terça-feira, 22 de outubro de 2013

Considerações interessantes sobre o dia de Natal: fatos e farsas...

1. Para quem não sabe, o dia de Natal nos países eslavos, baseados no calendário juliano, é comemorado no dia 07 de janeiro, e não em 25 de dezembro;

2. Originalmente, o dia de Natal era destinado a celebrar o nascimento anual do deus Sol no solstício de inverno no Hemisfério Norte, festival conhecido como “Natalis Invicti Solis”, vindo da palavra latina “natalis”, “nascimento”;

3. O festival foi adaptado pela Igreja Católica no século 3 d.C. para permitir a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano, passando a comemorar nesta data o nascimento de Jesus Cristo. É a data mais importante do cristianismo desde então;

4. Embora tradicionalmente seja um dia santificado cristão, o Natal é amplamente comemorado por muitos não-cristãos, sendo que alguns de seus costumes populares e temas comemorativos têm origens pré-cristãs ou seculares. Por isso, poderíamos dizer que o Natal de hoje é uma grande mistura de culturas de várias partes de mundo, muitas vezes misturando práticas não-religiosas;

5. Nas línguas latinas a palavra Natal vem de “nascimento” em latim. Já no inglês, Christmas, vem de “Chrit’s mass”, ou seja, “Missa de Cristo”, que seria referência à Missa do Galo, que celebra o seu nascimento à meia-noite;


6. O Natal é celebrado no dia 25 de dezembro pela igreja ocidental desde o século 4, e desde o século 5 pelas igrejas cristãs do oriente;

7. Muitos historiadores localizam a primeira celebração em Roma, no ano 336 d.C, no entanto parece que os primeiros registros da celebração do Natal têm origem anterior, na Turquia, a 25 de dezembro, já em meados do século 3;

8. Curiosamente, em toda Europa, desde o ano 529 o dia 25 de dezembro é feriado em todos os países, declamado feriado pelo então Imperador Justiniano, sendo o feriado mais antigo da nossa era;

9. Muitos costumes populares associados ao Natal desenvolveram-se de forma independente da comemoração do nascimento de Jesus, com certos elementos de origens em festivais pré-cristãos que eram celebradas em torno do solstício de inverno pelas populações pagãs que foram mais tarde convertidas ao cristianismo;

10. O Natal transformou-se em uma festa familiar, em torno das crianças, com o tom religioso a partir do século 17, principalmente nos países que passaram pela Reforma Protestante. No século 19 o Natal já era visto como uma importante data comercial em alguns cantos da Europa;


11. Para quem não sabe, curiosamente, durante o século 18, em algumas partes protestantes da Alemanha, Holanda e Suíça a celebração do Natal era proibida devido a preocupações de que a data fosse pagã demais para tal celebração, misturando vários ritos;

12. No entanto, é válido recordar que quem popularizou as Árvores de Natal foi Martinho Lutero, homem que contestou a Igreja e fundou o protestantismo, causando o segundo cisma do Cristianismo em sua história;

13. Estudiosos contemporâneos afirmam que a data foi associada ao festival romano do Sol invencível, ligando o “renascimento” do Sol no céu ao nascimento do Messias do Cristianismo, tornando religiosa uma festa que antes era pagã. Assim, o Sol invencível tornou-se Jesus Cristo, o Rei dos reis;

14. Vale ressaltar que em todos os recantos da Europa os festivais de inverno eram extremamente populares. Entre as razões para isso inclui-se o fato de que menos trabalho agrícola precisaria ser feito durante o tempo de inverno, além da expectativa de uma primavera alegre e cheia de plantios fartos;

15. Outras tradições pagãs do Natal cristão atual incluem: o amigo oculto (vindo da Suécia viking), a troca de presentes (vindo do festival romano da Saturnália), as cores (verde, vermelho e dourado) eram usadas no ano novo romano, além do espírito caritativo para com os mais pobres, vindos das festas germânicas de colheitas;


