sábado, 30 de março de 2013

Você conhece os livros apócrifos da Bíblia? É uma parte interessante da teologia e da história...

Nos últimos anos, muito tem se debatido sobre os chamados livros apócrifos da Bíblia. Entretanto, poucas pessoas sabem o seu real significado e a sua enorme importância para a constituição do cristianismo e até mesmo do judaísmo. “Apócrifo” é uma palavra de origem grega e significa “Oculto”; tais livros não foram postos no cânon bíblico por uma série de fatores que dependiam do tempo, do ensinamento, da teologia, da catequese etc. No post de hoje vamos fazer algumas considerações sobre esta sedutora parte da história das religiões, que encanta muitos pesquisadores a cada nova descoberta!


1. O termo “apócrifo” foi cunhado por São Jerônimo no século cinco para dar nome aos documentos escritos entre a confecção do livro de Malaquias e os Evangelhos. De acordo com o catolicismo e o protestantismo, não seriam inspirados em Deus, sendo, tão-somente, relatos históricos confusos e controversos;

2. A consideração do que é ou não apócrifo depende da religião. Por exemplo, alguns livros bíblicos católicos e judaicos são considerados como apócrifos para os protestantes quando Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, após a Reforma, e reorganizou o seu cânon de acordo com aquilo que ele pregava. São alguns deles: Tobias, Macabeus 1 e 2, Eclesiástico, Baruque etc;

3. Muito do que sabemos sobre a vida de Jesus vem dos apócrifos do Novo Testamento, que somariam pelo menos 50 novos livros, incluindo “novos Evangelhos” e que nos permitem ter uma visão nova e/ou detalhada do Messias. Atualmente, alguns teólogos descrevem que os apócrifos são extremamente úteis e não faria sentido reformular uma “nova Bíblia” com tais livros;

4. A Bíblia como a conhecemos foi compilada em livros por volta do século 3 ou 4 da nossa era, na gênese do cristianismo como religião oficial do Império Romano. Muitos livros tornaram-se apócrifos justamente porque contradiziam entre si os ensinamentos, pois dependiam de tempo (época em que foram escritos) e espaço (a sociedade em que foram concebidos). Se todos os livros fossem colocados, a Bíblia teria mais de quatro volumes;

5. Para a maior parte dos teólogos, 90% dos apócrifos foram escritos mais de 200 anos após a condenação de Jesus à crucificação, o que perderia muito da fidelidade aos ocorridos. Ou seja, muito do que está ali pode ser interessante como fonte de estudos, mas há pouca precisão e muitos anacronismos;

6. Muitos dos apócrifos do Novo Testamento mostram um Jesus humanizado demais, o que estaria distante da imagem passada pelos quatro Evangelhos canônicos. Nesses livros, por exemplo, Jesus festejava, bebia com os amigos, era marido de Maria Madalena etc.


7. Com a popularização da internet, ficou mais fácil conseguir traduções de livros apócrifos e comentários de teólogos sérios, mas que acabaram sendo distorcidos por escritores e comentaristas, como é o caso do livro/filme “O código Da Vinci”. A polêmica surge ao tirar um contexto pequeno e transpo-lo para outro contexto totalmente diferente;

8. O número dos livros apócrifos é maior que o da Bíblia canônica. É possível contabilizar 52 em relação ao Antigo Testamento e 61 em relação ao Novo Testamento. Isso em relação à Bíblia católica, que contém os 13 livros que faltam na versão protestante;

9. Alguns dos apócrifos do Velho Testamento são: A vida de Adão e Eva, Apocalipse de Moisés, Ascensão de Isaías, Caverna dos Tesouros, Livro dos Jubileus, Macabeus 3 e 4, Martírio de Isaías, Oráculos Sibilinos, Revelação de Esdras, Testamento de Abraão, Testamento dos Doze Patriarcas etc.

10. Curiosamente, por muitos séculos o livro do Apocalipse foi considerado apócrifo pelas igrejas cristãs do Oriente e do Ocidente, por ser visto como catastrófico demais, pouco inspirado em Deus e cheio de possíveis misticismos. Somente na metade da Idade Média ele passou a ser mais bem aceito pelas comunidades cristãs;

11. Curiosamente, algumas igrejas cristãs ortodoxas orientais reformularam seus cânones bíblicos nos séculos 18 e 19 e inseriram alguns livros que anteriormente eram considerados apócrifos. Entretanto, não fizeram nenhuma mudança na composição dos Evangelhos, que ainda permanecem quatro;

12. Ao que tudo indica, já no século 2 da nossa era já havia uma série de fraudes circulando pelo mundo conhecido com supostos textos de autorias duvidosas. De acordo com alguns historiadores, epístolas apócrifas não teriam sido escritas por São Paulo. Este seria um dos motivos que as igrejas cristãs não reconhecem várias cartas, testamentos e evangelhos desta “outra Bíblia”;


13. Muitas pessoas acham curioso o hiato da infância de Jesus. A Bíblia oficial fala de seu nascimento, parte da sua pré-adolescência e, depois, os anos de pregação até sua condenação. Entretanto, há nos apócrifos o chamado Evangelho da Infância, que ganhou extrema popularidade ao, supostamente, narrar ocorridos de Jesus entre seus sete e quinze anos de idade;

14. Há uma variedade muito grande de textos que falam sobre a família de Jesus, como o Evangelho do Nascimento de Maria, o Evangelho de José Carpinteiro e o Evangelho dos Hebreus (este que seria a versão da ótica dos judeus em relação ao movimento cristão);

15. Muitos dos Evangelhos apócrifos acabam sendo “proibidos” e/ou “ocultos” porque distorcem a profecia cristã oficial dos textos canônicos. Isso aconteceu não por pura maldade, mas porque a Igreja ainda era primitiva e não havia um consenso no que propagar como fé. Assim, em cada canto da Europa e Oriente Médio acreditava-se numa parte desta enorme Bíblia que ainda não estava compilada e, portanto, com dizeres contraditórios. Alguns destes Evangelhos contraditórios seriam: de Marcião, de Mani, de Apeles, de Cerinto etc.

16. Há outra série de supostos Evangelhos que trabalham duas questões bem importantes, a primeira sobre a infância de Jesus, como seus primeiros milagres ainda quando tinha oito, nove anos. A segunda é sobre a Paixão, que narram sob outra ótica a prisão, execução e ressurreição de Cristo;

17. Na era moderna, muitos textos gnósticos foram recuperados, especialmente após a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi, em 1945. Alguns textos expõem a cosmologia esotérica e a ética defendida pelos gnósticos. Muitas vezes, isso ocorre na forma de diálogos em que Jesus expõe seu conhecimento esotérico enquanto seus discípulos fazem perguntas;

18. Há uma série de livros bíblicos apócrifos que trazem diálogos e ensinamentos interessantíssimos sobre Jesus e Suas palavras aos discípulos. São alguns deles: Apócrifo de Tiago, Diálogo do Salvador, Evangelho de Judas, Evangelho de Maria Madalena, Evangelho Grego dos Egípcios etc.


19. Os setianos eram um grupo que originalmente adoravam Seth como uma figura messiânica, tratando depois Jesus como uma reencarnação de Seth. Eles produziram numerosos textos expondo a sua cosmologia esotérica. Eles produziram quatro livros: Apócrifo de João, Evangelho dos Egípcios, Apocalipse Copta e Protenoia Trimórfica;

20. Os Atos de Apóstolos eram um gênero literário durante o cristianismo primitivo, que contava a história do movimento cristão após a ascensão de Jesus através das vidas e obras de seus apóstolos, principalmente Pedro, João e Paulo. Entre os apócrifos, diversos textos tratam da vida subsequente dos apóstolos, usualmente pontuadas com eventos fortemente sobrenaturais. Ainda que a maioria dos textos tenha sido escrita no século 2 d.C., pelo menos dois, os Atos de Barnabé e os Atos de Pedro e Paulo podem ter sido escritos no século 5. Dentre os apócrifos há pelo menos outros doze Atos;

21. Curiosamente, entre os apócrifos há uma coleção de pelo menos doze espístolas, entre elas algumas que teriam sido escritas pelo próprio Jesus, e outras entre Herodes e Pilatos;

22. Outra parte interessante na coletânea de apócrifos é a de versões de “Apocalipses”, ou seja, versões escatológicas cristãs e pseudocristãs do fim dos tempos. Alguns livros discutem o futuro, a vida após a morte etc. Entre tais Apocalipses estão: Apocalipse da Virgem, Apocalipse de Paulo, Apocalipse de Pedro, Apocalipse de Tomé, Apocalipse de Estevão, Primeiro e Segundo Apocalipses de Tiago etc.

23. Muitos dos textos apócrifos debatem os eventos que circundaram o destino de Maria, mãe de Jesus, logo após a ressurreição do filho. Há mais de 50 textos extremamente controversos que falam para onde ela teria ido: França, Armênia, Etiópia etc.


