sábado, 28 de setembro de 2013

Greys: sobre os seres “mais conhecidos” da ufologia...

Segundo os estudos e levantamentos feitos pela ufologia ao longo das últimas décadas, os greys (ou grays) são seres extraterrestres que possuem como características principais: baixa estatura – até 1m30 –, cor de pele variando entre acinzentada e amendoada, pele muito lisa e sem pelos, olhos muito grandes e negros, aspecto medonho, boca fina e sem lábios, narinas mínimas, corpo desproporcionalmente pequeno e raquítico com relação ao tamanho da cabeça, braços bastante compridos e mãos como garras, com somente três ou quatro dedos, entretando possuem muita força física. De acordo com alguns ufólogos, os greys seriam uma espécie de seres interplanetários vindos do sistema Zeta Reticuli.


Os greys são comumente descritos por pessoas ao redor do mundo em casos de abdução. Geralmente são descritos como seres frios fisicamente e afetivamente, que fazem testes nestas pessoas capturadas, de maneira comum coleta de material biológico (como sangue, muco, sêmen) ou até mesmo experiências sexuais. Em quase todos os relatos coletados pela MUFON, a rede internacional de colaboradores que investigam casos ufológicos, os greys quando não são frios, também são agressivos e perigosos. Os humanos supostamente capturados por eles dizem sentir-se “pequenos”, “indefesos”, “sem forças” etc. na presença deles.

Dos tipos existentes dentro da ufologia, os greys são comumente um dos mais narrados, observados e descritos. Muita especulação existe a respeito deste assunto. Especula-se, também, sobre um possível acordo entre o governo norte-americano e os greys para fins de fornecimento de tecnologia bélica e espacial. Oficialmente, a ciência não reconhece a existência de tais seres e nem os governos mundiais, uma vez que a ciência tende a encarar as afirmações da ufologia com absoluto ceticismo.


Entretanto, os ufólogos afirmam que isso se deve a um possível programa de acobertamento da existência extraterreste, supostamente devido ao sistema de propulsão de suas naves, que, segundo relatos, são movidas a energia magnética ou água (o que acabaria com a indústria de petróleo) e para evitar que o pânico domine as sociedades mundiais, se confirmado cientificamente a capacidade de tais seres chegarem até a Terra através de suas naves. As evidências de que esta espécie já tenha chegado à Terra, além é claro dos avistamentos, é o caso do gado mutilado (foto abaixo). Diversos fazendeiros ao redor do mundo alegam que estranhos casos de desaparecimento de gado ou corpos encontrados mutilados com cortes cirúrgicos precisos criam um enigma sem uma explicação plausível. Ufólogos afirmam que esta espécie usa o plasma sanguíneo ou o sangue junto com as mucosas desses animais para poderem se alimentar através de uma digestão intracelular. Por isso abandonam a carcaça do animal ainda “inteira”. Como seu sistema digestivo ficou atrofiado devido à clonagem e manipulação genética excessiva (única forma atual de se reproduzirem), eles não usam a boca para comer e sim passam essa mistura em sua pele e após a digestão celular os resíduos finais da digestão celular são eliminados também através da pele. As viagens entre estrelas duram um certo tempo (calcula-se que leva 91 dias do planeta deles da constelação Reticulum até aqui), por isso é provável que quando cheguem aqui estejam precisando de alimento então acabam usando nossos animais como fonte de alimentação.


O debate sobre esta suposição alimentar é extremamente controversa. Biólogos questionam os ufólogos: como podemos afirmar que um sistema digestório funcione de determinada maneira se jamais estudamos realmente, em laboratórios, com publicações científicas, tais mecanismos orgânicos? Os ufólogos respondem que há embasamento científico para isso, inclusive com pesquisas governamentais, mas sendo secretas não podem ser reveladas para o público de um modo geral. Para os biólogos, por exemplo, seria como deduzirmos como é o sistema de digestão alimentar do camarão sem jamais termos estudado em laboratório como eles se alimentam e eliminam os excrementos. Por isso esse assunto ufológico cai na graça e na descrença alheia.

Quando se fala sobre vida inteligente fora da Terra existe uma grande divergência de opiniões porque: há quem entenda que é impossível haver vida inteligente fora do planeta; outros entendem que pode existir, mas que tal vida não poderia chegar até aqui devido às grandes distâncias do universo; a última acredita que eles existem e que podem, sim, chegar até nosso planeta com suas naves. Casos ao redor do mundo sobre a aparição destes seres são geralmente refutados pela ciência, equiparando esses tipos de seres a seres mitológicos, existentes apenas no imaginário das pessoas. De acordo com a MUFON, 98% dos casos de avistamentos de aliens e discos voadores são erros de identidades que podem ser explicados porque os observadores fizeram confusão mental ou visual.

Porém, esse assunto é muito intrigante, uma vez que pessoas pelo mundo todo descrevem experiências relativas e muitas necessitaram até mesmo de ajuda psicológica para superar o trauma que descrevem no hipotético contato com os referidos seres. Muitos ufólogos e teóricos da conspiração acreditam que estes seres há milhares de anos modificaram geneticamente um ancestral comum aos humanos, que resultou na evolução destes ancestrais até chegar ao Homo sapiens. Daí se explicaria o elo perdido de nossa evolução.


Certamente nada pode ser provado, mas relatos ao redor do mundo, de pessoas de culturas muito diferentes descrevem fatos referentes à abdução semelhantes e nos fazem refletir sobre estes possíveis visitantes. O que eles querem de nós? Embora a ficção científica costume abordar temas de guerra entre nós humanos e seres extraterrestres, muitos ufólogos acreditam que eles só nos aceitariam como mais uma civilização no universo, no nosso caso, bem primitiva, e que haveria várias e várias civilizações espalhadas por aí, que se relacionam por diplomacia, rotas comerciais ou até mesmo guerra.

Enfim, há relatos de abduções ao longo de nosso planeta, inclusive de pessoas respeitadas e acima de qualquer suspeita que nos deixam em dúvida. Estariam as grandes nações encobrindo algo? De acordo com o estudioso Alex Collier, que afirma ter contactado seres extraterrestres, os greys alimentam-se da energia vital que irradia do corpo humano e não possuem qualquer tipo de sentimento. Ainda segundo Alex, a influência dos greys no nosso planeta é malígna, ele diz: “A agenda grey é criar uma raça de escravos que está atualmente em pleno andamento para fins de controle, serviços físicos e trabalho, aquisição da energia sexual como uma fonte de material alimentar, para mais experimentos híbridos e como material biológico”.

Outros estudiosos afirmam que o que eles não possuem são emoções, que são primitivas. Sentimentos como amor e compaixão fazem dos pequenos greys verdadeiros guardiões da raça humana. Por outro lado, inúmeras pessoas dentro dos círculos ufológicos estão de acordo que se trata de uma raça escravizada por outro conjunto de raças extraterrestres. Esses foram nomeados “Grupo de Órion” e “Alfa Draconianos”. O escritor e pesquisador Valdamar Valerian ficou bastante conhecido nos anos 90 por disseminar essas ideias junto a Alex Collier. Esses e tantos outros pesquisadores do tema dizem que existem várias subespécies grey. Os originais, Zeta Reticuli 2, seriam aqueles altos e brancos, enquanto que os pequeninos são aqueles modificados geneticamente para fazerem o trabalho duro, principalmente em atmosferas de oxigênio. São clones sintéticos ou qualquer coisa do gênero.


A história dos greys, e, principalmente, o que envolve as supostas abduções e relações bizarras com o planeta Terra ainda se chocam arduamente entre o cientificismo cético e o que a ufologia se propõe a estudar e a entender. Para muitos físicos e astrônomos, esses seres não passam de uma espécie de lenda urbana criada logo após os ocorridos em 1947, em Roswell.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Natal: a festa do nascimento de Jesus, ou do nascimento do Sol?! Quando Jesus realmente teria nascido?!

Existem eventos que pela sua natureza quase não são questionados. Um deles refere-se ao Natal. Habituados que estamos a comemorá-lo todos os anos em 25 de dezembro, jamais poderíamos supor que o nascimento de Jesus tivesse ocorrido em outra data.


No entanto, é justamente o nascimento de Cristo o acontecimento histórico que mais tem atraído a atenção de inúmeros astrônomos e astrofísicos, além de historiadores, em particular daqueles interessados em problemas historiográficos e preocupados com a procura de uma explicação racional para o grande mistério da Estrela de Belém. Para alguns autores, ela teria sido um sinal divino cientificamente inexplicável. Todavia, nem todos pensam de mesmo modo. Assim, para alguns notáveis astrônomos, dentre eles o alemão Johannes Kepler, o fenômeno luminoso que apareceu no céu na época do nascimento de Cristo deve ter sido um evento astronômico transitório. Talvez um cometa, um meteoro, uma conjunção de astros, a explosão de uma estrela. Considerando que alguns destes fenômenos astronômicos foram observados antes e depois do nascimento de Cristo, será conveniente antes de tentar associá-lo à Estrela de Belém, determinar a data mais provável do nascimento de Jesus.

Como ainda existem sérias dúvidas quanto ao dia e ano em que Cristo nasceu, os historiadores procuram utilizar-se de fatos históricos bem conhecidos, assim como de fenômenos astronômicos, para estabelecer uma cronologia comparada que possa conduzir à mais provável data de nascimento de Cristo, e desse modo explicar a natureza da visão observada pelos Reis Magos, como se acha relatada na Bíblia. Saber essa data é importante para a História porque ela é dividida em a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) para mensurar e dividir suas unidades de estudos. Vale ressaltar que o marco entre a Pré-história e a História não é o nascimento de Jesus – que nasceu na Antiguidade – mas sim a invenção da escrita.


