terça-feira, 30 de julho de 2013

Explicando a tão falada “Teoria dos deuses astronautas”. Você realmente a conhece? Fato, farsa ou loucura?

A chamada “Teoria dos deuses astronautas” ou “Teoria dos astronautas antigos” é uma teoria usada para descrever a crença de que seres ou criaturas extraterrestres visitaram o planeta Terra há muitos milênios, e que as civilizações do passado, de alguma forma, teriam interagido intensamente com o tal contato. Para essas civilizações, esses seres que desciam dos céus eram os deuses que de alguma forma teria recebido as preces dos filhos dos homens e que o tal contato está relacionado com a origem ou desenvolvimento do homem e da cultura humana, principalmente as culturas religiosas e mitológicas. Esta teoria foi popularizada por autores como Erich von Däniken e Zecharia Sitchin. Muitas das provas apresentadas pelos defensores desta teoria são artefatos arqueológicos, lugares supostamente enigmáticos, monumentos megalíticos, lendas, mitos e histórias que são interpretados de acordo com a mesma. Essa teoria pode ser considerada uma variação da “Teoria do paleocontato”, hipótese em que extraterrestres inteligentes visitaram a Terra. Carl Sagan, Shklovskii e Hermann Oberth foram alguns dos cientistas de renome que consideraram seriamente esta possibilidade.

Entretanto, a Teoria dos deuses astronautas tem uma série de controvérsias bastante complicadas e difíceis de serem debeladas, surgindo um verdadeiro cisma entre a ufologia e a astrofísica e história. Para os astrofísicos, historiadores, paleontólogos e arqueólogos, se os extraterrestres visitaram a Terra com tamanha frequência e ensinaram tanto há cerca de 10 mil anos, por que, então, eles não continuam voltando e aprimorando nossas várias tecnologias? Cada defensor da teoria tem uma resposta para esta questão, mostrando não haver um consenso entre os adeptos desta.


Detalhes sobre a Teoria dos deuses astronautas...
Os defensores da teoria dos deuses astronautas afirmam constantemente em livros, programas de TV, documentários e palestras que os seres humanos são descendentes diretos, ou que são criações de seres que visitaram a Terra há muitos milênios, por isso ainda não teríamos encontrado o famoso “elo perdido” de Darwin, ligando os humanos aos macacos.

Essa concepção defende que esses seres interplanetários nos deram muito do conhecimento, da cultura e da religião. A religão especialmente foi um grande modelo para o desenvolvimento da humanidade, pois esses seres, apesar de tudo, ensinaram o homem a amar o próximo, a sua família, e o seu lar. Além disso, por serem tecnologicamente superiores, eram vistos como divindades por nós, daí teriam nascido os mitos que hoje conhecemos e reproduzimos, seja pelas religiões ou pelas mitologias de credos já mortos. Quando esses seres iam embora, eles sempre iam com a promessa de que voltariam em um futuro distante, para reinar, manter a paz, o amor e a ordem. Por isso estaríamos constantemente crendo no futuro melhor, na volta dos mortos, na volta do Deus (ou dos deuses). Os “astronautas-deuses” antigos teriam atuado como uma “cultura-mãe”.

Ainda de acordo com os teóricos, não é gratuitamente que os egípcios, incas, astecas, maias, vikings, mesopotâmios, sumérios, japoneses etc. construíram verdadeiras obras gigantescas e maravilhosas, com perfeição geométrica, astronômica e geográfica com tão pouca tecnologia avançada, que hoje em dia temos acesso comum milênios depois.


Von Däniken...
Erich von Däniken é um defensor destacado desta teoria desde o final dos anos 1960, obtendo um grande público a partir da publicação, em 1968, de seu livro campeão de vendas “Eram os deuses astronautas?”, e suas continuações. Ele continua ganhando muito dinheiro alimentando sua teoria e arrebanhando pessoas que creem nestas afirmações sobre o passado distante da humanidade.

Para Däniken, determinados artefatos e construções monumentais, de propósito e origem desconhecidos, aparentam terem exigido uma capacidade tecnológica mais sofisticada durante sua manufatura do que aquela atribuída pelos historiadores às respectivas culturas antigas. Estes objetos e estruturas são avaliados como sendo superiores aos conhecimentos tecnológicos daquelas culturas creditadas com sua manufatura Däniken sustenta que esses artefatos foram manufaturados ou diretamente por extraterrestres, ou por humanos que aprenderam o conhecimento necessário dos ditos visitantes extraterrestres. Tais artefatos e monumentos incluem Stonehenge, os moais da Ilha de Páscoa, a máquina de Anticítera e as antigas baterias elétricas de Bagdá.


Na arte e iconografia antigas pelo mundo afora, certos temas similares podem ser interpretados como ilustrações de veículos aéreos e espaciais, criaturas inteligentes não-humanas, astronautas antigos e artefatos de uma tecnologia anacronicamente avançada. Däniken também identifica certos detalhes que parecem ser similares pela arte de culturas históricas geograficamente diversas, que ele alega demonstrarem uma “origem comum”.

As origens de muitas religiões podem ser interpretadas como reações a encontros de humanos primitivos com alguma raça extraterrestre. De acordo com sua perspectiva, os humanos teriam considerado a tecnologia dos extraterrestres como sendo sobrenatural e os próprios como sendo deuses. Ele observa que as tradições orais e escritas da maioria das religiões contêm referências a visitantes extraterrestres através da descrição de estrelas e objetos veiculares viajando por ar e espaço. O autor defende que estas devem ser vistas como descrições literais de testemunhas oculares que se alteraram com a passagem do tempo até se tornarem mais obscuras, ao invés de ficção mítica ou simbólica. Um exemplo é a revelação de Ezequiel no Velho Testamento, que Däniken interpreta como sendo a descrição detalhada do uma espaçonave pousando.

A partir da publicação dos livros de Däniken, não foram encontradas maiores provas para confirmar suas alegações, enquanto muitos alegaram que as provas haviam sido desmascaradas. A maioria dos historiadores considera suas alegações – bem como as de outros adeptos dos astronautas antigos – como pseudociência ou pseudoarqueologia.


Sitchin...
O corpo de trabalho contínuo de Zecharia Sitchin, “The Earth chronicles”, começando com a primeira edição, “The 12th planet”, desenvolve sua interpretação dos antigos textos do Oriente Médio. Sítios megalíticos misteriosos e artefatos anômalos encontrados pelo mundo afora. Ele teoriza que os deuses eram de fato astronautas do planeta Nibiru, que os sumérios acreditavam ser um distante “décimo-segundo” planeta (incluindo e denominando o Sol, a Lua, todos os outros sete planetas e Plutão como “planetas”) associado com o deus Marduk. Segundo Sitchin, Nibiru continua a orbitar o Sol numa órbita alongada de 3.600 anos. Ainda segundo Sitchin, os sumérios relatam como 50 “Anunnaki”, ou habitantes de Nibiru, chegaram à Terra há aproximadamente 400 mil anos com a intenção de extrair matérias-primas para transportá-las para seu próprio mundo. Devido a seu reduzido número, eles logo se cansaram da tarefa e começaram a alterar geneticamente trabalhadores para operarem nas minas. Após muita tentativa e erro, eventualmente criaram o homo sapiens sapiens, o “Adapa” (homem modelo) ou o Adão da mitologia posterior.

Graham Hancock...
Graham Hancock foi influenciado pelas teorias de Erich von Däniken, embora as considere incompletas. Em seu livro “Fingerprints of the gods”, Hancock teoriza que uma “cultura-mãe”, tendo obtido conhecimento e tecnologia de extraterrestres, plantou as sementes do saber e cultura em civilizações antigas como os egípcios. Esta teoria da “cultura-mãe” constantemente é relacionada de perto aos mitos do continente perdido de Atlântida.

Movimento raeliano...
O Raelianismo é um movimento religioso criado por Claude Vorilhon (ou Rael), que afirma ter tido contatos com extraterrestres em diversas ocasiões, explica a criação dos humanos como tendo sido feita por uma raça de outro planeta chamada Elohim, usando o DNA deles. O Movimento Raeliano também questiona a Teoria da evolução e defende a clonagem humana.


