sábado, 19 de abril de 2014

Você sabe sobre os pioneiros das “fotografias espíritas”?! Fato ou farsa?!


Hoje vamos falar sobre um dos assuntos mais interessantes relacionados a temas tão díspares possível; assim é a própria invenção da fotografia e da popularização do espiritismo, foi quando começaram a ocorrer as possíveis “aparições fotográficas”, ou as chamadas “fotografias espíritas”, que fizeram enorme sucesso na Europa vitoriana e nos Estados Unidos recém-industrializados. Esse é o debate de hoje: essas fotos são fato ou farsa? Quem começou a popularizá-las?


Um fato importante a ser dito é que quando a fotografia foi inventada, na segunda metade do século 19, ela era vista como um capricho da ciência. Não era tida como arte, conforme consideravam a pintura, e não sabiam muito bem para que ela serviria no futuro. Além disso, o tempo de exposição era muito grande (enorme) e as pessoas não queriam posar como estátuas (não podiam se mexer) por tanto tempo para serem memorizadas.

A fotografia era vista como uma “coisa estranha” que a ciência havia inventado e não havia muitas possibilidades com ela. Tratava-se de um processo muito caro que somente os muito ricos poderiam ter acesso, como as pinturas na Idade Moderna, no Renascimento Cultural. Entretanto, com o tempo, a fotografia começou a ter aspectos sociais e culturais um pouco obscuros.


No mesmo instante que a fotografia era desenvolvida e aprimorada pela sociedade, na Europa e nos Estados Unidos uma nova seita ganhava popularidade e mais tarde seria uma das religiões mais populares do Brasil, o Espiritismo. Naquele tempo era desenvolvido o famoso Evangelho Segundo Alan Kardec; podemos dizer que tanto a fotografia quando o Espiritismo são frutos do mesmo tempo, das mesmas sociedades e do mesmo zeitgeist (“espírito da época”, numa tradução grosseira). Assim, o ser humano criou paradoxalmente um método racional e científico para lidar com um ocultismo que estava esquecido no Ocidente desde as perseguições da Idade Média – a comunicação com supostos espíritos.

Muitos autores acreditam que a popularização e mundialização do espiritismo kardecista tenha motivação justamente nestas fotografias de supostos espíritos, comercializadas em feiras, circos e parques de diversões, mas também em centros de estudos religiosos. William Mumler foi o primeiro a supostamente ter feito uma fotografia espírita; ele chegou a deixar seu trabalho em uma joalheria para fazer dedicação total a este tipo de serviço. Entretanto, Mumler cobrava cerca de 30 dólares (da época, o que hoje seriam 230 dólares) por uma fotografia, sendo que o preço normal era 50% menor. Já podemos imaginar que rapidamente Mumler tornou-se um rico fotógrafo.


Posteriormente, no início do século 20, outro homem, William Hope, deixou de lado seu trabalho como carpinteiro para se tornar um “profissional da fotografia espírita”. Ele ficou famoso instantaneamente por vender suas fotografias em grandes circos e parques de diversões dos Estados Unidos. De acordo com a publicidade de suas fotos, ele dizia que poderia trazer à lembrança de fotografias os parentes mortos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Assim como Mumler, Hope também ficou muito rico com esse recurso.


De acordo com os especialistas em fotografia e os parapsicólogos, essas fotos de fantasmas não passavam de truques fotográficos descobertos no antigo processo de revelação da imagem. Assim sendo, era comum misturar num mesmo papel duas fotografias diferentes e vender às pessoas como se fossem revelações espirituais. Portanto, a fotografia espírita tão popular no século 19 e início do século 20, não passava de uma tremenda farsa que fez com que homens comuns ficassem extremamente ricos às custas das esperanças das pessoas, que chegavam a pagar o equivalente atual a R$ 400 por uma imagem.

No entanto, o assunto continua em aberto porque muitos estudiosos do Espiritismo falam que grande parte das imagens era verdadeira e que ficaram famosos e ricos somente os homens que agiram de má fé contra as pessoas.