Por definição, Jesus nasceu no ano 1 de nossa era, pois seu nascimento é o evento que marcou o início da Era Cristã. Na realidade, a verdade é outra totalmente diferente. Tudo começou em 525 d.C., quando Dionísio Pequeno fixou o nascimento de Jesus Cristo em 25 de dezembro de 754 ad urbe condito (“depois da fundação de Roma”). Desde então essa é a data de origem do nosso calendário. Ao corresponder o ano 1 depois de Cristo ao ano 754 depois da fundação de Roma, Dionísio cometeu um erro de cálculo da ordem de pelo menos cinco anos. Ele não havia considerado nem o ano zero (algarismo que seria introduzido na Índia só no século 9 d.C. e na Europa só no século 14) nem os quatro anos em que o Imperador Augusto reinou com o seu próprio nome de batismo, Otávio. É por isso que, atualmente, debate-se curiosamente que Jesus teria nascido entre os anos 4 e 8 antes dele mesmo, pois os calendaristas e historiadores já fazem essa correção. Assim, o ano de 2013, na realidade, poderia ser tanto 2017 como 2021.

Por outro lado, com o auxílio de acontecimentos históricos citados na Bíblia poderemos determinar com maior precisão os prováveis anos nos quais teria nascido Jesus. De início, segundo o Evangelho de São Mateus, sabe-se que Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, que faleceu em 4 a.C. (já com a correção citada acima), talvez em abril ou maio. Essa última conclusão prende-se ao fato de que a morte de Herodes ocorreu durante a Páscoa dos judeus e foi precedida por um eclipse da Lua. Ora, o único eclipse lunar visível em Jericó foi justamente o da noite de 12 para 13 de março do ano 4 a.C., como foi mencionado por Flávio Josefo, supõe-se que a morte de Herodes se deu provavelmente no mês seguinte ao do eclipse. Em síntese: tudo indica que Herodes morreu entre 13 de março e 11 de abril, pois foi esse o último dia que se iniciou a Páscoa judaica, o Pêssach.

Uma outra ocorrência que tem auxiliado os historiadores foi o Massacre dos Inocentes, quando todas as crianças de menos de dois anos foram sacrificadas por ordem de Herodes, que se baseou nas informações dos Três Reis Magos para enviar seus soldados a Belém com o fim de matar o recém-nascido Messias que tanto temia. Por este fato se conclui que Jesus, na época, deveria ter menos de dois anos. Seria conveniente lembrar, por outro lado, que essa data pode corresponder à concepção, e não ao nascimento, pois entre os orientais daquela região era tradição iniciar a contagem da idade a partir daquele instante.


Um outro ponto de referência na fixação da data do nascimento de Jesus foi a época do recenseamento ordenado pelo Imperador Augusto, levado a cabo por Quirino, governador da Síria. Se aceitarmos o termo recenseamento como “census”, isto é, como inventário de população, a data correspondente será de 7 ou 6 a.C. Todavia, se tomarmos, como o fazem alguns autores, esse termo no sentido de “cens”, ou seja, de imposto, que deve ter sido posterior em um ou dois anos ao citado inventário, é aceitável supor que o mesmo ocorreu entre 5 ou 4 a.C. Considerando todos esses elementos chegados à conclusão já dita anteriormente: de que a data de nascimento de Jesus deve situar-se entre 8 e 4 a.C.

E em que dia, afinal, nasceu Jesus Cristo?
O Natal, em 25 de dezembro, começou a ser celebrado em todo o mundo como o dia do nascimento de Jesus depois do ano 336 d.C. Antes, essa data era aceita como o solstício do inverno no Hemisfério Norte. Era o meio do inverno, dia depois do qual os dias começavam a se alongar aos poucos. A festa pagã do “dies solis invicti natalis”, ou seja, “dia do nascimento do Sol”, era celebrada no dia que coincidia com os meados da saturnália, estação durante a qual os trabalhos cessavam. Neste dia em que o Sol começava a se dirigir para o Norte, as casas eram decoradas com árvores, presentes eram trocados entre amigos e parentes, ceias e procissões eram realizadas pelos povos pagãos em homenagem ao Sol que voltava a sua posição elevada. Como os primeiros cristãos comemoravam esse feriado, a Igreja primitiva decidiu transformar tal cerimônia pagã numa festa genuinamente cristã. Assim, o dia 25 de dezembro passou a representar o dia do nascimento de Cristo, e não mais o nascimento do Sol. No Oriente, o nascimento foi inicialmente celebrado em 06 de janeiro, data que estava associada à Estrela de Belém. Essa comemoração tinha como objetivo substituir a cerimônia pagã que, em 06 de janeiro, se comemorava no templo de Kore, em Alexandria, no Egito, a virgem que deu à luz Aion, um deus pagão das Arábias.


Como se pode perceber, o Natal foi uma construção temporal para que a população deixasse de lado, aos poucos, suas práticas pagãs dando lugar ao Cristianismo. Desta forma, o Natal foi uma data meticulosamente construída aos poucos para quebrar tradições milenares de povos germânicos, orientais e grecorromanos.

Em 194 d.C., Clemente de Alexandria propôs a data de 19 de novembro do ano 3 a.C., enquanto outros pretendiam que o nascimento ocorresse em 30 de maio ou 19/20 de abril. Mais tarde, em 214 d.C., Epifânia propôs o dia 20 de maio. Nessas datas existem confusões entre a época da concepção e a do nascimento. No entanto, essas datas parecem concordar com a velha tradição de que Cristo teria sido concebido na primavera e nascido em meados do inverno (essas estações referem-se ao Hemisfério Norte).

Segundo relatos da Bíblia, o nascimento de Cristo pode ser determinado em função de São João Batista. Assim, Zacarias, o pai de João Batista, foi o sacerdote da travessia de Abia (Lucas 1,8) que teria servido no templo na sexta semana depois da Páscoa, semana anterior ao Pentecoste. Como todos os sacerdotes também serviram durante o Pentecoste, Zacarias teria deixado Jerusalém rumo à sua casa no décimo-segundo dia do mês do calendário israelita Sivan, ou seja, em 12 de junho do nosso calendário. Ora, como Isabel, sua esposa, concebeu seu filho depois do seu retorno (Lucas 1,24), conclui-se que João Batista deve ter nascido 280 dias mais tarde, ou seja, por volta do dia 27 de março. São Lucas (1,36) registrou ser Cristo seis meses mais jovem que João Batista, o que faz supor ter o nascimento de Cristo ocorrido em setembro seguinte, ou seja, no outono do ano 7 a.C. A primitiva tradição cristã registrava que Jesus nasceu um dia depois de um Shabbath judeu, isto é, num domingo. Crenças astrológicas tradicionais indicam como o dia mais provável o sábado, 22 de agosto de 7 a.C. Seria conveniente lembrar que, no calendário judeu, o dia começa ao pôr do Sol, de modo que, se considerarmos a legenda segundo a qual Cristo nasceu depois do pôr do Sol, podemos aceitar que o seu nascimento ocorreu em 23 de agosto do ano 7 a.C. – com aquela correção dita anteriormente.


Também é importante lembrarmos o contexto meteorológico do evento. Segundo a Bíblia, Jesus nasceu num estábulo bastante pobre pois não havia instalações para Maria e José, pois a cidade estava cheia para o recenseamento romano. Se Jesus tivesse nascido realmente em dezembro – inverno na Galileia – o frio teria sido insuportável para todos que ali estavam, uma vez que durante a madrugada dos meses de dezembro a temperatura despenca para até -10°C. Já se formos pelo cálculo anterior, entre abril e agosto, temos a primavera e o verão na Palestina, quando as situações climáticas são mais favoráveis para um parto nestas condições, quando, durante a madrugada, a temperatura é amena, entre 19 e 27°C. A própria questão do clima faz com que se torne mais próxima à veracidade a teoria de um nascimento no meio do ano.

Estes são os elementos históricos que permitem determinar a época do nascimento de Cristo. Embora todas as hipóteses racionais deixem uma dúvida sobre a data exata em que Jesus veio ao mundo, os versados em problemas religiosos são unânimes em afirmar que ela teria ocorrido nos meados do inverno dos anos 7 a 5 a.C. Se aceitarmos que o nascimento de Cristo ocorreu em fins de agosto, a visita dos Reis Magos deve ter ocorrido no início do mês de setembro, o que, aliás, combina melhor com a ideia de que a Estrela de Belém tenha sido a conjunção tríplice de Saturno e Júpiter ocorrida em 7 a.C. Assim, a primeira conjunção visível em maio teria sido o sinal que levou os Reis Magos a se afastarem em direção a Jerusalém, aonde devem ter chegado no início de setembro, e não em 06 de janeiro conforme a tradição fala. Por outro lado, tal conclusão torna mais fácil a aceitação de que Jesus Cristo tenha nascido numa manjedoura. De fato, como era verão no Hemisfério Norte em agosto/setembro, não era necessário um abrigo que os protegesse melhor do frio, como dito anteriormente.

Nada mais lógico do que aceitar a beleza desses três eventos, quer pelos seus aspectos religiosos/teológicos, quer pelo fato de serem festas sazonais, só comparáveis às da Semana Santa, com culminância da Páscoa. Para aqueles que não têm a graça da fé, o Natal e a Páscoa são, respectivamente, festas solsticial e equinocial, ambas de rara beleza cósmica. Abaixo temos a tabela que nos mostra a correspondência dos calendários com os eventos astronômicos.


(Texto adaptado de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, em “O livro de ouro do universo”)

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (25)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Por que sapatos de salto alto são tão presentes em cenas eróticas?
Há algumas teorias que explicam isso, de acordo com psicólogos. Freud pensava que o sapato se tornara um fetiche tão comum ao mundo masculino por ser a última coisa (aceitável) que um garoto via ao olhar para as pernas de uma mulher. O sapato de salto alto pode funcionar como substituto simbólico para o órgão sexual masculino, e também para o feminino, dentro do qual o pé fálico é inserido. Pode parecer coisa de louco, mas funciona exatamente desta maneira, segundo os terapeutas. Os sapatos de salto alto alteram o movimento dos quadris das mulheres, das nádegas, arqueiam as costas projetando os seios para frente; o salto alto inibe de certa forma os movimentos de quem o usa, o que nos remete à prática chinesa de atrofia dos pés, considerada bastante erótica por aquele povo. Além disso, os saltos altos estão associados às mulheres mais sofisticadas, modernas, contemporâneas, executivas etc. Por isso também são fantasias importantes entre os homens que se vestem de mulher.


