sábado, 31 de agosto de 2013

Teorias conspiratórias na Bíblia: você acredita nelas?!

Desde a popularidade do romance “O código Da Vinci”, de Dan Brown, muito se tem falado sobre supostas mensagens que estariam escondidas em determinados trechos da Bíblia, inclusive nos livros apócrifos. Essas mensagens passaram a ser popularmente conhecidas como “teorias conspiratórias bíblicas”, e aparecem em vários livros e documentários de TV, causando enorme controvérsia entre historiadores, arqueólogos, leigos religiosos, teólogos e membros do clero.


Dan Brown não foi quem inaugurou este estudo. Ele apenas pescou algumas das teorias mais polêmicas e as trabalhou no seu best-seller. Vários historiadores têm se confrontado em enormes obras historiográficas, a exemplo o precursos “E a Bíblia tinha razão” e sua contraparte: “E a Bíblia não tinha razão”. O fato é que muito do que se passou no Oriente Médio nos tempos bíblicos – entre 2.500 a.C. e 300 d.C. – está escondido e oculto em livros apócrifos que não fazem parte dos livros sagrados monoteístas.

Sobre tais teorias...
Poderíamos dizer que as teorias conspiratórias bíblicas são qualquer teoria de conspiração que postula muito do que se sabe sobre a Bíblia, dizendo que se fez um artifício para suprimir algum tipo de verdade, ou alguns segredos. Na lista de teorias bíblicas há vários tipos e para todos os gostos: aliens vagando pela Terra, Jesus sendo marido de Maria Madalena, Pedro sendo um homem extremamente sexista, Maria teria tido outros filhos além de Cristo, Jesus viajando para a Índia para “obter conhecimento dos budistas” etc. Há ainda a corrente que afirma que o Priorado de Sião tem informações secretas sobre os verdadeiros descendentes de Jesus – que teria se casado e tido filhos com Maria Madalena.

Outros estudiosos destas teorias conspiratórias apontam que a Bíblia originalmente, em hebraico, aramaico e grego trariam informações preciosas à humanidade, mas que necessitariam de interpretações mais profundas. Seriam mensagens nas suas entrelinhas, difíceis de serem compreendidas atualmente, uma vez que os documentos originais estão praticamente destruídos pelo tempo – lembrando que não há nenhum exemplar dos livros da Bíblia escritos em primeira mão, mas apenas reproduções do que já se conhecia.


Algumas das teorias apontadas pelos estudiosos...
- O dilúvio de Noé não teria ocorrido, mas sim seria uma cópia da mitologia babilônica do herói sumério Gilgamesh, cujo texto bíblico é praticamente uma cópia plagiada deste conteúdo épico, com direito à arca, aos casais dos animais etc.

- A história de Adão e Eva e o Paraíso é somente uma narrativa alegórica cosmogônica para explicar ao povo como o mundo teria sido formado a partir da vontade de Javé. Para os católicos romanos, esta já é vista como uma mitologia hebraica depois das descobertas da ciência, e por isso o criacionismo não é ensinado nas escolas católicas desde o início do século 20.

- Para os adeptos da teoria dos deuses astronautas, nos livros de Ezequiel e Daniel há referências suficientemente fortes para crermos que alienígenas passaram pela Terra com suas naves e tiveram contato direto com esses dois personagens bíblicos.

- Um dos pontos mais controversos: Jesus seria marido de Maria Madalena, e teve filhos com ela. Há algumas referências a isso em alguns evangelhos apócrifos, como os de Judas Tadeu, Tomé e Egípcios; neles, há referências de que Jesus vivia com Maria Madalena, beijava-lhe na boca e que “tiveram crianças felizes”. Em Tomé há a frase dizendo: “Ela é o apóstolo preferido de Nosso Senhor, e com Ele debate, aprende e conversa sobre as coisas da Terra e do Céu, estando ambos sempre acompanhados de sua família”. Por isso há, ainda, a teoria conspiratória de que o Priorado de Sião teria informações secretas sobre os verdadeiros descendentes de Jesus. Para confirmar as teorias do casamento de Jesus há a própria tradição judaica: Maria Madalena está presente à crucificação e, depois, vai ao sepulcro de Cristo – situações que, no judaísmo, cabem às esposas. Em um livro apócrifo diz que ela e Maria, mãe de Jesus, se vestem de luto.

- Nos livros apócrifos de Tomé e de André há referências de que Pedro era um homem extremamente ciumento, invejoso e sexista, retirando da comunidade cristã as mulheres. Para ele, como durante por muito tempo, o papel da mulher era de cuidar da casa, dos filhos e procriar. Por essa razão Maria Madalena acabou sendo figurada como uma mulher mundana, perdida, prostituta; entretanto, na Bíblia, não há menção de que a prostituta prestes a ser apedrejada seja ela. Ainda em André há a afirmação de que Pedro tramou contra apóstolos para estar próximo a Jesus e tinha receio das influências de Maria Madalena no grupo.

- De acordo com outros teóricos, o período que há um hiato da vida de Jesus na Bíblia, entre os 12 e os 30 anos seria o período que ele esteve na Índia em viagem, quando teria conhecido o budismo e recolhido vários conhecimentos para si, e, por isso, há várias semelhanças entre as duas religiões. Entretanto, este estudo é o menos pesquisado e menos creditado, pois nenhum dos outros tantos livros apócrifos cita tal viagem.

- De acordo com os protestantes, Maria teria tido outros filhos além de Jesus. Entretanto, os teólogos refutam essa afirmação a partir da tradução da Bíblia, dos livros apócrifos e da própria história de Cristo. As pessoas que os protestantes alegam serem irmãos de Jesus são filhos de Maria, mulher de Cléofas. Jesus teve irmãos, mas filhos de José, que era viúvo e em idade avançada quando se casou com Maria – de acordo com os livros apócrifos, eram cinco filhos já adultos. Judas Tadeu, por exemplo, tido como irmão de Jesus, na verdade era seu primo; no hebraico antigo, as palavras “irmão” e “primo” eram escritas da mesma forma. Além disso, há a própria história do Cristo: quando crucificado, Jesus conversa com sua mãe, que está na presença de Maria Madalena e do apóstolo João – sem a presença de nenhum suposto filho ajudando sua mãe neste momento de extrema dor. Além disso, depois da crucificação, Maria (já viúva e que contava com cerca de 50 anos) e Maria Madalena vão morar, juntas, com João. Todas essas informações estão contidas na “Bíblia oficial” e são confirmadas em livros tidos como apócrifos por católicos e protestantes.


Outros debates bastante polêmicos...
No livro “The Christ conspiracy: the greatest fable ever sold”, o autor afirma que Jesus e o cristianismo foram criados por membros de várias sociedades através dos tempos para unificar o Império Romano que começava a ruir, assim sendo, fundando uma “religião do Estado”, e que estas pessoas basearam-se em numerosos mitos e rituais que existiam anteriormente e, em seguida construi-os ao cristianismo que existe hoje. Este mesmo ponto de vista é especulado no controverso documentário “Zeitgeist”, que pode ser encontrado gratuitamente na internet com legendas em português.

Outro livro, “Channeling of spiritualism”, o autor confirma a teoria apontada acima e aponta outras hipóteses: Maria Madalena era um dos apóstolos de Jesus, talvez até o único discípulo, mas este fato foi suprimido pela Igreja primitiva, machista e sexista. Neste livro, o maior segredo da cristandade é a família atual herdeira do sangue de Jesus, fruto do casamento com Maria Madalena.


Enfim, o assunto é bastante rico historicamente e totalmente controverso teologicamente, uma vez que fere tradições milenares e a fé das pessoas, que é inabalável. Fé e razão nunca poderão se encontrar, filosoficamente falando, pois a primeira é o ato de acreditar no impossível e o outro usa o racionalismo para pôr em dúvida todos os pressupostos analisados. Na internet é possível conhecer e ler os demais evangelhos apócrifos que contam mais detalhes desta “vida oculta” do ministério de Jesus.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (24)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

Qual a diferença entre o chocolate branco e o chocolate marrom (chocolate ao leite)?
A diferença está no pó do cacau, que não é ingrediente do chocolate branco. No processo de fabricação do alimento, extrai-se o licor de chocolate do grão do cacau. Este licor, que não é alcoólico e mais parece um xarope, quando colocado sob pressão hidráulica, divide-se em duas partes: manteiga e pó de cacau. Para se chegar ao chocolate ao leite (marrom), é necessário juntar tudo de novo, ou seja, a manteiga, o açúcar, o pó e o licor.  Já no branco, no entanto, mistura-se a manteiga (que é de um tom branco meio amarelado), o licor e coloca-se mais açúcar (por isso o chocolate branco é mais doce).


Você sabe por que se diz “vai dar zebra”?
Como sabemos, a zebra não figura entre os 25 bichos do jogo do bicho. Em 1964, um treinador de futebol muito galhofeiro garantiu a todos os repórteres que, naquele ano, a Portuguesa seria campeã de futebol. “Vai dar zebra”, dizia sempre ele. Os repórteres adoraram a brincadeira e o termo, passaram a usá-lo e divulgá-lo, tanto no esporte quanto na política ou em qualquer acontecimento inesperado.

Por que a caveira é um símbolo tão comum entre roqueiros e motociclistas?
Na realidade, não há nada relacionado à morte, ao satanismo e culto a entidades pagãs e estranhas. De acordo com os historiadores da música e antropólogos urbanos, a caveira tem um simbolismo muito maior para esses dois grupos sociais contemporâneos; para eles, a caveira é o símbolo real da falta de preconceito, uma vez que vendo uma caveira não temos como saber se aquele indivíduo em vida fora negro ou branco, gordo ou magro, rico ou pobre, burro ou inteligente, saudável ou doente. Assim, de acordo com os antropólogos, para motociclistas e roqueiros, a caveira simbolizaria o que realmente o ser humano é em sua essência, sem malícias, maldades e segundas intenções. Portanto, nada tem a ver com cultos satânicos!


De onde surgiu a famosa expressão “Ok”?
Veio de “tudo certo” em inglês. Na verdade seria “all correct”, mas para diferenciar a sigla “AC”, também usada para “alternating current”, de “corrente alternada”, os habitantes de Boston, no começo do século 19, preferiram “OK”, de “oll korrect”, uma gíria para dizer a mesma coisa. A sigla foi usada como slogan em 1840 numa campanha presidencial, divulgando-a em todos os Estados Unidos. Atualmente é a palavra mais falada diariamente em todos os idiomas por todo planeta, ok?!

