quinta-feira, 6 de março de 2014

Fatos, farsas e curiosidades sobre Cleópatra, uma personagem cheia de enigmas e surpresas...

Na postagem de hoje vamos falar um pouco sobre uma personagem histórica muito interessante e que ainda desperta muito interesse e muita intriga sobre os estudiosos. Cleópatra foi a última governante do Egito Antigo, e junto a Tutankhamon, é um dos faraós mais conhecidos da cultura popular. Diz que tinha uma beleza extravagante e exuberante, mas não é o que indicam os indícios historiográficos. Vamos debater alguns fatos, farsas e curiosidades sobre a mulher mais poderosa que o Antigo Egito teve.


1. Seu nome completo era grego, e não de língua egípcia: “Cleopátra Thea Philopátor”, e provavelmente viveu entre os anos de 69 a.C., nascida em Alexandria, e 30/29 a.C. Seu nome significa “Glória do pai, deusa, amadíssima de seu pai”, um gesto que mostra o grande amor que seu pai, Ptolomeu 12 teve com seu nascimento tamanha homenagem recebida;

2. Foi a última farani (feminino de “faraó”) da dinastia de Ptolomeu, general que governou o Egito após a conquista de Alexandre III da Macedônia;

3. Para quem não sabe, na história do Egito houve outras governantes com o mesmo nome, tanto que, oficialmente, esta deveria ser conhecida como Cleópatra VI (sexta), e nunca governou o Egito sozinha, mas sempre junto do seu pai e de dois irmãos, chegando a se casar com seu irmão, Ptolomeu 14;

4. Com toda certeza, Cleópatra entrou para os anais da história por ser uma mulher muito à frente do seu tempo, por ter recebido uma educação que, geralmente, somente era dada aos homens. Foi uma grande negociante, estrategista militar, falava oito idiomas e estudava filosofia, música, literatura e artes, tanto da Grécia, como de Roma e do Egito;

5. Curiosamente, Cleópatra teve duas irmãs com o mesmo nome, mas com marcações diferentes por conta da ordem de nascimento: Cleópatra 5 e Cleópatra 7. Observou um reinado extremamente desastroso dentro da sua família e, talvez por isso, aprendeu e soube como ninguém governar uma das províncias mais importantes do vastíssimo Império Romano. Há registros historiográficos de que, junto com seus dois irmãos, executou a própria mãe e três irmãs para poder governar o Egito, o que a torna uma das mais sanguinárias governantes da história da política feminina;


6. O reinado de Cleópatra também foi conturbado, principalmente por conta de homens da corte que também queriam ter influência junto à monarca para exercerem poder dentro da província do Egito, em áreas onde suas respectivas famílias tinham grandes posses;

7. Desde o início Cleópatra compreendeu que Roma era a nova potência do Mediterrâneo e que caso desejasse manter-se no poder deveria manter relações amigáveis com ela. Em 49 a.C. Cleópatra fornece ao filho do triunviro Pompeu, Pompeu Jovem, sessenta barcos para se juntarem à frota que lutava contra Júlio César. Perante o comportamento da rainha, os conselheiros insinuaram que Cleópatra pretendia governar sozinha e colocaram o povo de Alexandria contra Cleópatra, que foi obrigada a fugir para o sul do Egito e depois para a Síria;

8. Após a derrota procura refúgio em Alexandria, tendo Ptolomeu 13 declarado que aceitava recebê-lo. Contudo, o verdadeiro plano do rei consistiu em ordenar a morte de Pompeu, julgando que desta forma agradaria a César. O assassino de Pompeu, um romano ao serviço de Ptolomeu 13, corta-lhe a cabeça, que o rei apresentou a César. No entanto, esta atitude foi um erro, dado que César ficou horrorizado com o ato bárbaro;

9. Afastada do palácio real, Cleópatra deseja encontrar-se com César em Alexandria. É então que se desenrola o famoso episódio do tapete, relatado pelas fontes antigas. Conta Plutarco, num episódio lendário da sua biografia dos Césares, que Cleópatra marcou um encontro com Júlio César, quando este chegou ao Egito, no inverno de 48 a.C. a fim de lhe dar um presente, que consistia num tapete. Este, ao ser desenrolado, mostrou que a própria rainha estava em seu interior (Cleópatra tinha sido enrolada no tapete pelo seu servo Apolodoro). Cleópatra teria então argumentado que tinha ficado encantada com as histórias amorosas de César, tendo ficado desejosa de conhecê-lo. Tornou-se, assim, sua amante, o que ajudou a estabelecer o seu poder no país;

