sábado, 7 de junho de 2014

Considerações sobre a EQM, experiência de quase morte. Você já ouviu falar nela?! Muito interessante!

Hoje vamos falar de algumas considerações importantes que a medicina tem muita curiosidade, junto com correntes religiosas: a chamada EQM, sigla da “experiência de quase morte”, quando o indivíduo fica no limiar da vida e da morte, e depois de passar por isso, relata uma série de experiências supostamente sobrenaturais, e por isso chama atenção das religiões. A experiência de quase morte pode levar a inúmeras conclusões e tem fatos interessantíssimos, e é isso que vamos fazer na postagem de hoje.

O assunto é extremamente interessante e vasto, com várias formas de observação dos pontos de vista religioso, médico, psicológico, psiquiátrico etc. Por isso, vamos nos ater aos pontos mais debatidos dos círculos acadêmicos e teológicos.


1. O termo EQM, “experiência de quase morte”, refere-se a um conjunto de visões e sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, sendo as mais divulgadas a projeção astral – também chamada de projeção da consciência, desdobramento espiritual, emancipação da alma ou experiência fora do corpo;

2. Duas características muito importantes quando falamos da experiência de quase morte  é a sensação de serenidade que o indivíduo diz sentir – também chamada sensação de paz interior – e a chamada experiência do túnel, talvez a característica mais falada na EQM. Esses fenômenos são normalmente relatados após o indivíduo ter sido pronunciado clinicamente morto ou muito perto da morte, daí a denominação experiência de quase morte;

3. O termo experiência de quase morte (em francês, “expérience de mort iminente”), foi proposto pelo psicólogo e epistemólogo francês Victor Egger em 1896 como resultado das discussões no final século 19 entre filósofos e psicólogos, relativamente às histórias de escaladores sobre a revisão panorâmica da vida durante quedas;

4. O interesse popular pelas EQM’s se iniciou devido principalmente ao trabalho do psiquiatra e parapsicólogo norte-americano Raymond Moody em seu best seller “Vida depois da Vida”, escrito em 1975 sob o nome de “near-death experiences” (NDE’s), repetindo a frase já proposta por Victor Egger;

5. Muito se estuda sobre as experiências de quase morte, mas não existem nem provas científicas e nem consenso científico sobre o significado e a causa desses fenômenos. Vários médicos, parapsicólogos, cientistas e espiritualistas em geral apontam as experiências como provas da projeção astral e da vida após a morte. Por outro lado, muitos outros médicos e cientistas apontam as EQM’s como tendo características de alucinações produzidas pelo cérebro em estado crítico;


6. Em 1981, foi criada a Associação Internacional de Estudos do Quase-Morte. Essa associação utiliza a Escala Greyson, um método criado pelo psiquiatra e parapsicólogo Bruce Greyson para determinar as EQM’s legítimas;

7. As pessoas que viveram o fenômeno relatam, geralmente, uma série de experiências comuns, tais como: um sentimento de paz interior; a sensação de flutuar acima do seu corpo físico; a impressão de estar em um segundo corpo, distinto do corpo físico; a percepção da presença de pessoas à sua volta; a visão de seres espirituais; visão de 360º; sensação de que o tempo passa mais rápido ou mais devagar; ampliação de vários sentidos; a sensação de viajar através de um túnel intensamente iluminado no fundo;

8. Nesse espaço, a pessoa que vive a EQM percebe a presença do que a maioria descreve como um “ser de luz”, embora seu significado possa variar conforme os arquétipos culturais, a filosofia ou a religião pessoal;

9. O portal entre essas duas dimensões é também descrito como a fronteira entre a vida e a morte. Por vezes, alguns pacientes que viveram essa experiência relatam que tiveram de decidir se queriam ou não regressar à vida física. Muitas vezes falam de um campo, uma porta, uma sebe ou um lago, como uma espécie de barreira que, se atravessada, implicaria não regressarem ao seu corpo físico;

10. Com a multiplicação de referências a acontecimentos comparáveis à experiência de quase morte, iniciou-se uma nova corrente, em que diversos pesquisadores de todo o mundo deram início à discussão e à análise do fenômeno de forma mais aberta. Grupos da comunidade médica passaram a olhar para a morte e a sobrevivência da consciência sob uma nova perspectiva, como ocorre, por exemplo, na Associação Internacional de Estudos de Quase Morte;


11. Enquanto existem observadores que atribuem esse fenômeno a experiências espirituais, outros recorrem a teorias como alucinação, memória genética ou a simbolização do nascimento biológico;

12. Após a experiência de quase morte, muitas pessoas declaram terem alterado seus pontos de vista em relação ao mundo e às outras pessoas. As mudanças comportamentais geralmente são significativamente positivas, e o principal fator para a mudança é a perda do medo da morte (tanatofobia);