Provas das concepções da Teoria dos deuses astronautas...
Muitos autores aproveitam as antigas mitologias para defenderem seus pontos de vista, baseando as suas teorias no princípio básico de que quase todos os antigos mitos da criação descrevem um deus ou deuses que teriam descido dos “céus” à Terra para criar o homem. Esses mitos detalham aventuras extraordinárias desses deuses que seriam, na verdade, tecnologias modernas, vistos a partir da perspectiva dos terrenos de mentes primitivas. Por exemplo, máquinas voadoras constantemente aparecem em textos antigos. Um exemplo clássico são os vimanas, máquinas voadoras encontradas na literatura da Índia em que as histórias vão desde fantásticas batalhas aéreas empregando armamento diverso, inclusive bombas, a leigos descrevendo simples informações técnicas, procedimentos de voo e voos da imaginação.

No Velho Testamento bíblico, Deus é descrito como tendo vários atributos que poderiam ser interpretados como sendo foguetes avançados ou outros veículos aéreos. Ele é descrito como tendo um “corpo” superior de metal (que também pode ser interpretado como um tipo de coroa), aparecendo numa coluna de fumaça e/ou fogo e soando como uma trompa. Estas descrições retratam o Deus dos antigos hebreus como não apenas tendo as características de uma máquina voadora, mas também bastante claramente descrevendo Deus como uma presença física, não uma abstração. Este Deus acompanha os hebreus e faz chover relâmpagos e pedras sobre seus inimigos a partir de sua posição no céu. Contudo, poeticamente, as descrições de Deus também o apresentaram como tendo asas protetoras e braços alongados nos Salmos, características contrárias às teorias de quaisquer manifestações mecânicas da parte de Deus. Além disso, as características da Arca da Aliança e o Urim e Thummim têm sido identificados como sendo de tecnologia avançada, talvez de origem extraterrestre. Outros exemplos incluem as descrições bastante detalhadas no livro de Ezequiel bíblico, o livro de Enoque, e incontáveis relatos antigos que vão da China ao Peru.


As provas materiais incluem a descoberta de antigos “aeromodelos” no Egito e América do Sul, que apresentam uma certa semelhança com aviões e planadores modernos. Provavelmente, os itens de provas circunstanciais mais famosos são as linhas de Nazca do Peru; enormes e incontáveis desenhos no solo que só podem ser vistos de grandes alturas. Mais embasamento a esta teoria vem do que se supõe serem discos voadores na arte medieval e renascentista. Objetos nas pinturas que não podem ser explicados com relevância à obra em questão são constantemente interpretados como discos voadores. Isto auxilia na defesa da teoria dos astronautas antigos ao demonstrar que os criadores do homem podem retornar para acompanhar sua criação através do tempo. Outro embasamento artístico à teoria dos astronautas antigos são as pinturas de cavernas paleolíticas. Vondjina, na Austrália, e Val Camonica, na Itália, demonstram uma semelhança com os astronautas atuais. Os defensores da teoria dos astronautas antigos afirmam que algumas semelhanças coincidentes tais como cabeças em forma de globo, ou seres usando capacetes espaciais, provam que o homem primitivo foi visitado por uma raça extraterrestre.


Os conceitos anteriores...
Fontes mais antigas, embora geralmente não mencionando astronautas antigos, sugerem que a criação de alguns monumentos estaria além das capacidades humanas, tais como a sugestão de Saxo Grammaticus de que gigantes criaram os imensos dolmens da Dinamarca, ou nas histórias em que Merlin montou Stonehenge através de magia.

As provas dos deuses astronautas frequentemente consistem de afirmações de que antigos monumentos, tais como as maiores pirâmides do Egito, ou Macchu Picchu, no Peru, ou outras antigas ruínas megalíticas, tais como Baalbek no Líbano, não poderiam ter sido construídas sem o emprego de capacidades técnicas além das daqueles povos à época. Tais afirmações não são novidade na história. Raciocínio semelhante se encontra por trás do assombro das muralhas de construção ciclópica nas cidades micênicas aos olhos dos gregos, que acreditavam que os gigantes ciclopes tinham construído as muralhas. Candidatos típicos para as civilizações perdidas que ensinaram ou proporcionaram essas capacidades são os continentes perdidos de Atlântida, Lemúria e Mu.

Outro tema frequente que pode ser encontrado em muitas mitologias é uma pessoa que vem de muito longe como um deus, ou como o arquétipo de um “herói civilizador” que traz conhecimento à humanidade. Prometeu é o exemplo ocidental mais famoso. Na tradição americana nativa há diversos exemplos, incluindo Quetzalcoatl dos astecas e Viracocha dos incas. Nos textos teosóficos do século 19 e início do século 20 podem ser encontrados muitos precursores das teorias dos astronautas antigos. A teosofia influenciou autores como Lovecraft e Charles Fort, e mesmo autores posteriores como Däniken.


Uma reviravolta na teoria...
Na década de 1940, dois antropólogos franceses descobriram um achado surpreendente enquanto estudavam a tribo dogon da África Ocidental. Eles descobriram que os dogon tinham conhecimentode que uma pequena estrela orbita outra, a bem conhecida estrela Sirius. Essa estrela menor, impossível de ser observada a olho nu, era desconhecida dos astrônimos ocidentais até 1862. Os antropólogos afirmaram que o conhecimento dos dogons precede a descoberta da estrela menor pelos ocidentais por centenas de anos. Esta teoria sofreu um revés quando pesquisas posteriores por outros antropólogos revelaram que apenas os poucos anciões da tribo mencionados pelos dois antropólogos originais tinham conhecimento da estrela, o que levou outros pesquisadores a crerem que a pesquisa feita pelos dois antropólogos franceses fora manipulada.

Alan F. Alford, autor de “God of the new millennium” (de 1996), foi um dos adeptos da teoria dos astronautas antigos. Muito de sua obra baseia-se nas teorias de Sitchin. Contudo, ele admite algumas falhas na teoria de Sitchin, após uma análise mais profunda.

O que os céticos dizem sobre a teoria...
Em geral, os cientistas céticos costumam não debater sobre a Teoria dos deuses astronautas, acreditando que seria “perder tempo” com banalidades. De um modo espeícifico, historiadores e arqueólogos apontam que os livros dos teóricos dos deuses astronautas usam como estratégia o anacronismo: misturar tempos diferentes e análises superficiais sobre acontecimentos que não há muitas evidências historiográficas e, por isso, atribuem aos “deuses astronautas”; sendo assim, de acordo com esses céticos, “não importa o estudo, se eu não sei pesquisar vou dizer que a resposta é óbvia: tecnologia alienígena aplicada na Terra há muitos milênios”. O assunto é polêmico e rende muitos confrontos em fóruns da internet; que cada um fique com a sua verdade!

sábado, 27 de julho de 2013

“Buraco de minhoca” para viagens do espaço: já ouviu falar nisso?!

Este é um assunto um pouco complexo, mas muito fascinante; recentemente tem sido estudado com grande afinco pelos físicos, astrônomos e astrofísicos. O referido “buraco de minhoca” é ainda uma hipótese, mas nos leva a pensarmos ainda mais adiante e imaginarmos um futuro com viagens espaciais incríveis, como nos filmes de ficção científica. Assim sendo, esse “buraco” é uma característica topológica hipotética do espaço-tempo, a qual é, em essência, um “atalho” através do espaço e do tempo. De acordo com os astrofísicos, um buraco de minhoca possui ao menos duas “bocas” conectadas a uma única “garganta” ou “tubo”. Se o buraco de minhoca é transponível, a matéria pode “viajar” de uma boca para outra passando através da garganta. Embora não exista evidência direta da existência destes buracos, um contínuo espaço-temporal contendo tais entidades costuma ser considerado válido pela relatividade geral.



Mais explicações sobre o tema...
O termo “buraco de minhoca” (“wormhole” em inglês) foi criado pelo físico teórico John Wheeler em 1957. Todavia, a ideia dos buracos de minhoca já havia sido proposta em 1921 pelo matemático alemão Hermann Weyl em conexão com sua análise da massa em termos da energia do campo eletromagnético. O nome “buraco de minhoca” vem de uma analogia usada para explicar o fenômeno. Da mesma forma que um verme que perambula pela casca de uma maçã poderia pegar um atalho para o lado oposto da casca da fruta abrindo caminho através do miolo, em vez de mover-se por toda a superfície até lá, um viajante que passasse por um buraco de verme pegaria um atalho para o lado oposto do universo através de um túnel topologicamente incomum.


