sábado, 5 de julho de 2014

“Rá-Tim-Bum” seria o significado de alguma maldição. Fato ou farsa?!

Hoje vamos falar um pouco sobre uma lenda urbana que foi espalhada pela internet, cuja autoria é algum membro fundamentalista do Protestantismo, que criara um email falando que os dizeres “Rá-tim-bum”, no canto “Parabéns pra você”, seria uma entoação de maldição de rito desconhecido e muito antigo de feitiçaria. Fato ou farsa?! Vejamos agora neste post a análise do caso...

Segundo o texto do email, “Rá-tim-bum” é uma palavra mágica usada em rituais satânicos e chega a citar partes da Bíblia que nada têm a ver com a palavra “mágica” em si e sua possível “malignidade”. De acordo com ele, “Rá-tim-bum” significa “Amaldiçoo você”; entretanto, os críticos já apontam o conceito da boataria: em que idioma significa isso? Qual povo falava isso? De onde ele obteve tais informações?

De acordo com os linguistas pesquisados, “Rá-tim-bum” seria uma onomatopeia (figura de linguagem) que tenta transcrever o som dos balões de aniversário estourando; mas o autor do email fundamentalista chega a afirmar que “Rá-tim-bum” era usada para entoar “mantras satânicos” de conjuração cujo principal interesse era de vingar das pessoas.


Um dos trechos do email, o autor desconhecido e totalmente desprovido de informações diz: “Você já cantou para alguém ‘É big, é big, é hora, é hora... Rá-tim-bum! Fulano, fulano’. Na verdade, você disse: ‘É big, é big, é hora, é hora... Eu te amaldiçoo, Fulano, Fulano!’”. De acordo com os linguistas isso não tem o menor sentido e significados concretos, saindo de uma fonte de informação duvidosa.

De acordo com a Revista Acadêmica da Fapesp, de março de 2004, esses gritos da canção “Parabéns pra você” foram incorporados porque eram comuns no Brasil na década de 1920, geralmente gritados em comemorações de estudantes universitários durante as comemorações de formatura. Assim, “É hora, é hora” significava o momento de colocar as bebidas na geladeira.

Portanto, a história envolvendo magos, bruxos, videntes, médiuns, alquimistas que entregam maldições nas festas de aniversário são um delírio muito grande. De acordo com o email original, a verdade libertaria ao sabermos disso, mas ao contrário: ela prende na desinformação de grupos fundamentalistas que enxergam no conhecimento um perigo contra aquilo que pregam.

Outro erro historiográfico da falta de inteligência de quem escreveu a mensagem, apesar de dizer que a verdade libertaria. Se “Rá-tim-bum” é uma palavra mágica dos alquimistas da Idade Média, por que ela só aparece no português e não nos outros idiomas, como o espanhol, alemão, inglês, francês, italiano etc.?

A mensagem ainda vai mais longe e fere a memória infantil. Ela lembra do clássico programa educativo “Castelo Rá-tim-bum”, da TV Cultura. O autor da mensagem tem a invencionice de dizer que significaria “Castelo da Maldição”. Isso porque, segundo o autor, o programa era repleto de bruxas, magos, seres de outros mundos etc. Acreditamos que ele nunca tenha lido os clássicos da literatura infantil e nunca foi criança, quando vivemos em um mundo lúdico cheio de fadas, princesas, bruxas, florestas encantadas etc.

Enfim, o email é total desinformação. Falta pesquisa. Falta conhecimento de lógica. Falta convencimento. Falta conhecimento de história. Falta o menor senso de linguística. E assim mesmo diz que o conhecimento liberta. Pelo contrário, ele quer aprisionar em ritos fundamentalistas que cegam os indivíduos de conhecimento verdadeiro com base em pesquisas verdadeiras.