De um modo geral, podemos dizer que os livros bíblicos apócrifos são extremamente interessantes porque revelam como foi formatado o cristianismo ao longo do tempo e do espaço enquanto não havia uma unidade dogmática. Mostram como havia confronto de ideias e de crenças, versões diferentes dos mesmos fatos. Tais livros podem ser encontrados na internet em diversos sites, mas o leitor que for pesquisar sobre eles deve estar atento para o fato de que traduções livres podem prejudicar o entendimento do contexto do tempo e da sociedade; portanto, é importante visitar sites sérios e academicamente reconhecidos. De resto, boa leitura e boa pesquisa!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Mitos, curiosidades, fatos e farsas (18)

Ao longo da história as sociedades passaram inúmeros mitos e curiosidades que foram – e ainda são – encarados como fatos. No entanto, não passam de folclores que escondem farsas incríveis e bastante inventivas. Vamos, então, descobrir um pouco delas? Voilà!

De onde vem o gesto de “dar uma banana” para alguém?
Por muito tempo foi considerado um gesto obsceno dobrar o braço com o punho fechado e segurar o cotovelo com o braço. Tem o mesmo significado não somente no Brasil, mas também na Argentina, Portugal, Espanha, Itália, França e Uruguai. O objetivo é este mesmo: ser taxativo sobre o órgão sexual masculino. No Brasil ganhou este nome por causa da analogia entre o pênis e a banana. Talvez o ato de dar uma banana mais clássico tenha sido no final da novela “Vale tudo”, quando o personagem corrupto de Reginaldo Faria conseguiu fugir e, de seu jatinho, fez esse clássico gesto para o Brasil.


Por que o sujeito que não é bom no volante é chamado de barbeiro?
Até o século 19, em todo o mundo ocidental, os barbeiros que faziam as vezes de médicos e dentistas: extraíam dentes, curavam doenças etc. O tratamento com médicos era muito caro para a população em geral. Daí que em Portugal o ato do erro médico era conhecido como “barbeiragem”. Foi assim que, no Brasil, o sujeito que fazia bandalhas no trânsito ganhou o apelido de “barbeiro”.

O que o bigode tem a ver com Deus?
Bigote” é como os espanhóis chamavam os povos germânicos e escandinavos que circulavam pela Península Ibérica durante o período medieval. Isso porque os germânicos viviam a exclamar “bï Got!”, “por Deus”, quando viam o jeito escandaloso dos espanhóis. Essa associação é porque nos domínios do antigo Império Romano não havia a moda do bigode: ou o homem usava o rosto com barba, ou sem.


O “bina”, identificador de telefones, é uma invenção brasileira?
Sim, é um fato. O famoso identificador de números é uma invenção brasileira a partir dos experimentos de Nélio José Nicolai, um mineiro bem inventivo. O primeiro aparelho comercializado foi chamado “Bina 82”, lançado em Brasília em 1982. O nome é uma sigla: B Identifica Número A.

Qual a história do nome “bordel”?
Tudo começou na França com a palavra “bord”, “tábua”. Assim, naquele idioma, antigamente, “borda” significava “cabana” e “bordel”, “casinha de madeira”. Por volta de 1200, os donos de terras medievais disseram que as prostitutas só poderiam trabalhar longe das feiras e vilas, dentro das florestas. Assim, os casebres de madeira com comércio de sexo passaram a ser chamado de “bordel”.

“Cadáver” é uma sigla latina?
Não! Isso é uma triste invencionice da internet. A origem é do verbo “cadere”, em latim, “cair”. A versão jocosa da internet diz que trata-se da sigla “Caro Data Vermibus”, “Carne dada aos vermes”, se referindo a corpos encontrados em estradas, florestas e lugares abandonados.

A caixa preta do avião é preta?
Não. Hoje em dia, os aviões possuem duas caixas pretas – uma registra os dados do voo e a outra a conversa entre piloto e copiloto. Elas são de cor laranja berrante para facilitar a busca no meio dos destroços. O nome surgiu na Segunda Guerra Mundial, quando os oficiais britânicos queriam dizer que tratava-se de algo misterioso, importante, secreto e complicado.


O canguru tem esse nome por conta de uma confusão linguística?
Quando James Cook desembarcou pela primeira vez na Austrália, m 1770, quis saber qual era o nome daquele estranho animal que povoa aquele enorme continente. De acordo com o diário de viagem, os aborígenes que receberam os britânicos disseram “Kangooruu! Kangooruu!”. Assim, Cook registrou em seu diário de bordo que tais animais eram os cangurus. Mais tarde, quando os antropólogos estudaram os aborígenes, descobriram que no idioma local “kangooruu” significa “Não entendo”, uma vez que não sabiam inglês.

terça-feira, 26 de março de 2013

Pedras estariam “andando” sozinhas no Vale da Morte: fato ou farsa?

Recentemente, recebi dois e-mails de pessoas curiosas comentando as fotos e vídeos que tratam sobre as pedras que estariam “rolando sozinhas” no Vale da Morte, nos Estados Unidos. Como sabem se elas estão rolando? Porque elas deixam um rastro na areia. Isso sempre foi um mistério de muitos séculos nas culturas indígenas da área, e que sempre despertou a curiosidade das pessoas; a investigação foi difícil, mas conseguiu ser realizada com sucesso em 2009 por um grupo de geólogos.


O Vale da Morte, o inferno sobre a terra...
O Vale da Morte é uma árida depressão localizada ao norte do Deserto de Mojave, na Califórnia. Estende-se por aproximadamente 225 quilômetros, ao longo da fronteira da Califórnia com o estado de Nevada. É famoso por seu clima extremamente quente. A temperatura mais alta das Américas, e a segunda mais alta já registrada no planeta, foi registrada no Vale da Morte em 10 de julho de 1913. A temperatura máxima foi de 56,6°C. Diz a lenda que o lugar é tão quente que, certa vez, um pesquisador soltou um passarinho e ele caiu morto alguns minutos depois de levantar voo.

Sobre as “rochas deslizantes”...
As rochas deslizantes de Racetrack Playa são um dos fenômenos geológicos mais intrigantes que ocorrem no Vale da Morte, especialmente no lago seco chamado Racetrack Playa. O fenômeno consiste de pedras de dimensões variáveis, algumas bastante grandes, com centenas de quilogramas de massa, que são encontradas com um rastro atrás de si marcado no solo, sem qualquer sinal associado de intervenção humana ou animal.


O Parque Nacional do Vale da Morte é conhecido como uma área de extremos topográficos e climáticos. Contém os pontos mais baixos (86 metros abaixo do nível do mar) e as mais altas temperaturas atmosféricas. A precipitação de chuva é de apenas cinco centímetros por ano. Nas ocasiões de chuva, o afluxo de água descido das montanhas nos arredores pode criar um lago raso com uma lâmina de água de até 25 cm de espessura, que logo evapora. A Racetrack Playa é uma planície elevada a 1.131 metros, com uma cadeia montanhosa circundante. A área do lago localiza-se no centro de uma bacia hidrográfica fechada. A superfície da playa é quase perfeitamente plana e quase sempre seca, coberta de lama solidificada e fragmentada em polígonos irregulares.

As rochas encontradas na área da playa se originam das colinas nos arredores. São encontradas a distâncias de até milhares de metros de sua fonte, com rastros atrás de si marcados na lama seca que sugerem um movimento por tração. Os rastros variam em extensão e direção, alguns mostram linhas quase retilíneas, ou curvas suaves, outros têm angulações abruptas e irregulares. A direção predominante é sul/sudeste e norte/nordeste, consistente com os ventos dominantes da área e sugerindo a força eólica como causa do fenômeno. A natureza dos rastros indica que o movimento se dá quando a superfície da playa está saturada de umidade, mas não profundamente inundada.


Observações e hipóteses...
Registros informais, míticos e populares sobre este fenômeno sempre existiram, mas foi no século 20 que houve uma multiplicação geral nas tentativas de entendê-lo. O primeiro registro escrito conhecido é de McAllister e Agnew, que em 1948 publicaram um artigo no Geological Society of America’s Bulletin, sugerindo que a causa do movimento das rochas era os ventos. Outras pesquisas se seguiram, com mapeamento da área, medições e contagem dos rastros e das pedras, e de outras características geológicas.

A maior parte dos estudiosos aponta o vento atuando sobre uma superfície de lama fresca como a causa principal do movimento das rochas. George Stanley (em 1955) considerou que os ventos registrados na região são pouco potentes para mover rochas que pesam até 300 quilos, e sugeriu que a formação de placas de gelo em torno das pedras poderia ser um fator auxiliar no aumento de sua superficie sem aumento significativo em seu peso, favorecendo a captação do vento e o incremento local de sua potência, bem como o deslizamento.

Bob Sharp e Dwight Carey iniciaram em 1972 um programa de monitoramento de cerca de 30 rochas movidas recentemente. Cada pedra recebeu um nome e foi observada ao longo de sete anos, objetivando testar a hipótese das placas de gelo. Foram montados cercados e estacas em torno dos espécimens selecionados, que deveriam impedir a ação do vento e detectar alterações causadas por congelamento. Contudo, as pedras se moveram da mesma forma, ignorando as proteções, permanecendo as estacas sem serem afetadas. Outras pedras selecionados em pares apresentaram movimento de apenas uma, enquanto a outra, exatamente ao lado, permaneceu imóvel. Quase todas as pedras monitoradas se moveram no período fixado, em distâncias que variaram de poucos centímetros até 262 metros.