Caracterizar buracos de minhoca entre universos paralelos é bem mais complicado. Por exemplo, alguém poderia imaginar um universo “bebê” conectado ao seu “progenitor” por um “cordão umbilical”. O “cordão” poderia ser também encarado como a garganta do buraco de minhoca, mas o espaço-tempo está simplesmente conectado.

Buracos de minhoca intrauniversos conectam um local em um universo a outro local do mesmo universo (no mesmo tempo presente ou não presente). Um buraco de minhoca deverá ser capaz de conectar locais distantes no universo criando um atalho através do espaço-tempo, permitindo viajar entre eles mais rápido do que a luz levaria para transitar pelo espaço normal. Buracos de minhoca interuniversos conectam um universo a outro. Isto dá margem à especulação de que tais buracos poderiam ser usados para viajar de um universo paralelo para outro. Um buraco de minhoca que conecta universos (geralmente fechados) é frequentemente denominado como “wormhole de Schwarzschild”. Outra aplicação para um buraco de minhoca poderia ser a viagem no tempo. Neste caso, é um atalho de um ponto no espaço-tempo para outro.


Sabe-se que buracos de minhoca não são excluídos do arcabouço da relatividade geral, mas a plausabilidade física destas soluções é incerta. Também não se sabe se uma teoria de gravitação quântica, que juntasse a relatividade geral com a mecânica quântica, ainda permitiria a existência deles.

Entrando em um buraco de minhoca...
Mesmo se alguém encontrasse um buraco de minhoca e viajasse através dele, os cientistas não têm certeza sobre como isso afetaria o indivíduo. Alguns acreditam que um buraco deste não se manteria estável por tempo suficiente para permitir a travessia. E existem teorias que sugerem que mesmo que ele permaneça estável, o viajante seria alterado de formas indeterminadas e poderia experimentar danos ao coração ou cérebro, e possivelmente até a morte por conta de pressões, gravidades, radiações etc.


Resumo da ópera...
Físicos e teóricos acreditam exitirem buracos de minhoca criados naturalmente em todo o universo pela física da imensa força gravitacional de buracos negros. Mas o consenso é de que seja praticamente impossível o ser humano experimentar uma viagem espacial por esses “atalhos” dentro do espaço.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A misteriosa lenda de Croatoan: fato, farsa ou mistério ainda inexplicável?!

Quem assiste ao seriado “Supernatural” com certeza já ouviu falar na lenda de Croatoan e nos seres conhecidos como “croats”. Entretanto, o que poucas pessoas conhecem realmente é a verdadeira história que se esconde por detrás do seriado. O que seria essa lenda? Por que ela seria citada tantas vezes nesse seriado? Será que ela realmente é uma lenda, ou trata-se de um fato verídico do passado? Vamos tentar dar algumas respostas no post de hoje...


Há muitos séculos, quando a América era considerada um lugar exótico no mundo onde Portugal e Espanha sugavam o que podiam neste território, as guerras religiosas na Grã-Bretanha levaram os ingleses, irlandeses e escoceses a fundarem colônias de povoamento na América do Norte, onde hoje se encontram os Estados Unidos, em uma terra com o clima parecido ao da Europa, portanto chamado “Nova Inglaterra”.

Tudo naquele tempo era muito difícil para os ingleses, principalmente lidar com os índios, verdadeiros donos da terra. Somente em 1587 uma colônia foi montada de maneira correta, criando uma pequena cidade que cresceu vigorosamente. Mesmo com tanto vigor, os problemas eram comuns: doenças desconhecidas, perigo dos ataques surpresa dos indígenas, animais desconhecidos e perigosos. Os chamados “pilgrins” (pioneiros) passavam por maus bocados, entretanto a Inglaterra decidiu entrar nas Grandes Navegações e investir naquela faixa de terra pobre que os migrantes escolheram para viver e fugir da guerra e da fome na Europa.


Mas e a história envolvendo Croatoan?!
Bem, a lenda de Croatoan é uma das mais conhecidas do folclore norte-americano, misturando um pouco de história, paranormalidade, boatos, fantasmas, demônios, religiões etc. Segundo a história contada pelos antropólogos, por volta de 1600, os ingleses que vieram para essa colônia fundada na década de 1580 tiveram uma terrível surpresa ao encontrarem algo estranho.

O vilarejo estava exatamente do mesmo jeito que eles deixaram, porém lá não havia viva alma, tudo estava tomado pelo mato e as casas caindo aos pedaços, contudo não havia sangue no chão, nem sinais de luta, havia apenas uma população inteira sumida e nem se quer uma pista que pudesse levar a descoberta desse acontecimento. Até os dias de hoje o sumiço dos moradores do primeiro vilarejo inglês na América é um mistério e apenas uma coisa ficou marcada: bem no meio da cidade havia algo escrito no chão, uma palavra: “Croatoan”.

Vale ressaltar que os primeiros habitantes das colônias norte-americanas eram pessoas extremamente religiosas, e na época do possível fato houve duas explicações, ambas de âmbito religioso: Croatoan seria parte do Apocalipse, falando do arrebatamento de pessoas; ou então um demônio indígena que não queria estrangeiros em seu território. Os imigrantes tinham verdadeiro pavor do desconhecido, e por isso demonizavam as práticas indígenas norte-americanas dos sioux.


Na realidade, não se sabe ao certo onde teria ocorrido tal fato. De acordo com os historiadores, pode ser que tenha ocorrido na colônia de Roanoke, uma das primeiras nos Estados Unidos enquanto ainda se formavam as Treze Colônias. Conta-se que os homens que retornaram à colônia escutavam gritos, sussurros, pedidos de socorro, mas não havia ninguém no local.

Atualmente, no território americano, “Croatoan” é uma gíria para referir-se a uma pessoa que some sem deixar nenhuma pista, numa séria alusão a o que teria ocorrido no século 16. Alguns ufólogos dizem que o assunto deveria ser levado a sério, sendo um dos primeiros casos de abdução coletiva da história. Outros falam em folclore e lenda. A realidade é que pouco se sabe se isso é fato ou farsa.

De acordo com uma linha de pesquisa etnológica e folclorista, Croaton é o nome de um demônio da floresta de uma das tribos da família Sioux. Em algumas tribos, eram realizados sacrifícios humanos para agradar a este espírito malvado, a fim de que os homens pudessem caçar sem serem levados por este demônio. Por isso sempre houve a ligação do assunto com o aspecto religioso e com o assunto ufológico – como um possível ser espacial que os índios não sabiam descrever corretamente.


Continuando a história da lenda...
Recentemente, a historiografia norte-americana descobriu na Inglaterra documentos que poderiam explicar o que houve na colônia naquele tempo fatídico em que ocupar terras era imprescindível para evitar a expansão de Portugal, França e Espanha. De acordo com os documentos recém-descobertos, em 26 de abril de 1587 dois barcos partiram, um com colonos e outro com suprimentos. Dessa vez, eles levaram mulheres e crianças porque eles realmente queriam estabelecer uma colônia permanente. Eles chegaram lá e reconstruíram as casas que foram deixadas pelos antigos colonos e que já estavam tomadas pelo mato.

Nesse meio tempo, no dia 18 de agosto 1588, nasce a neta do governador, Virginia Dare, a primeira criança filha de colonizadores a nascer em solo norte-americano. Após alguns dias, mais precisamente no dia 27 de agosto 1588, o governador John White voltou à Inglaterra a pedido dos colonos, pois eles queriam que ele intercedesse pela colônia, buscando ajuda e suprimentos. Mesmo relutante, talvez em abandonar a filha e neta, ele partiu.

Mas quando chegou à Inglaterra não podia mais voltar; os ingleses tinham sido atacados pela Armada Invencível do Rei Felipe II, da Espanha, e a guerra impediu qualquer tentativa de voltar ao Novo Mundo. Muitos anos depois, ele retornou em 1590, a única coisa que ele encontrou foi a cidade vazia, totalmente tomada pelo mato e coisas espalhadas pelo chão. Roupas, objetos, até mesmo suprimentos largados por todos os cantos. Apenas objetos, nenhuma pessoa. Nem corpos, nem marcas, nem vestígios, nem sangue. Nada.



