sábado, 30 de novembro de 2013

Discos voadores na Bíblia?! O caso dos supostos Ovni’s no livro de Ezequiel...

Ezequiel, sacerdote israelita que foi deportado para a Babilônia acabou sendo aclamado um profeta, relatou quase 600 anos antes de Cristo a aparição do que chamou de “magnificência do Senhor”, assim dizendo na Bíblia: “No ano trigésimo, no quarto mês, a cinco do mês, aconteceu que, estando no meio dos cativos, junto ao Rio Quebar, se abriram os céus e tive visões divinas. Vi e eis que vinha do lado do aquilão um torvelinho de vento, uma grande nuvem, um globo de fogo e, à roda dela, um resplendor. No meio dele, isto é, no meio do fogo, havia uma espécie de metal brilhante. No meio deste mesmo fogo aparecia algo à semelhança de quatro animais, cujo aspecto tinha a aparência de um homem”.

Esse período textual tem levado à curiosidade ufólogos, astrônomos, historiadores e teólogos. Será que Ezequiel estaria se referindo a um objeto voador não-identificado? Muitos acreditam que sim, e outros tantos acreditam que não. Descrevendo de forma rudimentar o que hoje seria tido como uma nave alienígena, Ezequiel continua sua narrativa: “Cada um dos animais tinha quatro rostos e cada um, quatro asas. Os seus pés eram todos pés direitos, e a sua planta era como a planta do pé de um novilho, que cintilavam como cobre incandescente. Tinham mãos de homem debaixo das suas asas aos quatro lados, e também tinham rostos e asas pelos quatro lados. As asas de um estavam juntas as do outro. Não se voltavam quando iam caminhando, mas cada um caminhava segundo a direção do seu rosto”.


Na realidade, teóricos dos deuses astronautas apontam que a Bíblia está repleta de evidências de alienígenas em contato com seres humanos tidos como especiais, como os profetas. Ezequiel e Daniel seriam dois destes que tiveram contato imediato com estes seres e deixaram relatados em seus respectivos livros tais encontros, o que torna o debate caloroso entre os religiosos que não creem na vida interplanetária.

O engenheiro da NASA Joseph Blumrich (foto abaixo) lançou em 1974 o afamado livro “A espaçonave de Ezequiel”, em que reconstitui, seguindo literalmente as descrições do profeta, a nave espacial metálica dotada de hélices giratórias, exaustor e janelas que Ezequiel relatou na passagem bíblica. Blumrich foi diretor da Seção de Construção de Projetos da NASA em Huntsville, Alabama, e começou em 1934 a trabalhar na fabricação de aviões, estando sempre envolvido em projetos de foguetes e satélites.

Em 1962, Blumrich dirigiu uma equipe encarregada de encontrar soluções imediatas para problemas urgentes, o que lhe deu grande notoriedade como engenheiro. Uma de suas tarefas consistia em pesquisar sistemas de aterrissagem para fazer o módulo lunar pousar na Lua. Ele e seus colegas pensaram em criar “pernas” descartáveis dotadas de molas e capazes de deslizar no solo do nosso satélite natural. Mais tarde, lendo o primeiro livro de Erick von Däniken, “Eram os deuses astronautas”, Blumrich convenceu-se de que Ezequiel descrevera uma nave usando símbolos e metáforas por não possuir conhecimentos técnicos. E passou a pesquisar o caso.


Quem quiser pesquisar tal passagem curiosa da Bíblia, basta ir ao livro de Ezequiel (Velho Testamento), capítulo 1, versículos 4 ao 28, onde ele narra tal aparição da nave e dos estranhos seres. Muitos teólogos protestantes e católicos dizem que se trata somente de uma linguagem figurativa, em que o profeta tenta, da sua forma, falar da grandeza de Deus e até mesmo prevendo o Juízo Final citado no Apocalipse (Novo Testamento).

A cena da Bíblia contada por Ezequiel é impressionante pelo realismo, e corresponde de maneira precisa à observação de uma aterrissagem, seguida da aparição de cosmonautas ou de robôs. O profeta diz-nos, contudo, que eles têm fisionomias de homens recobertas por um céu de cristal. Menos poeticamente nós designaríamos hoje esse objeto, ao escafandro (foto abaixo).


Para Ezequiel, um homem da casta dos sacerdotes judeus, o que ele havia visto foi “a visão da semelhança de toda glória do Senhor”. Para alguns ufólogos entusiásticos, porém, a visão descreve a chegada de uma nave espacial. Para alguns engenheiros aeronáuticos, tal descrição bíblica poderia ser adaptada para um projeto de módulo de aterrissagem lançado por uma nave-mãe (na visão do profeta, a divindade metálica resplandecente). Para os estudiosos, os quatro “animais” talvez fossem quatro conjuntos de engrenagens de pouso, cada um munido de uma roda para as manobras em terra. As “asas” poderiam ser hélices de helicóptero, usadas para o posicionamento final, antes de tocar o solo, com a propulsão sendo fornecida por um motor de foguete situado no corpo cônico da nave.

É mais do que óbvio que muitos teólogos e religiosos não concordam com essa versão de interpretação da Bíblia. Até mesmo alguns estudiosos de aeronáutica afirmam que Ezequiel tivera uma ilusão de ótica de algum fenômeno meteorológico. Já de acordo com os teólogos, a versão dos “deuses astronautas” supostamente descritos na Bíblia são interpretações de “ateus” que gostariam de “confundir as mentes das pessoas a fim de mostrar que Deus não existe, ou que não tem a sua glória”, o que não é verdade. São pontos de vistas diferentes para um mesmo fato, situação comum em uma democracia que preza a liberdade de expressão dos indivíduos.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Você conhece a história dos estranhos rostos de Bélmez?! Fato ou farsa?!

As chamadas “faces de Bélmez” é o nome de um suposto fenômeno paranormal, que aconteceu (e ainda acontece) na Espanha, em uma casa particular, na localidade de Bélmez de la Moraleda; os primeiros rostos começaram a aparecer no assoalho da cozinha em 1971, quando uma criança reparou vários rostos no piso de concreto. Com o tempo, os rostos se espalharam pela casa: cozinha, banheiro, sala, quartos e também em algumas paredes.


Mesmo com faxinas frequentes, os supostos rostos apareciam e desapareciam frequentemente. Em alguns casos, quando a família detentora da casa tentava faxinar os rostos, eles ganhavam aparência de tristeza como se tivessem chorando ou pedindo clemência. Foi a partir daí que os moradores ficaram assustados e pediram ajuda a religiosos e a um grupo de parapsicólogos.

Para os estudiosos, este fenômeno é considerado o mais bem documentado sobre o gênero e, sem dúvida, o mais importante fenômeno paranormal do século 20. Alguns residentes de Bélmez acreditam mesmo que este fenômeno não foi criado por “mãos humanas”, porém, alguns pesquisadores consideravam a hipótese de ser um fenômeno de fotografia espírita, causado inconscientemente pela própria dona da casa, María Gómez Cámara.


Com o tempo, os rostos começaram a atrair turistas, pesquisadores e curiosos até a casa de María Gómez; quanto mais ela tentava remover as faces, mais delas apareciam. Alguns historiadores locais afirmam que onde a casa está construída era um cemitério medieval de ciganos – que naquela época não eram considerados cidadãos, e muitos foram mortos durante a Santa Inquisição, que foi extremamente grave no território espanhol durante os século 16 e 17.

Entretanto, para os pesquisadores céticos, este evento não passa de uma mera farsa fabricada pela família através de produtos químicos, como ácidos. Desde que as faces de Bélmez foram afixadas na casa, no cal de cimento, os cientistas foram capazes de analisar as alterações moleculares, que teve lugar em tal massa de concreto. Céticos têm realizado extensas análises sobre os rostos, para demonstrar a falseabilidade que foi envolvida este fenômeno. Abaixo temos a residência de Belméz, que hoje abriga um museu sobre o assunto.


Em novembro de 2004, para espanto dos cientistas céticos, María Gómez morreu aos 85 anos. Mesmo assim os rostos e imagens continuam a aparecer misteriosamente na residência mais famosa do pequeno vilarejo de Bélmez de la Moraleda. Enquanto isso, inúmeros cientistas – céticos e crédulos – tentam descobrir a origem destas faces em uma casa que se tornou um museu.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Você sabe o que o Judaísmo e o Islamismo pensam sobre Jesus Cristo?!


Jesus Cristo talvez seja uma das figuras mais controversas da história; é o personagem que mais se escreve sobre, e é a figura central em várias seitas e religiões. Mesmo sem uma comprovação histórica concreta da sua existência na Terra, seus ensinamentos se perpetuam até os dias de hoje, causando concórdia e discórdia entre nações e países. Entretanto, poucas pessoas sabem o que o Islamismo e Judaísmo pensam desta figura histórica tão importante para a historiografia, a ponto de datarmos o tempo em antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). No post de hoje vamos debater um pouco o que essas duas grandes religiões pensam sobre o fundador do Cristianismo.


Jesus Cristo sob a ótica do Islamismo; Jesus para os muçulmanos...
No idioma árabe, Jesus é conhecido como “Isa ibn Maryam” – “Jesus filho de Maria”. É considerado o penúltimo profeta do Islã, sendo o último Maomé (Mohammad). De acordo com o Alcorão (o livro sagrado do Islã), foi um dos profetas mais amados por Deus e, ao contrário do que se passa no Cristianismo, não é um ser divino. Existem notáveis diferenças entre o relato dos Evangelhos e a narração do Alcorão da história de Jesus.

A virgindade de Maria é plenamente reconhecida entre os muçulmanos, e eles dizem que Jesus teria anunciado várias vezes na Bíblia a chegada de Maomé como o último profeta antes do Juízo Final. A morte de Jesus é tratada como complexa, por não reconhecer explicitamente a sua morte e dizer que antes da morte ele foi substituído por outro, do qual nada é dito, enquanto Jesus ascende ao céu e ludibria os judeus. Outro ponto é que o Alcorão rejeita a Santíssima Trindade, considerada falsa, e se refere a Jesus como “Verbo de Deus”, mas não o filho Dele.



O Alcorão não narra a vida de Jesus (Isa) de uma forma cronológica, nem a história da sua vida pôde ser encontrada numa só passagem; em vez disso, as referências à sua pessoa tem geralmente como objetivo ilustrar um determinado ensinamento.

