terça-feira, 11 de março de 2014

Você conhece a “hipótese de Duesberg” para a contaminação da Aids? Fato ou farsa?!

A hipótese de Duesberg afirma que o abuso de drogas recreativas e farmacêuticas, e não o HIV, é a causa primária da Aids. Segundo esta hipótese, a Aids não é mais que o nome dado a várias doenças sem relação umas com as outras e que podem ter como origem o abuso de drogas recreativas como a heroína e a cocaína, a malnutrição, ou o uso de drogas finalizadoras da cadeia de DNA, como o AZT – o mesmo que é utilizado para tratar a infecção pelo HIV. O HIV é, assim, visto como apenas um vírus passageiro, o que faz levantar a questão se a infecção pelo HIV acontece de fato ou não.


Os mais destacados defensores desta teoria são o virologista Peter Duesberg (foto abaixo) e o bioquímico David Rasnick. Em apoio a esta hipótese, Duesberg aponta a correlação estatística entre o decréscimo no uso de drogas recreativas e a diminuição nos casos notificados de Aids. Da mesma forma, o rápido aumento da Aids na década de 80 corresponde a uma epidemia de uso de drogas recreativas nos Estados Unidos e Europa. Além disso, Duesberg assevera que o tratamento da Aids com drogas como AZT demonstrou ser mais fatal que o uso de drogas recreativas, tais como heroína e cocaína. O AZT também é problemático por induzir aborto, causar defeitos congênitos e causar câncer em animais nascidos de mães tratadas com AZT. Devido a problemas com o tratamento por AZT, muitos pacientes de Aids passaram a ser tratados com um coquetel de drogas inibidoras de protease e inibidoras de transcriptase. No entanto, estes coquetéis de drogas falham em 53% dos casos relatados.

Duesberg explica a predominância da Aids entre homossexuais nos países do Ocidente pelo fato do uso de drogas recreativas ser predominante entre os homens homossexuais nestes países. Como foi relatado na literatura médica, homens homossexuais nestes países usam grande número de estimulantes sexuais, incluindo “poppers” (inalantes com nitrato), anfetaminas, cloro-etil, cocaína e heroína. Sabe-se que várias destas drogas inibem o funcionamento do sistema imunológico do organismo.


Duesberg aponta também para o fato de que um número significativo de vítimas da Aids morre sem qualquer traço de infecção pelo HIV, e que casos relatados na África, onde não se faz qualquer teste para HIV, não se limitam aos grupos de risco tais como viciados em drogas e homens homossexuais. Segundo ele, esses casos de Aids são explicados mais facilmente por subnutrição, infecção parasitária e condições precárias de saneamento.

O desafio mais radical de Duesberg à hipótese HIV-Aids é sua proposta de se autoinfectar com o HIV. No entanto, Duesberg não pode fazer isso sem a aprovação do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e da universidade onde ele trabalha. Além do mais, já existe quase um milhão de pessoas HIV-positivas nos Estados Unidos sem qualquer sintoma de Aids, bem como outros 34 milhões de pessoas saudáveis no mundo que são HIV-positivas.


Discussões sobre tal hipótese...
O consenso da maior parte da comunidade científica é de que a hipótese de Duesberg deve ser refutada pelas evidências que teriam demonstrado que os postulados de Koch foram cumpridos para o isolamento do HIV e que o número de vírus no sangue tem correlação com a progressão da doença, e que um mecanismo plausível para a ação de HIV foi proposto. As opiniões ainda divergem. Duesberg afirma que o vírus (retrovírus) HIV não foi isolado nem de tecidos frescos ou cultura, o que significa que a sua existência não foi provada até ao dia de hoje. Duesberg, que pela primeira vez mapeou a estrutura genética dos retrovírus (façanha que lhe garantiu premiações científicas), afirma que não foram cumpridos os postulados de Koch e que os testes para HIV não determinam nada, uma vez que apresentam os reagentes imunológicos e não o próprio vírus.

Uma edição da revista científica “Science” que avaliou o método de Duesberg afirmou que existem abundantes evidências de que o HIV causa doença e morte em hemofílicos; a epidemia de Aids na Tailândia, citada por Duesberg como prova de sua hipótese, é uma evidência que tende a confirmar o papel do HIV na Aids; o AZT não causa deficiência imunológica semelhante à encontrada na Aids.