Sobre a palavra “Croatoan”, a princípio foi levantada a hipótese de ser um sistema de coordenadas usadas pelos colonos da época, com a seguinte explicação plausível: (1) “Croatoan” era as coordenadas de uma ilha a sul de Roanoke; (2) Antes de partir, John White combinou com os colonos que se eles tivessem de partir para algum outro lugar (devido à escassez de alimentos ou qualquer outro motivo), deveriam inscrever o nome deste lugar em uma árvore. Se a partida ocorresse em meio a algum perigo, deveriam inscrever uma cruz junto do nome do local de destino.

Atualmente, na Carolina do Sul, o local da antiga colônia de Roanoke é um dos mais importantes pontos de turismo local. Seja por pura curiosidade, ou visitantes querendo pesquisar o fim destas pessoas, a palavra “Croatoran” surge como um grande mistério que cada um tem uma versão.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Círculos nas plantações: fato ou farsa? Mensagens dos aliens ou brincadeira dos humanos?

O post de hoje vai abordar um dos assuntos mais interessantes e controversos da contemporaneidade, fazendo parte da ufologia. São os círculos nas plantações, que para alguns são mistérios a serem descobertos, para outros são importantes mensagens de seres de outras galáxias, já para outros não passam de embustes de seres humanos a fim de chamar a atenção da mídia e brincar com a credulidade da nossa sociedade, em plena era digital do século 21. Ninguém fica imóvel ou sem uma opinião frente aos casos dos círculos das plantações, e é isso que falaremos brevemente no dia de hoje.


Círculos nas plantações (“crop circles” em inglês), ou “círculos ingleses”, são termos usados para se referir aos conjuntos de figuras geométricas desenhadas amassando caules de trigo, cevada, centeio, milho, capim gigante ou canola. Esses círculos são geralmente vistos como sendo um rastro, um vestígio de quando o alienígena pousa sua nave nos pastos ou campos de trigo e seus discos voadores deixam marcas, segundo uma das versões mais populares e de alguns ufólogos.

Estas marcas são mais bem observadas de um nível mais alto, fazendo pouco (ou nenhum) sentido quando são vistas no nível da plantação. A aparência geométrica é influenciada pela língua de fractais e impressiona pela simetria e geometria utilizadas, por isso a crença de que os “crop circles” não sejam obras da mão humana.

Algumas empresas com objetivos publicitários encomendam o desenho nas plantações a artistas de círculos, os chamados “circlemarkers”, que usam apenas tábuas para pisar nas plantas e fazer os desenhos. O caso mais famoso aconteceu recentemente com o Firefox; foi feita a sua logomarca em uma plantação de trigo no interior dos Estados Unidos, e tudo foi registrado por um vídeo.




Histórico dos círculos nas plantações...
O curioso fenômeno já foi observado em vários países em todo o mundo, começando pela Inglaterra na década de 1970. Desde então foram sugeridas várias explicações que envolvem desde acontecimentos naturais a visitas de extraterrestres. De fato, círculos nas plantações é um assunto recorrente na ufologia. Na cultura popular o assunto é muito explorado, sendo alvo de inúmeros filmes, documentários e livros. No Brasil, o fenômeno é pouco recorrente e apareceu ocasionalmente no interior de São Paulo, Minas Gerais e de Santa Catarina.


De acordo com os ufólogos, os desenhos em fractais aparecem inexplicavelmente em regiões bem variadas, mas há uma predominância sobre o Reino Unido, mas já foram vistos em doze países. São desenhos impressionantes por conta a altíssima complexidade, simetria, enorme simbolismo místico – como cruzes, estrelas, pentagramas etc. Há maior predominância em formas circulares, geométricas, matemáticas etc.



Doug Bower, Dave Chorley e John Lundberg saíram do anonimato e se tornaram conhecidos mundialmente por anunciar que eram eles os autores dos primeiros círculos conhecidos. Mostraram para redes de TV de todo mundo como faziam os desenhos extremamente complexos, à noite, com pequenas tábuas que amassavam as plantações. Isso foi o suficiente para que a Mufon descartasse o fenômeno como ufológico ou sobrenatural. Entretanto, alguns ufólogos alegam que o trio apenas inventou que criava os círculos a fim de ter fama, e por isso ainda seria válida a premissa de misticismo ufológico.

Em 21 de agosto de 2001 foram encontrados círculos nas plantações no Reino Unido que supostamente seriam uma resposta a uma mensagem enviada pelo radiotelescópio Arecibo em direção ao aglomerado estelar M31, na galáxia de Andrômeda. No entanto, os astrônomos e astrofísicos não deram atenção à suposta mensagem justamente por conta deste sensacionalismo sobre os “crop circles”.



O que dificulta a diferenciação de círculos com objetivos artísticos e sensacionalistas de um suposto círculo de origem alienígena é que algumas pessoas se especializaram em fazer tais marcas, de acordo com os ufólogos que partilham da ideia de teoria alien para tal feito. Segundo eles, porém, há alguns fatores que determinam se um círculo é ou não artístico: (1) normalidade na irrigação da plantação; (2) a ausência de qualquer vestígio de ação humana, marcas de pneus, combustível, ou ferramentas cortantes; (3) as plantas onde estão o círculo sofrem muitas vezes mutações a nível celular (seus caules apresentam nós não condizentes com o crescimento normal); (4) o perfil magnético registrado por um magnetômetro imita a forma real do círculo; (5) são encontrados pequenos rastros de materiais magnéticos impregnados nas plantas; (6) alguns círculos nas plantações em especial apresentam isótopos não-naturais, que são sintetizáveis apenas em laboratório, tais como telúrio, vanádio, bismuto, európio, e itérbio.



O assunto dos círculos nas plantações parece não ter um consenso na comunidade científica e na comunidade pseudocientífica, uma vez que a ciência cartesiana e metódica acredita na ação humana, como o caso do Firefox nas plantações, enquanto que os adeptos das chamadas pseudociências pensam que haja muito por detrás destes desenhos complexos e geométricos nas plantações.

sábado, 20 de julho de 2013

Cavalo de Troia: estratégia de guerra que teria sido um fato ou uma farsa muito bem bolada?

O Cavalo de Troia foi um grande cavalo de madeira usado pelos gregos durante a Guerra de Troia, como um estratagema decisivo para a conquista da cidade fortificada de Troia, cujas ruínas estão em terras turcas. Tomado pelos troianos como um símbolo de sua vitória, foi carregado para dentro das muralhas, sem saberem que em seu interior se ocultava o inimigo. À noite, guerreiros saíram do cavalo, dominando as sentinelas e possibilitando a entrada do exército grego, levando a cidade à ruína. A história da guerra foi contada primeiro na “Ilíada” de Homero, mas ali o cavalo não é mencionado, só aparecendo brevemente na sua “Odisseia”, que narra a acidentada viagem de Odisseu de volta para casa. Outros escritores depois dele ampliaram e detalharam o episódio.


O cavalo é considerado, em geral, uma criação lendária, mas não é impossível que tenha realmente existido. Pode, mais provavelmente, ter sido uma máquina de guerra verdadeira transfigurada pela fantasia dos cronistas da época. Seja como for, revelou-se um fértil motivo literário e artístico, e desde a Antiguidade foi citado ou reproduzido vezes incontáveis em poemas, romances, pinturas, esculturas, monumentos, filmes e de outras maneiras, incluindo caricaturas e brinquedos. Várias reconstruções conjeturais do cavalo foram feitas em tempos recentes. Tornou-se também origem de duas conhecidas expressões idiomáticas: “cavalo de Troia”, significando um engodo destrutivo, e neste sentido denomina atualmente uma espécie de vírus de computador, e “presente de grego”, algo recebido aparentemente agradável, mas que acarreta consequências funestas.

Fontes literárias sobre o estratagema de guerra...
O Cavalo de Troia foi mencionado pela primeira vez na “Odisseia” de Homero, em breves referências. De acordo com a narrativa, os troianos carregaram o cavalo para dentro de sua fortaleza, onde permaneceu enquanto decidiam o que fazer com ele. Uns queriam destruí-lo; outros queriam levá-lo até o alto da cidadela e precipitá-lo do penhasco, enquanto outros preferiam conservá-lo como uma oferenda aos deuses. Decidindo por esta última alternativa, selaram seu destino.

