terça-feira, 26 de novembro de 2013

Você sabe o que o Judaísmo e o Islamismo pensam sobre Jesus Cristo?!


Jesus Cristo talvez seja uma das figuras mais controversas da história; é o personagem que mais se escreve sobre, e é a figura central em várias seitas e religiões. Mesmo sem uma comprovação histórica concreta da sua existência na Terra, seus ensinamentos se perpetuam até os dias de hoje, causando concórdia e discórdia entre nações e países. Entretanto, poucas pessoas sabem o que o Islamismo e Judaísmo pensam desta figura histórica tão importante para a historiografia, a ponto de datarmos o tempo em antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). No post de hoje vamos debater um pouco o que essas duas grandes religiões pensam sobre o fundador do Cristianismo.


Jesus Cristo sob a ótica do Islamismo; Jesus para os muçulmanos...
No idioma árabe, Jesus é conhecido como “Isa ibn Maryam” – “Jesus filho de Maria”. É considerado o penúltimo profeta do Islã, sendo o último Maomé (Mohammad). De acordo com o Alcorão (o livro sagrado do Islã), foi um dos profetas mais amados por Deus e, ao contrário do que se passa no Cristianismo, não é um ser divino. Existem notáveis diferenças entre o relato dos Evangelhos e a narração do Alcorão da história de Jesus.

A virgindade de Maria é plenamente reconhecida entre os muçulmanos, e eles dizem que Jesus teria anunciado várias vezes na Bíblia a chegada de Maomé como o último profeta antes do Juízo Final. A morte de Jesus é tratada como complexa, por não reconhecer explicitamente a sua morte e dizer que antes da morte ele foi substituído por outro, do qual nada é dito, enquanto Jesus ascende ao céu e ludibria os judeus. Outro ponto é que o Alcorão rejeita a Santíssima Trindade, considerada falsa, e se refere a Jesus como “Verbo de Deus”, mas não o filho Dele.



O Alcorão não narra a vida de Jesus (Isa) de uma forma cronológica, nem a história da sua vida pôde ser encontrada numa só passagem; em vez disso, as referências à sua pessoa tem geralmente como objetivo ilustrar um determinado ensinamento.

O Alcorão refere-se a Ele em quinze suras (capítulos) e em 93 versos. Ele é designado nesta escritura de várias maneiras, como “al-Masih” (o Messias), “nabi” (“profeta”), “rasul” (“mensageiro”), “ibn Maryam” (“filho de Maria”), “min al-Muiarraben” (“entre os que estão próximos de Deus”), “wadjih” (“digno de louvor neste mundo e no próximo”), “mubarak” (“abençoado”) e “abd Allah” (“servo de Alá”).

O episódio da anunciação de Maria relatado no Alcorão assemelha-se ao relatado no Evangelho. Maria recebe a visita do anjo Gabriel (em árabe, Jibrail). O anjo anuncia a ela o nascimento de Isa (Jesus) e esta se mostra inquieta uma vez que era uma mulher não casada e virgem, prometida para alguém em casamento. Para o islã, a concepção de Jesus (Isa) foi o resultado de um decreto de Deus: a concepção Dele foi miraculosa e semelhante à de Adam (Adão). Quando Jesus (Isa), nasceu este falou com Maria do berço e mais tarde com a família desta. Para evitar o escândalo que era o fato de uma mulher não casada ter um filho, Jesus (Isa) anunciou à família de Maria que era um servo de Deus e um profeta com uma revelação escrita.






No islã Jesus (Isa) é simultaneamente um profeta e um mensageiro. Ele foi enviado a um povo em concreto e, para além disso, recebeu uma escritura sagrada, o Evangelho. A sua missão profética é concretizada na realização de milagres, no apelo a que a humanidade siga o monoteísmo e pratique a caridade.

Os muçulmanos não acreditam que Jesus tenha morrido na cruz, acontecimento sobre o qual assenta a teologia cristã. O Alcorão refere claramente que os judeus acreditaram que estavam o crucificando, mas que Deus o levou aos céus, e que, antes da sua morte, Jesus será uma testemunha contra os judeus. Para a tradição muçulmana, o homem que morreu no seu lugar foi Judas ou Simão de Cirene, tendo as pessoas sido iludidas a acreditar na sua crucificação. Esta visão do corpo de Jesus como uma ilusão já existia no docetismo, doutrina cristã do século II. De acordo com a visão islâmica, Jesus (Isa) continua vivo no céu; a sua morte só acontecerá nos últimos dias do mundo, quando ele regressar à terra e viver uma vida comum.

Aliás, os muçulmanos creem que no final dos tempos todos os grandes profetas retornarão para a batalha espiritual do Juízo Final para dissipar o mal da Terra, formando um exército composto por vários nomes, tais como: Maomé, Jesus, Jeremias, Enoque, Noé etc.