Entretanto, sabe-se que mais de 80% das pesquisas sobre a Aids são financiadas pelos próprios laboratórios da indústria farmacêutica que fabrica a medicação anti-HIV. Sabe-se também que o AZT é tóxico e que, entre outras coisas, tem diversas contraindicações. Renomados cientistas concordam com Duesberg sobre a não-relação HIV-Aids e sobre os efeitos nocivos dos coquetéis AZT.


Pontos contra a hipótese articulada por Duesberg...
- Os antirretrovirais tem comprovada eficácia em reverter os efeitos da infecção pelo HIV. Reduzindo a carga viral e permitindo a regressão a valores aceitáveis dos linfócitos T CD4.

- Todo indivíduo com Aids apresenta em seu organismo o HIV. Porém, os métodos utilizados para diagnósticos são métodos sorológicos, ou seja, baseados na presença de anticorpos no organismo, e não do vírus. Essa escolha se deve ao fato dos métodos sorológicos serem mais acessíveis em termos de custo. Porém, é possível a existência de anticorpos com afinidade pelas proteínas do HIV em pacientes não infectados como pacientes com lúpus eritematoso sistêmico, gestantes e em reação a certas vacinas como a H1N1.

- O HIV causa uma imunodeficiência. Mas, nem todo imunodeficiente apresenta HIV. Por exemplo, pacientes com tumores como linfomas podem ser imunodeficientes, e, desse modo, podem apresentar doenças oportunistas, inclusive Sarcoma de Kaposi.

- Os sintomas causados pelo HIV estão relacionados à imunodeficiência, ou seja, infecções e neoplasias oportunistas. Porém, pelo sistema imunológico ser dinâmico, a infecção pode se manter silenciosa por muito tempo.

- O vírus HIV não é o único a causar doença depois de um longo período de tempo. O HTLV (vírus linfotrópico humano), um vírus “irmão” do HIV, pode causar leucemia após vários anos de infecção em 1% dos infectados. O HPV causa mutações a nível nuclear podendo levar a carcinomas de colo uterino, pênis, vulva ou canal anal que veem a surgir de 10 a 20 anos após a infecção. O vírus da Hepatite B e Hepatite C podem levar a cirrose, sintomas de insuficiência hepática e hepatocarcinoma em um período superior a 10 anos.

- Duersberg cita que a etiologia da infecção são as drogas antirretrovirais e recreacionais. Isso não justifica o surgimento da doença em indivíduos que jamais fizeram usos de drogas e nos indivíduos ainda sem tratamento. O mesmo é válido para tentar criar um nexo causal com desnutrição e doenças parasitárias.

- Há muito tempo o HIV deixou de ser uma doença exclusiva de grupos de risco. Hoje, a infecção sobre com a feminilização (mais mulheres infectadas), interiorização (a doença sai dos grandes centros), maior incidência em homossexuais jovens, o surgimento da infecção na terceira idade (pela má adesão ao uso de preservativo nessa faixa etária) e heterossexualização (os heterossexuais passam a ser a maior porcentagem de infectados).

- A combinação de inibidores específicos das enzimas virais permitiu a melhora das condições clínicas dos pacientes. Mutações no genoma do HIV induzem a resistência a esses inibidores e levam a recaídas e agravamento do estado clínico dos referidos pacientes.

- O decréscimo dos casos de AIDS observados desde a década de 80 e mais acentuadamente após a década de 90 está claramente relacionado com a introdução dos antirretrovirais, em especial, da terapia tríplice altamente efetiva (chamada em inglês de HAART).

- A transmissão por HIV através de transfusões de sangue praticamente desapareceu em países onde a detecção de anticorpos anti-HIV foram implementados.

- Peter Duesberg não é médico. E os argumentos por ele utilizados são muito mais teóricos do que práticos. Sem dúvida, muitas experiências pessoais de médicos poderiam ser citadas como comprovações de causalidade e efeito terapêutico dos antirretrovirais (vide exemplo do Dr. Benjamin Young).