Em 1995, alguns pesquisadores tentaram pela primeira vez fazer o monitoramento das pedras deslizantes por câmeras de vídeo 24 horas por dia. Entretanto, o calor é tão extremo no Vale da Morte que o equipamento parava de funcionar quando a temperatura passava dos 45°C. Isso ocorreu em 1997 e 2001 e, por isso, ganhou uma conotação mística entre alguns moradores da região.

Outros pesquisadores estudando o fenômeno em 1995 detectaram a ocorrência de ventos incomumente fortes sobre o lugar, que podem ser comprimidos e intensificados por causa da conformação topográfica. Notaram, ainda, que a zona limítrofe acima do solo onde o vento ainda é potente é de apenas cinco centímetros, evidenciando que pedras relativamente pequenas ainda recebem o pleno impacto dos ventos, que podem atingir a velocidade de 145 km/h durante as tempestades de inverno. Tais tempestades foram consideradas o impulso primário do movimento, enquanto que ventos mais suaves e constantes, com apenas metade da velocidade de impulso inicial, são tidos como suficientes como força propelente de maior duração e que possibilita deslocamentos longos.


Solucionando o caso das pedras móveis...
Em 2009, finalmente, um grupo de geólogos em conjunto com o National Geographic decidiu catalogar e filmar o movimento das rochas deslizantes, fazendo experimentos em laboratórios. Tais experiências renderam um documentário que foi ao ar no National Geographic Channel.

Os geólogos comprovaram que se trata de um fato o movimento aparentemente sombrio das rochas, que com mais de 200 quilos podem se movimentar sozinhas. Isso realmente ocorre por conta de dois fatores já estudados mas que ainda careciam de comprovação: (1) o vento extremamente forte que assola o Vale da Morte; (2) o movimento maior ocorre quando o solo tem certa umidade, formando uma lama muito fina, que depois de seca deixa o rastro na Racetrack Playa.

Então podemos dizer que as rochas se movimentam graças a estes dois fatores, sem intervenções humanas, sobrenaturais e misteriosas. Mesmo assim, esta parte do Vale da Morte ainda atrai muitos visitantes todos os anos que tentam captar tais “energias” cósmicas.

sábado, 23 de março de 2013

Você conhece detalhes sobre o “misticismo” nazista? Teria sido ele um partido ou uma religião?

O chamado “misticismo nazi” é um termo estudado com mais afinco há pouco tempo por alguns historiadores, que apontariam as superstições, paranormalidades, misticismos, esoterismos e profecias sobre os quais o regime alemão se fundou para sedimentar seu discurso de salvação do povo ariano. Alguns historiadores chegam a falar que, basicamente, Adolf Hitler teria fundado uma religião paralela com base no discurso do cristianismo luterano. Outros pesquisadores norteiam que o ideário racista europeu da época é que serviu de pontapé para tais “crenças”; oficiais nazistas de alta patente como Himmler, Hess e Darré, por exemplo, foram conhecidos pelos seus interesses no misticismo e na paranormalidade.

A partir deste pensamento, no post de hoje nos propusemos a refletirmos alguns tópicos interessantes referentes a este ramo de estudos, o “misticismo” nazista, que hoje é tema de muitos livros, documentários e artigos. Será que isso é um fato ou uma farsa?


1. Há muito tempo na Alemanha e nos territórios que fizeram parte da Prússia havia a crença da superioridade da raça ariana, que, pelo folclore germânico, teria sido responsável pela construção de Atlântida. O pensamento também dizia que ela foi “enfraquecida” a partir da miscinegação dos povos. Em 1912 havia na Alemanha uma ordem antissemita (a Germanenorden) que já pregava uma limpeza étnica europeia em favor dos germânicos;

2. No nazismo, Adolf Hitler era ocasionalmente comparado com Jesus Cristo, tido como um suposto messias enviado por Deus para reerguer a glória alemã depois da suposta vergonha na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Por isso, era comum em orfanatos uma oração estranha: “Führer, meu Führer, que me foste enviado por Deus, protege-me e mantém-me vivo por muito tempo. Salvastes a Alemanha da mais profunda miséria, a ti te devo o meu pão de cada dia. Führer, meu Führer, minha fé, minha luz. Führer meu Führer, não me abandones. Amém”;

3. Apesar de o nazismo pregar a moral, os bons costumes e a religiosidade, muitos dos membros do alto partido eram ateus ou praticavam paganismo medieval, geralmente cultos germânicos da era medieval;

4. Com a queda do Terceiro Reich o esoterismo hitleriano tinha ficado sem Hitler, que, morto, podia agora ser tornado numa divindade. Savitri Devi tentou ligar a idelogia ariana com os indianos pró-independência, especialmente hindus. Para eles a suástica era um símbolo particularmente importante, significando a unidade entre os hindus e os alemães;

5. Muitos alemães diziam que Hitler não havia morrido em 1945 e estava na Antártica planejando seu plano de vingança e retorno, comandando uma frota de discos voadores e guiado por “deuses”. Essa crença no retorno de Hitler não teve muita força e logo foi um movimento sufocado tanto por americanos quanto por soviéticos;


6. Nas escolas alemãs do período nazista, no ensino de moral, ética e religião era comum o ensinamento de uma biografia deturpada de Adolf Hitler, como se fosse a vida de um messias que salvava seu povo da miséria e da vergonha. Por inúmeras vezes ele era comparado com Jesus Cristo e a leitura do livro “Minha luta” se tornava uma prática tão comum como ler a Bíblia;

7. Em 1935, Himmler fundou a Sociedade Ahnenerbe, que tinha como objetivo “comprovar cientificamente” a superioridade da raça ariana, a “natural marginalização” dos judeus e ciganos, bem como encontrar as ruínas de Atlântida e a localização do Santo Graal;

8. Hitler patrocinou com recursos públicos diversas expedições científicas do nazismo com objetivo de encontrar objetos folclóricos e comprovar existências bizarras: o Santo Graal, as ruínas de Atlântida, a lança que feriu Jesus na cruz, a Pedra Filosofal etc.

9. Os escritórios de comando das escolas foram forçados a incentivar a encenação de peças de sagas nórdicas para que as crianças ficassem cada vez mais habituadas com as narrativas e nomes dos deuses vikings. O objetivo era criar uma nova cultura folclórica com bases no germanismo;

10. Estranhamente, no dia 30 de julho de 1933, mais de cem mil nazistas tinham-se reunido em Eisenach para declarar querer tornar a origem germânica como nova realidade divina, restaurando Odin, Baldr, Freya, e os outros deuses teutônicos nos altares da Alemanha – assim, Wotan deveria estar no lugar de Deus e Siegfried no lugar de Cristo. Especialistas atualmente explicam que o objetivo dos nazistas seria varrer do mapa a noção ocidental que temos de Deus, por ter origem no judaísmo;


11. Por volta de 1935-1936, Joseph Goebbels, ministro de Propaganda no regime nazista, apresentava o nazismo como se fosse uma religião a ser respeitada, chegando a falar em uma “nova fé genuinamente germânica”;

12. Muito antes de o nazismo chegar ao poder, já havia na Prússia e na Alemanha, mais tarde, o Movimento da Fé Germânica, que pregava a chamada “fé ariana”, dizendo que os alemães e povos irmãos (suecos, holandeses, dinamarqueses) seriam superiores aos demais e levariam o mundo a numa nova era. Tal movimento dizia que as provações pelos quais a Alemanha passou não seriam meros acontecimentos históricos, mas sim esforço espiritual para tornar os arianos mais fortes em sua fé. A teoria teológica do Movimen da Fé Germânica serviu amplamente de base para o tal “misticismo nazi”;

13. Curiosamente, em 1937, frente a tudo isso já lido, o Papa Pio XI publicou uma encíclica católica condenando o nazismo, onde o documento diz: “Damos graças, veneráveis irmãos, a vós, aos vossos sacerdotes e a todos os fiéis que, defendendo os direitos da Divina Majestade contra um provocador neopaganismo, apoiado, desgraçadamente com frequência, por personalidades influentes, haveis cumprido e cumpris o vosso dever de cristãos”;

14. Em 1937, alguns partidários nazistas publicaram em toda Alemanha artigos de jornais que doutrinavam o povo em alguns pontos básicos: a Alemanha deveria ser uma terra-prometida para os arianos, a Alemanha deveria voltar-se à sua “antiga fé”, as igrejas cristãs deveriam ser destruídas por terem cultos herdados dos judeus, o Estado deveria se tornar em uma “nova Igreja” e deveria haver uma “fé nacional”;

15. Em 1938, o regime nazista instituiu no calendário de algumas cidades o Festival Nórdico de Solstício de Verão. Trata-se de uma festividade folclórica que acabou acindo em desuso nos países escandinavos desde que eles adotaram o cristianismo como fé. Neste ano, a festa em Hesselberg foi a que teve maior público e orçamento do governo. Nesta festa, Julius Streicher, amigo pessoal de Hitler e editor de vários jornais antissemitas, disse: “Se olharmos para as chamas deste fogo sagrado e nelas lançarmos os nossos pecados, poderemos baixar desta montanha com as nossas almas limpas. Não precisamos nem de padres nem de pastores”;


16. A partir de 1938, o nazismo começou a sua perseguição pelo que é conhecido como baixo clero: padres e pastores de pequenas igrejas em áreas camponesas e subúrbios pobres. Quando a guerra irrompe, a partir de 1939, vários sacerdotes e ministros protestantes são presos e deportados para o leste, sendo mortos em campos de concentração;

17. Historioradores dizem que estudar o nazismo em sua totalidade é um fenômeno muito difícil, uma vez que ele é algo que extrapola o regime totalitário. Ele chega à antropologia, política, economia e até mesmo a religião, como podemos perceber neste post.