Por que rezamos (ou oramos) de joelhos, com as mãos postas?
Na Antiguidade, no tempo das conquistas romanas e expansão do Império gigantesco, era comum que os povos derrotados corressem ao encontro do conquistador, ficassem de joelhos e estendessem as mãos para serem acorrentados. Era um gesto de súplica: melhor a escravidão do que a morte. Há quem diga que o costume se generalizou na era do início da cristandade. Cristo representava, nos templos, o divino conquistador da humanidade pagã. Os fiéis, então, imitavam o comportamento dos vencidos na hora das súplicas religiosas.


Por que, no português, pênis é conhecido como “piru”?
Primeiramente, é preciso fazer uma correção gramatical. Atualmente, escreve-se “piru”, mas originalmente o correto é “peru”. Isso aconteceu porque os portugueses viram certas semelhanças entre a cabeça do animal e o órgão sexual do homem: formato, cores, papada etc. O mais interessante é que outros europeus fizeram associações bem parecidas: em inglês é “cock” (o mesmo que “galo”) e em espanhol é “pollo” (o mesmo que “frango”).


Qual é um dos erros mais comuns em filmes de ficção científica?
Na maioria dos filmes de ficção o barulho provocado pela explosão de naves é ensurdecedor e causa impacto na plateia. Certo? Totalmente errado! Enquanto a lei da Física estiver em vigor, tenha certeza de que o som não existirá no espaço, muito menos a explosão. No espaço não há ar para conduzir ondas sonoras ou vibrações, nem oxigênio para proporcionar essas explosões.

Por que a cegonha foi escolhida como símbolo do nascimento dos bebês?
De todos os animais, a cegonha é a ave que mais se destaca na dedicação aos seus filhos. Segundo alguns biólogos, a abnegação da cegonha é tanta que esta prefere a própria morte na impossibilidade de salvar suas crias. Na Grécia Antiga, os gregos criaram uma lei chamada “a lei da cegonha” baseada na reciprocidade da atenção que os filhos das cegonhas dedicavam a seus pais idosos, cuidando deles com sua penugem e alimentando-os com o produto de suas caças. A lei grega obrigava os filhos a sustentarem seus pais na velhice, punindo severamente quem não a cumprisse. Na Idade Moderna, cartões inspirados no afeto das cegonhas representavam-nas trazendo um bebezinho envolto em panos, pendurado em seu bico, representando, assim, o nascimento dos bebês.

Por que as pilhas vazam?
As pilhas são feitas de metal e, como tudo de metal, dilatam com o calor. Como a parte interna dilata mais que a externa, esta última se rompe e libera o conteúdo que, por sinal, é extremamente tóxico! Portanto, cuidado ao manusear uma pilha que vazou.

Por que nos Estados Unidos há muitos bairros de comunidades, como Chinatown e bairros latinos?
A história dos Estados Unidos é traduzida em imigrações, como aconteceu em vários países, como o Brasil, a Argentina, a Austrália etc. Entretanto, no início do século 20, o governo de lá criou uma cota máxima de imigrantes por país, o que fez com que surgissem as primeiras imigrações ilegais – tão debatidas hoje. Dessa forma, acabou acontecendo um agrupamento natural de pessoas das mesmas nacionalidades ou grupos culturais: bairros latinos, bairros italianos, bairros negros etc. Isso fez aumentar ainda mais o preconceito da elite branca, protestante, americana de nascimento sobre essas pessoas. Podemos afirmar que nos Estados Unidos não há uma mistura de culturas como no Brasil, mas sim várias culturas vivendo num mesmo território, mas ainda separadamente – de certa maneira.

Qual a principal diferença entre chope e cerveja?
O chope não é pasteurizado, e por isso é assimilado com mais facilidade pelo organismo, tendo uma digestão mais rápida e menos pesada. Já a cerveja de garrafa é aquecida por alguns minutos e em seguida submetida a um resfriamento súbito (processo de pasteurização).

sábado, 21 de setembro de 2013

Mais considerações sobre o lobisomem, mitológico ser das trevas em todas as culturas...

É muito interessante perceber que dois seres mitológicos permanecem intactos em diversas culturas distantes: o lobisomem e a sereia; desde o remoto Japão feudal até o cerrado brasileiro, o lobisomem é motivo de espanto para os mais crédulos, medo para as crianças e objeto de estudo para os antropólogos e folcloristas. Por detrás desta fera medonha há muitas coisas a serem ditas e ainda descobertas. E esse é o objetivo do post de hoje!


1. Para quem não sabe, em algumas culturas o lobisomem é conhecido como “licantropo”, palavra de origem grega: “lýkos” – “lobo” e “ántropos” – “homem”. Ou seja, um homem-lobo, com comportamentos antissociais e/ou animalescos;

2. De acordo com os antropólogos, a lenda do lobisomem pode ser encontrada em todo planeta, mas sua origem remonta a Europa, quando dizia-se que homens se transformavam em bestas animalescas em noites de lua cheia, voltando à forma normal somente ao amanhecer, sem se recordar de nada que havia acontecido nesse ínterim;

3. De acordo com a maior parte dos etnólogos, tais lendas são muito antigas e encontram a sua raiz na mitologia grega. Em “As metamorfoses”, de Ovídio, Licaão, rei da Arcádia, serviu a carne de árcade a Zeus e este, como castigo, transformou-o em lobo. Uma das personagens mais famosas foi o pugilista arcádio Damarco Parrásio, herói olímpico que assumiu a forma de lobo nove anos após um sacrifício a Zeus Liceu, lenda atestada pelo geógrafo Pausânias;

4. O lobisomem dos gregos, o homem-fera que se transforma em lobo agressivo, é o mesmo ser conhecido como Versipélio na Roma Antiga, Volkodlák na Sérvia, Werewolfen na Alemanha, Drakopyre na Escandinávia, Óboroten na Rússia, Hamtammr entre os vikings, Licantropo em Portugal e Loupgarou na França. Ou seja, trata-se de uma mitologia que ganhou toda a Europa e, posteriormente, todo o planeta;

5. A lenda brasileira sobre o lobisomem diz que a sétima criança em uma sequência de filhos do mesmo sexo tornar-se-á um lobisomem. Outra versão diz o mesmo de um menino nascido após uma sucessão de sete mulheres. Outra, ainda, diz que o oitavo filho se tornará a fera. Outra já diz que é após a morte de um familiar que possuía a aberração e passou de pai pra filho, avô pra neto e assim por diante;


6. De acordo com os relatos fantasiosos, as pessoas conhecem o lobisomem na forma humana através de comportamentos estranhos, como mudança de comportamento, vida misteriosa e quase sempre com olhos cansados (olheiras);

7. Ainda segundo a tradição europeia, apesar de ser uma criatura bestial, os lobisomens são protetores de animais da natureza e, em geral, não gostam de caçadores. Segundo a lenda na Europa, vários caçadores foram mortos de maneira violenta por lobisomens em incursões pelas florestas;

8. Em algumas regiões, o lobisomem se transforma à meia noite de sexta-feira, em uma encruzilhada. Como o nome diz, é metade lobo, metade homem. Depois de transformado, sai à noite procurando sangue, matando ferozmente tudo que se move. Antes do amanhecer, ele procura a mesma encruzilhada para voltar a ser homem. Em algumas localidades diz-se que eles têm preferência por bebês não batizados. O que faz com que as famílias batizem suas crianças o mais rápido possível. Já em outras se diz que ele se transforma se espojando onde um jumento se espojou e dizendo algumas palavras do livro de São Cipriano e assim podendo sair transformado comendo porcarias até que quase se amanheça retornando ao local em que se transformou para voltar a ser homem novamente;

9. No interior do Brasil, é comum falar que lobisomem, após se transformar, tem de atravessar correndo sete cemitérios até o amanhecer para voltar a ser humano. Caso contrário ficará em forma de besta até a morte. Há também quem diga que um oitavo filho que tem sete irmãs mais velhas se torna lobisomem ao completar treze anos. Também dizem que o sétimo filho de um sétimo filho se tornará um lobisomem;

10. Algumas pessoas dizem que além da prata, o fogo também mata um lobisomem. Outras acreditam que eles se transformam totalmente em lobos e não metade lobo metade homem. Algumas lendas também dizem que se um ser humano for mordido por um lobisomem, e não o encontrar a cura até a 12ª badalada desse mesmo dia, ficará lobisomem para toda a eternidade;


11. No século 19, os lobisomens apareceram em uma enciclopédia de botânica como se fosse um ser “normal” como um urso, um cão etc. Assim dizia a tal enciclopédia: “Os licantropos são aqueles que têm o fado ou sina de se despirem de noite no meio de qualquer caminho, principalmente encruzilhada, darem cinco voltas, espojando-se no chão em lugar onde se espojasse algum animal, e em virtude disso transformarem-se na figura do animal pré-espojado. Esta pobre gente não faz mal a ninguém, e só anda cumprindo a sua sina, no que têm uma cenreira mui galante, porque não passam por caminho ou rua, onde haja luzes, senão dando grandes assopros e assobios para se lhas apaguem, de modo que seria a coisa mais fácil deste mundo apanhar em flagrante um licantropo acendendo luzes por todos os lados por onde ele pudesse sair do sítio em que fosse pressentido. É verdade que nenhum dos que contam semelhantes histórias fez a experiência”;

12. Em Portugal, a lenda do lobisomem parece um pouco mais estranha que as demais que conhecemos. Há “lobisomens” que são misturas humanas com cavalos, burros, bodes, gatos etc.

