terça-feira, 30 de abril de 2013

Mensagem subliminar: você conhece bem sobre ela?!

Muito se fala em mensagem subliminar, justamente em várias teorias conspiratórias. Seria o dito pelo não dito; uma mensagem que fica escondida debaixo de um discurso que a sociedade capta inconscientemente. Muito se fala, mas pouco se esclarece acerca deste assunto. Afinal de contas, você conhece bem a mensagem subliminar, como ela age e se ela realmente tem eficácia?

De modo geral, mensagem subliminar é a definição usada para o tipo de mensagem que não pode ser captada diretamente pelos sentidos humanos, que estão sempre em estado de alerta. Subliminar é tudo aquilo que está abaixo do limiar, a menor sensação detectável conscientemente. Ou seja, é aquilo que não é tão aparente, demandando tempo de análise. Importante destacar que existem mensagens que estão abaixo da capacidade de detecção humana – essas mensagens são quase imperceptíveis, não devendo ser consideradas como subliminares. Toda mensagem subliminar pode ser dividida em duas características básicas, o seu grau de percepção e de persuasão.

A propaganda subliminar tem sido um recurso muito debatido na mídia desde sempre, principalmente a partir da invenção do cinema e da televisão. Publicidade “escondida” na programação infantil tem sido proibida em todo planeta, uma vez que a criança não tem discernimento do que é fantasia e do que é real. O debate acalorado coloca de um lado filósofos, sociólogos e psicólogos contra publicitários, teóricos de ética, comunicólogos etc.


1. A percepção subliminar é a capacidade do ser humano de captar de forma inconsciente mensagens ou estímulos fracos demais para provocar uma resposta consciente. Como exemplo, imagens que possuem um tempo de exposição pequeno demais para serem percebidas conscientemente, ou sons baixos demais para serem claramente identificados. Dados que passariam despercebidos pela mente consciente seriam na verdade interpretados e guardados.

2. A persuasão subliminar seria a capacidade que uma mensagem teria de influenciar o receptor. Segundo a hipótese, toda mensagem subliminar tem um determinado grau de persuasão, e pode vir a influenciar tanto as vontades de uma forma imediata (fazendo por exemplo, uma pessoa sentir vontade de beber ou comer algo), como até mesmo a personalidade ou gostos pessoais de alguém a longo prazo (mudando o seu comportamento, transformando uma pessoa tímida em extrovertida). Esse grau de persuasão deveria variar de acordo com o tempo de exposição à mensagem, e a personalidade do receptor.

A percepção subliminar é de fato comprovada cientificamente, com inúmeros experimentos que apresentaram fortes evidências. No entanto, até hoje, a persuasão subliminar não conseguiu ser comprovada, ainda que alguns pesquisadores independentes aleguem terem experimentos que de fato comprovariam a existência da persuasão. Até hoje ainda não existe nenhum trabalho publicado em periódicos científicos que confirme essa afirmação.


A origem do termo “mensagem subliminar”...
O conceito de “subliminar” é anterior a este termo, mas o conceito moderno surgiu com James Vicary, um especialista em marketing americano, no ano de 1957. Ele foi o fundador de uma empresa chamada Subliminal Projection Company, e em uma conferência ele revelou para a imprensa que teria patenteado uma nova técnica de vendas que ele nomeou como “projeção subliminar”. Essa técnica consistia em usar um taquitoscópio para projetar imagens em uma tela com uma velocidade de 1/3.000 de segundo, podendo assim exibir imagens entre os quadros de um filme durante uma fração de segundo.

Segundo a sua hipótese, como as imagens eram apresentadas em uma velocidade maior do que a capacidade do olho humano acompanhar, essas imagens não eram percebidas de forma consciente. Mas Vicary afirmou que elas atingiam diretamente o subconsciente, sendo absorvidas de uma forma quase instantânea. Ao longo dos anos, muitos cientistas têm tentado reproduzir em laboratório os supostos efeitos da mensagem subliminar, mas não há nenhuma afirmação conclusiva sobre o assunto. No entanto, o efeito psicológico causado pela imensa repercussão do assunto foi suficiente para o surgimento de diversas teorias conspiratórias, mantendo a fama da força das mensagens subliminares até hoje.


Continuando o assunto...
É unânime entre os neurocientistas e psicólogos que o inconsciente não é facilmente manipulado, como acredita o senso popular. Subconsciente é um termo utilizado em psicologia para designar aquilo que está situado abaixo do nível da consciência ou que é inacessível à mesma. São todas as lembranças que não podem ser imediatamente recordadas, como também as diversas características de nossa personalidade. O subconsciente não é uma consciência paralela, ele é a “engrenagem” que sustenta a mente consciente, o reservatório de informações e sensações. Portanto o subconsciente não é capaz de tomar decisões, embora como parte do processamento, seja capaz de responder a estímulos

Existe pouca literatura confiável que apoie a teoria sobre a existência deste tipo de publicidade, a subliminar. Um dos poucos investigadores a favor é Wilson Bryan Key, quem diz haver descoberto um grande número de mensagens ocultas em vários anúncios publicitários, principalmente associados com sexo e morte. No entanto, para outros investigadores, Key é alguém com uma fixação sexual muito grande e “alguém que encontraria mensagens sexuais em um som de discar de telefone”. Experientes como Lluís Bassat indicam que o objetivo atual da publicidade é conseguir que o consumidor tenha em conta a marca quando toma a decisão, tendência oposta ao sentido que supostamente segue a publicidade subliminar.


Publicidade subliminar frente a outras formas de publicidade...
Devido a mudança na conceituação de subliminaridade, muitos afirmam que determinados tipos de publicidades, lícitas e comumente praticadas, também seriam exemplos de mensagens subliminares encontradas na mídia. Em muitas ocasiões e em círculos pouco informados se confunde a técnica subliminar com a técnica associativa com exemplos como: (1) os anúncios de bebidas alcoólicas se vêm acompanhados de grupos de jovens, belos e bem vestidos; (2) um automóvel se anuncia e se associa com êxito, beleza e virilidade; (3) os produtos para o lar são anunciados por famílias felizes e completas (com pai, mãe e um, dois, três filhos), que vivem em uma casa que indica a sua posição social; (4) em muitos dos anúncios de produtos cosméticos, como loções ou perfumes, é uma mulher jovem, sensual, bela, quem vende o produto. Isto apela ao desejo das pessoas de encontrar uma mulher com certas características estéticas e a que quem se sintam identificados. Seguindo a definição indicada, se pode discutir se estes exemplos não seriam subliminares porque as imagens, dos ambientes e as situações são conscientemente percebidas, tanto é assim que passado o anuncio se podem resumir e descrever.

É também muito corrente identificar erroneamente publicidade subliminar com “product placement” (em inglês cuja tradução literal seria “produto expressamente colocado”). Um dos muitos casos existentes o criaram os produtores de “Jurassic Park III”, onde se pediu patrocínio ao exército dos Estados Unidos para rodar o resgate final da Ilha Nubla. O corpo de marines dos Estados Unidos (Infantaria da Marinha dos Estados Unidos) ofereceu vários barcos, veículos blindados, soldados e um helicóptero em troca de que se alterasse a frase do guidão “Alguém que tem um amigo no Departamento de Defesa” por “Alguém que tem um amigo nos Marines” e o helicóptero girasse em frente à câmera mostrando ao público a inscrição “Marines”.

É certo que se havia acusado a várias séries de televisão e filmes de usar e abusar desse recurso; entretanto, esta forma de publicidade encoberta não é subliminar porque as imagens, sons, comentários, estão dentro da umbral da sensibilidade e são percebidos de maneira totalmente consciente pela audiência; inclusive pode ser causa de rescisão do contrato se o produto não está em tela por tempo suficiente ou não se vê com suficiente claridade, tal qual se escreveu no roteiro.


Legislação sobre o assunto...
A Espanha inclui a publicidade subliminar dentro dos distintos tipos de publicidade ilícita definindo-a como “aquela que por ser emitida com estímulos no umbral da sensibilidade não é conscientemente percebida”. Também na Noruega existem sanções para quem produza mensagens ocultas na televisão. Na União Europeia como um todo há uma proposta de proibir este tipo de publicidade com o fim de proteger as crianças e os jovens. A propaganda subliminar não é citada diretamente na constituição brasileira. Não existe nenhuma lei que proíba de forma direta qualquer tipo de propaganda subliminar. No Brasil existe também uma passagem no Código de Defesa do Consumidor que proíbe anúncios disfarçados, dissimulados.



sábado, 27 de abril de 2013

Revisionismo histórico: você já ouviu falar nele?

Nos últimos anos o acesso mais democrático a documentos históricos fez com que a própria história pudesse ser “reescrita” ou, então, reinterpretada. Foi desta forma que “tudo passou a ser história”, “tudo passou a ser fonte histórica”, em um movimento que começou na França do final dos anos 1920 e ganha força a cada dia – movimento este conhecido como Escola dos Annales. Atualmente, graças às digitalizações e à internet, é possível ao pesquisador ter acesso a documentos, por exemplo, do acervo histórico-nacional da França, dos Estados Unidos, do Brasil, da Argentina etc.