16. Na Escandinávia pagã comemorava-se um festival de inverno chamado Yule, realizado do final de dezembro ao período de início do janeiro. Como o Norte da Europa foi a última parte do continente a ser cristianizada, suas tradições pagãs tinham uma grande influência sobre o Natal. Por isso os escandinavos continuam a chamar o Natal de “Jul”;

17. O Natal não se encontrava entre as primitivas festividades cristãs. Irineu e Tertuliano não o mencionam nas suas listas de festas. De fato, a primeira evidência da festa procede do Egito. A primeira vez que existe referência direta à observância do Natal, entre os cristãos, acontece no pontificado do Papa Libério (352-366);

18. A Bíblia diz que os pastores estavam nos campos cuidando das ovelhas na noite em que Jesus Cristo nasceu. O mês judaico de Kislev, correspondente aproximadamente à segunda metade de novembro e primeira metade de dezembro no calendário gregoriano era um mês frio e chuvoso. Sendo assim, não era um mês propício aos pastores ficarem nos campos passando frio e cuidando de ovelhas. Entretanto, o evangelista Lucas afirma que havia pastores vivendo ao ar livre e mantendo vigias sobre os rebanhos à noite perto do local onde Jesus nasceu;

19. O nascimento de Jesus se deu por volta de dois anos antes da morte do Rei Herodes, ou seja, considerando que este morreu em 4 a.C., então Jesus só pode ter nascido por volta de 6 a.C. Segundo a Bíblia, antes de morrer, Herodes mandou matar os meninos de Belém até aos 2 anos, de acordo com o tempo que apareceu a “estrela” aos magos;

20. Ainda, segundo a Bíblia, antes do nascimento de Jesus, o Imperador Otávio César Augusto decretou que todos os habitantes do Império fossem se recensear, cada um à sua cidade natal. Isso obrigou José a viajar de Nazaré (na Galileia) até Belém (na Judeia), a fim de registrar-se com Maria, sua esposa. Deste modo, fica claro que não seria um recenseamento para fins tributários;


21. A viagem de Nazaré a Belém – distância de uns 150 quilômetros – deveria ter sido muito cansativa para Maria, que estava em adiantado estado de gravidez. Enquanto estavam em Belém, Maria teve o seu filho primogênito. Envolveu-o em faixas de panos e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar disponível para eles no alojamento. São Lucas em seu Evangelho diz que no dia do nascimento de Jesus os pastores estavam no campo guardando seus rebanhos durante as vigílias da noite. Os rebanhos saíam para os campos entre abril e recolhiam nos princípios de outubro;

22. A vaca e o jumento junto da manjedoura conforme representado nos presépios, resulta de uma simbologia inspirada em Isaías 1:3 que diz: “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não têm conhecimento, o meu povo não entende”. Não há nenhuma informação fidedigna que prove que havia animais junto do recém-nascido Jesus. A menção de “um boi e de um jumento na gruta” deve-se também a alguns Evangelhos apócrifos;

23. Os nomes dos Três Reis Magos e sua quantidade, em três, e seus nomes – Gaspar, Melchior e Baltazar – constam dos Evangelhos apócrifos;

24. A Árvore de Natal é considerada por alguns como uma cristianização da tradições e rituais pagãos em torno do solstício de inverno, que incluía o uso de ramos verdes, além de ser uma adaptação de adoração pagã das árvores. Outra versão sobre a procedência da Árvore de Natal, a maioria delas indicando a Alemanha como país de origem, uma das mais populares atribui a novidade a Martinho Lutero, autor da Reforma Protestante. Olhando para o céu através de uns pinheiros que cercavam a trilha, viu-o intensamente estrelado parecendo-lhe um colar de diamantes encimando a copa das árvores. Tomado pela beleza daquilo, decidiu arrancar um galho para levar para casa. Lá chegando, entusiasmado, colocou o pequeno pinheiro num vaso com terra e, chamando a esposa e os filhos, decorou-o com pequenas velas acesas afincadas nas pontas dos ramos. Arrumou em seguida papéis coloridos para enfeitá-lo mais um tanto. Era o que ele vira lá fora. Afastando-se, todos ficaram pasmos ao verem aquela árvore iluminada a quem parecia terem dado vida. Nascia assim a Árvore de Natal;