Por que algumas igrejas majestosas e enormes não são catedrais?
Catedral é um edifício no qual o bispo tem seu assento oficial, chamado cátedra. É a residência, ou território de jurisprudência, de uma diocese, arquidiocese etc. Assim, tamanho esplendor somente não são o bastante para se caracterizar uma catedral. Muitas igrejas majestosas não recebem esse título, e muitas catedrais são pequenas e despretensiosas igrejas, o que é muito comum na Europa.


Você sabia que o gás de cozinha na verdade não tem cheiro?
O gás de cozinha, também conhecido como GLP (gás liquefeito de petróleo) é absolutamente inodoro quando produzido, ou seja, não tem cheiro algum. Por questões de segurança, ao gás se adiciona uma substância de cheiro desagradável, geralmente um sulfeto orgânico, para que possa ser detectado qualquer vazamento, dando origem ao famoso “cheiro de gás”. Só para constar, esse componente adicionado à fórmula do GLP é mundial. Ou seja, em todos os países há esse “cheiro de gás” ao gás de cozinha.

Qual a origem da hostilidade entre árabes e judeus em Israel?
Nos tempos do Império Romano, em 71 d.C., o Estado de Israel foi desmembrado por Tito, e em 135 foram proibidos de exercer sua religião por se recusarem a cultuar as divindades greco-romanas, assim boa parte da população se dispersou, a chamada Diáspora. No entanto, Jerusalém continuou sendo o centro do judaísmo até o século 5, quando Roma se tornou católica oficialmente e perseguiu os judeus por estes terem, supostamente, crucificado Jesus Cristo. Quando o Oriente Médio se tornou islâmico através da conquista árabe, no século 7, os judeus rejeitaram a conversão e foram marginalizados por causa disso, mas o tratamento era menos pior do que no mundo cristão. Só no século 19, depois da Revolução Francesa, que os judeus foram reconhecidos como cidadãos em várias partes do mundo, mas o sentimento antissemita permanecia, principalmente na Europa. No Oriente, a Revolução Francesa levou para lá os ventos do nacionalismo, do orgulho da terra onde se vivia e a tendência a não querer pressões estrangeiras; ao mesmo tempo, os judeus queriam o retorno à sua terra bíblica com a fundação de um novo Estado de Israel. As imigrações para a Palestina começaram em 1918, com o fim da Primeira Guerra Mundial, e culminaram em 1948 com a criação deste país. Os árabes muçulmanos que viviam por lá viram isso como invasão e divisão arbitrária do seu território, há séculos conquistado através da fé e das guerras. Assim, os estados de religião islâmica, portanto com culturas parecidas, viram em Israel um invasor dos direitos dos palestinos – uma vez que os israelenses expulsaram muitos palestinos de suas terras, impondo novos modos, novas leis, novo calendário etc. Nos últimos anos a tensão aumentou porque Israel sempre aparece como um protetorado norte-americano em meio ao “medo” da cultura islâmica, principalmente o Irã.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Terraformação: você conhece esse termo da exobiologia e da astrofísica?

Terraformação” é a denominação dada ao processo, até o momento hipotético, de modificar a atmosfera e a temperatura de um corpo celeste sólido – como um planeta ou um satélite natural, como a Lua – até deixa-lo em condições adequadas para suportar um ecossistema complexo com seres vivos da Terra. Muito se especula sobre a terraformação desde os primórdios da exploração espacial. A maior parte do que se sabe sobre a modificação de planetas é baseado no que já observamos em nosso próprio mundo. Na Terra são cada vez mais evidentes os efeitos da poluição sobre o ecossistema, sinal de que é possível afetar o ambiente em uma escala global a fim de mudá-lo – embora esse processo possa ser muito (extremamente) lento.

(Na foto abaixo, como seria Marte depois do processo de terraformação)


A possibilidade de criar uma biosfera planetária que imite a Terra em um outro planeta ainda precisará ser muito estudada, já que não se conhecem os efeitos das mudanças atmosféricas e de temperatura na geologia, na geodinâmica e na morfologia de um planeta. Marte é o candidato mais provável para as primeiras experiências em terraformação. A Nasa estuda maneiras de aquecer o planeta e de alterar a sua atmosfera, preocupando-se em debater o impacto que a colonização de outros planetas teria sobre a economia e a política dos países participantes de tal tipo de projeto.

Muitas pessoas creem piamente que Marte poderá ser, muito futuramente, uma espécie de colônia da Terra e, por isso, internacionalmente já há até mesmo uma bandeira que represente o planeta para quando houver governança e contato comercial com o nosso planeta. Esta bandeira (foto abaixo) já é reconhecida entre as comunidades internacionais de física, astrofísica e astronomia.


O termo “terraformação” foi empregado pela primeira vez em 1949, num romance chamado “Seetee shock”, de Jack Williamson. Ao longo do tempo, o termo foi usado em diversos filmes e livros de ficção científica, mas foi só a partir da década de 1980 que o termo passou realmente a designar um ramo de estudo em engenharia planetária, a metodologia de tornar habitável outros corpos celestes.

Métodos teóricos de terraformação...
A amônia é um gás que promove o efeito estufa e poderia ser usado para aquecer a atmosfera de planetas frios, entretanto não existe na Terra quantidade suficiente deste gás para aquecer um planeta do tamanho de Marte, por exemplo. Uma fonte provável de amônia são os asteroides da Nuvem de Oort, que se encontram no exterior do Sistema Solar. Se estes asteroides fossem arremessados contra Marte a amônia neles presente já estaria sendo emitida para a atmosfera do planeta a partir do momento em que os asteroides começassem a se desintegrar (ainda durante a queda), entretanto o impacto de uma rocha espacial contra a superfície de Marte pode causar muita destruição e atrapalhar o processo de terraformação. Para driblar este problema existem duas alternativas: frear a queda do asteroide ou arremessar asteroides menores e muito mais numerosos ao planeta.

Dependendo do nível de dióxido de carbono e de hidrogênio na atmosfera pode ser possível produzir calor, água e grafite através da reação de Bosch. Alternativamente a isto, reagir o hidrogênio com a atmosfera de dióxido de carbono através da reação de Sabatier renderia metano e água. O metano poderia ser exalado na atmosfera contribuindo para o efeito estufa.

Com água e calor, o ambiente já estaria apropriado para a instalação de colônias seguras e economicamente viáveis. Entretanto, a terraformação não estará completa enquanto a atmosfera não contiver quantidades de nitrogênio, oxigênio, dióxido de carbono, vapor d’água e hidrogênio semelhantes a da Terra. Para que tal equilíbrio seja alcançado será necessário exalar estes gases diretamente na atmosfera do planeta, algo que só seria possível com a instalação de grandes complexos de processamento de gás ou com a criação de colônias de algas transgênicas capazes de exalar estes gases.

Criar uma atmosfera desta forma em Marte seria difícil uma vez que a atmosfera de lá é extremamente fina e frágil, enquanto que a Lua sequer conta com uma atmosfera, o que facilita a queda de grande meteoros e meteoritos nestes dois corpos celestes.

(Na foto abaixo, como seria a Lua depois do processo de terraformação)


Inviabilidades técnicas...
É evidente que nem todos os planetas poderão ser terraformados. Apenas planetas telúricos estáveis e razoavelmente próximos a uma estrela poderão ser submetidos à terraformação, enquanto planetas gasosos ou em processo de transformação geológica não poderão ser terraformados. O mesmo se aplica a planetas muito frios ou muito quentes. É importante ressaltar que em todos esses casos existe a possibilidade da instalação de colônias; contudo, o que realmente pode ser inviável é a terraformação.

Além de todos estes fatores referentes ao planeta, ainda existem os chamados fatores externos, isto é, se o sistema planetário em que o planeta se encontra for instável ou apresentar algum risco ao planeta, é óbvio que de nada vai adiantar terraformá-lo. Um exemplo disso é um sistema binário de estrelas, dependendo da situação os planetas que as circundam poderiam ser, literalmente, queimados a cada certo período de tempo dependendo claramente da órbita de uma das estrelas.

Inviabilidades econômicas...
Terraformar um planeta não é apenas difícil do ponto de vista técnico-científico, é ainda mais difícil do ponto de vista econômico. A terraformação pode custar trilhões de dólares e ainda assim ser mal sucedida. O número elevado de empresas e países que, previsivelmente, envolver-se-iam em tal processo também é sinônimo de disputas e instabilidade econômica global. De antemão, já seria difícil conseguir patrocínio, mesmo que governamental, para algo desta magnitude, visto que o retorno financeiro poderia demorar décadas ou até séculos para superar o investimento inicial – isso se, e somente se, a terraformação tenha sido bem sucedida.

Tendo em vista que a terraformação pode ser uma alternativa às condições de existência que o planeta Terra pode alcançar, ou seja, talvez em previsões ainda não claras, devido a diversos fatores, a Terra pode-se tornar inabitável, sobrando astros terraformados como alternativa. Economicamente, isso pode ser visto como mais um empecilho primordial, já que mesmo que demande altos custos, reverter possíveis problemas ambientais e outros fatores que possam vir a impedir a habitação humana na Terra, será com certeza ainda mais barato do que terraformar astros distantes e sob riscos ainda incalculáveis.

(Na foto abaixo, como seria Vênus depois do processo de terraformação)


Questões éticas referentes à terraformação...
Há um debate filosófico referente às questões éticas envolvidas num processo de terraformação. Podemos destacar, entre as pessoas que argumentam em pró da terraformação, Robert Zubrin, Martyn J. Fogg e Richard Lionel Sidney Taylor; eles acreditam que é obrigação moral da humanidade fazer de outros mundos um lugar apropriado para a vida, como uma continuação do histórico talento humano de transformar os ambientes que o rodeiam. Entretanto, existem pensadores mais cautelosos que acreditam que a terraformação pode ser uma antiética interferência humana na natureza.

Outros ainda defendem que a terraformação não fere a ética desde que o planeta a ser terraformado não abrigue formas de vida própria, caso contrário estaríamos faltando com a ética, pois a terraformação afetaria negativamente as formas de vida lá existentes, podendo inclusive extingui-las (ressaltando que a presença de vida fora do planeta Terra é apenas teórica).