De modo geral podemos dizer que não se trata uma farsa a história correspondente ao “misticismo nazi”. Hitler e seus partidários tinham objetivos bem específicos em criarem uma nação imaginada, com folclore e religião construídos sobre alicerces dos próprios folclores medievais germânicos e nórdicos. O objetivo era apagar da memória cultural elementos que estivessem ligados ao cristianismo, por este ter profundas raízes judaicas.

Entretanto, Hitler não compreendia que não é tão simples criar uma cultura. Muito menos apagar duas culturas extremamente antigas: a cristã e a judaica. Acreditar em paranormalidades e gastar fundos públicos em pesquisas vãs (como encontrar as ruínas de Atlântida) mostra como havia desestrutura naquele sistema que ruiu dentro de si mesmo ao eliminar várias populações e etnias.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Você conhece o verdadeiro paradeiro dos personagens das séries “Chaves” e “Chapolin Colorado”?

Durante os anos 80 e 90, circulou pelo Brasil um boato de que os personagens dos seriados “Chaves” (produzido pela Televisa entre 1971 e 1992) e “Chapolin Colorado” (produzido pelo mesmo canal entre 1970 e 1979) teriam morrido em um acidente de avião. Com o tempo, o próprio SBT e os clubes de fãs desmistificaram a história mostrando como os atores estavam vivendo. No entanto, como eles estão atualmente? O que fizeram profissionalmente depois destes famosos seriados de comédia? É o que vamos descobrir no post de hoje e desmistificar alguns dos mitos criados.



Chaves: Roberto Gómez Bolaños
Nascido em 1929, é uma das maiores celebridades da América Latina. Atualmente é uma personalidade controversa no México: sofre graves problemas de saúde e alguns criticam sua atuação na política, principalmente ao defender candidatos conservadores, chegando a dizer que defenderia a proibição a manifestações populares. É muito rico e sua renda vem principalmente dos royalties dos personagens que criou e controla com mãos de ferro esses direitos, o que causou algumas inimizades. Trabalhou na Televisa até 1995, quando decidiu permanecer nos bastidores. É casado há 27 anos com Florinda Meza.


Chiquinha / Dona Neves: María Antonieta de las Nieves
Nascida em 1950, começou a carreira como cantora. Em 1995 estrelou uma série com a personagem Chiquinha, quando acabou processada por Roberto Bolaños, alegando que tinha o direito pela criação; entretanto ele perdeu a causa. Em 2002 sofreu um infarto e em 2003 abriu um circo. Atualmente é atriz e faz algumas participações em telenovelas.


Quico: Carlos Villagrán
Nasceu em 1944 e começou a vida como fotógrafo, quando foi convidado por Rubén Aguirre para fazer o teste para viver o Quico. Tentou fazer carreira com o personagem mais famoso, quando foi processado por Roberto Bolaños, indo para Venezuela tentar gravar a série. Chegou a fundar um circo, mas em 2010 se aposentou.


Bruxa do 71: Angelines Fernández
Espanhola, nasceu em 1922 e chegou ao México em 1946. Foi considerada uma das atrizes mais belas do cinema mexicano nos anos 50. Em 1990 descobriu um câncer de pulmão decorrente do cigarro, morrendo em 1994.


Dona Florinda / Pópis: Florinda Meza
Nasceu em 1948 e começou a arte cênica através do circo, quando conheceu Carlos Villagrán, com quem chegou a ser noiva. Com o fim das gravações dos programas de Bolaños, dedicou-se à produção e à assistência de direção, trabalhando em alguns filmes e telenovelas. Também chegou a atuar em algumas produções de teledramaturgia. Há alguns anos se dedica a cuidar da saúde do marido.


Godines: Horácio Gomez Bolaños
Nascido em 1930, irmão de Roberto Bolaños, sempre atuou com papéis secundários porque sua principal ocupação era assessorar o mercado de venda das séries pela América Latina. Nos anos 90 trabalhou como roteirista da Televisa e de uma produtora de cinema. Morreu em 1999, depois de um infarto fulminante.


Professor Girafales: Rubén Aguirre
Nascido em 1934, originalmente é formado em agronomia. Apesar da formação, sempre ganhou a vida como locutor de rádio e logo foi para a televisão. Com o final das gravações dos programas de Bolaños, chegou a ser produtor do programa de TV da Chiquinha, mas sempre manteve amizade com o criador do Chaves. Como os demais companheiros de televisão, também chegou a ter um circo e atuou em algumas telenovelas. Atualmente está aposentado.


Carteiro Jaiminho: Raúl Chato Padilla
Nascido em 1918, foi um dos maiores nomes do cinema clássico mexicano. Foi um dos maiores atores da Televisa, atuando também em novelas. Morreu em 1994, vítima de complicações do diabetes.


Seu Madruga: Ramón Valdéz
Nasceu em 1923 e no início dos anos 60 era um dos atores mais famosos do cinema mexicano. Também trabalhou como produtor de peças teatrais. Teve poucos trabalhos na TV além dos seriados “Chaves” e “Chapolin”. Por ter personalidade forte, chegou a passar anos brigado com Roberto Bolaños, mas depois fizeram as pazes. Em 1985 foi detectado um câncer de estômago, em 1987 um outro no pulmão (fumava muito). Morreu em 1988. Dizem que foi amante de Angelines Fernández, e que desde a sua morte ela nunca mais foi a mesma. É considerado até hoje como um dos maiores atores do México.



Nhonho / Seu Barriga: Edgar Vivar
Nasceu em 1948. Começou a vida artística como roteirista de programa de rádios, depois passando para teleteatros. Com o fim das gravações dos programas de Bolaños, dedicou-se a dois projetos: atuar em algumas telenovelas e fundação de um grupo teatral. Teve alguns problemas de saúde por causa do peso em excesso, e em 2003 passou por uma cirurgia de redução estomacal. Atualmente participa especialmente de algumas telenovelas na Argentina e no México.


Paty: Ana Lilian de la Macorra
Nascida em 1957, entrou para o elenco do “Chaves” enquanto trabalhava como assistente de produção. Paralelamente cursava a faculdade de psicologia. Deixou de lado a carreira de atriz e atualmente é professora universitária, psicóloga e autora de livros técnicos na área.


Glória: Regina Torné
Nascida em 1946, iniciou sua carreira de atriz nos anos 60. Fez pequenas participações em “Chaves”. Depois, dedicou-se novamente às telenovelas, sempre se destacando em papéis de vilã. Atualmente segue fazendo telenovelas.


terça-feira, 19 de março de 2013

Você sabe o que realmente é uma teoria da conspiração?

Você que tem acompanhado o nosso blog, com certeza reparou que frequentemente falamos sobre “teorias conspiratórias”, muitas vezes com o objetivo de desbanalizá-las e mostrar o real caráter de seus discursos perante a sociedade. É bem verdade que tais teorias de conspiração podem ser verdades ocultas para sociedade, entretanto em sua maioria são delírios teóricos e anacrônicos, que podem evidenciar a falta de preparo científico para analisar determinados acontecimentos, principalmente através do que os historiadores chamam de anacronismo – analisar tempos e sociedades diferentes com pressupostos que não se aplicam a tal análise.

Mas afinal de contas, o que é uma teoria da conspiração?


De acordo com especialistas, uma teoria da conspiração é qualquer teoria que tenta explicar um evento histórico, político, econômico, sociológico ou cultural – da atualidade ou do passado – como sendo resultado de um plano secreto levado por “conspiradores maquiavélicos” e poderosos, tais como sociedades secretas ou grandes atores mundiais, como os governos das principais economias.

Assim, se algo acontece na história cuja explicação se torna obscura demais – como os atentados em 11 de setembro contra as Torres Gêmeas, por exemplo –, com supostas explicações controversas e ações de grande interesse das potências, estudiosos começam a levantar dados paralelos que explicariam motivos “sombrios” para tais ocorrências.

As teorias da conspiração são muitas vezes vistas com ceticismo exagerado e por vezes ridicularizadas e desacreditadas, uma vez que raramente são apoiadas por alguma evidência conclusiva, contrastando com a análise institucional, cujo foco é o comportamento coletivo das massas em instituições conhecidas do público, tal como é descrito em materiais acadêmicos e relatos da mídia, de modo a explicar acontecimentos históricos ou atuais sob o ponto de vista dominante (governos, instituições, opinião pública popular), ao invés de associações secretas de indivíduos. Por este motivo, o termo “teoria da conspiração” é muitas vezes usado de forma depreciativa, na tentativa de desacreditar e caracterizar uma dada crença como bizarra, irracional e falsa, cujo apoiante é ridicularizado e considerado um excêntrico, ou um grupo de lunáticos.