10. Quando houve esse episódio, os irmãos de Cleópatra fizeram uma tremenda trama palaciana, digna de filmes: houve mortes misteriosas, assassinatos sangrentos, o exército do Egito recusou-se a aceitar Cleópatra como sua soberana em favor da sua irmã mais nova. Com isso, em 47 a.C., o exército egípcio foi derrotado por César;


11. Em 47 a.C. Cleópatra deu à luz Ptolomeu 15, conhecido como Cesarion, ou “Pequeno César”. Embora César tenha reconhecido a paternidade da criança, a historiografia moderna coloca em causa esta paternidade. César recusou-se contudo a torná-lo seu herdeiro, honra que coube a Otaviano;

12. Em 46 a.C., a convite de César, Cleópatra instala-se em Roma, com o filho e marido-irmão, fixando residência nos jardins do Janículo, mesmo próxima da então esposa de César (a terceira). Teria sido em Roma que Cleópatra elaborou o seu plano de hegemonia do Mediterrâneo. Sabe-se pouco da presença de Cleópatra em Roma, a não ser que a sua presença teria gerado desprezo na população;

13. Em sua honra César ordenou que fosse colocada uma estátua de ouro de Cleópatra no templo da deusa Vênus Genetrix. Pouco depois do assassinato de César, Cleópatra voltou para o Egito. Segundo consta, Cleópatra assassinou seu irmão-marido e passou a reinar sozinha. Seu filho passou a ser seu co-regente;

14. Em 42 a.C., Marco Antônio, um dos triunviros que governava Roma após o vazio governativo causado pela morte de César, convocou-a a encontrá-lo em Tarso para ela responder a ele sobre a ajuda que prestara a Cássio, um dos assassinos de César e, portanto, inimigo dos triúnviros. Cleópatra chegou com grande pompa e circunstância, o que encantou Marco Antônio. Passaram juntos o inverno de 42 a 41 a.C. em Alexandria. Ficou grávida pela segunda vez, desta vez com gêmeos que tomariam o nome de Cleópatra Selene e Alexandre Hélio;

15. Quatro anos depois, Marco Antônio voltou ao Egito e especula-se que tenha casado com Cleópatra segundo o rito egípcio, ainda que nessa altura estivesse casado com Otávia. Então, Cleópatra deu à luz outro filho, Ptolomeu Filadelfo;


16. Depois das chamadas “doações de Alexandria”, em 34 a.C., a família de Cleópatra saiu repleta de poder: Cleópatra e Cesarion foram coroados regentes do Egito e do Chipre, outro filho foi coroado governante da Armênia, outra filha virou princesa da Líbia e o filho mais novo ganhou o título de governante da Fenícia e Síria;

17. O senado romano declarou-lhes guerra em 31 a.C.. Após serem derrotados por Otávio na batalha naval de Áccio, ambos cometeram suicídio, tendo Cleópatra se deixado picar por uma serpente da espécie Naja egípcia, em Alexandria no ano 30 a.C., e o Egito tornou-se inteiramente uma província romana;

18. A imprensa internacional noticiou, em maio de 2008, ter sido encontrada a cabeça de uma estátua em alabastro de Cleópatra, perto de Alexandria, no litoral mediterrâneo do Egito. A descoberta deu-se no templo de Taposiris Magna. Em abril de 2009, o arqueólogo egípcio Zahi Hawass afirmou ter descoberto a sepultura de Cleópatra no templo de Taposiris Magna;

19. Apesar de a cultura pop colocar Cleópatra como grande sinal de beleza, as estátuas e imagens mostram-na como uma mulher de baixa estatura, nariz grande e cabelo maltratado. Mesmo assim, sua história serviu de inspiração para escritores, pintores e cineastas – sendo que a versão da MGM, estrelada por Elizabeth Taylor, a mais clássica de todas;

20. De acordo com a historiografia atual, segundo os comentários de especializados egiptólogos, Cleópatra tinha o perfil de ser uma rainha extremamente ciumenta e egoísta, com um ego imenso e extremamente inteligente e caprichosa.