Alguns teóricos apontam que o processo bem sucedido de terraformação, no caso de Marte, por exemplo, poderá ser semelhante à colonização das Américas nos séculos 15 e 16 após a sua descoberta: simplesmente um espaço geográfico para exploração de recursos naturais; e, com isso, futuramente, poderíamos ver processos de rebeliões em favor da “independência” de Marte em relação à Terra. Neste caso, já não estaríamos mais lidando com comercialização e diplomacia internacional, mas sim num elevadíssimo nível interplanetário.

sábado, 24 de agosto de 2013

“Projeto para o novo século americano”: você conhece essa teoria conspiratória?

Pouco se tem falado sobre o assunto, mas ele tem exaltado calorosos debates no meio acadêmico; trata-se do chamado “Projeto para o novo século americano”, ou em inglês “Project for a new American century” (PNAC). Trata-se de um grupo extremamente ideológico e político, de extrema direita, estabelecido em Washington, capital dos Estados Unidos, fundado em 1997 como uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de promover a “liderança mundial dos EUA”, que, segundo seus fundadores, “estaria sendo duramente comprometida com o crescimento da China, da Rússia, da Índia e do Brasil”.


O PNAC é uma organização por si só extremamente polêmica. Muitos críticos afirmam que esse projeto propõe uma dominação suprema, militar e na economia da Terra, do espaço e do ciberespaço por parte dos Estados Unidos, assim como o estabelecimento da intervenção nos problemas mundiais – problemas estes que são internos destes países, e que os Estados Unidos ainda teimariam em intervir.

O nome “Project for a new American century” procede da expressão “Novo século americano”, baseando-se na ideia de que o século 20 foi o “século norte-americano”, e que esta situação de hegemonia deveria continuar ao longo deste século 21. Vale lembrar que desde o século 19 os Estados Unidos entraram no cenário mundial como importante potência econômica e, mais fortemente, após 1917, com a entrada do país na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Isso ficou ainda mais evidente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), quando iniciou-se a Guerra Fria e seus tentáculos: Guerra das Coreias, Guerra do Vietnã, Crise dos Mísseis Cubanos, intervenção direta nas ditaduras latinas etc.


Alguns cientistas políticos concluíram que a Segunda Guerra do Golfo (2003), com o nome de “Operação liberdade no Iraque”, foi o primeiro grande passo para a execução desses objetivos. Os atentados terroristas de 11 de setembro também teriam sido uma ação executada por esta organização, fazendo parte desse plano, jogando o mundo contra os “terroristas” e assim poder atacar o Iraque sem muita contraposição dos Estados Unidos e dos outros países. Além disso, o PNAC teria orquestrado a invasão do Afeganistão, a intervenção no movimento de Primavera Árabe etc.

Vale ressaltar que muitos dos membros, dirigentes e fundadores do PNAC trabalharam nos cargos de alto escalão do governo de George W. Bush, o que aumenta mais ainda o nível de especulação envolvendo a organização e os atos governamentais oficiais e não-oficiais.

Alguns dos apontamentos e princípios...
Os primeiros princípios do PNAC foram lançados em 1997, assinados por diversos políticos e pessoas de renome dos EUA. O ato público enumerava alguns pontos importantes a serem defendidos pelo grupo seleto. Como chegava ao fim o século 20, o PNAC se dizia na obrigação de responder à pergunta: “Haveria nação maior e mais poderosa que os Estados Unidos no século vindouro?”. Assim, o projeto lançou em 1997 alguns pontos que foram considerados mais do que fundamentais para serem defendidos internacionalmente:

- Aumentar os gastos com defesa;
- Modernizar as forças armadas e sua representatividade internacionalmente;
- Fortalecer os laços com governos ditos democráticos e aliados dos Estados Unidos, e serem hostis a governos que diminuam as atividades norte-americanas e/ou sejam hostis aos interesses norte-americanos;
- Promover a liberdade política e o neoliberalismo no exterior;
- Promover o papel dos Estados Unidos como coordenador internacional de todos os assuntos entre os países.

O documento termina declarando que é de vital importância que esses princípios sejam organizados e colocados em prática para a vida dos americanos dentro de seus lares. Ou seja, alguns críticos apontam que parece a história do “espaço vital” que Hitler impôs à Europa em nome do bem-estar da raça ariana.


Pedidos de mudança de regime no Iraque durante a era Clinton...
O objetivo de mudar toda a política no Iraque fez com que o PNAC tivesse intensa atividade entre 1997 e 2001. De acordo com o jornal “The New York Times”, em 1997 o organismo fez uma série de relatórios referentes à política de países do Oriente Médio e, consequentemente, entregues a governos aliados dos Estados Unidos, tais como Inglaterra, Itália, Austrália e, principalmente, Israel. Alguns anos depois, membros proeminentes do PNAC escreveram uma carta pública que pedia ao então presidente Bill Clinton “a imediata movimentação das tropas norte-americanas para retirada do poder de Saddam Husseim do Iraque, uma vez que ele impedia interesses da nação naquela área”. Para contragosto do PNAC, Clinton somente promulgou uma sanção econômica contra o país junto à ONU.

Em 1998, membros do PNAC divulgaram um documento endereçado aos políticos republicanos (direitistas), pedindo que vetassem qualquer proposta de Clinton; seria esta uma maneira de “dar um castigo” ao presidente que não declarou estado de guerra total no Oriente Médio. No mesmo ano, observando que tais sanções não surtiam efeito, outros membros ainda mais poderosos do PNAC endereçaram outro documento a Clinton, desta vez “exigindo” a retirada de Hussein no poder e a abertura de “caminho livre” aos norte-americanos naquele território. Os signatários diziam que o Iraque poderia atrapalhar o percurso das petroleiras americanas e colocar em risco a vida de milhares de pais de famílias norte-americanas enquanto Hussein estivesse no poder. Na carta, praticamente disseram que a política Clinton era infantil, inocente, ingênua e ineficaz.


No final de 1998, signatários do PNAC deram entrevista em diversos meios de comunicação de todo planeta afirmando que a solução para o “caso iraquiano” seria o do bombardeio maciço até que Saddam Hussein se entregasse “em nome da liberdade”. Assim, o órgão convocava para a guerra generalizada entre o Ocidente e o mundo árabe, enquanto que o governo Clinton, junto com sua equipe, era massacrado pela oposição sedenta em invadir alguns dos países do Oriente Médio em busca de recursos cada vez mais baratos.

Por fim, em 1999, Clinton deflagrou no sul do Iraque o bombardeio intitulado “Operação raposa do deserto”, que o PNAC criticou ao dizer que somente dunas de areias foram bombardeadas, causando enorme prejuízo aos cofres públicos em armamentos desperdiçados. Ou seja, a intenção verdadeira e total era gerar a instabilidade na região com uma guerra sem precedentes.


Reconstruindo as defesas norte-americanas...
Em setembro de 2000, o PNAC publicou um controverso relatório de 90 páginas intitulado “Reconstruindo as defesas da América: estratégias, forças e recursos para o novo século”. O documento continua com a premissa de que os Estados Unidos deveriam procurar preservar e até ampliar sua posição de liderança mundial, mantendo a primazia das forças armadas.

O relatório argumenta que a paz dos Estados Unidos deve ser o interesse principal e, com isso, feita através de uma poderosa potência militar, lembrando-nos da “Paz Armada” precedente da Primeira Guerra Mundial da Europa – quando tinha paz o país que tivesse maior poder bélico. Após este argumento, o documento mostra alguns princípios e passos que os Estados Unidos deveriam tomar como “medidas de precaução para proteger seus interesses internacionais”.

Alguns pontos que devemos destacar deste documento, que estão presentes nele, são:

- Defender a todo custo a pátria norte-americana;
- Lutar, vencer e defender todos os quadros de guerra que os Estados Unidos se envolverem;
- Executar a segurança internacional em “zonas críticas” agindo como “polícia mundial”;
- Adotar um orçamento interno especial para colocar em prática tais projetos de extrema relevância.
- Manter a hegemonia nuclear norte-americana no mundo, baseando-se no impedimento de armamento nuclear de outras nações;
- Aumentar o contingente das forças armadas em 2,3 milhões de soldados na Marinha, Exército e Aeronáutica;
- Manter bases militares norte-americanas na Europa, na Ásia, no Oriente Médio e no Pacífico;
- Modernizar as forças armadas através de um orçamento “bastante gordo”, com aquisição de equipamentos “à altura da grandeza dos Estados Unidos”;
- Implantar um projeto antimísseis em todo mundo a fim de proteger o território norte-americano das ameaças “inimigas”;
- Controle mundial do acesso às informações, como principalmente a internet, para evitar que assuntos internos sejam explorados internacionalmente, ou interceptar mensagens internacionais que venham a colocar em risco a segurança das famílias americanas;
- Aumentar para 5% os gastos do PIB somente com as forças armadas a fim de ter a garantia da “paz armada” enfaticamente, com pessoal treinado e tecnologias dignas do século 21.


O relatório enfatiza que cumprindo esses requisitos, os Estados Unidos irão manter o seu status dominante para as próximas décadas. Por outro lado, o não-cumprimento de qualquer uma dessas necessidades deve resultar em alguma forma de recuo estratégico. Assim, medidas de economia como a retirada de tropas dos Bálcãs, por exemplo, seriam “economias porcas” que poderiam gerar problemas futuros. Em relação ao Oriente Médio, o documento determina que é de extrema importância intervir de maneira direta nos países, principalmente de cultura árabe-islâmica a fim de deter qualquer problema com Israel.

A situação após 11 de setembro de 2001 e as mudanças no Iraque...
No dia 20 de setembro de 2011, poucos dias depois do atentado às Torres Gêmeas em Nova York e ao Pentágono, o PNAC enviou um documento ao então presidente Bush pedindo que ele tomasse decisões importantes em todo o mundo para proteger os interesses internacionais dos norte-americanos. De acordo com o memorando, o terrorismo é um modelo de guerra “escondida”, que poderia estar escondido dentro da própria nação, e sua semente estava/está localizada no Oriente Médio.

De 2001até 2004, os membros do PNAC apoiaram todos os atos de guerra empreendidos por George W. Bush, principalmente a chamada “guerra contra o terror”, que não encontrou nenhuma arma química ou biológica no Iraque, e atualmente age contra a Síria e o Irã, depois de influenciar a chamada “primavera árabe”. Em 2003, por exemplo, no ano da invasão contra o Iraque e derrubada de Hussein do poder, o PNAC tinha sete de seus membros trabalhando em importantes postos da gestão Bush.