O Alcorão refere-se a Ele em quinze suras (capítulos) e em 93 versos. Ele é designado nesta escritura de várias maneiras, como “al-Masih” (o Messias), “nabi” (“profeta”), “rasul” (“mensageiro”), “ibn Maryam” (“filho de Maria”), “min al-Muiarraben” (“entre os que estão próximos de Deus”), “wadjih” (“digno de louvor neste mundo e no próximo”), “mubarak” (“abençoado”) e “abd Allah” (“servo de Alá”).

O episódio da anunciação de Maria relatado no Alcorão assemelha-se ao relatado no Evangelho. Maria recebe a visita do anjo Gabriel (em árabe, Jibrail). O anjo anuncia a ela o nascimento de Isa (Jesus) e esta se mostra inquieta uma vez que era uma mulher não casada e virgem, prometida para alguém em casamento. Para o islã, a concepção de Jesus (Isa) foi o resultado de um decreto de Deus: a concepção Dele foi miraculosa e semelhante à de Adam (Adão). Quando Jesus (Isa), nasceu este falou com Maria do berço e mais tarde com a família desta. Para evitar o escândalo que era o fato de uma mulher não casada ter um filho, Jesus (Isa) anunciou à família de Maria que era um servo de Deus e um profeta com uma revelação escrita.






No islã Jesus (Isa) é simultaneamente um profeta e um mensageiro. Ele foi enviado a um povo em concreto e, para além disso, recebeu uma escritura sagrada, o Evangelho. A sua missão profética é concretizada na realização de milagres, no apelo a que a humanidade siga o monoteísmo e pratique a caridade.

Os muçulmanos não acreditam que Jesus tenha morrido na cruz, acontecimento sobre o qual assenta a teologia cristã. O Alcorão refere claramente que os judeus acreditaram que estavam o crucificando, mas que Deus o levou aos céus, e que, antes da sua morte, Jesus será uma testemunha contra os judeus. Para a tradição muçulmana, o homem que morreu no seu lugar foi Judas ou Simão de Cirene, tendo as pessoas sido iludidas a acreditar na sua crucificação. Esta visão do corpo de Jesus como uma ilusão já existia no docetismo, doutrina cristã do século II. De acordo com a visão islâmica, Jesus (Isa) continua vivo no céu; a sua morte só acontecerá nos últimos dias do mundo, quando ele regressar à terra e viver uma vida comum.

Aliás, os muçulmanos creem que no final dos tempos todos os grandes profetas retornarão para a batalha espiritual do Juízo Final para dissipar o mal da Terra, formando um exército composto por vários nomes, tais como: Maomé, Jesus, Jeremias, Enoque, Noé etc.


Jesus Cristo sob a ótica do Judaísmo; Jesus para os judeus...
O Judaísmo acredita que a ideia de Jesus ser Deus, ou parte de uma trindade, ou um mediador de Deus, é heresia. O Judaísmo também sustenta que Jesus não é o messias, argumentando que ele não cumpriu as profecias messiânicas da Tanakh, nem encarna as qualificações pessoais do Messias. O Judaísmo afirma que Jesus não cumpriu as exigências estabelecidas pela Torá para provar que ele era um profeta. E mesmo que Jesus tivesse produzido um sinal que fosse reconhecido pelo judaísmo, afirma-se que nenhum profeta poderia contradizer as leis já mencionadas na Torá, o que os rabinos afirmam que Jesus fez, como por exemplo, trabalhar no sabá.

A “Mishneh Torá”, escrita por Maimônides, considerada uma das obras da lei judaica, diz que “Jesus é um ‘obstáculo’ que faz a maioria do mundo errar para servir a uma divindade além de Deus”. De acordo com o Judaísmo conservador (ortodoxo), os judeus que acreditam que Jesus é o Messias “cruzaram a linha” para fora da comunidade judaica. E quanto ao Judaísmo reformista, o movimento progressista moderno, afirmam: “Para nós, da comunidade judaica alguém que afirma que Jesus é seu salvador já não é um judeu e sim um apóstata”. Entretanto, é digno de nota que o movimento de Judaísmo Messiânico tem crescido enormemente em todo o mundo; são pessoas que praticam o Judaísmo e suas leis, mas entendem que Jesus foi e é o esperado Messias.


Em hebraico, Jesus é “Yeshua”, uma forma alternativa de “Yehoshua”, que seria “Josué”. Transliterado para grego, ganhou o nome “Iesua”. Assim, temos hoje Jesus como Seu nome. Na Bíblia hebraica a ortografia é usada uma vez em relação a Josué (Yehoshua), filho de Nun, mas é comumente utilizado em relação a Josué, o sacerdote no tempo de Esdras. Vale ressaltar que, em hebraico, “Yeshua” significa “salvação” ou “aquele que vem salvar”.

A afirmação de que a forma Yeshua é o nome original de Jesus tem sido muito debatida atualmente – alguns afirmam que era Yehoshua ou que a própria forma grega do nome “Jesus” era usada entre os cristãos antigos (comunidades falantes do grego existentes em Israel, durante o período helenístico e posteriormente, sempre afirmaram que os manuscritos originais do Novo Testamento foram escritos primariamente em grego). De qualquer forma, já se tem provas explícitas de que Jesus, seus primeiros discípulos e a população que vivia na terra de Israel naquele período falavam aramaico. Eusébio de Cesareia relata que Mateus escrevera seu Evangelho em hebraico.

Nos relatos de Toledoth Yeshu, elementos dos Evangelhos sobre Jesus são conflitados com descrições dos indivíduos chamados pelo nome de “Yeshu” no Talmud. Alguns historiadores interpretam “Yeshu” como uma forma abreviada de “Yeshua” e argumentam que esta era a forma pelo qual Jesus era conhecido pelos judeus. De qualquer forma, as narrativas de Toledoth Yeshu tipicamente explicam a designação Yeshu como um acrônimo da frase hebraica “Yemach shem vezichro” (“Seja apagado seu nome e sua memória”) e declararam que este nome originalmente era “Yehoshua”. Já outros, dizem que o responsável pela diminuição, por assim dizer, foi o sotaque galileu devido sua dificuldade de falar a letra final gutural. Isso também podemos detectar em nomes de pessoas árabes.




Um argumento a favor da originalidade da forma “Yeshua” pode ser encontrada no fato do uso dessa na antiga Bíblia Siríaca, composta no século 3 d.C. A Peshitta (versão aramaica do Novo Testamento) usa também a forma “Yeshua” em seus escritos. A moderna pronúncia do síriaco deste nome é Eeshoo. Com isso, pode-se argumentar que os falantes do aramaico, que usavam este nome na sua forma “Yeshua”, escreveram-na em seus escritos e evangelhos a fim de preservar o nome original de “Jesus” usados por eles.

De um modo geral, os judeus acreditam que crer em Jesus como o Messias enviado por Javé seria uma heresia, uma vez que Cristo não teria cumprido todas as profecias descritas no Velho Testamento, como reconstrução do templo de Jerusalém, restauração do Reino de Israel etc. Este é um debate sem fim em que cada lado irá apresentar a sua verdade, e como sabemos, em religião cada um tem sua verdade e a guarda como se fosse uma grande relíquia.

sábado, 23 de novembro de 2013

Você já ouviu falar nos estranhos animais chamados “símios-de-bondo”?!

Os símios-de-bondo seriam macacos gigantes de existência ainda não comprovada que supostamente habitariam as densas florestas da região de Bondo, na República Democrática do Congo, no centro da África. Por vários séculos há relatos de avistamentos deste animal, desde exploradores europeus até habitantes locais.


Vale ressaltar que a biologia está sempre se renovando quando são encontradas novas espécies de animais. Curiosamente, até o século 19, o gorila era considerado um mito entre os cientistas euroamericanos; para eles, as pessoas confundiam homens protegidos com pele animal com macacos gigantes. Entretanto, na virada para o século 20 foi comprovada a existência dos grandes gorilas africanos, que hoje encontramos em qualquer zoológico do mundo. É por isso que muitos estudiosos ainda estão à caça de comprovações de um símio-de-bondo vivo.


Inicialmente, foram encontrados crânios de macacos gigantes na região de Bili, que foram classificados como pertencentes a uma nova subespécie de macacos pelo pesquisador Henri Shoutenden, em 1927. Karl Ammann, um fotógrafo suíço, partiu em 1934 para procurar evidências dos símios-de-bondo. Ele achou uma série de moradias de macacos no chão, um hábito de gorilas – que haviam sido recentemente descobertos e comprovados cientificamente. Ammann também achou fezes no chão ricas em proteínas de frutas.

Muitos anos depois, os cientistas decidiram investigar o DNA destas fezes recolhidas pelo fotógrafo explorador, mas houve a infelicidade de não ser a comprovação científica da espécie. O exame mostrou ser uma série de fezes de chimpanzés.

Os cientistas acreditam que os símios-de-bondo sejam uma subespécie resultante do cruzamento de chimpanzés e gorilas. Ainda não se provou a existência, mas Karl Ammann conseguiu duas supostas fotografias do animal.

Há uma outra criatura parecida com os símios-de-bondo, chamada de skunk-ape; semelhante a um gorila, sua existência ainda não foi provada. É relatado que este animal habita o sudeste dos Estados Unidos, principalmente a Flórida. De acordo com os estudiosos, seria uma lenda semelhante ao Yeti e ao Pé Grande. Foram tiradas fotos deste animal, mas a mais famosa foi tirada em 2000 por um fotógrafo não identificado (foto abaixo) em Sarasota, na Flórida.


Até os dias de hoje vários estudiosos tentam comprovar existência de seres terrenos que poucas pessoas supostamente teriam visto. Assim ocorre com o Monstro do Lago Ness, Pé Grande, Yeti, e também com as duas criaturas que vimos no post de hoje, o símio-de-bondo e o skunk-ape. A esperança destes estudiosos é que sejam casos parecidos aos dos gorilas, que antes de serem encontrados eram tidos como criaturas lendárias e imaginárias das tribos africanas.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Operação Northwoods: quando o governo americano promoveu terrorismo para confundir seus cidadãos...

Ao longo da história recente, por inúmeras vezes, ouvimos falar da intervenção direta e indireta do governo dos Estados Unidos sobre a política de outros países – como patrocínio a ditaduras em países, como as Latinas durante os anos 1960 e 1970, ou ajuda a grupos guerrilheiros em lugares da Ásia e África – enquanto falavam publicamente em democracia, paz e justiça. Em outros aspectos temos, também, as afirmações de que o próprio governo americano foi responsável pela morte do então presidente Kennedy e pelos ataques às Torres Gêmeas e ao Pentágono, em 2001.