13. Ainda em Portugal, e também na Espanha, mesmo no século 21, os lobisomens são motivo de pavor entre a gente do campo. São encarados como inimigos de fazendeiros, camponeses, criadores de animais, entre outros. Inclusive há novenas em igrejas para “eliminarem tal perigo de vilas”;

14. Graças às mitologias envolvendo os seres parecidos com uns lobisomens, o lobo se tornou uma figura de animal violento, traiçoeiro, perigoso e que o ser humano deva evitar. É por isso que, ainda, em várias fábulas infantis ele apareça como um ser maligno que pratica maldades através do engodo e da esperteza, como “Os três porquinhos” e “Chapeuzinho Vermelho”;


15. Para quem não sabe, na Espanha e em Portugal há as entidade folclóricas conhecidas como “peeiras”, que seriam as formas femininas destas bestas. Há vários relatos de “lobisomens fêmeas” – ou “peeiras” – nestes países. De acordo com os relatos, estas mulheres-feras têm o dom de comandar racionamente alcateias de lobos e cães;

16. O folclore português traz, ainda, outra espécie de lobisomem, o chamado “corredor”. São homens amaldiçoados que se transformam em cães e que correm como loucos sem destino aparente;

17. Outro ser do imaginário português envolvendo os licantropos é o chamado “tardo”, que seria uma espécie de duende mágico que se transforma em qualquer animal, mas em noites de lua cheia também vira um terrível lobisomem de aspecto medonho e grotesco;

18. Por fim, o folclore português fala de criaturas conhecidas como “corrilários”, que seriam almas penadas em figura de cães. De acordo com a historinha, se um lobisomem for morto por hemorragia, não quebra seu encanto. Com isso, ele se torna um corrilário e se transforma em uma alma penada em figura de cão;

19. Desde o século 19 os lobisomens habitam o imaginário popular através de novelas draculianas, aquelas cheias de terror, calabouços, noites tempestuosas, florestas escuras etc. Tudo começou com as notícias sensacionalistas dos pasquins suburbanos de Londres. Foi assim que houve a gênese para o gênero de terror, que hoje reúne multidões nas filas de cinemas de todo o planeta. Mas vale ressaltar que, no início, as histórias eram divulgadas em jornais como se fossem reais, aumentando o medo entre as pessoas, que chegavam a evitar saírem de casa nas noites de lua cheia;

20. De acordo com folcloristas, o primeiro “lobisomem real” a ser descrito na história teria sido o granduque de Podgorica, atual capital de Montenegro. Viktor Kruchev II, de acordo com as lendas, foi convocado a lutar do lado do Império Sérvio contra a opressão Austro-Húngara, em troca ele receberia autonomia sobre sua região. Como ele e seu exército eram grandes guerreiros que se aproveitavam do relevo montanhoso para lutarem nas partes altas para as partes baixas e principalmente à noite para se aproveitarem das circunstâncias, nasceram as primeiras lendas de lobisomens habitarem montanhas e atacarem vilarejos à noite;




21. As lendas envolvendo lobisomens foram vastamente difundidas pelo Império Austro-Húngaro, pois este via que essas lendas criavam esperanças de libertação para as tribos eslavas às quais o Império dominava, porém sem sucesso, pois muitas famílias de eslavos no mundo todo, inclusive no Brasil, carregam em seus sobrenomes nomes que fazem alusão a grandes supostos lobisomens que marcaram a história;

22. Distúrbios psiquiátricos podem ter dado origem ao mito dos lobisomens. No distúrbio psiquiátrico da licantropia, acredita-se que exista um transtorno do senso de identidade própria. É encontrado principalmente em transtornos afetivos e esquizofrenia, mas pode ser encontrado em outras psicopatias. Psicodinamicamente, pode ser interpretado como uma tentativa de exprimir emoções suprimidas, especialmente de ordem agressiva ou sexual, através da figura do animal, que pode ser muito variado (lobo, cachorro, morcego, cavalo, sapo, abelha etc.);

23. Além do distúrbio psiquiátrico, a porfiria, especialmente a porfiria cutânea tarda é uma doença hereditária que pode levar a desfigurações e distúrbios mentais em casos raros e excepcionais que podem lembrar os lobisomens.



quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Clube de Roma: o que você conhece desse “clube de decisões mundiais”?

O Clube de Roma é um grupo de pessoas ilustres que se reúnem para debater um vasto conjunto de assuntos relacionados à política, economia internacional e, sobretudo, ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentável. Foi fundado em 1968 pelo industrial italiano Aurelio Peccei e pelo cientista escocês Alexander King. Tornou-se muito conhecido a partir de 1972, ano da publicação do relatório intitulado “Os limites do crescimento”, elaborado por uma equipe do MIT, contratada pelo Clube de Roma e chefiada por Dana Meadows.


Desde a sua fundação e popularização no mundo, o Clube de Roma tem sido alvo de inúmeras críticas e teorias da conspiração que envolvem dinheiro, poder, alinhamentos político-ideológicos mundiais e o futuro de bilhões de pessoas nas mãos de tão poucos, disfarçados sob o debate do meio-ambiente sustentável. Mas o Clube de Roma tem muito mais a dizer do que se explicar perante os indivíduos que os acusam de tantas teorias conspiratórias.


O relatório “Os limites do crescimento”, que ficaria conhecido ainda como “Relatório do Clube de Roma” ou “Relatório Meadows”, tratava de problemas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade, tais como: energia, poluição, saneamento básico, saúde, ambiente, tecnologia e crescimento populacional; esse relatório foi publicado e vendeu mais de 30 milhões de cópias em mais de trinta idiomas, tornando-se o livro sobre meio-ambiente até hoje mais vendido da história.

Alguns historiadores e ambientalistas apontam que esse relatório teria sido o precursor de diversos documentos e debates atuais, como o Protocolo de Quioto, a Eco 92, a Rio+20 etc. Também começou a desenvolver as ideias de aquecimento global, efeito estufa e extinção de espécies de animais e plantas. O referido Clube de Roma trataria destes assuntos, mas teóricos da conspiração dizem que por debaixo do belo discurso ambiental há uma trama envolvendo econômica e política.

Utilizando modelos matemáticos, o MIT chegou à conclusão de que o planeta Terra não suportaria o crescimento populacional devido à pressão gerada sobre os recursos naturais e energéticos e ao aumento da poluição, mesmo tendo em conta o avanço tecnológico. Assim, entendia-se que a ciência não era “a grande deusa no pedestal” que poderia resolver todos os problemas da humanidade.




Alguns críticos dizem que a análise e as projeções do cenário futuro apresentados no relatório mostraram-se equivocadas demais, uma vez que nenhuma daquelas previsões, tanto nos aspectos de esgotamento dos recursos naturais, como da evolução dos processos produtivos se confirmaram entre a década de 1970 e os anos 2000. Outros cientistas, como o professor Jorge Paes Rios, da UFRJ e da Université de Grenoble, na França, concordam com a maioria das conclusões do relatório, sendo apenas questão de tempo, aliás como mostra o próprio relatório baseado em modelos matemáticos. Afirma Rios, na sua tese, que como todo modelo matemático global, podem existir algumas imprecisões ou mesmo simplificações, o que não invalida as conclusões principais.

Entretanto, o livro serviu de base para uma série gigantesca de teorias conspiratórias envolvendo o Clube de Roma. Alguns cientistas e estudiosos denunciaram que por trás do documento apocalíptico havia interesse muito maior, principalmente no campo da economia, tais como:

1. Os dados referentes aos recursos naturais mostrariam interesse nos países desenvolvidos em se apossarem de áreas estrategicamente importantes em países subdesenvolvidos, como a Amazônia, sob o pretexto de “preservação para o bem mundial”;

2. A análise de que o planeta não suportaria grande número de pessoas esconderia a preconceituosa Teoria Neomalthusiana, que afirma que a diminuição da população em países pobres seria benéfica para fazer um “equilíbrio” de forças onde os mais bem alimentados – dos países desenvolvidos – teriam mais chances de viver próximo à escassa produção de alimentos;

3. A questão referente à poluição nos países subdesenvolvidos evitaria o desenvolvimento destes em suas indústrias e economias, como são os casos do Brasil, Índia e China, por exemplo, enquanto o documento não tratava dos Estados Unidos (maior poluidor do planeta), Europa e da União Soviética (enorme potência da época);

4. Por trás do discurso dito benéfico de ajuda ao planeta e manutenção dos povos estaria um grupo seleto de pessoas que, arbitrariamente, decidiria o rumo do planeta junto a outros seletos grupos de interesses econômicos e pouco sociais. O Clube de Roma, por exemplo, estaria escondido por trás do debate ambiental, enquanto seus membros montariam estratégias para se fortalecerem mutuamente.

Os teóricos da conspiração apontam outras dezenas de tópicos que tornam suspeita a ação do Clube de Roma sobre o planeta Terra e seu pensamento ambientalista. Entretanto, é importante salientar que há duas vertentes nisso: a primeira, que tais pressupostos poderiam ser reflexo de uma histeria coletiva contra o capitalismo, vendo nele todo tipo de ação “demoníaca” em favor do próprio lucro; e uma segunda, que aponta alguns tópicos que realmente deveriam ser revistos pela sociedade e pela comunidade acadêmica, a fim de evitar desgastes futuros – tais como o interesse internacional sobre a Amazônia, por exemplo.




Membros do seleto grupo...
Para quem não sabe, o Clube de Roma tem um site oficial, e você pode visitá-lo clicando aqui. E de acordo com este site, seus membros são personalidades oriundas de diferentes comunidades a fim de trazerem novas visões e perspectivas sobre os mesmos assuntos: cientistas, acadêmicos catedráticos, grandes políticos, empresários, financistas, religiosos etc. É por isso que aí se assentam tantas teorias conspiratórias envolvendo o Clube de Roma.

Seu presidente honorário é o diplomata espanhol Ricardo Díaz Hochleitner, e em outubro de 2010 o Clube de Roma contava com dois presidentes, Ashok Khosla, da Índia, e Eberhard von Körber, da Alemanha, além de dois vice-presidentes: Heitor Gurgulino de Souza, brasileiro, e Anders Wijkman, sueco. O trabalho do Clube é apoiado por um pequeno secretariado, instalado em Winterthur, no cantão de Zurique, na Suíça, chefiado por Ian Johnson, do Reino Unido.

O Clube conta com membros efetivos, honorários e associados, oriundos de diferentes países. Os membros honorários são personalidades notáveis, tais como: Jacques Delors, da França, Belisario Betancur, da Colômbia, César Gaviria, da Colômbia, Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, Mikhail Gorbachev, da Rússia, Vaclav Havel, da República Tcheca, Enrique Iglesias, do Uruguai, Helio Jaguaribe, do Brasil, o Rei Juan Carlos I, da Espanha, a Rainha Beatrix, da Holanda, Cândido Mendes de Almeida, do Brasil, Mário Soares, de Portugal e muitos outros.