A questão dos direitos humanos, a União Europeia e os embargos...
Em 2005, os países membros da União Europeia decidiram romper o embargo imposto à China desde 1989, começando a comercializar fortemente com aquele país. Isso fez com que os membros do PNAC escrevessem um documento público dizendo-se extremamente preocupados com os caminhos que a Europa estaria escolhendo para si mesma. De acordo com seus membros, a preocupação era com o direito à liberdade e à democracia para o povo chinês; entretanto, cientistas políticos e sociólogos argumentaram que o interesse maior era em garantir a hegemonia do comércio europeu com os Estados Unidos, enquanto a China se levantava economicamente como enorme potência concorrente. A base do assunto por detrás do “humanitarismo” do PNAC era, na realidade, defender os interesses das empresas americanas.

Fim da organização “Projeto para o novo século americano”?
No ano de 2006, a rede de TV britânica BBC divulgou um documentário dizendo que o PNAC havia sido reduzido a “uma caixa de correios de voz e um site fantasma totalmente abandonado, com um único empregado”. De acordo com os cientistas políticos mais renomados, os dias de glória do “Projeto para o novo século americano” passaram rapidamente após as eleições de Barack Obama nos Estados Unidos e dos movimentos de esquerda na Europa e na América Latina.

No ano de 2007, Gary Schmitt, um dos ex-diretores do “Projeto para o novo século americano” afirmou que, realmente, o PNAC havia chegado ao seu fim, mas não por ingerência, mas sim por conta de “morte natural”, uma vez que grande parte dos objetivos haviam sido atingidos nos anos de atividade, como “a libertação” de vários países e a “chegada da democracia” a tantos outros. “Quando o projeto começou, não tinha a intenção de ir para sempre. É por isso que o desligamos aos poucos. Nós teríamos que gastar muito tempo levantando dinheiro para ele e ele já fez o seu trabalho”, disse Schmitt.


Controvérsias envolvendo o programa…
Ao longo dos anos de existência do PNAC, diversos estudiosos da sociologia, história, antropologia e ciência política debateram sobre as controvérsias envolvendo este programa tão ambicioso e controverso, que ultrapassa a soberania de todos os países. Listamos aqui alguns dos principais pontos controversos:

- O PNAC visa integralizar todos os interesses norte-americanos sem pensar nas soberanias nacionais e nos civis envolvidos em seus ataques;
- Tentativa de os Estados Unidos promoverem uma espécie de “Segunda Guerra Fria” contra países que não “abaixassem a cabeça” para suas políticas e desmandos mundiais;
- Promover uma economia extremamente liberal, fragmentando os governos mundiais, que ficariam à mercê de investidores e poderosos empresários/banqueiros, destruindo o Estado de Bem-Estar Social;
- O exagero de desculpas do PNAC e do governo Bush para manifestar positivamente os interesses norte-americanos, como mentindo em pronunciamentos nacionais e causando alienação no povo através de notícias controversas sobre estas “áreas de conflitos”;
- Nivelação do planeta em dois eixos: aqueles que estão a favor dos Estados Unidos e aqueles que estão contrários, o famoso “Eixo do mal”, numa espécie de ame-o ou deixe-o;
- Em todos os seus documentos públicos, o PNAC usava a expressão “os Estados Unidos são um império mundial, e devem continuar a sê-lo, custe o que custar”, numa alusão a um possível conflito armado com quem quer que fosse;
- Excesso de “imperialismo cultural”, diminuendo as regionalizações e promovendo uma homogeneização nos costumes através de produtos como músicas, filmes e seriados de TV, promovendo o “American way of life”;
- Tentativa de mostrar uma historiografia controversa, cheia de falhas, em suas produções cinematográficas, uma vez que é reconhecido que os EUA perderam a Guerra do Vietnã e que os soviéticos realmente foram os responsáveis pela derrota do nazismo na Segunda Guerra;
- Excessivo enfoque nas estratégias militares e de guerra, negligenciando as estratégias diplomática e as determinações da ONU;
- Nunca aceitar os erros cometidos pelos Estados Unidos ao longo da história, como a dizimação dos índios, patrocínio aos golpes militares na América Latina, testes científicos feitos sumariamente na África, uso de mão-de-obra escrava etc;
- Uso de preconceito contra milhões de imigrantes que fazem girar a economia norte-americana, tais como os latinos, coreanos, chineses, africanos e alguns europeus (como poloneses, ciganos, irlandeses);
- Ao falar em “guerra contra o terror” em 2001, o governo Bush não delimitou claramente o que era “terror”, e, com isso, milhões de cidadãos de outros países foram tidos como suspeitos em aeroportos norte-americanos, causando constrangimento, o que seria inadmissível em caso inverso.


Inexperiência no caso do Iraque...
Vários deputados e senadores dos Estados Unidos, principalmente do Partido Republicano, haviam manifestado extrema preocupação com a política agressiva de guerra total proposta pelo PNAC. O grande exemplo apontado pelos políticos foi a série de documentos falsos acusando o Iraque de ter armas químicas, biológicas e nucleares e, após a derrota de Husseim, nada foi descoberto até os dias de hoje. Os planos do PNAC falharam várias vezes ao longo da história com a inexperiência de seus membros.

Segundo cientistas políticos, o empreendimento no Oriente Médio tem sido baseado em políticas diversas, com fontes controversas, documentos alterados propositalmente, gerando mortes desnecessárias, quanto de soldados norte-americanos quanto de civis iraquianos, por exemplo. Para Neil MacKay, editor escocês, a guerra contra o Iraque teve sucesso, mas falhou porque ainda há insatisfação e instabilidade na área.

A inexperiência em relação à tomada do Iraque e do Afeganistão, bem como as tentativas contra o Irã e a Coreia do Norte, mostra que o “grande império” ainda se baseia em relatório secretos, porém duvidosos e sem comprovação daquilo que divulga – como o caso das armas de destruição de massa iraquianas. Uma inexperiência como esta pode levar o mundo a uma terrível dizimação através de uma Terceira Guerra Mundial.


De acordo com alguns autores mais extremistas, adeptos de teorias conspiratórias, o “Projeto para o novo século americano” disfarça temas que nossa sociedade já conhece há muitos séculos: racismo, sexismo, homofobia etc. Situações que foram presenciadas e ocorridas durante a Segunda Guerra, na Alemanha, através dos nazistas. Ou seja, de acordo com estes apocalípticos, os EUA tentariam “limpar” o território americano através da eugenia – o “sangue puro”, lembrando que Hitler pregava o “sangue puro ariano”. Para o “Projeto para o novo século americano”, o tal sangue puro viria dos WASP’s – brancos, descendentes de ingleses e protestantes – e antigos membros da Ku Klux Klan. À época, membros do PNAC responderam que esta seria uma “teoria absurda”, já que os Estados Unidos foram formados pela mão-de-obra de negros, orientais, imigrantes europeus etc.

Pessoas associadas ao “Projeto para o novo século americano”...
De acordo com os livros pesquisados, entrevistas lidos, artigos encontrados e o próprio site do PNAC, fizeram parte de sua organização pessoas proeminentes na sociedade e na economia dos Estados Unidos, que têm interesses diretos nestas afirmações de intervenção ditas acima. Algumas delas são: Clifford May, Dick Cheney, Donald Kagan, Donald Rumsfeld, Eliot Cohen, Colin Powell, Condoleeza Rice, Francis Fukuyama, John Bolton, John Lehman, John McCain, Michael Bloomberg, Paul Wolfowitz, Stephen Rosen, Madaleine Albright etc.


Este texto tem o objetivo de mostrar que tudo tem sempre uma intencionalidade por detrás da “cortina democrática”. Mostra que os grandes atores da geopolítica mundial discutem, debatem e controlam o planeta e os países como um jogo de xadrez, aonde conduzem as peças, que somos nós. Por isso é importante sempre estarmos de olhos abertos nestes casos e mantermos apropriados o olho crítico.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fogo-de-santelmo: você já ouviu falar neste fenômeno natural tão estranho?

O fogo-de-santelmo – também conhecido como fogo de São Telmo, ou fogo de Santo Elmo – tem despertado a curiosidade dos seres humanos desde o início da humanidade, há milênios. Assustador para os leigos, muito simples para os estudiosos, mas em ambos os casos são simplesmente fenômenos fascinantes que geraram lendas, histórias, boatos e folclores. No post de hoje vamos nos debruçar a explicar um pouco sobre esse fenômeno da natureza. Voilà!


Genericamente, o fogo-de-santelmo consiste em uma descarga eletroluminescente provocada pela ionização do ar num forte campo elétrico provocado pelas descargas elétricas. Mesmo sendo chamado de “fogo”, é na realidade um tipo de plasma provocado por uma enorme diferença de potencial atmosférico, parecendo mais com um relâmpago insistente, que demora a apagar.

O fenômeno deve seu nome a São Pedro Gonçalves Telmo ou a Santo Erasmo, também conhecido como Santo Elmo, ou São Telmo, santos padroeiros dos marinheiros e barqueiros, que haviam observado o fenômeno desde a Antiguidade, e acreditavam que a sua aparição era um sinal propício e que acalmava a tempestade. Ou seja, desde os tempos mais antigos o fogo-de-santelmo está envolvido com o obscuro, o sobrenatural, o outro mundo, espíritos etc.

Fisicamente, é um resplendor brilhante de cor branco-azulado que, em algumas circunstâncias, tem o aspecto de um fogo com faísca dupla (ou tripla), que surge de estruturas altas e pontiagudas – tais como: mastros, cruzes de igrejas, chaminés etc. Como antigamente, há muitos séculos, as estruturas mais altas eram as igrejas e templos de um modo geral, o fenômeno ganhou as conotações sobrenatural e religiosa. Ele se observa com frequência nos mastros dos barcos durante as tormentas elétricas no mar, alterando a bússola, para desassossego da tripulação. Benjamin Franklin já observara, em 1749, que o fenômeno é de natureza elétrica, desbanalizando o “achismo” com relação ao obscurantismo do fenômeno.



