sábado, 26 de julho de 2014

O que as ciências falam sobre as Dez Pragas do Egito, citadas na Bíblia?!

As chamadas Dez Pragas do Egito são dez pestes diferentes que, segundo a tradição judaico-cristã, Deus enviou pelas mãos de Moisés sobre os faraós do Egito e seu povo, narradas no Velho Testamento, no livro de Êxodo, entre os capítulos 7 e 12. As tais pragas, ou pestes, teriam sido enviadas para que Israel fosse libertado da terra egípcia e se reconhecesse a unicidade de Deus, o monoteísmo, frente ao politeísmo egípcio. As pragas pareceriam dirigidas às divindades egípcias específicas, como o deus Nilo, os deuses animais, culminando com a morte do primogênito do faraó, já que este era considerado uma divindade.

Atualmente, diversos cientistas têm estudado o fenômeno a fim de entenderem, à luz da razão e das ciências, como tais pragas chegaram a afetar tanto a sociedade e a economia de uma potência local como era o Egito naquela época. Nesse meio tempo muito tem sido proposto, mas nada de concreto foi produzido a fim de mostrar o que pode ser fato, o que pode ser farsa, ou o que foi um simples erro de identidade. Neste post apresentamos as principais questões do debate científico.


Segundo a Bíblia e a Toráh, as Dez Pragas descritas no texto foram, em ordem cronológica:

1. Águas transformadas em sangue;
2. Rãs pelas cidades;
3. Piolhos infectando os animais e habitantes;
4. Moscas varejeiras;
5. Doenças purulentas nos animais;
6. Sarna que se transformava em úlceras;
7. Saraiva com fogo;
8. Nuvens de gafanhotos;
9. Trevas em pleno dia;
10. Morte dos primogênitos.


Ao contrário do que muitas pessoas imaginam e do que a cultura popular prega, são dez as pestes que infligiram grande castigo ao Egito e não sete. As pessoas costumam associar ao número sete por causa dos Sete Pecados Capitais e pelo número sete ser considerado místico entre a maior parte das correntes religiosas.


Algumas evidências arqueológicas foram consideradas, e alguns estudiosos propuseram a hipótese de que as tais Dez Pragas se referem a catástrofes ecológicas naturais, motivadas principalmente pela explosão do Vulcão Santorini, na Grécia, a centenas de quilômetros do centro urbano egípcio da época. Essa erupção vulcânica teria destruído o que conhecemos hoje como Ilha de Santorini, e teria sido uma catástrofe de nível mundial. A seguir, algumas hipóteses apontadas pelos variados cientistas:

As águas do Rio Nilo tornam-se puro sangue...
- A explosão do Vulcão Santorini espalhou cinzas por sobre o Egito. A lama e a fumaça que caíram sobre o rio torna quente a água do Nilo e provoca a reprodução descontrolada de algas pirrófitas, que causam o fenômeno da maré vermelha colorindo as águas com cor de sangue. Isso já teria ocorrido recentemente em outras partes do mundo e é um fenômeno natural muito estudado e hoje conhecido como “Alga sangrenta” ou “Água de sangue”.

Rãs cobrem a terra...
- A intoxicação das águas dos rios da região faz com que as rãs e sapos fujam do rio e dos brejos nos arredores, espalhando-se facilmente pela terra seca de toda a região. Como estamos falando de um ecossistema, trata-se de um efeito dominó, onde um estrago leva a destruição de outro.

Piolhos atormentam homens e animais...
- Com a morte de muitos animais, hospedeiros dos maruins e piolhos, estes encontram sangue quente nos seres humanos. Outra hipótese é que os piolhos já eram comuns e por isso os egípcios usavam a cabeça raspada com perucas feitas de rabos de cavalos. Assim, não seria uma praga tão desconhecida para eles.

