sábado, 21 de dezembro de 2013

Você sabia que a morte era um espetáculo público muito comum até o século 18? Veja mais...

Hoje em dia, mesmo a imprensa marrom, sensacionalista, tenta evitar imagens cabulosas de corpos de seres humanos dilacerados, queimados, destruídos, cortados etc. Entretanto, para quem tem curiosidade e estômago de aço há sites específicos em mostrar fotos de perícias com pessoas atropeladas, mortas em acidentes de carro, suicídios, famosos mortos, casos de repercussão nacional etc. Mas nem sempre foi assim e por muito tempo a humanidade foi sádica e gostava de assistir em público este espetáculo macabro.


Até por volta do final do século 18, nas Américas e na Europa, as penas contra escravos e penas de morte eram espetáculos públicos feitos na praça principal das cidades para servir de exemplo, quando até mesmo lembrancinhas eram vendidas para aquele dia “inesquecível”. Existem exemplos na historiografia que assustam pela frieza como a humanidade lidou com a dor do próximo durante tantos séculos; portanto, se você não sabe, o papo de direitos humanos surgiu há pouco mais de 200 anos.

O pelourinho era um instrumento de tortura bastante peculiar nas colônias americanas com mão de obra africana. Tratava-se de um pequeno obelisco (de madeira, ou de concreto) onde os escravos eram amarrados sem roupas e açoitados até terem sua pele aberta pelas profundas feridas. O pelourinho era localizado bem no centro das vilas e cidades, geralmente ao lado das câmaras dos “homens bons” – homens ricos, colonizadores. Historiadores explicam que isso feito em público servia de exemplo para outros escravos, mostrando: “Vejam bem o que pode ocorrer a vocês se fizerem o mesmo que este”.


Outra situação de terror era a condenação à pena de morte, principalmente no período das Inquisições (católica e protestante). Enforcamentos, incinerações com indivíduos vivos, esquartejamentos: tudo isso era espetáculo público que atraía pessoas, até mesmo crianças, para assistirem como se fosse uma peça de circo ou uma comédia de teatro de feira. A morte, até o século 18, era um verdadeiro espetáculo público. Um dos exemplos vem de um pastor calvinista em viagem pela Alemanha do século 17, em guerra religiosa; segundo ele, uma incineração de sete católicos em uma vila protestante juntou na praça mais de 3 mil pessoas vindas de inúmeras partes da região, inclusive crianças.

Um período ainda mais negro da nossa história é a Revolução Francesa, principalmente quando houve o chamado “Reinado do terror”. Nesta época, no século 18, cerca de 200 pessoas eram mortas por guilhotina em Paris, e esse meio de morte passou a ser conhecido como “viúva negra”. Apontam os relatos que os cemitérios já não tinham mais espaço para tantos corpos e o Rio Sena ganhou a tonalidade vermelha do sangue e inúmeros corpos boiavam e inchavam em puro apodrecimento enquanto Paris, “cidade luz”, se tornava um enorme odor de carniça com urubus voando baixo.


Se você que lê este post se pergunta se as pessoas não tinham repúdio de assistirem a tais cenas, respondo que não. Mas não porque eram seres humanos maus e hoje somos bons. Mas sim porque naquela época não havia tantas regras referentes ao indivíduo, à sua proteção e nem mesmo as crianças eram vistas como tal, trabalhando até 12 horas por dia nas fábricas de tecelagem. Conceitos como individualismo, humanidade, respeito mútuo e direitos humanos só vieram após os críticos do período do “Reinado do terror” perceberam que já era demais tantos mortos boiando no Sena, tornando Paris um grande chiqueiro sangrento.

Imagine que as pessoas cresceram e foram criadas vendo pestes, doenças, falta de saneamento, falta de higiene, falta de médicos acessíveis. Então assistir a uma epidemia mortal era comum. Guerras e revoltas irrompiam com maior facilidade pela falta de governos centralizados – principalmente na Alemanha e na Itália; assim, a morte era algo tão comum naquela época como hoje para nós é assistirmos a esses telejornais sensacionalistas ou imagens de guerras distantes enquanto estamos no conforto de nossas camas e sofás.


O pensamento daquele período – até o século 18 – era de que muitos fins justificavam os meios, como castigar violentamente escravos a fim de amedrontar os demais. Ou então que era melhor mostrar em uma praça pública o enforcamento de alguns para que outros “entrassem nos trilhos”. Foi assim no século 17 em Salem, com o famoso caso conhecido como “Bruxas de Salem”, quando várias pessoas foram condenadas por bruxaria por fanáticos religiosos.

Muitos historiadores contemporâneos expõem que não devemos julgar a sociedade daquela época, mas sim tentar entender a mentalidade destas pessoas e o porquê de elas fazerem da morte um verdadeiro teatro macabro nas ruas, praças e vilarejos de todo o planeta ocidental, dito como “civilizado”. É esta dicotomia que nos dá tanto material para estudarmos os setores e instituições da humanidade.