No entanto, há uma parte negra da história estadunidense que precisa ser estudada e lembrada pelos especialistas, principalmente após a abertura dos WikiLeaks por Julian Assange. Uma destas histórias escabrosas é a chamada “Operação Northwoods”, até hoje muito debatida e cobrada por grupos civis de direitos humanos de todo mundo, principalmente dentro dos próprios Estados Unidos. É interessante pontuar que a “Operação Northwoods” não é uma lenda urbana ou uma teoria conspiratória: ela é real e figura em muitos livros de história dos Estados Unidos.

Mas afinal de contas, o que seria essa tal “Operação Northwoods” que nunca ouvimos falar? Que nunca é citada pelos jornais? Que nunca aparece nos filmes? Bem, ela é um episódio bizarro da história da maior potência do mundo que eles mesmos gostariam de esquecer, e por isso evitam falar sobre; é quase um assunto indizível, como, por exemplo, o fato de terem perdido a Guerra do Vietnã. Vamos às explicações no texto que segue...


A chamada “Operação Northwoods” foi o codinome dado a um conjunto de planos secretos elaborados, em meados dos anos 60 e 70, pelas mais altas patentes militares dos Estados Unidos, e que visava assassinar pessoas inocentes e praticar atos de terrorismo em cidades do próprio país cujo objetivo era enganar a opinião pública americana, conduzindo-a a apoiar uma guerra contra Cuba.

Vale lembrar que durante a Guerra Fria (1945-1989), nos anos 1960, houve o episódio conhecido como “Crise dos mísseis de Cuba”, quando a União Soviética armou Cuba com ogivas nucleares sob a ameaça de atacar os Estados Unidos caso houvesse um tipo atentado à então ilha de Fidel. Durante esse período histórico houve um terrível medo de uma possível Terceira Guerra Mundial. Portanto, para os cientistas políticos que hoje investigam os eventos, era preciso ter uma cara de inimigo para combater-se.

Sob o codinome “Operação Northwoods”, esses planos incluíam o possível assassinato de refugiados cubanos, o afundamento de barcos de refugiados cubanos em alto mar, o sequestro de aviões comerciais, a explosão de um navio norte-americano e até a orquestração de terrorismo violento nas maiores cidades americanas, tais como Nova York, Miami, Chicago e Los Angeles. Vale ressaltar que a “Operação Northwoods” não é uma teoria da conspiração, muito menos um folclore urbano; os detalhes foram publicados em vários livros de testemunhas, pesquisadores etc.

Esses planos macabros foram detalhados no livro “Body of secrets: doubleday”, escrito pelo repórter investigativo James Bamford, sobre a história da maior agência de espionagem americana, a National Security Agency. Entretanto, o autor nota que esses planos não estavam diretamente subordinados àquela agência; foram elaborados com a aprovação unânime do Estado-maior das forças armadas norte-americanas, e apresentados ao secretário de Defesa Robert McNamara, em março de 1962.


Aparentemente a operação teria sido rejeitada pelas organizações civis patrióticas, e ficaram esquecidas por mais de quarenta anos. De acordo com Bamford, a “Operação Northwoods” previa a encenação de uma série de falsos ataques terroristas, alguns dos quais sobre solo americano e envolvendo a morte de civis, que seriam então atribuídos a Fidel Castro. A ideia era conseguir apoio popular para uma invasão a Cuba em meio à crise dos mísseis.

Um dos cenários propostos envolveria a simulação do sequestro e explosão de um avião comercial norte-americano. De acordo com o livro “Body of secrets: doubleday”: “Uma aeronave seria pintada e numerada na base aérea americana de Englin, como uma duplicata exata de uma aeronave civil. (...) Em uma hora designada, a duplicata seria substituída pela aeronave civil de verdade e seria carregada com passageiros seletos, todos abrigados sob pseudônimos cuidadosamente preparados. A aeronave registrada de verdade seria convertida em um drone [teleguiado]. (...) A aeronave carregando os passageiros seria baixada a uma altitude mínima e iria diretamente a um campo auxiliar na base aérea de Eglin onde preparativos teriam sido feitos para evacuar os passageiros e retornar a aeronave a seu status original. A aeronave teleguiada, enquanto isso, continuaria a voar com o plano de voo original. Quando estivesse sobre Cuba o avião teleguiado começaria a transmitir a frequência internacional de perigo ‘MAYDAY’ afirmando estar sob ataque de aeronaves MIG’s cubanas. A transmissão seria interrompida pela destruição da aeronave que seria detonada”.

Essa descrição pode parecer roteiro bizarro de um filme de superprodução de Hollywood, mas é verdade e o autor é detentor de documentos descrevendo os procedimentos envolvendo a referida operação. É por conta disso que muitos teóricos políticos creem que os atentados de 11 de setembro de 2011 poderiam ter sido orquestrados pelos próprios Estados Unidos na busca de criar uma hegemonia mais forte no Oriente Médio e patrocinar uma “guerra contra o terror”.

Como dito anteriormente, no início do texto, não é de hoje que o governo norte-americano é acusado de agir por interesse próprio sacrificando vidas de civis para atividades econômicas; vale lembrar que existem as histórias de que o próprio então presidente Kennedy e Marilyn Monroe teriam sido assassinados pelo sistema.



O alto comando militar norte-americano fez planos para desenvolver uma campanha de terror em Miami, em outras regiões da Flórida e até mesmo em Washington, a qual seria atribuída, pela imprensa norte-americana, a “comunistas cubanos” infiltrados no país. Ainda de acordo com a publicação que detalha a “Operação Northwoods”: “Essa campanha de terror seria dirigida contra refugiados cubanos asilados nos Estados Unidos. Nós afundaríamos um barco carregado de refugiados cubanos a caminho da Flórida (real ou simulado). Poderíamos promover atentados às vidas de cubanos que vivem nos Estados Unidos, até mesmo a ponto de feri-los, em ocasiões que serão amplamente divulgadas pela mídia. Explodir algumas bombas plásticas em locais estratégicos, prender alguns agentes cubanos e divulgar documentos, previamente preparados, para comprovar a participação de Cuba seria útil para divulgar a imagem de um governo cubano irresponsável a fim de conseguir apoio da mídia e da população”.

Por fim, podemos afirmar que a história envolvendo a “Operação Northwoods” faz que nós estejamos de olhos abertos para tudo que envolve a história dos Estados Unidos como potência mundial da Idade Contemporânea. Se hoje o interesse se baseia no petróleo do Oriente Médio, imaginemos daqui a uns 50 anos quando os olhos da águia norte-americana se voltarem à água potável da América do Sul.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Supostos fenômenos supernaturais expulsam família de sua casa na Argentina...

Na cidade de La Mercedes, na província de Salta (mapa abaixo), na Argentina, uma família extremamente pobre afirma ter sido vítima de ataques frequentes de supostos espíritos malignos, cujos espectros se manifestam como sombras visíveis. A família acredita que o objetivo de tais ataques é que a família abandone a casa, localizada em um bairro pobre do município.


Santos Sánchez, o pai da família, diz que todo pesadelo teve início quando seus filhos, dois adolescentes de 12 e 16 anos, começaram a comentar sobre estranhos acontecimentos que ocorriam na casa: sombras que passavam pelas janelas, no quintal, sombras passando pelos cômodos, puxões nas roupas, ventos gelados que vinham no nada, mesmo com a casa totalmente fechada, entre outros. De acordo com os parapsicólogos, estas são características clássicas da presença de espíritos em um ambiente, principalmente a queda de temperatura e sombras.

Entre os dias 14 e 20 de outubro de 2012 a polícia, por fim, foi chamada. Em sua denúncia, Sánchez disse que “nós temos que sair logo da casa porque está impossível ficar aqui com estes espíritos atormentando todos nós a todo o momento”. O que mais impressionou a polícia foi o incidente com a filha de Santos Sánches, que levitou do chão a uns 50 centímetros por diversos segundos uma vez que os agentes duvidaram do relato; para os oficiais, isso foi feito para que acreditassem nas entidades que lá estavam.

A polícia, extremamente confusa, decidiu não fazer a ocorrência, por não se tratar de uma “entidade física” perturbando o sossego da família, e recomendou a intervenção espiritual de um padre católico da confiança da família Sánchez.


O padre católico Pablo Castro foi “convocado” para exterminar este inimigo desconhecido das pessoas, que chegaram a evitar a família Sánchez. Investigando o ambiente e sentindo a estranha presença no local, o padre descobriu o possível culpado pelos ocorridos: um tabuleiro ouija (foto abaixo), usado para fazer comunicação com espíritos, geralmente objeto de brincadeira de crianças e jovens.

Durante as visitas à residência, para segurança do padre, a polícia esteve em sua companhia durante todo o procedimento. Padre Pablo passou pela casa abençoando os cômodos e fazendo uma espécie de exorcismo, ordenando aos demônios que saíssem daquele lar, pois ele estava habitado por pessoas que creem em Jesus Cristo e na sua ressurreição, que os deixassem em paz.

Ao longo do procedimento de exorcismo da casa e expulsão dos espíritos, um dos policiais foi ferido no rosto por algo que não foi possível identificar, enquanto outro foi socado no peito por o que ele chamou de “força poderosa e invisível”. Outro policial afirmou que durante todo o tempo ouvia uma voz que ordenava que todos saíssem da casa. Perplexos e amedrontados, muitos policiais abandonaram a missão e foram para casa, enquanto o padre se manteve firme diante do que ocorria.



Enquanto isso, o Padre Pablo Castro passava pela casa dizendo: “Que Deus abençoe esta casa e o sangue puro de Jesus limpe este lugar, que estes espíritos libertem esta família e vão embora daqui, em ordem ao poderoso nome do Espírito Santo, pois temos o controle de tudo”. Durante duas horas o padre esteve passando por toda casa entoando orações, jogando água benta e ordenando aos espíritos que deixassem o local.

Depois de algumas horas, as testemunhas disseram que não sentiam mais o ar pesado, nem tais vozes estranhas, muito menos puxões. A família Sánchez entrou na casa e disse que sentia paz e o ar mais leve. Conversando com os familiares, o padre descobriu que os adolescentes haviam brincado com um tabuleiro ouija alguns meses antes, depois de descobrirem que nos anos 70 o antigo proprietário da casa havia assassinado a esposa e depois se suicidado por conta de uma traição.