No geral, podemos dizer que até os dias de hoje o Clube de Roma só causou um grande impacto: assim que foi fundado, lançar o “Relatório Meadows”, que serviu para base de um polêmico livro e outros tantos congressos, documentários, demais livros e debates, além dos protocolos assinados e debatidos entre diversos países até os dias atuais, sendo que parece que jamais chegaremos a um consenso.

O Clube de Roma pode até esconder interesses desconhecidos pela grande maior parte da população global, mas parece não ser uma ação tão expressiva, uma vez que não é um “grupo secreto” e nem se trata de um grupo que faz reuniões anuais secretas em grandes hotéis luxuosos. Mantém um site e publica periodicamente uma série de levantamentos.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Teoria da Terra oca: você conhece esse modo de pensar de uma corrente da geografia e da geologia?

Pode parecer brincadeira, mas não é. Terra oca é um conjunto de teorias desenvolvidas ao longo da história que propõem ser a Terra uma estrutura oca. As primeiras formulações científicas sobre o tema datam do século 17, pelo astrônomo britânico Edmond Halley (o mesmo que descobriu o movimento uniforme do Come Halley), que propunha um planeta formado por camadas concêntricas e espaçadas entre si – como uma cebola. Nos séculos seguintes, a tese serviu de base para o enredo de diversas obras esotéricas e literárias. Entre as teorias filiadas a essa linha de pensamento, uma das mais conhecidas é a que propõe à Terra um interior habitado por animais superiores, como mamíferos, aves e répteis, com entradas para esse lado interno localizadas nos polos terrestres.


A teoria nos tempos da Antiguidade...
Nas antigas crenças, mundos ocultos sob a superfície da Terra sempre tiveram destaque. Budistas da Ásia Central acreditavam num tal Reino de Agartha, um labirinto subterrâneo que abrigava populações de continentes extintos. Ali, seu líder sagrado, o “Rei do Mundo”, comandava esse centro de progresso intelectual, de razão desenvolvida e conhecia todas as forças da Terra, lia todas as almas, conhecia todos os destinos. Já na antiga Assíria-Babilônia, o legendário Gilgamesh teria conversado com um amigo morto sobre um mundo interior. Os antigos gregos também especularam sobre as profundezas da Terra. Aí tivemos o mito de Orfeu e Eurídice, dos mortos no reino de Hades, das crenças de Homero sobre um mundo subterrâneo, do deus que se assentava sobre o “umbigo do mundo” em túneis interiores concebidos por Platão. Egípcios acreditavam num infernal reino subterrâneo, algo como a tradicional crença cristã do inferno, com fogo, almas sofredoras e pecadoras etc.

Halley e Euler estudam essa “Terra oca”...
Com a ciência substituindo as lendas através da razão, no século 17, já havia especulações com base científica sobre um mundo interior ao nosso planeta. O astrônomo Edmond Halley, visando explicar certos fenômenos “estranhos” no campo magnético terrestre, considerou que a Terra tivesse uma casca externa e um núcleo interno separado, cada um com seu próprio campo magnético. Estudos de Halley levaram-no a apresentar à Real Sociedade de Londres, em 1692, seu estudo final que propunha a existência de três planetas concêntricos interiores à crosta terrestre, corpos do tamanho de Vênus, Marte e Mercúrio.

Adaptando essa teoria às crenças religiosas, Halley imaginou a existência de seres vivos nesses planetas interiores, sendo que a luz para esses seres provinha da atmosfera interior que era luminosa, sendo que a Aurora Boreal era consequência do escoamento dessa luminosidade pela fina camada polar. Essas teorias não foram refutadas no século 18, mas modificadas, como, por exemplo, por Leonhard Euler que considerou que no interior da Terra havia um único Sol que provia iluminação e aquecimento a uma extremamente desenvolvida civilização que vivia no interior da crosta terrestre. Ao final do século 17, o matemático escocês John Leslie concluiu que, na verdade, eram dois os sóis interiores, cujos nomes eram Plutão e Proserpina.


As teorias de Symmes...
John Clives Symmes, militar americano, apresentou em 1818 sua teoria sobre o planeta Terra, em que o mesmo era oco e habitável por dentro, possuindo internamente diversas esferas sólidas e concêntricas. Havia aberturas na crosta externa da Terra, em ambos os polos. Symmes detalhou isso em publicações subsequentes, mostrou atestados de sanidade mental e de seu caráter assinados por autoridades diversas. Convocou cem homens para partir da Sibéria no outono, com rena e trenós e, aí, entrar no interior do planeta, local quente, fértil, como muitos e normes animais e vegetais. Essa expedição não ocorreu.

Symmes foi sempre ridicularizado por suas ideias. Apresentou diversas argumentações científicas e até religiosas para defender sua teoria. Segundo ele, a nossa Terra conhecida apresentava duas aberturas circulares de diâmetro 6.500 quilômetros no Polo Norte e de 10 mil quilômetros no Polo Sul. Essas aberturas se inclinam suavemente para o interior da terra e a crosta tem uma espessura de 1.600 quilômetros. O cientista conquistou alguns fiéis apoiadores.

Symmes escreveu um livro, “Symzonia: viagem de descoberta” sob pseudônimo de Adam Seaborn, onde narrava as glórias que sonhava alcançar. O Congresso autorizou a viagem de Symmes em 1828. O presidente John Quincy Adams apoiou a expedição, mas essa não interessou ao sucessor Andrew Jackson, presidente a partir de 1929, ano em que Symmes faleceu. Reynolds sucedeu Symmes nessa busca, participou em expedição aos mares do sul, a qual talvez houvesse inspirado a obra “Moby Dick” de Herman Melville. Continuou a insistir na expedição visada por Symmes, a qual somente veio a ocorrer dez anos depois da morte do visionário Symmes, sob o comando de Charles Wilkes. Reynolds não teve permissão para participar e nos quatro anos dessa viagem nada foi confirmado quanto às ideias de Symmes.


A história de Koresh...
Cyrus Read Teed, médico herborista norte-americano e combatente da Guerra Civil Americana, elaborou uma completa e surpreendente teoria sobre o interior da Terra. Em seu livro intitulado “A cosmogonia celelar, ou a Terra: uma esfera côncava”, numa revelação científica e religiosa, Teed, sob o pseudônimo Koresh (Hebraico para Cyrus), defendeu a ideia de que a humanidade vive, não na superfície externa da esfera Terra, mas em seu interior, na superfície interna dessa esfera.

Fora da esfera há um vazio. No centro da esfera fica o Sol que gira e, sendo metade luz, metade escuridão, dá impressão de anoitecer e de amanhecer. A lua é um reflexo na superfície oposta interna da própria Terra e as estrelas e planetas são luzes refletidas em painéis metálicos sobre a superfície côncava da esfera. O grande espaço interno contém uma densa atmosfera que impede a visão das terras no outro lado da face interna terrestre.

Essa estranha concepção de uma inversão geométrica era difícil de ser matematicamente refutada, tendo Teed (“Koresh”) oferecido 10 mil dólares a quem pudesse fazê-lo. Ninguém na época ousou refutar tal teoria, a qual, conforme Koresh, significava conhecer Deus e sua obra. O visionário Teed criou uma igreja, o Koreshanismo, estabeleu em Chicago a chamada Escola Mundial da Vida e passou a publicar a revista “The Flaming Sword” que existiu até 1949. Discípulos lhe davam donativos e ele comprou em 1894 um terreno de 120 hectares em Fort Myers, Flórida onde fundou a comunidade Unidade Koreshana.

Essa comunidade pretendia abrigar 10 milhões de adeptos, mas não mais que 250 fervorosos seguidores ali se estabeleceram. Teed Koresh morreu em 1908 e os seguidores ficaram de vigília junto a seu corpo aguardando a prometida ressurreição. Após quatro dias de espera infrutífera, as autoridades de saúde locais determinaram o sepultamento. Seu corpo foi depositado num enorme mausoléu com guardiães a protegê-lo 24 horas por dia até que fosse destruído por um furacão em 1921. A sede da comunidade foi transformada no Sítio Histórico do Estado Koreshano em 1961, onde discípulos de Koresh trabalharam como guias turísticos até a morte do derradeiro deles em 1982.


As visões sobre assunto de Reed e Gardner...
No século 20, com muitos exploradores vasculhando toda a superfície do planeta, era improvável a sobrevivência de ideias sobre um mundo interior à Terra. Mesmo assim, dois novos defensores da teoria apareceram, William Reed e Marshall Gardner, apresentando forte argumentação. Sua motivação foi uma série de descobertas de anomalidades relatadas por exploradores dos polos. Conforme Fridtjof Nansen, político e explorador norueguês, o ar e a água se tornavam mais quentes nas proximidades do Polo Norte, o que parecia ser causado por ventos quentes vindos do extremo norte do planeta. Outros viajantes relatavam presença de neve multicor nas proximidades do polo boreal, outros falavam de correntes quentes e acerca da presença de vida silvestre abundante e animais (aves, mamíferos e muitos mosquitos) bem alimentados nas regiões mais setentrionais da terra.

Em 1846 foi descoberto um mamute-lanoso, animal há muito extinto, congelado na Sibéria. A criatura apresentava no estômago sinais de uma última refeição, pinhas a abetos. Cientistas deduziram na época que houvesse ocorrido um congelamento súbito em épocas remotas. Para outros, o mamute vivia recentemente em terras quentes e amenas nas proximidades do Polo Norte. Em 1913, Gardner publicou o livro “Uma viagem ao interior da Terra, ou foram os polos realmente descobertos”, e apresentou uma explicação para a história do animal supostamente extinto: os mamutes viveriam e se deslocariam no interior do planeta e por vezes aflorariam à superfície nas proximidades dos polos, ficando congelados. Por sua vez, Reed escreveu a obra “O fantasma dos polos” e explicou que a neve colorida de verde, vermelho, amarelo seria causada por pólen de vegetais e a cor preta se deveria às cinzas de vulcões, causas oriundas de um mundo interior à Terra. O aquecimento das águas era explicado por Reed e Gardner como causado por aberturas que ligavam as superfícies interna e externa da Terra, como nas ideias de Symmes.