Outros poetas arcaicos também falaram do cavalo, como Arctino, em sua “A destruição de Troia”, e Lesques, na “Pequena Ilíada”, mas suas obras originais se perderam, sobrevivendo somente no sumário “Epicorum Graecorum Fragmenta”, de um certo Proclo.


Uma referência adicional se encontra na tragédia “As troianas”, de Eurípides, quando Posidon diz: “De sua casa sob o Parnaso, Epeu, o fócio, ajudado pelas artes de Atena, criou um cavalo para abrigar em seu ventre uma hoste armada, e o enviou para dentro das muralhas, carregado de morte; um dia os homens falarão do cavalo de madeira, com sua carga oculta de guerreiros”.

Um relato mais detalhado, porém, se encontra no livro dois da “Eneida”, de Virgílio. Num banquete Eneias relata a Dido os sucessos da guerra. Depois da falsa retirada dos gregos, vendo a praia deserta, os troianos abrem os portões da cidade e se deparam com o imenso cavalo. Timetes tem a ideia de levá-lo para dentro dos muros, mas Cápis e outros receiam alguma armadilha, e imaginam mais avisado queimá-lo, ou averiguar o que trazia em suas entranhas.

A história foi repetida com variações por escritores tardios, como Quinto de Esmirna, Higino e João Tzetzes. Quinto disse que no cavalo penetraram trinta homens. Apolodoro também deu outros detalhes: atribuiu a Ulisses a ideia de construir o cavalo, e a Apolo o envio das serpentes; disse que o cavalo portava a inscrição “Para seu regresso à pátria, os gregos dedicam este cavalo a Atena”, e mudou um pouco a cronologia dos eventos.


Trifiodoro, em “A tomada de Ílios”, deixou a mais longa e elaborada versão conhecida, demorando-se em detalhes sobre a construção e o aspecto do cavalo, que, segundo narra, era uma obra de arte impressionante, dotada de beleza e graça, suscitando a admiração dos troianos. Tinha os arreios adornados de púrpura, ouro e marfim, seus olhos eram rodeados de pedras preciosas, e sua boca, com alvos dentes, se abria conduzindo a um canal para ventilação interna, para que os guerreiros ocultos não fossem asfixiados. O corpo era poderoso, e curvo como um navio; atrás, sua cauda volumosa descia ao chão em tranças e faixas. Os cascos de bronze, munidos de rodas, sustentavam pernas que davam a impressão de se mover.

Possíveis interpretações da alegoria...
Embora seja bastante possível que a Guerra de Troia tenha ocorrido, o famoso cavalo, na forma como ele foi descrito pelos antigos, provavelmente é uma lenda, mas pode ter sido algum aparato real transformado fantasiosamente pela tradição, segundo os antropólogos. Na Antiguidade, o “cavalo” era uma derivação de uma máquina de guerra, o aríete, muitas vezes construído na forma de um animal. Os assírios costumavam usar máquinas deste tipo, e é possível que o exemplo tenha sido tomado pelos gregos. Também foi interpretado como uma metáfora de um terremoto, uma das causas possíveis apontadas para a destruição da Troia histórica, considerando que Posidon/Netuno era o deus dos cavalos, do oceano e dos terremotos.


Outra sugestão é que o cavalo, na verdade, era um barco, e foi assinalado que os termos usados para colocar os homens no seu interior eram os mesmos que descreviam o embarque da tripulação de navios. Na tradição clássica os navios são às vezes chamados “cavalos do mar”. Na “Odisseia”, Penélope, lamentando a ausência de Telêmaco, diz: “Por que meu filho me deixou? O que tinha ele de fazer para viajar em navios que jornadeiam longamente sobre o mar, como cavalos marinhos?”. Na comédia “Rudens”, Plauto diz: “Você é carregado pelas estradas cerúleas (o mar) sobre um cavalo de madeira (navio)”.

Iconografia do Cavalo de Troia e cultura popular...
Uma das mais antigas representações do Cavalo de Troia é encontrada no chamado Vaso de Mykonos, datado do século VIII a.C. Outros achados mais ou menos da mesma época, como uma fíbula em bronze da Beócia, e cerâmicas procedentes de Atenas e Tenos, todos fragmentários, são similares no desenho, e podem se referir a protótipos bem mais antigos, como os aparatos de guerra assírios, com um desenho zoomórfico e quadrúpede, rodas e janelas. Guerreiros armados se colocavam no centro da máquina e usavam sua cabeça elevada para escalar muralhas, enquanto outros manipulavam um aríete na parte inferior. Em Atenas existiu uma gigantesca estátua em bronze do famoso cavalo, obra de Strongylion, instalada no santuário de Ártemis Braurônia da Acrópole, que mostrava vários guerreiros em seu interior, da qual ainda sobrevive o pedestal.

Ao longo dos séculos seguintes o Cavalo de Troia continuou fornecendo inspiração para muitos artistas visuais e literatos, constituindo um dos temas mais trabalhados da tradição épica, penetrando inclusive em regiões asiáticas como a Arábia e o norte do subcontinente indiano, que estiveram sujeitas à influência clássica. No século 17, o inglês John Bushnell tentou provar a possibilidade do cavalo realizando uma reconstrução hipotética, que seria tão grande que seis homens sentados em volta de uma mesa caberiam dentro da sua cabeça, mas ela acabou sendo destruída por uma tempestade antes de terminada. Outra foi criada em 1707 para uma suntuosa apresentação de uma peça, com cerca de cinco metros de altura, toda dourada, de onde saíram quarenta guerreiros armados.


A expressão “cavalo de Troia” se tornou largamente usada na cultura popular, sempre com o sentido de um artifício astuto, enganoso e perigoso, que possibilita a penetração dissimulada em território inimigo, e é a origem da expressão “presente grego”, quando recebemos algo de aparência agradável mas que produz más consequências. Denomina uma técnica de negociação baseada na mentira, uma estratégia militar deceptiva usada em inúmeras variantes por exércitos desde a Antiguidade, e um tipo de vírus de computador que se disfarça como um programa legítimo para ganhar acesso às máquinas dos usuários e iniciar a destruição dos programas instalados, roubar senhas e operar danos de outras naturezas (os famosos “Trojans”, que em português significa “troianos”).

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Vinland: você conhece algo sobre a colônia dos vikings no continente americano?

Vinland hoje habita mais no campo dos jogos de RPG e dos fãs da mitologia nórdica do que nos livros de história e arqueologia. Entretanto, é fundamental sabermos que este é um assunto real, que não paira no campo das especulações, das mitologias, das sagas e do impossível. Vinland foi o nome dado pelos vikings a uma parte do Canadá, sendo, portanto, os “descobridores” da América quase mil anos antes da chegada de Colombo à América Central, em 1492.

Vinland significa “terras das vinhas”, e correspondia à zona do Golfo de São Lourenço, Nova Brunswick, Nova Escócia e a Ilha de Baffin, tudo no território hoje correspondente ao Canadá. A área foi explorada por iniciativa de Leif Ericson a partir de Leifsbudir, um colonato estebelecido por volta do ano 900 d.C. na costa norte da Terra Nova (hoje no atual nordeste do Canadá). A ocupação de Leifsbudir e Vinland foi precária e durou apenas uma década, mas representou o primeiro contato da Europa com a América, muitos séculos antes das viagens de Cristóvão Colombo.

Nas imagens que veremos abaixo, são reproduções no Canadá de como eram as casas destes colonizadores nórdicos. São interessantíssimas!


Abaixo, o mapa-múndi feito pelos vikings exploradores. No canto superior esquerdo é possível vermos o mapa da Groenlândia e uma ponta do território atual do Canadá, onde se localizava tal colônia.


As primeiras explorações dos territórios...
Os vikings formaram uma série de grupos familiares (clãs) e nunca um Estado formal, como os gregos e os romanos. Singraram os mares chegando até a Turquia e a Ucrânia, e por onde passavam deixavam o terror e a destruição para trás porque saqueavam os bens de vilas e cidades. Através desta curiosidade em ir sempre mais além, saíram de territórios onde hoje estão a Noruega, a Suécia e a Dinamarca e atingiram as ilhas britânicas, a Irlanda, a Espanha, colonizaram a Islândia e estabeleceram os primeiros assentamentos na Groenlândia (atual possessão dinamarquesa).