13. Em geral, a pessoa diz enxergar o mundo de maneira mais vívida, ser inundada por sentimentos de bondade e amor ao próximo, ter vontade de ajudar os necessitados, sentir abertura a uma forma de religiosidade não dogmática e a crenças orientais como a reencarnação, aceitar-se mais e aceitar mais os outros, perder o sentido de importância do ego e se preocupar menos com as opiniões dos outros;

14. Até recentemente, este fenômeno costumava ser considerado pela ciência estrita como um assunto vulgar, fruto de lendas, crendice popular ou religiosidade. No entanto, na década de 1970, pesquisas como a de Raymond Moody e de Elizabeth Kubler-Ross, principalmente após a publicação dos best-sellers “Vida Depois da Vida” e “Sobre a Morte e o Morrer”, respectivamente, levaram ao início de uma corrente de pesquisas em todo o mundo sobre o fenômeno;

15. Mesmo com tanto interesse e a presença de numerosos relatos anedóticos, ainda não há qualquer comprovação científica sobre a realidade das experiências de quase morte. Entre os cientistas que pesquisam o assunto, há os que interpretam as experiências como reações do cérebro (visão monista) e há os que interpretam tais experiências como prova de que a consciência não é produzida pelo cérebro (posição dualista); e de que existe vida após a morte;


16. Muitos pesquisadores materialistas acreditam na teoria de que as EQM’s são alucinações complexas causadas pela falta de oxigênio no cérebro durante a etapa final do processo de morte. Mas muitos outros pesquisadores discordam das teorias materialistas e defendem teorias que interpretam as experiências como prova de que a consciência não é produzida cérebro e de que existe vida após a morte;

17. O primeiro estudo clínico sobre experiências de quase morte em pacientes em estado de parada cardíaca foi feito pelo cardiologista holandês Pim van Lommel e sua equipe médica, tendo sido publicado em 2001. De acordo com o cardiologista, dos 344 pacientes que foram reanimados com sucesso depois de sofrerem parada cardíaca, 62 (18%) tiveram EQM’s e lembraram com detalhes as condições que passaram quando estavam clinicamente mortos;

18. Apesar de a obra científica ter sido publicada somente em 2001, na entrada do século 21, desde a Grécia Antiga há uma preocupação da medicina e da filosofia nesse estado de quase morte e também no estado de coma, que para muitos médicos seria um pré estado de EQM;

19. Um dos relatos intrigantes descritos no livro “A Luz do Além”, de 1988, diz: “Em Long Island, uma mulher de setenta anos cega desde os dezoito, foi capaz de descrever, com detalhes vívidos, o que aconteceu, enquanto os médicos tentavam ressuscitá-la de um ataque do coração. Ela conseguiu dar uma boa descrição dos instrumentos que foram utilizados, e até mesmo de suas cores. E o mais surpreendente para mim é que a maioria daqueles instrumentos sequer fora concebida na época em que ela ainda podia ver, havia cerca de cinquenta anos. Além de tudo isso, ela ainda disse ao médico que ele usava um jaleco azul quando começou a ressuscitá-la”;

20. Mesmo diante de relatos que para muitos são surpreendentes, a visão monista, a de que alterações funcionais e químicas no cérebro são as responsáveis pelas experiências de quase morte, ao menos até o momento é a cientificamente suportada; em virtude primeiro da ausência factual científica necessária ao suporte da visão dualista como científica; e em segundo devido a considerações levantadas quanto se busca definir de forma rigorosa o que é “consciência”; sobretudo diante da perspectiva dos avanços em biotecnologia, onde a possibilidade de se construir uma máquina com consciência não pode ser mais tratada como mera ficção científica;


21. Os avanços das técnicas de mapeamento cerebral e de mecanismos excitatórios cerebrais invasivos e não invasivos contribuíram significativamente para a compreensão científica da experiência de quase morte. A exemplo, o estímulo direto dos lobos temporais pode induzir a sensação de uma presença invisível ou “divina”;

22. Um capacete construído pelo médico Michal Persinger e por ele denominado “capacete de Deus” induz experiências “espirituais” em 80% daqueles que o experimentam. Modificações induzidas no funcionamento dos lobos parietais simulam experiências extrassensoriais, entre elas corporificações e a sensação de se “sair do corpo”;

23. Em experimentos realizados em aceleradores centrípetos, que visam a compreender as reações psicofisiológicas humanas em presença de enormes acelerações, após momentaneamente desmaiarem dadas a incapacidade circulatória e oxigenação inadequada do cérebro, as pessoas submetidas ao teste relatam quase sempre alucinações análogas às apresentadas pelas pessoas que passaram por experiências de quase morte, incluso a experiência de se ver fora do corpo.