No final do século 20 e início do século 21, as teorias da conspiração tornaram-se um lugar comum nos meios de comunicação, principalmente blogs da internet, o que contribuiu para o conspiracionismo emergente enquanto fenômeno cultural, junto com as lendas urbanas. Acreditar em teorias da conspiração tornou-se, assim, num tema de interesse para sociólogos, psicólogos e es pecialistas em folclore.

sábado, 16 de março de 2013

“Armário de Davy Jones”: a história de um folclore oceânico de muitos séculos...

Provavelmente você nunca deve ter ouvido falar nesta expressão, “o armário de Davy Jones” ou “o baú de Davy Jones”, mas se assistiu aos filmes “Piratas do Caribe” com certeza sabe quem é o dono deste armário ou baú. É que este personagem aparece nestes longa-metragens. Mas Davy Jones, antes de ser personagem de filme hollywoodiano, faz parte do folclore caribenho emaranhado de mitos e lendas sobre piratas, assaltos a barcos etc.


Sobre a expressão, o “armário”...
Essa expressão, “armário de Davy Jones” é usada nos países do Caribe e no sul dos Estados Unidos para definir o fundo do mar, o local de descanso dos marinheiros afogados e de qualquer outra pessoa que morre no mar. Assim, por extensão, as vítimas do Titanic estariam guardadas no armário de Davy Jones; seria o eufemismo para a morte no oceano. O armário de Davy Jones é o purgatório, céu e inferno de quem morre no mar. Nele, as pessoas enfrentam seus medos mais profundos.

Davy Jones é o nome de um suposto pirata considerado o mal supremo dos sete mares. Entretanto, continua icógnita a origem do nome Davy Jones, podendo ser um marinheiro sinistro e sobrenatural ou só uma definição mais estável dos temores dos marinheiros.

A lenda diz que é o próprio Jones quem arrasta as almas até o fundo do mar. A reputação de Jones e seu armário desenvolveram muito medo entre os marinheiros, fazendo com que hesitem ao entrar em maiores detalhes, mas nem toda a visão sobre a lenda é ruim. Em tradições associadas aos marinheiros que cruzam a linha do Equador, Davy Jones era um leal assistente de Netuno, deus romano dos mares.

Por que, então, “armário” ou “baú”?
Até hoje persiste a dúvida de por que seja usado o termo “armário” ou “baú” para designar o local de descanso dos falecidos no mar. A hipótese mais aceita é a que Davy Jones fosse o responsável pela morte de muitos marinheiros e, temendo as consequências de seus crimes, trancava tudo que pudesse incriminá-lo num armário de madeira. Porém, como a alma de quem morre em águas marinhas permanece presa no armário de Davy Jones, é provável que o nome armário tenha surgido porque um armário sirva para abrigar coisas, como o fundo do mar abriga a alma de todos que foram levados por ele.


Sobre Davy Jones...
Há muitos questionamentos sobre a veracidade se este homem tenha ou não existido no século 18. Segundo o folclore, ele atormentava marinheiros, atraía tempestades, confundia capitães para que errassem a rota etc. Por esta ordem de características, no Caribe acabou sendo sinônimo para o próprio diabo.

O filme “Piratas do Caribe” apresenta uma versão totalmente errada da lenda deste personagem, afirmando que ele poderia controlar a besta marinha Kraken, que era seu animal de estimação. Um erro de tempo e espaço. Davy Jones é personagem caribenho do século 18; Kraken é um animal mitológico dos vikings da era medieval. Na mesma produção há o erro referente ao navio fantasma Holandês Voador.


De acordo com etnólogos, a lenda de Davy Jones é bastante temporal e reflete a sociedade dos séculos 17/18, quando a pirataria era muito forte e corsários ingleses assaltavam navios espanhóis que seguiam para a Europa abarrotados de ouro e prata vindos do México. Estes eram tempos bastante difíceis e ainda se acreditava que o mar fosse um embarque para a morte – navegações frágeis, despreparo das equipes de marinheiros, falta de alimentação decente, excesso de doenças perigosas. Ou seja, quem pudesse ver Davy Jones, no contexto da lenda, é porque já não estava no seu juízo perfeito, provavelmente atacado pelo escorbuto, muito comum nas tripulações naquela época.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Clube de Bilderberg: você já ouviu falar nisso?

O Clube de Bilderberg tem sido motivo de inúmeras acusações por controlar a economia e política mundiais de maneira arbitrária, não-oficial. Mas você já ouviu falar nisso? Conhece o que está por trás deste grupo seleto de pessoas? O Clube de Bilderberg é uma conferência anual não-oficial cuja participação é restrita a um número de 130 convidados, muitos dos quais são personalidades influentes no mundo empresarial, acadêmico, midiático ou político. É daí que surgem as críticas e os boatos. Devido ao fato das discussões entre as personalidades públicas oficiais e líderes empresariais (além de outros) não serem registradas, estes encontros anuais são alvo de muitas críticas (por passar por cima do processo democrático de discussão de temas sociais aberta e publicamente, uma vez que, teoricamente, vivemos em democracias e mundos livres, cujos temas sociais deveriam ser compartilhados com todos e para todos). O grupo de elite se encontra anualmente, quase em segredo, em hotéis cinco estrelas reservados espalhados pelo mundo, geralmente na Europa, embora algumas vezes tenha ocorrido nos Estados Unidos e Canadá.

O que chama atenção no caso deste clube é que as reuniões agrupam as pessoas mais influentes do mundo e a mídia só tem conhecimento do encontro depois que ele acontece. Não há cobertura, como é o caso do Fórum Econômico de Davos, também sumariamente criticado por grupos organizados da sociedade civil. No caso do Bilderberg, as coisas aconteceriam por baixo dos panos e decisões sobre nações e países inteiros seriam tomados por somente 130 pessoas.


Sobre o nome...
O nome do grupo, Bilderberg, vem do que é geralmente reconhecido como o local em que ocorreu a primeira reunião oficial em 1954, o Hotel de Bilderberg, na Holanda. Embora a conferência não seja considerada um grupo de tipo algum, muitos participantes são frequentadores regulares, e os convidados são frequentemente referenciados como pertencentes a um “secreto grupo”.

Possíveis origens e objetivos da primeira conferência...
A primeira conferência aconteceu de 29 de maio a 30 de maio de 1954. A ideia da reunião foi dada pelo emigrante polonês e conselheiro político Józef Retinger (foto abaixo). Preocupado com o crescimento do antiamericanismo na Europa Ocidental, ele propôs uma conferência internacional em que líderes de países europeus e dos Estados Unidos pudessem se reunir com o propósito de promover a discussão crítica entre as culturas dos Estados Unidos e Europa Ocidental. Retinger se aproximou do príncipe Bernard da Holanda, que concordou em promover tal ideia, em conjunto com o primeiro-ministro belga Paul Van Zeeland.


A lista de convidados deveria ter sido formada pelo convite de dois participantes de cada país, representando pontos de vista liberais e conservadores. Para que a reunião ocorresse, foi necessário organizar uma conferência anual. Um comitê executivo foi criado, sendo que Retinger foi indicado como secretário permanente. Juntamente como a organização da reunião, o comitê realizou um registro do nome dos participantes e informações para contato, com o objetivo de criar uma rede informal de pessoas que pudessem se comunicar entre si com privacidade.

Devemos ter em mente o tempo histórico que o Clube de Bilderberg foi criado. Em 1954, o mundo estava chegando ao auge da Guerra Fria, conflito ideológico entre as duas potências da época, os Estados Unidos e a União Soviética. Portanto, apontamos que o “seleto grupo” e suas preocupações são frutos de seu próprio tempo, como o avanço do pensamento comunista entre os jovens e nas universidades, o que poderia comprometer o capitalismo.

O propósito declarado do Grupo Bilderberg foi estabelecer uma linha política comum entre os Estados Unidos e a Europa Ocidental. O economista holandês Ernst van der Beugel se tornou secretário permanente em 1960, após a morte de Retinger. Príncipe Bernardo continuou a ser o presidente das conferências até 1976.

A intenção inicial do Clube de Bilderberg era promover um consenso entre a Europa Ocidental e a América do Norte através de reuniões informais entre indivíduos poderosos. A cada ano, um comitê executivo recolhe uma lista com um máximo de 100 nomes com possíveis candidatos. Os convites são enviados somente a residentes da Europa e América do Norte. A localização da reunião anual não é secreta, e a agenda e a lista de participantes são facilmente encontradas pelo público, mas os temas das reuniões são mantidos em segredo e os participantes assumem um compromisso de não divulgar o que foi discutido. A alegação oficial do Clube de Bilderberg é de que o sigilo previniria que os temas discutidos, e a respectiva vinculação das declarações a cada membro participante, estariam a salvo da manipulação pelos principais órgãos de imprensa e do repúdio generalizado que seria causado na população. Algumas teorias dizem que o Clube Bilderberg tem o propósito de criar um governo totalitário mundial.