O padre explicou que esse tipo de brincadeira não tem a menor graça, pois, de acordo com a parapsicologia, poderia atrair inúmeras entidades negativas com consequências extremamente pesadas. De acordo com o sacerdote, a casa ainda precisa de um trabalho de limpeza espiritual mais forte para remover todos os espíritos que ali se instalaram com a prática dos jovens em brincarem com o ouija.

A família Sánchez disse que nunca mais foi perturbada por possíveis espíritos e o tabuleiro oija dos jovens foi queimado. Agora, todas as semanas, são realizadas cerimônias religiosas na casa e os vizinhos voltaram a conviver com os moradores da residência mais famosa de La Mercedes.

sábado, 16 de novembro de 2013

Considerações acerca do canibalismo e da antropofagia...

O canibalismo é um dos maiores tabus da sociedade humana desde os tempos mais remotos; entretanto, entre os animais ele pode ser extremamente comum dependendo da espécie. Entre os seres humanos, o canibalismo é conhecido como “antropofagia”, e pode ocorrer de duas maneiras: (1) para matar a fome através de alimento e (2) como meio de ritual para adquirir a força e os possíveis poderes do morto. No post de hoje vamos falar alguns pontos destes tabus, o canibalismo e a antropofagia, que não são entidades sociais do passado!


1. Canibalismo é um tipo de relação ecológica em que certas espécies de animais se alimentam de indivíduos da mesma espécie, sendo natural em alguns casos estudados. De acordo com biólogos evolucionistas, essa prática terá resultado na própria evolução das espécies, com o objetivo de eliminar os indivíduos menos aptos, por exemplo, provenientes de uma ninhada em que alguns filhotes saem dos ovos defeituosos ou imaturos;

2. Alguns exemplos frequentes de canibalismo são o consumo dos machos de alguns insetos, a exemplo de integrantes da ordem mantodea e aracnídeos pelas fêmeas, depois da cópula. Alguns estudiosos acreditam que esta prática aumenta as probabilidades da fêmea ter uma prole forte, por ter ingerido as proteínas do macho. Além disso, são citados vários casos de espécies em que o macho desenvolveu estratégias para escapar ao suposto canibalismo da fêmea;

3. O termo “canibalismo” teve origem no idioma arawan, através do espanhol “caribal”, “aquele que vem do Caribe”. O arawan era uma língua falada por indígenas caribenhos que tinham o costume de antropofagia – comer carne de seres humanos. Então houve a associação deste povo com tal prática;

4. Durante muitos séculos, entre 1492 até pelo menos 1750, exploradores europeus que viajavam pelo interior da América do Sul, da África e da Austrália frequentemente relatavam e desenhavam rituais de antropofagia (o ato de canibalismo entre seres humanos). Geralmente o ato de alimentação ocorria quando homens comiam os corpos dos seus inimigos depois de batalhas;

5. De acordo com os antropólogos, os casos de seres humanos praticantes de canibalismo (antropofagia) podem ser classificados em três modelos: (1) transtorno mental extremamente grave, (2) rituais macabros de magia negra onde os praticantes remetem ao passado, tentando obter possíveis “poderes e forças” das pessoas mortas. Ambos os casos, em todos os países do mundo, são considerados crimes gravíssimos, e (3) casos extremos de sobrevivência, como os sobreviventes da queda de um avião no Chile em que os sobreviventes tiveram que comer carne dos mortos para suportarem o período de isolamento no alto das montanhas;

6. Entre aves, canideos e felinos, especialmente se criados em cativeiro, patologias maternas de natureza hormonal e inibição da percepção materna ou da produção de estímulos táteis e olfativos vindos dos filhotes podem levar a este comportamento. Muitos de nós já conhecemos casos, por exemplo, de cadelas que comeu a ninhada, por exemplo;


7. De acordo com alguns pesquisadores, o canibalismo pode ter origem genética. Estudos laboratoriais apontam que filhos de mães canibais tendem, também, a serem canibais. Portanto, pode ser um transtorno genético ou de estrutura mental passada de geração para geração;

8. Já a antropofagia é o ato de consumir uma parte, ou várias partes da totalidade de um ser humano. O sentido etimológico original da palavra “antropófago” vem do grego “anthrópos”, “homem”, e “phagein”, “comer”; foi sendo substituído pelo uso comum, que designa o caso particular de canibalismo na espécie humana. Pelo seu contexto, geralmente cerimonial, o canibalismo/antropofagia não pode ser aplicado ao hábito alimentar do ser humano;

9. É de extrema importância, portanto, explicar as diferenças entre canibalismo e antropofagia. O canibalismo é o hábito alimentar de algumas espécies de se alimentar de indivíduos da própria espécie, como algumas aranhas, grilos etc. Já a antropofagia seria o ato do ser humano consumir carne humana em rituais que variam, mas sem a intenção de alimentar-se;

10. Um dos grupos canibais mais famosos é o dos astecas, que sacrificavam seus prisioneiros de guerra e comiam alguns deles. Eles comiam os prisioneiros de guerra e outras vítimas, numa prática conhecida como exocanibalismo ou exofagia, ou seja, canibalismo praticado em indivíduos de tribos diferentes;

11. Os poucos casos de canibalismo de humanos registrados na história contemporânea estão ligados a situações extremas e limítrofes, como satisfação do instinto de sobrevivência do indivíduo perante uma opções entre morrer ou viver, além dos casos especiais envolvendo rituais de magia negra;

12. Em 1846, um grupo de 90 pessoas liderado por George Donner (foto abaixo) ficou preso em uma nevasca no alto de Sierra Nevada, na Califórnia. Os sobreviventes tiveram que comer a carne de seus companheiros mortos para permanecerem vivos;


13. Uma história semelhante ocorreu em 1972. O “Voo força aérea uruguaia 571”, que transportava 46 pessoas, entre eles a seleção de rúgbi uruguaia, despencou na Cordilheira dos Andes. Apenas 16 pessoas se salvaram. O estoque de alimentos a bordo acabou rapidamente e o único meio encontrado pelo grupo para sobreviver foi recorrer aos corpos dos colegas mortos;

14. Do modo de vista legal, o canibalismo de humanos, quando não se trata de uma situação limite, enquadra-se como crime de mutilação e profanação de cadáver e um grave desrespeito pela dignidade da pessoa humana. Segundo os valores da sociedade ocidental, é um ato repugnante e imoral;

15. A título de curiosidade, antropólogos da Universidade da Califórnia em Los Angeles entrevistaram, nos anos 1980, sobreviventes de acidentes que tiveram de comer carne humana para sua sobrevivência, além de membros de tribos que ainda praticam o canibalismo. O objetivo era conhecer o “gosto” e o processo de cozimento da carne humana. De acordo com os entrevistados, a carne humana “é muito difícil de cozinhar, demorando muito, tem aspecto bastante denso, é dura, difícil de mastigar e levemente adocicada em seu sabor”;

16. Líderes tribais das ilhas Fiji comiam a carne de pessoas consideradas especiais em sua comunidade. Para isso, utilizavam talheres próprios, que não podiam ser usados para consumir qualquer outro tipo de alimento. Os habitantes da Ilha de Páscoa gostavam bastante de carne humana. Os banquetes eram promovidos em lugares isolados e apenas os homens podiam participar;

17. Em 1912, no Haiti, um grupo de haitianos matou e comeu uma garota de 12 anos em uma cerimônia vudu. No meio do caminho entre o ritual e a sobrevivência está o caso da tribo Fore, da Papua-Nova Guiné. Para compensar as carências de proteínas, passaram a realizar um ritual onde os homens ficavam com os músculos, enquanto as mulheres e crianças, com o cérebro de outros membros da tribo que tinha falecido;

18. A antropofagia praticada pelos grupos tribais do Brasil revestia-se de caráter exclusivamente ritual. As notícias fornecidas pelos cronistas do século 16 dão conta de sua importância na organização social indígena, como fator indispensável aos ritos de nominação e iniciação;


19. Com a vinda dos missionários jesuítas, os costumes canibais na América do Sul foram fortemente combatidos, por serem incompatíveis com os valores e padrões da sociedade europeia. O costume de comer carne humana foi proscrito e reprimido pela força, com grave dano para um tipo de organização social em que a antropofagia desempenhava relevante função como processo de aquisição de prestígio e ascensão social;

20. Numa perspectiva psicanalítica tal prática está associada aos bizarros comportamentos da psicose e perversão sádico-psicopática. Freud referiu-se algumas vezes a essa manifestação patogência inclusive co-denominando a “fase oral” por “fase canibalesca” enquanto um conjuntos de pulsões. Em sua avaliação do processo civilizatório situa o canibalismo como um comportamento possivelmente controlado ao lado dos desejos instintuais do incesto e da ânsia de matar, os desejos inconscientes que ameaçam o indivíduo e a civilização e que todos parecem unânimes em repudiar;

21. O alemão Fritz Haarmann, conhecido como o “Vampiro de Hanôver”, foi condenado em 1924 pelo assassinato de 30 garotos. Ele fazia salsicha da carne dos meninos, não somente para consumo próprio, como também para venda;

22. No passado, alguns casos famosos de canibalismo foram também associados a um contexto sexual. Por exemplo, nos Estados Unidos, durante a década de 1920, Albert Fish estuprou, matou e devorou várias crianças, alegando ter tido um grande prazer sexual resultante de seus atos;

23. O russo Andrei Chikatilo, que matou pelo menos 53 pessoas entre 1978 e 1990, também era praticante do canibalismo com conotações sexuais. O estadunidense Jeffrey Dahmer, conhecido também como o “Canibal de Milwaukee” assassinou e devorou suas vítimas entre 1978 e 1991 (sendo a maioria dos assassinatos ocorridos entre os anos de 1989 e 1991). Suas vítimas eram homens que haviam tido relações sexuais com Dahmer. Foi preso em 22 de julho de 1991 e condenado à prisão perpétua em 1992. Em 28 de novembro de 1994, Dahmer e outro preso foram atacados de surpresa e espancados até à morte por Christopher Scarver, outro preso, diagnosticado como psicótico. Dahmer morreu a caminho do hospital, devido a vários traumas na cabeça;

24. Em 2002, a polícia alemã encontrou na casa de Armin Meiwes (foto abaixo), técnico de informática residente em Rotenburgo, pedaços de um corpo humano no frigorífico. Tratava-se de Bernd-Jürgen Brandes, de 43 anos, que o procurara em resposta a um anúncio colocado por Meiwes na internet procurando por “jovens corpulentos entre 18 e 30 anos para abate”. Além de matá-lo, Meiwes cortou seu pênis e comeu-o flambado. Meiwes contou à polícia que Brandes concordou que partes de seu corpo fossem cortadas e cozidas. Depois de terem comido juntos, Brandes teria concordado em ser morto;

25. Talvez o ícone contemporâneo mais forte acerca do canibalismo seja o personagem principal dos filmes “Hannibal”, “Dragão Vermelho” e “O silêncio dos inocentes”. Este personagem se chama Hannibal Lecter, interpretado por Anthony Hopkins (seu maior fetiche com carne humana era fígado com vinho);

26. A indústria de cinema da Itália lucrou muito entre o final das décadas de 1970 e meados da década de 1980 com filmes do tipo snuff (que supostamente mostrariam mortes reais) ao lançarem a série “Holocausto canibal”, que mostraria o exotismo de tribos africanas frente ao canibalismo, quando consumiam carne de brancos europeus. Tais filmes tiveram muito sucesso no meio underground.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (27)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Por que é costume o noivo carregar a noiva no colo antes de entrar no quarto?
Na Roma Antiga havia o costume de untar óleo à porta, já florida, da nova moradia do casal. A noiva era então carregada casa adentro por dois amigos ou parentes do noivo, evitando o constrangimento de um escorregão no chão untado. O noivo a aguardava dentro de casa.