A criação de Vinland foi efetuada pelos vikings que já se encontravam estabelecidos na Groenlândia, e motivada pela escassez de recursos na região; isso fez os homens escandinavos a irem para o mar mais uma vez na busca de terras mais prósperas. As colônias eram, em certa medida, apropriadas à ocupação humana, mas apresentavam desvantagens como o clima frio, escassez de madeira como material de combustão, de construção de casas e embarcações ou a falta de fontes acessíveis de ferro. Para suprir estas carências, Leif Ericson, filho de Eric, o Vermelho, fundador da Gronelândia, tomou a iniciativa de explorar as áreas circundantes.


As primeiras viagens revelaram descobertas promissoras em um continente de clima relativamente mais ameno e repleto de recursos essenciais à sobrevivência, o que animou os vikings. Para além de Vinland, Leif Ericson teria demarcado a fundação de outros assentamentos: Markland, Straumfjord e Helluland, relatadas nas sagas como “locais ideais” para a criação de rebanhos, todas situadas na costa nordeste canadense.

No entanto, a costa leste do Canadá situa-se a mais de mil milhas marítimas da Groenlândia, o que representava pelo menos três semanas de viagem de barco com a tecnologia daquela época. Por isso, os vikings só poderiam viajar no verão – este sinal aparece na saga, pois o narrador nos lembra de que havia “locais ideais” para criar rebanhos, ou seja, encontrou pastos verdejantes e clima mais quente, uma vez que durante o inverno esta também é uma área tão inóspita quanto a Groenlândia e a Islândia. Encontrar tanto pasto e uma temperatura média de 19°C e sol brilhante para um povo acostumado a um verão cinzento com 14°C de temperatura era um verdadeiro paraíso!

Mais sobre este “paraíso” viking em território “estranho” e as descobertas históricas...
A única fonte histórica que menciona a colônia de Vinland são as sagas nórdicas. O local era descrito como uma pequena aldeia destinada a servir como quartel-general às expedições que continuavam a decorrer o litoral no verão. À falta de fontes independentes e de vestígios vikings na América do Norte, os historiadores mantiveram-se céticos quanto a estas narrativas, classificadas por alguns acadêmicos como “fantasias descabidas”.

Os historiadores e arqueólogos argumentavam que a tecnologia viking poderia até mesmo chegar ao Mar Negro, mas sempre com barcos próximos ao litoral, uma vez que poderiam afundar com ondas gigantescas do alto-mar. Desta maneira, seria impossível sair da Islândia, chegar à Groenlândia e depois, ainda, singrar parte da costa do Canadá e dos Estados Unidos.




A dúvida acabou-se em 1964, quando uma equipe de arqueólogos descobriu ruínas de arquitetura viking na área de L’Anse aux Meadows, na costa norte da Ilha de Terra Nova. O sítio era constituído por oito edifícios, dos quais três camaratas com espaço para acolher cerca de 80 pessoas, uma oficina de carpintaria e uma forja com tecnologia de extração de ferro idêntica à dos vikings. As datações por carbono 14 indicaram ainda idades em torno do ano 1000. A localização e características destas ruínas estavam, por isso, de acordo com as descritas pelos contemporâneos de Leif Ericson e confirmavam a veracidade da presença viking na América do Norte. Portanto, Vinland era verdadeira!

Uma das características mais marcantes da aldeia descoberta pelos arqueólogos era a ausência dos artefatos que normalmente acompanhavam os vikings. As escavações revelaram apenas e só a presença de 99 pregos estragados, um prego em boas condições, um pregador de bronze, uma roca, uma conta de vidro e uma agulha de tricô. Este magro espólio arqueológico foi interpretado como abandono deliberado da colônia, o que é apoiado pelas narrativas da época que contam como Leifsbudir e Vinland foram abandonadas ao fim de poucos anos de vida.


De acordo com as sagas, Vinland tinha todas as características de uma terra prometida, mas as ideias de exploração e colonização foram abandonadas, ao que tudo indica, repentinamente. Os motivos para o abandono são descritos pelos próprios relatos contemporâneos: Vinland era a morada de um povo hostil com o qual os vikings não conseguiram estabelecer relações pacíficas. O primeiro contacto dos vikings com os índios americanos é relatado em pormenor nas sagas.

O acampamento foi visitado por um grupo de nove nativos, que os vikings chamavam genericamente “skraelings” (tradução de “feiosos”), dos quais os vikings mataram oito por razões não especificadas. O nono elemento fugiu e regressou em canoas com um grupo maior e atacou os colonos. Na luta, morreram algumas pessoas de parte a parte, incluindo Thorvald, irmão de Leif Ericson. Apesar deste início pouco auspicioso, foi possível estabelecer relações comerciais com os índios, com a troca de leite e têxteis nórdicos por peles de animais locais.

A paz durou algum tempo até que nova batalha começou quando um índio tentou roubar uma arma e foi morto. Os vikings conseguiram ganhar este conflito, mas o acontecimento serviu para eles perceberem que a vida em Vinland não seria fácil sem apoio militar adequado ao qual não tinham acesso, estando “longe de casa”. De acordo com as sagas, decidiram então abandonar a aldeia e o sonho de colonizar Vinland. Apesar do abandono, os vikings continuaram a visitar a América do Norte regularmente, em particular a região de Markland. Estas viagens não se destinavam à exploração ou a um eventual estabelecimento, mas sim à recolha de madeira e ferro, recursos que continuavam a escassear na Gronelândia. A última referência a uma viagem a Markland data de 1347.


De um modo geral, atualmente, a historiografia reconhece que os vikings foram os verdadeiros “descobridores” do continente americano, sendo os primeiros europeus a estabelecerem contato com nativos norte-americanos, mantendo relações comerciais, de guerra e de paz. Vinland foi um pequeno paraíso terrestre daquilo tudo que os vikings ansiavam, mas não conseguiram objetivo por conta dos nativos já donos da terra. Abandonaram Vinland e outros assentamentos e deixaram de lado a América para que os espanhóis e portugueses, séculos mais tarde, pudessem explorar, conquistar, sugar e destruiur as populações locais e os recursos naturais, principalmente o ouro e a prata.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Caso Vilas-Boas: você conhece a história deste clássico da ufologia mundial, ocorrido aqui no Brasil?

O post de hoje vai tratar de um dos casos mais famosos e controversos da ufologia brasileira e da ufologia mundial: trata-se do chamado caso Vilas-Boas, a primeira alegação de abdução em toda a história recente, e também o primeiro relato de contato imediato de quinto grau (de acordo com os estudos ufológicos contemporâneos, seriam estes contatos mais conscientes entre seres humanos e alienígenas, através da comunicação consciente entre ambos, como o caso de pessoas que dizem ter tido experiências médicas dentro de naves espaciais). Por conta disso, ganhou destaque em todo o planeta.


O caso Vilas-Boas não foi, porém, o primeiro caso do gênero a ser publicado: embora o episódio tenha ocorrido em 1957, o relato do mesmo só foi publicado na edição de janeiro de 1965 do periódico norte-americano “Flying saucer review”. Quatro anos antes, a divulgação da suposta abdução do casal Hill havia já causado furor em todo mundo. Hoje parece certo que os Hill imaginaram toda a história da sua alegada abdução, e o caso Hill é considerado obsoleto, ao passo que o caso Vilas-Boas permanece inconclusivo quanto à sua veracidade ou falsidade.

Antônio Vilas-Boas: a “cobaia” dos aliens...
Antônio Vilas-Boas (foto abaixo) era filho de Jerônimo Pedro Vilas-Boas e Enésia Cândida de Oliveira, fazendeiros no interior de São Francisco de Sales, em Minas Gerais. O casal teve ao todo dez filhos, sendo quatro homens e seis mulheres. Para lavrar a terra, a família Vilas-Boas usava um trator com o qual trabalhavam em dois turnos, um diurno e outro noturno. De dia trabalhavam os empregados da fazenda, e à noite, por sua vez, o próprio Antônio, sozinho ou acompanhado dos seus irmãos e cunhados, fazia o serviço.