25. Já na Roma Antiga, os romanos penduravam máscaras de Baco em pinheiros para comemorar uma festa chamada Saturnália, que coincidia com a data do nosso Natal;


26. As esculturas e quadros que enfeitavam os templos para ensinar os fiéis, além das representações teatrais semilitúrgicas que aconteciam durante a Missa de Natal, serviram de inspiração para que se criasse o presépio. A tradição católica diz que o presépio surgiu em 1223, quando São Francisco de Assis quis celebrar o Natal de um modo o mais realista possível e, com a permissão do Papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de José, juntamente com um boi e um jumento vivos e vários outros animais. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal;

27. Em todas as religiões cristãs, é consensual que o presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos;

28. O dia de montar as decorações natalinas variam em cada país. No Brasil as decorações costumam ser realizadas no dia 06 de dezembro, data em que se comemora o dia de São Nicolau. No dia 06 de Janeiro, comemora-se o Dia de Reis, data que assinala a chegada dos Três Reis Magos a Belém, encerrando a magia do Natal, quando a Árvore de Natal e demais decorações natalinas são desfeitas;

29. As canções natalinas são símbolos do Natal e as letras retratam as tradições das comemorações, o nascimento de Jesus, a paz, a fraternidade, o amor, os valores cristãos. Os Estados Unidos têm antiga tradição de celebrar o Natal com músicas típicas. No Brasil, esta tradição, além das familiares, só se tornou comercialmente popular nos anos 1990;

30. Depois da Reforma Protestante, no século 16, muitos países da Europa Central abandonaram a figura de São Nicolau (Papai Noel) substituindo-a pelo Menino Jesus. A figura de Papai Noel só voltou no século 19;


31. O natal é normalmente o maior estímulo econômico anual para muitas nações ao redor do mundo. As vendas aumentam dramaticamente em quase todas as áreas de varejo e lojas introduzem novos produtos para as pessoas comprarem, como brindes, decoração e suprimentos;

32. Nos Estados Unidos, a chamada “temporada de compras de Natal” começa já em outubro. No Canadá, os comerciantes começam campanhas publicitárias, pouco antes do Dia das Bruxas (31 de outubro), e intensificam a sua comercialização em novembro. No Reino Unido e na Irlanda, a temporada de compras de Natal começa a partir de meados de novembro, no momento em que a comemoração de Natal das ruas é montada;

33. Nos Estados Unidos, foi calculado que um quarto de todos os gastos pessoais acontece durante a temporada de compras de Natal. Dados do United States Census Bureau revela que as despesas em lojas de departamento em todo o país subiu de US$ 20,8 bilhões em novembro de 2004 para US$ 31,9 bilhões em dezembro de 2004, um aumento de 54%;

34. Na maioria das nações ocidentais, o dia de Natal é o dia menos ativo do ano para os negócios e o comércio, quase todas as empresas de varejo, comerciais e institucionais estão fechadas, e quase todas as atividades industriais cessam (mais do que em qualquer outro dia do ano). Na Inglaterra e País de Gales, o Christmas Day Act de 2004 impede que todas as grandes lojas façam comércio no dia de Natal;

35. Uma análise de um economista calcula que, apesar do aumento de despesa global, o Natal é um peso-morto na teoria microeconômica ortodoxa, devido ao efeito de dar presentes. Esta perda é calculada como a diferença entre o que o doador do presente gasta com o item e o que o receptor teria pago pelo item;


36. Durante o período de colonização dos Estados Unidos pelos puritanos, foi proibida a celebração do Natal. De acordo com fontes da época, eles acreditavam que a data fosse “um festival papista sem justificação bíblica e cheio de representações pagãs”, chegando a ser considerada uma festa imoral;

37. No século 19, também nos Estados Unidos, a União Americana pelas Liberdades Civis iniciou processos judiciais para impedir a exibição de imagens e outros materiais referentes ao Natal em bens públicos, incluindo escolas. Esses grupos argumentam que o financiamento do governo para exibir imagens e tradições do Natal viola a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que proíbe a criação, pelo Congresso, de uma religião nacional.