Qual a verdadeira origem da famosa caipirinha?
A caipirinha é uma bebida genuinamente brasileira e ganhou o mundo pelo seu sabor, e agora encontramos diversas caipirinhas que não são feitas somente com limão, mas também morango, maracujá etc. Sua origem data do século 18, nos tempos da escravidão. Após um dia fatigante e quente nos canaviais, os escravos matavam a sede com cachaça (também para se embriagarem e esquecerem um pouco tanta amargura de vida); para as crianças era feito uma espécie de “suco” acrescentando cachaça, limão e açúcar, tornando, assim, uma bebida mais palatável aos menores que já trabalhavam tanto.


Por que se chama Pacífico o mais violento dos oceanos?
Seu descobridor foi o português Fernão de Magalhães, que em 1519 partiu da Espanha para se aventurar no Novo Mundo. Ao cruzar o sul da Argentina e entrar no “outro” oceano, não encontrou maiores problemas durante a viagem, deu então o nome de Oceano Pacífico, sem jamais saber que aquelas águas “descobertas” são as mais perigosas e violentas do planeta. Um detalhe é que o sul da Argentina por onde ele passou hoje tem seu nome para a posteridade: Estreito de Magalhães, limite entre os Oceanos Atlântico e Pacífico.

Por que se diz que os membros da realeza têm sangue azul?
A Espanha e Portugal foram ocupadas pelos árabes do século 8 até o século 15 trazendo novos costumes e culturas. Isso irritou muito a aristocracia da região de Castela, que passou a se autodeterminar de “sangue azul”. Esta era uma forma de discriminar os seus conquistadores e ocupantes do território, de pele morena, uma vez que quanto mais branco, mais azulado o tom de pele pela evidência das veias.

Uma rápida história do Fusca, o carro mais popular da história mas que tem tudo a ver com Hitler...
A montadora chama-se Volkswagen, que em alemão seria uma tradução de “carros do povo”, curiosamente uma empresa criada por Hitler para que as classes mais baixas também tivessem carro a preço acessível. O famoso carro foi encomendado por Hitler a Ferdinand Porsche (o mesmo dos carros luxuosos Porsche) em 1935, que o desenhou e criou o primeiro motor refrigerado por ar. Assim, com a linha de produção, o Fusca ganhou a Alemanha e também o mundo. Outra curiosidade: Porsche também criou a logomarca da Volks, que é uma suástica estilizada com o “VW”, o que fascinou o Terceiro Reich.


Você sabe como diferenciar um animal carnívoro de um animal herbívoro?
De acordo com os biólogos, a maneira mais fácil de diferenciar um animal carnívoro de um herbívoro é reparando nos olhos. Os carnívoros (cães, gatos, ursos, leões etc.) possuem os olhos na parte de frente da cabeça, o que facilita localizar o alimento no momento da caçada. Já os herbívoros (algumas aves, coelhos, vacas, cavalos etc.) possuem os olhos do lado da cabeça para que possam perceber a aproximação de um possível predador.

Por que os quadros de Napoleão Bonaparte o retratam com a mão no peito?
Ninguém sabe ao certo qual doença acometia Napoleão. Ao longo da história, várias doenças foram atribuídas a ele, que é o personagem histórico mais estudado depois de Jesus Cristo. Historiadores divergem: úlcera, gastrite, cálculos, câncer etc. Em qualquer um desses casos, Napoleão seria obrigado a colocar a mão dentro do casaco para pressionar seu abdômen. Assim, os pintores que o retrataram (sempre com a mão dentro do casaco ou paletó) exaltavam seu sofrimento, dando à dor uma conotação heroica, pois apesar dela, Napoleão lutava pela França cometendo um “grande sacrifício”.


Qual a origem do costume de se bater na madeira para afastar maus fluidos?
Historicamente, a árvore a ser tocada era o carvalho, venerado por sua força, altura imponente e possíveis poderes sobrenaturais. O culto surgiu há cerca de 4 mil anos, entre várias tribos indígenas da América do Norte. Nessas culturas, ao observarem que o carvalho era atingido por raios frequentemente, entenderam que a árvore fosse a moradia dos deuses do céu e do relâmpago. Assim, os índios acreditavam que qualquer palavra ou pensamento de mau agouro poderia ser neutralizado batendo-se no carvalho, assim a pessoa estaria pedindo proteção aos deuses.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Teorias ufológicas: você conhece algumas delas?! Hoje apresentaremos as principais...

Os fenômenos de aparições e supostas abduções envolvendo objetos voadores não-identificados são globais e multifacetados, gerando um estudo ainda não reconhecido chamado “ufologia”. Segundo o polêmico escritor Erich von Däniken, no passado os Ovni’s eram presença constante, sendo considerados deuses, anjos, mensageiros, demônios, ou inimigos. O fato é que a quantidade absurda de supostas aparições ao longo de toda a história da Humanidade fez com que houvesse as chamadas “teorias ufológicas”, que dizem respeito ao assunto.


Discos voadores como dispositivos terrenos e militares...
Alguns estudiosos apontam que o que a população vê nos céus não sejam objetos extreterrenos, mas pelo contrário, dispositivos de engenharia militar que estariam sendo testados para, mais tarde, serem popularizados. Isso aconteceu durante muitos anos na Guerra Fria, quando União Soviética e Estados Unidos tentavam esconder suas tecnologias. Por exemplo, durante muitos anos os aviões invisíveis norte-americanos (foto abaixo) eram considerados Ovni’s para as pessoas do senso comum graças ao estranho formato e pelo motivo de não aparecerem nos radares. De acordo com muitos céticos, este é o motivo de muitas aparições de Ovni’s ocorram próximas a bases militares.


Teoria da Aurélia e da lua azul...
Aurélia e lua azul são exemplos hipotéticos de um planeta e uma lua em que a vida extraterrestre poderia evoluir. Eles são o resultado de uma colaboração entre a empresa de televisão Blue Wave Productions e um grupo de cientistas americanos e britânicos que foram coletivamente contactados pela National Geographic. A equipe usou uma combinação de teoria de acreção, climatologia e exobiologia para imaginar as localizações mais prováveis para a vida extraterrestre e o mais provável caminho evolutivo da vida, o que é incompleto e ainda controverso.

A equação de Drake...
Essa equação foi proposta por Frank Drake em 1961, formulada com o propósito de fornecer uma estimativa do número de civilizações em nossa galáxia com as quais poderíamos ter chances de estabelecer comunicação. Drake forneceu valores baseados nas suas pesquisas, que são inúmeros. Assim, segundo ele, temos uma estimativa que resulta em, uma média, de apenas outros 2 planetas iguais à Terra, em toda nossa galáxia (e não no Universo) que teriam condições de abrigar vida na Terra.

As críticas feitas à equação baseiam-se, sobretudo no fato de que vários fatores são baseados em conjeturas, sendo o seu valor nulo. Outra crítica pertinente é a de que Drake não prevê que as civilizações possam sair da sua galáxia mãe para colonizar outras galáxias. Assim sendo entrariam também em conta as equações da dinâmica populacional – ou imigração entre planetas, o que já se fala na Terra colonizar Marte, por exemplo.


O paradoxo de Fermi...
O paradoxo de Fermi é a aparente contradição entre as altas estimativas de probabilidade de existência de civilizações extraterrestres e a falta de evidências para, ou contato com, tais civilizações. A idade do universo e seu vasto número de estrelas sugerem que, se a Terra é um planeta típico, então a vida extraterrestre deveria ser comum. Discutindo essa ideia com colegas durante um almoço em 1950, o físico Enrico Fermi questionou por que, se um grande número de civilizações extraterrestres avançadas existem na Via-Láctea, evidências como espaçonaves ou sondas não são vistas.

Houve tentativas de resolver o paradoxo de Fermi tentando-se localizar evidências de civilizações extraterrestres, bem como propostas de que tal vida poderia existir sem o conhecimento humano. Argumentos contrários sugerem que a vida extraterrestre inteligente não existe, ou ocorre tão raramente que os humanos dificilmente farão contato com ela. A partir desse paradoxo, muito esforço foi feito no desenvolvimento de teorias científicas e modelos possíveis sobre a vida extraterrestre, e o paradoxo de Fermi se tornou um ponto de referência teórica em muitos desses trabalhos.


O primeiro aspecto do paradoxo, o argumento de escala, é uma função dos números envolvidos: há aproximadamente 200 bilhões a 400 bilhões de estrelas na Via-Láctea e 70 sextilhões no universo visível. Mesmo que a vida inteligente ocorra em uma minúscula porcentagem de planetas, ainda haveria um grande número de civilizações existentes na Via Láctea. Este argumento também assume o princípio da mediocridade, que afirma que a Terra não é especial, mas simplesmente um planeta típico, submetido às mesmas leis, efeitos e resultados prováveis que qualquer outro planeta.