Participantes e a natureza do “seleto grupo”...
A alegada justificativa do grupo pelo sigilo é que isso permite que os participantes falem livremente sem a necessidade de ponderar cuidadosamente como cada palavra poderia ser interpretada pelos órgãos de comunicação de massa. Alguns, entretanto, consideram a natureza elitista e secreta das reuniões como antiético em relação aos princípios da inclusão em sociedades democráticas. Adeptos e pesquisadores da teoria da conspiração acreditam que os membros de Bilderberg são, na verdade, Iluminatti.

Participantes incluem membros de bancos centrais, especialistas em defesa, barões da imprensa de massa, ministros de governo, primeiros-ministros, membros de famílias reais, economistas internacionais e líderes políticos da Europa e da América do Norte. Donald Rumsfeld é um “bilderberger” ativo. O ex-secretário de defesa dos Estados Unidos Paul Wolfowitz também é um membro.

A título de curiosidade, em 2010 a reunião ocorreu entre 04 e 06 de junho em Sitges, na Catalunha. Em 2011 os membros se reuniram em um luxuoso hotel no mês de junho em Saint Moritz, na Suíça.

Críticas sofridas e teoria da conspiração...
O Clube de Bilderberg não é um mero dispositivo das pessoas que acreditam em uma série de teorias da conspiração que rondam o mundo contemporâneo. Ele realmente existe, as reuniões realmente acontecem e são fechadas para um grupo extremamente seleto. O grande problema é que sofre críticas pelo modo de ser em si mesmo.

Em uma sociedade democrática como dizem que vivemos no Ocidente, sob a insígnia da “liberdade de expressão”, os debates mais importantes ocorrem sem a participação de organizações civis, grupos políticos etc. Há uma grande crítica de que esse grupo fechado de somente 130 pessoas disponha do destino econômico do planeta, enquanto os dez bilhões de habitantes ficam à mercê da vontade de grandes atores políticos da Europa e dos Estados Unidos, evidenciando que em pleno século 21 ainda temos um etnocentrismo arraigado.

terça-feira, 12 de março de 2013

Seriam os Smurf’s uma corruptela do sistema de governo soviético? Fato ou farsa?

Os Smurf’s fizeram muito sucesso no Brasil com o desenho animado, na década de 1980, e mais recentemente com o filme em 3D que comemorava os 50 anos de criação destes pequenos seres azuis pelo ilustrador belga Peyò. No final da década de 80, com o início da ruína soviética, começaram os boatos de que o desenho seria uma associação ao modo de vida comunista, cujo nome dos seres, Smurf, seria uma sigla inglesa “Soviet men under red father”, “Soviéticos sob o pai vermelho”. Fato ou farsa?


Podemos dizer categoricamente que esta sigla é uma mentirinha meio boba criada no Brasil. Foi a forma encontrada para ficar mais fácil das crianças pronunciarem o nome original da série, “Les Schtroumpfs”. Em Portugal, por exemplo, o nome adotado foi “Os Estrumpfes”, mais tarde modificado para “Os Strunfs”.

No entanto, alguns estudiosos e críticos mais maliciosos apontam que Smurf’s tenham muito mais a dizer, sem mostrar, do que se possa supor. Trata-se de uma série de apontamentos que estariam escondidos debaixo do discurso infantil do próprio quadrinho (anos 50 e 60) e desenho animado (anos 80).


Suposta analogia ao comunismo e muito mais...
O desenho chamou atenção de alguns comentaristas políticos nos anos 80. Segundo eles, os Smurf’s seriam uma referência ao comunismo. A comunidade divide fraternamente tudo o que produz, não há classes sociais, vestem o mesmo tipo de roupa (calças e touca brancas), exceto o seu líder (Papai Smurf), que veste as mesmas peças de vestuário, porém na cor vermelha. Em oposição aos Smurf’s, levando em consideração a ideia de que realmente sejam comunistas, estão Gargamel e Cruel, o gato. A dupla inimiga representaria o imperialismo, a vontade de dominar os “mais frágeis”. O passatempo de Gargamel era capturar e cozinhar os Smurf’s para transformá-los em ouro numa suposta referência em oprimir a classe trabalhadora e transferir os lucros aos burgueses capitalistas.

Outras acusações ainda mencionam o desenho como sexista, uma vez que há somente três personagens femininas, sendo duas fora do âmbito de força de trabalho – uma idosa e outra criança. O sexismo surgiria a partir do momento que Smurfete só pensa em assuntos fúteis, em embelezar-se e sempre é frágil e desprotegida.

Ainda existe a acusação de que os Smurf’s seriam uma analogia de antigos vilarejos europeus pagãos vivendo em harmonia e a sua grande ameaça seria o Gargamel, representando um forasteiro com interesse em poder; este estranho seria uma analogia ao judeu dado a sua representação física (pele morena, nariz grande e cabelo encaracolado). De acordo com alguns medievalistas, o desenho representaria a “ameaça judaica” da Idade Média.

Acerca de todas estas acusações, Thierry Culliford, filho de Peyò e atual dirigente do Studio Peyò, disse que as acusações estavam entre o grotesco e a falta de seriedade


O fato é que tais apontamentos de análises da obra mais famosa de Peyò mostram o espírito da época em que foram produzidas: o fim do império soviético, momento de menos tensão com a Guerra Fria, e lembranças do Holocausto quando historiadores começaram a remexer arquivos da Segunda Guerra Mundial.

Não podemos dizer que tudo seja sempre inocente. Produções da cultura de massa, desde o século 19, são feitas com dois motivos principais: geração de lucros (indústria do lazer) e transposição de algumas ideologias e pensamentos políticos. No entanto, podemos afirmar que, neste caso dos Smurf’s tudo é farsa.

sábado, 9 de março de 2013

Por que os avistamentos de Ovni’s estão cada vez mais comuns?

Nos últimos dez anos assistimos a uma verdadeira explosão de relatos referentes a discos voadores, estranhos objetos no céu, presença alien e abduções. Para muitos ufólogos mais experientes neste campo de pesquisas, há uma série de explicações que respondem a esta dúvida: por que tais avistamentos estão comuns?


Há algumas considerações que podemos fazer a fim de desmistificar uma série de ocorridos, e que podem servir ao caríssimo leitor para aumentar seu nível de criticidade quando observar algo que possa ser classificado como “estranho”.

1. De acordo com estudos da MUFON, mais de 90% dos avistamentos podem ser explicados como sendo fenômenos terrestres e humanos, tais como relâmpagos globulares, balões, aviões militares, sondas meteorológicas etc.

2. Nos últimos dez anos assistimos à popularização de um meio de comunicação revolucionário: a internet, e isso fez com que as pessoas pudessem trocar experiências em fóruns e comunidades virtuais, fazendo parecer que os casos simplesmente sofreram um boom. O grande exemplo é o You Tube, onde há uma coleção infindável de vídeos de supostos objetos voadores não-identificados;

3. No rastro da internet e do You Tube, produtoras de TV têm explorado incansavelmente este mecanismo, recolhendo tais vídeos e realizando programas no estilo documentário, que abordam “aparições”, “abduções”, “mistérios locais” etc. Isso aumenta sensivelmente o desejo de aparecer, fazendo com que pessoas manipulem fotografias e vídeos com a intenção de aparecerem;

4. Outro fator extremamente importante apontado pelos membros da MUFON é que os aparelhos celulares, atualmente, são muito mais do que telefones. Com câmeras embutidas, as pessoas estão permanentemente “equipadas” a qualquer momento do dia ou da noite. Grandes partes dos vídeos estudados foram feitos com essas câmeras, que ainda contam com baixa qualidade, o que ajuda a dificultar na identificação do objeto filmado;

5. Um fator preponderante: vivemos no que poderíamos chamar de “cultura alien”. Ou seja, a nossa cultura já está embebida de pressupostos alienígenas através de filmes, boatos, lendas locais, seriados etc. Isso faz com que o indivíduo já olhe para o céu com certa desconfiança e crie dentro da sua mente a história de que aquela luz no céu seja uma nave de visitantes espaciais.

Veja este vídeo abaixo produzido por um argentino. Trata-se se uma montagem bem feita fabricada no computador. O vídeo causou verdadeiro sensacionalismo na mídia daquele país e entre os ufólogos crédulos, que não estudam evidências contundentes.



De acordo com pesquisadores de diversas áreas, como sociologia, comunicação social e psicologia social, muitas vezes podemos identificar tais aparições como histeria coletiva – quando alguém filma algo em determinada cidade, e casos parecidos começam a ser supostamente relatados na região, motivo de erro de identificação –, ou então o puro desejo narcisista de aparecer na mídia mundial e ter seu vídeo popular no You Tube – um fenômeno recente, mas que já rende várias dissertações de mestrado e teses de doutoramento.

