quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Paradoxo temporal: você já ouviu falar nisso? Sabe do que se trata?

Os filmes e séries de ficção científica adoram debater esse assunto, mas à luz das ciências exatas e filosóficas será que realmente existe um paradoxo temporal? Na realidade, podemos dizer, para quem já conhece o termo, que há inúmeros paradoxos temporais. Para quem ainda não conhece, o post de hoje é dedicado a explicar sobre isso.


Na ficção científica, o chamado paradoxo temporal é um fenômeno derivado das viagens do tempo para o passado. Quando o viajante do tempo vai para o passado, sua presença perturbadora, na maioria das vezes, gera resultados logicamente impossíveis, ou seja, um paradoxo. Isso aparece com frequência em filmes e séries que abordam a viagem do tempo, como nos clássicos “De volta para o futuro”.

Um clássico exemplo do paradoxo temporal é de causa e efeito: se o viajante altera algum evento passado com o objetivo de mudar o futuro, assim que o fizesse deixaria de existir o motivo original e, consequentemente, sua própria viagem. O motivo da viagem é a sua causa, se ele desaparecer, a viagem, que é seu efeito, também desaparece. Pode parecer assunto de louco, mas isso tudo faz sentido, e é por isso que os filósofos apontam que a viagem no tempo para o passado é algo impossível, uma vez que nós ainda ouvimos falar em grandes catástrofes do passado, como a Segunda Guerra Mundial, por exemplo. Os autores de ficção buscam resolver os paradoxos admitindo a coexistência de universos paralelos possibilitando que as alterações nos fatos passados possam gerar futuros alternativos.

Portanto, se a viagem no tempo ao passado fosse permitida em um futuro distante, hoje não debateríamos as atrocidades do Nazismo entre 1933 e 1945, por exemplo, pois teriam dado um jeito de eliminar Hitler antes que este chegasse ao poder. Sendo eliminado no passado por agentes do futuro, o motivo da viagem, no futuro, não existiria gerando, assim, um círculo vicioso entre causa e efeito.


Alguns exemplos dos paradoxos temporais...
1) Paradoxo do avô – O viajante volta no tempo e mata seu avô na infância, tornando impossível a sua própria existência;
2) Paradoxo da duplicação – O viajante volta poucas horas e encontra consigo mesmo, impedindo que faça a viagem no tempo, alterando assim sua própria história e criando uma duplicata permanente neste mundo, como se fosse um clone ou um gêmeo;
3) Paradoxo final – A pessoa volta ao passado e impede que a tecnologia que o levou ao passado seja inventada, prendendo-o ao passado eternamente.

A questão de retrocausalidade...
A retrocausalidade refere quaisquer dos fenômenos ou processos hipotéticos capazes de inverter a causalidade, permitindo que um efeito preceda a sua causa. É uma questão ligada ao paradoxo temporal das viagens do tempo: “pode o que ocorre no futuro afetar o presente?” ou “pode o presente afetar o próprio passado?”.

Os esforços filosóficos para entender a causalidade remontam a Antiguidade Clássica, na Grécia Antiga; porém, a ideia de que a flecha do tempo pode ser invertida é muito mais recente. Na realidade, a retrocausalidade foi sempre considerada uma contradição em si mesma, dado que, como já indicara o filósofo do século 18 David Hume, ao examinar dois eventos relacionados, a causa, simplesmente, por definição, é o acontecimento que precede o efeito (é o interruptor que ativa a luz, e não à inversa). Ainda, a capacidade de influir no passado sugere que os acontecimentos pudessem ser negados pelos seus próprios efeitos, originando um paradoxo físico, a mais conhecida é o paradoxo do avô (se viajo para o passado e mato o meu avô antes que este conheça a minha avó, como é que estou eu aqui para viajar para o passado e fazê-lo?).

Na década de 1950, o filósofo Michael Dummett manifestou-se contra de tais travas, afirmando que não existe objeção filosófica alguma a que os efeitos precedam as causas. Este argumento foi refutado pelo seu colega Anthony Flew e, mais tarde, por Max Black, que criticou o fácil que era fazer tais afirmações, pois o observador sempre poderá intervir nos efeitos que escolha. À medida que crescia a moderna compreensão da física de partículas, a retrocausalidade ia sendo empregada como ferramenta para explicar invulgares ou pouco conhecidos fenômenos no seu momento, incluindo o eletromagnetismo e a antimatéria.


Questões do debate atual...
Como se viu, a retrocausalidade, ao inverter a causalidade, pode indicar uma volta no tempo. Assim, a curva fechada de tipo tempo (aquela que permite o acesso ao passado) provém de soluções exatas. Embora estas curvas não pareçam existir em condições normais, circunstâncias extraordinárias do espaço-tempo, como os buracos de minhoca, poderiam facilitar a sua formação.

Grande parte dos físicos aponta que a viagem no tempo e os paradoxos temporais continuarão muito bem aplicados na teoria, mas nada além disso, e nunca testaremos a sua prática justamente por conta dos paradoxos temporais e das retrocausalidades. Assim sendo, alegam os físicos, que se a viagem fosse possível, os cientistas do futuro já teriam enviado até nós agentes do futuro avisando que a proposta fora atingida, o que ainda não ocorreu em nenhum momento da nossa história neste plano.