Fenômenos ufológicos anteriores à suposta abdução...
No dia 05 de outubro de 1957, os Vilas-Boas receberam visita, razão porque todos foram se deitar por volta das 23h. Fazia bastante calor naquela noite, e por isso Antônio abriu a janela do seu quarto, que dava para um terreno. Estava em companhia do irmão João. De repente viu uma luz de procedência indefinida, bem mais clara que a do luar, iluminando todo o ambiente. Chamou pelo irmão, que não se interessou pelo fenômeno. Antônio logo fechou a janela e ambos foram dormir. Pouco depois, sem resistir à curiosidade, Antônio tornou a levantar-se e a abrir a janela. A luz continuava inalterada, mas, de repente, a mesma se deslocou para junto da janela. Assustado, Antônio fechou a janela com tanta força que acordou o irmão e, dentro do quarto escuro, ambos passaram a acompanhar a luz que entrava pelas frestas da veneziana. A luz se deslocou para o alto do telhado da casa, onde penetrou pelas frestas entre as telhas. Finalmente, depois de alguns minutos, a luz desapareceu e não retornou mais.

Isso foi o suficiente para deixar a família em estado de alerta, uma vez que não havia somente uma testemunha daquele relato que parecia loucura, mas duas pessoas: Antônio e João, que permaneciam assustados e com um pouco de medo do desconhecido.

Em 14 de outubro houve um segundo incidente que ocorreu por volta de 21h30. Naquela ocasião, Antônio trabalhava com o trator em companhia de seu outro irmão, José. Subitamente eles avistaram uma luz muito clara, penetrante, a ponto de fazer doer seus olhos. A luz era grande e redonda, como uma roda de carroça, e estava na ponta norte do campo. Era de um vermelho claro e iluminava uma grande área. Ao observarem melhor, distinguiram alguma coisa dentro da luz, mas não conseguiram precisar o que era, pois as suas visões ficaram totalmente ofuscadas. Curioso, Antônio começou a correr atrás da luz, que por sua vez começou a fugir dele. Finalmente desistiu da empreitada e voltou para junto do irmão. Por uns poucos minutos, a luz ficou imóvel, à distância; ela parecia emitir raios intermitentes, em todas as direções. Em seguida desapareceu tão repentinamente que deu a impressão de ter simplesmente se apagado.

Por mais uma vez a família Vilas-Boas se via em um estranho impasse em pleno interior do Brasil, no meio do nada, onde até mesmo ondas de rádio e recepção eram difíceis à época, quando a televisão dava seus primeios passos. Só em grandes cidades o assunto da ufologia começava a ser debatido em um grupo restrito de acadêmicos, junto ao ambiente da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. Para a família Vilas-Boas, interiorana, brasileira, praticamente analfabeta, isso era uma novidade sem precedentes de um temor gigantesco.


A longa história da suposta abdução...
Na madrugada de 16 de outubro de 1957, Antônio arava a terra sozinho com o trator quando foi surpreendido por uma luz vermelha. A luz se aproximou, aumentando progressivamente de tamanho. Tratava-se de um objeto oval e brilhante, que ficou estático a uns 50 metros da cabeça do agricultor, pairando. Antônio ficou paralisado de medo. Após uns dois minutos, o objeto desceu e pousou a uns 15 metros de distância do agricultor. Foi quando ele pôde distinguir nitidamente os contornos da máquina: era parecida com um ovo alongado, apresentando três picos metálicos, de ponta fina e base larga, disposto um ao lado do outro. Em cima da nave algo girava a alta velocidade e emitia uma luz vermelha fluorescente.

De repente, a parte debaixo do objeto se abriu e deixou sair três suportes metálicos. Antonio concluiu tratar-se do trem de pouso da nave. Percebendo que algo iminente iria acontecer com ele, resolveu fugir no trator, mas após avançar alguns metros com o veículo, o motor parou e os faróis se apagaram. Tentou ainda dar a partida, mas o motor não pegou mais. Antônio pulou do trator e começou a correr, porém um ser que mal chegava a altura dos seus ombros agarrou-o pelo braço. Desesperado, Antônio aplicou-lhe um golpe que o fez perder o equilíbrio, largar o seu braço e cair para trás. Novamente tentou correr, quando três outros seres instantaneamente o agarraram pelos braços e pernas e o ergueram do solo. Embora dominado, Antônio ofereceu resistência, mas os alienígenas conseguiram por fim fazê-lo subir por uma escada flexível e bambeante para o interior da nave.


No Ovni, Antônio foi completamente despido, a despeito dos seus esforços contrários. Um líquido oleoso, mas que não deixava a pele engordurada, foi passado em seu corpo com uma espécie de esponja. Em outra sala, dois seres se aproximaram com um tipo de cálice, do qual saíam dois tubos flexíveis. Eles colocaram a extremidade de um dos tubos no “cálice”; a outra ponta possuía uma peça de embocadura parecida com uma ventosa, que eles enfiaram no queixo de Vilas-Boas. O agricultor não sentiu dor, apenas a sensação de que a pele estava sendo sugada. Seu sangue escorreu pelo tubo e se depositou no cálice, que encheu até a metade. O tubo foi então retirado. O outro tubo, que ainda não havia sido usado, foi colocado do outro lado do queixo, de onde se coletou mais sangue, até completar o vasilhame. A pele de Antônio ficou ardendo e coçando no lugar da sangria.

Deixado sozinho numa sala que exalava uma fumaça de cheiro desagradável e sufocante, que lhe provocou vômitos, Antônio esperou por um longo tempo até que, para seu espanto, surgiu uma mulher inteiramente nua. Seus cabelos eram macios e louros, quase cor de platina – como que esbranquiçados – e lhe caíam na nuca, com as pontas viradas para dentro. Usava o cabelo repartido ao meio e tinha grandes olhos azuis, amendoados. Segundo Antônio, a alienígena era baixa, mas belíssima. O que mais lhe chamou a atenção foi o fato dela ter os pêlos das axilas e do púbis vermelhos. Essa alienígena se aproximou de Antônio em silêncio, não deixando dúvidas acerca de suas intenções. Ela abraçou Antônio e começou a esfregar seu rosto e corpo contra o dele. A porta se fechou e Antônio ficou a sós com a alienígena, com quem acabou tendo várias relações sexuais.

Por fim, aparentando estar cansada, a alienígena passou a rejeitar Antônio. Antes de sair da sala, ela virou-se para ele e apontou, primeiro, para sua barriga, depois, com uma espécie de sorriso, para o próprio Antônio e, por último, para o alto – como se quisesse dizer que ele iria ser pai de um ser que nasceria entre as estrelas. Logo em seguida, um dos alienígenas voltou com a roupa de Antônio, que se vestiu imediatamente. Segundo ele, os alienígenas usavam macacões colantes, de um tecido bem grosso, cinzento, muito macio e, em alguns pontos, colado com tiras pretas. Cobrindo a cabeça e o pescoço, usavam um capacete da mesma cor, mas de material mais consistente e reforçado atrás, com estreitas tiras de metal. Este capacete cobria a cabeça toda, deixando à mostra somente os olhos, protegidos por um par de óculos redondos.


O fim da abdução de Antônio...
Antônio foi, então, levado para fora da nave. Antes, tentou ainda pegar um objeto para provar a história, mas os aliens perceberam e tomaram o objeto de volta. Por fim, a nave decolou verticalmente e sumiu em poucos minutos. Antônio calculou ter ficado no interior do Ovni de 1h15 até 5h30 da madrugada – portanto, mais de quatro horas.

Análise do caso Vilas-Boas...
Poucas são as provas da abdução de Antônio Vilas-Boas. Na época não foram feitas fotografias das marcas que o trem de pouso da nave espacial teria deixado. Em 1978, a fazenda da família Vilas-Boas sofreu uma inundação, destruindo toda e qualquer evidência disso. Pesa ainda contra o depoimento de Antônio o fato de a sua história ter sido divulgada pelo jornalista João Martins, da revista “O Cruzeiro”, que foi protagonista de outro caso ufológico, o Caso da Barra da Tijuca, de 1952, comprovadamente uma fraude.