Graças a esta movimentação de tudo ser fonte a possibilidade de estudar e interpretar os fatos aumentou enormemente. Veja, por exemplo, que não falamos mais do “descobrimento do Brasil” ou “descobrimento da América”, mas sim em “conquista do Brasil”, “colonização da América” etc. A isso, sim, damos o nome de revisionismo histórico, um campo riquíssimo de possibilidades, mas também um chão bastante pantanoso que pode cair em armadilhas por conta dos boatos e teorias conspiratórias!


Assim, revisionismo histórico é o estudo e a reinterpretação da própria história, baseado na ambiguidade dos fatos históricos e dos documentos analisados, além da imparcialidade com que esses fatos podem não ter sido descritos, uma vez que é sabido que proceder à imparcialidade é um processo bastante árduo para qualquer profissional formado dentro de qualquer concepção ideológica. Segundo o criador do Positivismo, Auguste Comte, “a história é uma disciplina fundamentalmente ambígua” e, portanto, passível de várias interpretações.

Embora seja de interesse acadêmico, uma espécie de “censura” ainda impede e/ou limita a pesquisa de revisão histórica porque envolve importantes interesses políticos, econômicos e sociais; como, por exemplo, a reescrita da história recente no Brasil, na Argentina e no Uruguai com relação às suas ditaduras militares e a associação dos governos dos Estados Unidos nestes procedimentos. A abertura dos arquivos secretos norte-americanos pelo movimento WikiLeaks foi de tremenda importância neste processo de revisionismo da história, quando descobrimos os bastidores políticos dos grandes atores da gerência mundial.


Desse modo, criou-se uma doutrina em torno do assunto que torna impraticável o bom uso dessa disciplina, e apenas alguns poucos países como a França consideram o revisionismo histórico um estudo importante, por entenderem que os alicerces da história não podem apoiar-se sobre fundamentos, às vezes sem nexo, preenchidos com fatos mitológicos e a com a imaginação daqueles que descrevem a história. Devido a isso, o uso do revisionismo histórico dentro das universidades ficou restrito apenas à reinterpretação de trechos históricos previamente censurados, ou “se houvesse” surgimento de novos dados ou novas análises mais precisas, que viabilizem o cruzamento de dados já conhecidos, mas que não foram considerados.

Em pesquisas independendentes, porém, seu campo é mais amplo e não existem restrições e barreiras políticas. No entanto, quando os resultados dessas investigações independentes vêm ao conhecimento público, sofrem as mais diversas críticas dos historiadores, e algumas vezes são considerados crime de espionagem ou práticas pseudocientíficas e, portanto, ilegais, mesmo que a investigação seja fruto de contraespionagem retirada de fatos constantes em arquivos censurados em época anteriores. Isso é muito comum em investigações de fatos que ocorreram durante ditaduras militares em países como o Brasil e a Argentina.

Tentar reescrever a história é um processo bastante complexo porque a sociedade está acostumada ao comodismo daquilo que imagina já conhecer. Romper com um conhecimento tão antigo é muito complicado e, por vezes, escandaloso. É como a figura heroica de Dom Pedro I no dia 07 de setembro de 1822, quando proclamou a independência do país; na realidade, tal proclamação não foi nada heroica enquando o imperador sofria graves problemas intestinais. Destaque para esse revisionismo histórico justamente no trabalho do jornalista Laurentino Gomes em seus livros “1808” e “1822”.


Os problemas que envolvem o revisionismo histórico...
Em alguns casos é utilizada a expressão “negacionismo histórico” para se referir ao revisionismo histórico, quando este é utilizado para indicar a rejeição de evidências maciças e a geração de controvérsia a partir de tentativas de negar que um consenso exista. O negacionismo histórico é totalmente diferente do revisionismo histórico; como acontece com o caso de alguns historiadores neonazistas que insistem em negar o Holocausto e a morte de mais de seis milhões de judeus em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

O problema relacionado ao revisionismo histórico esbarra justamente nestes grupos de contrainformação que não tentam revisitar o passado e estudar as novas evidências, mas sim intoxicar a informação a fim de tentar criar novos fatos a partir de farsas históricas: negação do Holocausto, diminuição da mortandade de índios durante a conquista das Américas, negar as torturas nos períodos de ditaduras sul-americanas etc.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Contatados: sobre as pessoas que afirmam terem tido contato com entidades extraterrestres...

Contatados são pessoas que afirmam terem tido alguma experiência de contato com entidades extraterrestres. Geralmente, é comum o discurso de que lhes foram dadas mensagens importantes ou profunda sabedoria. De acordo com os ufólogos, na maior parte dos casos os encontros são únicos e ocorrem somente uma vez na vida do contatado, mas em outros, o indivíduo afirma ter encontros constantes com tais entidades aliens.

Como um fenômeno cultural, os contatados passaram a ter maior notoriedade a partir do final dos anos 40, justamente após o incidente de Roswell, em 1947, que oficialmente inaugura a ufologia contemporânea. De um modo geral, os relatos são sempre parecidos, mas os contatados ainda esbarram no preconceito e ceticismo da sociedade e das autoridades, por isso encontram conforto em pequenos grupos.


Em 1956, Leon Festinger, Henry Riecken e Stanley Schachter foram os primeiros membros da comunidade científica a iniciarem o estudo dos contatados. Até hoje há somente quatro trabalhos científicos sérios estudados e publicados sobre tais fenômenos, o que implica em grande ceticismo por parte de todos. Alguns antropólogos norte-americanos iniciaram uma nova corrente da disciplina que tenta estudar esses contatos, investigando-os como folclore contemporâneo e lenda urbana.

Um desses estudos sérios publicados foi uma dissertação de mestrado de psicologia, de 1994, e aponta que, de modo geral, os contatados alegam experiências benéficas enquanto que os abduzidos alegam experiências chocantes e extremamente negativas, causando danos psicológicos.

O astrônomo J. Allen Hynek, criador da escala de contatos, descreveu os contatados como “pessoas que tiveram a visitação de seres extraterrestres, geralmente benignos, cuja finalidade é manter alguma espécie de comunicação com seres humanos”. Hynek também apontou que quase todos falam que há uma “mensagem de importância cósmica” para a humanidade.

Contatados tornou-se um fenômeno cultural a partir da década de 40 e aumentou nos anos 50, virando uma verdadeira febre nos anos 70 e 80. Muitos supostos contatados passaram a ganhar a vida dando palestras e escrevendo livros sobre tal experiência. Isso ocorre até os dias de hoje. Correntes céticas afirmam que os contatados são desonestos em suas reivindicações e relatos. A psicóloga Susan Clancy diz que tais histórias são falsas memórias inventadas, criadas em uma mistura de fantasia, distorção de memória, alucinações de sono e “analfabetismo científico”.


Em seus relatos de experiências, os contatados dizem que os aliens os chamam de “irmãos do espaço”, geralmente tendo aparência semelhante à do ser humano e maneiras de agir parecidas. Os aliens alertam para o exagero de violência e criminalidade na Terra, perigo das guerras, doenças e infestações, armas nucleares etc. O ufólogo Curtis Peebles fez um resumo das características dos relatos dos contatados:

1. Contato pessoal e/ou mental com “irmãos espaciais”, com aparência quase totalmente humana;
2. Os contatados também voaram a bordo de discos voadores, e viajaram para o espaço e para outros planetas;
3. Os “irmãos do espaço” querem ajudar a humanidade a resolver os seus problemas, parar os testes nucleares e impedir a destruição de outra forma inevitável da raça humana;
4. Isto será possível de maneira muito simples pela irmandade espalhando uma mensagem de amor e fraternidade em todo o mundo;
5. Outros seres sinistros, como os grandes governos, ameaçam tal irmandade para continuar o acobertamento de OVNI’s e suprimir a mensagem de esperança.

Embora a expresão “contatado” não tenha sido usada até a década de 1950, estudiosos no assunto observaram que desde séculos passados houve experiência de encontro entre aliens e seres humanos, com tentativas de descrição destas entidades. É este o principal foco dos teóricos dos deuses astronautas, viajantes espaciais e do tempo. Apesar de não estar basicamente ligada a discos voadores, há uma série de relatos antigos de avistamentos de luzes e de contatos com entidades “estranhas”; na própria Bíblia há tais relatos com seres de vida inteligente, como há no livro de Daniel.

No início do século 18, pessoas como Imanuel Swedenborg alegaram terem contato psíquico com habitantes de outros planetas. Em 1758, Swedenborg publicou um livro detalhando supostas viagens a planetas distantes com tais seres. Entretanto, o cético J. Gordon Melton observa que a viagem planetária de Swedenborg para em Saturno, o planeta mais conhecido naquela época; ele não visitou Urano, Netuno ou Plutão porque não eram planetas descobertos pela astronomia, o que mostraria um charlatanismo.


Algum tempo depois, Helena Blavatsky, conhecida mais como Madame Blavatsky, a fundadora da teosofia, fez alegações parecidíssimas com as de Swedenborg. Em 1891, Thomas Blott publicou o clássico “O homem de Marte”; nele, o autor alega ter encontrado um marciano nos Estados Unidos. Por mais estranho que possa parecer, Blott jurava que o tal marciano se comunicava com ele em inglês!

