quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Protocolo de Wannsee: o documento mais imundo da história mundial, onde começou o Holocausto...

A história do Protocolo de Wannsee está emaranhada de controversas, principalmente de historiadores conhecidos como “revisionistas negacionistas”, ou seja, aqueles que trabalham em prol de movimentos neonazistas e tentam retirar de Adolf Hitler todo o peso da história do Holocausto e da matança indiscriminada de deficientes mentais, ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová, comunistas, eslavos etc.

Até há pouco tempo na história contemporânea o Protocolo de Wannsee era conhecido como um “quase boato”, pois havia poucas (ou quase nenhuma) provas de que essa convenção realmente teria ocorrido, uma vez que os réus de Nurenberg falavam que fora tudo tramado sem a sapiência do III Reich, o que os documentos não comprovam, além da pesquisa historiográfica.


Sobre a conferência realizada...
A Conferência de Wannsee foi a discussão por um grupo de oficiais nazistas acerca da “solução final da questão judaica” (Endlösung der Judenfrage). Teve lugar a 20 de janeiro de 1942 no Palacete de Wannsee (foto acima – hoje um museu), bairro localizado no sudoeste de Berlim. A discussão centrou-se no objetivo de expulsão dos judeus de todas as esferas da vida do povo alemão.

Foram discutidas medidas a tomar e o conceito de “deportação” dos judeus para o Leste da Europa foi introduzido – para “trabalho apropriado [...] no curso do qual sem dúvida uma grande porção será eliminada por causas naturais”, o “resto final será [...] tratado de forma apropriada, porque, se libertado, iria agir como semente de uma nova restauração judaica” – palavras dos documentos recolhidos recentemente.

O número de judeus na Europa foi calculado (aproximadamente onze milhões) e os métodos de evacuação foram considerados com relação à idade e ao país de origem. O tratamento de pessoas de “sangue misto” foi também cuidadosamente discutido. Mais tarde, a filósofa Hannah Arendt diria que este procedimento do Protocolo de Wannsee assustava a todos por tornar a morte de milhões de pessoas em uma burocracia simples de Estado.



O Dr. Josef Buhler pressionou Reinhard Heydrich a implementar a solução final no Governo Geral. Tanto quanto lhe dizia respeito, o problema do Governo Geral era um mercado negro muito extenso, que desorganizava o trabalho das autoridades. Ele viu o remédio em resolver a questão judia o mais depressa possível. A reunião é lembrada como a primeira discussão da “solução final” e também porque os registros e minutas dos encontros foram encontrados intactos pelos aliados no fim da Segunda Guerra Mundial e usados nos julgamentos de Nurenberg.

Planejamento e organização da conferência...
Em novembro de 1941, o alto escalão nazista já sabia que o desejo de Hitler era que todos os judeus da Europa fossem transferidos para os territórios do leste e assassinados por lá. Este procedimento, que envolvia o registro, agrupamento e transporte de milhões de pessoas num período em que a infraestrutura alemã estava sob severo ataque, tinha uma logística complexa; por isso foram ampliados os campos de concentração, criaram mais ferrovias e aumentaram a capacidade de “produção da morte” nos campos de extermínio. Era também um empreendimento que seus organizadores sabiam também que enfrentaria oposição e obstruções dentro do aparelho de estado nazista. Assim, pareceu-lhes necessário juntar representantes de todos os departamentos importantes e lhes explicar o que se pretendia fazer e como, e que o plano fora decisão da autoridade máxima do Reich e que não poderia ser recusado.


Em 29 de novembro, Reinhard Heydrich enviou convites para uma reunião que ocorreria em 09 de dezembro no quartel-general da Comissão Internacional de Polícia Criminal (antecessora da Interpol), no confortável subúrbio leste de Berlim às margens do Lago Wannsee. Ele juntou uma cópia de uma carta de Hermann Göring do dia 31 de julho para provar sua autoridade. Para demonstrar que se tratava de um encontro de administradores para discutir em nível político, os convidados foram principalmente secretários de estado.

Também estiveram presentes representantes da Chancelaria do Reich, da Chancelaria do Partido Nazista e da Gestapo. Hans Frank enviou um representante, enquanto o SS-Sturmbannführer Lange era convidado, por sua experiência no extermínio de judeus alemães na Letônia. O braço direito de Heydrich, Adolf Eichmann (foto abaixo), foi encarregado de redigir a minuta da reunião.


Uma série de eventos em dezembro de 1941 forçou o adiamento da reunião. Em 05 de dezembro o exército soviético iniciou sua contraofensiva nas cercanias de Moscou, pondo um fim ao sonho nazista de uma rápida ocupação da União Soviética. Em 07 de dezembro o Japão ataca os Estados Unidos em Pearl Harbour, e em 11 de dezembro a Alemanha declara guerra aos Estados Unidos. Estes eventos fizeram com que a reunião fosse adiada até 20 de janeiro de 1942.

A conferência aconteceu numa mansão localizada em uma tranquila rua residencial que se iniciava na popular praia lacustre de Wannsee. A mansão, construída em 1914 fora adquirida pela SS em 1940 para ser um centro de conferências. Quando esta se iniciou, ao meio-dia de 20 de janeiro de 1942, os presentes eram:

SS-Obergruppenfuhrer Reinhard Heydrich (Chefe da Polícia Secreta de Segurança (Gestapo) e da SD)
Gauleiter Dr. Alfred Meyer (Ministério do Reich para os territórios ocupados no Oeste)
Reichsamtleiter Dr. Georg Leibbrandt (Ministro do Reich para os territórios ocupados no Leste)
Dr. Wilhelm Stuckart (Ministro do Reich para o Interior)
Dr. Erich Neumann (Chefe da secretaria do plano dos 4 anos)
Dr. Roland Freisler (Ministro do Reich da Justiça)
Dr. Josef Buhler (Governo do Governo Geral)
Dr. Martin Luther (Ministério do Exterior)
SS-Oberführer Gerhard Klopfer (Chancelaria do Partido)
Ministerialdirektor Friedrich Wilhelm Kritzinger (Chancelaria do Reich)
SS-Gruppenführer Otto Hofmann
SS-Gruppenführer Heinrich Muller
SS-Obersturmbannführer Adolf Eichmann (Secretaria central da segurança (Gestapo))
SS-Oberführer Dr. Karl Eberhard Schongarth (Comandante da SD)
SS-Sturmbannführer Dr. Rudolf Lange (Comandante da SD para a Letônia)



Depois dos julgamentos, de muitos suicídios e muitas mortes aleatórias, os historiadores chegaram ao consenso de que o Protocolo de Wannsee é, realmente, a burocratização da morte no nazismo, e que essa “solução final” era o que Hitler acreditava ser o possível a fazer para eliminar definitivamente seus inimigos; reconhecido como uma das maiores vergonhas da história recente, junto com outros documentos tais como os Protocolos dos Sábios de Sião, por exemplo, mostram até aonde vão o gênio maléfico do ser humano.

Que isto fique na memória de toda a sociedade para que erros grotescos como este não se repitam tão cedo.