quinta-feira, 27 de março de 2014

Você conhece a lenda dos “orang pendek”? Fato, farsa ou erro de identidade?

Orang pendek vem do idioma indonésio, e significa literalmente “pessoa pequena”. É uma das lendas mais comuns da Malásia, Indonésia, Cingapura e Papua Nova-Guiné; seriam animais que viveriam em áreas extremamente remotas, alto de montanhas e florestas tropicais. Há pelo menos duzentos anos os orang pendek são “documentados” e “relatados” por habitantes locais e até mesmo colonizadores portugueses e holandeses. Segundo as testemunhas, ele é parecido com um ser humano: anão, bípede, coberto com uma pelagem curta e mede até 1m50.


De acordo com as documentações realizadas por biólogos e demais pesquisadores, os supostos orang pendek são vistos com maior frequência na ilha de Sumatra, na Indonésia, mas também há relatos de avistamentos em outras partes do Sudeste Asiático. Para aumentar ainda mais o mistério, os avistamentos são mais recorrentes na região de Bukit Barisan, conhecida como a floresta tropical mais remota da civilização do mundo, portanto um rincão pouco conhecido. Por conta da inacessibilidade, torna-se difícil a pesquisa.

Debbie Martyr é uma das pesquisadoras que mais tem se dedicado à pesquisa e possível comprovação científica da existência destes seres, indo até Sumatra frequentemente por mais de 20 anos, tanto que ela conseguiu traçar certos perfis físicos destes seres, mas também até mesmo a dieta destes animais humanoides. Segundo ela, os relatos apontam que há uma dieta baseada em frutas e vegetais diversos, não sendo um animal de hábitos carnívoros – portanto se enquadrando entre os primatas.

Martyr também conseguiu coletar em regiões diversas do Sudeste Asiático nomes locais para o que poderiam ser os orang pendek a fim de filtrar de maneira mais enfática a sua pesquisa e não se perder em descrições sobre macacos. Alguns dos nomes identificados são: uhang pandak, sedapa, batutut, ebu gogo, umang, orang gugu, orang letjo, atoe pandak, atoe rimbo, ijaoe, sebado, batutu e goegoeh.


Na Indonésia existe um folclore conhecido como “Suku anak dalam”, ou “crianças perdidas das florestas”. Essa lenda é de cunho tradicional da educação e fala que os orang pendek, na realidade, são crianças desobedientes dos pais e que se perderam nas florestas ou foram levadas por espíritos da mata. Depois de crescidas, estas crianças se tornariam macacos por tanto tempo longe da civilização. Segundo antropólogos, parece que esta história poderia ter se desenvolvido no período colonial holandês para afastar os filhos dos colonos das matas (perigosas e desconhecidas) e dos habitantes locais (os supostos espíritos da mata).

Enquanto isso, os vilarejos no interior da Malásia, Indonésia, Cingapura e Tailândia são cheios de pessoas com informações sobre os orang pendek. Alguns acreditam que possam ser seres humanos, outros pensam ser criaturas misteriosas e outros tantos alegam que são macacos que se parecem muito com os humanos em seus hábitos e posturas.


Os pesquisadores, de um modo geral, observaram fotos e pegadas e demais evidências e veem no que poderiam ser restos deixados pelos orang pendek como restos de qualquer outro primata da região da Sumatra e do Sudeste do continente asiático. Até agora nenhum projeto empreendido pelas grandes universidades e museus de história natural obtiveram sucesso em realmente comprovar a existência de uma nova espécie de mamíferos, mesmo pesquisadores como Martyr declarando que é preciso analisar com maior carinho e confiança a floresta mais remota do mundo.

Vale ressaltar que até o início do século 20, os famosos grandes gorilas africanos eram conhecidos somente como mitos impossíveis de “bárbaros negros” de vilarejos distantes da civilização. Entretanto, após sucessivas documentações e expedições foi possível comprovar a existência da nova espécie de primata; é nisso que Debbie Martyr acredita que poderá acontecer, enquanto um pequeno grupo chega a crer em uma tribo de hominídeos desconhecida da civilização, com baixa estatura como os pigmeus africanos.

Enquanto isso, os orang pendek continuam sendo um mito para alguns, um animal estranho para os moradores dos vilarejos e um motivo de educação e obediência para as crianças indonésias, com medo de se perderem nas florestas fechadas.