Outro livro sobre contatos foi “Da Índia até Marte”, de 1900, escrito por Theodore Flournoy. O autor detalhou as alegações de Helene Smith, que, enquanto em transe, ditava informações recolhidas a partir de suas visitas psíquicas até Marte – inclusive um alfabeto marciano e um idioma que ela poderia escrever e falar. Flournoy determinou que as alegações de Smith eram falsas, com base na fantasia e imaginação. Seu idioma “marciano” era simplesmente uma versão deturpada do idioma francês.

Contatos aliens entre 1900 e 1950...
Dois dos primeiros contatados nesse período foram William Magoon e Guy Ballard – esse, seguidor da teosofia de Madame Blavatsky. O livro de Magoon, “Cura psíquica” foi publicado em 1930, onde ele afirma que havia sido transportado até Marte; segundo ele, um lugar como a Terra, com várias cidades, automóveis, aparelhos de rádio etc. Ballard teve mais impacto social através do movimento que ele fundou. Em 1935, Ballard afirmou que, alguns anos antes, ele e mais de cem outras pessoas testemunharam a aparição de supostos doze venusianos em uma caverna; tais seres tocavam uma doce música enquanto exibiam imagens da vida em Vênus. Depois, as entidades aliens afirmaram que a Terra passaria por tribulações terríveis, fome, guerra, doenças.

George Adamski, que mais tarde tornou-se o contatado mais proeminente desse período, também tinha certo interesse em atividades místicas e ocultistas. Em 1930, ele fundou a Ordem Real do Tibete e dizia receber mensagens de seres vindos de Vênus. Entretanto, céticos e teólogos apontam que tais mensagens eram interpretações próprias de filosofias do budismo e do hinduísmo.

O ufólogo Christopher Partridge aponta que as pessoas que afirmam terem sido contatadas antes de 1947, quando do episódio de Rosswel, nunca afirmam o avistamento de discos voadores. E geralmente sempre falavam em Vênus e Marte, planetas que povoavam a mente da sociedade desde o século 19 através da literatura de ficção científica, como “Guerra dos mundos”. Em vez de Ovnis, havia uma tradição muito forte do contato extraterrestre através de sessões espíritas e hipnose.


Contatos na “era Ufo”, pós-1947...
A partir de 1947, com o caso até então misterioso e surpreendente em Rosswel fez ocorrer um verdadeiro “boom” de alegações de contatos aliens e abduções, praticamente uma histeria coletiva por conta das coberturas da mídia. O radialista John Nebel entrevistou vários contatados em seu programa durante muitos anos; a história era sempre a mesma: seres humanoides, viagens interplanetárias, mensagens de paz e conforto etc.

No final dos anos 50, muitos contatados já falavam que não havia contato físico, mas psíquico e em transe. Desta forma, muitos dos contatados diziam passar por tal estado em sessões espíritas, o que tirou o crédito do estudo dos ufólogos, que não sabiam se estavam trabalhando com entidades aliens ou espirituais.

A fim de dar crédito a tais relatos surpreendentes, no início dos anos 60 alguns contatados passaram a tirar fotos dos discos voadores e das alegadas entidades com quem mantinham conversa constante. Entretanto, especialistas céticos apontavam várias fraudes e truques nas fotografias, como o uso até de ovos de galinha e jogo de luzes para produzir o que se desejava, tecnologia mágica rudimentar.


Por mais de duas décadas o contatado George Tassel organizou uma grande convenção de outros contatados no Deserto do Mojave. Entre 1950 e 1965, Buck Nelson, outro contatado também realizou uma série de palestras e convenções similares. Embora tais convenções tenham se tornado escassas atualmente, as pessoas continuam fazendo reivindicações sobre contatos.

Nos anos 50, o fazendeiro Billy Meier, de origem suíça, alegou ter tido uma experiência de contato alien e acabou se tornando uma pessoa proeminente neste meio quando deu um contexto religioso à coisa, arrebanhando algumas milhares de pessoas. Segundo a doutrina, havia uma luta no mundo entre aliens bons e aliens maus, os governos sabiam disso, mas não comunicavam para não alarmar a população global. Alguns indivíduos estavam atuando dominados pelos seres malignos, enquanto outros estariam atuando com os bons aliens. Outro exemplo é o Movimento Raeliano, que ganhou atenção internacional com as suas reivindicações de clonagem humana bem sucedida. Seu líder, Rael, afirma ter sido contatado por extraterrestres desde 1970.



Respostas às alegações dos contatados e as polêmicas que envolvem o assunto...
Até mesmo no campo da ufologia alguns supostos contatados são vistos como lunáticos; sendo a ufologia a mais interessada em comprovar tais contatos, isso mostra como o assunto é controverso. Alguns ufólogos tentam até mesmo evitar o assunto porque isso proderia prejudicar o estudo “sério” do fenômeno Ovni. O ufólogo Jacques Vallée afirma que “nenhum investigador sério nunca foi muito preocupado com as reivindicações dos contatados”.

O astrônomo renomado Carl Sagan expressou ceticismo sobre contatados e contato alienígena, em geral, observando que as vítimas destes contatos respondem rapidamente a perguntas vagas, mas quando confrontados com questões técnicas e/ou específicas, silenciam.

Algum tempo após o fenômeno dos contatados ter diminuído, no início dos anos 90, o historiador David Michael Jacobs observou alguns fatos interessantíssimos: as contas bancárias dos contatados mais proeminentes cresceu enormemente graças a convenções elaboradas, palestras e livros escritos; além disso, esses contatados proeminentes raramente davam datas mais concretas, mas apenas divagando em meses e anos.

O fenômeno dos contatados ressurgiu com maior ímpeto no final dos anos 90 e meados dos anos 2000, quando os canais de TV a cabo começaram a iniciar séries de programas sensacionalistas abordando o assunto, entrevistando supostos contatados e ufólogos que creem no fenômeno. Isso aumentou enormemente as alegações de contatos e abduções.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (19)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

De onde vem a expressão “caramba”?!
É uma amenização de um palavrão e teve origem na Espanha. Assim nasceu a interjeição “poxa”, que veio do abrandamento espanhol de “puta”. O mesmo com “caramba”, que também tem em espanhol e veio da amenização de “carajo”.

Cavanhaque tem alguma coisa a ver com uma pessoa específica?
O general francês Louis Eugène Cavaignac (foto abaixo) era governador-geral da Argélia em 1848, quando se elegeu deputado, voltou a Paris e acabou designado ministro da Guerra. Sua barba diferente para a época acabou chamando a atenção das pessoas. O mais interessante é que só em português tem esse nome, cavanhaque. Na França eles preferem “barbiche”.


O parto do tipo cesariana tem alguma coisa a ver com Júlio César da Roma Antiga?
Não, não tem nada a ver. Reza a lenda que Júlio César teria nascido de um parto muito difícil e que foi preciso fazer uma abertura na barriga da sua mãe, e por isso esta modalidade de parto teria levado o seu nome. Na realidade, a primeira cesariana documentada ocorreu em 1610 e a mãe do bebê morreu vinte dias depois porque não aguentou tamanha dor e falta de higiene na época. O nome “cesariana” vem do latim que significa “cortar”, e nada tem a ver com o governante de Roma.

“A cobra vai fumar”
Em 1943, foi instituída a Força Expedicionária Brasileira cujo objetivo era lutar na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A insígnia da FEB era uma cobra fumando um cachimbo e, atualmente, muitas pessoas sequer imaginam que há muita história nisso. O desenho foi uma resposta a um repórter que disse ser mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar naquela guerra.


Por que uma agremiação de samba chama-se “escola de samba”?
A primeira escola de samba com este nome foi a Deixa Falar, fundada no Rio em 1928. Foi chamada de “escola” por vários motivos: porque ficava perto de uma escola pública, para dar respeitabilidade ao empreendimento, porque os fundadores acreditavam que ali ensinariam a verdadeira arte do samba.

Como nasceu a expressão “esculhambar”?
Há duas versões para a palavra: (1) tem origem em colhões, o saco escrotal. Assim, quando eles ficavam feridos de tanto andar a cavalo, eles ficariam esculhambados; (2) teria vindo da expressão italiana “sculambiar”, que era dar palmadas nas nádegas.

De onde vem a expressão “etc”?
Trata-se da abreviação da expressão latina “et caetera”, que seria “e o restante”, “e os demais”. De acordo com a norma da língua, não é preciso colocar reticências (...) depois do “etc” porque a própria expressão já embute essa ideia de que a lógica da frase permanece quase infinitamente.

Como nasceu a expressão “favela” para se referir aos bairros pobres?
No final do século 19, o governo brasileiro, já como república, deu cabo da comunidade religiosa de Canudos, no interior do Bahia. Por lá, as tropas ficaram instaladas em um morro cheio de uma árvore conhecida como favela (foto abaixo). Quando voltaram para o Rio, vitoriosos, o governo prometeu a eles um terreno para que pudessem construir suas casas. Cansados de promessas vãs, os soldados pegaram tábuas e construíram casebres no Morro da Providência, no Centro do Rio de Janeiro, e começaram a chamá-lo de “favela”, por conta da semelhança com o morro lá de Canudos. Com o tempo, os bairros com habitações pobres passaram a ser chamados, no Brasil, de favelas.



sábado, 20 de abril de 2013

Apontamentos e curiosidades sobre a história da maçonaria no Brasil...