As maiores evidências do caso Vilas-Boas são as marcas que Antônio apresentou no corpo, que teriam sido causadas pelos experimentos que os extraterrestres teriam feito com ele, e os sintomas que passou a sofrer, semelhantes ao de alguém que tivesse sido exposto a uma radiação moderada. Antônio morreu em 17 de janeiro de 1991, aos 56 anos.

Este caso, sendo fato ou farsa, entra para os anais da história por ser o primeiro relato detalhado de abdução alienígena com o ponto alto sendo a relação sexual entre um terráqueo e um suposto alienígena; relatos parecidos com este de Antônio viriam aos montes nas décadas seguintes, até os dias de hoje. Mesmo que o caso seja uma farsa possivelmente criada pelo jornalista João Martins, é interessante ver que um homem do interior do país poderia “criar” uma narrativa tão detalhada e sustentá-la por tantas décadas, sem adicionar ou remover uma vírgula sequer. O caso Vilas-Boas permanecerá sob suspeita talvez eternamente nos anais mundiais da ufologia.

sábado, 13 de julho de 2013

Universo paralelo, teoria do multiverso, universos múltiplos: você acredita nestas teorias? Fato ou farsa?

Quem assiste aos canais de documentários, tais como Discovery Channel, BBC, NatGeo Channel ou History Channel já deve ter se deparado com algum programa falando sobre o tema do post de hoje: o universo paralelo, ou multiverso. Mas você sabe o que ele é? Se você conhece o que estamos falando, acredita que possa existir uma outra realidade, outra dimensão?

A teoria do multiverso é um termo usado para descrever um hipotético grupo de todos os universos possíveis; geralmente usado na ficção científica, embora também como consequência de algumas teorias científicas, para descrever um grupo de universos que estão relacionados (universos paralelos). A ideia de que o universo que se pode observar é só uma parte da realidade física deu luz à definição do conceito “multiverso”.


O conceito de multiverso tem suas raízes na moderna cosmologia e na teoria quântica, e engloba várias ideias da teoria da relatividade de modo que pode ser possível a existência de inúmeros universos onde todas as probabilidades quânticas de eventos ocorrem. Simplesmente há espaço suficiente para acoplar outros universos numa estrutura dimensional maior: o chamado “multiverso”. Os universos seriam, em uma analogia, semelhantes a bolhas de sabão flutuando num espaço maior. Alguns seriam até interconectados entre si por buracos negros ou buracos de minhoca.

Devido ao fato de a teoria quântica ser em sua grande parte teórica, impossibilita, atualmente, qualquer tipo de prova tecnicamente real, como a prova visível do conceito de multiverso. Imagina-se um esquema em que todas as bolas de sabão se agregavam mutuamente por uma infinita vastidão. O conceito de multiverso implica numa contradição em relação à atual busca pela teoria do campo unificado, uma vez que em cada Universo (“bolha de sabão”) pode-se imaginar que haja diferentes leis físicas.


Pode parecer coisas de louco, de cientista maluco, de filme de ficção científica, de físico nerd, assunto impossível de se compreender. Mas a teoria do universo paralelo é muito interessante quando reinterpretada para a realidade de pessoas leigas. Por isso buscamos trazer um pequeno resumo sobre o assunto, que é vastíssimo, rende congressos, livros, documentários, palestras etc. É o que os cientistas também costumam chamar de IMM: interpretação de muitos mundos.

A interpretação de muitos mundos, IMM...
A interpretação de muitos mundos é uma interpretação da mecânica quântica que propõe a existência de múltiplos universos paralelos. A IMM foi formulada inicialmente por Hugh Everett para a explicação de alguns processos não determinísticos (tais como medição) na mecânica quântica.

Como outras interpretações da mecânica quântica, a interpretação de muitos mundos é motivada pelo comportamento que pode ser ilustrado pela experiência da dupla fenda. Quando partículas de luz (ou algo semelhante) são conduzidas através de uma dupla-fenda, uma explicação baseada no comportamento de onda para luz é necessária para identificar onde as partículas deverão ser observadas. Já quando as partículas são observadas, elas se mostram como partículas e não como ondas não localizadas. Pela interpretação de Copenhague da mecânica quântica, é proposto um processo de colapso do comportamento de onda para o de partícula para explicar o fenômeno observado.


Trocando em miúdos, os astrofísicos acreditam na possibilidade de haver um mundo paralelo (ou um “outro universo”) do outro lado dos buracos negros, que são corpos celestes cuja força gravitacional é tão grande que tudo é sugado para si, até mesmo a própria luz tamanha força. Assim, seria até impossível sabermos o que há do outro lado de um buraco negro graças à sua força destrutiva.

Um dos maiores problemas para se estudar a IMM é que não é ainda possível fazer estudos práticos e observações mais convincentes, ficando somente no estudo teórico e de quase especulação. Algumas correntes da física chegam a rejeitar esses estudos, comparando-os com a ufologia conforme a conhecemos de acordo com os pressupostos dos filmes e seriados de Hollywood – a série “Lost” que o diga. Para os estudiosos da IMM, é muito fascinante imaginar que há vários universos diferentes e realidades paralelas onde há outras leis da física que não conhecemos, ou até mesmo que sejam impossíveis no “nosso universo”, outro tempo, outro espaço, novos espaços físicos, novos seres, novas realidades – todas paralelas; para alguns físicos renomados, falar isso é pura asneira. Uma votação entre 72 físicos de destaque, conduzida pelo pesquisador americano David Raub, em 1995, registrou que aproximadamente 60% acreditavam que a interpretação de muitos mundos era verdadeira.

Com o tempo e a popularização, houve uma banalização do termo “universo paralelo”. O uso religioso a partir do movimento conhecido como Nova Era fez com que “universo paralelo” se tornasse uma interpretação de reencarnação, relação entre matéria e espírito, paraíso e inferno, umbral e purgatório etc. Isso torna o debate um pouco mais complexo por conta desses debates que ficam de fora do campo astrofísico, como a própria ufologia – conforme veremos mais à frente.


A interpretação de muitos mundos (e o conceito relacionado dos mundos possíveis) tem sido associada com diversos temas na literatura, arte e ficção científica. Ao lado da violação de princípios fundamentais da casualidade e relatividade, estas histórias são extremamente equivocadas desde que estrutura da teoria da informação de caminhos dos múltiplos universos (que é o fluxo de informações entre os diferentes caminhos) é extraordinariamente complexa.

Outro tipo da visão popular da divisão em muitos mundos, a qual não envolve fluxo de informações entre os caminhos ou informação fluindo para trás no tempo considera finais alternativos para eventos históricos. Do ponto de vista da física quântica, estas histórias são incorretas por pelo menos dois motivos: (1) não há nada que relacione a mecânica quântica com a descrição dos desdobramentos de eventos históricos. De fato, este tipo de análise baseada em casos é uma técnica comum no planejamento é pode ser analisada quantitativamente pela probabilidade clássica. (2) O uso de eventos históricos é uma forma complicada para introdução a teoria quântica já que se geralmente se considera ser este assunto externo a ela, especialmente a questão da natureza da escolha individual.


A interpretação de muitos mundos de acordo com alguns ufólogos...
Nos últimos anos, a interpretação de muitos mundos tem sido usada e abusada não somente por diretores e roteiristas de Hollywood, mas também alguns ufólogos com poucos conhecimentos de física, astronomia e astrofísica. Eles alegam que esses “outros mundos” e/ou “mundos paralelos” seriam lugares de onde teriam vindo alienígenas de outras galáxias, viajando até através de “buracos de minhoca” – que será um post à parte no futuro.

Esses ufólogos e crédulos da teoria dos deuses astronautas explicam que esses mundos paralelos se comunicariam de alguma forma com o nosso universo – situação que nem mesmo os astrofísicos conseguiram comprovar mesmo em 50 anos de pesquisa. Desta forma, segundo eles, ficaria mais fácil viajar mais rapidamente a uma distância incrível de anos-luz em tão pouco tempo, e com tecnologias que ainda desconhecemos, tais como o teletransporte.

Os físicos, astrônomos e astrofísicos preferem não comentar essa possibilidade que envolve o tema da interpretação de muitos mundos. O silêncio mostra como a teoria ainda é bastante controversa e as opiniões ainda são muito divergentes. Resta ao leitor do blog conhecer mais sobre o IMM e os mundos paralelos e ver em qual lado fica, pois o assunto é vasto e interessantíssimo!