O fogo-de-santelmo também ocorre com frequência em aviões – e há vários vídeos na internet mostrando-os. Também aconteciam nos dirigíveis, quando eles eram comuns e, com isso, havia risco para passageiros e tripulantes, já que muitos deles eram inflados com hidrogênio, gás extremamente inflamável e explosivo. Ao longo da história, por exemplo, temos vários registros de acidentes com dirigíveis e várias mortes por conta disso.

Outro ponto interessante é que o fogo-de-santelmo pode aparecer entre as pontas dos chifres dos bovinos durante as tormentas elétricas, e em objetos afiados e pontiagudos em meio a um tornado. Entretanto, vale ressaltar que ele não é o mesmo que o fenômeno denominado raio globular, mesmo estando relacionados.

Na Grécia Antiga, a aparição de um único fogo-de-santelmo era chamado de Helena, e, quando eram dois, eram chamados de Castor e Pólux, todos eles relacionados a personagens míticos extremamente importantes para a religião daquela época.


Historicamente, referências ao fogo-de-santelmo podem ser encontradas em mitologias gregas, chinesas, celtas, coreanas, romanas etc. Na China medieval, por exemplo, era sinal de boa viagem para os marinheiros, uma vez que eles entendiam o fenômeno como bênçãos da deusa Mazu. Na obra clássica do português “Os Lusíadas”, Camões se refere ao fogo-de-santelmo como “corpus sanctos”.

Até Charles Darwin, durante sua jornada mundial em seu navio Beagle, para estudar a evolução das espécies, escreveu sobre o fogo-de-santelmo em sua embarcação, na altura do Rio da Prata, na Argentina, já apontando sobre um possível fenômeno meteorológico e físico, desbanalizando o folclore de diversos países.

Curiosamente, em 1899 o físico Nikola Tesla criou um fogo-de-santelmo em suas experiências laboratoriais, comprovando que este era um fenômeno elétrico que poderia ser produzido e repetido em laboratório, o que abriu ainda mais o campo para o estudo da eletricidade controlada. Ou seja, poderíamos dizer que graças ao fogo-de-santelmo, atualmente, temos energia elétrica em nossas casas, trabalho etc.

Um fato interessante é que as caixas pretas do avião da Air France, do voo 447, que ligava o Rio de Janeiro a Paris, e caiu no oceano em 2009, mostrou que antes de cair, o avião teve imensa atividade de fogo-de-santelmo por longos 23 minutos, o que poderia ter ajudado na queda do avião, mas isso são simples suposições.


De modo geral, o fogo-de-santelmo sempre esteve envolto de mistério, mitologias, folclores e associações religiosas. Somente no século 19 que houve os primeiros estudos relacionando-os a fenômemos físicos e metereológicos. Entretanto, até mesmo o mestre Shakespeare usou o fenômeno para ilustrar uma das suas peças teatrais, “A tempestade”.

É válido notar que no Ocidente o fogo-de-santelmo sempre foi associado a eventos ruins, enquando que no Oriente ocorria o contrário: boa viagem, bons fluidos, boa proteção etc. Sempre o que é desconhecido pelo ser humano é atribuído ao desconhecido, aos deuses, ao Deus, à fé etc. Entretanto, a ciência cartesiana, metódica, construtura, veio criar uma nova visão sobre a ocorrência deste fenômeno, o fogo-de-santelmo.


terça-feira, 20 de agosto de 2013

Páscoa: a festa da ressurreição de Cristo. Apontamentos interessantes...

A comemoração da ressurreição de Cristo, na Páscoa, é o ponto de partida de todas as festas do calendário eclesiástico, principalmente nas igrejas católica e ortodoxa. Ela foi a primeira festa celebrada pelos antigos cristãos, que a comemoravam em um domingo. Desde então, esse dia da semana passou a ser observado como uma lembrança dos acontecimentos pascais. Na realidade, a Páscoa está associada à paixão de Cristo: a última ceia aconteceu em uma quinta-feira e a crucificação, em uma sexta.


Como a ressurreição ocorreu próxima do equinócio da primavera e durante a lua cheia, os calendaristas resolveram que a Páscoa devia ser celebrada quando ocorressem esses dois fenômenos astronômicos. Desse modo, as principais festas religiosas passaram a ser regidas pelo movimento lunar e, consequentemente, deixaram de corresponder em cada ano à mesma data; elas se tornaram, portanto, móveis.

A Páscoa significa o fim da Quaresma, que já no início do século IV constituía um período de 40 dias. Todo o ciclo das festas móveis dependia, desde o princípio do cristianismo, da comemoração dominical da ressurreição de Cristo. Com o passar dos séculos, tal dependência adquiriu um desenvolvimento maior. A ascensão ocupa um lugar na liturgia desde o tempo de Eusébio, no século II. A Trindade e Corpus Christi são festas posteriores, assim como a festa da coroação de Jesus, que também é do ciclo da Páscoa. Em 376, o Natal, que é uma festa fixa, foi imposto por um decreto apostólico, que o estabeleceu em 25 de dezembro.


No início, a comemoração da festa da Páscoa deu lugar a certas confusões, não só pelo fato de certos adeptos comemorarem a crucificação e outros a ressurreição, mas também em virtude das incertezas nas datas exatas destes acontecimentos. Em Roma, desde César, o equinócio foi fixado em 25 de março, já em Alexandria, por motivos astronômicos, em 21 de março.

Acreditando que o calendário juliano fosse perfeito, o Concílio de Niceia, em 325, decidiu adotar regras fixas para determinar as datas das principais festas católicas. Essas regras baseavam-se na suposição de que o equinócio da primavera (para o Hemisfério Norte) dar-se-ia sempre no dia 21 de março, como se observava em Alexandria. Assim, a Páscoa, segundo os sábios reunidos em Niceia, deveria ser celebrada no primeiro domingo depois do plenilúnio (lua cheia) que se segue ao equinócio da primavera. Só após uma longa discussão, as datas as celebrações de certas grandes festas religiosas foram definitivamente fixadas. Entretanto, à medida que passavam os séculos, o equinócio da primavera se afastava do dia 21 de março.

Com efeito, no século 8, a Igreja verificou que a Páscoa, festa da primavera no Hemisfério Norte, se deslocava pouco a pouco para o verão. Em 1414, no Concílio de Constança, o teólogo e geógrafo francês Pierre d’Ailly propôs uma modificação na intercalação dos anos bissextos (quando fevereiro tem 29 dias). Novamente, em 1563, a questão da reforma do calendário foi agitada no Concílio de Trento, que recomendou ao papa o estudo desse grave problema. Concluiu-se, então, que o calendário juliano, instituído pelo Imperador Júlio César, após consultar o astrônomo egípcio Sosígenes, não era exato, pois não conseguia manter fixo o início das estações.


Após ter sido aconselhado, em 1572, pelos mais esclarecidos astrônomos da época, em particular pelo astrônomo e médico italiano Aloysius Lillius, o Papa Gregório 13 propôs, em 1582, quando consultou e obteve o acordo dos principais soberanos católicos, uma reforma do calendário. Tal reforma consistiu primeiramente em diminuir em dez dias o ano de 1582; segundo, que deixassem de ser bissextos e passassem a ser comuns cada três anos num período de 400 anos. Com essas medidas ficou sanado o erro de 3 dias que se acumulavam no fim de 400 anos pela reforma juliana. Isso foi preponderante para a Páscoa conforme conhecemos hoje em dia, e todo o calendário litúrgico.

Ao legislar sobre a maneira de suprimir esses três anos bissextos, convencionou-se que todos os anos seculares, que pela regra de Júlio César deviam ser bissextos, apenas o fossem aqueles cujas centenas fossem divisíveis por quatro. Assim, foram bissextos pelo calendário juliano os anos 1600, 1700, 1800, 1900 e 2000, enquanto no gregoriano foram bissextos somente 1600 e 2000. Atualmente, o calendário juliano tem uma diferença de 13 dias entre a data do calendário gregoriano; assim, por exemplo, na Rússia, o Ano Novo é celebrado no dia 13 de janeiro de nosso calendário.


Tal correção permitiu estabelecer para o ano gregoriano uma duração média de 365,242 dias; o excedente seria de apenas 0,0003 dias, ou seja, de 1,13 dia em 4 mil anos. Segundo as regras deste cômputo eclesiástico, cujas tabelas foram estabelecidas pelos conselheiros do Papa Gregório 13, a Páscoa pode ser celebrada em 35 datas diferentes, entre os dias 21 de março e 26 de abril, nunca antes ou depois disto. As determinações da Páscoa passaram desde então a ser baseadas no movimento médio de uma Lua fictícia, e não no movimento verdadeiro do nosso satélite natural. Assim, os cálculos astronômicos, com base no movimento verdadeiro da Lua, deixam em evidência que o cômputo gregoriano pode fazer a lua cheia média cair um dia, ou, às vezes, antes ou depois da lua cheia verdadeira.

Em 1987, a lua cheia verdadeira caiu no dia 13 de abril, segunda-feira, e a lua cheia pascal, no dia 19 de abril, domingo de Páscoa. Vale salientar que o dia 14 de abril foi a Páscoa dos judeus, o Pêssach. Essa festa judaica foi instituída em memória da passagem pelo Mar Vermelho a pé enxuto, quando o povo de Israel se libertou da servidão egípcia, fato que constitui os primeiros passos para o surgimento da nacionalidade judaica. Tal festa se celebra no dia 15 do mês de Nisã, que satisfaz as condições de ser o dia da primeira lua cheia da primavera. A não-exigência de ser um domingo o dia da Páscoa, como ocorre com o calendário cristão, faz com que, no calendário lunissolar israelita, a Páscoa ocorra sempre no plenilúnio (lua cheia).



Já a Páscoa cristã visa respeitar um fato histórico: a morte de Cristo, que segue o Pêssach judaico que se celebra sempre na lua cheia e inicia-se, segundo as Leis de Moisés, pela imolação do cordeiro. A primeira Páscoa cristã, no curso da qual Jesus constituiu a Eucaristia, ocorreu na noite de quinta-feira, que precedeu a sexta-feira, em 14 Nisã, enquando a ressurreição se efetuou três dias mais tarde, no calendário da época, em 17 Nisã. Se partirmos dos dois princípios – o primeiro, que a ceia se realizou numa quinta-feira; o segundo, que os cronologistas acreditam que a morte de Jesus se deu no ano 29 ou 33 da nossa era, é fácil deduzir que foi no ano 33 que ocorreu a ceia, pois o dia 14 Nisã do calendário israelita corresponde à noite de 02 de abril, quinta-feira, do calendário juliano. No ano 29 da nossa era, o dia 14 Nisã corresponde ao dia 17 de abril, que foi um domingo. Assim, verificou-se que o verdadeiro dia da ressurreição ocorreu no domingo, dia 25 de abril, que seria o verdadeiro dia de Páscoa – caso fosse uma data fixa.