Muito se fala sobre a maçonaria e seus supostos mistérios. Muito se fala sobre a maçonaria em grandes acontecimentos globais, como a independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa. Mas você já parou para pensar que tal instituição teve grande papel nos acontecimentos historiográficos brasileiros? Pois é. O post de hoje vai fazer alguns desses apontamentos curiosos.



Nós estamos acostumados a assistir a alguns filmes que trabalham a questão da influência da maçonaria na política dos Estados Unidos, principalmente após a popularização dos escritos de Dan Brown. No entanto, poucas pessoas sabem que no Brasil também houve uma animadora manipulação política costurada dentro das lojas maçônicas do Rio de Janeiro e de São Paulo. O mesmo ocorreu, por exemplo, no Chile e na Argentina, cujas independências, no século 19, foram alinhavadas nesses mesmos lugares de “reuniões secretas”.

1. José Bonifácio, um dos patronos da independência, foi o primeiro grão-mestre do Grande Oriente do Brasil, loja maçônica;

2. A loja maçom Grande Oriente do Brasil influenciou enormemente no nosso processo de independência. Mais tarde, outro grão-mestre maçom fez outro acontecimento histórico: Marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a república;

3. Patrono do exército brasileiro, Duque de Caxias (foto abaixo) também era membro da maçonaria. Graças a ele houve a unidade nacional do Império, evitando que o Brasil se esfacelasse em inúmeras repúblicas – como o que houve no restante da América Latina de colonização hispânica;


4. Dom Pedro I e seu grande amigo Chalaça eram membros da maçonaria brasileira, e durante “reuniões secretas” em lojas maçônicas do Rio de Janeiro e de Londres é que foi traçado todo o planejamento para o processo de independência do Brasil em relação a Portugal e a manutenção da unidade nacional;

5. O Grande Oriente do Brasil foi uma das maiores figuras na formação política brasileira. De lá saíram importantes nomes que regeram o país desde o Império até a Velha República. Assim, no Brasil também houve forte influência da maçonaria na política, como ocorreu nos Estados Unidos;

6. A história da maçonaria no Brasil foi escrita através da atuação política e social, principalmente, profissionais liberais, jornalistas e membros do exército. Desde a sua gênese em território brasileiro, a maçonaria tem sido atuante por homens de grande poder aquisitivo;

7. A maçonaria no Brasil foi muito importante durante o movimento contra a escravidão. A Lei Ezébio de Queiroz, que extinguia o tráfico em 1850, leva o nome de um importante maçom. Em 1871 foi promulgada a Lei Visconde do Rio Branco, conhecida como “Lei do ventre livre”; o Visconde do Rio Branco (foto abaixo), como chefe de Gabinete Ministerial, foi grão-mestre do Grande Oriente do Brasil. O trabalho maçônico nessa causa só parou com a abolição da escravatura, a 13 de maio de 1888;


8. Muito do que se viu acontecer em campanhas abolicionistas foi arquitetado dentro de lojas maçons do Rio de Janeiro e de São Paulo, sob comando de ingleses interessados na expansão do mercado de consumo do país, graças à Revolução Industrial na Europa. Por isso também há atualmente a história dos “segredos maçons”, uma vez que, historicamente, as lojas maçônicas sempre foram reduto de reuniões que não podiam ocorrer abertamente por conta dos teores antigovernistas;

9. A campanha pró-república no Brasil, no final do século 19 teve início dentro das lojas maçônicas brasileiras. O trabalho teve início em Londres e nas lojas localizadas na Colômbia, Estados Unidos, Chile e Argentina. Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da república, era grão-mestre da maçonaria no Grande Oriente do Brasil;

10. Além de Deodoro, durante a República Velha, que vai até 1930, o Brasil teve vários presidentes pertencentes à linha filosófica maçônica. Dentre eles: Floriano Peixoto, Campos Salles, Marechal Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha, Wenceslau Brás e Washington Luís;

11. Durante os anos 30, durante o Estado Novo, Getúlio Vargas perseguiu alguns maçons liberais e, consequentemente, fechou algumas lojas em que participavam alguns dos seus adversários políticos. O mesmo aconteceu, na mesma época, na Alemanha nazista e na Argentina peronista;

12. Nos anos 40, a maçonaria continuou atuante no Brasil durante os acontecimentos hoje históricos: luta pela redemocratização, anistia de presos políticos do regime getulista, propaganda antinazista durante a Segunda Guerra etc.

13. Uma das grandes críticas que a maçonaria sofre na América do Sul, de modo geral, é a participação ativa nos governos ditatoriais dos anos 50, 60 e 70. Atualmente, alguns maçons explicam que eles simplesmente “interromperam a escalada da extrema-esquerda”; entretanto, vale lembrar que tais ditaduras promoveram torturas, mortes e sequestros – alguns deles até hoje sem explicação;


14. Nos anos 70 ocorreu a grande escalada da fundação de lojas maçônicas dentro do país. A partir desta década há a fundação de várias lojas em todo território nacional, justamente no período crítico da Ditadura Militar no país;

15. Para quem não sabe, houve um cisma ideológico dentro da maçonaria carioca durante o movimento de independência do Brasil, em 1822. Um grupo desejava a república, assim como ocorreu com nossos vizinhos latinos. O outro, liderado pelo maçon José Bonifácio, defendia a monarquia a fim de manter uma unidade nacional;

16. Curiosamente, por volta de 1824, por conta das lutas ideológicas internas após da independência, Dom Pedro I mandou que fechassem as maçonarias no Brasil, mesmo sendo ele um grão-mestre. Isso ocorreu porque ele tinha medo da onda republicana dentro de algumas correntes. A maçonaria brasileira voltou à ativa somente em 1831, com a abdicação do trono;

17. A linha republicana da maçonaria no Brasil tinha os ideários de transformar o Brasil em uma grande república, ou repartir o território em repúblicas menores, sob a forma de uma grande revolução conforme havia ocorrido na França em 1789;

18. Havia na maçonaria brasileira de espírito republicano um sentimento de que faltava na nossa sociedade uma pessoa líder como houve San Martín (foto abaixo), na Argentina e no Chile, e Simón Bolívar, no Peru, Colômbia e Venezuela, e que também era maçon, para seguir no país com uma grande revolução de cunho liberal;


19. Em resumo, todo o processo de independência do Brasil e do movimento abolicionista negro foi traçado dentro das maçonarias brasileiras, principalmente do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Salvador e do Recife.

Como podemos perceber, a história brasileira pode ser, também, bastante agitada, misteriosa, com tramas como qualquer história dos países que conhecemos. Basta pesquisarmos um pouco e nos agradarmos da prática da leitura e da curiosidade. A maçonaria, com certeza, continua tendo seu papel na política atual em todos os cantos do mundo por abrigar homens influentes, mas isso é história para um outro post.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Teorias conspiratórias em relação à infecção da Aids e do vírus HIV: fato ou farsa?

Nos últimos anos a ciência de um modo em geral tem travado uma verdadeira batalha para conter a proliferação do vírus HIV, que leva à Aids. A primeira batalha é conter o avanço da contaminação, principalmente em países pobres; a segunda batalha tem a ver com a busca de cura da Aids, que afirmam estar muito próxima nas próximas décadas, enquanto que no auge da contaminação, nos anos 80, foi uma contaminação conhecida por vários nomes: “mal dos gays”, “doença das prostitutas” etc.


No entanto, há quem diga que exista, aí, uma forte teoria da conspiração que envolve laboratórios, grandes governos mundiais e uma verdadeira trama diabólica que nenhum produtor de Hollywood já pensou em roteirizar num grande filme. O post de hoje vai falar sobre o que se chama “movimento de reavaliação da Aids”, que começa a ganhar força e adeptos graças à internet e suas redes sociais.

De um modo geral, o movimento de reavaliação da Aids é formado por alguns ativistas políticos, jornalistas, cidadãos indignados, poucos cientistas e alguns biólogos que, de maneira genérica, negam, desafiam ou questionam, de várias formas, o consenso da corrente “dominante” da ciência segundo a qual a Aids é causada pelo HIV, em uma doença que mata aos poucos o sistema imunológico do indivíduo.


Um panorama histórico da Aids...
A Aids foi primeiramente relatada no dia 05 de junho de 1981, quando o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos registrou uma pneumonia em cinco gays de Los Angeles. No início, o CDC não tinha um nome oficial para a doença, muitas vezes referindo-se a ela por meio das doenças que foram associados a ela. Na imprensa geral, o termo “GRID”, sigla para “gay-related immune deficiency”, já havia sido cunhado de maneira sensacionalista. O CDC, em busca de um nome e observando as comunidades infectadas, criou o termo “a doença dos quatro H’s”, referindo-se aos haitianos, homossexuais, hemofílicos e usuários de heroína. No entanto, depois de determinar que a Aids não era uma doença exclusiva da comunidade homossexual, o termo GRID tornou-se enganoso e o termo Aids foi criado em uma reunião em julho de 1982.