A segunda pedra angular do paradoxo é uma resposta ao argumento de escala: dada a capacidade da vida inteligente de superar a escassez e sua tendência a colonizar novos habitats, parece provável que pelo menos algumas civilizações seriam tecnologicamente avançadas, procurariam por mais recursos no espaço e então colonizariam primeiro seu próprio sistema estelar e, posteriormente, os sistemas em seu entorno. Como não há provas conclusivas ou certificáveis da existência de outras formas de vida inteligente mesmo após 13,7 bilhões de anos de história do universo, várias hipóteses foram feitas na tentativa de explicar a questão.

O paradoxo de Fermi pode ser perguntado de dois jeitos. O primeiro é: “Por que não há presença de alienígenas nem de seus artefatos aqui?”, se viagem interestelar for possível então, mesmo com a tecnologia presente na Terra, seria preciso de 5 a 50 milhões de anos para colonizar a galáxia. Esta é uma quantidade de tempo relativamente pequena em uma escala geológica, ainda mais em uma escala cosmológica. Já que há muitas estrelas mais velhas do que o Sol, ou já que vida inteligente poderia ter se desenvolvido mais cedo em outro lugar, alguém poderia se perguntar por que a galáxia ainda não foi colonizada. Mesmo que a colonização seja impraticável ou indesejável para todas as civilizações alienígenas, exploração em larga escala da galáxia ainda é possível; os meios de exploração e sondas teóricas são discutidos extensivamente abaixo. Entretanto, nenhum sinal de colonização ou exploração foi confirmado.

O argumento acima pode não ser verdadeiro para o universo como um todo já que o tempo de viagem pode explicar a falta de presença física na Terra de vida extraterrestre de galáxias distantes. Entretanto, a questão então se torna: “Por que nós não vemos nenhum sinal de vida extraterrestre inteligente?”. Já que uma civilização suficientemente avançada poderia ser potencialmente observada por uma significante fração do universo observável. Mesmo que tais civilizações sejam raras, o argumento da escala indica que elas deveriam existir em algum lugar em algum momento da história do universo, e já que elas seriam observadas de uma grande distância por um período considerável de tempo, vários lugares potenciais para sua origem estariam no nosso alcance de observação. Entretanto, nenhum sinal incontestável da existência de tais civilizações foi detectado.


Um jeito óbvio de resolver o paradoxo de Fermi seria encontrar evidência conclusiva de inteligência extraterrestre. Vários esforços para encontrar tais evidências foram feitos desde 1960 Como seres humanos ainda não possuem capacidade de viagem interestelar, tais buscas estão sendo realizadas remotamente a grandes distâncias e dependem da análise de evidências muito sutis. É improvável que civilizações não tecnológicas sejam detectadas da Terra em um futuro próximo. Uma das dificuldades na busca é evitar um ponto de vista exageradamente antropocêntrico. Hipóteses sobre o tipo de evidência provável a ser encontrado geralmente se focam nos tipos de atividades que a humanidade já realizou, ou que provavelmente realizaria com acesso a uma tecnologia mais avançada. Extraterrestres inteligentes podem evitar estas atividades “esperadas” ou realizar atividades totalmente desconhecidas dos humanos.

Evidência direta para a existência de vida pode ser eventualmente observável, tal como a detecção de gases de assinatura biótica (como metano e oxigênio) – ou mesmo a poluição do ar industrial e uma civilização tecnologicamente avançada – na atmosfera de um exoplaneta através de análise espectroscópica. Entretanto, exoplanetas são raramente observados diretamente (a primeira ocorrência foi em 2004); ao contrário, a existência deles é geralmente inferida pelos efeitos que eles causam nas estrelas em que orbitam. Isso significa que geralmente apenas a massa e a órbita de um exoplaneta pode ser deduzida.

Como observado, dado o tamanho e idade do universo, e a relativa rapidez com a qual vida inteligente pode se dispersar, evidências de colonização alienígena podem ser possivelmente descobertas. Evidências de exploração sem a presença de vida extraterrestre, como sondas e dispositivos de coleta de dados, também podem esperar descoberta.


Em 1959, Freeman Dyson observou que civilizações humanas em desenvolvimento constantemente aumentam seu consumo de energia e, teoricamente, uma civilização de idade suficiente iria precisar de toda a energia produzida pela sua estrela. Entretanto, tais construções podem ser mais difíceis de detectar do que se pensava originalmente.

Certos teóricos acreditam que a aparente ausência de evidência prova a ausência de extraterrestres e tentam explicar o porquê. Outros oferecem possíveis cenários em que o “silêncio” pode ser explicado sem descartar a possibilidade de vida extraterrestre, incluindo suposições sobre o comportamento e tecnologia alienígenas. Cada uma dessas explicações hipotéticas é essencialmente um argumento para a diminuição do valor de um ou mais termos da equação de Drake. Uma possível é a de que a humanidade é a única (ou perto disso) da galáxia. Muitas teorias deste tipo foram propostas, explicando porque a vida inteligente pode ser rara ou de vida curta. As implicações dessas hipóteses são examinadas como o “Grande Filtro”.

Aqueles que acreditam que a vida extraterrestre inteligente não existe argumentam que as condições necessárias para a vida – ou pelo menos vida complexa – evoluir são raras, ou mesmo presentes apenas na Terra. Esta é conhecida como a hipótese da Terra Rara, que tenta resolver o paradoxo de Fermi rejeitando o princípio da mediocridade, e afirmando que a Terra não é típica, mas incomum ou até mesmo única. Geoffrey Miller sugeriu que a inteligência humana é o resultado de uma seleção sexual bem sucedida, que toma rumos imprevisíveis. Outra teoria deste tipo é a de que mesmo que as condições necessárias para a vida sejam comuns no universo, o fenômeno de formação da vida, um complexo conjunto de moléculas capazes de se reproduzir, de extrair componentes básicos do ambiente, e de obter energia em uma forma que possa ser utilizada para manter a reação, pode ser muito raro.

Também é possível que inteligência seja comum, mas não civilizações industriais. Por exemplo, a ascensão do industrialismo na Terra foi propiciada pela presença de fontes de energia convenientes, tais como os combustíveis fósseis. Se tais fontes de energia fossem raras ou não existentes em outros lugares, então seria ainda mais difícil para uma espécie inteligente avançar tecnologicamente até o ponto em que nós possamos nos comunicar com eles. Ou, em um planeta aquático, onde as criaturas inteligentes sejam parecidas com golfinhos, seria extremamente difícil acender fogo e forjar metais. Outra possibilidade é a de que a Terra é o primeiro planeta na Via Láctea aonde uma civilização industrial surgiu. Entretanto, críticos notam que muitos planetas parecidos com a Terra foram criados bilhões de anos antes, então esta explicação requer rejeição ao princípio da mediocridade.


Eles existem, mas nós não vemos as evidências. Teorias deste tipo dizem que civilizações tecnológicas extraterrestres existem, mas os humanos não conseguem se comunicar com elas devido à restrições: problemas de escala ou de tecnologia; porque elas não querem se comunicar ou porque sua natureza é muito diferente da nossa para permitir qualquer comunicação significativa ou, talvez, mesmo para ser reconhecida como tecnologia. Pode ser que civilizações alienígenas capazes tecnologicamente existem, mas estão muito distantes uma da outra para qualquer comunicação significativa. Se duas civilizações estão separadas por vários anos-luz de distância, é possível que uma das, ou ambas as, culturas se tornem extintas antes que qualquer diálogo significativo seja estabelecido.

Um argumento relacionado afirma que outras civilizações existem, e estão transmitindo e explorando, mas seus sinais e sondas simplesmente ainda não chegaram. Críticos, entretanto, afirmam que isto é improvável, já que necessitaria que o avanço da humanidade ocorresse em um ponto muito especial no tempo, enquanto a Via Láctea está em um estado de transição.


A capacidade da humanidade de detectar e compreender vida extraterrestre inteligente existiu por apenas um curto período de tempo, de 1937 em diante, se a invenção do radiotelescópio for considerada como a linha divisória. Todo o período da existência humana até hoje (em torno de 200 mil anos) é um período de tempo muito curto em uma escala cosmológica, enquanto que as transmissões de rádio só começaram a se propagar a partir de 1895. Assim,é possível que os seres humanos não procurado por tempo suficiente para encontrar outras civilizações nem tenham estado em existência por tempo suficiente para serem encontrados. Uma variação desse argumento diz que os homens não procuraram o suficiente, independentemente do tempo de vida da espécie.

Sobre a escala de Kardashev...
A Escala de Kardashev é um método proposto pelo astrofísico russo Nikolai Kardashev para medir o grau de desenvolvimento tecnológico de uma civilização. Foi apresentado originalmente em 1964 e utiliza-se de três etapas ou tipos, classificando as civilizações baseado na quantidade de energia coletada, utilizada e processada e seu aumento em escala logarítmica.

As três etapas de Kardashev são:
Tipo I – Uma civilização capaz de aproveitar toda a energia potencial de um planeta, aproximadamente 1016 W. Kardashev definiu o Tipo I como “um nível tecnológico próximo ao nível alcançado atualmente na Terra”, (“atualmente” significando 1964)
Tipo II – Uma civilização capaz de aproveitar toda a energia potencial de uma estrela, aproximadamente 3.86×1026 W;
Tipo III – Uma civilização capaz de aproveitar toda a energia potencial de uma galáxia, aproximadamente 1036 W. Esta classificação é muito efêmera, já que as galáxias variam enormemente em tamanho, formato e calor emitido;
Tipo IV – Zoltan Galantai, em uma revisão do trabalho de Kardashev, propôs uma extrapolação da escala para um Tipo IV, uma civilização que aproveitasse até 1046W, ou seja, a energia potencial do universo visível;

Todas essas civilizações são puramente hipotéticas até o presente momento. Entretanto, a Escala de Kardashev é utilizada pelos pesquisadores do SETI, autores de ficção científica e futurologistas como uma orientação teórica.


Princípio da mediocridade...
O princípio da mediocridade é a noção da filosofia da ciência de que não há nada de especial com o ser humano ou com a Terra. É uma extensão do princípio de Copérnico, que diz que a Terra não é um planeta especial, numa posição privilegiada ou central do Universo. Num contexto mais amplo, o princípio da mediocridade diz que sempre que se observa um fenômeno, tal fenômeno é uma dentre muitas ocorrências; se alguém testemunha um evento extraordinário, deve-se assumir que tal evento ocorreu ou ocorrerá mais de uma vez, caso haja circunstâncias propícias.