Moscas atacam homens e animais...
- Outra forma de praga que não era tão desconhecida assim para os egípcios, as moscas proliferaram males como o berne. Outro fator importante é que a quantidade de animais mortos pelas vilas fez com que as larvas se proliferassem imensamente, aumentando consideravelmente o número de varejeiras levando doenças para as casas.

Uma doença purulenta atinge os animais...
- De acordo com veterinários, a doença purulenta citada na Bíblia poderia ser causada pela mosca do estábulo (causando a peste equina africana) e a outra, causada pelos piolhos (que causam a peste língua-azul). Essas doenças levam os animais a ficarem fracos e com muitas feridas pelo corpo até chegarem à morte.


Sarnas fortíssimas cobrem os seres humanos e os animais...
- Na realidade, em vez de sarna, estamos falando do mormo, doença equina que também ataca o homem, transmitida pela mosca dos estábulos e extremamente comum no norte da África. Essa doença parece sarna no início do contágio, mas chega uma hora que aparecem feridas purulentas na pele.

Saraivas de fogo destroem plantações e cidades...
- De acordo com os meteorologistas, o granizo cai com frequência no Egito. Misturado aos raios, temos a ilusão ótica de ser uma saraiva. Também se supõe que proveio do encontro entre uma massa de ar quente e uma massa de ar fria que causa ventos, chuva forte, ou tempestades elétricas, que os egípcios poderiam interpretar como chuva de fogo, já que esse tipo de tempestade é relativamente raro no país.

Nuvem de gafanhotos ataca plantações...
- O Egito até hoje é assolado por tempestades de gafanhotos, que vêm em enormes nuvens da região da Etiópia. Por ser um povo agricultor, sempre lhes causava prejuízo essa praga, que até hoje é um problema para a população e para o governo, que arca todas as consequências ajudando os produtores afetados.

Escuridão encobre o Sol...
- De acordo com os meteorologistas, uma tempestade de areia pode durar dias e é capaz de encobrir completamente a luz do Sol. E isso é comum até hoje em todo o território do norte da África. É possível que o mesmo fenômeno que ocorreu com os raios tenha encoberto o Sol, devido às correntes de areia do Deserto do Saara levantadas pelo vento. Um dos exemplos mais marcantes foi na Líbia, vizinha do Egito, que em 1988 viu um vilarejo ficar cinco dias sem ver o Sol por causa de uma fortíssima tempestade de areia.

Os primogênitos de homens e animais morrem, dizimando a população...
- Com a escassez de alimentos, causada pela morte dos animais e peixes e a devastação das plantações, cereais eram guardados em celeiros, ou abaixo da terra para serem protegidos da contaminação, mas já estavam contaminados por vestígios dos gafanhotos e/ou moscas dos estábulos, e junto com o forte calor os grãos podem desenvolver um tipo de fungo altamente tóxico. Como no Egito Antigo os primogênitos (tanto humanos quanto dos animais) tinham a preferência na alimentação, uma tradição no Egito Antigo, tanto para homens quanto para animais (recebiam a primeira porção, logo a mais contaminada por ser mais vulnerável, e uma porção extra no final) como eram muitas toxinas, era possível a morte dos primogênitos.
- Outra explicação em relação aos primogênitos é que, diante de tantas catástrofes alimentares, sociais e higiênicas, o corpo humano – principalmente de bebês – não estava pronto e com recursos da medicina de hoje para suportar tantos intempéries; por isso que as crianças menores morriam.


Para os especialistas em diversas áreas consultados por várias fontes científicas, as Dez Pragas do Egito podem ser explicadas como fenômenos naturais que ainda ocorrem com frequência em toda a região do norte da África banhada pelo Rio Nilo, desde a Etiópia até o Egito, passando pelo Sudão do Sul e pelo Sudão do Norte.

Entretanto, muitos teólogos apontam que os fenômenos podem ser naturais, mas a sua sequência e intermitência são intervenções divinas, ou seja, que o ato de fé deve se sobrepor a todas essas explicações científicas que enriqueceriam ainda mais a fé em Deus e todo o Seu poder.