Reed defendia a hipótese de que a crosta terrestre tinha espessura de 1.300 quilômetros e que a gravidade atraía para os pontos médios da espessura, não para o centro da esfera terrestre. Desse modo, viajantes navegariam sobre a borda das aberturas polares sem perceber que entravam e saíam do interior do planeta. Dizia, ainda, que quase todos os exploradores dos polos já haviam passado pelas bordas e entrado na superfície interna da terra. A luz da área interior viria no nosso Sol externo e entraria pelas aberturas polares. As auroras seriam originadas pelo reflexo de vulcões e incêndios no mundo interior. Reed ansiava conhecer o interior do planeta com seus vastos continentes, montanhas, rios, rica vida vegetal e animal, oceanos. Tudo isso poderia ser habitado e explorado economicamente pela população exterior, caso já não fosse já habitado por seres ainda desconhecidos.

Para Gardner, o interior do planeta seria iluminado por um Sol central com cerca de mil quilômetros de diâmetro, oriundo da nebulosa que havia originado a Terra. Declarava ainda que o mesmo ocorria com Marte e que os reflexos dessa luminosidade interior da Terra geravam as auroras. Gardner acreditava também que os esquimós deveriam ser originários do mundo interno ao planeta. Defendia a exploração econômica, com a mineração de ouro, platina e diamantes dessa área.

Ambos, Reed e Gardner, foram ridicularizados sistematicamente por leigos e pela a comunidade científica, que comparava suas suposições com as ideias do tipo “a Terra é plana”. Os dois defensores da terra oca citavam algumas autoridades que os apoiavam. Diziam que um dia suas hipóteses seriam confirmadas.


O que pensava Olaf Jansen...
Um navegador norueguês que vivia em Glendale, Califórnia, de nome Olaf Jansen, aos 95 anos de idade contou ao escritor Willis George Emerson uma incrível história supostamente real que lhe ocorrera na juventude. Emerson escreveu um livro, “O deus brumoso”, contando essa experiência de Jansen.

Jansen era adolescente em 1829, quando ele e o pai navegavam numa chalupa rumo às ilhas da Terra de Francisco José, bem ao norte do Círculo Ártico. Colhidos numa tempestade, foram ambos lançados, através de muita bruma, num local calmo, sem nuvens e provido de um sol nevoento. Haviam adentrado num mundo interior cujos nativos adoravam aquele estranho sol alaranjado e flamejante, chamado de “deus brumoso”. Os habitantes eram uma raça de benévolos gigantes de três metros de altura.

Olaf e o pai estiveram numa cidade portuária ornamentada com ouro, cercada por vinhedos e numa floresta de gigantescas árvores. Viram e comeram uvas do tamanho de laranjas e num trem velocíssimo foram à cidade de Eden onde, num palácio de ouro cravejado de pedras preciosas, encontraram um tal sumo-sacerdote. Viveram ali durante dois anos e meio e depois, sendo-lhes permitido voltar, partiram num barco, levando pepitas de ouro, voltando ao mundo exterior por uma abertura no Polo Sul. O pai de Jensen morreu quando, no Oceano Antártico, um iceberg atingiu a embarcação, mas Olaf foi salvo por um baleeiro escocês.

Jensen citava argumentos de Reed e Gardner, como irregularidades magnéticas, pólen nos ventos dos polos, restos de mamutes na Sibéria, para corroborar a veracidade de sua história. Acreditava também que um grupo de exploradores suecos desaparecidos no Ártico em 1897 vivessem no mundo “interior” aos cuidados dos tais gigantes bondosos.


A literatura sobre a teoria da Terra oca...
Na segunda metade do século 19 e no início do 20 surgiram obras literárias inspiradas na crença de um mundo interior ao nosso planeta. Com inspirações em diversas teorias divulgadas na época, surgiram, assim, várias obras de ficção científica se tornaram clássicos da nossa literatura. Com provável inspiração no assunto, por exemplo, Edgar Allan Poe, conhecido por sua obra de literatura fantástica, escreveu o conto “Manuscrito encontrado numa garrafa” e o romance “A aventura de Arthur Gordon Pym de Nantucket”, nos quais há relatos de navios tragados por um abismo próximo ao Polo Sul.

Julio Verne, autor de famosas obras de fantasia futurística, escreveu “Viagem ao centro da Terra”, narrativa de uma viagem feita por um professor alemão de mineralogia e seu sobrinho. A entrada num fantástico mundo subterrâneo foi por um vulcão extinto da Islândia e a volta ao nosso mundo exterior foi pela erupção de um outro vulcão, esse na ilha de Stromboli, norte da Sicília. Edward Bulwer-Lytton escreveu nos anos 1870 o livro “A raça invasora”, descrevendo uma viagem a um mundo interior, subterrâneo, onde vivia uma raça de super-homens. Tratava-se de uma sociedade perfeita, organizada ao extremo, pacífica, sem vícios, sem crimes, onde todos viviam mais de cem anos, todos eram iguais e livres, com saúde perfeita, dotados de muitas máquinas para executar as mais diversas tarefas.


O nazismo e a teoria da Terra oca...
Com a era dos ditadores do nazifascismo, a partir dos anos 30, e a consequente Segunda Guerra, houve um crescimento do obscurantismo. Isso, aliado à interrupção nas explorações aéreas das regiões polares, fez resnascer crenças sobre a Terra oca. O nazismo de Adolf Hitler adotou com simpatia as ideias de Koresh, que se haviam tornado populares com as especulações do conhecido piloto alemão da Primeira Guerra, Peter Bender. Além disso, foi criada a Sociedade Vril, grupo que defendia o livro de Lord Lytton, “A raça invasora”, como sendo uma história verdadeira.

A organização antissemita Sociedade Thule da Baviera, de Alfred Rosenberg e Rudolf Hess, dizia representar os sobreviventes da Atlântida que viviam ocultos no Himalaia, os chefes secretos do Tibete, comandados pelo Rei do Medo. Adolf Hitler possivelmente acreditava ter tido contato com um representante da tal superraça da Terra interior, como dissera a Hermann Rauschning, governador de Dantzig. O Fürher teria mandado expedições nazistas ao Tibete e à Mongólia para buscar contatos com o mundo subterrâneo. Unidades especiais haveriam vasculhado minas e cavernas na Europa buscando passagens para tal mundo interior, onde, segundo lendas proeminentes nazistas se refugiaram depois que a Alemanha nazi ruiu.


As figuras de Palmes e Shaver...
As viagens aéreas de Richard Byrd sobre os Polos Norte e Sul e suas extensas explorações na Antártica pareciam ter enterrado em definitivo as especulações sobre entradas para um mundo interior. Porém, logo surgiram insistentes contestações quando às verdadeiras descobertas de Byrd. Em 1959, o escritor americano F. Amadeo Giannini, em seu livro “Mundo além dos polos”, afirmava que Byrd em verdade entrara na “Terra interior”, 2.700 quilômetros sob o Polo Norte em 1947 e 3.700 quilômetros sob o Polo Sul em 1956. Essa ideia de que nem tudo fora revelado sobre as viagens de Byrd ganhou muitos adeptos, ansiosos por novidades, por histórias fantásticas.

Nos anos 40, Ray Palmer, editor de revistas sensacionalistas e o escritor imaginativo Raymond Bernard insistiam em afirmar que Byrd fora forçado a manter secretas essas reais viagens intraterrestres. Em sua revista, Palmer publicou uma série de artigos de Richard Sharpe Saver, um soldador da Pensilvânia, que teria contactado uma raça de criaturas que viviam no interior da Terra, os “deros”, os quais utilizavam raios invisíveis para influir em todos os acontecimentos do planeta. Essas publicações chamadas de “O mistério Shaver” provocaram uma grande onda de cartas de leitores que diziam ter encontrado deros, o que levou Palmer a afirmar que, se os relatos de Shaver fossem ilusões, muitas outras pessoas sofriam as mesmas alucinações.

Mesmo provas mais conclusivas quanto à inexistência de uma terra interna, como a navegação do submarino norte-americano USS Skate sob a calota polar do norte, sob comando de James Calvert, quando a embarcação emergiu exatamento no Polo Norte, não convenceram Palmer. Em 1970, o então editor desde 1957 da revista “Flying saucers”, publicou uma fotografia da Terra feita a partir de um satélite onde se via uma mancha negra circular na área do Polo Norte, que Palmer identificou como a entrada para o “mundo interior”.

Porém, os defensores dessas ideias fantásticas resistem a qualquer descoberta científica que venha a invalidar suas teorias, uma vez que o que realmente existe nas profundezas da Terra ainda é fruto de especulações e suposições científicas com base apenas em verificações indiretas, estando sempre sujeito a novas pesquisas e descobertas.



Argumentos contrários e controversos...
A imagem da estrutura da Terra, obtida através do estudo das ondas sísmicas é bastante diferente da teoria da Terra oca. A análise da propagação das ondas sísmicas permite a obtenção do modelo com crosta, manto, núcleo externo líquido e núcleo interno sólido. A densidade média da Terra é 5.515 kg/m³. Uma vez que a densidade média do material da superfície é apenas em torno de 3.000 kg/m³, devemos concluir que materiais mais densos existem dentro do núcleo da Terra. Medições sísmicas mostram que o núcleo é dividido em duas partes, um núcleo interno sólido com um raio de aproximadamente 1.220 quilômetros e um núcleo externo líquido, aproximadamente 3.400 quilômetros maior. O núcleo interno sólido foi descoberto em 1936 por Inge Lehmann e acredita-se ser composto principalmente de ferro e níquel. Nos estágios iniciais da formação da Terra, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, o derretimento teria causado substâncias mais densas a afundar em direção ao centro em um processo chamado de diferenciação planetária, onde materiais menos densos teriam migrado para a crosta.