A teoria da panspermia...
A hipótese da panspermia cósmica é uma das hipóteses acerca de como surgiram as primeiras formas de vida no planeta Terra. Essa ideia surgiu pela primeira vez no século 5 a.C., na Grécia, remontando a autoria a Anaxágoras, e foi colocada novamente em evidência no século 19 por Hermann von Helmholtz. A hipótese se baseia na ideia de que a vida foi trazida à Terra do espaço em meteoritos que abrigavam formas de vida primárias

O apoio à ideia reside no fato de que, cientificamente, já foi encontrada matéria de natureza orgânica em meteoroides e meteoritos; e de que há organismos microscópicos conhecidos suficientemente resistentes para, em teoria, suportar uma viagem espacial até aqui, mesmo considerado que as condições que esses teriam de enfrentar sejam as mais extremas já cogitadas.

Panspermia implica a hipótese de que a vida existe em todo o universo, distribuídos por meteoroides, asteroides e planetoides. Em suma ela propõe que seres vivos que podem sobreviver aos efeitos do espaço, ao estilo dos extremófilos ou tardígrados, ficam presos nos escombros que são ejetados ao espaço ou por colisões entre pequenos corpos do sistema estelar e planetas que abrigam vida, ou mesmo por catástrofes maiores de natureza similar.

Em condições ideais, geralmente em superfícies de planetas novos, as bactérias tornar-se-iam então ativas, dando início ao processo de evolução biológica naquele local. Embora a existência de vida extraterrestre possa cientificamente ser cogitada, creditar de antemão a origem da vida a fenômenos que ocorreram fora do sistema solar transcende a realidade factual atual. Embora as pesquisas em busca de vida extraterrestre continuem, e materiais orgânicos básicos já tenham de fato sido encontrados fora da Terra, até o presente momento a vida como a concebemos não foi detectada sequer nos demais corpos celestes do nosso próprio sistema solar, tampouco em pontos externos a esse: os resultados científicos até hoje alcançados transferem à Terra os mecanismos responsáveis pela origem e evolução da vida conforme definida e conhecida, esses em nada corroborando o contrário.


Hipótese da Terra rara...
A chamada “hipótese da Terra rara”, ou “hipótese da Terra singular”, estipula que a emergência de vida complexa multicelular na Terra requereu uma combinação improvável de eventos e circunstâncias astrofísicas e geológicas. A hipótese da Terra rara demonstra que o surgimento de vida complexa necessita de uma grande quantidade de eventos casuais. O número de tais eventos serão explicados seguindo os seguintes tópicos: zona habitável da galáxia, uma estrela central e sistemas planetários com as características indispensáveis, zona habitável na órbita estelar, o tamanho do planeta, o benefício de um satélite grande, condições necessárias para assegurar que o planeta tenha um campo magnético e placas tectônicas, a química da litosfera, atmosfera, e oceanos, o papel da “bomba evolucionária”, tais como a glaciação em grande escala e impactos raros de meteoros, e tudo o que levou a misteriosa explosão Cambriana dos animais. O surgimento de vida inteligente ainda pode precisar de outros eventos raros.

Em uma área desprovida de metais ou uma área próxima ao centro com alta radiação, um planeta não seria capaz de sustentar vida. A teoria da Terra rara sugere que muito do universo conhecido, incluindo partes da nossa galáxia, não pode sustentar vida complexa. São chamadas de “zonas mortas”. Enquanto um sistema planetário pode desfrutar de um lugar favorável para a vida complexa, deve também manter essa posição por um período suficientemente longo de tempo para que a vida complexa possa evoluir. Estima-se que, se muito, 5% das estrelas na Via-Láctea estão em zonas habitáveis.

No entanto, vários astrônomos são contra a teoria da Terra rara, e criaram a chamada “teoria da mediocridade”: ou seja, a Terra seria somente mais um planeta entre trilhões e trilhões em inúmeras galáxias do nosso Universo. Assim, não seria possível dizer se somos raros, já que existem planetas com características parecidíssimas com as nossas.


Hipótese do zoológico galáctico...
O impacto catastrófico de uma civilização evoluída tecnologicamente sobre uma civilização menos evoluída é um dos argumentos científicos que sustentam a hipótese do zoológico. Essa teoria é uma das diversas conjecturas que surgiram em resposta ao paradoxo de Fermi, relacionado à aparente falta de evidências que possam confirmar a existência de civilizações extraterrestres avançadas.

De acordo com esta hipótese, os extraterrestres, tecnologicamente avançados o suficiente para se comunicar com os terráqueos, já teriam encontrado a Terra, todavia, apenas observam a Terra e a humanidade remotamente, sem tentar interagir, como os pesquisadores observam animais primitivos à distância, evitando o contato direto para não perturbá-los. A hipótese ainda sugere que poderiam estar ocorrendo outros estudos, de forma velada, por meio de instrumentos científicos de natureza alienígena, localizados em diversos locais do planeta Terra e em outras partes do Sistema Solar.

sábado, 9 de novembro de 2013

Renovação Carismática Católica: apontamentos sobre o grande movimento de reavivamento do catolicismo...

Na postagem de hoje vamos falar um pouco sobre a RCC, conhecida como Renovação Carismática Católica, que é um movimento de ação dentro do catolicismo para reavivamento espiritual e recuperação de fiéis frente à crescente onda de conversão ao protestantismo neopentecostal, principalmente nos países subdesenvolvidos. Para muitas pessoas que não conhecem as suas bases, a Renovação Carismática seria uma espécie de seita dentro do catolicismo, o que não é verdade, tratando-se somente de uma nova maneira de agir perante os dogmas da Igreja e das práticas dos fiéis e arrebanhamento. Alguns historiadores denominam a RCC de “Contrarreforma do século 20”, comparando-a ao movimento que a Igreja fizera no século 16 para frear o crescimento do luteranismo e do calvinismo em todo mundo, expandindo a fé católica nas colônias americanas, africanas e asiáticas.


1. O movimento surgiu nos Estados Unidos, em meados da década de 1960, pela influência dos movimentos pentecostais protestantes, mas mantendo os dogmas do catolicismo;

2. A prática da RCC baseia-se na experiência pessoal com Deus a partir dos dons do Espírito Santo, procurando oferecer uma abordagem inovadora às formas mais tradicionais do catolicismo, renovando os cultos nas Igrejas;

3. De acordo com os estudos dos teólogos, atualmente existem cerca de 150 milhões de católicos carismáticos em todo o mundo, estando presentes em todos os continentes, fazendo uma abordagem católica muito semelhante às igrejas pentecostais e neopentecostais, às vezes tornando o culto e a mística espiritual mais que um show;

4. A Renovação Carismática Católica, inicialmente, era conhecida como Movimento Católico Pentecostal. Teve sua gênese maior em 1967, quando Steve Clark (foto abaixo), durante sua participação no Congresso Nacional de Cursilhos de Cristandade, mencionou o livro “A cruz e o punhal”, do pastor pentecostal John Sherril, que falava a respeito do trabalho do pastor David Wilkerson com grupos de viciados em Nova York;

5. Antes desse episódio, em 1965, estudantes católicos da Universidade de Duquesne, na Pensilvânia, começaram a reunir-se para a prática de oração e conversas a respeito da fé, e neste grupo estava Steve Clark. Eram católicos que se dedicavam a atividades apostólicas, mas ainda insatisfeitos com sua experiência religiosa. Em razão disso, começaram a rezar para que o Espírito Santo se manifestasse neles. Na vontade de vivenciar uma experiência mais profunda com o Espírito, foram ao encontro de William Lewis, sacerdote da Igreja Episcopal Anglicana, que os encaminhou a Betty de Shomaker, uma senhora que realizava em sua casa reuniões de oração pentecostal;


6. Em 13 de janeiro de 1967, Ralph Keiner e sua esposa Pat, Patrick Bourgeois e Willian Storey foram à casa de Flo Dodge, paroquiana episcopal de William Lewis, para assistirem à reunião. Em 20 de janeiro, assistem a mais uma reunião e suplicam que se ore para que eles recebam o que se chama “batismo no Espírito Santo”. Ralph recebeu assim o chamado “dom de línguas” (fenômeno conhecido no meio acadêmico como xenoglossolalia). Na semana seguinte, em fevereiro de 1967, Ralph impõe as mãos para que os quatro recebam esse mesmo batismo;

7. Em janeiro de 1967, Bert Ghezzi comunica a universitários de Notre Dame, South Bend, Indiana o que teria ocorrido em Pittsburgh. Em fevereiro, antes do retiro de Duquesne, Ralph Keifer vai a Notre Dame e conta suas experiências. Em 04 de março, um grupo de estudantes se reúne na casa de Kevin e Doroth Ranaghan. Um professor de Pittsburgh partilha a experiência de Duquesne e, em 05 de março de 1967, o grupo pede a imposição de mãos para receber o Espírito Santo;

8. Após a Semana Santa, foi realizado um retiro em Notre Dame para discernir o que seria a vontade de Deus nessas manifestações. Participaram professores, alunos e sacerdotes. Cerca de 40 pessoas de Notre Dame e 40 da Universidade de Michigan, entre os quais Steve Clark e Ralph Martin, que, em 1976, iriam à Universidade de Michigan, em Ann Arbor;

9. Uma expressiva pioneira da RCC é Patti Mansfield, autora do livro intitulado “Como um novo pentecostes”, onde narra a experiência do retiro conhecido como “final de semana de Dusquene”, de 1967. Patti Mansfield desde então é pregadora e viaja por todo o mundo, tendo visitado o Brasil por inúmeras vezes;

10. No Brasil, a Renovação Carismática teve sua gênese na cidade de Campinas (SP), na década de 1970, através dos padres norte-americanos Harold Joseph Rahm e Eduardo Dougherty (foto abaixo), expandindo-se rapidamente para o restante do país por ser uma “maneira diferente” de ser católico, justamente como os americanos na década de 1960 com os movimentos pentecostais protestantes;


11. Em 1970 e 71 iniciou-se a Renovação em Telêmaco Borba, no Paraná, com Pe. Daniel Kiakarski, que a conhecera nos Estados Unidos também em 1969. Em 1972 e 1973 Pe. Eduardo, de novo no Brasil, promoveu vários retiros e iniciou grupos de oração;