Um dos exemplos que podemos citar neste texto é o México, que vive uma súbita onda de avistamentos de Ovni’s. Tudo isso porque há um programa na televisão bastante popular que busca tais registros e entrevista as pessoas; com muito sensacionalismo, o show trata o assunto ufológico sem nenhuma seriedade. Especialistas da MUFON, analisando os vídeos mexicanos, comprovaram que os objetos não-identificados tratavam-se de balões e aviões militares.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Mutilação de gado: um dos maiores mistérios contemporâneos! Fato ou farsa?

ATENÇÃO! O POST DE HOJE TEM IMAGENS QUE PODEM SER CONSIDERADAS FORTES PARA ALGUMAS PESSOAS!


Nos últimos anos um estranho fenômeno tem tomado conta de parte da comunidade científica e de grupos de ufólogos. Trata-se da chamada mutilação de gado, por vezes conhecida como excisão bovina, que é a morte devido à mutilação de bois, vacas, ovelhas e cavalos sob circunstâncias ainda desconhecidas. Este fenômeno é caracterizado por elementos inexplicáveis, como a precisão da mutilação cirúrgica, a drenagem total de sangue do animal, a eliminação de certos órgãos internos e órgãos genitais. Desde o momento em que os relatos de mutilações de supostos animais começaram, as causas têm sido atribuídas diversas vezes à decomposição natural, predadores naturais, extraterrestres, agências secretas governamentais ou militares, e cultos satânicos.

O fato é que a mutilação de gado acontece com frequência desde a década de 1970 e assusta produtores das áreas afetadas. O caso ganhou um espaço tão grande que fez o governo dos Estados Unidos tentarem investigar as causas por duas vezes, enquanto programas de TV também especulam os acontecimentos. Muitas vezes as fotos são chocantes!


Alguns apontamentos sobre os ocorridos...
1. Os primeiros casos de mutilação de gado, conforme conhecemos hoje em dia, foram relatados pela primeira vez na história por Charles Fort, na Inglaterra, entre o final do século 19 e início do século 20;

2. Os primeiros relatos de mutilação do gado nos Estados Unidos ocorreram no início dos anos 60. O fenômeno ficou praticamente restrito às pequenas comunidades rurais até 1967, quando um pequeno jornal do estado de Colorado publicou a curiosa história de um cavalo mutilado em circunstâncias misteriosas. Além de ter sido o primeiro caso midiático naquele país, foi o primeiro a estar associado a seres extraterrestres;

3. Este “primeiro caso” de mutilação assustou a opinião pública americana: cortes precisos, ossos limpos, nenhuma gota de sangue no pasto e, de acordo com as testemunhas, havia um forte cheiro de amônia no ar. Alguns metros de distância havia um pedaço de carne de cavalo com um suposto líquido verde de queimou a mão da proprietária do cavalo. Um pouco mais distante, já na floresta, havia mato pisoteado e galhos quebrados nas árvores;

4. Dois dias depois, a Defesa Civil da localidade foi até a fazenda e descobriu que os níveis de radiação estavam bem altos na trilha entre os restos do cavalo mutilado até determinado ponto da floresta. Neste meio tempo, dois pôneis morreram com câncer – provavelmente vítimas da exposição à radioatividade;

5. A publicação nacional deste ocorrido nos Estados Unidos fez com que outras pessoas contactassem a imprensa relatando fatos parecidos que haviam acontecido entre 1955 até a presente data, no caso 1968. As pessoas não deram importância porque pensaram se tratar de ladrões de carne bovina, que poderiam atacar determinadas propriedades durante a madrugada;

6. A mutilação de gado ganhou maior notoriedade ufológica quando, em 1968, Charles Bennett, juiz da corte superior do estado do Colorado, afirmou ter visto três discos alaranjados no céu, próximo à data do ocorrido na primeira fazenda. Isso causou enorme espanto, uma vez que o relato vinha de um indivíduo que poderia pôr tudo a perder em depoimentos farsantes e inventivos. Isso fez aumentar ainda mais a sede ufológica nos relatos de mutilação no campo.

7. Casos parecidos começaram a ser investigados por ufólogos, biólogos, zoólogos e veterinários. Um grupo de veterinários do Colorado começou a estudar os corpos encontrados no campo e notou uma semelhança: falta de cérebro, órgãos abdominais e sexuais além do material da coluna vertebral. Entretanto, outro grupo de veterinários apontou que alguns cavalos sofriam de infecção generalizada e que, ao que tudo indica, as mortes eram causadas por sacrifício para diminuir o sofrimento animal e, portanto, usavam isso como ferramenta midiática da febre nascente naquela época;

8. Apesar do grande ceticismo dos profissionais quanto à mutilação do gado nas fazendas do Colorado e do Texas já em meados dos anos 70, os proprietários dos animais mortos e testemunhas permaneciam crédulas esperando respostas por conta de uma série de fatores: cortes cirúrgicos, falta de sangue nos locais, aumento da radiação no solo, doenças nos demais animais, forte odor de material químico etc.


Acontecimentos posteriores...
A partir dos anos 70 e durante a década de 80, mutilações de gado foram registradas em quinze estados norte-americanos e em alguns países, como a França e o México. Em 1975, preocupado com a situação, o então senador Floyd Haskell pediu uma investigação ao FBI, uma vez que ele mesmo documentou pelo menos 135 casos no Colorado. Ao longo das décadas tudo permaneceu no território nebuloso da especulação, entre a crença e o ceticismo absoluto.

Em 1998, no estado de São Paulo, a imprensa ficou chocada ao relatar o primeiro caso de mutilação misteriosa em um ser humano. O corpo foi encontrado da mesma forma que o gado dos anos 80: cortes cirúrgicos, faltando alguns órgãos, forte cheiro de produtos químicos no ar etc. Em 2000, o mesmo aconteceu a uma pessoa na Bulgária. Por fim, em 2002, mais de 200 cabras foram encontradas mutiladas em fazendas na Indonésia.

O gigantismo que a mutilação de gado começava a tomar aumentou a preocupação de cientistas que ainda permaneciam céticos; não eram possíveis tantas mortes em apenas poucas noites em um determinado período de tempo sem nenhum tipo de invenstigação mais séria. Enquanto isso, ufólogos permaneciam dizendo que havia a atuação de seres de outro planeta nesta empreitada.


Características das mutilações...
1. Nos casos relatados, os ferimentos foram realizados através de cortes bem precisos e cirúrgicos. Outro ponto controverso é a falta de sangue nos corpos e no local do crime;

2. George Onet, veterinário, professor universitário e pesquisador de casos de mutilações de gado descobriu que grandes predadores tendem a evitar comer a carne de animais mutilados. Ele coordenou pesquisas que tentou dar a carne de vítimas mutiladas a lobos, chacais, coiotes, gambás, raposas texugos e cães; em geral, além de rejeitarem a carne, o comportamento dos animais muda visivelmente;

3. Segundo um relatório de 1975 do FBI, dentro dos casos documentados de mutilações, houve: 14% de remoções de olhos, 33% de língua, 74% de órgãos sexuais, 48% de intestinos. Outra pesquisa realizada nos anos 80 alterou esta porcentagem: 59% de remoções de olhos, 42% de língua, 85% de órgãos sexuais e 76% dos intestinos. Além disso, em 90% dos casos os animais mortos tinham, em média, cinco anos de idade;

4. Em grande parte dos relatos, as mutilações ocorriam rapidamente, com espaço de tempo muito curto entre a última pessoa que viu o bicho vivo até encontrarem-no morto. Em geral, o tempo médio era de uma hora e meia. Especialistas em medicina legal explicam que a morte se dá por um objeto grande (foice ou facão) e os cortes cirúrgicos com instrumentos mais delicados;

5. Poucas vezes os responsáveis pelas mutilações deixam rastros ou pistas, como ocorreu no primeiro caso documentado, em 1967. Nos anos 70, em duas fazendas no Novo México, foram encontradas marcas de tripé (com distância de 30 centímetros de um ponto a outro) próximas aos corpos de oito vacas mutiladas.


Relatórios científicos e laboratoriais...
A pesquisa tem se tornado sistemática nos corpos dos animais mutilados. Relatórios apontam resultados cada vez mais misteriosos, como níveis muito baixos de vitaminas e minerais, ou a presença de produtos químicos que, geralmente, não aparecem em animais. Entretanto, essas anomalias variam de caso para caso, de região para região. No momento, parece haver certa concordância entre os resultados descobertos; há ceticismo e há excesso de determinados credos.

O que se tem de certeza é que a qualidade dos cortes cirúrgicos aponta que não há relação com morte por conta de predadores naturais. Lobos e raposas não matam o gado e fazem cortes quadrados, seguindo padrões, e retirando órgãos específicos – e ainda sem deixar nenhuma sujeira no local do ocorrido. No entanto, após décadas de estudos científicos rigorosos em laboratórios de todo planeta, os cientistas já repararam que os animais encontrados, geralmente, têm níveis extremamente anormais para zinco, potássio e fósforo, além do clássico odor de amônia nos corpos. Outra constante descoberta é a anticoagulação do resto de sangue no animal, além de uma preservação absurda, demorando cinco dias para começar a se decompor.