A mais antiga identificação positiva do vírus HIV conhecida vem do Congo em 1959 e 1960, embora os estudos genéticos indicam que o vírus tenha passado para a população humana vindo de chimpanzés em torno de cinquenta anos antes (na virada do século 19 para o 20). Um estudo recente afirma que o HIV provavelmente mudou da África para o Haiti e, em seguida, entrou nos Estados Unidos em torno de 1969. O vírus HIV descende do vírus da imunodeficiência símia (SIV), que infecta símios e macacos na África. Há evidências de que os seres humanos que participam de atividades de caça de animais selvagens, seja como caçadores ou como vendedores de carne de caça, normalmente adquirem o SIV. No entanto, apenas algumas destas infecções foram capazes de causar epidemias em humanos e todas só aconteceram o final do século 19 e início do século 20.

Para explicar por que o HIV se tornou epidemia só nessa época, existem várias teorias, cada uma invocando fatores de condução específica que podem ter promovido a adaptação do SIV nos seres humanos ou a propagação inicial: mudanças sociais após o colonialismo, rápida transmissão do SIV através de injeções inseguras ou não-esterilizadas (isto é, injeções em que a agulha é reutilizada sem ser esterilizada), abusos coloniais e vacinação contra a varíola através de injeções inseguras ou a prostituição e a frequência elevada de doenças concomitantes à úlcera genital (como a sífilis).

A teoria mais controversa sugere que a Aids foi, inadvertidamente, iniciada no final dos anos 50 no Congo Belga durante as pesquisas de Hilary Koprowski para a criação de uma vacina contra a poliomielite. De acordo com o consenso científico, essa hipótese não é apoiada pelas evidências disponíveis e entra na fileira das teorias conspiratórias.



O “paciente número zero”...
Gaëtan Dugas (1953-1984) (fotos abaixo) foi um canadense, que trabalhou como comissário de bordo, e se tornou notório por ser considerado o “paciente zero” para a Aids. Um estudo publicado no “American Journal of Medicine” em 1984 traçou muitas das infecções iniciais pelo HIV em Nova York a um comissário de voo infectado homossexual não identificado. Epidemiologistas lançaram a hipótese de que Dugas tinha transportado o vírus para fora da África e o introduziu na comunidade ocidental gay.


Dugas foi apresentado com destaque no livro de Randy Shilts, “And the Band Played On”, que documentou o início da Aids nos Estados Unidos. Shilts retrata Gaëtan Dugas como tendo um comportamento quase sociopático, por supostamente infectar intencionalmente, ou pelo menos de forma imprudente, outras pessoas com o vírus HIV. Dugas foi descrito como sendo um homem charmoso, belo e atlético que tinha, segundo sua própria estimativa, em média, centenas de parceiros sexuais por ano. Ele alegou ter tido mais de 2.500 parceiros sexuais na América do Norte desde que se tornou sexualmente ativo em 1972. Sendo um comissário de bordo, ele foi capaz de percorrer o mundo todo, a um custo baixo, através de epicentros do início da epidemia do HIV, como Londres e Paris na Europa, e Los Angeles, Nova York e São Francisco nos Estados Unidos.

Sendo diagnosticado com o Sarcoma de Kaposi em junho de 1980 e depois de ser avisado que isso poderia ser causado e transmitido por um vírus sexualmente transmissível, Dugas se recusou a parar de ter relações sexuais desprotegidas, alegando que ele poderia fazer o que ele queria com seu corpo. Ele teria informado alguns dos seus parceiros de sexo, só depois das relações sexuais, que tinha o “câncer gay” e que, talvez, seu parceiro estava infectado também.

O termo “paciente zero” surgiu em março de 1984, após um estudo do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). O CDC começou a acompanhar as relações sexuais e práticas de homens homossexuais na Califórnia e em Nova York. Como Dugas foi considerado como o centro de uma rede de parceiros sexuais, ele foi apelidado de “paciente zero”.


Um artigo mais recente no “Proceedings of the National Academy of Sciences”, em 2007, descarta a hipótese de “paciente zero” e afirma que a Aids transitou da África para o Haiti em 1966 e do Haiti para os Estados Unidos em 1969. Robert R. já foi confirmado como a primeira vítima registrada de HIV/Aids na América do Norte, tendo morrido aos 16 anos em maio de 1969. Ele relatou ter tido sintomas desde 1966.

Voltando ao movimento de reavaliação da Aids...
Tal movimento tem discordâncias com o discurso científico padrão desde que a Aids tornou-se uma doença mundialmente conhecida e muito perigosa. Algumas das propostas de raciocínio são as seguintes – diga-se de passagem, mais uma vez, bastante polêmicas:

1. o HIV, na realidade, não existe;
2. o HIV é, na verdade, um retrovírus totalmente inofensivo;
3. o HIV existe e pode levar à Aids, mas isso ainda não foi provado;
4. o HIV existe e pode levar à Aids, mas só em combinação com outros fatores;
5. o HIV existe, entretanto não causa a Aids, mas sim outros fatores infecciosos que levam à doença;
6. o HIV é um vírus que existe, mas não causa a Aids, que por sua vez não é uma doença contagiosa;
7. o HIV existe, mas não causa a Aids, que é uma combinação de outros fatores infecciosos e não infecciosos.

Como é possível notar, o movimento de reavaliação da Aids ainda não tem um pensamento único e encontra dissonância de raciocínio dentro dele mesmo, o que compromete com que algumas pessoas contaminadas pelo HIV continuem com o tratamento meticuloso e rotineiro por crerem em tais teorias. A comunidade científica dominante encara com resistência e frequentemente hostilidade estas colocações. Ela acusa os dissidentes de ignorar a evidência em favor do papel do HIV na Aids e de representarem uma ameaça à saúde pública por suas atividades.

Já os dissidentes acusam a abordagem dominante da Aids, baseada na hipótese do HIV, de resultar em diagnóticos imprecisos, terror psicológico, tratamentos tóxicos, e desperdício de dinheiro público – principalmente por parte dos países pobres, que já contam com baixos orçamentos totais. O debate sobre o assunto desde o começo dos anos 80 tem provocado emoções fortes e apaixonadas de ambos os lados, o que aumenta ainda mais a boataria e prejudica as pesquisas.


A questão da livre escolha dos infectados...
Alguns grupos de soropositivos que estão se formando em muitos países, junto com o movimento de reavaliação da Aids e do HIV, lutam para obter alguns pontos importantes do tratamento, cada vez mais caro e complexo – e nem sempre custeado pelos poderes públicos mundiais:

1. O direito de escolher médico e terapias, o que inclui o direito de uma de intoxicação sem medicamentos;
2. O direito de saber que toda a ciência que hoje define a Aids está fundamentada em hipóteses e não em fatos comprovados, submetidos às regras da ética científica. Consequentemente, todos os testes diagnósticos e todos os tratamentos são empíricos;
3. O direito de ser hospitalizado (por ordem de um clínico geral) sem pressão para tomar antiretrovirais ou inibidores de protease, que são medicamentos tóxicos e ainda vistos como “experimentais”;
4. O direito a exames para detectar carências passíveis de serem tratadas por uma alimentação saudável ou por suplementos alimentares, vitaminas etc;
5. O direito a um tratamento hospitalar para patologias graves, sem obrigação de tomar antiretrovirais ou inibidores de protease;
6. O direito de ser tratado das doenças pelo seu nome tradicional e não como “Aids”;
7. O direito de questionar a validade dos exames de laboratório e de ser informado sobre os efeitos secundários dos medicamentos;
8. O direito de assinar um documento pedindo exclusão de análises e tratamentos relacionados ao “vírus da Aids”;
9. O direito de se tratar livremente pelas medicinas alternativas sem perder a ajuda do Estado.

De um modo geral, a comunidade científica diz que os adeptos da reavaliação da Aids seria como “negacionistas”, como os indivíduos que atualmente não enxergam as evidências da evolução das espécies ou a forma elíptica do nosso planeta.

Alguns dos pontos dos “negacionistas”...
1. A Aids é uma doença muito antiga característica de macacos e alguns felinos africanos, mas só “apareceu” entre os seres humanos após a década de 1960, o que demonstraria algum tipo de manuseio laboratorial mal feito por parte dos cientistas, talvez na tentativa de confeccionar alguma vacina ou medicamento;

2. A Aids não seria contagiosa e o seu período de latência é estranhamente muito longo, levando anos de incubação;

3. Os dissidentes afirmam que a Aids não se comporta como um doença infecciosa típica. A doença infecciosa se espalha rapidamente, até mesmo exponencialmente. O período de latência de muitas doenças é geralmente medido em semanas, enquanto que a Aids progride lentamente, com alguns casos de latência de até onze anos; isto seria (hipoteticamente) uma evidência de que a Aids não é causada por um agente infeccioso;

4. A ciência oficial diz que a evolução lenta da Aids se deve ao longo período de latência do HIV e aos novos tratamentos e campanhas preventivas que retardam sua evolução. Afirmam que há várias doenças infecciosas bem conhecidas que se desenvolvem lentamente, como a doença de Creutzfeldt-Jakob, cuja latência pode ser de 30 anos;

5. Há uma incapacidade de preencher os postulados de Koch. Os dissidentes afirmam que o HIV não preencheria tais postulados para doenças infecciosas. Para o HIV preencher estes postulados como causa da Aids: ele deve ser encontrado em todos os indivíduos com Aids (e não naqueles que não tem Aids), deve ser possível isolar o HIV de alguém com Aids, o HIV isolado deve causar Aids quando inoculado em uma pessoa sã e deve ser possível isolar o HIV deste indivíduo infectado.