Outro conjunto de argumentos científicos contra uma Terra oca ou qualquer planeta oco vem da gravidade. Objetos massivos tendem a se aglutinarem gravitacionalmente, criando objetos esféricos sólidos que chamamos estrelas e planetas. A esfera sólida é a melhor forma de minimizar a energia potencial gravitacional de um objeto físico, ter um vazio é desfavorável no sentido energético. Além disso, matéria ordinária não é forte o suficiente para suportar uma forma oca de dimensões planetárias contra a força da gravidade, uma casca do tamanho do planeta oco com a espessura conhecida observada da crosta da Terra, não seria capaz de atingir equilíbrio estático com a sua própria massa e entraria em colapso.

Alguém no interior de uma Terra oca não experimentaria uma atração significativa para fora e não pararia facilmente na superfície interna, mas sim, a teoria da gravidade implica que uma pessoa no interior seria quase sem peso. Isto foi mostrado pela primeira vez por Newton, cujo teorema matemático prevê uma força gravitacional (da casca) zero em todos os lugares dentro de uma casca oca esfericamente simétrica de matéria, independentemente da espessura da casca. A força gravitacional minúscula surgiria a partir do fato de que a Terra não tem uma forma perfeitamente simétrica esférica, bem como as forças de outros corpos, como a lua. A força centrífuga da rotação da Terra puxaria uma pessoa (na superfície interna) para fora se a pessoa estiver viajando na mesma velocidade que o interior da Terra e em contato com o solo no interior, mas mesmo a força máxima centrífuga no equador é somente 1/300 da gravidade normal da Terra para a velocidade de rotação do planeta.

A massa do planeta também indica que a hipótese da Terra oca é inviável. Fosse a Terra oca, com a densidade observada, sua massa seria muito menor e, portanto, sua gravidade na superfície externa seria muito menor do que é.

sábado, 14 de setembro de 2013

Você conhece a lenda urbana sobre a suposta morte de Paul McCartney? Fato ou farsa?

A suposta morte de Paul McCartney, também muito conhecida em inglês como “Paul is dead” – “Paul está morto” – consiste, basicamente, em boatos e teorias conspiratórias de que Paul McCartney, ex-integrante dos Beatles, teria morrido em um acidente em 1966 e sido substituído por um sósia. A história acabou se tornando uma espécie de folclore vivo no Reino Unido e muitos fãs dos Beatles creem nesta história.


Fatos a serem considerados...
Em 1966, logo após o lançamento do álbum “Revolver”, os Beatles pararam de excursionar em virtude da dificuldade de tocar ao vivo os arranjos cada vez mais complexos e inusitados de suas músicas. Este fato, aliado a um acidente de carro sem maiores consequências sofrido por Paul McCartney, deu origem ao surgimento algum tempo depois do maior e mais duradouro boato de todos os tempos: o de que Paul McCartney havia morrido e sido substituído por um sósia.

O boato inicia-se afirmando que Paul realmente morreu no dia 09 de novembro de 1966, após colidir num cruzamento; segundo dizem, a notícia chegou a ser veiculada numa emissora de rádio, mas tudo teria sido “abafado”. A batida foi tão forte que chegou a desfigurá-lo, matando-o instantaneamente. Foi por isso que o empresário divulgou que os Beatles não fariam mais apresentações ao vivo.

Curiosamente, Paul realmente tinha um sósia quase perfeito de origem anglo-escocesa, que inclusive, teria sido dublê de Paul durante as filmagens de “A Hard Day’s Night” (1964) e “Help!” (1965). Logo, o tal sósia foi convocado – seu nome seria Willian Campbell (outras fontes citam que o nome do sósia seria Billy Shears, personagem que seria “apresentado” ao mundo, de forma velada, em “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”), já que os Beatles tinham contrato milionário com a Capitol Records.

Centenas de matérias em jornais, especulações de fãs e mesmo livros foram surgindo sustentando a versão da morte de Paul. As pessoas que acreditavam nisto se basearam em centenas de pistas que supostamente haviam sido deixadas de propósito pelos outros Beatles nas letras das músicas, nas capas dos discos e nos filmes posteriores da banda.

Logicamente, os Beatles sempre negaram qualquer envolvimento ou colaboração com os boatos. As “pistas”, porém, contribuíram durante algum tempo para melhorar a divulgação e aumentar as vendas dos discos da banda. Segundo a teoria, estas “pistas” teriam sido feitas por John Lennon que, indignado com a farsa, decidiu espalhar a notícia da morte de Paul. Entre estas pistas, a talvez mais famosa esteja presente na música “Strawberry fields forever”, onde Lennon, ao final, diz “I buried Paul” (“Eu enterrei Paul”). Anos mais tarde, Lennon revelou que na realidade a frase era “Cranberry sauce”, o nome de um molho usado para temperar aves.


A história da suposta morte de McCartney...
Como dito, Paul teria morrido em um acidente de carro às 5h da manhã de uma quarta-feira, dia 09 de novembro de 1966. Sofreu esmagamento craniano e/ou foi decapitado ao colidir com outro veículo por não ter observado o sinal do cruzamento fechar, conforme teria sido contado posteriormente na música “A day in the life”: “he blew his mind out in a car... he didn’t notice that the lights had changed” (“Ele arrebentou a cabeça num carro... não percebeu que o sinal havia mudado”). No acidente, seu rosto teria sido desfigurado e ele teria perdido seus dentes, o que inviabilizou a identificação do corpo (não existia, na época, exames de DNA para identificação). Desta forma, os outros Beatles teriam resolvido substituí-lo por um sósia já conhecido da banda.

De fato, Paul sofreu um acidente de moto que lhe valeu um corte no lábio superior e um dente quebrado. Nada muito grave além disso. Isto pode ser observado no vídeo de “Paperback writer e rain”, onde Paul aparece com uma parte do dente quebrado e com os lábios inchados. Quanto a letra de “A day in the life”, Lennon a compôs após ler a notícia da morte da jovem socialite Tara Browne, herdeira da cervejaria Guinness, de 21 anos, morta em 18 de dezembro de 1966. John estava tocando piano em sua casa quando leu a notícia da morte no jornal. Browne estava dirigindo no seu Lotus Elan através da South Kensington em alta velocidade (alguns relatos sugerem cerca de 170 km/h). Ela não conseguiu ver a luz do sinal de trânsito e prosseguiu através da esquina da Redcliffe Square com a Redcliffe Gardens, colidindo com um caminhão estacionado e morreu no dia seguinte.

Para a escolha do substituto teria sido foi feito um concurso nacional de sósias e o vencedor, William Campbell ou Billy Shears, após vencer o concurso, teria feito algumas operações plásticas para aumentar sua semelhança com o Beatle morto e poder substituí-lo. A única falha no novo Beatle teria sido uma cicatriz em seu lábio superior que não pôde ser removida e aparece nas fotos de Paul (o falso Paul) desde então. Esta cicatriz, na realidade, existiu e foi decorrente do acidente de moto sofrido por Paul, já anteriormente citado.


Com o sósia colocado no lugar do verdadeiro Beatle, os demais integrantes da banda e seus produtores teriam começado a divulgar várias pistas para que os fãs pudessem descobrir que o verdadeiro Paul havia morrido. A maioria das pistas relatadas exige bastante senso crítico.

A não ser que o corpo tivesse sido totalmente carbonizado (acarretando, inclusive, na destruição da arcada dentária), não há possibilidade de não se executar a identificação. Não há registro de ocorrência policial ou relato de autópsia noticiando o “acontecimento”. Não houve uma única testemunha de um acidente tão grave. Uma figura tão popular e sempre presente como Paul McCartney, seu sumiço certamente seria notado pela imprensa. Na época, nada foi noticiado. E mesmo após 1966, Paul compôs diversas canções tão criativas quanto as anteriores à suposta “morte”, tanto com sua carreira com os Beatles quanto em sua carreira solo e com os Wings.

O início da boataria...
A suposta morte de Paul McCartney foi primeiramente noticiada em 12 de outubro de 1969 em uma rádio de Detroit, nos Estados Unidos, pelo DJ Russ Gibb. Ele havia recebido um telefonema de um ouvinte o instruindo para algumas pistas em músicas e capas de discos que indicavam a suposta morte. Russ Gibb neste dia leu a lista das pistas no ar e também improvisou algumas mais.

Para seu espanto, os jornais locais levaram a sério esta brincadeira e publicaram a lista. No final do mês de outubro os boatos tinham se espalhado de tal forma nos Estados Unidos que obrigaram Paul McCartney, em férias na Escócia, a vir a público em uma entrevista para a revista “Life” desmentir os boatos sobre a sua morte. A partir daí, vários livros foram escritos e, cada vez mais, novos “fatos” foram sendo “encontrados” e adicionados à lista de indícios sobre a sua morte.

Lista de “pistas” nos discos dos Beatles...
1. Álbum “Rubber soul”


- Os Beatles, na foto da capa, olham para baixo como se observassem uma sepultura;
- A fotografia da capa teria sido distorcida para que não se notasse que Paul havia sido substituído;
- A letra de “Girl” diz “that a man must break his back to earn his day of leisure will she still believe it when he's dead”, uma citação à morte, o que se tornaria comum a partir daqui;
- A letra de “I'm looking through you” diz: “You don't look different but you have changed, I'm looking through you, you’re not the same... you don’t sound different... you were above me but not today, the only difference is you’re down there”. (“Você não parece diferente, mas você mudou, eu olho através de você, você não é mais o mesmo” se refere obviamente a Paul ter sido substituído por um sósia e não ser mais a mesma pessoa. “A única diferença é você estar embaixo” se refere ao fato de o verdadeiro Paul estar em uma sepultura);
- A letra de “In my life” diz: “Some are dead and some are living” (“Alguns estão mortos e alguns estão vivos”, uma referência aos Beatles não estarem mais juntos).

