termo nos seus trabalhos sobre psicanálise, e este vai de encontro às suas próprias ideias sobre a castração. Para Freud, a vagina significa o medo da castração porque os jovens rapazes assumem que as mulheres outrora tiveram um pênis, que agora não possuem. A vagina é, então, o resultado da castração, e não a sua causa.

De um modo geral retornamos sempre ao folclore. Segundo os antropólogos, a lenda teria surgido a partir do momento que os jovens de tribos e clãs queriam pegar mulheres de tribos e clãs diferentes somente para praticarem estupros coletivos. Dentro desse conceito, se a mulher engravidasse, esse clã ou tribo ficaria impuro caso fosse a mulher de uma aldeia ou grupo rival. Assim, a vagina dentada surgiu como ameaça de castração do falo, e como advertência se diz que Grande Mãe Tenebrosa nunca aparece no aspecto de um demônio, mas sim como uma sedutora mulher de grande beleza.


Mas essa lenda também serve para preservar as mulheres de violações sem consentimento. Em 2005, a inventora Sonette Ehlers introduziu o “Rapex” (palavra vinda do inglês “rape”, que significa “estupro”) (foto abaixo), um preservativo feminino anti-estupro que pode ser inserido no canal vaginal, tal como um diafragma. Este produto apresenta minúsculas farpas que atacam o penis do violador, e que tem de ser cirurgicamente removido. Num artigo sobre o “Rapex”, Ehlers comentou que foi inspirada a inventar o aparelho depois de um encontro com uma vítima que lhe disse: “Se eu tivesse dentes aqui embaixo”.