12. Em janeiro de 1973, o Pe. George Kosicki, que há muito tempo participava ativamente da Renovação nos Estados Unidos, veio a Goiânia para um retiro carismático de uma semana. A ele compareceram D. Matias Schmidt, atual bispo de Rui Barbosa, na Bahia, e vários padres e religiosas, que iriam iniciar grupos de oração em Anápolis, Brasília, Santarém e Jataí. Em 1973, perto de Miranda, no Mato Grosso do Sul, um pequeno grupo começou a ler o livro “Sereis batizados no Espírito” e a rezar pedindo o dom do Espírito. Um mês mais tarde veio a eles o Pe. Clemente Krug, redentorista, que conhecera a Renovação em Convent Station, nos Estados Unidos; orando com eles, receberam o denominado batismo no Espírito e o suposto dom de línguas;

13. Em geral, pode-se dizer que os grupos de oração surgidos em inúmeras cidades do Brasil tiveram sua origem seja nas “Experiências de Oração no Espírito Santo” do Pe. Haroldo Rahm, seja nos retiros promovidos pelos padres Eduardo Dougherty e George Kosicki;

14. Em vista da extensão que tomava a RCC no Brasil, Pe. Eduardo Dougherty, sentindo a necessidade de uma melhor organização, preparou com o Pe. Haroldo Rahm e Irmã Juliette Schuckenbrock um encontro de final de semana em Campinas, que foi o I Congresso Nacional da Renovação Carismática no Brasil, em meados de 1973, ao qual compareceram cerca de 50 líderes. Em janeiro de 1974 foi realizado o II Congresso Nacional da Renovação Carismática, comparecendo líderes de Mato Grosso, Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, entre outros;

15. No início, a RCC atingiu líderes já engajados de movimentos como Cursilho, Encontros de Juventude, TLC e outros, e foi se alastrando gradativamente como uma nova “onda” de prática religiosa com identidade própria;


16. Em 1972, Pe. Haroldo escreve o livro “Sereis batizados no Espírito”, no qual explica o que vem a ser o “pentecostalismo católico”. Sendo uma das primeiras obras publicadas no país sobre o movimento, trazia orientações para a realização dos retiros de “Experiência de Oração no Espírito Santo”, que muito contribuíram para o surgimento de vários grupos de oração;

17. Em 1978, o movimento da Renovação Carismática Católica ganhou mais um grupo que hoje é um dos mais importantes e poderosos no meio, a Comunidade Canção Nova, fundada no interior de São Paulo, e que hoje detém meios de comunicação, editoras de livros, estúdios de música etc.;

18. Em 1994, Reginaldo Prandi realiza um levantamento da RCC no Brasil, seguindo pesquisas que já aconteciam nos Estados Unidos e em outros países. O resultado apresentado foi de 4 milhões de católicos carismáticos, sendo 70% mulheres, e desse total a forma mais expressiva é de donas de casa, com 24% de representação;

19. Essa pesquisa mostrou números interessantes. Tratava-se de um número elevado – praticamente equivalente ao total de evangélicos que seguem as denominações protestantes históricas; menos de um terço dos evangélicos pentecostais; o dobro dos católicos das comunidades eclesiais de base (CEB’s); número similar ao de espíritas kardecistas; e quase três vezes o total dos adeptos das religiões afro-brasileiras;

20. Atualmente, a RCC no Brasil está presente em todos os Estados, contando com 285 coordenações regionais cadastradas em um escritório nacional de organização do movimento, contando, atualmente, com mais de 14 milhões de adeptos em mais de 20 mil grupos de oração, principalmente localizados em São Paulo e em Minas Gerais;


21. Em termos de doutrina, a RCC afirma seguir a Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica e todas as demais diretrizes da Igreja, entre ela os dogmas já fixados no catolicismo romano como, por exemplo, a crença na intercessão dos santos e a veneração a Maria, a mãe de Jesus;

22. Os membros da RCC acreditam na ocorrência do que chamam de batismo no Espírito Santo, um fenômeno sobrenatural de manifestação do Espírito Santo na vida daquele que crê. Normalmente é considerado um momento de conversão, de recomeço de vida de quem o experimenta. O batismo no Espírito Santo não é o batismo sacramental da Igreja, sendo este único e indelével, esta experiência, também conhecida como efusão do Espírito Santo é a manifestação ou profusão do Espírito Santo já recebido no batismo sacramental;

23. A Renovação Carismática Católica recebe em todo mundo uma série de acusações e críticas, sendo a principal delas aquela que fala que o movimento seja uma cópia deformada dos movimentos neopentecostais norte-americanos, o que vimos no início desta postagem, o que não deixa de ser verdade, pois os primeiros carismáticos foram iniciados no movimento, nos Estados Unidos, por membros pentecostais;

24. No Brasil, a RCC sofre a crítica de ser um braço forte da burguesia e dos valores do status-quo, ensinando aos membros uma série de valores considerados antigos. A Canção Nova é um exemplo disso, que prega o nojo ao aborto (mesmo de casos clínicos e de estupros), às experiências com células-tronco etc. Outro ponto é que, no Brasil, a RCC seria reconhecida como “o catolicismo de Direita”, fazendo ativismo em campanhas políticas, como em 2010 contra a então candidata Dilma Rousseff, inclusive distribuindo “santinhos” e grupos de oração realizando comícios eleitorais;

25. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em seu documento de número 53, oferece recomendações disciplinando certas práticas místicas no contexto da RCC. Por exemplo, que se evite a prática do repouso no Espírito (na qual as pessoas parecem desmaiar durante os momentos de oração, mas permanecem conscientes do que ocorre em sua volta);


26. Outras preocupações da CNBB em relação ao movimento carismático católico são: preocupações exageradas com o demônio, orar e falar em línguas, evitar o que chamam de lavagem cerebral durante grupos d oração e retiros espirituais, não levar à superstição e à idolatria a pessoas líderes de comunidades;

27. Curiosamente, em seu início o pastor neopentecostal David Wilkerson foi um dos maiores palestrantes em congressos carismáticos católicos nos Estados Unidos. Enquanto isso, o padre Thomas Forrest, um dos líderes carismáticos americanos, foi batizado no Espírito Santo em um retiro evangélico nos anos 60;

28. Parte considerável das músicas cantadas nos grupos de oração e encontros carismáticos católicos têm compositores protestantes neopentecostais, bem como grande parte do conteúdo do livro “Louvemos ao Senhor”. Alguns exemplos são: “Buscai primeiro o reino de Deus”, “Glorificarei Teu nome, oh Deus”, “Pelo Senhor marchamos sim”, “A alegria está no coração”, “Posso pisar uma tropa”, “Espírito vem controlar todo o meu ser”, “Espírito, enche a minha vida, enche-me com teu poder”, “Deus enviou seu filho amado”, “Se as águas do mar da vida” e “Eu sou feliz porque meu Cristo quer”;

29. Algumas vertentes evangélicas pentecostais alegam que a RCC emula alguns de seus ritos e músicas, apesar de a RCC também ter músicas próprias. Para muitos carismáticos e pentecostais isso é positivo, pois é oportunidade de uma prática do ecumenismo pela partilha da música cristã;

30. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos na década de 1960, para muitos historiadores e teólogos, o Movimento Carismático, ou Carismatismo, teve início nos chamados Movimentos de Avivamento Religioso do século 19, estes fortemente influenciados pelos Movimentos Pietistas Radicais, do século 18, que tiveram enorme força na Alemanha luterana;


31. O movimento carismaticista alemão do século 19 deu origem a um dos elementos mais controversos da teologia pentecostal, a chamada “Teologia da Prosperidade”, que fala das recompensas terrenas para ações que visam o mundo espiritual;

32. É interessante pontuar que a popularização do termo “carismático”, tanto para católicos da RCC, como para protestantes neopentecostais, foi realizada pelo ministro luterano alemão Harald Bredesen. De acordo com teólogos e historiadores, tanto o movimento protestante como o movimento católico, por serem parecidos e beberem das mesmas doutrinas, podem ser chamados de “carismáticos”;

33. O termo “carismático” tem origem no grego “xárisma”, o mesmo que “dom”, “graça” ou “bênção”. Ou seja, tanto na linha católica como na vertente protestante há a busca dos chamados “dons do espírito”, que aparecem no livro de Atos dos Apóstolos, na Bíblia;

34. O Movimento Carismático está relacionado com o pentecostalismo, na medida em que partilha o compromisso com o uso dos dons espirituais. No entanto, dentro do Movimento Carismático este compromisso é embutido dentro de toda a variedade de denominações históricas, e assim em cada contexto, a teologia, a cultura e a aceitação pode variar enormemente;

35. A partir da década de 1950 muitos cristãos carismáticos passaram a formar igrejas e denominações distintas, para a qual o termo apropriado é neocarismático ou neopentecostal. São igrejas que exploram muito mais a vivência com o Espírito Santo e enfatizam com tenacidade a Teologia da Prosperidade, e, por isso, sofrem críticas de estarem retirando dinheiro de fiéis pobres para enriquecimento de líderes espirituais;


36. Em 2006, o Movimento Carismático tinha 192 milhões de adeptos, os neocarismaticos eram 318 milhões em todo mundo e os pentecostais clássicos 78 milhões. Isto significa que carismáticos são o segundo maior ramo do Cristianismo após a Igreja católica (embora os católicos carismáticos não se vejam como uma parte separada da entidade eclesial católica);

37. Pentecostais, o Movimento Carismático e os Neocarismáticos dividem uma grande história. Entre elas estão uma crença comum na forma como Deus trabalha em avivamento, e o poder e a presença de Deus demonstrada na vida diária do cristão;

38. Muitas igrejas influenciadas pelo Movimento Carismático deliberadamente se distanciaram do pentecostalismo, no entanto, por razões culturais e teológicas. O primeiro lugar entre as razões teológicas é a tendência de muitos pentecostais de insistir em que o falar em línguas é a evidência física inicial após o batismo no Espírito Santo. Os pentecostais também se distinguem do Movimento Carismático com base no estilo. Além disso, muitos no movimento carismático empregam estilos contemporâneos de culto e de métodos de evangelismo que diferem das práticas pentecostais tradicionais;

39. Nas últimas décadas, a Igreja Luterana nos Estados Unidos tem se dedicado ao movimento carismático deles a fim de arrebanhar fiéis, uma vez que a congregação sempre foi conhecida pelo seu tradicionalismo, o que afastava de lá os jovens;

40. O Movimento Carismático na Igreja Ortodoxa Oriental nunca exerceu a influência que é vista em outras igrejas centrais. Entretanto, no Leste Europeu a sua força tem sido monstruosa para o arrebanhamento de fiéis da juventude, principalmente em países como a Estônia, Letônia, Lituânia, Bulgária e Ucrânia.