2. Álbum “Revolver”


- Na gravura da capa há uma mão aberta sobre a cabeça de Paul. Uma mão aberta sobre a cabeça é uma maneira de abençoar as pessoas que morrem. Isto se repetiria posteriormente, conforme veremos;
- Ao invés de uma foto dos Beatles, pela primeira vez foi feito um desenho para evitar que o sósia fosse desmascarado pela foto;
- A música “Taxman” seria, na realidade, sobre um taxidermista, pessoa responsável por empalhar animais mortos e fazer parecer que eles ainda estão vivos. Na letra há referências ao acidente de Paul (“If you drive a car”, “se você dirige um carro”) e ao fato de Paul estar morto (“if you get too cold”, “se você ficar frio”). A melhor pista é “my advice to those who die, taxman”, ou seja “meu conselho para aqueles que morrem, um taxidermista” (para que o morto continue parecendo vivo);
- Em “Eleanor Rigby”, Father McKenzie seria, na realidade, Father McCartney, note a semelhança entre os nomes. Na letra consta “Father McKenzie wiping the dirt from his hands as he walks from the grave”, ou seja, “Padre McKenzie (Paul McCartney) limpando a sujeira de suas mãos após sair (voltar) do túmulo”;
- Na letra de “She said she said”: “She said I know what it's like to be dead” ou “Ela disse ‘eu sei como é estar morta’”;
- Dr. Robert teria sido o médico responsável por tentar salvar Paul. Na letra consta: “you’re a new and better man” ou “você é um homem novo e melhor” se referindo ao novo Paul. “He does everything he can, Dr. Robert” ou “Dr. Robert faz tudo o que pode fazer” se refere ao fato de Dr. Robert ter feito todo o possível para tentar salvar Paul.

3. Álbum “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”


- A capa é, na realidade, o desenho de uma sepultura (a de Paul) com todas aquelas pessoas olhando (note os arranjos de flores típicos de um funeral).
- Um dos arranjos de flores forma o desenho de um baixo Hofner, semelhante ao que Paul tocava, inclusive virado para a direita, visto Paul ser canhoto. Isto provaria que é Paul o cadáver que acabou de ser sepultado. O baixo tem apenas três cordas ao invés de quatro, uma referência aos Beatles sem o seu quarto companheiro.
- Outro arranjo onde aparentemente está escrito Beatles na realidade deve ser lido como “Be at Leso” ou “Fique em Leso”. Paul teria sido enterrado na Ilha de Leso.
- Sobre a cabeça de Paul há novamente uma mão aberta que o abençoa.
- Abaixo do nome “Beatles” aparece uma descrição feita com flores amarelas onde se lê: “Paul D”. “D” era uma gíria inglesa da época para referir-se a “dead”, “morto”.
- Uma boneca da gravura da capa segura um carro de brinquedo. O carro seria do mesmo modelo do em que Paul haveria morrido. Note que o interior do carro é vermelho em referência ao sangue
decorrente do desastre.
- Embaixo do “T” de Beatles na capa há uma pequena estatueta de Shiva, deus hindu da morte. A estátua aponta para Paul.
- Na foto da contracapa, todos os Beatles olham para a frente, com exceção de Paul.
- Em uma foto do encarte Paul tem no braço uma insígnia onde está escrito “OPD” que seria a sigla para “Officially Pronounced Dead” ou “Oficialmente Considerado Morto”.
- Na foto da bateria, se você colocar um espelho horizontalmente cortando a frase “Lonely hearts” e olhar a combinação da parte de cima das letras com o reflexo surge a frase “One he die”, referindo-se à morte de um dos Beatles.
- Outra versão diz que a frase da bateria deve ser lida como “I One IX He ^ Die”. O significado surge de simples conexões “I One” é Onze (11), “IX” é nove em romanos. Finalmente “He” e a seta que surge entre esta e “Die” aponta diretamente para McCartney em sua ponta superior e para o suposto túmulo em sua ponta inferior. Conclusão no mês 11 (novembro), dia 9, ele (Paul) morreu. Daí surgem controvérsias: na leitura americana, trata-se do mês 11 e do dia 9, mas na inglesa entende-se Setembro (9), dia 11. Mas já que Paul teria sofrido o acidente em uma quarta, bastou verificar e atestar que 9 de novembro de 1966 era uma quarta-feira.
- Em “Good morning, good morning”, “Nothing to do to save his life” ou “Nada pode ser feito para salvar sua vida”. “People running around it’s 5 o’clock”, ou “Pessoas andando em volta às 5 da manhã” (a hora do suposto acidente de Paul).
- Este fato é extremamente interessante: na contracapa do álbum, na foto dos Beatles, além do famoso detalhe que mostra Paul virado de costas para a câmera, pode-se notar George Harrison apontando o dedo indicador direito exatamente para a frase de “She’s leaving home”, que diz “Wednesday morning at five o’clock as the day”. Dia da semana e hora da suposta morte do Beatle.

4. Álbum “Magical mystery tour”


- Se você olhar a capa do disco em um espelho, as estrelas onde está escrito “Beatles” formam um número de telefone. Quando se ligava para este número, na época em que o disco foi lançado, ouvia-se a mensagem “You’re getting closer” (“Você está chegando perto”). Na realidade, tratava-se de uma menina bem humorada que havia aderido à brincadeira sobre a morte de Paul.
- No livro que vinha junto com o disco, em sua versão original, havia uma foto dos Beatles, cada um com uma rosa na lapela. Todos tinham rosas vermelhas, a não ser Paul, que usava uma rosa preta.
- Ainda no livro, em todas as fotos Paul está descalço (os mortos são enterrados descalços).
- Na foto central do encarte, na pele de resposta da bateria de Ringo está escrito “Love 3 Beatles”, lembrando que os Beatles agora são apenas 3.
- No desenho dos Beatles, presente no interior do álbum, Paul aparece com o gorro cobrindo parcialmente seu rosto, além de estar com os olhos fechados. É curioso também que a poeira de estrelas que os rodeia forma uma espécie de auréola sobre a cabeça de McCartney.
- Ouvindo “I am the walrus” surge a mensagem “Oh untimely death”, ou “Oh morte prematura”. A frase aparece sem a necessidade de inversão da música junta com muitas outras ao final da música, incluindo: “Bury my body” e “What, is he dead?”. Estas frases fazem parte de uma execução via rádio da peça “King Lear” de Shakespeare. Lennon as utilizou na edição com propósito desconhecido; talvez a razão possa ser encontrada se forem verificadas as palavras postas anteriormente em “Paperback writer”, que diz: “It’s based on a novel by a man named Lear”.
- Ao final de “All you need is love”, você pode ouvir John dizendo algo semelhante a “Yes! He is dead!”. O que Lennon realmente fala é “She loves you, yeah, yeah”, referindo-se à tradicional canção da primeira fase dos Fab Four.
-“Magical mystery tour” seria a jornada a que todos os fãs de Paul iriam percorrer para decifrar o enigma de sua morte.

5. Álbum “White Album”


- Em “I’m so tired”, ao ouvir o trecho final da música ao inverso, surge claramente a voz de John Lennon dizendo “Paul is dead man, miss him miss him”.
- A música “Revolution #9” seria sobre a morte de McCartney (o sobrenome tem 9 letras). “My fingers are broken and so is my hair” ou “meus dedos estão quebrados e meu cabelo também”. Ao ouvir o verso “number nine” ao contrário, surge a mensagem “turn me on dead man”. Ainda ao contrário, podem-se ouvir outras pistas, incluindo “Let me out!”. Seria McCartney gritando para sair de seu automóvel?
- Nas fotos colocadas em várias partes do álbum duplo há algumas curiosidades. Paul em uma banheira, com a cabeça para fora da água dando uma impressão assustadora de decapitação. Paul entrando em um trem ou em um ônibus e duas mãos “fantasmagóricas” prontas para levá-lo para o “outro lado” podem ser vistas atrás dele. Nas fotos em close dos 4 integrantes a de Paul revela a cicatriz da cirurgia plástica de Willian “Billy Shears” Campbell para aperfeiçoar sua semelhança com Paul. Mas obviamente a cicatriz faz parte do pequeno acidente de moto que Paul sofrera, cicatriz responsável também pelo bigode em Sgt. Pepper.

6. Álbum “Yellow submarine”


- Na capa aparece novamente uma mão aberta sobre a cabeça de Paul.
- O submarino na capa se assemelha a um caixão enterrado sobre a montanha.

7. Álbum “Abbey Road”


- Na capa com os Beatles atravessando a rua, Paul está com o passo trocado em relação aos outros, é o único fumando e está descalço (os mortos são enterrados descalços), além de estar com os olhos fechados.
- Lennon, de branco, representaria Deus ou Jesus Cristo; Ringo, o agente funerário; Paul, o cadáver e George, o coveiro.
- O cigarro que Paul segura está na mão direita. O Paul “verdadeiro” era canhoto, e estaria com o cigarro na outra mão.
- Um fusca branco estacionado na rua tem a placa 28IF, um lembrete de que Paul teria 28 anos SE (if) estivesse vivo. O Fusca na Inglaterra é chamado de “Beetle”.
- Na letra de “Come together”, “One and one and one is three” ou “Um mais um mais um são três”, referência aos três Beatles restantes.
- Na contracapa, ao lado direito da palavra Beatles, uma imagem feita de luzes e sombras aparece. Trata-se de uma caveira, claramente, com dois olhos e boca.

Na realidade, são muito interessantes as pistas referentes à suposta morte de Paul McCartney. Como foi dito anteriormente, se o acidente realmente tivesse ocorrido, os fãs curiosos e jornalistas já teriam descoberto através de testemunhas, registros policiais, registros de resgate etc. Nesse meio tempo, muitos especuladores ganharam dinheiro e mídia dizendo que havia novidades; tanto ao ponto de McCartney ser uma espécie de “folclore vivo” na Grã-Bretanha.

De acordo com os mais fervorosos fãs dos Beatles de todo o mundo, John Lennon, muito brincalhão, decidiu entrar na onda da boataria e espalhar pelos seus discos tais supostas “pistas” que deixavam tantas pessoas intrigadas. Isso divertia muito os integrantes da banda, bem como a gravadora e os empresários, que jogavam cada vez mais na mídia os álbuns novos dos rapazes-fenômeno da música. De modo geral, podemos afirmar que se trata de uma boataria, uma lenda urbana, quase um golpe de marketing.