Apesar disso, convencionou-se comemorar o aniversário da ressurreição na Páscoa, quando a própria natureza contribui, para que esta seja a mais bela de todas as festas religiosas pois é celebrada próximo à primavera, no Hemisfério Norte, durante a lua cheia. Com efeito, o Sol, ao passar no equinócio, distribui por igual os seus raios por todo o planeta; a Lua, por estar no plenilúnio, não deixa de iluminar com os seus raios que à noite celebram a Páscoa; e a Terra, por estar entrando na primavera, faz com que os campos comecem a florir e as aves retornem com seus cantos.

Por ser tão belo este período, já na época pré-mosaica os pastores nômades o adotavam para realizar suas principais festas.


Texto adaptado de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão em “O livro de ouro do universo”, da Ed. Moderna.

sábado, 17 de agosto de 2013

Você conhece a teoria da existência real dos “homens de preto”?

Quase todos nós assistimos à trilogia de sucesso do cinema “MiB: Homens de Preto”, que falava sobre uma partição do serviço secreto norte-americano para tratar de identificar supostos aliens “passeando” pelo nosso planeta. Poucas pessoas fora dos Estados Unidos conhecem essa história, mas o filme é uma sátira a uma lenda urbana muito comum naquele país, a lenda dos “homens de preto”, como temos aqui a historinha do “velho do saco que carrega crianças”, por exemplo. Mas há quem acredite na existência desta repartição secreta da CIA, e hoje vamos falar sobre esta história folclórica da história contemporânea dos Estados Unidos.



Homens de preto, do inglês “Men in black”, ou simplesmente “MiB”, fazem parte de uma lenda urbana norte-americana ligada à ufologia e à teoria da conspiração, que na cultura popular e nas teorias conspiratórias ufológicas trata-se de homens trajando ternos pretos e alegando serem agentes governamentais, que tentam assediar ou intimidar testemunhas de Ovni’s para fazê-las manterem total silêncio a respeito de informações sobre um fato ufológico presenciado por tais testemunhas.

De acordo com o folclore, estes homens entram repentinamente em suas casas fazendo-lhes ameaças. Por vezes, sugere-se que eles mesmos sejam extraterrestres disfarçados de seres humanos. Para outros, seriam alienígenas a serviço de algum governo ou organização de outro planeta.

Quando questionados sobre a existência de uma divisão chamada “MiB”, tanto o governo dos Estados Unidos quanto a CIA e o FBI afirmam que não comentam o assunto, que não tem a menor relevância e que não fala sobre especulações de lendas urbanas e “teorias infantis”. No entanto, algumas pessoas que testemunharam publicamente sobre visão de discos voadores e contatos imediatos afirmam categoricamente terem sido perseguidas por estes homens, que afirmam trabalhar para o governo, apelando para a ameaça e a violência.

Nas fotos abaixo temos duas imagens tiradas por pessoas que disseram publicamente terem sido contactadas por alienígenas. Uma imagem é do início da década de 1960, e a outra é de 2005, de uma câmera de vigilância de um prédio de escritórios em Houston.



O termo também é frequentemente usado para descrever homens misteriosos que trabalham para organizações anônimas, bem como para vários setores do governo, supostamente para proteger segredos, ou desempenhar outras atividades “estranhas”. O termo é genérico, usado para referir-se a qualquer indivíduo incomum, ameaçador ou de comportamento estranho, cuja aparição em cena pode estar relacionada de alguma forma a um avistamento de discos voadores ou objetos voadores não identificados.

Origem da “lenda”...
O fenômeno começou a ser divulgado inicialmente, e com mais frequência, nos anos 50 e 60, a princípio em um livro de 1956, de Gray Barker, contemporâneo a muitas outras teorias da conspiração – uma vez que vivíamos um período de auge entre o acirramento dos Estados Unidos com a União Soviética, chamado de “Guerra Fria” (1945-1989). Neste período havia uma atividade de espionagem intensa entre ambos os países, e qualquer pessoa poderia ser considerada “uma terrível ameaça aos segredos e à segurança do país”.

Segundo Jerome Clark, em “The UFO encyclopedia”, o primeiro encontro com os chamados “homens de preto” teria ocorrido em 1953, quando o editor Albert Bender afirmou ter descoberto o segredo dos discos voadores, e, com isso, teria sido ameaçado por três homens trajando ternos e chapéus pretos. De início, Bender acusou abertamente serem eles agentes do governo dos Estados Unidos, mas suas descrições posteriores mesclaram características sobrenaturais com o folclore envolvendo a ufologia e possíveis seres de outros planetas.

Na verdade, Bender inicialmente mostrava-se cético quanto ao fenômeno dos homens de preto e os encontrou pela primeira vez “em carne e osso” após publicar um relato do incidente da Ilha Maury, ocorrido em 1947, quando Harold Dahl relatou a queda de fragmentos de um Ovni sobre o barco em que se encontrava em Puget Sound, matando seu cão. No dia seguinte, Dahl teria sido advertido por um homem de terno preto, dirigindo um Buick 1947, que seria melhor permanecer em silêncio a respeito do incidente.


De acordo com alguns folcloristas norte-americanos que estudaram os relatos de possíveis testemunhas de encontros com homens de preto, há uma série de combinações comuns envolvendo os relatos destas testemunhas: (1) tais homens atuam sempre em trio; (2) aparência “estrangeira”; (3) falam pouco, o essencial, sempre em tom afirmativo e ameaçador; (4) andam em carros pretos sem emplacamento; (5) tais carros são vistos circulando a casa da testemunha dias antes da interceptação; (6) caso a testemunha continue afirmando publicamente o que conheceria, há ameaças através de telefonemas.

Não há a menor comprovação da existência dos homens de preto, como vídeos, fotos etc. Mesmo assim algumas pessoas insistem que foram ameaçadas por esta organização que seria secreta dentro do próprio governo dos Estados Unidos. A corrente ufológica diverge sobre o assunto, afirmando que podem haver erros nos relatos das pessoas, fantasiando o que não existe, e outros afirmando que sim, há um serviço secreto especializado na temática e represália contra testemunhas de casos ufológicos.

De real mesmo, temos somente a trigolia do cinema “MiB: Men in black”, que trabalha com tonalidade de humor e sátira a essa lenda urbana norte-americana desde os anos 50, valendo a pena lembrar do contexto em que ela surge, o auge da Guerra Fria e as ameaças de duas superpotências da época.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Telepatia: comunicação entre mentes. Algo a ser pesquisado, fato ou farsa?

A telepatia está presente em produções hollywoodianas de ficção científica, mas bastante real na vida de muitas pessoas que dizem ter passado por abduções alienígenas. Segundo essas pessoas, os aliens conseguiam se comunicar pela mente – lendo pensamentos – e falando o idioma local dessas pessoas. Será que a telepatia seria um recurso da mente humana que ainda não conhecemos e precisaríamos estudar com mais afinco, ou seria simplesmente produto da ficção? É o que vamos falar no post de hoje.


A palavra “telepatia” tem origem no idioma grego “téle”, “distância, longe” e “pátheia”, “sentir, sentimento”. É definida pela parapsicologia como a habilidade de adquirir informação sobre o pensamento, sentimento e demais atividades mentais de outras pessoas, sem o uso de ferramentas já conhecidas como linguagem verbal, linguagem corporal ou linguagem escrita.

O termo foi usado pela primeira vez em 1882 por Fredric Myers, fundador da Sociedade para Pesquisa Psíquica, substituindo expressões como “transferência de pensamento”. A telepatia é considerada uma forma de percepção extrassensorial ou anomalia cognitiva, e é frequentemente relacionada a vários fenômenos paranormais tais como premonição, clarividência e empatia.

Embora muitos experimentos científicos sobre a telepatia tenham sido realizados, incluindo aqueles feitos recentemente por universidades respeitáveis nos Estados Unidos (alguns até mesmo com resultados positivos), a existência da telepatia não é aceita pela maioria dos cientistas.

Mesmo com todas pesquisas e estudos relativos aos assuntos psiônicos, as evidências existentes ainda não têm o peso suficiente para que seja aceita a existência do fenômeno, até que seja possível comprovação científica a respeito do mecanismo do fenômeno. Devem-se questionar, neste sentido, quais são os fatores que contribuem para que uma determinada teoria seja aceita enquanto científica e não outras. Em ciência, assim como em toda área do conhecimento, sempre estão em pauta interesses que escapam meramente do campo “científico”, tais como interesses financeiros, econômicos, políticos e ideológicos.


A história da telepatia e seu estudo...
Diferente da maioria das outras ocorrências aparentemente sobrenaturais, a menção da telepatia é bastante comum em textos históricos. Na Bíblia, por exemplo, alguns profetas são descritos como tendo a habilidade de ver o futuro (precognição), ou conhecer segredos íntimos das pessoas sem que as mesmas os tenham dito. Na Índia também existem diversos textos falando sobre a telepatia como uma sidhi, adquirida pela prática da ioga. Mas o conceito de receber e enviar mensagens entre pessoas parece ser algo relativamente moderno. Neste conceito existe um emissor e um ou vários receptores.

Os cientistas ocidentais que investigam a telepatia geralmente reconhecem que o seu estudo começou com o programa de pesquisa da Sociedade para Pesquisa Psíquica. O ápice de suas investigações foi o relatório publicado em 1886 em dois volumes “Phantasms of the living”. Foi neste trabalho que o termo “telepatia” foi introduzido, substituindo o termo anterior “transferência de pensamento”. Embora muito das investigações iniciais consistiam de uma grande reunião de artigos anedóticos com investigações a serem realizadas, eles também conduziram experimentos com algumas dessas pessoas que reivindicavam ter capacidades telepáticas. No entanto, seus protocolos experimentais não eram muito respeitáveis como são os padrões atuais.

