quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

História alternativa e história do futuro: você conhece essas tendências do estudo da História?!

História alternativa (também conhecida como “ucronia”) é subgênero que tem crescido na historiografia e na ficção especulativa, cuja trama e estudos ocorrem no mundo o qual a história possui um ponto de divergência da história conforme nós a conhecemos. De maneira geral, entre os teóricos da história alternativa, a pergunta principal para analisarmos um foco ou dado histórico seria: “O que aconteceria se a história tivesse ocorrido de maneira diferente?”. Este tem sido um tema de pesquisa muito interessante nos últimos anos porque abre um leque incrível de possibilidades de análises, famoso “e se?”, uma condicional que sempre habitou a mente dos historiadores.


A maioria das obras do gênero é baseada em eventos históricos reais, ainda que aspectos sociais, geopolíticos e tecnológicos tenham se desenvolvido diferentemente. Embora em algum grau toda a ficção possa ser descrita como história alternativa, um representante apropriado do subgênero contém ficção na qual um ponto de divergência ocorre no passado, fazendo com que a sociedade humana se desenvolva de maneira distinta da nossa.

O ramo na História alternativa teve início nos anos 50 do século 20, tendo início grandes obras que analisariam o “futuro” e debatiam como a história estaria desenvolvida caso contrário esta tivesse sido diferente. Algumas das questões mais trabalhadas pelos escritores e pesquisadores de História alternativa, nos ramos de história geral e história brasileira, são:

(a) E se os espanhóis não tivessem feito o “caminho contrário”, descobrindo a existência do continente americano?
(b) E se os portugueses não tivessem perpetrado a União Ibérica, que aumentou o território brasileiro no seu interior?
(c) E se os franceses e holandeses tivessem conseguido colonizar e explorar partes do território brasileiro?
(d) E se os franceses tivessem sido derrotados na batalha que impediu a expansão moura para o restante da Europa?
(e) E se os nazistas tivessem vencido a Segunda Guerra Mundial?
(f) E se a Guerra Fria tivesse se inundado numa batalha real, terminando em uma batalha de ogivas nucleares?
(g) E se o Brasil, logo após a Independência, tivesse adotado a república como regime de governo, e não a monarquia?
(i) E se no Brasil não tivéssemos passado por uma Ditadura Militar?
(h) E se a América Latina tivesse passado por colônias de povoamento, como nos Estados Unidos, e não colônias de exploração?
(i) E se os Estados Unidos não tivessem expandido o território para além das Treze Colônias?
(j) E se o México não tivesse perdido tanto território para os Estados Unidos?


O mais antigo exemplo conhecido de História alternativa aparece no Império Romano, quando o historiador Tito Lívio reflete sobre a possibilidade de Alexandre Grande ter partido para a conquista a oeste – rumo à Itália, Espanha, Portugal e Inglaterra –, antes de lançar suas tropas para o leste (conforme realmente aconteceu), o que o teria feito atacar Roma no século 4 a.C.

A primeira obra efetivamente alternativa parece ter sido o romance de Louis Napoléon Geoffroy-Château, denominado “Napoléon et la conquête du monde”, no qual Geoffroy-Château imagina que Napoleão teria conquistado Moscou antes do desastroso inverno de 1812, o que lhe possibilitaria dominar boa parte do mundo. Em língua inglesa, a primeira história alternativa conhecida parece ter sido o romance de Nathaniel Hawthorne, de 1845, livro cuja trama se volta para um homem aparentemente louco e que parece perceber uma realidade na qual figuras políticas e personalidades literárias já falecidas em 1845 ainda estão vivas.

O primeiro exemplo conhecido de literatura de História alternativa em português é a novela do escritor brasileiro José J. Veiga, “A casca da serpente”, de 1989, que imagina que Antonio Conselheiro sobreviveu ao massacre de Canudos, de 1897, para fundar uma nova Canudos, que existiu ao longo do século 20 até a sua destruição durante a o regime militar na década de 1960.

