sábado, 2 de novembro de 2013

Opus Dei: o que você conhece sobre esse polêmico movimento da Igreja católica?! E por que ele é polêmico?!

A Prelazia da Santa Cruz e Obra de Deus, em latim “Opus Dei”, é uma instituição hierárquica da Igreja Católica composta de leigos e sacerdotes; tem como finalidade participar da missão evangelizadora. a Opus Dei procura difundir a vida cristã no mundo, no trabalho e na família, a chamada universal à santidade e o valor santificador do trabalho cotidiano, junto com os chamados “valores da família”, que chegam a temas bastante polêmicos atualmente, como a homofobia e o sexismo. A obra foi fundado no dia 02 de outubro de 1928 por São Josemaría Escrivá de Balaguer, sacerdote espanhol canonizado em 2002.


História da obra...
A Opus Dei foi fundada na Espanha, em 1928, prestes a estourar a Guerra Civil Espanhola, quando os regimes nazista e fascista ajudaram o ditador Franco a subir ao poder, com apoio total da Igreja, a fim de impedir um “perigo comunista”. Em 1930, com seu crescimento, a instituição passou a admitir também mulheres e passou a ser vista como “um braço direitista e conservador” do catolicismo. Atualmente a sua sede encontra-se em Roma.

Em 1980, de acordo com os dados da própria Opus Dei, ela estava presente em 88 países e contava com mais de 70 mil membros ativos inscritos. De acordo com os teóricos da conspiração, a instituição tem papel preponderante em algumas situações, tais como: (1) ocultar casos de escândalos sexuais envolvendo clérigos; (2) neutralizar o fortalecimento do protestantismo na América Latina; (3) promover tumulto político espalhando boatos contra políticos “esquerdistas”; (4) trabalhar a imagem positiva de políticos “direitistas” entre os fiéis católicos; e (5) ocultar escândalos financeiros, como rombos em paróquias.


Características da instituição...
Uma das principais características da obra Opus Dei, de acordo com ela mesma, é “defender os bons valores da família e da sociedade junto às virtudes cristãs”. Ela tem como lema “encontrar Deus no trabalho e na vida cotidiana”. Procura a santificação de cada cristão no meio do mundo, através do exercício profissional cotidiano e no cumprimento dos deveres pessoais, familiares e sociais de cada um, de maneira a que cada indivíduo se torne um fermento de intensa vida cristã em todos os ambientes em que se encontre inserido.

Entretanto, críticos da instituição afirmam que essa principal característica, a de defender valores, esconde um discurso antigo – ou antiquado, de acordo com alguns –, tais como: machismo, sexismo, homofobia, heterofilia, discurso anticientífico (como contraponto às respostas científicas às pesquisas com células-tronco, por exemplo), antidivórcio etc. Desta forma, a obra estaria a serviço do tradicionalismo conformista (pensamento medieval da sociedade das três ordens estamentais imóveis: uns oram, outros trabalham e outros defendem) em que os pobres devem continuar pobres, uma vez que assim Deus quer para que estas pessoas ganhem o céu.

Trata-se de uma crítica bastante forte e que faz um grave reducionismo em relação à Opus Dei, que também tem como característica levar seus membros a algumas virtudes: a fé, a esperança e a caridade, apoiadas nas virtudes humanas: como a generosidade, a laboriosidade, a justiça, a lealdade, a alegria, a sinceridade etc.


Contexto historiográfico...
De acordo com John Allen, jornalista da CNN, é preciso contextualizar as afirmações de relação entre a Opus Dei e o regime franquista na Espanha. No tempo da Guerra Civil na Espanha (1936-1939), segundo Allen, a maioria dos católicos do país apoiaram os nacionalistas contra os republicanos e comunistas. Como o jornalista observou: “Vale a pena notar que no contexto da Guerra Civil Espanhola, em que as forças republicanas anticlericais mataram 13 bispos, 4 mil sacerdotes diocesanos, 2 mil religiosos e 300 freiras, praticamente todo grupo em todo nível hierárquico da Igreja Católica da Espanha eram pró-Franco”.

Apesar disso, Escrivá nunca se mostrou contra nem a favor do regime. Citando Allen, “não há nenhum momento no qual Escrivá tenha elogiado ou criticado o regime”. Nas décadas seguintes, alguns membros da Opus Dei tornaram-se ministros dos governos franquistas e pós-franquistas, em geral quadros de perfil tecnocrático. Em contrapartida, informa o autor, diversos numerários foram presos ou tiveram de se exilar por sua oposição a Franco, sendo um grupo muito pequeno dentro do movimento, e foram denunciados pelos próprios colegas institucionais.

Os sucessores de Escrivá (foto abaixo) costumam descartar a acusação de serem ligados às elites, lembrando que entre os construtores da obra existem trabalhadores manuais, motoristas de ônibus, agricultores e donas de casa, isso porque grande parte dos partidários da Opus Dei são grandes burgueses e industriais. Já de acordo com os teóricos das conspirações, na Opus Dei há pouco espaço para a liberdade de opinião e há forte cadência para instrução política em que os membros devem votar naqueles que os “maiores” decidem.


Sobre as críticas, os defensores do Opus Dei afirmam que a prelatura tem sido falsamente caluniada ao longo da história com “boatos e teorias sem fundamentação”. Para os membros, há duas Opus Dei criadas pelo senso comum: a verdadeira e a do mito, sendo a do mito parecida com o que sempre se falou das reuniões secretas dos maçons, por exemplo.