Em 1917, o psicólogo John Coover, da Universidade de Stanford, conduziu uma série de provas de telepatia envolvendo transmitir/adivinhar cartões de jogo. Seus participantes eram capazes de adivinhar a identidade de cartões com probabilidade de 160 a 1; no entanto, Coover não considerou os resultados serem suficientemente significativos para se ter um resultado positivo.

Talvez as mais conhecidas experiências de telepatia foram realizadas por J. B. Rhine e seus sócios na Universidade de Duke, começando em 1927 usando “os diferenciados Cartões ESP” de Karl Zener. Os protocolos experimentais eram mais sistemáticos e rigorosos do que aqueles do século 19, verificando as habilidades dos participantes antes que esses reivindicassem ter supostamente esta capacidade excepcional acima da “média”, e usando os novos avanços no campo de estatística para avaliar resultados. Os resultados destes e outras experiências foram publicados por Rhino no seu livro “Percepção extrassensorial”, que popularizou o termo “ESP”.

Outro livro influente sobre telepatia era o “Rádio mental”, publicado em 1930 pelo ganhador do prêmio Pulitzer, Upton Sinclair (com prefácio de Albert Einstein). Nele Sinclair descreve a capacidade da sua esposa de às vezes reproduzir esboços feitos por ele mesmo, quando separados por vários quilômetros, em experiências aparentemente informais que foram usadas posteriormente por pesquisadores da visão remota. Eles classificaram o mesmo como uma espécie de clarividência, e fizeram algumas experiências cujo resultado sugere que nem sempre um emissor é necessário, e alguns desenhos podiam ser reproduzidos precognitivamente.

Pelos idos de 1960, muitos parapsicólogos ficaram aborrecidos com as experiências de J. B. Rhino, parcialmente por causa das mesmas serem tremendamente enfadonhas causando um “efeito de declínio” nas provas depois de muitas repetições (monotonia), e por causa de se observar que a exatidão da adivinhação das cartas diminuía com o passar do tempo.


Em consequência das informações reunidas em pesquisas com experiências (espontâneas) com diversos psi que informaram que, era mais comum que suas habilidades ocorressem no estado de sonho, os pesquisadores Montaque Ullman e Stanley Krippner, do Centro Médico de Maimônides, Nova York, empreenderam uma série de experiências para testar a telepatia no estado de sonho. Um participante “receptor” era colocado em uma sala à prova de som, o local era eletronicamente protegido e ele seria monitorado enquanto dormisse por padrões eletroencefalogramas e movimento rápido dos olhos indicando estado de sonho.

Um “emissor” em outro local, então, tentaria enviar uma imagem, casualmente selecionada de uma relação de imagens, ao emissor focalizaria a imagem durante momentos que fossem detectados os estados de sonho. Perto do fim de cada período de movimento rápido dos olhos, o receptor seria acordado e seria pedido para descrever seu sonho durante esse período.

Os dados reunidos sugeriram que, às vezes, a imagem enviada foi incorporada em algum meio no conteúdo dos sonhos do receptor. Enquanto os resultados de experiências de telepatia de sonho eram interessantes, para executar tais experiências eram necessários muitos recursos (tempo, esforço e pessoal). Outros pesquisadores procuraram alternativas mais fáceis, tal como a assim chamada “Experiência de Ganzfeld”. Todavia, não houve qualquer protocolo experimental satisfatório no projeto para se distinguir a telepatia de outras formas de “atividades sobrenaturais”, tal como clarividência.

A Experiência de Ganzfeld recebeu muita atenção recentemente, e alguns acreditam que ela fornece alguma evidência experimental de telepatia. Outras experiências foram conduzidas pelo biólogo Rupert Sheldrake, que reivindica resultados de sucesso. Eles incluem experiências em: a “sensação de estar sendo observado”, em que o receptor adivinha se ele está sendo observado por outra pessoa, ou se o receptor pode contar quem está lhe telefonando antes que ele atenda ao telefone.


Na busca de se achar uma base científica para a telepatia, alguns proponentes de psi olharam alguns aspectos de Teoria Quântica como uma possível explicação da telepatia. Em geral, teóricos psi fizeram analogias gerais e pouco específicas sobre o “inaceitável desconhecido” da religião e parapsicologia, e o “aceitar do desconhecido” nas ciências quânticas. Os exemplos claros são as teorias do princípio da incerteza e do embaraço quântico (conexões que permitem interação aparentemente instantânea) da mecânica quântica. No entanto, físicos declaram que esse efeitos mecânicos da teoria quântica só se aplicam em escalas de universo nanométrico, e desde que os componentes físicos da mente são todos muito maiores, estes efeitos de quantum devem ser insignificantes.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Pornocracia da “Idade das trevas”: você conhece este termo e esse período da história?

Alguns autores abordam muito este termo: “Pornocracia”, mas poucas pessoas sabem de onde ele vem e qual a sua historicidade. Se formos analisar a palavra como si, teremos os compostos “pornô” (que atiça a libido, a sexualidade) + “cracia” (governo). Ou seja, um governo sob a égide das regras da libertinagem, da sexualidade, ou a falta de qualquer tipo de regra social (o que não deve ser confundido com a anarquia, que é o governo sem instituições).

Enfim, hoje vamos conhecer um pouco deste período obscuro da história humana, que envolve a Idade Média, a Igreja católica e a governança dos seres humanos. A pornocracia não ficou relegada aos porões historiográficos, e é bem trabalhada por diversos autores que tentam remontar o período conhecido como “Idade das trevas” e, principalmente, aqueles que lidam com a história das religiões.


A Pornocracia é conhecida oficialmente como “Saeculum obscurum” (ou “Idade das trevas” em latim), um termo que designa um período da história do papado da Igreja que se estendeu da primeira metade do século 10, com a instalação do Papa Sérgio III, em 904, e terminou após a morte do Papa João XII, em 963. Alguns historiadores medievalistas afirmam que este período foi menor, tendo durado apenas 30 anos e terminado com 935, com o reinado do Papa João XI.

O período foi primeiramente identificado e nomeado pelo cardeal italiano e historiador eclesiástico César Barônio em seu “Annales ecclesiastici”, no século 16, cuja fonte primária foi de Liutprando de Cremona. O historiador Will Durant se refere ao período de 867-1049 como o ponto “mais baixo do papado” e um dos mais bizarros do catolicismo em toda sua história, mesmo séculos depois com a venda exagerada de indulgências e relíquias, que culminou na Reforma Protestante.


Algum tempo depois, outros estudiosos passaram a usar termos pejorativos para este período, como “Pornocracia” (originalmente vindo do alemão “Pornokratie”, ou “Governo das prostitutas”), ou ainda “Estado das meretrizes” (também originalmente vindo do alemão “Hurenregiment”), ambos inventados por teólogos protestantes no século 19 com o objetivo de atacar o catolicismo. Com o tempo, o termo “Pornocracia” ganhou o mundo, os livros e a linguagem da maior parte dos historiadores contemporâneos.

Mas, afinal de contas, o que aconteceu neste período?
Durante este período, os papas eram fortemente influenciados por uma poderosa família aristocrática, Theofilato e seus parentes e sob forte influência de mulheres – embora nem todas fossem prostitutas –, em especial Teodora e sua filha Marózia. A família Teofilato ocupava posições de importância crescente na nobreza romana; Teodora (mãe) e suas filhas, Teodora e Marozia tinham uma grande influência sobre a escolha do papa e dos assuntos religiosos em Roma, através de conspirações, negociatas e casamentos.

Durante a Idade Média a Igreja católica era a instituição mais poderosa do mundo ocidental, sendo que os reis e governos estavam abaixo dela e deveriam respeitá-la. Por isso, neste período, houve grande influência na compra, venda e negociação de títulos eclesiásticos. Não havendo seminários de formação como os de hoje (criados somente no século 16), rapazes de apenas 22 anos poderiam ser nomeados cardeais ou arcebispos graças às fortunas e influência de seus familiares.

De acordo com o que nos informa Liutprando de Cremona, durante a Pornocracia Marozia teria sido concubina do Papa Sérgio III, quando ela tinha 15 anos e mais tarde teve outros amantes e maridos. Ainda segundo ele, João X foi nomeado para o cargo por Teodora, Marozia tornou-se sua amante e mais tarde o assassinou através de seu marido, Guy da Toscana, para eleger seu favorito atual como o Papa Leão VI, que posteriormente também foi assassinado e substituído pelo filho de Marózia, como o Papa João XI.


É interessante pontuar que durante os séculos 15 e 16, Roma era conhecida como “a prostituta da Europa”. Havia vários bordéis e casas de banho especializadas em atender aos religiosos e peregrinos; desde prostituição heterossexual até prostituição homossexual. A venda de relíquias supostamente santas e a venda de indulgências para a construção do Complexo Vaticano que conhecemos hoje revoltou uma série de burgueses e religiosos do baixo clero, dentre eles Martinho Lutero, que graças a isso – e com outros objetivos variados – iniciou o movimento conhecido como Reforma Protestante.

Em seus relatos e de outras pessoas daquela época, Lutero cita que em Roma havia prostituição em todos os cantos; religiosos procuravam por dinheiro e a cidade “cheirava a sexo”. A luxúria explodia em bordéis extremamente luxuosos para altos cardeais, arcebispos e papas, ou pequenas casas para religiosos menores na hierarquia religiosa. A partir deste contexto que os alemães criaram a nomenclatura “Pornocracia”.

Também é justamente deste período entre 867 e 1049 que vemos o curioso caso da suposta Papisa Joana, reconhecidamente uma história inventada por iconoclastas para quebrantar a imagem da Igreja, instituição mais forte e poderosa da época.


Lista dos papas que governaram a Santa Sé durante a “Pornocracia”...
  • Papa Sérgio III, suposto amante de Marozia
  • Papa Anastácio III
  • Papa Lando
  • Papa João X, suposto amante de Teodora (a mãe), alegadamente morto por Marozia
  • Papa Leão VI
  • Papa Estêvão VII
  • Papa João XI, filho de Marozia com o Papa Sérgio III
  • Papa Leão VII
  • Papa Estêvão VIII
  • Papa Marinho II
  • Papa Agapito II
  • Papa João XII, neto de Marozia, por seu filho Alberico II de Spoleto

Conhecer esse período da história é interessante porque nos faz refletir uma série de modificações que ocorreram dentro da própria Igreja católica – como a Contrarreforma – além dos rompimentos e continuações da própria história da humanidade. Onde o homem está presente, também estão presentes luxúria, interesses, ciúmes, angústias, jogos de poder e de interesses etc.

sábado, 10 de agosto de 2013

Eclipse da Paixão de Cristo: fato, farsa ou simplesmente fé?!