O escritor brasileiro Gerson Lodi-Ribeiro tem feito muito para promover a história alternativa em língua portuguesa. Sua novela “A ética da traição” é considerada um clássico moderno da ficção científica brasileira. Imagina um presente alternativo em que o Brasil é um país muito menor, em razão da sua derrota na Guerra do Paraguai (1864-1870). Lodi-Ribeiro também escreveu história alternativa sob o pseudônimo de Carla Cristina Pereira, explorando um cenário em que os portugueses chegaram à América antes de Colombo, e, aliados aos astecas, passam a construir um império global.

Em 2010, o escritor brasileiro Roberto de Sousa Causo teve publicada em livro a novela “Selva Brasil”, que imagina uma linha temporal alternativa em que o Brasil teria tentado invadir militarmente as Guianas, no início da década de 1960, ordenada pelo então presidente Jânio Quadros. A história é ambientada em 1993 e imagina um Brasil transformado por um conflito persistente em sua fronteira norte.

Abaixo temos o mapa ilustrativo de como seria a Europa no caso de o sistema nazista ter vencido a guerra, em 1945 (clique na foto para ver os detalhes).


Voltando ao campo teórico da História alternativa, a chamada “ucronia” é um subgênero da literatura, geralmente, mas não necessariamente, associada à ficção científica, cujas obras fazem referência a um período hipotético da história do nosso mundo, em contraste com lugares e mundos fictícios. É um conceito similar à história alternativa, mas que difere dela pelo fato de que os tempos ucrônicos não são claramente definidos (situando-se quase sempre em algum passado remoto). O termo tem origem no grego “Úchronos”, que significaria em português “Não-tempo”. A expressão surgiu em 1876 por Charles Renouvier.


Em muitos casos, o estudo sistemático da História alternativa traz muitas novidades e luzes ao estudo da historiografia tradicional. Portanto, em muitos casos já documentados, a História alternativa pode tornar-se revisionismo histórico – claro, quando os estudos são muito bem fundamentados, com fontes verdadeiras apresentadas, com versões plausíveis e sem os anacronismos temporais que costumamos fazer.

A história futura e a história alternativa...
História futura é uma história postulada para o futuro que alguns autores de ficção constroem como um pano de fundo para sua ficção. Por vezes, o autor publica uma linha do tempo dos eventos na história, enquanto em outras ocasiões o leitor pode reconstruir a ordem das histórias pela informação provida nelas. A expressão parece ter sido criada por John W. Campbell.

Diferentemente da História alternativa, onde resultados alternativos são atribuídos a eventos passados, a História futura postula certas consequências para eventos no presente e futuro do autor. A diferença essencial é que o escritor de História alternativa está na posse do conhecimento do resultado de um determinado evento, e este conhecimento também influencia a descrição do resultado alternativo do evento. O escritor de História do futuro não possui tal conhecimento, sendo tais obras baseadas em especulações e previsões correntes na época em que o texto foi escrito – o que, com frequência, se revela extremamente impreciso.


Um futuro alternativo ou futuro alternante, em histórias de ficção envolvendo viagens no tempo, é um futuro possível o qual nunca se torna realidade porque alguém viaja para o passado e o altera de tal forma que os eventos do futuro alternativo acabam por não ocorrer. Um futuro alternativo difere da História alternativa no sentido de que nesta última geralmente especula-se sobre o que poderia ter ocorrido se alguns eventos no passado houvessem acontecido de modo diferente, enquanto que no futuro alternativo geralmente se especula sobre o que poderia ter acontecido no futuro. Também, histórias alternativas frequentemente dispensam a viagem no tempo, enquanto relatos de futuros alternativos não o fazem.

Um futuro alternativo não deve ser confundido com um futuro possível. Muitas histórias de ficção científica transcorrem no futuro e tratam-no como se fosse o único futuro possível dentro do contexto da história; uma história de futuro alternativo passa-se especificamente numa versão alternativa, ou seja, aquela que, dentro do contexto da história, nunca irá acontecer.