sábado, 7 de dezembro de 2013

A história da queda do disco voador no Texas em 1897: fato ou farsa?

O incidente ufológico de Aurora, no Texas, Estados Unidos, é um dos mais antigos e clássicos da história da ufologia. Teria ocorrido em 17 de abril de 1897, uma pequena cidade bem próxima à região metropolitana de Dallas. O incidente (muito parecido ao de Roswell, que ocorreria 50 anos depois) supostamente resultou em uma tremenda fatalidade, pois o corpo do piloto (um suposto alienígena) estaria enterrado em uma vala comum do cemitério local de Aurora. Na foto abaixo vemos a placa explicando o caso, indicando o local onde a nave espacial teria caído.


O relato do incidente...
Durante o período de 1895 a 1900, seis anos antes do primeiro voo realizado por Santos Dummont, vários moradores do Texas haviam relatado o avistamento de estranhos objetos voadores com velocidade surpreendente e movimentos erráticos.

Um destes relatos foi publicado em 19 de abril de 1897, na edição do jornal “Dallas Morning News(foto abaixo). Escrito pelo morador de Aurora S. Haydon, a matéria diz que o Ovni atingiu um moinho na fazenda do juiz local dois dias antes, por volta das 6h da manhã (horário de Dallas), o que resultou em sua queda. O piloto foi identificado pelas autoridades locais da época como “marciano” e “ser de outro mundo”, morreu e foi enterrado com ritos cristãos no principal cemitério da pequena cidade. Atualmente, o cemitério também tem uma placa dizendo ser o único cemitério do mundo com o extraterrestre enterrado oficialmente.


Arbitrariamente, os destroços da nave espacial foram jogados no fundo de um poço próximo ao moinho, enquanto outros destroços teriam sido enterrados junto ao suposto alienígena. Somando-se ao mistério tem Brawley Oates, que comprou a fazenda em 1945. Oates teria limpado o poço para usá-lo como fonte de água potável, e um tempo depois toda sua família adquiriu artrite grave e câncer, o que ele dizia ser resultado da contaminação alienígena da água pelos destroços da nave – que ninguém nunca viu. Em 1957, Oates secou o poço colocando terra e concreto, selando-o e construindo uma garagem sobre essa laje que foi formada.

Teoria da fraude municipal...
A teoria da fraude municipal é resultado de uma longa pesquisa histórica realizada por Barbara Brammer, ex-prefeita de Aurora e que se encantou por desvendar esse caso envolvendo a municipalidade. Sua pesquisa aponta que meses antes do incidente, Aurora havia sido assolada por inúmeras tragédias:

- A plantação de algodão, principal fonte de renda da cidade, havia sido totalmente destruída por uma praga, deixando muitos fazendeiros sem nenhum dinheiro e a fome ameaçava assolar a região;
- Um enorme incêndio na parte oeste do município destruiu várias casas, prédios, lojas e matou muitas pessoas, principalmente crianças;
- Pouco tempo depois do incêndio, uma epidemia de febre maculosa (vinda do carrapato) quase dizimou totalmente o restante da população, colocando a cidade toda em quarentena (ninguém entrava e ninguém saía);
- Uma ferrovia foi planejada para ligar Aurora a Dallas, mas isso nunca aconteceu, ficando somente no plano da ideia política de promessas;
- Os cristãos da cidade acreditavam que Deus estava contra eles por conta de algum pecado grave que a cidade carregava.

Na época, Aurora contava com somente 3 mil moradores e corria sério risco de extinção por virar uma cidade fantasma, o que era muito comum nos Estados Unidos do século 19. A pesquisa de Brammer mostrou que o juiz local era extremamente debochado e piadista, principalmente com os cristãos e esse medo de a cidade estar sendo castigada por Deus. Sua conclusão é que a matéria jornalística que rodou todos os Estados Unidos e Canadá foi a última forma de manter Aurora viva no mapa da América, atraindo o olhar curioso das pessoas.

Para alguns ufólogos, a teoria de Brammer está correta, pois a matéria jornalística foi única, não tendo nenhuma continuidade, como a investigação ou falando sobre o enterro do suposto alien, o que é extremamente incomum para um evento “grandioso” como este. Em 1979, a renomada revista “Times” entrevistou Etta Pegues, que afirmava que a história havia sido inventada pelo juiz de Aurora com seu amigo jornalista; o objetivo, segundo ela, era fazer a ferrovia ser construída e trazer futuro para a pequena cidade com risco de extinção. Além disso, Pegues afirmou que na propriedade do juiz nunca houve um moinho, o que outros ufólogos refutam alegando que há uma teoria da conspiração para banalizar um ocorrido tão importante.


Demais investigações sobre o “astronauta” de Aurora...
Esse incidente foi investigado um número enorme de vezes. Em 1998, a afiliada da Fox em Dallas fez um documentário sobre o caso, visitando os supostos locais onde a nave teria caído, onde estaria o tal poço contaminado e onde estaria enterrado o tripulante da nave. Entretanto, a reportagem não chegou a conclusão alguma, apenas mostrou onde teriam acontecido os ocorridos, não trazendo nada de novo.

Em 2005, a série “UFO Files” falou sobre o episódio chamado de “O Roswell do Texas”, com base em uma investigação de 1973 feita pelo ex-aviador Bill Case. De acordo com a investigação da época, foram ouvidas duas testemunhas: Mary Evans, que tinha 15 anos na época, e seus pais viram o corpo do alienígena, e Charlie Stephens, que tinha 10 anos na época, que teria visto a nave cruzando o céu de Aurora até cair na fazenda do juiz. Ambos disseram que as autoridades, na época, proibiram menores de idade de verem os destroços e o piloto da aeronave. A partir destes relatos, a MUFON investigou o cemitério local, e descobriu uma lápide marcada com um disco voador; com isso, a associação pediu permissão ao governo para fazer exumação do cadáver, o que não foi autorizado. Depois do documentário, a lápide simplesmente desapareceu do cemitério, e o em torno da suposta sepultura foi cercado, sendo que o visitante fica a uns 4 metros de distância do local. Curiosamente, o leitor de metal da MUFON não foi acionado sobre a sepultura, o que derruba a tese de que partes da nave foram enterradas junto do astronauta. A MUFON não chegou a uma conclusão do caso por conta dos entraves que foram impostos ao trabalho de pesquisa.

Finalmente, em 2008, o programa “UFO Hunters” também decidiu abordar o caso de Aurora, intitulado “Primeiro contato”. O documentário foi notavelmente diferente do anterior, “UFO Files”. Os atuais proprietários da fazenda onde a nave teria caído abriram seus portões e deixaram as equipes trabalhando, inclusive abrindo um buraco na laje da garagem e reabrindo o poço. Um pouco de água foi retirada para exame e foi comprovada a presença excessiva de alumínio, mas não havia material algum dentro dele – conforme alegavam que jogaram destroços da nave dentro dele. Outro ponto importante é que foram encontrados enterrados destroços de um moinho, o que refutava o artigo descrito acima fazendo que o juiz nunca tivera um moinho em sua fazenda. E mais uma vez o cemitério foi investigado, e mais uma vez não foi permitida a exumação do corpo, muito menos o uso de máquinas fotográficas ou detectores de metal.