Jesus Cristo sob a ótica do Judaísmo; Jesus para os judeus...
O Judaísmo acredita que a ideia de Jesus ser Deus, ou parte de uma trindade, ou um mediador de Deus, é heresia. O Judaísmo também sustenta que Jesus não é o messias, argumentando que ele não cumpriu as profecias messiânicas da Tanakh, nem encarna as qualificações pessoais do Messias. O Judaísmo afirma que Jesus não cumpriu as exigências estabelecidas pela Torá para provar que ele era um profeta. E mesmo que Jesus tivesse produzido um sinal que fosse reconhecido pelo judaísmo, afirma-se que nenhum profeta poderia contradizer as leis já mencionadas na Torá, o que os rabinos afirmam que Jesus fez, como por exemplo, trabalhar no sabá.

A “Mishneh Torá”, escrita por Maimônides, considerada uma das obras da lei judaica, diz que “Jesus é um ‘obstáculo’ que faz a maioria do mundo errar para servir a uma divindade além de Deus”. De acordo com o Judaísmo conservador (ortodoxo), os judeus que acreditam que Jesus é o Messias “cruzaram a linha” para fora da comunidade judaica. E quanto ao Judaísmo reformista, o movimento progressista moderno, afirmam: “Para nós, da comunidade judaica alguém que afirma que Jesus é seu salvador já não é um judeu e sim um apóstata”. Entretanto, é digno de nota que o movimento de Judaísmo Messiânico tem crescido enormemente em todo o mundo; são pessoas que praticam o Judaísmo e suas leis, mas entendem que Jesus foi e é o esperado Messias.


Em hebraico, Jesus é “Yeshua”, uma forma alternativa de “Yehoshua”, que seria “Josué”. Transliterado para grego, ganhou o nome “Iesua”. Assim, temos hoje Jesus como Seu nome. Na Bíblia hebraica a ortografia é usada uma vez em relação a Josué (Yehoshua), filho de Nun, mas é comumente utilizado em relação a Josué, o sacerdote no tempo de Esdras. Vale ressaltar que, em hebraico, “Yeshua” significa “salvação” ou “aquele que vem salvar”.

A afirmação de que a forma Yeshua é o nome original de Jesus tem sido muito debatida atualmente – alguns afirmam que era Yehoshua ou que a própria forma grega do nome “Jesus” era usada entre os cristãos antigos (comunidades falantes do grego existentes em Israel, durante o período helenístico e posteriormente, sempre afirmaram que os manuscritos originais do Novo Testamento foram escritos primariamente em grego). De qualquer forma, já se tem provas explícitas de que Jesus, seus primeiros discípulos e a população que vivia na terra de Israel naquele período falavam aramaico. Eusébio de Cesareia relata que Mateus escrevera seu Evangelho em hebraico.

Nos relatos de Toledoth Yeshu, elementos dos Evangelhos sobre Jesus são conflitados com descrições dos indivíduos chamados pelo nome de “Yeshu” no Talmud. Alguns historiadores interpretam “Yeshu” como uma forma abreviada de “Yeshua” e argumentam que esta era a forma pelo qual Jesus era conhecido pelos judeus. De qualquer forma, as narrativas de Toledoth Yeshu tipicamente explicam a designação Yeshu como um acrônimo da frase hebraica “Yemach shem vezichro” (“Seja apagado seu nome e sua memória”) e declararam que este nome originalmente era “Yehoshua”. Já outros, dizem que o responsável pela diminuição, por assim dizer, foi o sotaque galileu devido sua dificuldade de falar a letra final gutural. Isso também podemos detectar em nomes de pessoas árabes.




Um argumento a favor da originalidade da forma “Yeshua” pode ser encontrada no fato do uso dessa na antiga Bíblia Siríaca, composta no século 3 d.C. A Peshitta (versão aramaica do Novo Testamento) usa também a forma “Yeshua” em seus escritos. A moderna pronúncia do síriaco deste nome é Eeshoo. Com isso, pode-se argumentar que os falantes do aramaico, que usavam este nome na sua forma “Yeshua”, escreveram-na em seus escritos e evangelhos a fim de preservar o nome original de “Jesus” usados por eles.

De um modo geral, os judeus acreditam que crer em Jesus como o Messias enviado por Javé seria uma heresia, uma vez que Cristo não teria cumprido todas as profecias descritas no Velho Testamento, como reconstrução do templo de Jerusalém, restauração do Reino de Israel etc. Este é um debate sem fim em que cada lado irá apresentar a sua verdade, e como sabemos, em religião cada um tem sua verdade e a guarda como se fosse uma grande relíquia.