Como você pode perceber, este é um assunto intrigante e bastante complexo. Os chamados “dissidentes” podem até estar errados em suas posições, mas o interessante é percebermos como vivemos em uma sociedade democrática onde indivíduos podem expressar seus postulados desta forma.

Com certeza este post é somente uma pequena ponta de um gigantesco iceberg que envolve um debate enorme, que fala desde interesses governamentais em diminuir populações pobres até interesses escusos de laboratórios e experiências secretas mal-sucedidas. Assim é que se fundamentam as grandes teorias da conspiração, que desde sempre fascinaram o ser humano.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Apontamentos sobre a astrologia: ciência milenar ou embuste de muitos milênios?

Todos os dias, milhões de pessoas em todo o mundo recorrem a dicas de horóscopos para regerem suas vidas, na tentativa de entenderem se aquele será um dia de sorte ou de azar, independentemente do assunto – relacionamento, trabalho, família etc. Desde os tempos mais remotos o homem busca nas estrelas explicações para situações terrenas, relacionando os corpos celestes a deuses; assim nasceu a astrologia, a tentativa de interpretar o céu para adivinhar o que ocorrerá na Terra.

Na postagem de hoje, faremos algumas considerações sobre a história desta prática milenar tão condenada por muitos, mas aceita por outros tantos. Vamos debater sobre como esta pseudociência se encaixa na sociedade atual, em pleno século 21, cheia de avanços científicos, além de enumerar as várias críticas a ela apontadas.


1. A astrologia é uma palavra de origem grega, significando “estudo dos corpos celestes”. Atualmente designa a pseudociência segundo a qual as posições relativas dos astros no céu podem prover informações importantes sobre acontecimentos vindouros, tratando-se, portanto, de uma das várias artes adivinhatórias;

2. Durante muitos séculos a astrologia foi praticada por sacerdotes, o que ajudou a elaborar o estudo da astronomia – esta considerada ciência. Para prever tempos de paz e de guerra, boas ou más colheitas, os sacerdotes olhavam o céu e tentavam interpretar a posição de estrelas e planetas, previam eclipses etc. Assim, graças à astrologia o ser humano passou a ter conhecimento do céu e da sua mecânica;

3. Os registros mais antigos apontam que a astrologia surgiu por volta de 5 mil antes de Cristo. Ela teve um papel importante na formação de muitas culturas da Antiguidade, como na Babilôbia, onde surgiu o horóscopo conforme o conhecemos hoje;

4. Os astrólogos afirmam que o movimento e posições dos corpos celestes podem influenciar diretamente ou representar eventos na Terra e em escala humana. Alguns astrólogos definem a astrologia como uma linguagem simbólica, uma forma de arte, ou uma forma de vidência, enquanto outros definem como ciência social e humana;

5. Uma das maiores críticas feitas pelos céticos e religiosos é que a astrologia não representa uma metodologia de representação da realidade na Terra, uma vez que os corpos celestes não “teriam culpa” da vida das pessoas aqui no planeta. Assim, Júpiter e Marte, por exemplo, não influenciariam no perfil dos seres humanos supostamente regidos por eles;


6. A principal ferramenta de trabalho dos astrólogos contemporâneos é o mapa astral, que revela como está o céu durante aquele evento a ser supostamente interpretado. Atualmente há programas digitais que fazem esse mapa rapidamente. O problema é que os céticos interpretam que o mapa astral seja um engodo;

7. É importante apontar que há uma série de astrologias diferentes. A ocidental, de origem grega e babilônica, a astrologia chinesa, a japonesa, a maia, a hindu, a judaica (também conhecida como cabalística). Cada uma faz uma interpretação diferente dos corpos celestes, o que aumenta ainda mais a crítica em torno da astrologia como pseudociência;

8. Uma das situações mais complexas para a astrologia diz respeito ao próprio mapa astral. Como interpretá-lo e fazê-lo antes da descoberta dos últimos planetas – Netuno e Plutão? Eles não exerciam nenhuma influência oculta no mapa antes da descoberta? Ou então, como Plutão deixou de ser oficialmente um planeta, sua influência no mapa astral e nas pessoas regidas por ele diminuiu?

9. Outro ponto polêmico recente no ramo da astrologia foi a anexação de um novo signo zodiacal, Ofiuco. Astrônomos fizeram a reparação de um erro milenar e, agora, temos treze signos zodiacais. Como a astrologia se comporta atualmente com este novo signo? Como formar o perfil pessoal e “astral” destas pessoas?

10. A astrologia tem muito a ver com a cultura local de onde ela é criada e proferida. Por exemplo as 88 constelações contemporâneas que têm tudo a ver com a mitologia grega. O horóscopo chinês, por exemplo, trabalha com os doze animais mais comuns daquela cultura etc. A astrologia asteca, por sua vez, identificava vinte signos zodiacais;


11. Para quem não sabe, em alguns países já há faculdade de astrologia, sendo a principal a Faculdade de Estudos Astrológicos de Londres (atenção, não confundir com astronomia, curso superior disponível em várias partes do mundo e reconhecido como ciência);

12. A astrologia passou por fortes adaptações ao longo do século 20, o que coloca em xeque a sua credibilidade, de acordo com os céticos. Os estudos de psicologia e psicanálise e as novas descobertas da astrofísica aumentaram e ampliaram as formatações dos mapas astrais e análises de perfis zodiacais. A crítica surge a partir da pergunta: como os astrólogos não sabiam que Ofiuco é uma constelação zodiacal? Ela não exercia “força” sobre seus protegidos?

13. Ao longo do século 19, na Inglaterra e nos Estados Unidos, a astrologia era uma atração à parte em circos, feiras itinerantes e parques de diversões. Assim que os horóscopos passaram a figurar as páginas dos primeiros jornais impressos para as camadas mais pobres da população. Foi através da comunicação de massa que a astrologia teve um novo fôlego desde então;

14. Uma das ideias que são base da astrologia é que o posicionamento dos astros no momento do nascimento tem relação com seu caráter e, portanto, seu destino, mas não há consenso entre os astrólogos sobre como se processa esta relação: as várias correntes atribuem a influência, campos eletromagnéticos ou semelhantes, ciclos, analogia ou sincronicidade;

15. Buscando ser aceite como ciência, a astrologia procura preencher os dois critérios que a enquadrariam como tal. Previsibilidade: passível de ser comprovada por observadores de outras disciplinas científicas. Consistência: interna e externa, ou seja, no âmbito da filosofia das ciências. A astrologia deverá demonstrar, portanto, que funciona, e explicar porque funciona. Mas não há consenso sobre a forma como a astrologia supostamente funciona;


16. Ao longo da história, desde o século 15, os estudiosos tentam explicar as relações diretas entre os corpos celestes e acontecimentos terrestres e a própria biologia dos seres humanos. Assim, explicam que nos ciclos planetários havia uma carga de energia muito forte e que influenciaria, assim, a biologia terrestre, o que ainda não foi comprovado;

17. É interessante pontuar que apesar de uma forte ligação entre astrologia e espiritismo, a doutrina espírita pontuada por Allan Kardec enxerga a astrologia como maneira supersticiosa de pensar, uma concepção que, para eles, seria arcaica de enxergar o mundo e as novas possibilidades. Portanto, seria errado associar a astrologia ao espiritismo francês (doutrina de Kardec);

18. Curiosamente, em 1975, renomados astrônomos e físicos assinaram um documento se dizendo totalmente contra a validade do estudo da astrologia. Carl Sagan, renomado astrônomo, não assinou o documento porque pensou ser autoritário demais;

19. Uma vez que alguns astrólogos afirmam ser capazes de fazer previsões sobre o futuro, deve ser possível elaborar um método para medir a precisão destas previsões. Aqui vários céticos acreditam que se poderia usar o mesmo método usado para a meteorologia que é usada para prever o tempo. Contudo, os astrólogos negam este tipo de teste argumentando que o fator humano presente no trabalho astrológico não permite uma comparação legítima às ciências exatas;

20. Outros astrólogos afirmam que a astrologia não é usada para prever o futuro, e sim para guiar e orientar as pessoas através do seu potencial revelado no horóscopo. Ainda assim, testes usando dois grupos de controle mostraram que o grau de precisão de um astrólogo, ao cambinar um horóscopo com o perfil de um cliente, não é maior que uma pessoa leiga fazendo as mesmas associações;


21. Alguns astrólogos, por vezes, usam argumentos científicos para explicar suas práticas. Por exemplo, costuma-se dizer que, como a Lua causa as marés na Terra, é razoável acreditar que a força gravitacional de outros corpos celestes pode nos afetar também. Este argumento é inválido. O puxão gravitacional de um planeta como Saturno, com massa 90 vezes maior que a da Terra, em uma pessoa daqui da Terra é igual ao puxão gravitacional de um carro a 2 metros desta pessoa;

22. Outra tentativa de explicação científica para a Astrologia é a de que os corpos celestes pesados afetam o campo magnético da Terra e que o campo magnético da Terra, de alguma forma, afeta a pessoa durante o nascimento. O problema é que o campo magnético da Terra é extremamente fraco se comparado com outras fontes, como um imã comum;