Embora o astrônomo inglês Roberdeau Buchanan, em “The mathematical theory of eclipses” (1904), tenha utilizado a sua experiência como calculador de eclipses do “Nautical almanac” durante 23 anos para afirmar que o escurecimento na crucificação de Cristo não foi causado por um eclipse total do Sol, a questão tem sido periodicamente discutida no meio astronômico e religioso. Para Buchanan a hipótese de eclipse do Sol foi um argumento usado “por alguns ateus e outros que negam o escurecimento miraculoso da crucificação”. A afirmativa do estudioso, de que um eclipse do Sol não pode ter sido a causa deste escurecimento está totalmente correta. De fato, os meses judeus são lunares, e começavam sempre pela lua nova. Ora, a crucificação ocorreu em 14 de Nissã (calendário judaico), ou seja, quatorze dias depois da lua nova, quando já era lua cheia. Por outro lado, sabemos que o sacrifício de Jesus se deu durante o Pêssach (Páscoa), que sempre ocorre nas luas cheias. Assim, como os eclipses do Sol só acontecem na lua nova, o escurecimento da crucificação não poderia ter sido causado por um eclipse solar.


Entretanto, Buchnan esqueceu que nesse período é bem possível a ocorrência de eclipses lunares, que só podem ocorrer justamente na lua cheia. Como sugeriram vários outros cientistas ao longo da história, a ideia de um eclipse da Lua tem a seu favor as referências na própria Bíblia de que a Lua se apresentou “coberta de sangue”. No Novo Testamento, segundo relato de Pilatos, “o Sol escureceu; as estrelas apareceram e todo mundo acendeu as suas lanternas das seis horas até o crepúsculo, quando a Lua pareceu como da cor de sangue”. A causa pela qual uma Lua eclipsada é vermelha como sangue é muito conhecida. Assim, quando a Lua se encontra no interior do cone de sombra da Terra, a luz solar que nos alcança já refratada pela atmosfera terrestre é avermelhada por ter atravessado uma trajetória muito longa das camadas gasosas da atmosfera onde a dispersão preferencialmente propaga os raios azuis deixando passar os vermelhos.


Na realidade, os eclipses estiveram sempre envoltos numa atmosfera tipicamente mística capaz de lançar maior mistério, valorizar os acontecimentos históricos e endeusar os governantes. Os eclipses eram vistos como sinais dos deuses como bom, ou mau, agouro; uma espécie de anúncio dos céus aos humanos. Antes de uma análise do que poderia ter ocorrido no dia da morte de Cristo, seria conveniente uma consulta aos diversos relatos da época, como fonte primordial a própria Bíblia.

Desde a hora sexta até a hora nona se difundiram trevas sob toda a Terra”, relata o Evangelho de São Mateus (27:45-52). Tal ideia de um escurecimento no dia da crucificação de Jesus está registrada nos Evangelhos de São Marcos (15:33-38) e São Lucas (23:44-46). Este último relata: “Era então quase a hora sexta, e toda a Terra ficou coberta de trevas até a nona hora. Escureceu-se também o Sol; e rasgou-se pelo meio o véu do templo”. Para alguns autores, esta afirmativa de que o Sol teria se escurecido sugere a ocorrência de um eclipse do Sol. Os defensores da ideia do eclipse solar citam os relatos de Joel (2:30-31): “E darei a ver prodígios no céu e na Terra. Prodígio de sangue e de fogo e de vapor e de fumo. O Sol converter-se-á em trevas e a Lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor”. Do ponto de vista astronômico, o único fenômeno que permitiria ao Sol desaparecer, durante o dia, seria um eclipse solar total. Por outro lado, a ideia de uma Lua com a cor de sangue supõe a ocorrência de um eclipse da Lua, quando o disco da Lua, pode, às vezes, aparecer tão avermelhado como se estivesse ensanguentado, para usar a imagem bíblica. Para confirmar esta ideia de dois eclipses, um do Sol e outro da Lua, existe o relato do Livro dos Atos dos Apóstolos (2:20): “O Sol se converterá em trevas e a Lua em sangue até que venha o grande dia do Senhor”.


Todas as passagens dos Evangelhos permitem diversas interpretações, sem que o enigma do escurecimento seja definitivamente solucionado. Convém, no entanto, antes de analisar as soluções possíveis, descrever o sistema de contagem das horas na época.

A contagem das horas do dia na época de Jesus...
Na Palestina, não há evidência de que o dia fosse dividido em horas. Existem indícios de que tal divisão já era conhecida nos fins do século 8 a.C. O dia e a noite eram divididos, respectivamente, em doze partes iguais (herança babilônica). Todavia, como não se dispunha de um meio para marcar as doze horas do dia, adotava-se em geral a divisão do dia em quatro partes, denominadas pela hora inicial de cada uma. Assim, prima (ia das 6h às 9h), hora terceira (das 9h às 12h), hora sexta (das 12h às 15h) e hora nona (das 15h às 18h). Do mesmo modo, a noite era divida em quatro partes, denominadas “vigília”: a primeira vigília começava às 18h, a segunda às 21h, a terceira à meia-noite e a quarta às três da madrugada.

Após essa explicação sobre o uso das horas entre os antigos, poderemos compreender que o escurecimento ocorrido na Sexta-feira da Paixão, desde a hora sexta até a hora nona, corresponde de fato ao período que vai das 12h às 18h, ou seja, todo o período da tarde até o anoitecer da primavera no hemisfério norte. Em todos os relatos subsiste uma impossibilidade: a duração do escurecimento. Por outro lado, convém lembrar que, dos quatro relatos dos Evangelhos, o mais seguro e talvez fiel, o de São João, testemunha ocular da pena de morte imputada a Jesus, não se refere a essas trevas.


Durante toda a vida ativa de Jesus, compreendida provavelmente entre 29 e 33 d.C., ocorreu um só eclipse total do Sol que durou da sexta à nona hora, como aliás acontece a cada duzentos anos numa mesma região. Trata-se do eclipse ocorrido em 24 de novembro do ano de 29 do calendário juliano. Tal fenômeno impressionou fortemente os seus assistentes, provocando terror, como todos os eclipses no período da Antiguidade. Assim o descreve o sábio bizantino Fócio, no século 9: “Foi um grande eclipse do Sol, como não se havia visto nos anos precedentes: as trevas foram tão espessas à sexta hora que foi até mesmo possível ver as estrelas”. Além deste eclipse solar, foram visíveis no período de 26 a 33 d.C. oito eclipses da Lua em Jerusalém.

Para montar esses quadros, os astrônomos usam modernos programas de computador que remodelam e montam o céu em qualquer parte do planeta, em qualquer período da história. Por conta disso, atualmente, é possível debatermos este assunto do post de hoje.


Voltando ao assunto...
O eclipse da Lua no dia da crucificação – provavelmente em 03 de abril de 33 d.C. – começou às 15h16, quando a Lua ainda se encontrava abaixo do horizonte em Jerusalém, de acordo com os modelos astronômicos feitos hoje. O meio do eclipse, quando o disco lunar estava 59% eclipsado, ainda era invisível no Calvário. A Lua rosada nasceu com 20% do seu disco eclipsado às 16h12. Mais tarde, 34 minutos depois, o eclipse terminou, às 18h 46.

Na realidade, a coloração dos eclipses da Lua varia com as condições atmosféricas. Parece que os eclipses, mesmo parciais, quando ocorrem muito baixo no horizonte, provocam um avermelhamento muito sensível. A ocorrência desse eclipse deve ter provocado na população de Israel uma associação com os anteriores sinais celestes de sacrifícios em nome de Deus, como está relatando no Livro dos Atos. Este talvez tenha sido o eclipse que os historiadores associaram com o eclipse da Lua em 03 de abril de 33. De fato, no dia da Paixão, em consequência desse eclipse, a Lua nasceu oculta no Monte das Oliveiras.

Seria muito bom lembrar que os antigos gregos e romanos, como todos os povos da Antiguidade, possuíam um gosto todo especial por essa espécie de coincidência elaborada posteriormente do ocorrido. Inumeráveis são os casos desse tipo de coincidência para valorizar os eventos históricos com fenômenos, ou, como diziam, sinais celestes, como os eclipses, cometas, meteoros, estrelas novas etc.



Tudo parece sugerir que as trevas que marcaram a morte de Jesus, no relato dos Evangelhos, sejam a justaposição de dois eventos diferentes (os eclipses totais do Sol, de 24 de novembro, e da Lua, de 14 de junho de 29 d.C.), posteriormente confundidos em um único evento. Assim, o eclipse da Lua de 03 de abril de 33 provocou uma associação involuntária e inconsciente com o grande eclipse solar de 24 de novembro de 29 e o eclipse lunar total de 14 de junho de 29, o que em parte justificaria o erro tão comum entre os antigos historiadores.

O que comprova esse anacronismo de tempo e espaço de ambos os eclipses relacionados à crucificação é que no Evangelho de São João, testemunha ocular do fato, não haver nenhuma espécie de associação e relato astronômico com a condenação do Senhor. Valendo lembrar, ainda, que o Evangelho de São João foi escrito no tempo mais próximo da partida de Jesus, e os demais foram transcritos vários anos depois de oralidades entre os grupos. Mesmo assim, talvez o relato mais preciso se obtenha em Atos dos Apóstolos (2:20), no qual há a seguinte narrativa: “O Sol se converterá em trevas e a Lua em sangue até que venha o grande dia do Senhor”, numa clara referência aos eclipses anteriores. Ou seja, mesmo nas comunidades primitivas cristãs os eclipses eram vistos como anúncios divinos para acontecimentos terrenos.

Esta explicação racionalista e científica não impede, aliás favorece, os que pela sua fé acreditam em uma “treva milagrosa”, uma vez que os milagres e a fé estão acima das argumentações científicas, cartesianas, metódias e racionalistas. Entretanto, o assunto é muito interessante e mostra como podemos usar recursos científicos ultramodernos para refazermos o tempo e o espaço, como foi o caso do céu em Jerusalém neste período estudado.


* Dica de leitura: texto adaptado de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão em “O livro de ouro do universo”, da Ed. Moderna.