Apontamentos sobre as explicações convencionais...
1. Depois de ser duramente pressionado pela opinião pública, em 1978 o governo norte-americano liberou que o FBI investigasse os estranhos casos, que ganhou o título “Operação mutilação”. A investigação contou com orçamento inicial de 44 mil dólares e ocorreu sob a chefia de Kenneth Rommel, contando com cinco objetivos principais: (a) determinar a confiabilidade das informações e coletar o máximo possível de testemunhos nos locais dos ocorridos, (b) determinar as possíveis causas das mutilações, (c) determinar se as mortes são passíveis de punição pelas leis americanas, (d) descobrir um meio de como lidar com o problema, caso seja um fato real, (e) se não for um problema para autoridades do judiciário, recomendar qual o melhor caminho científico para lidar com o problema.

2. O relatório final contou com 297 páginas e hoje é considerado muito básico e superficial, uma vez que aponta a mutilação de gado como um fato natural, decorrido de predadores naturais – como lobos, raposas e cães selvagens. Atualmente, especialistas de vários níveis e áreas concordam que houve certa má vontade da equipe do FBI em realizar investigações mais contundentes naquela época;

3. Mais recentemente, no início dos anos 90, uma investigação estadual patrocinada pelo governo do Novo México apontou que os animais mutilados tomaram tranquilizante e havia altos níveis de substâncias anticoagulantes em seus corpos. Também aponta o documento que as técnicas de corte foram se tornando cada vez mais precisas e cirúrgicas ao longo dos anos. Entretanto, é um documento que não chega a conclusão nenhuma sobre a causa dos ocorridos.

4. Alguns especialistas apontam que a causa da morte do gado possa ser natural, através de doenças transmitidas por moscas varejeiras. Quando mortos, os animais ficam suscetíveis aos predadores terrestres. Entretanto, esta explicação esbarra em diversos fatores: aumento na radiação, cortes cirúrgicos dos corpos, recusa dos animais de comerem a carne;

5. A explicação natural para os supostos cortes cirúrgicos se baseia no inchaço da pele após a morte, seguindo  o padrão do tecido muscular, o que poderia fazer com que os cortes abdominais parecessem geométricos e padronizados como ação de seres inteligentes. Cientistas também explicam que a falta dos olhos está relacionada à ação das moscas, que entram nos corpos a partir destes órgãos;

6. Uma pesquisa foi realizada a fim de evidenciar as diferenças entre os famosos cortes cirúrgicos e os cortes naturais feitos pelos predadores naturais. Os estudos apontam que realmente há uma diferença muito grande entre as duas intervenções. Muitos fazendeiros têm contestado as fontes que afirmam causas naturais das mortes do gado. Eles alegam que os animais estavam saudáveis e presos em lugares cujos predadores não poderiam chegar. Em alguns casos, eles declaram que os animais mortos eram os mais fortes e produtivos da manada.


Apontamentos sobre as explicações de ações humanas...
1. Um dos apontamentos estudados ultimamente diz respeito às mutilações como, nada mais, nada menos, que intervenção humana. Seriam pessoas que, estranhamente, buscariam a crueldade animal na busca de prazer ou desejo de criação de mitos na mídia. Esta é uma hipótese muito atacada por especialistas em fenômenos paranormais e ocultismo;

2. Ataques contra animais por puro prazer sempre aconteceram na nossa sociedade, infelizmente. Entretanto, as vítimas, em geral, são animais domésticos – cães, gatos, coelhos, passarinhos etc. – e não animais maiores como cavalos, bois, ovelhas etc. Psicólogos apontam que sociopatas tendem a iniciar seus ataques, ainda quando crianças, contra seus animais domésticos;

3. Os relatórios do FBI não apontam a mutilação de gado dentro da categoria de crueldade humana, uma vez que dominar um boi e fazer tantas intervenções “cirúrgicas” demandaria a atuação rápida de, pelo menos, quatro pessoas – trabalhando em extremo silêncio;

4. Outro ponto muito comentado tem sido que a mutilação de gado possa fazer parte de algum culto ainda desconhecido, de alguma seita. Esta tem sido uma hipótese que foge dos dois padrões mais comentados: ataque de predadores e desvio social de seres humanos buscando prazer em pura crueldade;

5. As crenças envolvendo culto – satânico ou não – podem variar e incluem: a falta de sangue no local pode ser resposta ao ato de colhê-lo, a falta de órgãos como sendo parte de um outro ritual realizado em outro local e as vacas mortas e que estavam grávidas tiveram seus bezerros recolhidos da mesma maneira que os demais órgãos;

6. Nos anos 80, houve um verdadeiro surto evangélico em determinadas áreas dos Estados Unidos onde os casos de mutilação de gado ocorriam, uma vez que alguns pastores disseram tratar-se de um indício do apocalipse bíblico, o primeiro passo para sacrifícios humanos, levando a uma histeria coletiva em algumas comunidades rurais. Investigações oficiais não conseguiram fazer conexão entre seitas e os ocorridos;

7. Em outubro de 1975, dois guardas florestais de Idaho afirmaram à justiça que viram um grupo de umas 15 pessoas vestindo roupas escuras, à noite, circulando pela floresta. No dia seguinte, foram encontrados dois cavalos mutilados em uma área próxima ao local. O fato é que muitos autores e investigadores trabalham nesta hipótese de cultos;

8. Nos anos 70 e 80 houve uma verdadeira febre de troca de sentenças de presidiários por liberdade condicional ou diminuição de suas penas. Houve muita mentira nesta relação entre a mutilação de gado e ação de grupos satanistas ou psicopatas sociais. Foi por este motivo que se perpetuou esta linha de investigação, deixando de lado as estranhas evidências físico-químicas;

9. A explicação mais estranha da mutilação de gado surgiu em 1981, quando apontaram que os ocorridos teriam acontecido pelas mãos de ex-veteranos da Guerra do Vietnã, em choque, reproduzindo nos animais o que teriam visto em sessões de tortura na Ásia.


Apontamentos sobre as explicações incomuns...
1. Em 1997, o escritor Charles Oliphant escreveu um livro lançando a hipótese de a mutilação de gado ser o resultado de uma pesquisa secreta sobre uma possível doença bovina que poderia ser transmitida para seres humanos. O autor aponta como suspeita os produtos químicos encontrados nas necropsiais, além dos órgãos retirados, que são importantes meios de transmissão e incubação de vírus e bactérias;

2. Em 1976, com os casos de mutilações em fazendas do Utah, fazendeiros começaram a fazer patrulhas armadas em bosques. Eles alegam terem visto por duas vezes helicópteros do exército sobrevoando essas áreas de suas propriedades. Nessas duas ocasiões apareceram cavalos e vacas mutiladas;

3. O bioquímico Colm Keller defende a versão de que a mutilação de gado tenha sido a tentativa do governo norte-americano de tentar estudar e evitar a disseminação da doença conhecida popularmente como “vaca louca”;

4. As teorias do envolvimento do governo americano nos casos de mutilações aumentaram com o aparecimento de soldados e helicópteros nas áreas dos ocorridos, mesmo antes dos relatos oficiais. Em 1974, dois helicópteros sem identificação abriram fogo contra Robert Smith Jr., proprietário de uma fazenda atacada pelo fenômeno, e que foi à imprensa exigindo informações das autoridades. Em 1979, 15 vacas no Novo México foram encontradas mortas após a aparição de alguns helicópteros do exército;

5. Alguns especialistas apontam que os helicópteros são usados para “desovar” os cadáveres nas propriedades depois dos estudos. Por isso não há vestígios de ação no local, como restos de sangue ou partes cortadas de órgãos;

6. Várias hipóteses sugerem que as mutilações são obra de entidades alienígenas na busca de material genético da Terra, além da premissa de que seres humanos não poderiam fazer as dissecações em um espaço de tempo tão curto, sem deixar sujeira e rastro para trás. É por isso que a mutilação de gado acabou entrando para um novo ramo de estudo da ufologia. Alguns ufólogos entendem que a carne bovina faça parte da cadeia alimentar humana e, por isso, os aliens estariam interessados em entender a nossa dieta;

7. O estudo mais louco foi publicado em 1999 pelo ufólogo Phillip Duke, intitulado “A conexão Aids-ET’s”. Segundo ele, os extraterrestres estariam vindo à Terra para estudar ou incubar o vírus HIV de maneira sistemática através destas mutilações. Para Duke, a remoção de genitais e ânus de bovinos mostra o meio mais comum de transmissão do HIV e, portanto, o possível interesse da doença em mamíferos. Para sustentar sua hipótese, Duke aponta os estudos que afirmam que os cromossomos dos mamíferos são muito parecidos, além de apontar a antiga pesquisa em cavalos para entender o tétano nos seres humanos. Esta hipótese acaba se tornando inconsistente, uma vez que os cientistas entendem o surgimento da Aids como uma doença de primatas africanos, uma zoonose que passou para o homem por ter estrutura de DNA parecida com a dos macacos.


A questão da mutilação de gado continua controversa há mais de 40 anos e tem se tornado um importante nicho de pesquisas no meio ufológico. Muitos pesquisadores têm escrito artigos ou livros, ainda sem tradução oficial para o idioma português. O mais importante é sabermos que ainda não é possível identificarmos como fato ou farsa.