23. A astrologia antiga conhece apenas até o planeta Saturno e os trans-saturnianos foram batizados por não astrólogos, assim é difícil para a maioria dos céticos crer que possam ser usados nas análises modernas. A maioria dos astrólogos modernos reconhecem Plutão como planeta principal, e procuram fazer o mesmo outros astros, como Éris, que foi descoberto na década de 2000 provando que poderiam haver vários outros corpos celestes pequenos e similares. Os astrólogos afirmam que, como qualquer corpo de conhecimento, também a astrologia evolui e a adição de novos planetas, asteróides ou outros elementos do céu não põe em causa, de todo, o conhecimento passado;

24. A maioria dos céticos questiona o mapa astral porque o momento do nascimento é tão importante e não o da fecundação, onde efetivamente se define o DNA, elemento biológico reconhecidamente influenciador da personalidade e constituição física de um indivíduo. A resposta dos astrólogos é que é no momento de nascimento que a entidade se torna um indivíduo;

25. Sendo ainda o momento do nascimento decisivo para a personalidade de um indivíduo, por exemplo, para a formação de um grande atleta, alguns céticos questionam se não seria de esperar que em uma olimpíada houvesse grande concentração de competidores que houvessem nascido em um mesmo instante. Da mesma forma, normalmente profissionais de uma mesma área têm comportamentos e personalidades semelhantes, como, por exemplo, a letra normalmente ruim dos médicos. Seria esperado que a maioria tivesse o mesmo horóscopo, mas isso não ocorre. Os astrólogos respondem a este argumento afirmando que o horóscopo representa apenas o potencial do indivíduo, e não o seu destino;


26. Alguns céticos também questionam porque os astrólogoos ignoram alguns astros, como os satélites Ganimedes e Titã, apesar de serem maiores que o planeta Mercúrio, ao que os astrólogos respondem que nem tudo o que existe no espaço foi estudo astrologicamente e, nos casos dos satélites naturais de certos planetas, tal estudo seria dificil visto que ocupam o mesmo grau do mesmo signo que o planeta que orbitam;

27. Em sua defesa, os astrólogos argumentam que os horóscopos de jornais e revistas não podem ser levados a sério, uma vez que são generalistas demais. Para algo mais específico seria preciso um mapa astral da pessoa, que traçaria seu perfil com maior acuidade;

28. Segundo os astrólogos, para duas pessoas terem exatamente as mesmas características e passarem pela mesmas experiências de vida, deveriam nascer no mesmo instante, no mesmo local, com a mesma herança genética, a mesma influência familiar, social, e cultural;

29. Alguns astrólogos dizem que a influência dos planetas é ocasionada por energias de origem espiritual, e que por isso mesmo não podem ser mensuradas pelos cientistas através de aparelhos. Os céticos questionam porque esses astrólogos deixam de explicar como eles podem interpretar estas mesmas energias espirituais se não são capazes de medi-las;

30. Os sacerdotes caldeus nos legaram a primeira noção de zodíaco, ao observar que o Sol e a Lua cruzavam sempre as mesmas constelações dentro de uma faixa celeste que chamaram de Caminho de Anu. Contra o fundo de estrelas fixas, cinco estrelas errantes se moviam, os planetas, e seu caminho também se restringia ao espaço delimitado no céu pelo movimento aparente do Sol, a eclíptica;


31. A astrologia babilônica se dedicava a prever eventos que influenciavam a vida coletiva, através de seu efeito sobre o rei, que personificava o bem-estar do reino. Após a tomada de Alexandria é que a astrologia começou a estudar o homem;

32. Na Grécia foi fundada, por volta de 640 a.C., uma escola onde se ensinava astrologia. Aristóteles, Hiparco e Ptolomeu são figuras importantes, que usavam a astrologia principalmente para reis e países;

33. A decadência do Império Romano significou a decadência da cultura legada da Grécia e do Oriente. A astrologia caiu para um estado de superstição, fato que levou a Igreja a condená-la, ignorando as referências astrológicas no Evangelho de Lucas e no Apocalipse. Assim, Agostinho de Hipona, que estudara astrologia, a renega após sua conversão;

34. Na Idade Média, a Universidade de Bolonha instalou no ano de 1125 o curso de astrologia, onde estudaram figuras importantes como Dante e Petrarca;

35. Na Idade Média os astrólogos eram chamados “mathematici”, pois a astrologia era a aplicação mais importante da matemática. A prática da medicina era baseada na determinação astrológica do tratamento adequado, portanto os médicos também eram “matemáticos”;

36. Curiosamente, o Renascimento na Itália trouxe uma difusão da astrologia, apoiada inclusive pelo papado. Astrólogos eram queimados vivos não pela prática, mas por terem possíveis ideias consideradas heréticas;

37. A astrologia passou a ser desacreditada a partir do século 18, já nos tempos de Isaac Newton.


Como podemos perceber, a astrologia é um estudo milenar mas que ainda suscita uma grande discussão entre crédulos da área e profissionais dela contra cientistas e céticos em geral. Realmente fica difícil imaginar que algum planeta tenha exercido forças ocultas ou invisíveis sobre os seres humanos.

sábado, 13 de abril de 2013

Viagens de Marco Polo ao Oriente: fato ou farsa?

As viagens”, um dos livros mais conhecidos e populares do período medieval. Trata-se de um diário fascinante das viagens do italiano Marco Polo ao longo da chamada “rota da seda”, que ia da Europa até a China, passando pela Índia. De acordo com os historiadores, o viajante ditou o livro a um escritor chamado Rustichello, enquanto estava preso, no ano de 1298.

Entretanto, ultimamente há uma série de dúvidas que envolvem tais relatos. Historiadores mais ousados e contemporâneos se arriscam a dizer que muito do que está neste livro não passa de uma farsa histórica para vender volumes aos europeus desejosos por conhecer. Será que, então, Marco Polo jamais teria ditado tais aventuras e desventuras? “As viagens” trata-se de um livro fraudulento? Fato ou farsa?


As viagens” é dividido em quatro livros. O primeiro descreve o Oriente Médio e a Ásia Central. O segundo, a China e as rotinas de Kublai Khan. O terceiro volume fala do Japão, Índia, Sudeste Asiático e partes da costa leste africana. Por último, o quarto livro descreve algumas das guerras entre os mongóis e algumas regiões do norte, como a Rússia. Tais livros se tornaram um raro sucesso popular em um período que a impressão ainda não existia e os livros eram extremamente caros por serem copiados a mão.

Os livros de Marco Polo ficaram populares justamente pelos relatos, por vezes fantasiosos, de terras distantes, cortes desconhecidas, povos diferentes, idiomas variados, comidas e temperos exóticos, animais que poderiam ser lendários etc. O homem do período medieval era embebido de uma forte cultura do sobrenatural e do exotismo, e por conta disso “As viagens” acabou se tornando em um sucesso imediato.


Em 1508 há o primeiro registro em português de tais aventuras e desventuras, sob o título “O livro de Marco Polo”, em Portugal. A riqueza de detalhes e a narrativa fascinante fizeram com que começassem os primeiros contos de aventuras de cavaleiros, além das rodas de contação de histórias nas feiras de comércio.

Escritos farsantes?
Apesar de ser um clássico muito importante da humanidade, “As viagens”, de Marco Polo, é um livro que está embebido de duas controversas que poderiam fazê-lo uma farsa que perdura tantos séculos. Alguns historiadores apontam uma vertente, outros apontam outra, já outros dizem que não há nenhuma farsa nestes relatos maravilhosos de grandiosas viagens que o ser humano fez durante a Idade Média.

1. Há uma poderosa corrente historiográfica que aponta dúvidas quanto à veracidade daquilo que Marco Polo teria visto e feito. Para tais estudiosos, ele simplesmente passou à frente histórias que ouviu de outros viajantes ao longo da rota da seda. Apesar de detalhados e bastante verossímeis, acredita-se que Marco Polo teria passado a seu companheiro de sela aquilo que se contava nas estalagens ao longo da rota ou nos mercados do Extremo Oriente;

2. Recentemente, alguns historiadores apontaram que Marco Polo teria realmente ditado os primeiros volumes de seu famoso livro. No entanto, com o sucesso popular, alguns falsificadores da época medieval teriam criado os demais volumes e acrescentado narrativas fantásticas cujo objetivo era incrementar as vendas com tamanho fascínio pelo longínquo e desconhecido. De acordo com outros pesquisadores, o mesmo teria ocorrido com os escritos de Nostradamus.


Em 1324 Marco Polo morreu deixando uma soma considerável de dinheiro e propriedades para sua família e para a Igreja. Não ganhou dinheiro com a venda de seus panfletos de viagens, e por isso os historiadores creem na segunda hipótese de que falsários interessados no mercado da literatura fantástica tenham acrescentado novas partes ao relato original. Até hoje debater a veracidade, ou não, de “As viagens” é um assunto bastante polêmico na Itália.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Déjà-vu: quando você sente que está vivendo algo que já sonhou...

Este é um dos maiores mistérios da psicologia e da neurologia. Déjà-vu é uma reação que faz com que sejam transmitidas ideias de que já esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, já se viveu aquele momento. O termo é uma expressão de origem francesa que significa “já visto”.

Alguns apontamentos de definição...
De acordo com alguns especialistas, essa sensação se dá por conta que uma memória ou uma simples lembrança de algo que aconteceu rapidamente fique armazenada na memória de longo prazo, sem passar pela memória imediata, ou seja, guardamos uma lembrança de algo, que “não presenciamos”. Ao presenciarmos novamente, temos a estranha sensação de já termos vivenciado aquele fato. Sabe-se que nossa memória às vezes pode falhar; nem sempre consegue distinguir o que é novo do que já era conhecido.

O sentimento associado ao déjà-vu clássico não é o de confusão ou de dúvida, mas sim o de estranheza. Não há nada de estranho em não lembrar-se de um livro que se leu ou de um filme a que se assistiu; estranho (e aqui entra no déjà-vu) é sentir que a cena que parece familiar não deveria sê-lo. Tem-se a sensação esquisita de estar revivendo alguma experiência passada, sabendo que é materialmente impossível que ela tenha algum dia ocorrido. Mas o que é mais intrigante nesta questão é o fato do indivíduo poder, nestas circunstâncias, experimentar esta estranha sensação de já ter vivenciado o que lhe ocorre, e além disso, também poder relatar (antes de uma observação) quais serão os acontecimentos seguintes que se manifestarão nesta sua experiência.


Quando a expressão déjà-vu saiu das publicações especializadas em neurologia e psicologia para entrar na imprensa comum, o público, atraído por sua tradução literal (“já visto”), passou a usá-la para designar aquelas situações em que a pessoa tem a sensação de estar vivenciando algo que lhe parece familiar. Assim, a expressão que na linguagem técnica associa à estranheza passou, na linguagem usual, a indicar familiaridade.

Com a popularização do termo, o déjà-vu passou a ser usado erroneamente e com banalização na mídia e, principalmente, nos filmes de Hollywood. Como dito anteriormente, o estranhamento proposto pela ciência passou a ser familiaridade pelo senso comum. Assim, a doutrina espírita interpretou o déjà-vu como sendo uma porta entre a vida atual e a vida passada (reencarnação); uma possível ligação com a vida que o indivíduo teve há muitos séculos, por exemplo.

Explicação da ciência...
O cérebro possui vários tipos de memória, como a memória imediata, responsável, por exemplo, pela capacidade de repetir imediatamente um número de telefone que é dito, e logo em seguida esquecê-los; a memória de curto prazo, que é aquela que dura algumas horas ou dias, mas que pode ser consolidada; e a memória de longo prazo, que dura meses ou até anos, exemplificada pelo aprendizado de uma língua. O déjà-vu acontece quando, por uma falha no cérebro, os fatos que estão acontecendo são armazenados diretamente na memória de longo ou médio prazo, sem passar pela memória imediata. Isso nos dá a sensação que o fato já ocorreu.


Tipos de déjà-vu...
O pesquisador Arthur Funkhouser elencou três tipos de déjà-vu, que são os seguintes:

1) Déjà-vécu – Normalmente usado como “já visto” ou “já vivido”. Todos já tivemos alguma vez a experiência de uma sensação, que surge ocasionalmente, de que aquilo que dizemos ou fazemos já o fizemos ou dissemos anteriormente há muito tempo, ou de que sabemos perfeitamente o que se vai dizer em seguida como se de repente surgisse da nossa memória. Quando a maioria das pessoas fala em déjà-vu, refere-se a situações de déjà-vécu. A experiência está geralmente associada a um evento muito banal, mas é tão forte que é relembrada por muitos anos após ocorrer. Na realidade o que algumas pessoas experimentam é ter sonhado com alguma situação ou lugar ou alguma pessoa e depois de alguns anos se deparar com tais informações e lembrar-se do sonho. Déjà-vécu refere-se a uma ocorrência que envolve mais do que a mera visão, pelo que é incorreto classificá-lo como déjà-vu. A sensação é muito detalhada, o sentimento é de que tudo é exatamente como foi anteriormente.

2) Déjà-senti – Esse fenômeno especifica algo “já sentido”. Mas sem o mesmo sentido de déjà-vécu. Ele é primeiramente ou igualmente exclusivo para um acontecimento mental, sem aspectos precognitivos, e raramente permanece na memória da pessoa logo depois. A recordação inicia-se sempre pela audição da voz de outra pessoa, ou pela verbalização dos pensamentos. Seria como um “claro, já me lembro”, pois a pessoa costuma viver situações assim frequentemente.

3) Déjà-visité – Essa sensação é menos comum e envolve um estranho conhecimento de um novo lugar. Quem passa por essa situação, pode conhecer tudo a sua volta em uma cidade que nunca tenha visitado antes. E ao mesmo tempo saber que isso não seria possível. Sonhos, reencarnação e até uma “viagem fora do corpo” não estão excluídas da lista de possíveis explicações para esse fenômeno. Alguns acreditam que ler um informativo detalhado sobre um lugar pode causar este sentimento quando se visita esse local mais tarde. Para diferenciar o déjà-visité do dejà-vécu, é importante identificar a causa da sensação. Déjà-vécu é uma referência a ocorrências e processos temporais. Enquanto déjà-visité tem mais ligações a dimensões geográficas e espaciais.


Sobre o jamais-vu...
Também vem do francês para “jamais visto”. A pessoa sabe que aconteceu antes, mas a experiência faz-se sentir estranha. Descrito frequentemente como o oposto do déjà-vu, os jamais-vu envolvem uma sensação de medo e a impressão de observador da situação pela primeira vez, apesar de, racionalmente, saber que estiveram na situação antes. Jamais-vu é associado às vezes com determinados tipos de amnésia e de epilepsia.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Pedra filosofal: como teria surgido essa importante lenda medieval?

Na nossa cultura sempre ouvimos falar em um objeto místico chamado Pedra Filosofal. Tal objeto está inserido em filmes de aventura, romances históricos, desenhos animados, jogos eletrônicos, livros de teorias da pseudo-história etc. Mas você sabe como surgiu essa lenda medieval que hoje tem menos importância do que naquele tempo?

Se você pegar um livro medieval em seu idioma original, verá referência à “Lapis Philosophorum”, que em latim era o nome da referida Pedra Filosofal, e obtê-la era um dos principais objetivos dos alquimistas da Idade Média. Recentemente, escrevi um post falando o que era a alquimia e sua importância para os dias de hoje.


De acordo com o homem medievo e suas crenças, a Pedra Filosofal poderia transformar qualquer metal em ouro, além de transmutar animais e seres humanos sem a necessidade de sacrificar algo que dê algum valor considerável em troca. Também segundo a lenda, a Pedra seria responsável pelo famoso Elixir de longa vida, que permitiria ao ser humano viver por quase toda a eternidade.

É por conta dessa série de crenças e de um período pautado pelo pensamento religioso que fez com que a Idade Média (476 d.C. até 1453) seja considerada uma “Idade das Trevas”, um período obscuro para a humanidade, o que não é realidade. Apesar do número grande de crenças bizarras, foi nesse período que as universidades, nos moldes como as conhecemos até hoje, foram formatadas.


A lenda da Pedra Filosofal circulou ativamente de feudo a feudo, de publicação em publicação, fazendo com que os alquimistas buscassem algo que não conheciam bem e não tinha formato físico definido. Seria como buscar por algo que não se tem certeza, não se sabe onde. De acordo com alguns historiadores, a procura por pedras Filosofais são, em certo sentido, semelhantes à busca pelo Santo Graal das lendas arturianas.


Um pouco da lenda...
Ao longo da história, criações de Pedras Filosofais foram atribuídas a várias personalidades, como Paracelso e Fulcanelli, porém é inegável que a lenda mais famosa refere-se a Nicolas Flamel (foto abaixo), um alquimista real que viveu no século 14. Segundo o mito, Flamel encontrou um antigo livro que continha textos intercalados com desenhos enigmáticos. Porém, mesmo após muito estudá-lo, Flamel não conseguiria entender do que se tratava. Segundo a lenda, ele teria encontrado um sábio judeu em uma estrada em Santiago de Compostela, na Espanha, que fez a tradução do livro, que tratava de cabala e alquimia, possuindo a fórmula para uma Pedra Filosofal. Por meio deste livro, Nicholas Flamel teria conseguido fabricar uma Pedra. Segundo a lenda, esta seria a razão da riqueza de Flamel, que inclusive fez várias obras de caridade, adornando-as com símbolos alquímicos. Quando morreu, a casa de Flamel teria sido saqueada por caçadores de tesouros ávidos por encontrar Pedras Filosofais. A lenda conta que, na realidade, ambos, Flamel e sua esposa, não faleceram, e que em suas tumbas foram encontradas apenas suas roupas no lugar de seus corpos.


No geral, podemos dizer que, atualmente, a Pedra Filosofal é um dos vários folclores que rondaram a mentalidade do povo medieval. Acabou se perpetuando por questões que envolvem o próprio mistério da lenda em si – algo poderoso, perdido, irreconhecível, escondido. Nunca podemos realizar anacronismos ao misturarmos teorias díspares para tentar explicar um fato, como associar essa lenda a teorias de conspiração envolvendo a Maçonaria, os Illuminati etc.